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  • Embrapa publica recomendações para o controle de pragas do quiabo

    Embrapa publica recomendações para o controle de pragas do quiabo

    A Embrapa Hortaliças publicou a Circular Técnica nº 179, intitulada Recomendações para o controle de pragas do quiabeiro. O material apresenta estratégias para o manejo de insetos e ácaros que podem causar prejuízos à cultura, independentemente do sistema de produção adotado, convencional ou agroecológico.

    A publicação foi elaborada pelos pesquisadores Miguel Michereff Filho e Carlos Alberto Lopes, da Embrapa Hortaliças, e pelo professor Jorge Braz Torres, da Universidade Rural de Pernambuco. O conteúdo reúne descrições detalhadas, ilustrações e orientações sobre as principais pragas do quiabeiro e os métodos de controle recomendados.

    A produção brasileira de quiabo é estimada em aproximadamente 120 mil toneladas. Minas Gerais, Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro estão entre os principais estados produtores.

    Segundo os autores, a importância de cada praga pode variar conforme a região, a época de cultivo e o sistema de produção. Por isso, o manejo deve priorizar medidas capazes de reduzir a presença dos organismos na lavoura sem causar impactos econômicos, sociais e ambientais ao produtor.

    Principais pragas do quiabeiro

    Entre os insetos sugadores mais importantes para a cultura estão o pulgão-do-algodoeiro, a mosca-branca, o percevejo-manchador e os tripes. A circular apresenta informações para a identificação desses organismos e orientações sobre as respectivas formas de controle.

    O quiabeiro também pode ser atacado por diferentes espécies de ácaros. Entre os principais estão o ácaro-rajado, os ácaros-vermelhos, o ácaro-verde, o microácaro ou ácaro-da-erinose e o ácaro-branco.

    As lagartas, que correspondem à fase larval do ciclo de vida de mariposas e borboletas, também podem provocar danos à cultura. Entre as espécies de maior relevância estão a lagarta-rosca, a lagarta-do-cartucho-do-milho, a lagarta-helicoverpa, a lagarta-heliothis e a lagarta-rosada.

    Algumas famílias de besouros também podem ser encontradas em plantações de quiabo. Esses insetos atacam brotos, folhas e flores, mas, de acordo com a publicação, os danos costumam ocorrer de forma esporádica. Entre os exemplos estão adultos dos gêneros Colaspis e Diabrotica.

    As abelhas sem ferrão nativas do Brasil, conhecidas regionalmente como arapuá, arapuã, irapuã, cupira, enrola-cabelo e abelha-cachorro, são mais comuns em lavouras orgânicas. Em sistemas convencionais, a pulverização pode afastar a visita dessas espécies.

    Controle biológico e manejo integrado

    O uso de inimigos naturais no controle de pragas é chamado de controle biológico. A estratégia aproveita a regulação natural das populações de insetos e ácaros que se alimentam das plantas.

    Para os pesquisadores, o agricultor pode contribuir para esse processo ao preservar e ampliar a atuação dos inimigos naturais presentes no agroecossistema. Dessa forma, o controle de pragas não depende exclusivamente da aplicação de produtos químicos.

    A circular destaca que o controle químico deve ser associado a outros métodos de manejo. Um profissional habilitado deve orientar a recomendação e o uso de defensivos agrícolas para evitar aplicações insuficientes ou excessivas.

    Manejo Integrado de Pragas

    O desenvolvimento de um programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP) é considerado fundamental para a cadeia produtiva do quiabo. A estratégia busca garantir alimentos de qualidade e livres de contaminantes, além de preservar o meio ambiente e proteger a saúde dos consumidores e dos trabalhadores rurais.

    “É importante ressaltar que o desenvolvimento e a implementação de um programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP) são importantes para a cadeia de valor do quiabeiro, especialmente para suprir a demanda por alimentos de qualidade e livre de contaminantes, respeitando-se o meio ambiente e a saúde do consumidor e do trabalhador rural”, resumem os pesquisadores.

    Nesse contexto, o aprimoramento do manejo da cultura depende da integração entre pesquisa, assistência técnica e setor produtivo.

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  • Embrapa lança batata para chips e batata-palha

    Embrapa lança batata para chips e batata-palha

    A Embrapa lançou a cultivar de batata BRS F21, voltada ao processamento industrial de chips e batata-palha.
    Desenvolvida após mais de dez anos de pesquisa, a nova batata combina alta produtividade, resistência a doenças e excelente aptidão para fritura.

    A cultivar recebeu o apelido de Braschips devido ao elevado rendimento industrial e à qualidade superior dos chips produzidos. Segundo a Embrapa, a BRS F21 apresenta alta matéria seca e baixo teor de açúcares, fatores essenciais para fritura de qualidade. Essas características garantem chips mais secos, crocantes e com coloração clara e uniforme, preferida pelos consumidores.

    O pesquisador Giovani Olegário, da Embrapa Hortaliças, explica que a combinação desses atributos evita a caramelização durante a fritura. Além disso, a batata apresenta textura firme, sabor característico, polpa amarelo-clara e formato ovalado dos tubérculos.

    Esses fatores contribuem diretamente para o desempenho industrial e a padronização do produto final.
    A cultivar também registra baixa incidência de desordens fisiológicas, como manchas internas e rachaduras nos tubérculos. Com isso, a indústria reduz perdas no processamento e amplia o aproveitamento da matéria-prima.
    Testes preliminares, realizados em parceria com a indústria, aprovaram o uso da BRS F21 para chips e batata-palha. Na fase atual, avaliações em maior escala analisam a aceitação entre produtores fornecedores da indústria.

    Alta produtividade e estabilidade

    Foto: divulgação – Embrapa

    A BRS F21 chega ao mercado com potencial para superar cultivares concorrentes em produtividade e estabilidade produtiva. A batata apresenta ampla adaptação às principais regiões produtoras do País, incluindo o Triângulo Mineiro. Essa região concentra o maior volume de fornecimento de batata para as agroindústrias brasileiras.

    O vigor vegetativo e o alto potencial produtivo reduzem o custo da matéria-prima destinada ao processamento.
    Segundo Olegário, o ciclo produtivo é ligeiramente mais longo, porém favorece maior acúmulo de amido nos tubérculos. Esse fator atende às exigências da indústria por níveis adequados de matéria seca.

    No momento da colheita, a dessecação seguida de cerca de dez dias é considerada etapa essencial.
    Nesse período, ocorre a conversão de açúcares em amido, favorecendo chips de coloração clara.
    O pesquisador destaca que o monitoramento da lavoura ajuda a definir o ponto ideal de colheita.

    Resistência ao vírus PVY

    A resistência ao vírus PVY representa uma das principais vantagens competitivas da cultivar BRS F21.
    O PVY é a virose de maior impacto socioeconômico na cultura da batata no Brasil. A doença provoca amarelecimento, enfraquecimento das plantas e queda significativa da produtividade.

    Como a batata se propaga por tubérculos, o vírus compromete diretamente a qualidade das sementes.
    Com baixa suscetibilidade ao PVY, a nova cultivar mantém o vigor das plantas ao longo dos ciclos produtivos.
    Esse avanço fortalece a produção e amplia a segurança fitossanitária da cadeia.

    A BRS F21 também demonstrou boa resistência à requeima e à pinta-preta. Essas doenças foliares afetam especialmente regiões produtoras do Sul do País.

    Portfólio diversificado de cultivares

    O Programa de Melhoramento Genético de Batata da Embrapa desenvolve cultivares para diferentes segmentos de mercado. As variedades atendem às condições tropicais e subtropicais do Brasil.
    Segundo a pesquisadora Caroline Castro, o programa considera consumidor, produtor e indústria no desenvolvimento das cultivares. A oferta contempla tanto o consumo fresco quanto o uso industrial. Cada cultivar recebe indicação específica para assar, fritar ou utilizar em saladas.

    A Embrapa também avalia a adaptação a sistemas de produção diferenciados, como o cultivo orgânico.
    Nos últimos dez anos, a pesquisa lançou quatro cultivares além da BRS F21. Entre elas estão a BRS F63 Camila, a BRS F183 Potira, a BRS F50 Cecília e a BRS Gaia. Essas variedades atendem desde o mercado gourmet até a indústria de pré-fritos congelados.

    Segundo a pesquisadora, a limitação de cultivares adaptadas ao calor reduz janelas de cultivo no Brasil.
    Nesse cenário, a Embrapa atua no desenvolvimento de materiais adaptados às condições climáticas nacionais.
    O trabalho envolve parceria entre a Embrapa Clima Temperado e a Embrapa Hortaliças.

    As avaliações ocorrem em estações experimentais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
    Produtores parceiros e indústrias de diferentes regiões também participam das validações.

    Onde encontrar

    Os primeiros licenciados da cultivar BRS F21 foram selecionados por edital público no início do ano.
    Esses produtores serão responsáveis pela multiplicação de batata-semente da nova cultivar.
    Todos possuem cadastro no Registro Nacional de Sementes e Mudas, junto ao Ministério da Agricultura.

  • Descoberta genética promete transformar cultivo de tomate no Brasil

    Descoberta genética promete transformar cultivo de tomate no Brasil

    A Embrapa alcançou um marco na pesquisa agrícola. Cientistas da empresa mapearam o genoma do tomateiro e identificaram o gene que confere porte ereto às folhas. O estudo contou com parceria da Universidade de Brasília (UnB) e do Instituto Nacional de Investigación Agropecuaria (Inia) do Uruguai.

    A descoberta promete revolucionar o melhoramento genético do tomate. Os pesquisadores agora podem desenvolver novas cultivares usando marcadores moleculares e biotecnologia avançada.

    Maria Esther Fonseca, pesquisadora da Embrapa Hortaliças, explica o processo. “Observamos plantas com mutação natural em nossa coleção de germoplasma”, conta. “Essas plantas apresentavam folhas eretas.”

    Os cientistas cruzaram essas plantas mutantes com tomateiros normais. O mapeamento genético revelou um padrão específico. Toda planta com porte ereto apresentava o mesmo marcador molecular de DNA.

    “Conseguimos localizar o gene exato no cromossomo 10 do tomateiro”, destaca Fonseca.

    Tecnologia CRISPR comprova função do gene

    Francisco Aragão, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, liderou a validação. Sua equipe usou a ferramenta CRISPR-Cas9 para editar genes de plantas normais. O resultado confirmou as expectativas: plantas editadas desenvolveram folhas eretas.

    “Percorremos todas as etapas desta descoberta”, explica Leonardo Boiteux, da Embrapa Hortaliças. “Desde a observação no campo até a prova final da função do gene.”

    Conhecimento se aplica a outras culturas

    A descoberta vai além do tomate. Estudos filogenéticos mostram genes similares em outras espécies. Milho, pêssego e diversas plantas herbáceas possuem variações do mesmo gene.

    “Podemos editar e gerar plantas eretas em outras espécies vegetais”, projeta Boiteux. A técnica pode beneficiar hortaliças, cereais e frutíferas.

    Aragão reforça o potencial da descoberta. “A estratégia contribui para enfrentar desafios de segurança alimentar e sustentabilidade”, afirma.

    Folhas eretas oferecem proteção térmica

    A arquitetura da planta impacta diretamente a produtividade. Folhas eretas distribuem melhor a luz solar e oferecem maior conforto térmico. O ângulo vertical minimiza a incidência solar direta. As plantas sofrem menos estresse por calor e perdem menos água.

    Matias González-Arcos, pesquisador do Inia, compara os modelos. “Plantas convencionais sofrem estresse oxidativo intenso das 11h às 15h”, explica. “Folhas eretas reduzem a evapotranspiração e criam proteção térmica natural.”

    Maior densidade de plantio gera mais produtividade

    O principal benefício está no adensamento do plantio. Produtores podem cultivar mais plantas por hectare sem competição excessiva por luz. O tomate para processamento industrial apresenta maior potencial. A técnica permite otimizar áreas de produção significativamente.

    Folhas verticais facilitam o controle químico e biológico de doenças. O manejo de oídio e moscas-brancas torna-se mais eficaz. Pedro Brício Brito Fernandes, estudante da UnB, pesquisou o tema em sua dissertação. “Plantas editadas receberam 2,5 vezes menos moscas-brancas”, revela.

    A posição ereta expõe a superfície inferior das folhas. Essa área, preferida pelas pragas para postura, fica mais acessível a inimigos naturais e condições ambientais desfavoráveis.

    A descoberta representa um avanço significativo para a agricultura brasileira. Os pesquisadores estabeleceram base genética sólida para desenvolver cultivares mais adaptadas ao cultivo intensivo.

  • Hortitec 2025 apresenta novas tecnologias para a horticultura brasileira

    Hortitec 2025 apresenta novas tecnologias para a horticultura brasileira

    De 25 a 27 de junho, Holambra (SP) recebe a 30ª edição da Hortitec – Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas –, maior evento da América Latina dedicado ao setor hortifrutícola. Com a participação de 520 empresas nacionais e internacionais, a feira destaca as últimas tecnologias para aumentar a produtividade, reduzir perdas e garantir a qualidade dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros.

    A Hortitec 2025 oferece soluções que atendem desde pequenos até grandes produtores das cinco regiões do país. Os visitantes poderão conferir inovações em sementes e mudas, agricultura digital, cultivo protegido, nutrição, defensivos, irrigação, máquinas e ferramentas, refletindo as principais demandas do setor.

    Novidades em cultivares e bioinsumos

    Entre os lançamentos, a Embrapa apresenta a BRS Belatriz, uma nova cultivar híbrida de cebola amarela precoce. Ela é resistente a doenças e adaptada a condições de dias longos, úmidos e quentes, ideal para plantio de verão e entressafra. Outra inovação é a batata-doce biofortificada IAC Dom Pedro II, desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), que possui polpa alaranjada e concentra 64 vezes mais carotenoides, essenciais para a saúde ocular e imunológica. Essa cultivar também apresenta produtividade 48,6% superior às variedades tradicionais do estado de São Paulo.

    No campo dos fertilizantes e defensivos, a Embrapa Meio Ambiente destaca o bioinsumo Auras, tecnologia baseada em bioativos da caatinga que reduz o estresse hídrico nas plantas, otimiza o uso da água e protege o potencial produtivo contra variações climáticas.

    Agricultura digital e inclusão tecnológica

    A Embrapa Agricultura Digital traz ao evento o projeto Semear Digital, que promove a inclusão digital e socioprodutiva de pequenas e médias propriedades rurais por meio de tecnologias da informação e comunicação. Os visitantes poderão conhecer a versão web do Zarc Plantio Certo, ferramenta que auxilia no planejamento agrícola com base no zoneamento climático. E o aplicativo Agritempo, que oferece monitoramento meteorológico e agrometeorológico em tempo real.

    Hortitec
    Foto: divulgação Hortitec

    A programação da Hortitec 2025 inclui o Painel de Inovação Embrapa e Ibrahort, com o tema “Resiliência Climática na Horticultura”, que abordará os desafios das mudanças climáticas e as soluções tecnológicas para a adaptação do setor. Também haverá eventos como o “Bate-papo com o IAC”, com degustação de produtos e apresentações sobre cultivo indoor, uso de drones e sanidade vegetal.

    Serviço

    Evento: 30ª Hortitec – Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas

    Data: 25 a 27 de junho de 2025

    Horário: 25 e 26 de junho, das 9h às 19h | 27 de junho, das 9h às 17h

    Local: Parque de Exposição da Expoflora – Rua Maurício de Nassau, 675, Holambra/SP

    Ingressos: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (estudantes e maiores de 60 anos)

    Informações: www.hortitec.com.br | Telefone: (19) 3802-4196 | Redes sociais: @hortitec

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  • Batata-doce: conheça a super aliada da saúde

    Batata-doce: conheça a super aliada da saúde

    A batata-doce, um tubérculo amplamente consumido no Brasil e em várias partes do mundo, tem se destacado não apenas pelo seu sabor adocicado, mas também por seus diversos benefícios à saúde. Rica em nutrientes e compostos bioativos, a batata doce é considerada um superalimento que pode contribuir significativamente para uma dieta equilibrada.

    Mas além dos benefícios da batata-doce, o que não falta é diversidade de cores. Já pensou de onde vem essa cor? Que gosto tem? Qual a cor mais nutritiva e mais saudável? Qual cor é indicada para qual prato? A Embrapa Hortaliças lançou recentemente um folder intitulado “Hortaliça não é só salada. Batata-doce: escolha a sua cor”, que explora os diferentes tipos de batata-doce e seus benefícios nutricionais.

    A publicação faz parte do projeto “Incremento tecnológico e ações de comunicação para o fortalecimento da cadeia produtiva de batata-doce no Distrito Federal”, apoiado pelo Fundo de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).

    Produzido pelas pesquisadoras Milza Lana, Larissa Vendrame e Lucimeire Pilon, o folder destaca a diversidade de cores da batata-doce, que pode variar entre branca, creme, laranja e roxa. Essa variedade é explicada pelos diferentes pigmentos presentes na planta. A polpa branca contém maior quantidade de amido, enquanto a laranja é rica em carotenoides, e a roxa apresenta antocianinas, compostos bioativos também encontrados em alimentos como berinjela e açaí.

    Benefícios nutricionais

    As autoras ressaltam que todas as variedades de batata-doce são ricas em fibras e fornecem quantidades variadas de sais minerais, vitaminas e compostos bioativos. “Consumir apenas a batata-doce de polpa laranja por causa da alta concentração de provitamina A significa abrir mão de outros nutrientes importantes presentes nas demais variedades”, afirmam as pesquisadoras.

    Cores versus sabores

    A publicação está lançando luz sobre as distintas características das diferentes cultivares de batata-doce, explorando como as cores da polpa influenciam o sabor e a textura de cada variedade. Algumas delas são mais doces, outras têm polpa mais seca ou, ao contrário, são mais suculentas, com texturas que variam de macia a fibrosa, conforme o tipo de batata.

    Batata-doce: publicação explica as diferenças de cores e de sabores da hortaliça. Foto: Gislene Alencar. Embrapa

    Milza Lana explica que o objetivo do material é informar o público sobre a diversidade de batatas-doces disponíveis no mercado. Os pigmentos naturais presentes na batata-doce determinam a cor da polpa, permitindo seu uso de diferentes formas na culinária.

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    Entre as variedades destacadas, a Coquinho, com polpa branca, se diferencia pelo sabor mais doce em comparação à Canadense, de polpa creme. Já as variedades de polpa laranja Beauregard e CIP BRS Nuti, embora parecidas na cor, se distinguem pela textura: enquanto a Nuti apresenta uma polpa mais seca, a Beauregard tem uma polpa mais aquosa.

    Essas informações são especialmente úteis para consumidores que desejam explorar a versatilidade culinária dessa hortaliça, aproveitando a diversidade natural para criar pratos saborosos e saudáveis.

    Benefícios

    A batata doce é uma excelente fonte de carboidratos complexos, fibras, vitaminas e minerais. Entre os principais nutrientes, destacam-se a vitamina A, que é crucial para a saúde ocular e imunológica; a vitamina C, que fortalece o sistema imunológico; e o potássio, que ajuda a regular a pressão arterial. Além disso, o tubérculo contém antioxidantes que combatem os radicais livres no organismo.

    Pesquisas indicam que a batata doce possui altos níveis de antioxidantes, como os betacarotenoides, que não apenas conferem a coloração alaranjada ao alimento, mas também têm propriedades anti-inflamatórias e anticancerígenas. Segundo a nutricionista Ana Paula Oliveira, “o consumo regular do tubérculo pode ajudar a prevenir doenças crônicas devido à sua capacidade de neutralizar os efeitos nocivos dos radicais livres”.

    Outro benefício significativo da batata doce é sua capacidade de ajudar no controle dos níveis de açúcar no sangue. A presença de fibras solúveis contribui para a regulação da glicemia, tornando-a uma opção saudável para pessoas com diabetes. “Inclui-la na dieta pode ser uma estratégia eficaz para gerenciar os níveis de glicose”, afirma o endocrinologista Dr. Carlos Mendes.

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    O folder também aborda as diversas formas de preparo da batata-doce. Ela pode ser preparada de diversas maneiras: assada, cozida, em purês ou até mesmo em forma de chips. Essa versatilidade não só enriquece as refeições, mas também torna mais fácil incorporar o alimento na dieta diária. “Ela é, Portanto, uma ótima opção tanto para pratos doces quanto salgados”, comenta a chef de cozinha Maria Fernanda.

    Sustentabilidade e produção

    Além dos benefícios à saúde, a produção de batata doce apresenta vantagens ambientais. O cultivo do tubérculo requer menos água em comparação com outras culturas e pode ser realizado em diferentes tipos de solo. Isso torna ela uma alternativa sustentável para agricultores em diversas regiões do Brasil.

    Com seus inúmeros benefícios nutricionais e sua versatilidade culinária, a batata doce se consolida como um superalimento valioso na dieta moderna. Especialistas recomendam sua inclusão regular nas refeições para aproveitar ao máximo suas propriedades benéficas à saúde. A popularização desse tubérculo pode não apenas melhorar a nutrição da população, mas também contribuir para práticas agrícolas mais sustentáveis.

  • Alfaces da Embrapa desafiam o calor

    Alfaces da Embrapa desafiam o calor

    Uma pesquisa da Embrapa Hortaliças revelou resultados promissores no desenvolvimento de alfaces sob temperaturas mais elevadas. As mudanças climáticas preocupam e os impactos no setor agrícola também. Os pesquisadores simularam um cenário de aumento de 5ºC de temperatura, passando da média de 25ºC para 30ºC, durante 45 dias. Diferentemente de outras nove cultivares testadas no mesmo experimento, a BRS Leila e BRS Mediterrânea se desenvolveram bem nas novas condições.

    O estudo, liderado pelo pesquisador Carlos Pacheco, teve como objetivo antecipar os efeitos das mudanças climáticas no cultivo de alfaces. Foi considerado um cenário de aumento de temperatura de 5°C. “Para isso, trabalhamos dois valores de temperatura do ar, conforme a média histórica observada e projetada em um cenário extremo de mudanças climáticas globais para o Brasil: 25ºC/20ºC e 30ºC/25ºC (dia e noite, respectivamente)”, detalha Pacheco.

    Câmara de crescimento vegetal

    Utilizando a avançada Câmara de Crescimento Vegetal da Embrapa, os pesquisadores puderam simular condições atmosféricas precisas. A temperatura, umidade relativa do ar e concentração de gás carbônico foram observadas, por exemplo. Esta ferramenta permitiu uma análise detalhada do impacto do calor nas plantas de alface.

    O pesquisador lembra que as hortaliças folhosas são mais suscetíveis ao calor. Entre elas, a alface que é a mais consumida do país de acordo com a Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (Abcsem). Ou seja, o alto consumo torna o trabalho ainda mais importante no esforço de adaptação às mudanças no clima.

    Diferenciais das variedades

    O destaque das cultivares BRS Leila e BRS Mediterrânea reside em suas características específicas, desenvolvidas para enfrentar o calor crescente. Fábio Suinaga, responsável pelo desenvolvimento desses materiais, explica que a BRS Leila, por exemplo, possui um ciclo de florescimento mais tardio. Com isso ela resiste, em média, dez dias a mais de calor em comparação às demais alfaces testadas.

    Por sua vez, a BRS Mediterrânea apresenta um ciclo produtivo mais curto, permitindo que ela alcance o ponto de colheita sete dias antes das variedades similares do mercado. “Com um ciclo mais curto, ela está menos exposta ao calor e evita o florescimento prematuro”, destaca Suinaga. Esse florescimento precoce pode resultar em efeitos prejudiciais, como alongamento do caule e redução do número de folhas e da qualidade comercial da alface.

    Os testes realizados com cultivares comerciais sob as mesmas condições de temperatura revelaram uma série de desordens, como pendoamento e queima de bordas, inviabilizando sua comercialização. “O fato de nossas cultivares permanecerem resilientes a 30°C é uma prova da adaptabilidade do nosso material genético a condições adversas”, celebra o pesquisador.

    Próximo passo

    Enquanto o estudo atual focou na tolerância ao calor, os pesquisadores planejam expandir as investigações para abordar outros desafios climáticos. “Neste momento estamos trabalhando a tolerância ao calor, e na segunda etapa devemos focar no estresse hídrico (por excesso ou falta de água), envolvendo a tolerância à salinização, seguida pelo comportamento com relação ao uso de bioinsumos”, afirma Pacheco.