Tag: Embrapa Cerrados

  • Pesquisa acelera produção comercial do baru em conjunto com café

    Pesquisa acelera produção comercial do baru em conjunto com café

    Pesquisadores da Embrapa Cerrados (DF) testam novos sistemas de cultivo em consórcio que combinam o baruzeiro, o cafeeiro irrigado e culturas anuais e bianuais de ciclo curto. A iniciativa pode se tornar, em breve, uma alternativa viável para produtores de pequeno e grande porte que buscam diversificar a produção, ampliar a renda e usar de forma mais racional os insumos e a oferta ambiental do bioma.

    Sistema integrado baru com café em linha dupla aos dois anos de campo. Foto: Tadeu Graciolli/Embrapa

    O baruzeiro é uma árvore nativa do Cerrado brasileiro que produz uma castanha rica em proteínas, fibras e antioxidantes, classificada como superalimento. Apesar da alta demanda nacional e internacional, a espécie ainda não conta com safras previsíveis, já que sua produção depende basicamente da coleta em áreas naturais. Esse cenário reforça a necessidade de sistemas comerciais eficientes de cultivo.

    A cafeicultura irrigada, por outro lado, já é uma atividade consolidada no Cerrado, onde o clima e a altitude favorecem a produção de cafés de alta qualidade e premiados mundialmente.

    Pesquisa combina dois modelos de plantio

    O pesquisador Tadeu Graciolli, criador do Sistema Filho — Fruticultura Integrada com Lavouras e Hortaliças, lançado em 2017, conduz os experimentos há quatro anos. Em uma área de 3.500 m² nos campos da Embrapa Cerrados, a equipe implantou dois sistemas: um de linha dupla (LD) e outro de linha simples (LS), cada um ocupando 45 m x 35 m.

    Nos dois modelos, o espaçamento entre as plantas de baru e de café é o mesmo. A diferença está na disposição: no sistema LS, o baru foi plantado dentro da própria linha do café; no LD, uma linha de baru foi inserida entre cada duas linhas de café. Ao todo, os pesquisadores avaliam dez clones de baru e três variedades de café arábica, com o objetivo de identificar as plantas mais produtivas.

    A equipe plantou as mudas de baruzeiro entre janeiro e fevereiro de 2022 e os cafeeiros entre fevereiro e março do mesmo ano. No sistema LD, a equipe realiza a irrigação por microaspersão e pode mecanizar a colheita.

    Corredores de agricultura geram renda no curto prazo

    As duas linhas vizinhas de cafeeiros do sistema LD formam o que Graciolli chama de “corredores de agricultura”: espaços onde a estrutura física e a irrigação disponível permitem o cultivo de culturas anuais e bianuais, como feijão, abacaxi e mandioca, enquanto o baru e o café ainda estão em desenvolvimento. Essas culturas são colhidas em poucos meses e ajudam a compensar o investimento inicial no plantio das árvores.

    Plantas dos baruzeiros floresceram e produziram frutos quatro anos após o plantio. No meio natural, começam a produzir depois de sete a dez anos. Foto: Tadeu Graciolli/Embrapa

    “O sistema LD foi pensado para obtenção de baru no longo prazo, café no médio prazo e culturas anuais e bianuais no curto prazo. Isso é para que o pequeno produtor se sinta seguro em entrar na atividade de plantio de baru”, explica Graciolli.

    Baruzeiros floresceram em menos de três anos

    Os pesquisadores colheram a primeira safra de café dos sistemas em maio de 2024, com produtividade média de cerca de 40 sacas por hectare. Em maio de 2025, enquanto se preparavam para colher a terceira safra de café, eles registraram o desenvolvimento acelerado dos baruzeiros: nove plantas floresceram e começaram a produzir frutos pouco mais de quatro anos após o plantio, bem antes dos sete a dez anos que o baru normalmente leva para frutificar em condições naturais. Algumas plantas floresceram com apenas dois anos e dez meses.

    Segundo Graciolli, esse ritmo só é possível graças ao manejo intensivo do ambiente; irrigação, adubação, controle de invasoras e podas. E mesmo que o baruzeiro em si não receba adubação direta. “Ele se aproveita dos nutrientes residuais da adubação do café, do feijão, do abacaxi”, afirma o pesquisador.

    A água do sistema de irrigação também não é destinada diretamente ao baru. “A irrigação é dirigida para o café e as culturas de ciclo curto. O baru entra como um convidado do sistema, aproveitando a água que sobra dessas outras culturas”, explica.

    Consórcio amplia biodiversidade e sustentabilidade econômica

    Para Graciolli, sistemas integrados como esse permitem maior eficiência no uso de água e nutrientes, além de aumentar a biodiversidade dos cultivos e reduzir a incidência de pragas e doenças. “São produzidos diversos produtos numa mesma área, o que traz sustentabilidade econômica. Isso favorece o pequeno produtor rural para que ele consiga viver da exploração agrícola”, destaca.

    Embora a agricultura familiar tenha concebido originalmente os consórcios, o pesquisador ressalta que propriedades maiores também podem adaptá-los.

    Próximos passos incluem nova safra e seleção de variedades

    A terceira safra de café e a próxima, prevista para 2027, ainda serão acompanhadas pela equipe. “Depois da quarta safra, faremos a poda e o rebaixamento das plantas de café. E esperamos que o baru já tenha mais plantas atingindo a idade adulta e entrando em produção”, projeta Graciolli.

    Após cinco anos de implantação, a estratégia passará por nova avaliação, com possível reabertura dos corredores de agricultura para o plantio de culturas como mandioca, quiabo ou abóbora. Paralelamente, os pesquisadores selecionam as plantas de baru mais produtivas e de crescimento mais rápido, com vistas à produção de mudas por enxertia e ao lançamento futuro de variedades superiores da espécie.

    “Em sistemas dessa natureza, espera-se que o investimento financeiro seja amortizado pelas culturas de ciclo mais curto. E assim que os baruzeiros atingirem a fase adulta, se estabilizarem e entrarem em franca produção, se tornem uma cultura agronômica rentável”, projeta o pesquisador.

    Feijão, abacaxi e mandioca reforçam o desempenho do sistema

    Nos experimentos, três cultivares de feijão alcançaram produtividade média de 1,8 a 2,2 toneladas por hectare. Resultado que, segundo Graciolli, poderia ter superado 3 toneladas por hectare não fosse o ataque de veados campeiros às plantações.

    Foto: Tadeu Graciolli/Embrapa

    Já os testes com abacaxi mostraram bom desempenho das cultivares Smooth Cayenne (ou Havaí) e Pérola. Os frutos do Smooth Cayenne pesaram entre 1,8 e 2,2 quilos, com boa aparência e sabor. Enquanto os do Pérola variaram de 1,3 a 1,8 quilo, com equilíbrio entre doçura e acidez.

    A mandioca, cultivada em uma área do corredor de agricultura originalmente não destinada ao plantio, teve produção de raízes que evoluiu de 4,5 kg para 7,5 kg por cova entre os 10 e os 16 meses após o plantio. O equivalente a um potencial de sete toneladas por hectare.

    Sistema de linha simples serve como referência de comparação

    No sistema LS, o espaçamento de 4 metros entre as linhas de café e o baru, plantados alternadamente na mesma linha, impede o cultivo de espécies de ciclo curto entre as linhas e inviabiliza a colheita mecanizada. O modelo funciona como tratamento testemunha, permitindo avaliar o impacto da proximidade entre baru e café na produtividade.

    Assim, segundo Graciolli, nas duas primeiras safras, os pés de café mais próximos do baruzeiro registraram queda de produção de até 30%, atribuída à competição por água e nutrientes, e não à disputa por luz solar. No sistema LS, a irrigação por gotejamento é destinada ao café, mas também beneficia o baruzeiro. “Nesse sistema, o produtor pode produzir café gourmet em 1 a 2 hectares. E após cinco anos, ele terá o início de produção dos frutos de baru”, conclui o pesquisador.

  • Projeto leva assistência para 150 famílias de produtores de leite

    Projeto leva assistência para 150 famílias de produtores de leite

    Um novo capítulo começou a ser escrito nos cerrados do Noroeste de Minas. O projeto Mais Leite Saudável, uma parceria de sucesso entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap), acaba de iniciar sua terceira fase, e os produtores familiares da região são os grandes protagonistas dessa história.

    Agora, uma rede de 150 propriedades rurais vai receber a visita de uma equipe de cinco especialistas, três veterinários e dois agrônomos. Eles não vão só dar palpite. Eles vão rolar as mangas e trabalhar junto com o produtor, seguindo um modelo que já mostrou resultado desde 2020. O treinamento dessa turma nova aconteceu em outubro, e as primeiras visitas técnicas já estão rolando desde o início de novembro.

    O segredo está no Programa Mais Leite Saudável, do MAPA. A iniciativa oferece um incentivo fiscal para laticínios e cooperativas. Em troca de investirem no produtor rural, elas recebem descontos de até 50% em tributos federais. É um ciclo virtuoso: a indústria ganha um insumo de melhor qualidade e o homem do campo recebe tecnologia de ponta.

    Os desafios são reais, mas as soluções estão no campo.

    José Humberto Xavier, pesquisador da Embrapa, conta que os sistemas de cultivo para alimentar o gado já deram um salto, mas ainda tem uns perrengues para resolver. “A gente precisa proteger o solo, que perde qualidade com o preparo convencional e fica compactado quando pisa molhado. A meta é aumentar a produtividade e, ao mesmo tempo, deixar o trabalho no campo menos penoso com a mecanização certa”, explica ele.

    Já Carlos Eduardo Santos, analista da Embrapa, puxa a conversa para um ponto crucial: a genética do rebanho. Tradicionalmente, o produtor repõe o rebanho comprando animais de fora, o que gera custo alto e risco sanitário. “A Coopervap quer mudar esse jogo. A gente pretende implementar um programa próprio de reposição, criando os melhores animais direto aqui, baseado na nossa experiência de anos no campo”, adianta Santos.

    A nova etapa do projeto tem horizonte longo, indo até 2028. O foco é desenvolver alternativas na agricultura de conservação, oferecer suporte técnico para o melhoramento genético via inseminação artificial e, claro, espalhar os bons resultados para ainda mais agricultores. A receita para um leite mais saudável e uma região mais desenvolvida passa, necessariamente, por investir em quem está na linha de frente.

  • Cerrado se torna nova fronteira do açaí com tecnologia de irrigação e pesquisa

    Cerrado se torna nova fronteira do açaí com tecnologia de irrigação e pesquisa

    A Embrapa Cerrados realizou nos dias 30 e 31 de outubro um workshop que capacitou cerca de 50 técnicos extensionistas do Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais e Bahia para o cultivo de açaizeiro irrigado no Cerrado. O evento “Sistema de produção sustentável de açaizeiro irrigado no Cerrado: capacitação e experiências” marca um avanço na expansão dessa cultura tipicamente amazônica para novas regiões produtoras.

    Foto: Embrapa

    Os participantes assistiram a palestras técnicas e visitaram tanto a área experimental da Embrapa Cerrados quanto propriedades rurais do DF que cultivam açaí com mudas desenvolvidas pela instituição. Os pesquisadores Wanderlei de Lima e Fábio Faleiro coordenaram a programação.

    O chefe-geral da Embrapa Cerrados, Sebastião Pedro, destacou o potencial extraordinário do açaí para a região. “O Cerrado pode se tornar uma nova fronteira produtiva para essa espécie tipicamente amazônica”, afirmou. Ele classificou o açaí como “a cultura do momento” devido ao seu valor econômico, agronômico e nutricional.

    A Embrapa Cerrados completa 50 anos de atuação em 2024 e agora inicia uma fase voltada à diversificação agrícola com a introdução de culturas tropicais de alto valor. O cultivo do açaí no Cerrado começou em 2022 no âmbito da Rota da Fruticultura na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE-DF).

    Desafios climáticos exigem pesquisa e inovação

    Sebastião Pedro reconheceu que adaptar uma planta de ambiente úmido às condições do Cerrado apresenta desafios climáticos significativos. “Precisamos pesquisar e produzir ao mesmo tempo. Por ser uma planta perene, essa iniciativa foi muito ousada, mas topamos o desafio”, explicou o gestor.

    O pesquisador Wanderlei Lima ressaltou que os plantios de açaizeiro no DF e região já são realidade, enquanto os trabalhos de pesquisa avançam simultaneamente. O plantio mais antigo voltado à pesquisa na Embrapa Cerrados completa dois anos em 2024.

    A Embrapa Cerrados conduz atualmente dois experimentos de campo em 2,3 hectares: um voltado ao manejo de irrigação e outro à avaliação agronômica de progênies geneticamente superiores de açaí provenientes de Tomé-Açu (PA).

    “O estudo busca compreender o comportamento das plantas desde a germinação até o plantio definitivo”, explicou Wanderlei Lima. O trabalho inclui definição de sistemas de produção de mudas, manejo de irrigação, monitoramento de doenças e nutrição. A instituição também forma uma população base para melhoramento genético, com objetivo de desenvolver cultivares adaptadas ao Cerrado.

    No Brasil, três espécies principais de açaí são conhecidas: Euterpe edulis, E. precatoria e E. oleracea. “Compreender a adaptação dessas plantas às diferentes condições ambientais é essencial para o sucesso da cultura no Cerrado”, avaliou o pesquisador.

    Mercado em crescimento supera oferta

    O pesquisador João Tomé de Farias Neto, da Embrapa Amazônia Oriental, apresentou dados econômicos que demonstram o potencial da cultura. O açaí é o segundo produto agrícola mais importante do Pará, com cerca de 1,6 milhão de toneladas anuais, ficando atrás apenas da mandioca.

    Foto: Alexandre Veloso/Embrapa

    O setor enfrenta desequilíbrio entre oferta e demanda: o comércio do fruto cresce cerca de 15% ao ano, enquanto a produção aumenta apenas 5%. Esse descompasso eleva o preço do produto, que chega a R$ 80 por lata de 14kg em períodos de entressafra.

    “Quem quer ganhar dinheiro deve plantar açaí”, afirmou Tomé, especialista em melhoramento genético da cultura. Segundo ele, o mercado mundial ainda está longe de conhecer plenamente o potencial do fruto.

    Irrigação é fator essencial para sucesso

    Entre 70% e 80% da produção paraense ocorre no segundo semestre, o que provoca escassez e encarece o produto no início do ano. O cultivo em terra firme com irrigação permite escalonar a produção e garantir oferta constante.

    “Se não tem como irrigar, não deve plantar açaí”, alertou Tomé. O pesquisador enfatizou que a irrigação é fator essencial para o sucesso da cultura fora das várzeas amazônicas.

    O programa de melhoramento genético da Embrapa já lançou as cultivares BRS Pará (2005), primeira cultivar de açaí para terra firme no Brasil, e BRS Pai d’Água (2019), que se destaca por produção na entressafra e frutos menores. “Frutos menores produzem maior rendimento de polpa e melhor qualidade sensorial”, explicou Tomé.

    O especialista destacou a importância das abelhas nativas na polinização do açaizeiro. “A presença desses insetos aumenta a produtividade e a qualidade dos frutos, o que torna a apicultura uma atividade complementar estratégica para os produtores”, afirmou.

    Tomé prevê que a migração do açaí das várzeas para a terra firme irrigada é inevitável, tanto na Amazônia quanto em novas regiões como o Cerrado e o Nordeste, onde já há registros de produtividades superiores às do Pará.

    Produtores compartilham experiências de sucesso

    No segundo dia do evento, os participantes visitaram duas propriedades rurais que implantaram açaí há aproximadamente três anos. Os produtores compartilharam experiências relacionadas à implantação e ao acompanhamento da cultura.

    O extensionista da Emater DF, Felipe Camargo, observou que produtores têm migrado da produção de hortaliças para frutas. “Depois que apresentamos as questões relacionadas à possibilidade de receita e aos ganhos com a venda do açaí, muitos produtores têm se interessado. O açaí surge hoje como uma alternativa viável para a nossa região”, destacou.

    Foto: Embrapa

    Para o pesquisador Fábio Faleiro, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, o workshop foi um momento histórico. “A realização do evento foi importante para compartilhar as experiências de sucesso na pesquisa, transferência de tecnologia, extensão rural e políticas públicas, promovendo a inovação no campo”, afirmou.

    A Embrapa Cerrados tem promovido nos últimos anos a capacitação de agentes multiplicadores e produtores rurais em Fruticultura Tropical. Em 2024, a instituição lançou o livro “Fruticultura Tropical – capacitação e experiência de sucesso”, que registra a memória dessas capacitações sobre diferentes frutíferas, incluindo o açaí.

    Rota da Fruticultura impulsiona desenvolvimento

    A Rota da Fruticultura busca impulsionar o desenvolvimento sustentável da fruticultura no Distrito Federal e região. A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) coordena o projeto, desenvolvido em conjunto com a Embrapa Cerrados e a Conab.

    A iniciativa envolve também o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, a Superintendência Federal de Agricultura do DF, o Senar-DF, a Emater-DF e a Organização das Cooperativas do DF (OCDF). O objetivo é ampliar a produção e o fornecimento de frutas aos mercados interno e externo, gerar emprego e renda, e atrair novos agricultores para o setor.

    Mais informações:

    Acesse aqui a gravação do primeiro dia do evento:

    Acesse aqui o livro Fruticultura Tropical – capacitação e experiência de sucesso

    https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1174039/1/CPAC-2025-Fruticultura-tropical.pdf

    Plataforma e-campo (procurar por açaí): https://e-campo.sede.embrapa.br/

  • Dieta de alta energia aumenta em 21% a produção de embriões bovinos

    Dieta de alta energia aumenta em 21% a produção de embriões bovinos

    A Embrapa Cerrados (DF) e a Universidade de Brasília (UnB) comprovam que planos alimentares de alta densidade energética aplicados em curto prazo aumentam em 21% a produção de embriões in vitro em novilhas pré-púberes.

    O estudo revela que a estratégia, embora mais cara, garante retorno financeiro até 2,8 vezes maior em relação à dieta convencional. Os pesquisadores também descobriram que a melatonina, hormônio natural com propriedades antioxidantes, potencializa os resultados ao melhorar a qualidade embrionária.

    Os testes com novilhas pré-púberes da raça Nelore submetidas ao regime nutricional diferenciado mostraram resultados expressivos. Os animais aumentaram a produção de ovócitos e embriões, apresentaram maior peso corporal e acumularam mais gordura na carcaça. Essas mudanças permitiram que as novilhas alcançassem mais precocemente o peso ideal para reprodução.

    “A melhoria da eficiência reprodutiva e a redução da idade do parto em fêmeas contribuem para a eficiência econômica dos sistemas de produção de bovinos de corte e de leite”, afirma Carlos Frederico Martins, pesquisador da Embrapa Cerrados. O especialista explica que a estratégia minimiza problemas de reprodução tardia em raças como a Nelore e acelera os programas de melhoramento genético ao reduzir o intervalo entre gerações.

    Prenhez precoce reduz custos de produção

    Martins destaca um dado crucial: “Quanto mais jovens as novilhas ficarem prenhas e deixarem descendentes, mais compensador é para o sistema financeiramente”. Estudos demonstram que quando a primeira prenhez ocorre aos 14 meses, em vez de aos 24 meses (idade adulta), os custos de produção diminuem significativamente, mesmo com um manejo preparatório diferenciado para as fêmeas.

    O pesquisador explica que novilhas pré-púberes disponibilizam um maior número de folículos ovarianos para aspiração e produção de embriões em laboratório. Contudo, as taxas de produção de embriões in vitro das fêmeas nessa faixa etária costumam ser inferiores às de vacas adultas. O peso e a gordura corporal figuram entre os principais fatores que influenciam a idade da puberdade e a precocidade sexual das fêmeas, refletindo diretamente o nível de alimentação durante o crescimento.

    Pesquisas anteriores mostram que novilhas entre quatro e nove meses de idade demonstram maior sensibilidade aos efeitos da antecipação da puberdade resultante do maior fornecimento de nutrientes. Nessa fase, a suplementação adequada pode aumentar significativamente a produção e a qualidade de ovócitos e embriões. A ingestão de energia constitui o principal fator nutricional que afeta a reprodução em bovinos, embora ainda existam poucos dados de pesquisa relacionando os reflexos de dietas mais energéticas em fêmeas jovens.

    “Nossa hipótese era de que o aumento na quantidade e na qualidade dos ovócitos em novilhas pré-púberes alimentadas com dietas de alta densidade energética está relacionado ao melhor desenvolvimento corporal e à deposição moderada de gordura promovida por essa suplementação alimentar”, observa Martins. O pesquisador salienta que essa estratégia gera maior disponibilidade de metabólitos e melhora o equilíbrio hormonal nos animais, reconhecendo a importância da gordura corporal para o início da puberdade e o alcance da maturidade sexual.

    Protocolo experimental simula condições reais de fazendas

    No experimento conduzido na Embrapa Cerrados, 34 novilhas da raça Nelore pré-púberes, pesando cerca de 160 kg em média, receberam suplementação durante um mês com farelo de soja, milho moído e minerais. Os animais também mamaram em suas mães e tiveram acesso a pastagem de Urochloa brizantha cultivar Marandu. Após o desmame, aos seis meses e meio de idade em média, os pesquisadores distribuíram as novilhas de forma homogênea quanto à idade, peso e mérito genético em dois grupos com planos nutricionais distintos: um convencional (PN1) e outro de alta energia (PN2).

    No tratamento com dieta convencional, as novilhas permaneceram na pastagem durante a estação seca, consumindo em média 1,4 quilos de concentrado (ração) por dia, equivalentes a 0,7% do peso vivo médio. Os nutricionistas formularam a dieta para um ganho de peso de 400 gramas diárias. No início da estação chuvosa, os animais permaneceram no mesmo pasto e consumiram em média 650 gramas de concentrado por dia, equivalente a 0,25% do peso corporal, numa dieta calculada para ganho de peso de 700 gramas diárias.

    No tratamento nutricional de alta densidade energética, os animais receberam dietas contendo 26% e 19% mais energia metabolizável que a utilizada no PN1 nas estações seca e chuvosa, respectivamente. Na estação seca, os pesquisadores mantiveram as novilhas confinadas após o desmame e as alimentaram com média diária de 11 kg de silagem de milho e 1 kg de concentrado, equivalente a 0,33% do peso vivo, para ganhos de 800 gramas diárias. No início da estação chuvosa, os animais receberam suplementação de 1,87 kg por dia (0,35% do peso vivo) de concentrado. Os nutricionistas calcularam a dieta para ganhos de 1 kg por dia.

    Protocolo reflete práticas comerciais

    O pesquisador Eduardo Eifert, responsável pela elaboração das dietas, revela que o experimento teve uma preocupação prática: avaliar os planos nutricionais sobre a produção e qualidade de ovócitos em novilhas, partindo como referência de um regime alimentar corriqueiramente utilizado para que as novilhas alcancem pesos mínimos adequados para a reprodução (de 280 a 300 kg) aos 12 a 14 meses de idade.

    “O PN1 utiliza suplementos energéticos proteicos na seca e nas chuvas com as novilhas a pasto. Produtores podem conseguir aumentos de energia na dieta com outra prática para essa categoria, como o sequestro dos animais quando os confinam durante a seca, permitindo o fornecimento de dietas mais calóricas e com maior desempenho”, pontua Eifert. Segundo ele, os tratamentos simulam o manejo alimentar de novilhas que entrarão em reprodução em idade jovem, práticas frequentemente observadas nos sistemas de produção de fazendas do bioma Cerrado.

    Resultados comprovam superioridade da dieta energética

    Ao completarem nove meses e meio de idade em média, os pesquisadores submeteram as novilhas a aspirações foliculares a cada 21 dias por três meses, para avaliar parâmetros de competência ovocitária e produção de embriões.

    Os animais que receberam a dieta PN2 apresentaram resultados superiores em todos os indicadores:

    • 49% mais ovócitos recuperados que os animais do PN1
    • 42% mais ovócitos viáveis
    • 21% superior na taxa de produção de embriões – a taxa de blastocistos em D7 (estágio de desenvolvimento do embrião sete dias após a fecundação) alcançou 29,7% para PN2 contra 24,4% para PN1
    • Maior peso médio aos 12 meses e meio: 321 kg contra 309 kg
    • Melhor acabamento de carcaça

    “Os maiores índices de crescimento animal e de aumento de percentuais de gordura nas novilhas do PN2 podem ter influenciado a puberdade precoce e o aumento do número de ovócitos viáveis”, comenta Martins. Segundo ele, isso permitiu que as novilhas apresentassem o mesmo potencial de desenvolvimento embrionário que os ovócitos de vacas adultas. O pesquisador acrescenta que o maior peso corporal e a deposição moderada de gordura possibilitaram que as novilhas atingissem o peso para reprodução sugerido aos 12 a 14 meses de idade.

    Análise financeira confirma viabilidade econômica

    A pesquisa também realizou análise financeira detalhada da produção de embriões a partir dos dois planos alimentares. Os pesquisadores estimaram os custos de alimentação com base no consumo real e nos valores comerciais (preços de julho de 2020) dos ingredientes para formulação das rações, da tonelada de milho para silagem e dos minerais. A equipe incluiu despesas operacionais (mão de obra, energia elétrica, serviços veterinários e laboratoriais, medicamentos, encargos, entre outros) e custos para pastagens, baseados nos valores de aluguel mensal de pasto por animal nas fases inicial e de recria.

    Os pesquisadores consideraram três biotécnicas de produção de embriões:

    • Embrião fresco produzido por fertilização in vitro (demanda receptoras previamente sincronizadas para receberem embriões após sete dias de cultivo): R$ 75 e R$ 90
    • Embrião vitrificado (requer congelamento e descongelamento em laboratório, mas confere maiores taxas de prenhez): R$ 140
    • Embrião criopreservado para transferência direta (TD) para a receptora (não necessita de laboratório): R$ 160

    Custos mais altos, mas margens significativamente maiores

    Para os três cenários, o custo da alimentação e da mão de obra na dieta PN2 superou o controle (PN1) tanto na estação seca (29%) como na chuvosa (36%). Em média, cada novilha submetida ao PN2 produziu 6,8 embriões, 3,2 a mais que os animais sob o PN1 (3,6), o que acarretou maiores custos de produção de embriões nas três biotécnicas.

    Entretanto, o maior rendimento na produção de embriões pelos animais que receberam a dieta PN2 resultou numa receita média 77% maior que a do grupo controle. A margem bruta no tratamento PN2 durante a recria multiplicou-se expressivamente:

    • 2,7 vezes maior para embriões TD
    • 2,6 vezes maior para embriões vitrificados
    • 2,1 vezes maior para embriões a fresco

    Já a margem líquida do plano alimentar PN2 superou o plano controle em:

    • 2,8 vezes (embriões TD)
    • 2,7 vezes (embriões vitrificados)
    • 2,2 vezes (embriões a fresco)

    Na comparação entre as técnicas de produção e processamento de embriões, as maiores margens vieram da produção de embriões a fresco.

    “O resultado da produção de embriões influenciou e foi determinante na obtenção de margens positivas para o plano alimentar de alta energia. Mesmo com maior custo operacional, esse plano alimentar obteve maiores receita, margem bruta e lucro operacional”, observa a pesquisadora Isabel Ferreira, responsável pela análise financeira.

    Ferreira pondera que ainda são necessários estudos que considerem diferentes cenários de preços e identifiquem o ponto de equilíbrio ou ótimo de concentração energética e proteica da dieta, bem como o nível de consumo que confira o maior resultado na produção de embriões por novilhas pré-púberes sem prejudicar o crescimento, a fisiologia animal e, consequentemente, a reprodução.

    Melatonina potencializa produção de embriões in vitro

    Além de comprovar os ganhos reprodutivos e financeiros com dietas de alta densidade energética para novilhas pré-púberes, a pesquisa buscou associar métodos laboratoriais para incrementar ainda mais a capacidade de produção de embriões in vitro. Nesse sentido, os pesquisadores testaram o uso da melatonina, um hormônio natural com propriedades antioxidantes e antiapoptóticas (evitam a morte celular), na maturação de ovócitos e no cultivo de embriões produzidos por animais submetidos a esse tipo de dieta alimentar.

    Num dos experimentos de outro estudo da Embrapa Cerrados, 11 bezerras sem seleção genética prévia de uma fazenda em Goiás receberam suplementação dos sete aos 13 meses de idade com uma dieta de alta densidade energética. Aos 10 meses de idade, oito delas passaram por aspiração folicular mensalmente, durante quatro meses.

    Para avaliar o benefício do uso da melatonina na competência ovocitária e na produção de embriões, os pesquisadores dividiram os ovócitos recuperados em três grupos:

    • Apenas ovócitos de novilhas pré-púberes maturados in vitro com melatonina
    • Ovócitos de novilhas pré-púberes maturados com melatonina e embriões cultivados com melatonina
    • Ovócitos de vacas adultas com histórico conhecido de produção de embriões in vitro, cultivados sem melatonina (controle)

    A equipe comparou as taxas de clivagem (percentual de ovócitos com divisões celulares após a fecundação) e de blastocistos em D7.

    Resultados surpreendentes com melatonina

    Os ovócitos e embriões provenientes de novilhas pré-púberes, quando cultivados com melatonina, apresentaram maior taxa de blastocistos (38%) em relação ao grupo com apenas ovócitos maturados com melatonina (25%), produzindo 13% mais embriões. Os resultados ficaram próximos aos dos ovócitos de vacas adultas sem a melatonina (taxa de blastocistos de 41%).

    Segundo Carlos Frederico Martins, esse é o primeiro relato do efeito positivo da melatonina na fecundação in vitro de ovócitos de novilhas pré-púberes em sistema de alta tensão de oxigênio, melhorando a quantidade e a qualidade embrionária. Ele acrescenta que os animais suplementados com a dieta de alta densidade energética alcançaram peso médio de 290,82 kg aos 13 meses de idade. O que permitiu a indução da puberdade, a inseminação artificial e o alcance de taxa de prenhez de 54,4%. Valor superior aos obtidos em estudos com animais de idades similares não suplementados com dietas de alta energia.

    “O uso da melatonina melhorou a competência ovocitária e aumentou as taxas de embriões em novilhas pré-púberes de forma similar à produção de embriões por vacas adultas. Isso indica uma associação benéfica entre uma abordagem de manejo nutricional e uma abordagem laboratorial com o uso da melatonina em ovócitos e embriões in vitro nessa categoria de animais”, conclui o pesquisador.

  • Como plantas do Cerrado estão salvando barragens de mineração em MG

    Como plantas do Cerrado estão salvando barragens de mineração em MG

    Uma inovadora pesquisa da Embrapa Cerrados (DF) em parceria com a mineradora Kinross Gold Corporation está utilizando plantas nativas e adaptadas do Cerrado para recuperar barragens de rejeito de mineração de ouro em Paracatu (MG). O projeto pioneiro busca desenvolver um protocolo sustentável de revegetação que pode ser replicado em outras regiões do Brasil.

    O estudo está sendo conduzido na mina Morro do Ouro, focando na revegetação dos taludes – estruturas inclinadas que contêm os rejeitos da mineração. O diagnóstico inicial revelou condições extremamente adversas: solos ácidos, compactados, com baixa fertilidade, presença de metais tóxicos e deficiência em matéria orgânica.

    “São ambientes hostis à vida vegetal e a escolha das espécies certas é decisiva para o sucesso da revegetação”, explica Leide Andrade, pesquisadora responsável pelo projeto da Embrapa.

    O acordo de cooperação técnica firmado entre Embrapa Cerrados e Kinross em 2023 visa criar um protocolo definitivo de revegetação para taludes e estruturas de barragens. Gabriel Mendonça, gerente de Desenvolvimento Sustentável da Kinross, destaca que “tal cooperação tem sido essencial para o planejamento e condução das atividades de recuperação ambiental e poderá servir como referência para outras empresas do setor”.

    Limitações legais criam complexidade única

    A legislação brasileira obriga mineradoras a manter o solo coberto com vegetação, mas impõe limitações específicas que tornam o projeto complexo. As plantas não podem desenvolver raízes profundas para não desestabilizar os taludes, nem crescimento excessivo que impeça a vistoria da estrutura.

    Fabiana Aquino, pesquisadora integrante do projeto, compara: “Na agricultura, buscamos sempre produzir mais. Ali, temos que cobrir o solo e buscar produzir o mínimo possível”.

    Exigências legais tornam o plantio ainda mais complexo, pois impedem o uso de espécies com raízes profundas e parte aérea muito desenvolvida. Foto: Embrapa

    A equipe desenvolveu uma composição estratégica mantendo espécies adaptadas às condições locais como estilosantes, braquiária humidicola e grama pensacola, excluindo gramíneas de clima temperado e incluindo novas espécies como a Mimosa somnians (nativa do Cerrado) e Alysicarpus vaginalis (adaptada).

    Uma descoberta importante revelou que o milheto, comum na agricultura, pode ser prejudicial na revegetação de taludes. “O milheto produziu muita massa, cresceu muito em altura e impediu a observação da superfície do talude, além de retardar o desenvolvimento de outras espécies essenciais”, explica a pesquisadora Marina Vilela.

    Experiência acumulada e visão futura

    O projeto atual baseia-se em experiências anteriores da Embrapa desde 2006 com a Anglo American em projetos de mineração de níquel em Goiás. Eduardo Cyrino, pesquisador veterano, contextualiza que “cada solo exige um tipo de recuperação diferente, porque cada processo de mineração ocorre em um ambiente geoquímico diferente”.

    Um obstáculo significativo identificado é a baixa qualidade e pouca oferta de sementes de espécies adaptadas ao Cerrado. Andrade ressalta: “Não adianta importar soluções que funcionam em outros biomas. A tecnologia precisa nascer aqui, no campo, com nossos solos, nosso clima e nossas espécies”.

    Apesar das dificuldades, os primeiros resultados já identificaram espécies promissoras capazes de se estabelecer em ambientes adversos. “A mineração transforma o território. Mas a forma como restauramos essas áreas também pode ser transformadora. Queremos criar modelos que respeitem a biodiversidade local”, conclui Leide Andrade.

    O protocolo desenvolvido em Paracatu tem potencial para padronizar processos de recuperação ambiental, reduzir custos de revegetação e servir de modelo para outras mineradoras, demonstrando como a ciência aplicada pode conciliar atividade minerária com responsabilidade ambiental.

  • Projeto de fruticultura irrigada instala estações meteorológicas em Goiás

    Projeto de fruticultura irrigada instala estações meteorológicas em Goiás

    Comunidades rurais de Formosa e São João d’Aliança, no nordeste goiano, receberam estações meteorológicas em agosto para coletar dados climáticos locais. A tecnologia facilita o manejo da irrigação nos cultivos de maracujá e manga em assentamentos rurais atendidos pelo projeto Fruticultura Irrigada do Vão do Paranã.

    O projeto contempla 41 propriedades em Formosa e sete em São João d’Aliança. Técnicos instalam kits de irrigação e espaldeiras nas áreas selecionadas. Os dados climáticos alimentam o aplicativo “Irrigar para Desenvolver (ID)”, desenvolvido especificamente para auxiliar os agricultores.

    O aplicativo fornece informações diárias sobre o momento ideal e a quantidade correta de água para aplicar nos cultivos. “O objetivo é que os produtores economizem água e energia e aumentem a produtividade”, explica Lineu Rodrigues, pesquisador da Embrapa Cerrados e coordenador do projeto.

    Tecnologia a serviço da agricultura familiar

    As estações meteorológicas medem temperatura, chuvas e evapotranspiração em tempo real. Essas informações permitem um manejo preciso da irrigação, otimizando o uso de recursos hídricos e energéticos.

    Inicialmente, apenas participantes do projeto acessam o aplicativo. As secretarias municipais de agricultura fazem o cadastramento dos produtores beneficiados.

    Projeto nasceu em 2023 com foco na reforma agrária

    A iniciativa começou em 2023 para viabilizar a produção irrigada de frutas por famílias assentadas de reforma agrária. Flores de Goiás, Formosa e São João d’Aliança participam do programa no nordeste goiano.

    A Embrapa Cerrados (DF) contribui tecnicamente, enquanto a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa/GO) lidera as ações. Codevasf, Emater Goiás, Senar/GO e prefeituras locais integram a parceria.

    Flores de Goiás iniciou o projeto com 10 famílias que já colhem a segunda safra de maracujá. Os produtores aguardam a primeira produção de manga. Em março de 2024, o município recebeu sua estação meteorológica e os agricultores já utilizam o aplicativo ID.

    Conhecimento como principal legado

    “Quando você aprende a trabalhar com maracujá e manga, ninguém vai lhe tirar isso”, destaca Fábio Faleiro, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados. Ele ressalta a união da população local em torno da iniciativa.

    Faleiro acredita que a fruticultura irrigada melhora a qualidade de vida dos produtores rurais. “Quando isso acontece, toda a comunidade melhora também”, completa.

    A Embrapa oferece capacitação presencial para agricultores e técnicos locais. A instituição também disponibiliza minicursos online gratuitos sobre maracujá e manga na plataforma e-Campo.

    Formosa recebe equipamento com expectativa elevada

    No dia 11 de agosto, autoridades entregaram a estação meteorológica de Formosa na Escola Municipal Fazenda Palmeira. A prefeita Simone Ribeiro participou do evento junto com agricultores e a comunidade local.

    “Estamos inaugurando um equipamento que traz informação e capta diretamente a necessidade de cada produtor rural, que há muito tempo foi esquecido”, declarou a prefeita.

    O município abriga 29 assentamentos de reforma agrária e crédito fundiário com cerca de 2,5 mil famílias. Suzana Borgmann, secretária municipal de Agricultura, explica que alguns produtores já cultivam maracujá, mas a manga chega como novidade.

    Os agricultores formosenses demonstram expectativa elevada com o projeto. Uma cooperativa será criada para apoiar a comercialização das frutas. Em Flores de Goiás, constroem uma agroindústria para beneficiar a produção dos três municípios.

    São João d’Aliança aposta em programas públicos

    A estação de São João d’Aliança foi instalada no Projeto de Assentamento (PA) Mingau e entregue no dia 18. O prefeito Genivan Gonçalves destaca as perspectivas para os produtores locais.

    “Essa estação proporciona uma produção voltada ao aumento da produtividade, com menor gasto de água. Os agricultores vão aumentar a produção e comercializar os produtos agrícolas”, afirma.

    O município planeja apoiar a comercialização através de programas públicos como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

    A vereadora Lilian Ferreira reforça a importância da iniciativa: “A estação vai agregar muitos benefícios para os produtores do município e incentivar a agricultura familiar, que coloca comida nas nossas mesas”.

    Assentados demonstram otimismo com nova atividade

    Em Formosa, os agricultores já encomendam mudas enquanto as espaldeiras e kits de irrigação são instalados. Edim Alves de Abreu, do PA Fartura, cria bovinos de corte e busca diversificar a renda.

    “Temos uma grande esperança de produzir bem, pagar dívidas e trabalhar com seriedade”, declara, mesmo sem experiência em fruticultura.

    José Cardoso de Sousa, também do PA Fartura, acredita que o projeto agregará valor às propriedades. “Vai melhorar a vida de todos nós e gerar empregos para vizinhos e amigos”, aposta.

    Em São João d’Aliança, Welton Ferreira destaca o exemplo de Flores de Goiás: “Vimos os resultados das colheitas, que o projeto é muito bom e despertou no coração o desejo de seguir esse caminho”.

    Joaquim de Moura Filho, nascido no município, celebra os parceiros envolvidos: “Temos tecnologia avançada da Embrapa, prefeitura abraçando nossa causa e governos federal e estadual como parceiros. Agora vou me tornar um empreendedor”.

    O projeto representa uma oportunidade de transformação para as comunidades rurais do nordeste goiano. Com tecnologia, capacitação e parcerias sólidas, os agricultores assentados vislumbram um futuro mais próspero na fruticultura irrigada.

  • Estudantes visitam Embrapa Cerrados

    Estudantes visitam Embrapa Cerrados

    Nesta semana, estudantes do ensino médio do Distrito Federal e Entorno participaram de visitas educativas à Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), para aprender sobre o bioma Cerrado e a importância da ciência na agricultura brasileira. As atividades ocorreram nos dias 3 e 4 de junho, com alunos do Colégio Estadual Divina Olímpio Miranda, da Cidade Ocidental (GO), e do Instituto Educacional Santo Elias, de Sobradinho (DF).

    Durante a visita, os estudantes tiveram contato direto com as características do Cerrado, incluindo sua vegetação, sementes, frutos e técnicas de restauração ambiental. Também conheceram ações voltadas à qualidade da água para consumo humano e irrigação agrícola. Na quarta-feira (4), os alunos visitaram laboratórios da unidade, onde foram apresentados a pesquisas sobre química da água, ecotoxicologia, análise de solos e microbiologia.

    O chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Fábio Faleiro, destacou o papel da ciência e tecnologia no desenvolvimento da agricultura brasileira. “É possível produzir com responsabilidade e preservar o meio ambiente”, afirmou, ressaltando a transformação do Brasil de importador para um dos maiores exportadores mundiais de alimentos.

    Atividades

    As atividades começaram no auditório com vídeos explicativos sobre o Cerrado e o trabalho da Embrapa. O pesquisador Felipe Ribeiro conduziu a introdução e contextualização dos temas. Na área externa, os estudantes participaram de estações temáticas, onde a técnica Daphne Muniz demonstrou o uso de equipamentos para análise da qualidade da água, alertando que a aparência limpa nem sempre indica água própria para consumo.

    Na estação sobre a vegetação do Cerrado, pesquisadores Fabiana Aquino, Marina Vilela e Araci Alonso apresentaram plantas e frutos típicos, permitindo que os alunos manuseassem sementes e conhecessem a diversidade do bioma. Nos laboratórios, a supervisora Aline Rabello e os técnicos Francisco Delvico e Clodoaldo de Souza explicaram os processos científicos realizados, despertando grande interesse dos estudantes.

    Gabriel Calaça, participante da visita, elogiou a experiência: “Gostei muito dos laboratórios, especialmente da parte sobre bactérias que fixam nitrogênio. Achei isso fantástico.” Mariana Marques destacou a didática dos profissionais na apresentação das plantas e frutos do Cerrado. Já João Antônio Gomes resumiu o sentimento do grupo: “Faz muita diferença ver nos livros e estar aqui, podendo tocar e vivenciar.”

    Para o professor de História Carloman Porto, que acompanhou os alunos, a visita vai além do conteúdo curricular. “Os jovens compreendem melhor quando estão no local. Além disso, é uma oportunidade de conhecerem diferentes áreas de atuação profissional e, quem sabe, se inspirarem para o futuro”, avaliou. A atividade integrou um projeto escolar voltado para o meio ambiente.

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  • Uso de plantas de cobertura cresce no agro brasileiro,

    Uso de plantas de cobertura cresce no agro brasileiro,

    Uma pesquisa de opinião realizada pela Embrapa Cerrados revelou que 74% dos produtores rurais brasileiros utilizam plantas de cobertura em suas propriedades. Indicando uma crescente conscientização sobre os benefícios dessa prática para a saúde do solo e a sustentabilidade da produção agrícola. Entre os 26% que ainda não adotam a tecnologia, quase todos se mostraram dispostos a considerar seu uso, demonstrando um potencial de expansão ainda maior.

    O levantamento, que ouviu 709 participantes, incluindo produtores rurais, gerentes agrícolas, consultores técnicos e representantes de instituições ligadas ao agronegócio. E buscou entender os critérios que influenciam a decisão de adotar ou não as plantas de cobertura, o nível de conhecimento sobre seus benefícios e as dificuldades enfrentadas pelos produtores.

    “Nosso objetivo é entender os critérios que levam os produtores rurais a adotarem ou não as plantas de coberturas em suas propriedades e o nível de conhecimento sobre seus benefícios, além de identificar as dificuldades que eles têm em relação à tecnologia”, explica o pesquisador Marcelo Ayres, coordenador da pesquisa.

    Prática consolidada

    Entre os produtores que já utilizam plantas de cobertura, cerca de 50% o fazem há mais de cinco anos e 30% há mais de dez anos. Isso mostra que a prática está consolidada em muitas propriedades. Metade dos respondentes utilizam plantas de cobertura em uma área equivalente a 40% da área agrícola da propriedade.

    As espécies mais utilizadas são a braquiária ruziziensis (57%) e o milheto (54%), seguidas pelo nabo-forrageiro (37%). As culturas comerciais mais plantadas nas propriedades dos entrevistados são o milho e a soja.

    A ampliação da área com plantas de cobertura nas propriedades depende da disponibilidade de sementes comerciais em quantidade, qualidade e procedência conhecida, além de informações sobre as espécies mais adequadas para o cultivo.

    A pesquisa também revelou que quase 70% dos produtores adquirem sementes para plantio, enquanto 34% produzem sua própria semente. Isso sugere um grande mercado para sementes das espécies de plantas de cobertura.

    Minas Gerais se destaca

    Minas Gerais foi o estado com maior representatividade entre os participantes da pesquisa, seguido do Paraná, São Paulo e Goiás.

    A Embrapa Cerrados pretende repetir a pesquisa periodicamente, para acompanhar a evolução da adoção de plantas de cobertura no país. Isso a exemplo do que é feito nos Estados Unidos.

    O relatório completo com a análise de todos os dados e informações está sendo elaborado para divulgação completa dos resultados.

    As plantas de cobertura são cultivadas com o objetivo de proteger o solo emelhorar suas propriedades físicas, químicas e biológicas. Além disso, podem reduzir a erosão, controlar plantas daninhas e aumentar a matéria orgânica. A prática contribui para a sustentabilidade da produção agrícola e a redução da dependência de fertilizantes químicos.

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  • Rainha da Dinamarca conhece tecnologias sustentáveis na Embrapa

    Rainha da Dinamarca conhece tecnologias sustentáveis na Embrapa

    Durante sua visita ao Brasil, a rainha consorte da Dinamarca, Mary Donaldson, acompanhada pelo ministro dinamarquês do Clima, Energia e Serviços Públicos, Lars Aagaard, visitou a Embrapa Cerrados, um centro de pesquisa agrícola que se dedica a enfrentar os desafios e oportunidades relacionados aos impactos da agricultura na biodiversidade e no meio ambiente.

    A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, destacou a importância da visita, ressaltando que a Dinamarca é um país comprometido com a sustentabilidade. A rainha conheceu a Vitrine de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), onde são cultivados milho, sorgo, trigo, girassol, capim braquiária e eucalipto. Essa tecnologia permite ao Brasil dobrar a produção de grãos e carne sem desmatar novas áreas, possibilitando múltiplas colheitas em uma única safra.

    Para simbolizar os interesses comuns entre Brasil e Dinamarca em prol de uma agricultura sustentável, a rainha plantou uma muda de ipê-amarelo, árvore típica do Cerrado brasileiro.

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    O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) também enfatizou o compromisso do Brasil com práticas agrícolas sustentáveis. Ele destacou que o sistema ILPF é uma modalidade que tem sido adotada em várias partes do país, contribuindo para a eficiência na produção.

    A rainha conheceu a Vitrine de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta implantada na Embrapa Cerrados,

    Historicamente, Brasil e Dinamarca mantêm uma parceria comercial sólida, especialmente na cooperação agrícola. Em 2023, as exportações brasileiras de produtos agropecuários para a Dinamarca totalizaram US$ 366 milhões, com o complexo soja representando 83% desse total.

    Pesquisa e inovação

    Os pesquisadores da Embrapa apresentaram duas tecnologias durante a visita. A Bioanálise de Solo (BioAS) demonstra que práticas que promovem a saúde do solo resultam em maior produtividade e menor uso de insumos químicos. Isso inclui manejo sustentável e técnicas de conservação do solo.

    O sistema ILPF combina diferentes atividades produtivas na mesma área, como grãos, fibras e pecuária. Atualmente, mais de 17 milhões de hectares no Brasil utilizam sistemas integrados. Estudos mostram que pastagens com baixa produtividade sequestram 182 quilos de carbono, enquanto áreas com ILPF sequestram até 1.273 quilos.

    A implementação do ILPF em apenas 15% da área pode neutralizar as emissões de carbono de toda a propriedade rural. Além disso, pesquisas indicam que as vacas leiteiras sob sombra podem aumentar sua produção em até 24%, demonstrando os benefícios dessa abordagem integrada.