Tag: Embrapa Amazônia Ocidental

  • Produtores do Amazonas ganham roteiro para plantar abacaxi

    Produtores do Amazonas ganham roteiro para plantar abacaxi

    A Embrapa disponibilizou, para acesso e download gratuito em seu portal, a edição 2026 do Sistema de Produção de Abacaxi para o Estado do Amazonas. O documento reúne recomendações completas para o manejo da cultura. Exigências climáticas, adubação do solo, controle de pragas e doenças, colheita, pós-colheita, coeficientes econômicos e comercialização.

    abacaxis
    Foto: Marcos Garcia/ Embrapa

    Pesquisadores e técnicos de cinco instituições elaboraram a publicação em conjunto. Embrapa Amazônia Ocidental (AM), Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA), Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror). O material atende produtores rurais, agricultores familiares e extensionistas.

    Cultivar amazonense inspira parte das recomendações

    O território do Amazonas integra o centro de origem e diversidade genética do gênero Ananas. E abriga variedades tradicionais locais, também chamadas de crioulas, cultivadas em pequena escala. Entre elas está o abacaxizeiro “Turiaçu Amazonas”, cultivado no município de Itacoatiara, que produtores locais selecionaram ao longo do tempo. Em agosto de 2024, a associação de produtores da região de Novo Remanso registrou a cultivar junto ao Registro Nacional de Cultivares (RNC), sob o número 57.085.

    agricultor
    A publicação é voltada a produtores rurais, agricultores familiares e extensionistas. Foto: Silvia Abreu/Embrapa

    “O sistema de produção foi estruturado a partir da avaliação agronômica da cultivar em áreas experimentais e comerciais de Itacoatiara (Novo Remanso e Vila do Engenho) e Manaus (São Francisco de Caramuri), com base no Relatório de Atividades Trimestrais do Idam (RAT/2025)”, explica Marcos Vinícius Garcia, pesquisador da Embrapa Amazônia Ocidental, coeditor técnico e coautor do trabalho. Ao todo, 16 autores assinam a obra.

    O abacaxi movimenta a agricultura tropical brasileira

    O abacaxi figura entre as culturas tropicais mais relevantes para a economia rural brasileira e gera renda em diversas regiões do país. O Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial de produção, atrás de Indonésia, Filipinas e Costa Rica. E destina a maior parte das frutas colhidas ao mercado interno de consumo in natura, com destaque para a região Norte.

    No Amazonas, o abacaxi compõe a economia agrícola de curto ciclo ao lado da mandioca, da banana e da cana-de-açúcar. O cultivo comercial concentra-se em municípios como Manaus, Careiro, Rio Preto da Eva, Careiro da Várzea e Itacoatiara. Eles são favorecidos pelas rotas de escoamento e pela proximidade com o mercado consumidor da capital. Itacoatiara sozinho responde por mais da metade do abacaxi produzido no estado.

    O sistema de cultivo no Amazonas enfrenta desafios que elevam o custo de produção. Por exemplo, o controle de plantas daninhas e pragas e o uso de fertilizantes. Em contrapartida, a região de Novo Remanso registra bom rendimento com a cultivar Turiaçu Amazonas. Isso graças à adoção de plantios adensados e boas práticas de manejo.

    O histórico da cultura em Itacoatiara também revela a influência do equilíbrio econômico sobre a produção. Depois de um período de crescimento, a atividade retraiu quando os preços dos fertilizantes variaram, o que reduziu a área cultivada e direcionou a demanda por tecnologias voltadas à moderação de custos.

    Variedades crioulas podem abrir novos mercados

    Além da cultivar Turiaçu Amazonas, o estado reúne outras variedades crioulas em plantios de agricultores familiares, embora a comercialização ainda se restrinja aos mercados locais dos municípios. Para estimular o cultivo dessas variedades tradicionais, pesquisadores precisarão avaliar a produtividade e a qualidade dos frutos. Estudos recentes já testaram duas variedades locais batizadas de “São Gabriel” e “Jucá”, que indicaram potencial de cultivo e podem contribuir para diversificar a base genética dos plantios amazonenses.

    Pequenos e médios produtores, que utilizam mão de obra familiar, conduzem a cultura do abacaxi na Amazônia e projetam potencial para novos mercados. O setor combina o manejo integrado ao aproveitamento de resíduos vegetais, usados na alimentação de rebanhos ou no enriquecimento do solo. E também integra o cultivo à pecuária em sistemas produtivos combinados.

    Sistema de produção orienta cada etapa da lavoura

    Na prática, um sistema de produção orienta o planejamento integrado das etapas da lavoura, da escolha da semente e do preparo do solo até a colheita, o armazenamento e a comercialização. Essa organização confere previsibilidade à atividade e ajuda o produtor rural a planejar o acesso a linhas de crédito e financiamentos bancários, já que mapeia riscos inerentes à agricultura, como variações climáticas, pragas e oscilações de mercado.

    Resíduos vegetais podem ser aproveitados para alimentação de rebanhos
    Resíduos vegetais podem ser aproveitados para alimentação de rebanhos ou enriquecimento do solo. Foto: Aristóteles Matos/Embrapa

    O Sistema de Produção de Abacaxi para o Estado do Amazonas alinha suas informações técnicas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), que abrangem metas voltadas à agricultura sustentável, ao crescimento econômico e à preservação ambiental.

  • Rabo de Jaraqui: inovação está transformando a bananicultura na Amazônia

    Rabo de Jaraqui: inovação está transformando a bananicultura na Amazônia

    A união entre o saber popular e a pesquisa científica deu origem a uma ferramenta que promete revolucionar o manejo da banana na região amazônica: o “Rabo de Jaraqui”. O nome curioso é uma homenagem ao peixe típico da bacia amazônica (Semaprochilodus taeniurus e Semaprochilodus insignis), cuja cauda se assemelha ao formato do equipamento.

    agricultor Raimundo Miguel Barbosa de Lima, mais conhecido como Barbosa Batiferro. Foto: Embrapa

    Idealizado pelo produtor rural Raimundo Miguel Barbosa de Lima, conhecido como “Barbosa Batiferro”, em Itacoatiara (AM), o removedor artesanal de folhas foi desenvolvido a partir de materiais reciclados encontrados na própria propriedade. A inovação ganhou escala após a parceria com o pesquisador Luadir Gasparotto, da Embrapa Amazônia Ocidental, que realizou a validação científica e sistematizou o conhecimento no Comunicado Técnico 181.

    Eficiência no controle de pragas

    O “Rabo de Jaraqui” resolve um dos principais gargalos da bananicultura: a desfolha. Segundo especialistas, uma bananeira produz entre 40 e 50 folhas em seu ciclo. E a remoção de folhas velhas ou doentes é vital para o controle fitossanitário. O processo facilita a entrada de luz solar e a circulação de ar, reduzindo a umidade e, consequentemente, os focos de pragas como o moleque-da-bananeira e doenças fúngicas.

    Pesquisador Luadir Gasparotto. Foto: Embrapa

    Além do ganho agronômico, a ferramenta destaca-se pelo baixo custo e pelo viés ambiental. Entre os principais benefícios citados nas fontes, destacam-se:

    • Reciclagem: pode ser confeccionada com sucatas de serralheria, lâminas de foices, enxadas ou discos de arado.
    • Adubação natural: as folhas cortadas se decompõem no solo, aumentando a matéria orgânica e melhorando a retenção de água.
    • Segurança: reduz o abrigo para animais peçonhentos e melhora a ergonomia do trabalhador.

    Dicas de manejo e higiene

    Para garantir a eficácia, Barbosa Batiferro ressalta que a lâmina deve estar sempre amolada para um corte limpo, feito de baixo para cima para não danificar o pseudocaule da planta. Outro ponto crucial é a esterilização. O inventor recomenda mergulhar a ferramenta em uma mistura de água e água sanitária ao trocar de lote ou variedade de banana, evitando a transmissão de doenças entre as plantas.

    Com a divulgação oficial pela Embrapa, a expectativa é que o “Rabo de Jaraqui” se torne um padrão em outras propriedades da região. Assim, consolidando-se como um exemplo de como a inovação sustentável pode nascer da observação prática no campo.

  • Como a ciência quer salvar o pau-rosa na Amazônia

    Como a ciência quer salvar o pau-rosa na Amazônia

    A Embrapa Amazônia Ocidental desenvolve uma pesquisa que pode transformar o futuro do pau-rosa (Aniba rosaeodora) na região amazônica. O projeto trabalha para superar os principais entraves que impedem o cultivo comercial desta árvore nativa, historicamente explorada de forma predatória.

    Foto: Maria José Tupinambá/Embrapa

    A espécie concentra alto valor econômico em seu óleo essencial, rico em linalol — composto que as indústrias de cosméticos e perfumaria fina utilizam amplamente. No entanto, a produção despencou nas últimas décadas: de 500 toneladas anuais nos anos 1970 para apenas 1.480 quilos em 2021.

    Clonagem por mini estacas promete produção em larga escala

    Os pesquisadores focam em três frentes principais: seleção de matrizes de alta qualidade, desenvolvimento de protocolos de clonagem por estaquia e definição de práticas agronômicas que reduzam perdas no plantio. A equipe também estabelece uma coleção de trabalho com materiais genéticos de diversas procedências, ampliando a base genética para apoiar as atividades de seleção e melhoramento.

    O projeto parte de 80 árvores-matrizes localizadas na propriedade da empresa Litiara/Agroflora, em Rio Preto da Eva (AM). A equipe selecionou inicialmente as 10 plantas com maior vigor e teor de óleo acima de 1,5% na biomassa, reproduzidas por sementes.

    “Em novembro de 2025, iniciamos a retirada dos galhos dessas plantas para produzir os clones por enraizamento de miniestacas”, explica o pesquisador Edson Barcelos, da Embrapa Amazônia Ocidental, que lidera a iniciativa. O processo utiliza pequenos pedaços de plantas para que criem raízes e se desenvolvam em mudas idênticas à planta mãe.

    Da pesquisa básica à escala comercial

    O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) já estudou a reprodução do pau-rosa, porém ninguém aplicou a técnica em escala comercial. A Embrapa pretende aprimorar o método de enraizamento para viabilizar a produção em larga escala de mudas clonadas, seguindo o modelo de culturas consolidadas como café, eucalipto e erva-mate.

    Essencia e folhas secas de pau-rosa. Foto: Maria José Tupinambá/Embrapa

    A proposta estabelece um modelo completo que abrange desde a seleção genética até o manejo no campo. Os pesquisadores avaliarão diversos parâmetros agronômicos: época ideal e altura da poda, espaçamento entre plantas, tipos e doses de adubação, além de estratégias para controlar pragas e doenças.

    “Para plantar cinco hectares, precisamos de cinco mil mudas. Mas não encontramos sementes suficientes e, quando há, o material genético apresenta muita heterogeneidade. As plantas crescem de forma desigual e o teor de óleo varia drasticamente”, detalha Barcelos.

    Produção sustentável preserva as árvores

    O óleo essencial do pau-rosa concentra seu valor principalmente no linalol, composto químico que representa mais de 80% do produto e possui diversas aplicações comerciais. A pesquisa da Embrapa foca na produção sustentável voltada para esses usos, extraindo o óleo de folhas e galhos e mantendo a árvore viva.

    Durante décadas, exploradores cortaram o pau-rosa rente ao solo para extrair o óleo, sem replantio ou manejo adequado. Após a inclusão da espécie na lista de ameaçadas de extinção, essa prática foi proibida. No entanto, o Brasil ainda não desenvolveu tecnologia suficiente para o cultivo comercial, cuja área plantada hoje não ultrapassa 50 hectares, concentrados nos municípios amazonenses de Maués, Novo Aripuanã e Itacoatiara.

    Principais desafios do cultivo

    A escassez de mudas de qualidade representa um dos principais obstáculos. Plantios realizados a partir de sementes apresentam taxa de mortalidade entre 70% e 90%, além de grande variabilidade genética, o que compromete a uniformidade das plantas. O teor de óleo pode variar de 0,5% a 2,0%. A limitada experiência com sistemas de plantio e manejo adequados agrava o problema.

    Uma emenda parlamentar de R$ 250 mil permitiu construir estufas, adquirir vasos e equipamentos para um laboratório de extração de óleo. A casa de vegetação já funciona e, nos próximos meses, a equipe começará os testes de enraizamento com diferentes substratos — como terriço, fibra de coco e vermiculita — e hormônios vegetais.

    O projeto também investiga o uso da banana como cultura de sombreamento nos primeiros anos do pau-rosa. A estratégia oferece sombra ideal e retorno econômico para ajudar a custear o plantio. A pesquisa busca definir o melhor espaçamento, época e altura de poda, adubação e controle de pragas.

    “Vamos criar um sistema de produção validado”, acrescenta o pesquisador.

    Agricultores familiares testam cultivo como alternativa

    Agricultores familiares da zona rural de Manaus testam o cultivo do pau-rosa como alternativa à extração em florestas nativas. Em 2012, famílias dos assentamentos no ramal ZF 4 e a Embrapa iniciaram o plantio de 230 mudas em áreas de roçado de mandioca e capoeira. Os produtores consorciaram as mudas com frutíferas perenes e, em 2020, observaram as primeiras florações.

    Apesar da taxa de mortalidade de 47%, atribuída a pragas, sombreamento e estresse hídrico, as plantas consorciadas apresentaram sobrevivência 50% superior em comparação às cultivadas em capoeira e 60% menos mortalidade. Os técnicos recomendaram a poda das plantas sombreadoras para estimular a biomassa e a reprodução, visando a coleta de sementes e a extração de óleo em agroindústrias familiares.

    Burocracia trava comercialização do óleo

    Além da escassez de mudas de qualidade e da alta mortalidade, a burocracia excessiva na comercialização do óleo essencial representa outro entrave importante. Durante o Simpósio de Óleos Essenciais realizado em Manaus, em outubro de 2025, especialistas e empresários propuseram a “Carta do Pau-Rosa”, iniciativa que busca sensibilizar autoridades para destravar processos que dificultam o avanço da cadeia produtiva. As muitas exigências afastam os compradores, que preferem substituir o pau-rosa por outros óleos.

    Com a consolidação do sistema de produção, a expectativa é fortalecer a cadeia produtiva regional, promover a conservação da espécie e gerar novas oportunidades econômicas para comunidades amazônicas e empreendedores.

    “Estamos construindo um modelo que alia ciência, conservação e desenvolvimento regional. O pau-rosa pode voltar a ser símbolo de riqueza, desta vez, com sustentabilidade”, conclui Barcelos.

  • Embrapa lança mandioca que triplica produção

    Embrapa lança mandioca que triplica produção

    Agricultores do Amazonas ganham, a partir de 9 de outubro, acesso a uma variedade de mandioca que pode transformar a produção estadual. A Embrapa Amazônia Ocidental desenvolveu a BRS Jacundá, cultivar que apresenta produtividade superior a 30 mil quilos por hectare, mais de 300% acima da média estadual de 10.560 kg/ha.

    A nova mandioca reúne características que os produtores procuram: polpa amarela, resistência a pragas e doenças, além de alto teor de amido. A cultivar atende especialmente à preferência local pela farinha de mandioca brava com coloração amarela.

    Embrapa apresenta nova cultivar em evento para produtores

    A Embrapa realiza um dia de campo na próxima quarta-feira, 9 de outubro, em sua sede em Manaus. O evento reunirá produtores rurais, técnicos de extensão rural, fornecedores de maniva-semente, representantes da agroindústria e parceiros institucionais.

    Os pesquisadores vão compartilhar dados compilados de agricultores que já testaram a BRS Jacundá em suas propriedades. A iniciativa busca acelerar a adoção da nova variedade no estado.

    O pesquisador Ferdinando Barreto, da Embrapa, destaca que a cultivar se adapta bem ao ambiente de terra firme. “Com manejo adequado, as características qualitativas de raiz e a tolerância às principais pragas e doenças favorecem a adoção da nova cultivar, especialmente em regiões de terra firme. Ela deve contribuir para a segurança alimentar e para o fortalecimento da cadeia produtiva da mandioca no Amazonas”, afirma.

    A microrregião do Médio Solimões, que abrange Tefé, Uarini e Alvarães, concentra atualmente seus plantios em praticamente uma única variedade: a “Catombo”. Barreto explica que a BRS Jacundá tem potencial para fortalecer a cadeia produtiva da mandioca, especialmente nessas regiões onde a cultura sustenta a economia agrícola.

    Mandioca garante segurança alimentar na região

    A mandioca desempenha papel estratégico na vida de milhares de agricultores amazonenses. Consumida in natura ou como farinha, a raiz fornece carboidratos principalmente à população rural de menor renda. A cultura gera trabalho e renda pela comercialização do produto e seus derivados.

    Foto: Maria José Tupinambá/Embrapa

    A Embrapa Amazônia Ocidental desenvolve pesquisas em melhoramento genético de mandioca em parceria com a Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA). Os estudos buscam identificar materiais genéticos com características agronômicas superiores às variedades tradicionais.

    Polpa amarela atende preferência local

    Os amazonenses preferem consumir farinha de mandioca brava com polpa de coloração amarela. A BRS Jacundá atende a esse critério definido pelos próprios agricultores, principalmente para o processamento de farinha e tucupi.

    Os pesquisadores acreditam que a polpa amarela, aliada à alta produtividade de raízes, alta disponibilidade de manivas-sementes e alto teor de amido, deve favorecer a ampla adoção da cultivar no estado.

    A concentração em uma única variedade expõe os cultivos permanentemente a estresses bióticos (pragas e doenças) e abióticos (calor, seca, chuvas). Essa situação indica que as variedades de mandioca passam por processo de erosão genética — a perda gradual da diversidade de genes de uma espécie.

    Duas décadas de pesquisa e melhoramento

    A Embrapa iniciou o desenvolvimento da BRS Jacundá há mais de 20 anos, com a coleta de germoplasma no município de Uarini em 1997. Desde então, a variedade passou por rigorosos testes de rendimento, resistência e estabilidade.

    Os agricultores da época indicaram que o material genético apresentava ciclo precoce e havia sido selecionado em ambiente de terra firme. A equipe incorporou esse material ao Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de Mandioca da Embrapa Amazônia Ocidental em 1997.

    Os pesquisadores aplicaram o método de seleção massal no melhoramento da cultivar. As plantas em campo passaram por caracterização e avaliação no BAG da Embrapa em Manaus, utilizando descritores padronizados para manejo de recursos genéticos da mandioca.

    As pesquisas em campo começaram em 1998 e se repetiram por vários ciclos de produção. Nos anos seguintes, a BRS Jacundá participou de diversas avaliações em provas de rendimento agronômico e testes específicos de resistência a pragas e doenças. A variedade também passou por testes de distinguibilidade, homogeneidade e estabilidade (DHE) em ambiente de terra firme de diferentes regiões do Amazonas.

    Orientações para o plantio

    Os agricultores devem adotar o espaçamento de 1 metro x 1 metro em sistemas de plantio solteiro na terra firme, para uma densidade de 10 mil plantas por hectare. Os pesquisadores recomendam essa configuração também para plantios mecanizados.

    A Embrapa orienta evitar plantios sucessivos em uma mesma área, devido ao aumento de podridões de raízes. A cultura da mandioca tem crescimento inicial lento. Quando consorciada, a cultura consorte deve ter crescimento rápido, protegendo o solo enquanto a mandioca desenvolve sua copa.

    A produção em sistema de monocultivo por mais de dois anos na mesma área provoca degradação física, química e biológica do solo, diminuindo a produtividade. A rotação utiliza outras espécies de plantas na área antes ocupada pela mandioca, evitando a incorporação de novas áreas ao processo produtivo.

    Os especialistas recomendam as gramíneas milho e sorgo para rotação, além das leguminosas feijão-caupi, mucuna, tephrosia e flemingia.

    O plantio da BRS Jacundá deve ocorrer no início do período chuvoso, entre novembro e dezembro. Se necessário, os produtores podem estender o plantio a outros meses, exceto àqueles de menor precipitação pluviométrica.

    O período ideal de colheita varia de oito a dez meses após o plantio. A colheita pode se estender até 12 meses, se necessário.

  • Bactérias de rios amazônicos demonstram eficácia contra murcha bacteriana do tomate​

    Bactérias de rios amazônicos demonstram eficácia contra murcha bacteriana do tomate​

    Pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental identificaram bactérias presentes nos sedimentos dos rios Solimões e Negro capazes de inibir a ação da Ralstonia solanacearum, bactéria do solo responsável pela murcha bacteriana do tomateiro. Essa doença é considerada uma das principais ameaças à produção de tomate na região amazônica e afeta também outras culturas agrícolas.​

    Microrganismos amazônicos demonstram eficácia no controle da doença

    O estudo, liderado pelo microbiologista Gilvan Ferreira da Silva, avaliou 36 isolados bacterianos, destacando três com alto potencial de biocontrole:​

    • Priestia aryabhattai RN 11: Inibiu 100% do crescimento da R. solanacearum e reduziu a incidência da murcha bacteriana em até 90% durante a estação chuvosa.​
    • Streptomyces sp. RN 24: Apresentou 87,6% de inibição do patógeno e promoveu alta taxa de sobrevivência das plantas.​
    • Kitasatospora sp. SOL 195: Também alcançou 100% de inibição da bactéria causadora da doença.​

    Além de suprimir a doença, essas bactérias estimularam o crescimento das plantas de tomate, evidenciando seu potencial como bioinsumos agrícolas.​

    Implicações para a agricultura sustentável

    A Ralstonia solanacearum afeta diversas culturas além do tomate, incluindo batata, pimentão, berinjela, banana, amendoim, feijão e soja. A descoberta de agentes biológicos eficazes contra esse patógeno representa um avanço significativo para o manejo sustentável de doenças agrícolas, reduzindo a dependência de defensivos químicos.​

    Plantas saudáveis – Foto: Jennifer Salgado/Embrapa

    O pesquisador Gilvan Ferreira da Silva enfatiza a importância da biodiversidade microbiana da Amazônia como fonte de soluções biotecnológicas. Ele destaca que a “mineração genômica” desses microrganismos pode revelar compostos bioativos valiosos para a agricultura e outras aplicações industriais.​

    Próximos passos e pesquisas futuras

    A equipe da Embrapa planeja expandir os estudos para avaliar a eficácia desses microrganismos em condições de campo e explorar seus mecanismos moleculares de ação. A pesquisa também visa identificar novas espécies de bactérias com potencial de biocontrole, reforçando a importância da conservação e estudo da biodiversidade amazônica.

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  • Técnica revoluciona o cultivo de curauá na Amazônia

    Técnica revoluciona o cultivo de curauá na Amazônia

    A técnica de cultura de tecidos, que permite a multiplicação de mudas in vitro, está revolucionando o cultivo do curauá na região amazônica. Essa abordagem tem mostrado resultados promissores para ampliar a produção dessa planta nativa, que possui fibras naturais de alto valor industrial. A Embrapa Amazônia Ocidental lidera os esforços de pesquisa em parceria com o governo do Amazonas e outras instituições.

    A técnica permite produzir mudas com maior segurança e eficiência, oferecendo uma solução para atender à crescente demanda industrial. “O cultivo do curauá no estado do Amazonas ainda é pouco difundido, e existem poucos estudos relacionados à adubação e nutrição mineral da espécie”, destaca Felipe Padilha, doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Agronomia Tropical da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

    Padilha explica que adaptou as recomendações de adubação utilizadas nos experimentos a partir de práticas do estado do Pará. As mudas, plantadas em agosto de 2022, apresentaram resultados variados. “O curauá branco se desenvolveu bem em campo, enquanto o curauá roxo teve dificuldades em solos de latossolo amarelo, exigindo estudos adicionais”, afirma.

    O pesquisador Francisco Célio Chaves, da Embrapa, reforça que a técnica de cultura de tecidos é essencial para ampliar a produção. “Ela permite otimizar o cultivo e facilita a ampliação dos plantios, especialmente para quem deseja produzir e comercializar mudas ou fibras naturais”, explia Chaves.

    Curauá: potencial econômico e sustentável

    Conhecido por sua resistência e versatilidade, o curauá é uma alternativa promissora à fibra de vidro, com aplicações que vão desde carenagens automotivas até a substituição de plásticos em produtos industriais. “A fibra do curauá é tão durável quanto a fibra de vidro e pode ser usada até na produção têxtil, substituindo materiais como juta e malva”, comenta Claudimar Mendonça, produtor rural que participa de um projeto-piloto em Novo Remanso.

    Curauá
    Curauá é uma bromélia amazônica com amplo potencial de uso na indústria por sua resistência e características que podem substituir parcialmente a fibra de vidro. Maria José Tupinambá/Embrapa

    Mendonça, que cultiva um hectare com 12.500 plantas, destaca a importância do incentivo à produção local. “Acreditamos que o curauá vai agregar valor às famílias da região. A planta tem semelhanças com o abacaxi, o que facilita o cultivo em uma área onde a fruticultura já é forte”, afirma.

    Projeto-Piloto focado em dados técnicos e científicos

    Em 2024, o governo do Amazonas lançou um projeto-piloto na Comunidade Santo Antônio de Caxinauá, distrito de Novo Remanso, com o objetivo de validar tecnicamente a produção de fibras do curauá. A Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) coordena o projeto, que inclui a participação do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e de outras instituições.

    “O principal objetivo é fornecer dados técnicos que possam ser utilizados pela indústria, especialmente no Polo Industrial de Manaus”, explica Chaves. A iniciativa visa estimular a geração de renda e emprego para agricultores da região, com uma perspectiva de substituir parcialmente materiais plásticos por fibras naturais.

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    Apesar do potencial, a produção de curauá enfrenta desafios relacionados à falta de informações agronômicas específicas. “Poucos dados sobre a espécie estão disponíveis na literatura, especialmente no Amazonas. É essencial compreender como os nutrientes influenciam o crescimento e a qualidade das fibras”, afirma Padilha.

    Estudos adicionais também buscam mapear o genoma do curauá, visando à criação de híbridos mais adaptados à região amazônica. “O crescimento vegetativo da planta depende de fatores ambientais e metabólicos, e essas características são essenciais para trabalhos futuros de melhoramento genético”, conclui Chaves.

    Futuro promissor para o curauá

    Com clima favorável e incentivos governamentais, o Amazonas tem condições ideais para liderar a produção de curauá no Brasil. “A validação agronômica da cultura é um passo essencial para fortalecer a agricultura local e criar novas oportunidades de mercado”, avalia Mendonça.

    A técnica de cultura de tecidos não apenas facilita a expansão do cultivo, mas também promove uma produção mais sustentável, alinhada às demandas industriais por fibras naturais. O projeto destaca o papel da pesquisa científica em transformar recursos nativos em oportunidades econômicas e ambientais para a Amazônia.

  • Manaus recebe evento para estudo dos solos das várzeas do Médio Amazonas

    Manaus recebe evento para estudo dos solos das várzeas do Médio Amazonas

    O estado do Amazonas recebe até o dia 25 de outubro cerca de 80 pesquisadores especialistas em ciências dos solos, que se dedicam ao estudo da classificação dos solos das várzeas do Médio Rio Amazonas. A pesquisa ocorre durante a XV Reunião Brasileira de Classificação e Correlação de Solos (RCC). Ela começou no dia 18 de outubro em Manaus e se estenderá até Santarém, no Pará.

    O evento contará com atividades itinerantes que incluem visitas a áreas rurais nos municípios do interior do Amazonas e Pará, onde os pesquisadores analisarão 17 perfis de solos para discutir e definir sua classificação.

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    A RCC é promovida pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS) e organizada pela Embrapa Amazônia Ocidental. Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Solos, Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Esta é a primeira vez que uma RCC acontece no Amazonas. E reune mais de 80 pesquisadores de cerca de 20 instituições, incluindo universidades federais e estaduais.

    Promoção do conhecimento

    Maria do Rosário Lobato Rodrigues é pesquisadora da Embrapa Amazônia Ocidental e membro da equipe de coordenação da XV RCC. Ela destacou que o evento visa aprimorar o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos e promover o conhecimento sobre os solos do bioma Amazônia. “Queremos estimular o desenvolvimento de pesquisas em solos e fomentar o intercâmbio entre pesquisadores e profissionais da área”, afirmou.

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    Rodrigues também explicou que a realização do evento envolveu intensos trabalhos prévios em campo, com três campanhas realizadas entre novembro de 2022 e outubro de 2023 para selecionar os solos estudados. Os dados coletados serão publicados em 2025 no “Guia de Campo da XV Reunião Brasileira de Classificação e Correlação de Solos”.

    As atividades de campo ocorrem em áreas rurais dos municípios amazonenses de Iranduba, Rio Preto da Eva, Itacoatiara e Parintins, seguindo para os municípios paraenses de Juriti, Belterra e Santarém. Segundo os organizadores, o trabalho contribuirá para preencher lacunas no conhecimento sobre a formação, geografia e vulnerabilidades dos solos das várzeas do Médio Amazonas.