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  • Mudanças climáticas já causaram R$ 785 bi em danos no Brasil; escolas apostam em educação para mudar esse cenário

    Mudanças climáticas já causaram R$ 785 bi em danos no Brasil; escolas apostam em educação para mudar esse cenário

    Entre 2013 e 2025, os desastres ambientais causaram R$ 785,4 bilhões em danos no Brasil. Os dados, consolidados em 2026 pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), revelam que os desastres afetaram 95,1% dos municípios brasileiros. Com impactos sobre moradias, infraestrutura, serviços públicos e setores como agronegócio, segurança pública e indústria. Diante do aumento de eventos extremos como o El Niño que provoca tempestades, secas, ondas de calor e incêndios florestais, o país precisa fortalecer a preparação municipal e da sociedade.

    O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) aponta que o estresse pós-traumático, a ansiedade e a perda cognitiva causados pelas ondas de calor afetam diretamente o desenvolvimento infantojuvenil. Por isso, escolas têm colocado os próprios estudantes no centro do debate climático. “Para reduzir esses danos, é necessário atuar antes, durante e depois do desastre. Isso envolve educação climática, mapeamento de riscos, alertas acessíveis, simulados, escolas preparadas, proteção das famílias, espaços seguros nos abrigos, continuidade da aprendizagem, atendimento de saúde e acompanhamento psicossocial prolongado”, afirma Keles Gonçalves de Lima, coordenador de evangelização do Marista Brasil e doutor em Educação.

    Letramento climático substitui o medo pela ação

    Por meio do Observatório Marista do Clima, crianças e adolescentes de diferentes biomas brasileiros deixam de apenas receber notícias alarmantes que geram ecoansiedade e medo e passam a vivenciar o chamado “letramento climático”. Na prática, mais de 700 alunos e professores investigam problemas reais de seus bairros, representam países em simulações da COP (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) e implementam soluções que vão da gestão de resíduos a hortas agroecológicas. Ao longo de 2025, 88 instituições participaram do Observatório, os estudantes propuseram mais de 220 ações climáticas e o projeto somou 42.448 participantes diretos.

    Keles explica que o Observatório entende as questões climáticas como permanentes. E por isso adota uma estratégia educativa capaz de preparar as comunidades para diferentes manifestações da emergência climática. “O Observatório trabalha com quatro dimensões: conhecimento científico, adaptação, mitigação e comunicação. Entre elas, está a compreensão dos riscos de desastres e a preservação da vida”, comenta.

    Os jovens não atuam apenas como destinatários de informações. Eles investigam problemas reais de seus territórios, representam países em negociações climáticas, formulam propostas e implementam ações voltadas à economia de água e energia, à gestão de resíduos, às hortas agroecológicas e à criação de soluções sustentáveis. O projeto busca transformar a preocupação com o clima em conhecimento, participação e ação concreta, evitando tanto a indiferença quanto uma abordagem que gere apenas medo.

    Semeando a mudança

    Entre os projetos criados está o “Desperdiçômetro”, que nasceu da necessidade de enfrentar o grande volume de alimentos descartados no refeitório. Para tornar o problema visível, o Marista Escola Social Ecológica, em Almirante Tamandaré (PR), passou a pesar diariamente os restos alimentares. E divulgar os resultados em um mural, mobilizando toda a comunidade escolar. Além da medição, a escola promoveu debates, palestras com profissionais de nutrição, oficinas práticas sobre tamanho de porções e uso completo dos ingredientes, além de campanhas de conscientização.

    O projeto também criou um ciclo sustentável e pedagógico ao integrar o manejo dos descartes: os restos orgânicos passaram a alimentar uma composteira, que produz adubo para a horta da própria escola a mesma que abastece a cozinha com vegetais frescos. Sementes, folhas e cascas, por sua vez, viraram alimento para as ovelhas mantidas no local.

    Essa abordagem já gerou resultados importantes. A escola reduziu o volume de comida descartado no refeitório, aumentou a percepção dos alunos sobre a importância da alimentação, engajou as famílias, diminuiu custos institucionais e reforçou o reconhecimento do alimento como um bem fundamental.

    No Marista Escola Social – Robru, em São Paulo (SP), o projeto “Fraternidade e Ecologia Integral” resultou na criação de uma horta. A iniciativa incluiu um estudo de solo, a construção de canteiros, a instalação de uma estufa e uma formação em permacultura. A escola incorporou a proposta ao currículo da Educação Infantil, unindo agroecologia, permacultura e conscientização ambiental.

    “Cuidar das crianças e dos adolescentes diante da emergência climática significa reconhecê-los como prioridade absoluta. Mas também como sujeitos capazes de participar da construção de comunidades mais preparadas, solidárias e resilientes”, finaliza Lima.

    A escola como ponto de apoio em tragédias climáticas

    A tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul em 2024 reconfigurou a atuação dos municípios e das instituições civis e de ensino. Antes, as enchentes eram vistas como episódios sazonais; hoje, os Maristas do Brasil as tratam como rotina institucional. “Não é mais possível tratar os eventos climáticos extremos como situações excepcionais. Precisamos incorporar permanentemente a prevenção, a adaptação e o cuidado com as populações mais vulneráveis aos processos institucionais e educativos”, avalia Keles.

    Diante do El Niño e de outras ameaças, os projetos de ações climáticas reforçam a necessidade de planos de contingência territorializados. “Os planos operacionais de contingência precisam ser territorializados, pois cada unidade está exposta a riscos diferentes, como enchentes, deslizamentos, secas, incêndios ou ondas de calor. Por isso, devem considerar os alertas oficiais, as orientações das defesas civis e as responsabilidades das mantenedoras e dos municípios”, afirma Lima.

    O coordenador ressalta que o Plano de Contingência é responsabilidade do poder público. “A escola não substitui a Defesa Civil, mas pode contribuir com educação climática, mobilização comunitária, conhecimento do território e participação de crianças e adolescentes. Um dos próximos avanços possíveis é justamente aproximar ainda mais as ações educativas do Observatório Marista do Clima dos planos municipais de prevenção e adaptação climática”, destaca.

    Sobre os Maristas no Brasil

    Os Maristas no Brasil integram uma rede global presente em mais de 80 países em todos os continentes. Há 129 anos no país, atuam hoje em mais de 94 cidades, em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal. A rede reúne 97 unidades de educação básica, 34 unidades sociais e instituições de ensino superior como a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e a Católica de Santa Catarina, além do Hospital Cajuru e do Hospital Marcelino Champagnat, no Paraná, do Hospital São Lucas, em Porto Alegre, e de editoras como a FTD Educação.

  • El Niño pode elevar preços dos alimentos em até 20%

    El Niño pode elevar preços dos alimentos em até 20%

    O El Niño pode encarecer os alimentos no Brasil e pressionar a inflação nos próximos meses. Segundo estudo do Rabobank, os preços podem atingir o pico até seis meses após choques climáticos. O banco desenvolveu um modelo matemático com base no histórico do fenômeno climático no Brasil.

    Hortaliças e carnes devem sofrer maior impacto

    Os alimentos in natura, como carnes e hortaliças, tendem a registrar as maiores altas. Em um El Niño forte, essa categoria pode acumular aumento de 19,9%. No mesmo cenário, os preços da alimentação no domicílio avançariam 6,32%. Já em um El Niño moderado, as altas chegariam a 13,4% e 2%, respectivamente.

    As hortaliças respondem mais rapidamente aos impactos climáticos devido aos ciclos curtos de produção. Assim, problemas climáticos podem reduzir a oferta e pressionar os preços em pouco tempo.

    Os alimentos semi-elaborados sentem os efeitos de maneira mais gradual, principalmente pelo aumento dos custos dos insumos. Essa categoria inclui produtos como arroz e feijão, que passam por algum processamento antes do consumo.

    Por outro lado, os industrializados tendem a registrar aumentos mais moderados. Nesse caso, o preço final também depende de processamento, embalagem, transporte e comercialização.

    El Niño pode pressionar a inflação

    A intensidade e a duração dos impactos dependem da força do fenômeno climático. Além disso, as condições da safra e o cenário econômico também influenciam os resultados. Em um El Niño moderado, os preços dos alimentos in natura poderiam subir 13,4% em 12 meses. Essa alta acrescentaria cerca de 0,36 ponto percentual ao IPCA.

    Os semi-elaborados e industrializados também subiriam, mas em menor intensidade. Os aumentos seriam de 0,27% e 0,5%, respectivamente. Somados, esses efeitos acrescentariam cerca de 0,41 ponto percentual ao IPCA.

    El Niño forte teria impacto maior

    Em um El Niño forte, os preços dos alimentos in natura poderiam subir quase 20%. Sozinha, essa alta acrescentaria cerca de 0,53 ponto percentual ao IPCA. Os alimentos semi-elaborados subiriam 3,6%, com impacto de 0,20 ponto percentual.

    Já os industrializados avançariam 1,4%, acrescentando outros 0,11 ponto percentual. No total, os alimentos acrescentariam cerca de 0,83 ponto percentual ao IPCA. O impacto mais forte apareceria aproximadamente seis meses após o choque climático.

    El Niño pode atingir regiões metropolitanas

    O estudo também avaliou os possíveis efeitos do fenômeno nas principais regiões metropolitanas. Localidades com maior consumo ou produção de alimentos in natura devem sentir os impactos mais rapidamente. Nessas regiões, os preços também podem subir com maior intensidade. Em outras localidades, o repasse pode ocorrer de forma mais gradual e durar mais tempo.

    No curto prazo, os maiores aumentos podem ocorrer em Porto Alegre, Curitiba e São Paulo. Também estão entre as regiões mais afetadas Rio de Janeiro, Goiânia, Brasília, Fortaleza e Belém. Salvador e Recife, por outro lado, teriam impactos menores inicialmente. Segundo o relatório, essas regiões podem registrar um repasse mais gradual dos choques climáticos aos preços.

    Previsão aponta El Niño forte no fim do ano

    O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico registram aquecimento acima do normal. O fenômeno altera os padrões climáticos em diferentes regiões do mundo. Como resultado, pode provocar secas em áreas produtoras e chuvas mais intensas em outras localidades.

    O estudo comparou o Índice Oceânico Niño (ONI) com a inflação dos alimentos consumidos em casa. O ONI acompanha a intensidade do fenômeno climático a partir da temperatura do Oceano Pacífico. Valores acima de 0,5°C na média de três meses indicam El Niño moderado.

    Já temperaturas superiores a 1°C caracterizam episódios fortes. Segundo a última divulgação da NOAA, em agosto, havia 26% de probabilidade de El Niño moderado. A entidade também apontava 57% de chance de um evento forte. Além disso, havia 16% de probabilidade de um episódio muito forte. Para o fim do ano, as projeções indicavam cerca de **80% de probabilidade de El Niño forte.

  • Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    Chocolate vai ficar mais caro? Super El Niño preocupa produtores

    O avanço do El Niño voltou a colocar a produção de cacau no radar de produtores e fabricantes de chocolate. Apesar dos riscos climáticos, representantes do setor avaliam que a expansão do cultivo para novas áreas pode ajudar a reduzir os efeitos de uma eventual quebra de safra sobre a oferta da matéria-prima.

    Para Arcelia Gallardo, fundadora da Mission Chocolate, uma repetição da forte escalada de preços observada anteriormente não é inevitável.

    “No Equador, os produtores plantaram milhares de pés de cacau há quatro anos porque eles estavam entendendo o que iria acontecer. Por causa dos efeitos do clima, agora temos cacau também em São Paulo”, afirma. “Onde antes não tinha cacau, agora tem.”

    A avaliação de Gallardo é que a ampliação das regiões produtoras pode funcionar como um contraponto aos problemas provocados pelo clima. Isso, porém, não elimina os riscos que o El Niño representa para a cultura.

    Alta do cacau já mudou os chocolates

    Filha de agricultores mexicanos e nascida na Califórnia, nos Estados Unidos, Gallardo trabalha com o modelo bean-to-bar, expressão usada para fabricantes que compram os grãos de cacau e controlam sua transformação até a produção das barras.

    Com a forte valorização do cacau registrada no fim de 2024, a Mission Chocolate precisou rever parte de sua estratégia. Segundo Gallardo, algumas fórmulas foram modificadas e determinados produtos passaram a ter versões menores para absorver parte do aumento dos custos.

    Arcelia Gallardo é fundadora da Mission Chocolate (Foto: Divulgação)

    Além disso, outra alternativa foi aumentar a variedade do portfólio.

    “Conseguimos pensar em outros produtos que poderíamos fazer, como confeitos banhados em chocolate, que deram muito certo.”

    Segundo a empresária, essas mudanças ajudaram a evitar que toda a elevação dos custos fosse repassada ao consumidor.

    Caso uma nova onda de valorização da matéria-prima aconteça, a Mission também aposta em cookies e produtos banhados, que demandam uma quantidade menor de chocolate do que as barras tradicionais.

    Nestlé aposta em manejo para diminuir perdas

    Entre as grandes indústrias, uma das estratégias para reduzir a vulnerabilidade da cadeia está no preparo das propriedades rurais.

    A diretora de marketing de chocolates da Nestlé, Paula Munhoz, afirma que a prevenção de perdas passa pela adoção de melhores práticas pelos fornecedores de cacau.

    Entre as medidas mencionadas estão:

    • melhoria da gestão da água;
    • distribuição de mudas com maior potencial produtivo;
    • adoção correta de técnicas de poda;
    • orientação técnica aos produtores.

    Essas ações fazem parte da estratégia da empresa para aumentar a resiliência das propriedades diante de condições climáticas adversas.

    Por meio do Nestlé Cocoa Plan, a companhia mantém uma rede de mais de 6,5 mil fazendas parceiras no Brasil, com iniciativas de assistência técnica, capacitação e adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis.

    Com o El Niño no radar, produtores e fabricantes passam a acompanhar não apenas as cotações do cacau, mas também a distribuição das chuvas e o comportamento das lavouras nas principais regiões produtoras.

  • Governo amplia regras para estoques de alimentos diante do risco do El Niño

    Governo amplia regras para estoques de alimentos diante do risco do El Niño

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (18) uma nova legislação que amplia os instrumentos do governo para enfrentar os impactos do El Niño no campo e reforçar os estoques públicos de alimentos.

    Entre as principais mudanças está a possibilidade de o governo comprar determinados produtos agrícolas por valores até 25% superiores ao preço mínimo estabelecido para a safra.

    A medida abre caminho para ampliar os estoques administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em um período de preocupação com os possíveis efeitos do fenômeno climático sobre a produção e o abastecimento.

    A estratégia do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) prevê a compra de até 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho.

    Caso seja necessário para viabilizar a formação dos estoques, o governo poderá pagar acima do preço mínimo, respeitando o limite estabelecido pela nova legislação.

    O que muda nas compras da Conab

    Até então, a legislação condicionava a aquisição para formação de estoques à situação em que os produtos estivessem negociados abaixo do preço mínimo.

    O mecanismo funcionava principalmente como instrumento de sustentação de preços e renda do produtor. Entretanto, essa condição restringia a atuação da Conab quando os preços estavam acima desse patamar, mesmo diante da necessidade de recompor estoques.

    Com a mudança, o governo ganha maior margem para realizar compras públicas voltadas ao abastecimento.

    Na prática, a alteração permite que a política de estoques seja utilizada não apenas quando há pressão de baixa sobre os preços recebidos pelos produtores, mas também diante da necessidade de garantir disponibilidade de produtos para períodos posteriores.

    El Niño aumenta preocupação com abastecimento

    A mudança ocorre em meio à preparação do governo para os possíveis impactos do El Niño sobre a produção agropecuária brasileira.

    O fenômeno altera os padrões de chuva e temperatura e pode produzir efeitos diferentes entre as regiões produtoras. Por isso, eventuais impactos sobre as safras dependem da intensidade do fenômeno, da época do ano e da localização das lavouras.

    Nesse cenário, a formação de estoques de arroz e milho funciona como instrumento adicional da política de abastecimento.

    Os estoques públicos podem ser utilizados pelo governo para aumentar a disponibilidade de determinados produtos no mercado quando houver necessidade, dentro das regras estabelecidas para cada programa.

    Mais produtos entram no programa para pequenos criadores

    A nova legislação também amplia a cesta de produtos que poderá ser adquirida pela Conab e posteriormente comercializada pelo Programa de Venda em Balcão (ProVB).

    O programa atende principalmente pequenos criadores de animais, facilitando o acesso a produtos destinados à alimentação dos rebanhos.

    Até agora, o ProVB disponibilizava milho. Com as novas regras, a Conab poderá trabalhar também com:

    • sorgo;
    • caroço de algodão;
    • farelo de soja;
    • farelo de milho;
    • outros produtos destinados à alimentação animal.

    A diversificação pode ampliar as alternativas disponíveis aos pecuaristas, especialmente em períodos de pressão sobre a oferta ou os preços dos insumos utilizados na alimentação animal.

    Cooperativas poderão comprar até 80 toneladas por mês

    O limite mensal para os pequenos criadores permanece em até 27 toneladas.

    A legislação também passa a contemplar cooperativas e associações, que poderão adquirir até 80 toneladas por mês, conforme as regras do programa.

    Outra mudança importante é o fim do limite de 200 mil toneladas anuais que existia para o abastecimento do ProVB.

    A partir de agora, o volume destinado ao programa deverá ser estabelecido conjuntamente pelo MDA, Ministério da Agricultura e Pecuária e Ministério da Fazenda, considerando a disponibilidade orçamentária e financeira.

    Esses ministérios também ficarão responsáveis por estabelecer as condições para as vendas destinadas às cooperativas de produção agropecuária e associações da agricultura familiar, em articulação com a Conab.

    Estoques também poderão abastecer programas sociais

    A nova legislação ainda autoriza a venda direta de produtos dos estoques públicos da Conab para atender programas sociais, ações de abastecimento e iniciativas relacionadas à segurança alimentar.

    Entre os beneficiários previstos estão micro e pequenas indústrias de alimentos, micro e pequenas empresas do varejo alimentar, cooperativas e associações.

    A regulamentação dessa modalidade ficará a cargo dos ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome; e da Fazenda.

    Já a Conab deverá estabelecer os critérios de adesão e credenciamento dos beneficiários, além da metodologia para definição dos preços.

     

  • Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    O El Niño deve ganhar força nos próximos meses, mas seus efeitos sobre a agricultura não serão iguais em todo o mundo. Enquanto o fenômeno pode aumentar os riscos para a produção de grãos no Brasil, os Estados Unidos tendem a encontrar condições mais favoráveis para a próxima temporada agrícola.

    A diferença está no comportamento das chuvas provocado pelo fenômeno em cada região. No Brasil, áreas importantes para a produção de soja e milho podem enfrentar períodos mais secos, enquanto o Sul tende a registrar condições mais úmidas.

    Já nos Estados Unidos, o El Niño costuma favorecer o aumento das chuvas em parte do território, principalmente no Sul, o que pode melhorar a disponibilidade de água para a temporada seguinte.

    El Niño deve ficar mais forte no fim de 2026

    O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê que o fenômeno continue se fortalecendo ao longo de 2026.

    El Niño é causado pelo aquecimento acima da média das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico. Mapa mostra o padrão de temperatura direcionado pelo fenômeno climático (Foto: NOAA/Via MetSul)

    Na atualização mais recente, a agência apontou 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro. A NOAA também estimou em 97% a possibilidade de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

    A intensidade do El Niño, porém, não significa que todos os países enfrentarão os mesmos efeitos. O impacto depende da região, da época do ano e das condições climáticas locais.

    Brasil pode enfrentar maior risco para soja e milho

    O cenário preocupa o agronegócio brasileiro porque a intensificação do fenômeno ocorre justamente em um período importante para a safra 2026/27.

    No Cerrado, Centro-Oeste, regiões produtoras do Norte e na Amazônia, o El Niño tende a favorecer condições mais secas. Esse cenário pode reduzir a disponibilidade de água para as lavouras e aumentar o risco de períodos de estiagem.

    O problema é especialmente relevante para culturas como soja e milho, que dependem de uma distribuição adequada das chuvas durante diferentes fases do ciclo.

    No Sul do país, o comportamento tende a ser diferente. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem registrar condições mais úmidas associadas ao fenômeno.

    Isso, porém, não significa que todo o Sul terá uma safra melhor. O excesso de chuva também pode prejudicar o plantio, o desenvolvimento das plantas e a colheita.

    Pesquisador estima perda de até 10% na safra brasileira

    O pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa e da FGV Agro, avalia que um El Niño muito forte pode provocar perdas relevantes na produção brasileira.

    Segundo Assad, o cenário pode resultar em uma redução estimada de até 10% na produção de soja e milho do Brasil.

    A projeção, entretanto, deve ser interpretada como uma estimativa de risco, e não como uma previsão oficial de quebra da safra 2026/27.

    O resultado dependerá da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas e das temperaturas observadas em cada região produtora.

    Por que os EUA podem ser favorecidos pelo El Niño?

    Nos Estados Unidos, o cenário tende a ser diferente.

    O período de maior influência do El Niño costuma ocorrer entre setembro e março. Para boa parte das culturas norte-americanas, essa época coincide com a entressafra ou com um período de menor atividade agrícola.

    Além disso, o fenômeno costuma aumentar a umidade em áreas do Sul dos Estados Unidos, desde a Califórnia até as Planícies Centro-Sul e o Sudeste.

    A maior quantidade de chuva pode reduzir o risco de seca e melhorar os níveis de água em rios, reservatórios e outras fontes utilizadas na agricultura.

    Dessa forma, o El Niño pode deixar os Estados Unidos em uma posição mais favorável para a próxima temporada de cultivo.

    Efeito do El Niño muda de acordo com o país

    Os impactos sobre a agricultura também podem ser diferentes em outras partes do mundo.

    Na América Central, países como Guatemala, Panamá, El Salvador e Costa Rica podem enfrentar condições menos favoráveis para culturas como milho e arroz.

    Na América do Sul, Paraguai e Uruguai podem encontrar condições mais favoráveis em determinadas áreas. Já Peru, Equador e parte da Colômbia podem registrar períodos de chuva acima do normal.

    Na África, o fenômeno tende a reduzir as precipitações em algumas regiões.

    Na Austrália, por outro lado, a irregularidade das chuvas pode prejudicar as pastagens e aumentar o risco de veranicos e estiagens.

    “Neste momento, os impactos mais imediatos do El Niño provavelmente estão sendo sentidos na Indonésia, Filipinas, América Central, parte da África e Índia, onde a chuva tem estado abaixo do normal nos últimos um ou dois meses. Também notamos um aumento nas chuvas em partes do Chile. Todos esses impactos são condizentes com as condições do El Niño”, afirma a cientista física do Centro de Previsão Climática da NOAA e líder da equipe de El Niño, Michelle L’Heureux.

  • Impactos do El Niño preocupam setor de insumos

    Impactos do El Niño preocupam setor de insumos

    O crédito mais restrito, o El Niño e as incertezas do cenário geopolítico estão entre as principais pautas das empresas que participam do 15º Congresso da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav).

    O evento começou na terça-feira (11) e segue até quinta-feira (13), no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

    Crédito mais restrito muda estratégia das empresas

    Diretor conselheiro da Andav e líder do grupo de trabalho de pesquisa da entidade, Alberto Yoshida afirma que o setor sente os efeitos do ciclo de investimentos realizado entre 2020 e 2022, quando os preços das commodities estavam em patamares elevados.

    Agora, os preços dos grãos perderam força, os juros estão mais altos e há menos recursos disponíveis para financiamento. O cenário também afeta os distribuidores de insumos.

    “Se os produtores rurais passam por uma dificuldade muito grande, a distribuição está muito próxima. Esse aperto que nós temos é uma consequência inclusive do próprio mercado.”

    Ao mesmo tempo, as distribuidoras enfrentam aumento dos custos operacionais, principalmente com combustíveis e energia elétrica.

    Para Yoshida, o momento exige maior atenção à gestão das empresas, com foco em gestão e fluxo de caixa, análise de balanço e controle de despesas.

    Segundo ele, o cadastro dos clientes ganhou importância e a chamada “esteira de crédito” passou a ser uma ferramenta cada vez mais relevante para os distribuidores.

    Gestão de risco ganha espaço no agro

    Na Fortgreen, a estratégia tem sido reforçar a gestão de risco e ampliar as alternativas de financiamento.

    Segundo o head de crédito, Henrique Ramires, a equipe passou a trabalhar mais próxima da área comercial e dos clientes, inclusive em campo.

    A análise deixou de considerar apenas balanços e declarações financeiras. Também entram na avaliação informações sobre a lavoura, como região, cultura, preços e dados obtidos por imagens de satélite.

    Além disso, a empresa também ampliou o uso de operações de barter e Cédulas de Produto Rural (CPRs) como instrumentos para reduzir riscos e sustentar as vendas.

    “O barter serve para dois cenários: primeiro, alavancar venda; segundo: mitigar risco”, afirmou Ramires.

    Produtores fracionam compra de insumos

    O ambiente de maior cautela também mudou o ritmo de comercialização de insumos, segundo a multinacional Basf.

    Gustavo Bastos, gerente sênior de acesso ao mercado da empresa, afirma que os produtores estão mais criteriosos e têm fracionado as aquisições.

    Com isso, parte das decisões de compra fica para mais perto do momento da aplicação.

    El Niño aumenta atenção para a próxima safra

    O El Niño é um dos principais fatores de preocupação para a próxima safra.

    Segundo Bastos, os efeitos do fenômeno podem variar entre as regiões produtoras. No Cerrado, há preocupação com possíveis impactos sobre o calendário de plantio. No Sul, o cenário pode aumentar a pressão de fungos e doenças.

    A estratégia da empresa, diante da maior incerteza climática, é manter proximidade com os agricultores para ajudar nos ajustes de manejo conforme as condições encontradas no campo.

    O monitoramento climático oficial para 2026 aponta diferenças importantes entre as regiões brasileiras. As projeções para o período de julho a setembro indicam maior probabilidade de chuva abaixo da média em áreas do centro-norte do país e de chuva acima da média em partes da Região Sul.

    Geopolítica preocupa oferta de matérias-primas

    O cenário internacional também aumenta a preocupação com a disponibilidade de matérias-primas utilizadas pela indústria.

    Segundo Thiago Haydn, gerente comercial da Schem Group, os impactos relacionados ao Estreito de Hormuz já repercutem no mercado de enxofre.

    A matéria-prima é relevante para a produção de ácido sulfúrico e, consequentemente, para diferentes fertilizantes e produtos químicos utilizados pelo agronegócio.

    Para Haydn, o risco não está apenas na possibilidade de aumento dos preços.

    “Pior que pagar caro é você não ter produto quando o produtor precisar”, concluiu.

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  • Governo libera R$ 1,3 bilhão para combater efeitos do El Niño

    Governo libera R$ 1,3 bilhão para combater efeitos do El Niño

    O avanço do El Niño sobre o clima brasileiro colocou o Governo Federal em alerta para os possíveis impactos na produção agropecuária durante a safra 2026/27. Diante do risco de alterações nas chuvas e nas temperaturas, o Executivo prepara ações para reduzir os efeitos do fenômeno e evitar problemas de abastecimento.

    O governo anunciou um pacote de R$ 1,335 bilhão para medidas relacionadas ao fenômeno. O planejamento inclui a formação de estoques públicos, distribuição de alimentos, monitoramento de rios, ações de saúde e prevenção e combate a incêndios florestais.

    No entanto, um dos principais instrumentos de proteção do produtor ainda enfrenta restrições. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) permanece com R$ 461,7 milhões bloqueados em 2026.

    Seguro rural entra no centro das preocupações

    O orçamento original do PSR para este ano era de aproximadamente R$ 1,01 bilhão. Depois de cancelamentos e do bloqueio de recursos, a disponibilidade operacional caiu para cerca de R$ 473,8 milhões.

    A situação preocupa porque o seguro rural permite ao produtor reduzir parte do risco financeiro provocado por eventos climáticos. Além disso, o período entre julho e setembro concentra uma parcela importante das operações de custeio e da contratação de apólices para a safra de verão.

    Segundo dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), as contratações de seguro agrícola caíram 13,9% entre janeiro e maio de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

    O cenário pode se tornar ainda mais delicado caso o El Niño apresente forte intensidade.

    Governo monitora impactos sobre a agricultura

    O Ministério da Agricultura e Pecuária criou um grupo de trabalho para acompanhar os possíveis efeitos do fenômeno sobre o setor agropecuário. A iniciativa envolve órgãos como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

    A equipe deve avaliar vulnerabilidades regionais e por cultura, além de propor estratégias de adaptação e redução dos impactos. Entre as atividades analisadas estão lavouras de soja, milho, trigo, feijão, cana-de-açúcar, café e mandioca.

    A preocupação é justificada porque o El Niño pode provocar efeitos diferentes conforme a região. No Sul, por exemplo, o fenômeno costuma aumentar o risco de chuvas acima da média. Já em áreas do Norte e do Nordeste, pode favorecer condições mais secas. No Centro-Oeste, as alterações no regime de chuvas também podem afetar o calendário e o desenvolvimento das lavouras.

    Onde será aplicado o R$ 1,3 bilhão

    Do total anunciado pelo governo, R$ 850 milhões serão destinados à compra de arroz e milho para formação de estoques públicos. A medida busca aumentar a capacidade de resposta do país diante de uma eventual redução da oferta de alimentos.

    Outros R$ 65 milhões estão previstos para a aquisição e distribuição de 350 mil cestas de alimentos. A ação contempla povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.

    Também foram previstos recursos para monitoramento de rios e ações na área de saúde. Além disso, R$ 337 milhões, autorizados anteriormente por crédito extraordinário, serão utilizados em fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios florestais.

    Apesar do volume anunciado, a principal crítica do setor está na ausência de uma recomposição imediata do orçamento destinado ao seguro rural.

    FGV alerta para redução da área protegida

    O Observatório do Crédito e Seguro Rural da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) avalia que, caso os recursos atualmente disponíveis sejam mantidos, a área agrícola protegida pelo seguro pode cair para aproximadamente 2,7 milhões de hectares em 2026.

    O número representaria menos de 3% da área agrícola brasileira. Para o observatório, o cenário aumenta a exposição dos produtores aos eventos climáticos justamente em um período de maior risco para a próxima safra.

    A instituição defende não apenas o desbloqueio dos recursos, mas também uma suplementação do orçamento. A proposta é elevar o PSR para cerca de R$ 2,3 bilhões, o que permitiria ampliar novamente a área protegida.

    A urgência está no calendário agrícola. Quanto mais próxima a decisão estiver do plantio, maior é a necessidade de que os recursos estejam disponíveis para que o produtor consiga contratar a proteção antes de assumir o risco climático.

  • Agricultores usam táticas para encarar El Niño mais forte da história

    Agricultores usam táticas para encarar El Niño mais forte da história

    Na safra 2026/27, agricultores brasileiros devem enfrentar um El Niño de intensidade muito elevada — um dos mais fortes já vistos, na verdade. A previsão considera os fenômenos registrados desde 1950 e aumenta a preocupação com o clima durante o período de plantio e desenvolvimento das lavouras.

    O último episódio classificado como “muito forte” ocorreu na safra 2015/16. Na ocasião, 16 culturas diferentes registraram perdas de produtividade.

    O fenômeno começou em junho de 2026 e está evoluindo rapidamente. A expectativa é que o pico ocorra entre novembro e janeiro de 2027, embora ainda não exista uma previsão exata para o fim do evento.

    El Niño pode atrasar o plantio da soja

    Um dos principais pontos de atenção está no calendário da soja, especialmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e no Matopiba.

    Especialistas avaliam que a combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas pode atrasar o início da semeadura. Caso isso aconteça, o calendário do milho, normalmente plantado entre fevereiro e março, também poderá ser afetado.

    Além disso, o risco existe também para outras culturas. Café e citros podem enfrentar dificuldades durante a floração, enquanto a cana-de-açúcar pode ser beneficiada por um aumento das precipitações no Sudeste.

    Segundo Marcelo Seluchi, coordenador-geral de Operações e Modelagens do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o aquecimento global tem contribuído para uma maior frequência e intensidade dos episódios de El Niño.

    O especialista destaca que, nas últimas décadas, houve mais ocorrências do fenômeno e episódios de maior intensidade.

    O que é o Niño 3.4?

    O Niño 3.4 é uma região do Oceano Pacífico utilizada pelos meteorologistas como uma das principais referências para medir a intensidade do El Niño e da La Niña.

    Ela fica entre 5 graus ao norte e 5 graus ao sul da linha do Equador, entre os meridianos 170° e 120° a oeste.

    Na última atualização mencionada no material-base, a temperatura na região chegou a 1,3 °C, nível associado a um El Niño moderado naquele momento.

    Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em junho de 2026; áreas em vermelho indicando águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño — Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA

    Para a agrometeorologista Ana Maria Heuminski de Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri), da Unicamp, a velocidade de aquecimento do Pacífico aumentou a expectativa de um fenômeno mais intenso.

    Ela ressalta, porém, que um El Niño mais forte aumenta a probabilidade de eventos extremos, mas não significa que todas as regiões brasileiras serão afetadas da mesma maneira.

    Soja concentra uma das maiores preocupações

    A soja está entre as culturas que mais preocupam os especialistas por causa da possibilidade de alterações no calendário agrícola.

    Eduardo Martins, diretor do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), considera que os danos podem ser maiores caso a falta de chuva se intensifique em áreas mais vulneráveis.

    “Se a falta de chuva for ampliada, pegar o Matopiba [confluência entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), que é mais exposto ao clima, tem solos mais arenosos, e o Centro-Oeste, há possibilidade de 20% de perda a nível nacional, pegando a safra 2015/16 como base”, estima Martins, que foi presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no governo Fernando Henrique Cardoso.

    Chuvas podem beneficiar o Sul

    Os efeitos do El Niño não serão iguais em todo o território brasileiro.

    No Sul do Brasil, o fenômeno costuma estar associado a volumes de chuva acima da média. Por isso, a preocupação durante a implantação das lavouras de verão é justamente o excesso de precipitação.

    Para Ana Maria Heuminski de Ávila, do Cepagri, a chuva pode até favorecer a produtividade de soja e milho no Rio Grande do Sul, desde que não seja excessiva.

    O excesso de precipitação, como observado em 2024, pode provocar problemas para as lavouras.

    Manejo do solo é uma das estratégias

    Diante de um cenário de maior variabilidade climática, o planejamento passa a ter papel importante na preparação das propriedades.

    O seguro rural é, sem dúvidas, uma ferramenta que pode ajudar os produtores a enfrentar possíveis perdas. No entanto, outra estratégia está relacionada ao manejo do solo.

    Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Rural Clima, destaca a importância de manter uma boa cobertura vegetal e uma estrutura adequada do solo.

     “Ele (produtor) tem que primeiro fazer o que a gente chama de lição de casa: manter uma boa palhada, o solo com uma boa cobertura vegetal, com boa estrutura química e física, para que, quando chover, a água consiga penetrar em todo o solo e formar uma camada maior de água.”

    Assim, diante da possibilidade de um El Niño intenso na safra 2026/27, produtores precisam considerar não apenas o calendário de plantio, mas também o manejo do solo, o planejamento da propriedade e mecanismos de proteção contra perdas.

    O impacto, porém, dependerá da intensidade do fenômeno e, principalmente, de como chuva e temperatura vão se comportar em cada região produtora do país.

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  • El Niño forte pode levar 49 milhões à fome aguda

    El Niño forte pode levar 49 milhões à fome aguda

    Um El Niño de forte intensidade pode levar quase 49 milhões de pessoas à insegurança alimentar aguda até o fim de 2027. O alerta foi divulgado pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), agência da Organização das Nações Unidas (ONU).

    Segundo o relatório, existe 81% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito elevada. Nesse cenário, as temperaturas da superfície do mar podem alcançar os maiores níveis desde pelo menos 1982. Assim, o evento pode se tornar o El Niño mais intenso desde 1950.

    El Niño pode agravar crise alimentar

    O El Niño consiste no aquecimento periódico das águas superficiais do Oceano Pacífico. O fenômeno altera os padrões climáticos em diferentes regiões do planeta.

    Além disso, costuma provocar secas na África Austral e atrasar as monções em partes da Ásia. O evento também pode causar chuvas irregulares em outras regiões. “Esses são eventos que, no passado, provocaram fome em grande escala”, afirmou Jean-Martin Bauer. Ele dirige o Serviço de Análise de Segurança Alimentar e Nutrição do PMA.

    Quase 49 milhões podem entrar em insegurança alimentar

    O PMA analisou 45 países considerados vulneráveis aos efeitos adversos do El Niño. A agência estima que a insegurança alimentar aguda pode aumentar em quase 49 milhões de pessoas. Com isso, o número total pode chegar a 274 milhões de pessoas.

    O resultado representaria uma alta de 22%sobre a população de referência. Esse grupo já enfrenta insegurança alimentar em nível de crise ou em situação ainda pior.

    América Central e África Austral estão entre as áreas mais afetadas

    A América Central e a África Austral devem enfrentar alguns dos maiores impactos. Na América Central, o número de pessoas em insegurança alimentar pode aumentar 83%. Já na África Austral, a alta pode chegar a quase 75%, segundo o relatório.

    Além disso, cada uma dessas regiões pode registrar mais de 12 milhões de novos casos. América do Sul e Caribe também podem enfrentar aumento superior a 12 milhões de pessoas.

    Mercados de alimentos entram no El Niño em situação mais sólida

    Bauer afirmou que os mercados globais de alimentos iniciaram o período de El Niño relativamente fortalecidos. O cenário resulta, principalmente, das boas colheitas registradas em 2025. Entretanto, o diretor do PMA alertou para os riscos relacionados aos conflitos no Oriente Médio. Ele também citou possíveis perdas nas safras como fator de preocupação para a segurança alimentar global.

  • Alerta: El Niño ameaça safra global de café

    Alerta: El Niño ameaça safra global de café

    A Hedgepoint Global Markets revisou para baixo a sua estimativa de superávit global de café para a temporada 2026/27. A consultoria agora projeta um excedente de 8,2 milhões de sacas, uma queda em relação aos 9,9 milhões previstos anteriormente. A mudança reflete ajustes na produção de diversos países e os riscos crescentes do fenômeno El Niño.

    Especialistas alertam para a intensidade do El Niño, que apresenta mais de 70% de probabilidade de se tornar “muito forte” entre agosto e novembro de 2026. No Vietnã, a precipitação abaixo da média já forçou uma redução marginal na estimativa da safra 2026/27. A Indonésia e nações da América Central também enfrentam padrões irregulares de chuva, o que coloca em risco o desenvolvimento dos cafezais.

    Brasil: safra recorde sob vigilância

    No Brasil, as chuvas constantes em junho impediram o trabalho de colheita e prejudicaram a qualidade dos grãos. Mesmo com o ritmo abaixo da média de anos anteriores, a Hedgepoint mantém a expectativa de uma safra recorde para o país em 2026/27. O mercado espera que o avanço da colheita aumente o fluxo de exportações nos próximos meses, o que pode pressionar as cotações internacionais.

    Um ponto positivo para o setor brasileiro é a isenção da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos ao café instantâneo do país, medida que deve favorecer as vendas externas.

    Geopolítica e economia global pressionam preços

    Além do clima, o cenário macroeconômico injeta volatilidade no mercado. O conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a se intensificar em julho, afetando os preços de energia e reforçando a inflação persistente.

    Nesse contexto, o Banco Central Europeu elevou as taxas de juros, enquanto o Federal Reserve (Fed) indicou que novos aumentos ainda são possíveis em 2026. Essa incerteza financeira levou fundos de investimento a ajustarem suas posições, desencadeando atividades de cobertura que ampliaram as oscilações nos preços do café arábica.

    Embora o excedente de 8,2 milhões de sacas ainda permita uma recuperação dos estoques globais, a estrutura atual do mercado incentiva os países produtores a reterem parte da produção. Como muitas origens só iniciam a colheita entre outubro e novembro, a Hedgepoint não descarta novas revisões no superávit conforme os efeitos reais do El Niño se consolidem.