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  • Por que o Brasil exporta suco de laranja, mas quase não vende a fruta?

    Por que o Brasil exporta suco de laranja, mas quase não vende a fruta?

    O Brasil é líder mundial na produção e exportação de suco de laranja. Ainda assim, praticamente deixou de vender laranja de mesa para o exterior e, atualmente, chega a importar a fruta, principalmente do Egito.

    À primeira vista, a situação parece contraditória. No entanto, ela é resultado de decisões tomadas pelo setor citrícola ao longo de décadas e das mudanças no comportamento dos consumidores ao redor do mundo.

    O Brasil apostou no suco de laranja

    Durante muitos anos, a citricultura brasileira direcionou seus investimentos para abastecer a indústria de suco, segmento em que o país se tornou referência mundial.

    Hoje, aproximadamente 70% da produção nacional de laranja é destinada ao processamento industrial, enquanto apenas 30% abastece o mercado de fruta fresca.

    Essa estratégia trouxe resultados econômicos importantes, mas deixou o Brasil em segundo plano em um mercado que cresceu nos últimos anos: o da laranja de mesa.

    Segundo o presidente da CitrusBR, Ibiapaba Netto, o comércio internacional de frutas frescas movimenta cerca de 300 milhões de caixas por ano e continua em expansão.

    O problema não é falta de demanda. O mercado mudou, mas o Brasil permaneceu focado na indústria do suco”, resume.

    O mercado passou a preferir frutas frescas

    Enquanto o Brasil consolidava sua liderança no suco, consumidores de diversos países começaram a buscar frutas prontas para consumo.

    Ganharam espaço variedades que apresentam características como:

    • sabor mais doce;
    • ausência de sementes;
    • facilidade para descascar;
    • aparência mais uniforme;
    • maior valor agregado.

    Além das laranjas premium, mandarinas e tangerinas sem sementes passaram a ocupar um espaço cada vez maior nas prateleiras internacionais.

    Segundo a Associação Brasileira de Citros de Mesa (ABCM), diversos países investiram em novas variedades protegidas por royalties e desenvolvidas especificamente para esse mercado.

    O Brasil, por outro lado, continuou concentrado em cultivares voltadas para a indústria e para o consumo interno.

    Como o Egito virou um dos maiores exportadores de laranja

    O principal concorrente brasileiro nesse segmento é o Egito.

    Há cerca de duas décadas, o país tinha participação limitada nas exportações de laranja fresca. Hoje figura entre os maiores exportadores mundiais graças à combinação de fatores como:

    • clima favorável;
    • menor custo de produção;
    • incentivos governamentais;
    • abertura de novos mercados;
    • acordos fitossanitários.

    Enquanto isso, o Brasil enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, logística, infraestrutura portuária e crédito, fatores que reduzem sua competitividade na exportação da fruta in natura.

    Brasil passou de exportador a importador

    Os números mostram claramente essa mudança.

    Segundo a ABCM:

    • em 2010, o Brasil exportou cerca de 835 mil caixas de laranja de mesa;
    • para 2026, a previsão é de apenas 140 mil caixas exportadas;
    • no mesmo período, as importações devem atingir aproximadamente 1,3 milhão de caixas, principalmente vindas do Egito.

    Os dados mostram que o país perdeu espaço justamente em um mercado que continua crescendo no comércio internacional.

    Greening cria oportunidades, mas ainda não resolve o problema

    Outro fator que influencia a citricultura é o avanço do greening, considerada a principal doença dos citros no mundo.

    Por causa dela, regiões como Petrolina, no Vale do São Francisco, passaram a atrair novos investimentos por estarem fora da área mais afetada pela doença.

    Mesmo assim, especialistas afirmam que isso não garante competitividade internacional.

    Em áreas mais quentes, por exemplo, a casca da laranja tende a permanecer mais verde, enquanto compradores europeus preferem frutos com coloração alaranjada intensa.

    O desafio da citricultura brasileira

    O Brasil continua sendo uma potência mundial no mercado de suco de laranja. No entanto, recuperar espaço na exportação de fruta fresca exigirá investimentos em novas variedades, acordos comerciais, melhorias logísticas e estratégias voltadas às preferências do consumidor internacional.

    Sem essas mudanças, países como o Egito devem continuar ampliando sua participação em um mercado que cresce ano após ano.

  • A preço de banana: como o morango egípcio derrubou os preços no Sul de Minas

    A preço de banana: como o morango egípcio derrubou os preços no Sul de Minas

    O Brasil importou morango em volume 868% maior nos últimos quatro anos, e o principal fornecedor é o Egito. O avanço do produto estrangeiro já pressiona os preços pagos ao produtor nacional e ameaça a viabilidade econômica de pelo menos 11 mil agricultores familiares, concentrados principalmente no Sul de Minas Gerais e na região do Campo das Vertentes.

    Os dados são da analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Marotta, e foram apresentados em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Segundo ela, o salto nas importações tem raiz em um acordo comercial assinado há mais de uma década.

    “Parte desse avanço está ligada ao acordo firmado em 2010 entre o Mercosul e o Egito para ampliar o comércio bilateral. O processo foi regulamentado em 2017, pelo Decreto nº 9.229, que estabeleceu a redução gradual das tarifas de importação. A partir de 2022, o morango passou a entrar no mercado brasileiro com preços ainda mais competitivos”, explica Marotta.

    Preço do produto importado é quase metade do custo de produção no Brasil

    A distorção de preços é o centro do problema. No mercado interno egípcio, o quilo do morango é comercializado por cerca de 90 libras egípcias, o equivalente a aproximadamente R$ 15. Para exportação, porém, o valor despenca para pouco mais de R$ 7,50 por quilo. No Brasil, o custo médio de produção gira em torno de R$ 8,50 por quilo. A diferença torna a competição, na prática, insustentável para o produtor brasileiro.

    Especialistas apontam indícios de dumping, prática em que empresas vendem um produto no mercado externo por valor inferior ao preço praticado no próprio país de origem, situação que o comércio internacional considera concorrência desleal.

    Minas Gerais: maior produtor de morango da América Latina

    Minas Gerais responde pela maior produção de morango da América Latina. Em 2023, o estado colheu cerca de 190 mil toneladas da fruta em aproximadamente 4.800 hectares, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A produção se concentra no Sul de Minas, especialmente na microrregião de Pouso Alegre, mas também tem expressão significativa no Campo das Vertentes.

    A cadeia tem forte perfil social: 98% dos produtores são da agricultura familiar, o que torna o setor especialmente vulnerável à pressão externa.

    Apesar disso, as importações seguem crescendo. Em 2025, Minas Gerais importou cerca de US$ 2,3 milhões em morangos e derivados,aproximadamente 2 mil toneladas, segundo dados da Agrostat, sistema de estatísticas de comércio exterior do agronegócio brasileiro. No ano anterior, as compras externas somaram US$ 658 mil e 743 toneladas, o que representa crescimento de 164% em volume em apenas 12 meses.

    “Neste caso, o preço passou de R$ 17 para R$ 8 em fevereiro”

    No município de Ipuiuna, no Sul de Minas, a produtora Solange de Oliveira Paiva cultiva 140 mil pés de morango e sente diretamente os efeitos da concorrência estrangeira. Ela afirma que o chamado “morango de fábrica” registrou a queda mais acentuada. Esse tipo de fruta segue para a fabricação de polpa e suco, setor que mais absorve o produto importado congelado.

    Foto: Wenderson Araujo/Sistema CNA/Senar

    “O preço passou de R$ 17, no fim do ano passado, para R$ 8 em fevereiro deste ano. A gente tem que vender a preço de banana”, lamenta Solange. Ela relata também perdas no morango de bandeja, a variedade com frutos maiores, produzida no período mais frio. Na última comercialização, em 2025, recebeu R$ 7 por caixa com quatro cumbucas. No mesmo período do ano anterior, o valor variava entre R$ 10 e R$ 13.

    Campo das Vertentes também sente o impacto

    A pressão não se limita ao Sul do estado. Em Alfredo Vasconcelos, no Campo das Vertentes, 75% dos pouco mais de 7 mil habitantes são produtores rurais. A cidade conta com mais de cem hectares plantados com morango e produção anual de 6 mil toneladas, segundo a prefeitura local.

    Iasmin Ribeiro e Silva, que trabalha com o pai no cultivo da fruta, viu o faturamento da família despencar sete meses após concluir o programa Gestão com Qualidade em Campo (GQC), oferecido pelo Sistema Faemg Senar em parceria com o Sicoob Credivertentes, iniciativa voltada justamente para melhorar a gestão e a competitividade das propriedades rurais.

    “Parte da produção era vendida congelada e nós perdemos esse mercado. Para tentar escapar dos baixos preços na Ceasa, estamos negociando diretamente com os supermercados”, conta Iasmin. Ela ressalta ainda o peso dos insumos e o avanço de pragas e doenças cada vez mais resistentes, que elevam os custos de produção e reduzem ainda mais a margem do agricultor.

  • Brasil inicia 2026 como líder global na carne bovina

    Brasil inicia 2026 como líder global na carne bovina

    O Brasil inicia 2026 consolidado como o maior exportador e fornecedor de carne bovina do mundo. Após um 2025 de recordes históricos de abate e exportação, o país se firma como pilar estratégico em um cenário global de oferta limitada e concentrada. Segundo Larissa Barboza Alvarez, analista de mercado da StoneX, começam a surgir sinais de mudança no ciclo pecuário, o que pode afetar a disponibilidade de gado nos próximos anos.

    Essas tendências estão detalhadas no relatório “Perspectivas para Commodities 2026”, publicado pela StoneX em 27 de janeiro. O documento traz projeções para os principais mercados agropecuários e destaca a carne bovina como ativo central para o Brasil em 2026.

    Oferta de gado e virada do ciclo

    O ponto de maior incerteza neste início de ano está na oferta de animais para abate. Em 2025, a pecuária nacional registrou volume recorde de abates, impulsionado sobretudo pelo descarte expressivo de fêmeas. Movimento que tende a se limitar naturalmente, já que essas matrizes garantem a reposição do rebanho.

    “Nos últimos meses, a queda no abate de fêmeas indica que os produtores podem estar iniciando um novo ciclo de retenção”, afirmou Larissa. Como o ciclo pecuário costuma durar de 18 a 30 meses, ajustes realizados agora devem influenciar a oferta até 2027. Se a virada realmente se confirmar, a produção pode se tornar mais ajustada justamente em um momento de demanda aquecida nos mercados interno e externo, favorecendo a valorização da carne bovina ao longo do ano.

    Consumo interno em expansão

    O bom momento da economia brasileira, com crescimento e baixo desemprego, sustenta o avanço do consumo doméstico. “A melhora da renda tende a estimular a compra de carne bovina, que tem papel central na dieta do brasileiro”, explicou a analista.

    Ainda assim, ela alerta para fatores de moderação, como o aumento da inadimplência e a maior cautela das famílias em um ano eleitoral. Eventos sanitários também seguem no radar — o impacto da gripe aviária em 2025 mostrou como choques pontuais de oferta podem alterar a competitividade entre proteínas e influenciar preços.

    Dependência global do Brasil

    No cenário externo, o Brasil mantém posição dominante no comércio internacional. A China segue como principal destino das exportações brasileiras e ainda apresenta necessidade de importação superior à capacidade total de embarque do país. Outros mercados relevantes, como Japão, Coreia do Sul, Egito, Emirados Árabes, Chile e Estados Unidos, continuam com demanda estável.

    Em 2025, a rápida reação da China à redução das compras norte-americanas  após o aumento de tarifas reforçou a competitividade brasileira e a confiança na capacidade de resposta do setor exportador.

    “O Brasil entra em 2026 com protagonismo ampliado e o desafio de equilibrar consumo interno firme com uma possível redução na oferta de gado”, destacou Larissa Barboza Alvarez. O desfecho desse equilíbrio deve orientar preços, margens e a dinâmica da pecuária nacional ao longo do novo ciclo.

  • Fertilizantes dos BRICS podem ter registro acelerado no Brasil

    Fertilizantes dos BRICS podem ter registro acelerado no Brasil

    Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados pode agilizar a entrada de fertilizantes e outros insumos agrícolas no Brasil. A proposta estabelece registro automático para produtos que já possuem certificação válida das autoridades dos países membros do BRICS.

    Deputado Max Lemos (PDT-RJ). Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

    O PL 823/25, de autoria do deputado Max Lemos (PDT-RJ), altera a lei que regula o setor de fertilizantes. O objetivo central é reduzir os custos de produção no campo. Com insumos mais baratos, a expectativa é que o preço final dos alimentos no prato do consumidor também caia.

    “O barateamento dos insumos rurais geraria benefício direto para a população com a redução do preço do arroz, do feijão, do milho e de outros produtos”, defendeu Lemos na justificativa do projeto.

    Como funcionaria o registro automático

    Pelo texto, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) terá um prazo máximo de 15 dias para conceder o registro, contados a partir do pedido da empresa. Se o ministério não emitir o documento nesse período, a empresa poderá comercializar o produto normalmente, sem risco de multas.

    A medida também simplifica a atuação de distribuidoras e representantes de fabricantes estrangeiras. Elas não precisarão mais abrir uma empresa específica no Brasil (pessoa jurídica), bastando manter uma representação legal regularizada no país.

    Próximas etapas e tramitação

    O bloco do BRICS reúne atualmente 11 nações: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. A certificação por parte desses países servirá como aval para o processo rápido no Brasil.

    O projeto tramita em caráter conclusivo nas comissões da Câmara. Isso significa que não precisa passar pelo plenário, a menos que haja recurso. As comissões responsáveis pela análise são a de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e a de Constituição e Justiça e de Cidadania.

    Após a Câmara, a proposta ainda precisará de aprovação do Senado Federal e, posteriormente, sanção presidencial para se tornar lei.

    Fonte: Agência Câmara de Notícias

  • Brasil registra recorde nas vendas de carne bovina aos países árabes

    Brasil registra recorde nas vendas de carne bovina aos países árabes

    As exportações brasileiras de carne bovina para os países árabes somaram US$ 1,79 bilhão em 2025, alta de 1,91% frente ao ano anterior, segundo a Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. O resultado marca o segundo recorde consecutivo de receitas com o bloco formado por 22 nações.

    Egito e Arábia Saudita continuaram como principais destinos da proteína, com aumentos de 24,53% e 29,90%, respectivamente. A Argélia também ganhou destaque, intensificando compras desde 2024 e alcançando US$ 286,58 milhões em 2025, avanço de 40,56%.

    Segundo o secretário-geral da Câmara Árabe-Brasileira, Mohamad Mourad, o desempenho reflete tanto o aumento da oferta brasileira quanto a estratégia dos países árabes de reforçar estoques de alimentos em meio à instabilidade global. “O Brasil foi beneficiado pela disponibilidade do produto e pela necessidade do bloco de se precaver contra riscos de desabastecimento. Mesmo com quedas em outras categorias, tivemos o segundo melhor ano da série histórica em exportações e superávit comercial”, afirmou Mourad.

    Exportações para o bloco registram recuo geral

    Apesar do bom desempenho da carne bovina, o total exportado pelo Brasil aos países árabes caiu 9,81% em 2025, para US$ 21,34 bilhões — após crescer 22% em 2024. A retração está relacionada à queda nos preços das commodities e aos impactos da gripe aviária no Rio Grande do Sul, que reduziu o volume de embarques de frango.

    Os principais itens exportados foram açúcar (US$ 4,63 bilhões, -29,89%), carne de frango (US$ 3,34 bilhões, -6,40%), milho (US$ 3,07 bilhões, +24,94%) e minério de ferro (US$ 2,65 bilhões, -12,70%). Entre os parceiros, destacaram-se Emirados Árabes Unidos (US$ 3,78 bilhões), Egito (US$ 3,73 bilhões) e Arábia Saudita (US$ 3,13 bilhões).

    Agronegócio mantém liderança nas exportações

    O agronegócio respondeu por 72,5% das exportações ao bloco em 2025, totalizando US$ 15,91 bilhões, queda de 11,19% sobre 2024. Mesmo com os incentivos à produção local nos países árabes, a proteína brasileira manteve espaço no mercado regional.

    Foto: divulgação – Terminal de Contêineres de Paranaguá

    A Arábia Saudita, por exemplo, aumentou em 15,14% as compras de frango brasileiro, para US$ 942,39 milhões, enquanto os Emirados Árabes Unidos mantiveram importações próximas a US$ 937 milhões, quase estáveis frente ao ano anterior.

    Insumos para proteínas animais também ganham espaço

    As vendas de gado vivo para abate cresceram 18,10%, somando US$ 695,09 milhões, e o milho destinado à criação de aves aumentou 24,93%, alcançando US$ 3,07 bilhões. Esses resultados reforçam a importância do Brasil como fornecedor estratégico de insumos e alimentos para a segurança alimentar árabe.

    Mourad acredita que o comércio entre Brasil e países árabes deve se recuperar em 2026. No último trimestre de 2025, as exportações já mostraram reação, com alta de 8,2% frente ao mesmo período de 2024.

    “O Ramadã, que começa em 17 de fevereiro, impulsionou o aumento dos embarques no fim de 2025. Esse movimento indica tanto a formação de estoques para o período sagrado como a normalização gradual do comércio após o tarifaço americano”, analisa o executivo.

  • Egito amplia compras de algodão brasileiro

    Egito amplia compras de algodão brasileiro

    O Egito entrou no mapa do algodão brasileiro em 2023. Em pouco tempo, tornou-se um dos principais destinos da commodity. A relevância do mercado levou o projeto Cotton Brazil, parceria da Abrapa com a ApexBrasil, a incluir o país como prioritário.

    Egito busca fornecedor confiável

    O gestor do Cotton Brazil, Fernando Rati, afirma que o Egito é um dos maiores produtores e exportadores de têxteis do mundo. Apesar disso, o país não consegue atender sozinho à demanda da sua indústria e enfrenta limitações na produção.

    Rati lembra que o Egito é referência global na cotonicultura de fibras longas e de alta qualidade. Porém, sofre com baixa fertilidade do solo, escassez de água e produtividade reduzida. Para superar esses obstáculos, a indústria têxtil egípcia passou a investir em misturas de fibras. O movimento explica a crescente importação do algodão brasileiro.

    Negociações duraram quase 20 anos

    O diretor da Câmara de Comércio Árabe Brasileira no Cairo, Michael Gamal, destaca que as compras começaram em 2023 após longas negociações.
    Segundo ele, abrir um novo mercado exigiu parcerias locais, cadeias de suprimento seguras e adaptação às normas regulatórias egípcias. “Superados esses desafios, os resultados vieram rápido”, afirma. Nos primeiros oito meses da safra 2023/24, as importações cresceram 85 vezes.

    Produção mundial e espécies cultivadas

    Existem mais de 50 espécies de algodão, mas apenas duas dominam a produção global.
    O gossypium barbadense, conhecido como algodão egípcio ou pima, tem fibras extralongas usadas em tecidos finos. Responde por 3% da produção mundial. Já o gossypium hirsutum, ou upland, representa 95% da produção global. Ele permite até duas safras por ano e abastece a indústria de roupas em larga escala.

    Pesquisador da Embrapa, João Paulo Saraiva Morais explica que indústrias no Brasil e no Egito usam blends, misturas de fibras. Ele afirma que o Brasil pode produzir algodão egípcio, mas a baixa produtividade torna o upland mais viável.

    Brasil ocupa posição estratégica

    No Brasil, o algodão é cultivado em cerca de dois milhões de hectares, contra 44 milhões da soja.
    Mesmo assim, o País é o quarto maior produtor e o maior exportador mundial da pluma.
    A retomada da cotonicultura ocorreu nos anos 2000, após controle do bicudo-do-algodoeiro e desenvolvimento de novas cultivares.

    Comércio deve crescer nos próximos anos

    Na safra 2024/25, o Egito produziu 93 mil toneladas e importou 218 mil. A previsão do USDA indica queda na produção egípcia para 54 mil toneladas em 2025/26, com importações de 239 mil.

    O Brasil exportou 18 mil toneladas ao Egito em 2023/24. O volume subiu para 78 mil toneladas no ciclo seguinte, encerrado em julho.

    Atualmente, Vietnã, Paquistão, China, Bangladesh, Turquia, Indonésia e Índia compram mais algodão brasileiro que o Egito. Segundo Rati, o Egito deve manter alta nas importações nos próximos anos. Hoje, o Brasil já responde por 36% do market share.

    Complementaridade entre algodão brasileiro e egípcio

    O algodão brasileiro não compete com o egípcio. Pelo contrário, são complementares na indústria têxtil.
    Gamal avalia que companhias brasileiras precisam investir em promoção no Egito para ampliar o mercado.
    O polo de El-Mahalla, no norte do país, concentra empresários em busca de fornecedores brasileiros.
    “Com produção em queda e demanda crescente, o Egito representa grande oportunidade. Exportadores brasileiros devem investir em feiras e missões comerciais”, afirma Gamal.

  • Câmara Árabe propõe ampliar exportações brasileiras para países árabes

    Câmara Árabe propõe ampliar exportações brasileiras para países árabes

    A Câmara de Comércio Árabe-Brasileira apresentou ao governo federal um plano para ampliar as exportações brasileiras nos países árabes. O objetivo é redirecionar os produtos afetados pelo tarifaço americano para novos mercados.

    O plano recomenda ações conjuntas, como visitas oficiais à região, missões empresariais a feiras, rodadas de negócios entre empresas brasileiras e árabes, e a aceleração de acordos de livre comércio. Sugere também facilitar a obtenção de vistos para empresários.

    O documento foi entregue ao secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Marcel Moreira, e ao diretor do Departamento de Promoção Comercial do Itamaraty, embaixador Alex Giacomelli. Parlamentares e embaixadores árabes em Brasília também participaram da apresentação.

    Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara Árabe, destaca o potencial da região. “Queremos trabalhar com governo, parlamentares, embaixadas, entidades e empresas para minimizar o tarifaço. Os países árabes podem absorver parte dos produtos sobretaxados. Há demanda, e o Brasil pode ampliar sua inserção”, afirmou. Em 2024, as exportações brasileiras para os 22 países árabes alcançaram recorde de US$ 23,68 bilhões.

    Plano

    O plano inclui 13 produtos com potencial para o mercado árabe, identificados em estudo da entidade. Entre eles estão semimanufaturados de aço e ferro, café, petróleo refinado, carne bovina congelada, ligas de aço, bulldozers, pás-carregadeiras, açúcar e diversos produtos de madeira.

    O estudo não detalha as quantidades que o mercado árabe pode absorver, mas aponta países prioritários que ampliam a importação desses itens. No caso do café, por exemplo, Arábia Saudita, Egito e Argélia importaram US$ 905,48 milhões no ano passado, cerca da metade das vendas brasileiras para os EUA. Porém, o Brasil participou com apenas 13,42% dessas compras. Mourad enfatiza o potencial de crescimento do café brasileiro em eventos na região MENA (Oriente Médio e Norte da África).

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    A carne bovina congelada também tem espaço de crescimento, sobretudo no Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Juntos, esses países importaram US$ 2,26 bilhões do produto, dos quais 42,78% foram do Brasil. A entidade acredita em maior aproveitamento nesses mercados, que são grandes consumidores e reexportadores da carne brasileira.

    O estudo releva que os países árabes aplicam alíquotas de importação que variam de zero a 30%, mas a maioria taxa produtos entre 5% e 6%. A Câmara Árabe acredita que novas parcerias comerciais podem reduzir essas tarifas. Atualmente, o único acordo em vigor é o Mercosul-Egito.

    Como prioridade, a entidade destaca negociações com os Emirados Árabes Unidos — em fase final — e a retomada ou aceleração de acordos com o Conselho de Cooperação do Golfo, Marrocos, Palestina e Líbano.

    O plano da Câmara Árabe indica que os países árabes têm população jovem e crescimento econômico acima da média mundial. O Brasil figura como importante fornecedor para a segurança alimentar da região. O redirecionamento das exportações pode minimizar os impactos das sobretaxas dos EUA e fortalecer os laços comerciais entre o Brasil e o mundo árabe.

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  • China proíbe importação de carne e animais de vários países

    China proíbe importação de carne e animais de vários países

    A China, maior importadora mundial de carne, anunciou a proibição da importação de ovinos, caprinos, aves e ungulados de dedos pares provenientes de diversos países. Isso ocorre em resposta a surtos de doenças como varíola ovina, varíola caprina e febre aftosa. O governo implementou a medida após a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgar dados sobre os surtos que atingem várias regiões.

    De acordo com informações de agências internacionais, a restrição abrange tanto produtos processados quanto não processados. Os comunicados da Administração Geral de Alfândegas da China, datados de 21 de janeiro, listam os países afetados pela medida. Entre eles estão Gana, Somália, Catar, Congo, Nigéria, Tanzânia, Egito, Bulgária, Timor-Leste e Eritreia. Além disso, a importação de ovinos e caprinos da Palestina, Paquistão, Afeganistão, Nepal e Bangladesh também foi suspensa devido a surtos específicos.

    A Alemanha também enfrenta a proibição devido à detecção de febre aftosa em animais no país. Essa ação reflete as rigorosas medidas sanitárias adotadas pela China para proteger sua indústria pecuária e garantir a segurança alimentar.

    Impacto no setor pecuário

    Os países afetados podem enfrentar consequências significativas por causa dessa proibição. Especialmente aqueles que dependem das exportações de carne e produtos pecuários para o mercado chinês. A China é um dos principais destinos para as exportações brasileiras de carne bovina e suína, e qualquer restrição pode impactar os preços internos e a dinâmica do comércio internacional.

    A proibição imposta pela China às importações de carne e animais provenientes de vários países destaca a importância das medidas sanitárias na proteção da saúde pública e da indústria pecuária. À medida que os surtos de doenças continuam a afetar o comércio global, os países exportadores devem se adaptar às novas exigências para garantir o acesso aos mercados internacionais. Autoridades e produtores em todo o mundo acompanharão a situação de perto.

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  • Indonésia será membro pleno do Brics em 2025

    Indonésia será membro pleno do Brics em 2025

    O governo brasileiro anunciou nesta segunda-feira (6) a entrada da Indonésia como membro pleno do Brics em 2025. O país asiático, com mais de 284 milhões de habitantes, é a quarta nação mais populosa do mundo e ocupa a 10ª posição na economia global em paridade de poder de compra, segundo o Banco Mundial.

    O Ministério das Relações Exteriores (MRE) destacou que a Indonésia, maior economia do Sudeste Asiático, compartilha com o bloco a defesa da reforma das instituições de governança global. Além disso, o país contribui para fortalecer a cooperação entre nações do Sul Global, uma prioridade durante a presidência brasileira do Brics.

    Brics deve crescer

    Em 2025, nove novos países devem ingressar formalmente no grupo, incluindo Cuba, Bolívia, Malásia e Tailândia, seja como membros plenos ou parceiros. O Brasil assumiu a presidência rotativa do bloco em 1º de janeiro, com mandato até 31 de dezembro deste ano.

    A cúpula de Joanesburgo, na África do Sul, em agosto de 2023 aprovou a candidatura da Indonésia. No entanto, o país oficializou seu interesse apenas após as eleições presidenciais de 2024.

    “Os países do Brics aprovaram por consenso a entrada da Indonésia, respeitando os princípios, critérios e procedimentos definidos para expansão do bloco”, informou o Itamaraty.

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    No total, 13 países foram convidados a integrar o Brics. Entre eles, Nigéria, Turquia, Argélia e Vietnã ainda aguardam confirmação.

    Em 2024, o bloco já havia ampliado sua composição com cinco novos membros: Irã, Emirados Árabes Unidos, Egito, Etiópia e Arábia Saudita. Apesar de não ter formalizado sua adesão, a Arábia Saudita segue participando ativamente das reuniões do Brics.

    Em resumo, a expansão reflete a crescente importância do bloco na economia global e seu papel estratégico na geopolítica internacional.