Tag: efeito estufa

  • Embrapa lança protocolos para reduzir emissões na produção de leite

    Embrapa lança protocolos para reduzir emissões na produção de leite

    A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou três protocolos inovadores destinados a transformar a produção de leite no Brasil em uma atividade mais sustentável. As diretrizes científicas, desenvolvidas após anos de estudos, focam na redução de gases de efeito estufa (GEE) e no aumento do sequestro de carbono, respondendo aos desafios climáticos enfrentados pelo setor agropecuário.

    Os protocolos, que abrangem a mitigação de metano em bovinos, redução de amônia e óxido nitroso no solo, e manejo para acúmulo de carbono , foram publicados pela Embrapa Pecuária Sudeste e representam ferramentas práticas para produtores rurais que buscam adequar suas propriedades às demandas ambientais globais.

    Pecuária leiteira responde por 11% das emissões de metano bovino

    Segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) de 2024, o setor agropecuário brasileiro é responsável por 30,5% das emissões totais de GEE do país. Dentro desse cenário, 19% correspondem ao metano, sendo que 97% desse gás provém de bovinos. Do rebanho bovino nacional, 11% das emissões de metano são atribuídas à produção leiteira.

    “A atividade leiteira é desafiadora para o produtor. A redução das emissões deve ser considerada nas decisões das propriedades para garantir a segurança alimentar com menor impacto ambiental”, explica a pesquisadora Patrícia Perondi Anchão Oliveira, da Embrapa Pecuária Sudeste.

    Primeiro protocolo: redução de metano através da eficiência produtiva

    O metano bovino é liberado principalmente pela eructação (arroto). E representa mais de 95% das emissões do animal. O primeiro protocolo estabelece estratégias como melhoria de índices produtivos e reprodutivos, seleção genética, otimização de dietas, uso de aditivos alimentares e aprimoramento do manejo de pastagens.

    Simulações realizadas pela Embrapa demonstram o impacto dos índices zootécnicos nas emissões. Comparando dois cenários de manejo, observou-se que práticas inadequadas, como intervalo entre partos de 18 meses em vez de 12, e idade ao primeiro parto de 30 meses em vez de 24, aumentaram as emissões de metano em 22%.

    A especialização genética também influencia. Vacas holandesas puras apresentaram emissão de 18,4 gramas de metano por litro de leite, enquanto animais girolandos emitiram 25,3 gramas por litro, evidenciando a importância da escolha racial para a sustentabilidade.

    “Animais saudáveis de alta produtividade colaboram para a redução do impacto do setor sobre as mudanças climáticas”, afirma André Novo, chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste. Ele ressalta que um rebanho equilibrado deve ter 70% de vacas adultas e 30% de fêmeas jovens, com 83% das vacas em lactação.

    Segundo protocolo: controle de amônia e óxido nitroso

    O óxido nitroso (N₂O) possui potencial de aquecimento global 298 vezes superior ao dióxido de carbono e permanece na atmosfera por até 114 anos. O segundo protocolo aborda medidas para reduzir esse gás altamente poluente e a amônia (NH₃), que contribui indiretamente para as emissões de GEE.

    Entre as práticas recomendadas estão o consórcio de leguminosas com gramíneas, que fixam nitrogênio no solo e reduzem a necessidade de fertilizantes sintéticos. Cada quilo de fertilizante nitrogenado não utilizado evita a emissão de 5,42 quilos de CO₂ do processo de fabricação.

    Leguminosas consorciadas com gramíneas fixam nitrogênio no solo e contribuem para reduzir a emissão de GEE porque diminuem o uso de fertilizantes nitrogenados. Foto: Gisele Rosso/Embrap

    O protocolo também sugere a distribuição uniforme de dejetos animais através de lotação rotativa, uso de fertilizantes de eficiência aumentada, aplicação incorporada de ureia no solo e irrigação após fertilização. Essas medidas reduzem tanto o impacto climático quanto os custos de produção.

    Terceiro protocolo: sequestro de carbono no solo

    O terceiro protocolo foca no aumento da matéria orgânica do solo (MOS) através de práticas conservacionistas. Pastagens tropicais bem manejadas têm alto potencial de sequestro de carbono, sendo capazes de armazenar o elemento em profundidades superiores a um metro.

    Dados da Embrapa revelam que sistemas integrados com árvores podem compensar emissões bovinas: são necessários 52 eucaliptos para neutralizar a emissão anual de uma vaca produzindo 26 quilos de leite por dia.

    Práticas de conservação como plantio direto (foto) são primordiais para aumentar e preservar o carbono sequestrado no solo. Foto: Gisele Rosso/Embrap

    Técnicas como calagem, fertilização, plantio direto, adubação verde e sistemas integrados lavoura-pecuária-floresta são fundamentais para preservar o carbono sequestrado. Além dos benefícios climáticos, animais criados em pastagens bem manejadas apresentam menor suscetibilidade a doenças e estresse.

    Desafios econômicos e políticas públicas

    Alexandre Berndt, chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, reconhece que o principal obstáculo para ampliação dessas práticas é o custo inicial. “Migrar para uma produção mais eficiente exige investimentos em tecnologia. Contudo, após a adoção, a rentabilidade aumenta e permite novos investimentos”, pondera.

    O pesquisador destaca a importância de políticas públicas como o Plano ABC+ e de arranjos locais envolvendo cooperativas, associações e laticínios para facilitar a transição dos produtores rumo à sustentabilidade.

    Contribuição para objetivos globais

    Os protocolos representam uma contribuição concreta para os objetivos de descarbonização da cadeia leiteira brasileira e para o cumprimento da meta 13 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, voltada ao combate às mudanças climáticas.

    Foto: Gisele Rosso/Embrap

    “A adoção de tecnologias adequadas para cada tipo de sistema é crucial para desenvolver uma pecuária mais resiliente, sustentável e responsável”, conclui Berndt. Ele enfatizaou que técnicos e produtores agora dispõem de soluções científicas para cooperar na garantia da sustentabilidade planetária.

  • Trigo brasileiro tem menor pegada de carbono que a média mundial

    Trigo brasileiro tem menor pegada de carbono que a média mundial

    Um estudo inédito da Embrapa revelou que o trigo produzido no Brasil possui uma das menores pegadas de carbono do mundo, com potencial para reduzir ainda mais suas emissões de gases de efeito estufa em até 38%. A pesquisa, realizada com base em lavouras do Sudeste do Paraná e no processo industrial de moagem, foi publicada no periódico Journal of Cleaner Production e traz dados pioneiros para a América do Sul e para ambientes subtropicais.

    A análise apontou que a produção brasileira emite, em média, 0,50 kg de dióxido de carbono equivalente (CO₂eq) por quilo de trigo. Portando, um índice abaixo da média global estimada em 0,59 kg. Ao todo, foram avaliadas 61 propriedades rurais durante a safra 2023/2024, além de uma moageira paranaense. O estudo considerou todas as etapas do ciclo de vida do produto, desde o uso de fertilizantes e defensivos agrícolas até o transporte, secagem, moagem e transformação do trigo em farinha.

    Fertilizantes nitrogenados lideram emissões de CO₂

    A maior fonte de emissão de gases de efeito estufa na triticultura brasileira está associada ao uso de fertilizantes nitrogenados, especialmente a ureia. Este insumo responde por até 40% das emissões, devido à liberação de óxido nitroso (N₂O) durante sua aplicação. Os pesquisadores sugerem a substituição da ureia por fertilizantes menos poluentes, como o nitrato de amônio com calcário (CAN). Ele pode reduzir em 4% as emissões de carbono e contribuir para diminuir a acidificação do solo.

    “A ureia, por não ser completamente absorvida pelas plantas, acaba contribuindo para o aumento da acidez do solo”, explica Marília Folegatti, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (SP). Segundo ela, tecnologias como biofertilizantes, biopesticidas, fertilizantes de liberação lenta e nanofertilizantes também devem ser consideradas para reduzir os impactos ambientais da produção.

    Maria Cléa Brito de Figueiredo, da Embrapa Agroindústria Tropical (CE), destaca que a utilização de fertilizantes sintéticos afeta não apenas o solo. Mas também a qualidade dos alimentos e a saúde humana, devido à presença de metais pesados.

    Cultivares mais produtivas e eficiência no campo

    Outra estratégia apontada pelo estudo para mitigar a pegada de carbono é a adoção de cultivares de trigo mais produtivas, capazes de oferecer maior rendimento com o uso de menos recursos naturais, como terra e água. A produção em sistema de sequeiro, comum no Brasil, também contribui para a sustentabilidade. Pois reduz significativamente o consumo de água em comparação a outras regiões do mundo.

    Além disso, o estudo destaca a necessidade de considerar outros indicadores ambientais, como biodiversidade e qualidade do solo, para uma avaliação mais abrangente da sustentabilidade na triticultura.

    Comparativo internacional e projeções para o Brasil

    O Brasil apresenta desempenho superior ao de países como Índia (0,62 kg CO₂eq), Itália (0,58 kg) e China (0,55 kg). Mas ainda está atrás de referências como Alemanha e Austrália, que registram índices próximos a 0,35 kg. Para Álvaro Dossa, analista da Embrapa Trigo (RS), o país tem potencial para alcançar esses padrões com a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis.

    O estudo brasileiro também preenche uma lacuna nos dados internacionais, ao ser o primeiro a mensurar a pegada de carbono do trigo na América do Sul. Em outros continentes, a média varia de 0,24 kg CO₂eq na África a 0,68 kg na Ásia, com a Europa e a América do Norte apresentando 0,33 kg e 0,42 kg, respectivamente.

    Produção de farinha de trigo também é mais sustentável

    A parceria com a Moageira Irati permitiu uma análise detalhada da pegada de carbono na produção industrial da farinha de trigo brasileira. O estudo identificou emissões de 0,67 kg a 0,80 kg de CO₂eq por quilo de farinha, a depender do porte da propriedade rural de origem dos grãos — valores inferiores aos registrados na Espanha (0,89 kg) e Itália (0,95 kg).

    Marcelo Vosnika, diretor da Moageira Irati, acredita que esse diferencial pode se tornar uma vantagem competitiva para o Brasil no mercado internacional. “Estamos mostrando que nosso modelo de produção de trigo é resiliente, sustentável e de baixo carbono”, afirma.

    A maior incidência de luz solar no Brasil também foi apontada como um trunfo para a utilização de energia fotovoltaica na indústria moageira. Assim, reduzindo ainda mais a pegada de carbono da farinha produzida no país.

    Metodologia e impacto futuro

    A pesquisa utilizou a metodologia da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), conforme as normas ISO 14040 e ISO 14044. Essa abordagem permite mensurar todos os impactos ambientais associados a cada fase da produção do trigo. Os resultados também consideram indicadores de pegada hídrica, acidificação do solo, eutrofização e toxicidade ambiental.

    A expectativa da Embrapa é que o estudo sirva de base para análises semelhantes em outras cadeias produtivas que utilizam o trigo como insumo, como as indústrias de panificação, carnes e energia. “Queremos oferecer subsídios técnicos para transformar o trigo brasileiro em um modelo de produção sustentável”, afirma Vanderlise Giongo, da Embrapa Trigo.

    Com esses dados, o Brasil reforça sua posição estratégica no mercado global de trigo. E além disso, avança no compromisso com uma agricultura de baixo carbono, alinhada às exigências dos consumidores e às metas internacionais de sustentabilidade.

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  • BASF apresenta resultados iniciais do programa global de agricultura de baixo carbono

    BASF apresenta resultados iniciais do programa global de agricultura de baixo carbono

    A BASF divulgou os primeiros resultados de seus ensaios no Programa Global de Agricultura de Baixo Carbono, mostrando que é possível reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na agricultura em até 30% em comparação com práticas agrícolas convencionais. Essa meta foi estabelecida pela empresa em 2020, com o objetivo de auxiliar os agricultores na diminuição das emissões de GEE por tonelada de cultivo produzido. A redução das emissões depende de iniciativas inteligentes e adaptadas ao clima, variando conforme o tipo de cultivo e a região.

    Os testes foram realizados em diversas regiões agrícolas ao redor do mundo, abrangendo cultivos estratégicos como soja, milho, arroz, trigo e canola. Os resultados obtidos entre 2021 e 2023 indicam que a diminuição das emissões de GEE requer uma combinação de práticas, produtos e tecnologias. O relatório destaca o sucesso das iniciativas implementadas, como o uso otimizado de fertilizantes por meio de sistemas digitais que auxiliam na tomada de decisões, além da aplicação de estabilizadores de nitrogênio e sementes de alto desempenho.

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    “A emergência climática já é uma realidade. Os métodos de cultivo precisam ser adaptados para reduzir significativamente as emissões sem comprometer a produtividade. Esse é um desafio, mas temos as soluções certas para apoiar os agricultores e tenho certeza de que, se você ama a agricultura, deve se comprometer com a sustentabilidade como nós estamos fazendo”, afirmou Marko Grozdanovic, vice-presidente sênior de Marketing Global da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF. “Os dados que obtemos de nossos ensaios de campo apoiam nosso Programa Global de Agricultura de Baixo Carbono, com recomendações para capacitar os agricultores a se tornarem pioneiros em mudanças positivas no clima e na natureza.”

    Os ensaios também evidenciam os desafios enfrentados pelos agricultores na redução das emissões, especialmente devido a condições climáticas adversas ou impactos na produtividade. Por isso, a BASF, em parceria com outras entidades, informa que vai continuar testando estratégias agrícolas através do Programa Global de Agricultura de Baixo Carbono, buscando soluções práticas e inteligentes para o clima, fundamentadas em ciência e dados para agricultores em todo o mundo.

    Para acessar o relatório completo e obter mais detalhes, visite o site da BASF.

  • Citricultura brasileira pode gerar US$ 7,72 por tonelada de gás carbônico

    Citricultura brasileira pode gerar US$ 7,72 por tonelada de gás carbônico

    Uma nova estimativa aponta que o preço do carbono na citricultura brasileira é de US$ 7,72 por tonelada de gás carbônico equivalente (tCO2e). Este valor, inédito para a produção de laranjas, pode servir como referência para o mercado voluntário de carbono e iniciativas de pagamento por serviços ambientais. A precificação indica o quanto deve ser pago pelos gases de efeito estufa que deixam de ser emitidos pela atividade, cobrindo os custos econômicos, sociais e ambientais envolvidos.

    A estimativa é resultado de um estudo realizado pela Embrapa Territorial, que analisou 297 municípios do cinturão citrícola brasileiro, localizado na Região Sudeste. Cada hectare de pomar de citros é capaz de estocar cerca de duas toneladas de carbono anualmente, contribuindo para a mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

    A analista da Embrapa, Daniela Tatiane de Souza, destacou que existem poucos estudos no Brasil sobre a precificação do carbono na agricultura, e este é o primeiro voltado especificamente para o setor citrícola, que é um dos mais importantes entre as cadeias exportadoras do agronegócio nacional. “Estamos fazendo um trabalho pró-ativo para traçar perspectivas e estabelecer referências com base em metodologias adotadas internacionalmente”, explicou.

    O papel do gás carbônico

    O gás carbônico, por ser o gás de efeito estufa mais emitido desde a industrialização, tornou-se um indicador ambiental. Para efeitos comparativos, a geração de outros gases de efeito estufa é convertida em toneladas de CO2 equivalente. A estimativa do preço do carbono cria um incentivo financeiro para investimentos em tecnologias e práticas mais sustentáveis, como a melhoria nas práticas de adubação. Isso pode reduzir a emissão de óxido nitroso.

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    A combinação dos “custos sociais do carbono” e do “custo marginal de abatimento” orientou os cálculos para a citricultura, utilizando dados socioeconômicos e ambientais. O primeiro atribui valor monetário às consequências das emissões de gases de efeito estufa, enquanto o segundo considera o custo tecnológico para reduzir essas emissões.

    Este trabalho faz parte de um projeto da Embrapa e do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus)

    A pesquisa levou em conta dados como o Produto Interno Bruto (PIB) municipal, a participação da agricultura nesse indicador, as emissões per capita de CO2 e a área dos municípios. O estudo revelou que quanto maior o PIB de uma localidade, maior o valor do carbono. Isso devido ao dinamismo econômico que tende a gerar maiores emissões.

    Estoques de carbono e biodiversidade

    Este trabalho faz parte de um projeto da Embrapa e do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), que avalia a dinâmica dos estoques de carbono e da biodiversidade em áreas citrícolas de São Paulo e Minas Gerais. A pesquisa estimou os estoques de carbono no cinturão citrícola em 36 milhões de toneladas, considerando pomares, solo e áreas de vegetação nativa.

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    Além disso, o projeto identificou 314 espécies de animais silvestres na região, incluindo 268 aves, 28 mamíferos e 18 anfíbios e répteis. A diversidade da fauna é um indicativo da saúde ambiental das áreas citrícolas.

    O Brasil é responsável por 35% da produção mundial de laranja e 75% do comércio internacional de suco de laranja. Na última safra, a produção foi de 307,22 milhões de caixas, com exportações de suco ultrapassando 2,8 milhões de toneladas. A citricultura movimenta cerca de US$ 14 bilhões por ano, destacando-se como um setor vital para a economia brasileira.

  • Brasil desenvolve novo café adaptável a mudanças climáticas

    Brasil desenvolve novo café adaptável a mudanças climáticas

    Botânicos e agrônomos da Nestlé, em parceria com a Fundação Procafé, desenvolveram a Star 4, nova variedade de café adaptável, tipo Arábica. Ela apresenta crescimento rápido, alta tolerância à ferrugem e menor emissão de carbono. O objetivo é oferecer aos produtores mais produtividade e controle sobre as doenças.

    O projeto, iniciado há dez anos, recebeu investimento de R$ 5,5 milhões. A equipe desenvolveu o café nas regiões cafeeiras de São Paulo e Minas Gerais, no Brasil. Por sua resiliência, qualidade, produtividade e sabor característico do café brasileiro, selecionaram a Star 4, utilizando métodos tradicionais de melhoramento genético.

    Entretanto, com a demanda global por café aumentando, eventos climáticos recentes sugerem que a área adequada para cultivar café Arábica pode reduzir mais de 50% até 2050, segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Ou seja, para isso, a Nestlé, uma das maiores compradoras de grãos de café do mundo, desenvolveu a Star 4 para mitigar o impacto dessas mudanças e garantir o cultivo sustentável.

    Redução no efeito estufa

    A redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE), sendo assim, deve-se à produtividade aprimorada das plantas e aos métodos de cultivo. Marcelo Burity, chefe de Desenvolvimento de Café Verde da Nestlé, afirma: “Segundo relatório da MDPI, a maior parte das emissões de GEE na produção do café moído origina-se do seu cultivo. Portanto, otimizar as práticas de cultivo é vital para reduzir os impactos ambientais de cada xícara de café.”

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    “A área de cafés Nestlé no Brasil está muito orgulhosa pelo desenvolvimento da Star 4. Esse é o nosso primeiro projeto de desenvolvimento de uma nova espécie de café Arábica no país, e os resultados têm sido muito satisfatórios. O café é uma das áreas prioritárias para a Nestlé e essa novidade ressalta o potencial do país como maior e mais sustentável produtor de café do mundo e celeiro de tecnologia e inovação”, complementa Rodolfo Climaco, gerente de Agricultura Cafés na Nestlé Brasil.

    Jeroen Dijkman, chefe do Instituto de Ciências Agrícolas da Nestlé, destaca: “Estamos orgulhosos de dar mais um passo importante em direção a cadeias de suprimentos de cafés resilientes, garantindo que os consumidores possam continuar a desfrutar de um ótimo café no futuro. A nova variedade se destaca por ter grãos maiores e resistentes à ferrugem do café. Nossos testes de campo demonstraram que, utilizando insumos semelhantes, os rendimentos da Star 4 são substancialmente maiores do que os de duas variedades brasileiras bastante utilizadas – Catuaí e Bourbon. Além disso, apoia a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).”

    Distribuição de mudas

    O objetivo é engajar os agricultores no cultivo da Star 4, disponibilizando a variedade para produtores de café. “Os interessados, sendo assim, construirão juntos o plano de distribuição de mudas. A Nestlé (portanto) não tem o objetivo de tornar essa variedade exclusiva. A companhia acredita que pesquisa e tecnologia devem ser compartilhadas. Bem como o desenvolvimento de uma cafeicultura mais produtiva e sustentável é uma agenda pré-competitiva”, comenta Taissara Martins, gerente de ESG de Cafés Nestlé.

    Além disso, antes da Star 4, a empresa desenvolveu duas variedades de café Robusta, Roubi 1 e Roubi 2, produzidas no México e que estão sendo lançadas agora.