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  • Governo apresenta planos para isentar café das tarifas americanas

    Governo apresenta planos para isentar café das tarifas americanas

    O governo brasileiro trabalha com duas estratégias para proteger o café das tarifas que os Estados Unidos impõem aos produtos brasileiros. A informação veio à tona durante reunião entre o vice-presidente Geraldo Alckmin e representantes do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), realizada nesta quarta-feira, 22 de outubro, em Brasília.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, e o diretor técnico Eduardo Heron apresentaram ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) um panorama atualizado da cafeicultura nacional e mundial. Incluindo dados sobre produção, exportação e consumo nos principais mercados.

    Duas frentes de ação em andamento

    Alckmin detalhou as negociações em curso com autoridades americanas e revelou as duas alternativas que o Brasil propõe para o café. A primeira prevê a suspensão de todas as tarifas sobre produtos brasileiros enquanto os dois países negociam um acordo comercial bilateral. A segunda mantém o café na lista de isenção produto a produto. Conforme estabelece a ordem executiva que o presidente Donald Trump assinou em 5 de setembro.

    “O governo brasileiro já formalizou a primeira proposta ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. E também aos demais secretários americanos do Comércio e ao USTR, representante de Comércio dos Estados Unidos. A administração Trump agora avalia a solicitação”, explica Matos.

    O vice-presidente garantiu que, caso a suspensão geral não aconteça, o café encabeça a lista de produtos que Brasil e Estados Unidos querem incluir no anexo 2 da ordem executiva, com isenção total de tarifas. Outros produtos, como celulose e algumas madeiras, já conquistaram esse benefício e não pagam nem os 10% da tarifa-base estabelecida em abril.

    Reunião entre presidentes acontece no domingo

    Os ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e Pecuária, da Fazenda e o próprio MDIC, através da Câmara de Comércio Exterior (CAMEX), trabalham intensamente nos preparativos para o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, marcado para domingo, 26 de outubro, na Malásia.

    “Alckmin nos informou que solicitou diretamente ao presidente Lula para abordar a possibilidade de suspensão das tarifas até a conclusão do acordo bilateral nessa conversa”, revela o diretor-geral do Cecafé.

    O vice-presidente enfatizou que a reunião entre os mandatários priorizará temas econômicos, com senso de urgência. Alckmin também manifestou interesse em manter contato permanente com o Cecafé para avaliar cenários e resolver outros desafios que as exportações de café enfrentam nos Estados Unidos e em outros mercados internacionais.

    Foto: Divulgação Cecafé

    Participaram do encontro, além de Matos e Heron, a secretária de Comércio Exterior Tatiana Prazeres, o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços Uallace Lima e o secretário-executivo da CAMEX Rodrigo Loureiro.

  • Logística causa prejuízo milionário aos exportadores de café

    Logística causa prejuízo milionário aos exportadores de café

    Apesar do período de entressafra dos principais produtos que são enviados em contêineres ao exterior, incluindo o café, os exportadores seguem enfrentado gargalos logísticos nos portos do país. E empilhando prejuízos com custos extras durante os processos de embarque.

    Em março, segundo dados atualizados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) junto a seus associados, o setor não conseguiu embarcar 637.767 sacas do produto. Isso é o equivalente a 1.932 contêineres. E gerou um prejuízo de R$ 8,901 milhões no caixa das empresas devido a gastos imprevistos com armazenagem adicional, detentions, pré-stacking e antecipação de gates.

    Desde que o Cecafé iniciou o levantamento, em junho de 2024, as empresas associadas à entidade já reportaram um prejuízo de R$ 66,576 milhões com esses custos extras. Principalmente em função da estrutura defasada nos principais portos de escoamento de café do Brasil.

    O não embarque desse volume de café também fez com que o país deixasse de receber US$ 262,8 milhões, ou R$ 1,510 bilhão, como receita cambial em suas transações comerciais no mês passado; Isso considerando o preço médio Free on Board (FOB) de exportação de US$ 336,33 por saca (café verde) e um dólar de R$ 5,7462 na média de março.

    “O Brasil é o país que mais repassa o preço FOB da exportação ao produtor. E ao deixarmos de embarcar nossos cafés devido à não concretização dos embarques, temos o repasse menor a nossos cafeicultores, que trabalham arduamente para entregar produtos de qualidade e sustentáveis”, explica o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron.

    Investimentos em infraestrutura

    Segundo ele, as autoridades públicas vêm fazendo anúncios importantes sobre investimentos em infraestrutura, que contribuirão para mitigar os gargalos logísticos. Mas é necessário dar “urgência e celeridade” aos processos, de forma que o governo atenda mais rapidamente às demandas crescentes do comércio exterior brasileiro.

    “Os investimentos anunciados são muito importantes, como o leilão do TECON10 em Santos, a concessão do canal de entrada marítima ao porto, o túnel de ligação Santos-Guarujá e a terceira via de descida da Rodovia Anchieta para a baixada santista. Porém a entrega demorará cerca de cinco anos e o segmento exportador nacional demanda de soluções urgentes, pois os prejuízos são gritantes”, analisa.

    Heron recorda que a infraestrutura dos portos não acompanhou a evolução do agro brasileiro. E apesar de observarem recordes de movimentações, o cenário é “muito ruim” para as empresas que atuam no comércio exterior.

    “Todas as cargas que dependem de contêineres enfrentam esses problemas que relatamos no café. E a tendência é que o cenário se agrave, pois o agronegócio não para de evoluir. E serão necessários anos para chegarmos a condições adequadas na logística portuária. Basta lembrar que estamos na entressafra, com oferta menor, e, ainda assim, mais de 600 mil sacas de café estão paradas nos pátios. E com isso, onerando nossos exportadores, por não terem condições de embarque devido à falta de condições modernas e contemporâneas nos portos”, analisa.

    Diálogo constante entre Cecafé e setor público e privado

    Heron conclui que o Cecafé seguirá buscando o diálogo com todos os atores, dos setores público e privado, envolvidos com a matéria. Sempre levando dados e informações reais sobre o cenário logístico-portuário para que soluções de impacto imediato possam ser encontradas.

    “É importante destacar que os terminais portuários seguem empenhando esforços para atender aos exportadores de café. Bem como a contumaz busca pelo diálogo dos agentes privados do comércio exterior e das lideranças públicas, como autoridades portuárias, Ministério de Portos e Aeroportos e da (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) Antaq. Que demonstram crescente interesse em informações consistentes, como os dados apurados pelo Cecafé, para entenderem os desafios e buscarem soluções”, conclui.

    Raio-X dos atrasos nos principais portos

    Conforme o Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 55% dos navios, ou 179 de um total de 325 embarcações, tiveram atrasos ou alteração de escalas nos principais portos do Brasil em março de 2025.



    De acordo com o Boletim DTZ, o Porto de Santos, que respondeu por 78,5% dos embarques de café no primeiro trimestre de 2025, registrou um índice de 63% de atraso ou alteração de escalas de navios, o que envolveu 113 do total de 179 porta-contêineres. O tempo mais longo de espera no mês passado foi de 42 dias no embarcadouro santista.

    “Conforme dados de relatórios de mercado que monitoramos, dentro desse universo dos dados totais referentes a Santos, além dos atrasos, soubemos que ocorreram 19 omissões de escalas. E outras 13 omissões por cancelamento da viagem em embarcações de longo curso, em março, por conta das limitações de infraestrutura portuária, que elevam o tempo de espera dos navios. Isso nos causa grande preocupação porque potencializa a lotação nos pátios. O que desencadeia efeito em toda a cadeia produtiva”, comenta o diretor técnico do Cecafé.

    Prazo prejudica exportadores

    Também no mês passado, somente 12% dos procedimentos de embarque tiveram prazo maior do que quatro dias de gate aberto por navios no embarcadouro santista. Outros 55% possuíram entre três e quatro dias e 33% tiveram menos de dois dias.Já o complexo portuário do Rio de Janeiro (RJ), o segundo maior exportador dos cafés do Brasil, com 17,2% de participação nos embarques de janeiro a março deste ano, teve índice de atrasos de 59% no mês passado. Com o maior intervalo sendo de 15 dias entre o primeiro e o último deadline. Esse percentual implica que 43 dos 73 navios destinados às remessas do produto sofreram alteração de escalas.
    Ainda no primeiro trimestre deste ano, 18% dos procedimentos de exportação tiveram prazo superior a quatro dias de gate aberto por porta-contêineres nos portos fluminenses. 36% registraram entre três e quatro dias; e 46% possuíram menos de dois dias.

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