Tag: ecologia

  • A arara que desapareceu do litoral brasileiro por quase 200 anos voltou a nascer na Mata Atlântica

    A arara que desapareceu do litoral brasileiro por quase 200 anos voltou a nascer na Mata Atlântica

    O Ibama registrou, neste mês de abril, o primeiro nascimento de filhotes de arara-vermelha-grande na Mata Atlântica, quase duzentos anos após a extinção da espécie nesse bioma. O feito aconteceu no sul da Bahia e representa um marco incomum na história da conservação ambiental brasileira: uma ave varrida do litoral pelo desmatamento e pelo tráfico ilegal voltou a se reproduzir livremente na floresta.

    O que levou essa arara ao desaparecimento

    A arara-vermelha-grande possui ampla distribuição histórica, com registros na Mata Atlântica desde o ano de 1500. A Carta de Pero Vaz de Caminha já a descrevia como “papagaios vermelhos, muito grandes e formosos”. Ela estava por aqui antes mesmo de o Brasil ter esse nome.

    Apesar dessa presença histórica, o desmatamento e a captura ilegal levaram à extinção da arara-vermelha-grande em todo o litoral brasileiro. As populações selvagens da espécie estão hoje concentradas no interior do país, principalmente nas regiões Centro-Oeste e Norte. O litoral ficou sem elas por gerações.

    Como o Ibama tentou reverter o cenário

    O resultado foi alcançado pelo Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande na Mata Atlântica, iniciado em 2022, por meio do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama em Porto Seguro.

    O processo, no entanto, não é simples. Os indivíduos utilizados no projeto são oriundos de cativeiro, sendo provenientes tanto de doações de particulares quanto de apreensões realizadas em ações de combate ao tráfico de animais silvestres. Ao chegarem ao Cetas, as aves passam, inicialmente, por identificação com microchips e anilhas metálicas, além de quarentena, avaliação clínica e comportamental e testes sanitários.

    Na sequência, entram em viveiros de voo, onde passam por um período de treinamento antes de, finalmente, encarar a floresta de verdade.

    A área escolhida para a soltura do primeiro grupo de aves foi um fragmento de Mata Atlântica com cerca de 7 mil hectares em estágio avançado de regeneração, que inclui a Estação Veracel, maior Reserva Particular do Patrimônio Natural da Mata Atlântica no Nordeste, localizada em Porto Seguro.

    Nascimento antes do esperado

    O que surpreendeu os pesquisadores foi a velocidade. O primeiro lote de araras foi solto em 2024. Embora estudos indiquem que o período para reprodução possa chegar a cinco anos, algumas caixas-ninho já estavam ocupadas no primeiro ano após a soltura.

    Em 2026, casais passaram a defender essas estruturas, indicando comportamento reprodutivo. A equipe optou por monitoramento à distância para não interferir. Posteriormente, foi confirmado o nascimento de dois filhotes, que já foram observados voando, sendo alimentados pelos pais e iniciando a exploração de alimentos de forma independente.

    A coordenadora do projeto, Ligia Ilg, analista ambiental do Ibama, também derrubou um preconceito comum sobre aves criadas em cativeiro. Registros anteriores já haviam demonstrado a reprodução de papagaios-do-mangue e periquitos-rei na natureza, mesmo sendo oriundos de cativeiro. O comportamento natural pode ser recuperado por meio de treinamento e convivência com outros indivíduos da mesma espécie.

    Por que isso importa além do simbolismo

    A arara-vermelha-grande não é apenas um animal bonito. Além disso, ela desempenha uma função concreta dentro da floresta. A espécie alimenta-se de frutos e sementes e, consequentemente, contribui para sua dispersão. Devido ao seu porte, também é capaz de transportar sementes por longas distâncias, o que favorece a regeneração florestal e, assim, a caracteriza como uma verdadeira “engenheira de ecossistemas”, influenciando diretamente a biodiversidade e a dinâmica ambiental.

    Em outras palavras, quando essa arara desaparece, parte do mecanismo que mantém a floresta funcionando também se perde.

    Atualmente, o projeto conta com o apoio da Polícia Militar da Bahia, do Laboratório de Etologia Aplicada da Universidade Estadual de Santa Cruz, da organização internacional World Parrot Trust e da RPPN Estação Veracel, entre outros parceiros. Além disso, quem tiver araras-vermelhas-grandes oriundas de cativeiro legal e quiser contribuir com o projeto pode entrar em contato pelo e-mail [email protected].

     

  • Alerta ambiental: estudo revela impacto de bactericida comum em lambari

    Alerta ambiental: estudo revela impacto de bactericida comum em lambari

    Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Unicamp e da Embrapa Meio Ambiente acende um alerta sobre a toxicidade do Triclosan, um bactericida amplamente utilizado em produtos de higiene pessoal, em uma espécie nativa de peixe brasileiro: o lambari-do-rabo-amarelo. A pesquisa revelou que o composto causa danos severos e irreversíveis em diferentes fases de desenvolvimento do peixe, mesmo em baixas concentrações.

    O Triclosan, presente em sabonetes, cremes dentais e desodorantes, é um “poluente emergente” que tem se mostrado resistente aos tratamentos de esgoto convencionais, acumulando-se em ambientes aquáticos e representando um risco para a vida aquática e, potencialmente, para a saúde humana através da bioacumulação na cadeia alimentar.

    Os ensaios realizados com o lambari-do-rabo-amarelo revelaram resultados alarmantes:

    • Larvas: Danos severos e irreversíveis, afetando principalmente a coluna vertebral, o coração e a pigmentação.
    • Peixes Adultos: Alterações neurológicas graves, incluindo ataxia (falta de coordenação), distonia (contrações musculares involuntárias) e paralisia, que em muitos casos levaram à morte, mesmo com baixa exposição ao Triclosan.

    “As alterações nos peixes adultos foram principalmente ligadas ao sistema neurológico… alguns indivíduos foram a óbito, apesar de todos os animais serem expostos a concentrações consideradas baixas”, explica José Henrique Vallin, da Embrapa Meio Ambiente.

    Biomarcadores e a saúde aquática

    A pesquisa destaca a importância de estudar a resposta fisiológica dos peixes à exposição a poluentes emergentes, utilizando “biomarcadores” – características biológicas mensuráveis que indicam a qualidade do ambiente aquático. Esses estudos são cruciais tanto para a preservação ambiental quanto para o setor produtivo.

    Juliana Gil, em sua dissertação de mestrado, aponta que o Triclosan se acumula no ambiente aquático, aumentando o risco de gerar subprodutos ainda mais tóxicos. Essa bioacumulação pode impactar a saúde humana, à medida que esses compostos são transferidos ao longo da cadeia alimentar.

    O estudo reforça a necessidade de um maior controle e monitoramento sobre o uso e descarte de produtos químicos. Especialmente os “poluentes emergentes” como o Triclosan, que muitas vezes não possuem valores de concentrações máximas permissíveis definidos na legislação.

    “Muitos poluentes emergentes, como o Triclosan, carecem de valores de concentrações máximas permissíveis nos corpos d’água, de modo a serem regulamentados pela legislação vigente”, afirma Claudio Jonsson, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente.

    Ecotoxicologia e o gerenciamento de riscos

    A Ecotoxicologia, que investiga os efeitos de substâncias químicas sobre organismos vivos e seus habitats, desempenha um papel fundamental na compreensão dos impactos desses poluentes. Ela fornece dados essenciais para o desenvolvimento de normas ambientais e para o gerenciamento de riscos ecológicos.

    O aumento do consumo e descarte inadequado de produtos químicos representa um desafio crescente. Pois muitas estações de tratamento de esgoto (ETEs) não possuem tecnologia para remover compostos como o Triclosan. Assim, tornando os ecossistemas aquáticos um destino contínuo desses poluentes.

    Diante da crescente presença de compostos como o Triclosan em ecossistemas aquáticos e seus efeitos ainda pouco compreendidos, o estudo faz um apelo urgente para:

    • Regulamentação e monitoramento mais rigorosos desses compostos.
    • Pesquisas contínuas a longo prazo para mensurar os impactos negativos que tais produtos podem ocasionar ao meio ambiente e à saúde humana.

    A pesquisa envolveu pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente e do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal da Unicamp. E demonstra, assim, a importância da colaboração científica para enfrentar os desafios ambientais complexos.

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  • Impulso Rio Doce lança segundo ciclo para transformação digital de empreendimentos na Bacia do Rio Doce

    Impulso Rio Doce lança segundo ciclo para transformação digital de empreendimentos na Bacia do Rio Doce

    O projeto Impulso Rio Doce, em parceria com o Instituto para o Desenvolvimento de Empresas de Base Tecnológica (IEBT), abriu as inscrições para seu segundo ciclo, com foco na transformação digital de empreendimentos na bacia do Rio Doce. O objetivo é capacitar até 240 negócios em Minas Gerais e Espírito Santo, impactados pelo rompimento da barragem de Fundão, em estratégias de transformação digital personalizadas para cada empresa.

    O programa, que ocorrerá entre agosto de 2024 e agosto de 2025, é dividido em duas fases. Na primeira, as empresas receberão consultoria para definir estratégias de transformação digital. Na segunda, 120 empreendimentos selecionados receberão aportes financeiros de até R$ 10 mil para implementar soluções digitais, como softwares de gestão, plataformas de comércio eletrônico e ferramentas de marketing digital.

    Durante ambas as fases, as empresas terão atendimento individualizado e presencial, além de capacitações e treinamentos coletivos. O objetivo é ampliar resultados a partir da implementação das ferramentas tecnológicas e aumentar a competitividade, lucratividade e expansão para novos mercados.

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    Ana Lage, coordenadora de Economia e Inovação da Fundação Renova, destaca que a tecnologia é fundamental para o sucesso dos negócios e que o Impulso Rio Doce fornece aos empreendedores as ferramentas e recursos necessários para se adaptarem ao mundo digital, abrindo oportunidades para o crescimento e prosperidade dos negócios locais.

    As inscrições para o segundo ciclo do Impulso Rio Doce estão abertas até 27 de junho e podem ser feitas no site impulsoriodoce.com.br.

    Quais são os critérios para seleção dos empreendimentos no Impulso Rio Doce?

    Os critérios para seleção dos empreendimentos no Impulso Rio Doce incluem:

    1 – Microempreendedores Individuais (MEI) e representantes de micro e pequenas empresas:

    A – Segmentos de comércio e serviços:

      • Base tradicional;
      • Social;
      • Coletiva (incluindo associações e cooperativas);
      • Tecnológica.

    B – Localização em regiões de Minas Gerais e do Espírito Santo:

      • Impactadas pelo rompimento da barragem de Fundão.

    2 – Capacitação e apoio financeiro:

    • Consultoria para definir estratégias de transformação digital;
    • Aportes financeiros de até R$ 10 mil para implementar soluções digitais;
    • Atendimento individualizado e presencial;
    • Capacitações e treinamentos coletivos.

    3 – Objetivos:

    • Ampliar resultados a partir da implementação das ferramentas tecnológicas;
    • Aumentar a competitividade, lucratividade e expansão para novos mercados;
    • Gerar impactos positivos no território.

    4 – Inscrições:

    • Abertas até 27 de junho;
    • Site impulsoriodoce.com.br.

    Esses critérios buscam capacitar e apoiar empreendimentos locais em sua transformação digital, estimulando o crescimento e a prosperidade econômica na região afetada pelo rompimento da barragem de Fundão.

  • JBS investe R$ 10,2 Milhões em CRA para financiar pecuária regenerativa na Amazônia

    JBS investe R$ 10,2 Milhões em CRA para financiar pecuária regenerativa na Amazônia

    A JBS anunciou o aporte de R$ 10,2 milhões em um novo CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) lastreado no programa “JUNTOS: Pessoas+Floresta+Amazônia”. O CRA, emitido pela empresa Rio Capim Agrossilvipastoril e estruturado pela Vox Capital, prevê uma emissão total de R$ 100 milhões, sendo a primeira nesta semana, de R$ 50 milhões, e a segunda, em 2025, no mesmo valor.”Esse projeto é absolutamente disruptivo e tem um poder transformacional para a pecuária brasileira. Colocar o foco em produtividade para aumentar a sustentabilidade é o que vai garantir o engajamento nesse processo de transformação”, avalia Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS. “Por que o produtor rural não investe em genética e manejo do solo? Porque não tem capital nem assistência técnica. É aí que entra o programa Juntos. Acreditamos tanto neste modelo de desenvolvimento socioambiental que vamos entrar com a cota de maior risco para provar que ser sustentável é mais lucrativo”, completa Tomazoni.

    Os valores serão aplicados no atendimento de 3.500 pequenos criadores de gado atuantes na área da Amazônia Legal, oferecendo consultoria sobre o uso da terra, aumentando a rentabilidade e freando o desmatamento ilegal do bioma. “Estamos viabilizando a operação para gerar impacto positivo por meio de negócios que sejam inclusivos e ambientalmente sustentáveis para a Amazônia, e, ao mesmo tempo, que tenham retorno financeiro. Queremos que a Faria Lima veja retorno ao investir no pequeno produtor com toda a segurança necessária, dentro de um novo padrão de modelo de negócio”, afirma Andrea Azevedo, diretora-executiva do Fundo JBS pela Amazônia.

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    O CRA conta com um diferencial considerado raro no mercado financeiro: a existência de um comitê de risco e impacto. “Investidores e o pequeno produtor atuante na Amazônia Legal carecem de iniciativas com viabilidade técnica e financeira que apoiem a pecuária regenerativa de forma integrada. O programa JUNTOS, agora por meio do CRA com um comitê de prestação de contas, atenderão às demandas das duas pontas”, explica Valmir Ortega, CEO da Rio Capim.

    A abordagem do CRA é via blended finance, com recursos oriundos de fundos concessionados e privados e centrados no projeto “JUNTOS” de agricultura regenerativa. “O blended finance permite tanto para o emissor, como para o tomador do crédito, uma taxa muito competitiva. A partir dessa base, o emissor consegue alavancar seu próprio negócio, honrar com seu compromisso, e ao mesmo tempo, criar uma estrutura que o leve a oferecer uma taxa mais atrativa para o mercado. É uma operação ganha-ganha”, esclarece Daniel Brandão, diretor de nature-based solutions na Vox Capital.