Faltando menos de quatro meses para sua realização, o Congresso da Aviação Agrícola do Brasil (AvAg) 2026 já registra alta procura por estandes e mantém inscrições abertas para participantes e pesquisadores. O evento será realizado entre os dias 18 e 20 de agosto, no Condomínio Aeronáutico Liberty, em Goianápolis (GO), a cerca de 30 quilômetros de Goiânia. A programação reúne profissionais, empresas e especialistas da aviação agrícola.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pela internet. Além disso, o Congresso AvAg 2026 recebe trabalhos para o Congresso Científico da Aviação Agrícola, que integra a programação desde 2019. Pesquisadores, estudantes e profissionais têm até 15 de junho para enviar resumos. Confira o regulamento e formulário AQUI. A premiação prevê R$ 5 mil, R$ 3,5 mil e R$ 2 mil para os três melhores trabalhos, além de menção honrosa na categoria Destaque Inovação.
Estrutura e participação
A estrutura inclui cerca de 3,8 mil metros quadrados destinados à exposição de equipamentos, tecnologias e serviços. Também estão previstas mostra de aeronaves e áreas voltadas a atividades técnicas e científicas.
Na edição anterior, realizada no Mato Grosso, o evento recebeu mais de 4 mil participantes. Para este ano, a expectativa é manter ou ampliar esse número. A procura antecipada por estandes indica alta demanda por espaços comerciais e institucionais.
Empresas do setor têm buscado garantir presença com antecedência. O movimento envolve operadores, fornecedores, pesquisadores e representantes ligados à aviação agrícola. Além disso, o evento atrai participantes de diferentes regiões do Brasil e do exterior.
Programação técnica e marco histórico
A programação do Congresso AvAg 2026 inclui debates sobre temas do setor. Entre eles, estão agricultura de precisão, digitalização das operações e uso de aeronaves remotamente pilotadas.
Neste ano, o evento coincide com um marco histórico. A realização ocorre na semana em que se completam 80 anos do primeiro voo aeroagrícola no Brasil, em 19 de agosto de 1947.
A data marca o início de ações comemorativas que devem seguir até 2027. As iniciativas incluem atividades voltadas à trajetória da aviação agrícola e discussões sobre o futuro do setor.
O crescimento acelerado dos drones de pulverização no Brasil preocupa o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag). Em entrevista durante a Expodireto Cotrijal 2026, o diretor executivo da entidade, Gabriel Colle, afirmou que o setor vive uma expansão inédita, mas sem acompanhamento proporcional da legislação e da fiscalização. Segundo ele, a prioridade agora é organizar o mercado e evitar riscos operacionais no campo e no espaço aéreo.
Colle atua no sindicato há 11 anos e acompanhou de perto a chegada dos drones à aviação agrícola. Segundo ele, a decisão estratégica do Sindag foi incorporar a tecnologia ao setor, em vez de combatê-la.
“A primeira decisão que tivemos que tomar foi se iríamos brigar com os drones ou trazê-los para dentro da nossa atividade. Optamos por incorporar essa tecnologia, imaginando que ela teria crescimento. O que não imaginávamos era que esse crescimento seria tão rápido”, afirma.
A evolução impressiona. Em 2021, o Brasil tinha apenas 355 drones agrícolas registrados. Ao final de 2025, esse número ultrapassou 40 mil equipamentos.
“Entraram cerca de 40 mil drones em quatro anos. Hoje o Brasil só perde para a China, que tem algo em torno de 300 mil equipamentos. Se continuarmos nesse ritmo, podemos chegar perto de 100 mil drones de pulverização nos próximos três anos”, diz.
Mercado cresce sem controle
Apesar da expansão, o principal desafio apontado pelo Sindag é a falta de organização do mercado. Segundo estimativas da entidade, cerca de 75% dos drones de pulverização em operação no país podem estar irregulares.
“Muita gente compra um drone e começa a operar imediatamente. Não faz cadastro na ANAC, não registra a operação no Ministério da Agricultura e não tem acompanhamento agronômico. Nesses casos, estamos diante de uma atividade ilegal”, afirma Colle.
Grande parte dos equipamentos utilizados no Brasil é importada da China. Segundo o executivo, cerca de 95% do mercado nacional é composto por drones fabricados naquele país, muitas vezes adquiridos por importação direta ou até mesmo via Paraguai.
Gabriel Colle – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
O crescimento desordenado também traz preocupações relacionadas à segurança aérea. A operação irregular de drones pode provocar acidentes com aeronaves tripuladas.
“Se um drone estiver operando de forma ilegal e uma aeronave agrícola entrar naquela área sem saber da presença dele, pode acontecer uma colisão. Já tivemos casos de aeroportos fechados por causa de drones operando irregularmente”, alerta.
No campo, o problema também já aparece com frequência. O Sindag criou um canal para que empresas associadas relatem avistamentos de drones durante operações aéreas.
“Somente entre janeiro e fevereiro deste ano recebemos quase 100 relatos de pilotos que precisaram pousar o avião de pulverização porque havia drones operando na área”, conta.
Profissionalização é o principal desafio
Segundo Colle, o crescimento da tecnologia é positivo, mas precisa vir acompanhado de profissionalização.
“Não somos contra os drones. Pelo contrário, queremos proteger esse mercado. O que defendemos é que a atividade seja exercida de forma profissional, com operadores qualificados e dentro da legislação”, explica.
Uma das propostas do Sindag é que a venda de drones de pulverização passe a ter algum nível de rastreabilidade. A ideia é identificar quem compra os equipamentos e garantir que o operador esteja apto a utilizá-los.
“Não se trata de controle de mercado, mas de segurança. Precisamos saber quem está operando e garantir que essa pessoa tenha formação adequada”, afirma.
Outra proposta é tornar o contratante corresponsável pela operação.
“Se alguém contratar uma empresa ilegal e houver deriva ou algum problema na aplicação, esse contratante também deveria responder. Estamos falando de um possível crime ambiental.”
Falta de experiência técnica preocupa
Uma pesquisa realizada pelo Sindag em 2025 revelou que grande parte dos novos operadores de drones não tem experiência no setor agrícola.
“Cerca de 70% das pessoas que estão entrando nesse mercado não têm ligação com a agricultura. Existe uma diferença enorme entre pilotar um drone e fazer uma aplicação agrícola eficiente”, afirma.
Segundo Colle, o desafio técnico é grande. A pulverização exige controle preciso da gota e conhecimento agronômico.
“Na aviação agrícola levamos mais de 60 anos para dominar completamente a tecnologia de aplicação. Controlar uma gota que sai de uma aeronave a 300 km/h e fazê-la chegar no alvo correto exige muita técnica.”
Ele destaca que a curva de aprendizado dos drones ainda está em andamento.
“Hoje há muitos curiosos operando equipamentos sem conhecimento técnico. Isso pode gerar aplicações mal feitas e prejudicar a imagem da tecnologia.”
Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
Mercado passa por seleção natural
O crescimento acelerado também gerou um fenômeno curioso: um grande número de drones fora de operação.
Segundo Colle, muitos operadores entraram no mercado sem planejamento e acabaram abandonando a atividade.
“Muita gente achou que seria fácil ganhar dinheiro com drone. Mas a operação exige escala, manutenção e conhecimento técnico. Temos hoje um verdadeiro cemitério de drones no Brasil.”
Outro fator é a evolução rápida da tecnologia.
“Em apenas quatro anos já tivemos duas gerações de drones. É um equipamento muito diferente da aviação agrícola tradicional. Temos aviões da década de 1970 operando perfeitamente. Já os drones precisam ser substituídos com frequência.”
Cada tecnologia tem seu espaço
Apesar do avanço dos drones, Colle acredita que as diferentes tecnologias de aplicação continuarão coexistindo no campo.
Enquanto um drone de 40 litros consegue pulverizar cerca de 35 a 40 hectares por hora, um avião agrícola pode atingir até 600 hectares no mesmo período.
“Não é uma questão de melhor ou pior. Cada ferramenta tem seu ambiente ideal de operação”, explica.
Segundo ele, muitas empresas já trabalham com modelos híbridos.
“Temos associados que operam com aeronaves, drones e pulverizadores autopropelidos. Eles escolhem a tecnologia de acordo com a área, a cultura e a necessidade do cliente.”
Nova fronteira: aviões autônomos
Outra tecnologia que começa a aparecer no radar do setor são os aviões autônomos, também chamados de VANTs de asa fixa.
Hoje existem cerca de 11 equipamentos desse tipo operando no Brasil, ainda sem legislação específica.
“Do ponto de vista legal, eles ainda são considerados drones. Porém, estamos falando de aeronaves com capacidade de até 300 litros de carga e potencial para causar grandes danos se não forem bem reguladas.”
Segundo Colle, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) já trabalha na construção de regras específicas para esse tipo de equipamento.
O setor também acompanha iniciativas tecnológicas apoiadas pela Embraer, que estuda o desenvolvimento de novas soluções para a aviação autônoma.
“A aplicação dessas aeronaves é impressionante. Elas podem ser programadas e operar praticamente sozinhas. Mas ainda existem desafios logísticos e operacionais importantes.”
Futuro do setor
Para o Sindag, o mercado de drones agrícolas continuará crescendo nos próximos anos. No entanto, a consolidação do setor dependerá da organização regulatória e da profissionalização dos operadores.
“Estamos em um momento de transformação. A aviação agrícola deve continuar crescendo até 2028, mas o cenário depois disso ainda é incerto. O importante é olhar para todas as tecnologias e preparar o setor para o futuro”, conclui Colle.
O avanço do uso de drones na agricultura brasileira foi um dos destaques da Expodireto Cotrijal 2026, realizada entre 9 e 13 de março em Não-Me-Toque (RS). Durante a feira, empresas do setor apresentaram novos equipamentos de pulverização, soluções digitais e programas de capacitação profissional. O movimento reflete a expansão da tecnologia no manejo agrícola e a necessidade crescente de operadores qualificados para atuar no campo.
O uso de drones vem crescendo de forma acelerada na agricultura brasileira nos últimos anos. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Drones (ABDrone) e da Schroder Consultoria Agro, o número de equipamentos em operação no país saltou de cerca de 3 mil para aproximadamente 35 mil unidades desde a regulamentação da atividade, em 2021.
Nesse cenário, a ADS Drones apresentou na feira equipamentos voltados à pulverização agrícola e à agricultura de precisão. Entre os destaques estão os modelos T100, T70P e T25P, utilizados em diferentes escalas de produção.
Responsável pelo pós-venda da empresa no Rio Grande do Sul, Angel Mariussi explica que os drones oferecem vantagens operacionais importantes em comparação com equipamentos tradicionais.
“Entre os principais benefícios está a redução do amassamento da cultura, já que não há passagem de máquinas pela lavoura. Mesmo após chuvas mais intensas, é possível realizar aplicações com drone. Além disso, o equipamento consegue atingir melhor a parte inferior das plantas, graças ao fluxo de ar gerado pelas hélices”, afirma.
Segundo ele, a operação também é altamente automatizada. O produtor define previamente o mapa da área e os parâmetros da aplicação. A partir dessas informações, o drone executa o trabalho de forma autônoma, enquanto o operador acompanha a operação.
Tecnologia amplia soluções no campo
Além dos drones de pulverização, a feira também apresentou equipamentos voltados ao monitoramento e à coleta de dados agrícolas. A Techno Store atua com drones da linha enterprise, que incluem câmeras termais, sensores multiespectrais e sistemas para geração de mapas de lavouras.
DJI Dock 3 – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
Consultor comercial da empresa, Luís Zenoni explica que essas tecnologias ajudam produtores a acompanhar o desenvolvimento das culturas com maior precisão.
“Hoje trabalhamos com drones voltados ao monitoramento, segurança e agricultura de precisão. Esses equipamentos permitem gerar imagens detalhadas das lavouras, o que ajuda na análise das áreas e na tomada de decisões”, afirma.
A empresa também atua na distribuição de peças originais para drones agrícolas e em outras soluções tecnológicas. Entre elas estão drones subaquáticos utilizados na inspeção de barragens e estruturas offshore, além de equipamentos autônomos voltados à manutenção de áreas verdes.
Crescimento do mercado exige formação de pilotos
Ao mesmo tempo em que a tecnologia avança, cresce também a demanda por profissionais qualificados para operar os equipamentos. A AgroAcademy atua justamente na formação de pilotos de drones agrícolas e no treinamento técnico voltado ao uso da tecnologia no campo.
De acordo com a coordenadora geral da escola, Tamara Maciel Dal Canton, o principal desafio do setor atualmente é ampliar a quantidade de operadores preparados para trabalhar com os equipamentos.
“O drone entrou no mercado como uma ferramenta nova. Muitas pessoas compram o equipamento, mas não sabem exatamente como operá-lo. O profissional precisa entender desde a parte agronômica até a legislação e o funcionamento técnico do drone”, explica.
Segundo ela, a instituição já formou mais de 4,5 mil pilotos desde sua criação, em 2021. Ainda assim, o número é considerado pequeno diante do crescimento do mercado.
“Hoje temos cerca de 35 mil drones registrados no país. Porém, ainda faltam operadores qualificados. Nosso foco é ampliar essa formação e preparar profissionais que entendam como aplicar a tecnologia de forma correta na lavoura”, afirma.
Os cursos incluem conteúdos sobre preparo de calda, identificação de pragas e doenças, uso de equipamentos de proteção individual e operação dos drones. Além disso, os alunos recebem orientações sobre a regulamentação exigida por órgãos como ANAC e Ministério da Agricultura.
Ferramentas digitais ajudam na tomada de decisão
Outra frente de inovação envolve o desenvolvimento de softwares voltados à gestão das operações agrícolas. O hub de inovação Loop Works criou plataformas que auxiliam produtores e prestadores de serviço no uso de drones no campo.
Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo
Analista de tecnologia da empresa, José Henrique Alves de Azevedo explica que uma das ferramentas conecta produtores rurais a pilotos de drones disponíveis para realizar aplicações nas lavouras.
“O Agro Pilot funciona como uma plataforma que aproxima quem precisa da aplicação e quem possui o equipamento para realizar o serviço. Hoje já contamos com mais de 120 usuários entre pilotos e produtores”, afirma.
Além disso, outra solução utiliza dados meteorológicos para identificar o momento mais adequado para realizar aplicações agrícolas.
“A ferramenta analisa fatores como temperatura, umidade, velocidade do vento e possibilidade de chuva. Com base nessas informações, ela indica se a janela de aplicação é ideal, aceitável ou não recomendada”, explica.
Dessa forma, o produtor consegue tomar decisões com mais segurança e eficiência durante as operações no campo.
Com a expansão do uso de drones na agricultura brasileira, especialistas apontam que a tendência é de integração cada vez maior entre equipamentos, softwares e capacitação profissional. Esse conjunto de tecnologias deve ampliar a eficiência das operações agrícolas e consolidar o uso dos drones como ferramenta estratégica no campo.
O avanço dos drones agrícolas tem remodelado práticas no campo e ampliado a produtividade das lavouras brasileiras. Desde a regulamentação em 2021, o número de aeronaves agrícolas em operação saltou de cerca de 3 mil para 35 mil, segundo estimativa da Associação Brasileira de Empresas de Drones (ABDrone) e da Schroder Consultoria Agro. O ritmo de crescimento indica uma profissionalização contínua, impulsionada pela busca por eficiência, redução de custos e maior precisão nas operações.
Com o objetivo de orientar produtores e operadores sobre como garantir o melhor desempenho das aeronaves, o Portal Agro em Campo, conversou com Matias Lazarotto, fundador da AgroAcademy — uma das maiores escolas de pilotos agrícolas do Brasil.
Lazarotto reuniu sete recomendações essenciais para quem está começando ou deseja qualificar a operação. As respostas destacam a importância de técnica, planejamento e adaptação às novas funcionalidades dos drones.
7 pilares para uma operação agrícola de sucesso com drones
Qual é o primeiro passo para melhorar a eficiência dos drones na lavoura?
É fundamental conhecer profundamente o equipamento e suas configurações. Não basta comprar um drone e começar a pulverizar. É como usar um celular moderno: é preciso explorar funções, personalizar, ajustar e adaptar para cada cenário. Os acessórios fazem muita diferença, como kits de bicos que permitem variar o tamanho da gota ou agitadores de cauda que facilitam a mistura dos produtos.
Como adaptar a operação ao tipo de cultura e ao terreno?
Cada cultura exige um tipo específico de aplicação, com janelas e características próprias. Uma lavoura de soja é totalmente diferente de uma lavoura de café, por exemplo. Terrenos acidentados também exigem planos de voo distintos, e softwares de mapeamento ajudam muito. O ideal é entender profundamente a cultura e ajustar o drone à realidade do local.
Qual é o peso das condições climáticas no desempenho da operação?
O clima é decisivo. Ventos fortes, chuva e altas temperaturas podem prejudicar a pulverização e até danificar a aeronave. Ainda há quem trabalhe “no olho”, mas isso traz risco. Hoje existem softwares capazes de monitorar o clima em tempo real e emitir alertas. Em dias quentes demais, quando a pulverização perde eficiência, o drone pode ser usado para outras funções, como aplicação de fertilizantes.
Por que o planejamento operacional deve anteceder cada aplicação?
Planejar melhora a velocidade, a segurança e a rentabilidade. O operador precisa definir o melhor ponto de posicionamento para reduzir deslocamentos do drone. Também é essencial preparar uma estrutura eficiente de pouso, recarga e reabastecimento. Quanto mais organizado for esse processo — quase como um pit stop de Fórmula 1 — maior será o rendimento por hectare.
Como a manutenção interfere no desempenho do equipamento?
Manutenção e higienização adequadas são indispensáveis. O drone precisa de cuidado no manejo, no transporte e, principalmente, na limpeza. Por lidar com químicos, o tanque e os acessórios exigem uma tríplice lavagem para evitar resíduos. O mesmo vale para bateria e bicos. Muitos operadores não fazem isso corretamente, e isso reduz a vida útil do equipamento.
Quais regras precisam ser seguidas para operar dentro da legislação?
Drones não são brinquedos. Eles exigem responsabilidade, atenção e cumprimento das normas. Operador e aeronave precisam ser registrados na Anac e no Ministério da Agricultura. Também é obrigatório fazer o Curso de Aplicação Aeroagrícola Remota (CAAR) em instituição homologada.
Além disso, cada voo exige autorização e relatórios de operação. A segurança vem sempre em primeiro lugar.
Por que investir em especialização e atualização constante?
A tecnologia evolui rápido e exige operadores preparados. Depois do CAAR, há caminhos de especialização, como cursos de mapeamento de terrenos, que permitem aplicações mais precisas e localizadas.
O mercado está aquecido, a mão de obra ainda é escassa e quem se especializa aumenta muito as chances de empregabilidade.
Reprodução/ Divulgação
Carreira em alta e formação profissional aquecida
A demanda por pilotos cresce em ritmo acelerado. Com milhares de drones registrados no país e expansão da pulverização aérea remota, produtores relatam dificuldade para encontrar profissionais qualificados — especialmente em regiões como o Mato Grosso.
O salário médio atual gira entre R$ 5 mil e R$ 6 mil, com possibilidade de comissões por hectare aplicado.
A formação profissional acompanha esse crescimento. Cursos como o CAAR + Piloto de Drone reúnem certificações exigidas pela legislação e ampliam as perspectivas de atuação.
São módulos teóricos e práticos, com acesso permanente ao material didático e possibilidade de certificação em até 24 horas após a prova. Mais de 4 mil pilotos já foram formados nos últimos anos.
Além do CAAR, existem formações complementares, como o curso de Operador Enterprise, voltado ao uso de drones menores para acompanhamento de culturas, e o curso de manutenção de drones, lançado recentemente.
A oferta de novos cursos específicos por cultura também está em desenvolvimento para atender a um público cada vez mais especializado.
A expansão segue acelerada: novos polos estão sendo implementados em diferentes regiões para facilitar o acesso de operadores e produtores rurais que buscam qualificação.
A agricultura brasileira está vivenciando uma transformação tecnológica silenciosa, mas revolucionária. Os drones agrícolas, antes considerados equipamentos futuristas, agora fazem parte da realidade de milhares de produtores rurais em todo o país. Com capacidade de pulverizar mais de 100 hectares por dia e custos que variam entre R$ 100 e R$ 400 por hectare, essa tecnologia está redefinindo os conceitos de eficiência e sustentabilidade no campo.
O mercado de drones agrícolas no Brasil experimentou um crescimento exponencial, especialmente após 2022, quando foram lançados modelos com tanques de 40 litros ou mais. Essa evolução tecnológica tornou viável a pulverização de grandes áreas em um único dia, ampliando significativamente a atratividade da tecnologia para agricultores e prestadores de serviços.
Rafael Moreira Soares, pesquisador da Embrapa Soja e coautor do documento “Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática”, explica que os modelos mais comuns são os multirrotores e os de asa fixa, equipados com motorização elétrica por baterias. “Eles são classificados de acordo com o peso e altura máxima de voo permitida, possuindo diversos tipos de hardware, software, câmeras e sensores”, destaca o especialista.
Investimento e retorno: a matemática do negócio
Para quem pretende ingressar no mercado de prestação de serviços com drones agrícolas, o empresário Eugênio Passos Schröder, coautor da publicação, alerta que o investimento total equivale a cerca de três vezes o valor do equipamento. “É preciso considerar não apenas o drone, mas também acessórios, veículos para operação, estrutura administrativa e capital de giro”, explica.
O custo para contratar uma aplicação com drones varia conforme diversos fatores, incluindo relevo, vegetação da área, complexidade da operação e tipo de produto aplicado. Os preços oscilam entre R$ 100 e R$ 400 por hectare, amplitude que reflete a diversidade de cenários e exigências técnicas específicas do setor.
Vantagens competitivas dos drones agrícolas
A tecnologia oferece benefícios únicos que a posicionam como uma alternativa intermediária entre pulverizadores terrestres e aviões agrícolas:
Segurança e Saúde: remoção do operador humano da área pulverizada, reduzindo significativamente os riscos à saúde dos trabalhadores rurais.
Preservação do Solo:ausência total de compactação do solo, problema comum em máquinas terrestres de pulverização, além de não causar amassamento das culturas.
Eficiência Operacional: independência das condições de tráfego do solo e baixo consumo de água, fatores que aumentam a produtividade das operações.
Rastreabilidade: registro detalhado de dados e mapeamento completo das aplicações, proporcionando maior controle e transparência nos processos.
Regulamentação
A operação de drones agrícolas no Brasil é regulamentada por múltiplas agências governamentais. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) é responsável pela homologação dos equipamentos que transmitem radiofrequência, enquanto a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) regula as atividades da aviação civil.
Foto: Rafael Soares/Embrapa
O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) gerencia as atividades relacionadas ao controle do espaço aéreo brasileiro, autorizando voos em áreas restritas. Complementarmente, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estabelece regras específicas para operação de aeronaves destinadas à aplicação de agrotóxicos, fertilizantes, inoculantes e sementes.
Inovações tecnológicas em desenvolvimento
A tecnologia dos drones agrícolas está em constante evolução. Uma das principais tendências é a adoção de bicos rotativos nos principais modelos do mercado, substituindo as tradicionais pontas hidráulicas. “O bico rotativo consiste numa ponta com disco giratório de alta velocidade que oferece a opção de controlar o tamanho de gotas geradas, aumentando a uniformidade do espectro e eliminando gotas muito finas que causam deriva”, explica Soares.
Apesar dos avanços, o setor ainda enfrenta desafios significativos. Faltam dados e pesquisas para determinar parâmetros essenciais como taxa de aplicação de calda, velocidade e altura de trabalho ideais, além de estudos sobre deposição e uniformidade de gotas.
“É um trabalho incessante, pois, além da atualização das máquinas, aumenta cada vez mais a diversidade de culturas, produtos e alvos envolvidos”, avalia Soares, destacando que os equipamentos se encontram em franca evolução e se modernizam anualmente.
Lançamento Oficial no Congresso Brasileiro de Soja
A publicação “Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática” será oficialmente lançada durante o Congresso Brasileiro de Soja e o Mercosoja 2025. O evento acontecerá de 21 a 24 de julho em Campinas (SP). O pesquisador Rafael Soares ministrará palestra sobre a temática no painel técnico sobre tecnologias de aplicação aérea.
Para agricultores e empreendedores interessados em ingressar no mercado de drones agrícolas, os especialistas recomendam análise criteriosa de fatores como legislação vigente, seleção adequada de equipamentos, capacitação técnica, planejamento financeiro detalhado e identificação do mercado potencial.
O estabelecimento de parcerias estratégicas com produtores rurais, cooperativas, associações de agricultores e fabricantes de drones também é fundamental para o sucesso do negócio.
A revolução dos drones agrícolas no Brasil não é apenas uma tendência tecnológica. Mas uma realidade que está transformando a agricultura nacional, oferecendo oportunidades de negócio promissoras e contribuindo para uma agricultura mais sustentável e eficiente.
A Gohobby, maior distribuidora de drones agrícolas da América Latina, anunciou um investimento estratégico de R$ 20 milhões na Região Norte do Brasil. O aporte será destinado à construção de um centro de distribuição, escritório e centro de treinamento em Porto Velho (RO), consolidando a presença da empresa nos estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. O objetivo é fortalecer o suporte técnico, comercial e logístico para revendas e produtores rurais, além de expandir a rede de parceiros locais.
O novo centro de operações contará com equipe técnica e comercial própria, oficina de manutenção e estrutura dedicada à capacitação de operadores e revendedores. Inicialmente, a iniciativa vai gerar cinco empregos diretos, com expectativa de dobrar o quadro até 2027. A Gohobby já possui mais de 30 revendas ativas nos quatro estados. E prevê que a Região Norte represente cerca de 50% de sua operação agrícola nos próximos anos.
Com mais de 2 milhões de km² de extensão e mais de 2 milhões de hectares cultivados, a Região Norte se destaca pela diversidade de culturas como soja, arroz, milho, café e frutas, além de 15 milhões de hectares de pastagens. A demanda crescente por tecnologia que aumente a produtividade e reduza custos operacionais torna o mercado regional um dos mais promissores para drones agrícolas no Brasil.
Drones agrícolas: inovação e sustentabilidade no campo
Os drones agrícolas da Gohobby, como os modelos DJI Agras T25 e T50, oferecem capacidades de pulverização de 20 a 40 litros e dispersão de sólidos de 25 a 50 kg, com preços que variam de R$ 120 mil a R$ 200 mil, dependendo da configuração. Essas tecnologias proporcionam monitoramento de precisão, redução de custos, menor consumo de insumos e impacto ambiental reduzido, tornando-se essenciais para o agronegócio moderno.
Segundo Adriano Buzaid, CEO da Gohobby, o investimento reforça o compromisso da empresa com a modernização e sustentabilidade do agronegócio brasileiro. “Nosso foco é promover a modernização do setor com tecnologia de ponta, presença local e capacitação. Esse investimento é 100% Gohobby e reafirma nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e tecnológico do campo brasileiro”, afirma Buzaid.
A Xmobots, sexta maior empresa de drones civis do mundo e distribuidora oficial da DJI no Brasil, oficializou na Agrishow 2025 a criação da Xmobots Agriculture, uma divisão focada exclusivamente em agricultura de precisão. Além disso, a companhia apresentou quatro novidades tecnológicas: DAASFY, SPAD 200B, XGEN e o drone de logística DJI FlyCart 30.
Com um estande ampliado para 700 m², a Xmobots retorna à feira após bater recorde de vendas em 2024 e projeta resultados ainda mais expressivos neste ano. A expectativa é impulsionada pela expansão da nova divisão agro, que já atende milhares de produtores e prestadores de serviço em todo o Brasil, com o suporte de mais de 200 revendas parceiras em regiões estratégicas do agronegócio.
Xmobots Agriculture: foco exclusivo no agro
Segundo Thatiana Miloso, Diretora Comercial da Xmobots, a segmentação marca uma nova fase estratégica para a empresa: “A Xmobots Agriculture representa um movimento estratégico. Reunimos tecnologias, equipes e processos voltados exclusivamente ao agronegócio, com o objetivo de tornar as operações mais simples, eficientes e conectadas à realidade do campo.”
Foto: divulgação Xmobots
Principais lançamentos na Agrishow 2025
DAASFY: Plataforma de gestão de pulverização
A DAASFY permite o controle total da pulverização via celular. O produtor pode:
Criar solicitações de serviço;
Definir áreas de aplicação;
Estabelecer limites de vento, temperatura, umidade e taxa de aplicação.
Após a execução, o sistema gera um relatório técnico, garantindo transparência e qualidade na operação.
SPAD 200B: Eficiência em operações intensivas
Projetado para fazendas de médio porte, o SPAD 200B suporta dois drones DJI AGRAS (T40 ou T50), misturadores duplos, geradores XGEN e um reservatório de até 1.000 litros de água. A solução permite operações contínuas de até 4 horas com apenas um piloto e um auxiliar, aumentando a produtividade e reduzindo custos.
XGEN: Gerador multifuncional para drones
O XGEN é o primeiro gerador brasileiro desenvolvido exclusivamente para drones, com dois modelos:
XGEN 10 (8,5 kVA)
XGEN 20 (20,0 kVA)
Com tomadas industriais, injeção eletrônica e compatibilidade com acessórios como o XMixer (misturador de calda) e iluminação noturna, o XGEN garante autonomia e performance em campo.
DJI FlyCart 30: Drone de logística para o agro
O FlyCart 30 chega para revolucionar a logística no campo, com:
Alcance de 16 km
Caixa de transporte de 70L
Redundância de segurança
Com dois modos (Caixa e Gancho), o drone agiliza o transporte de:
Sacos de adubo e sementes
Peças de maquinário agrícola
Ferramentas, placas solares e lonas
Portfólio robusto e expansão contínua
Os novos lançamentos se somam a um ecossistema agro já consolidado, que inclui:
Sistemas SPAD 75 e SPAD 150
Misturador XMixer 150B
Base XRTK
Drones DJI AGRAS T25 e T50
Foto: divulgação Xmobots
A utilização de drones no agronegócio é uma realidade que só deve aumentar, devido as vantagens custo benefício. E o Brasil pode se beneficiar muito estando entre os principais fabricantes do setor.