Tag: Doce de Leite

  • Conheça a fruta dourada com sabor de doce de leite

    Conheça a fruta dourada com sabor de doce de leite

    Ela ostenta casca amarela discreta, mas guarda uma polpa que lembra a cor da gema de ovo e um sabor que costuma surpreender quem prova pela primeira vez. O canistel, apelidado de fruta de ouro, ganha espaço aos poucos entre quem busca sabores tropicais menos óbvios.

    Canistel
    Foto: Silke Kaiser/Flickr

    A fruta ainda circula pouco pelas bancas brasileiras, apesar de reunir uma história antiga na América Latina e características que despertam interesse tanto de consumidores quanto de pesquisadores.

    Por que essa fruta dourada ainda é rara nas bancas brasileiras

    A fruta de ouro circula há muito tempo em países latino-americanos, mas ainda permanece fora do circuito comercial mais amplo. Ela amadurece rápido, exige cuidado no transporte e não alcança a mesma padronização de frutas já consolidadas no varejo, como manga, mamão e banana.

    Por isso, o canistel aparece mais em quintais, pomares domésticos e feiras locais do que em prateleiras de supermercado. Quando atinge o ponto ideal, a casca cede levemente ao toque e a polpa ganha uma consistência quase amanteigada. Um detalhe que explica a comparação recorrente com sobremesas cremosas.

    Identificar o ponto certo exige atenção, já que o aspecto externo pode enganar. A casca tende a manter o tom amarelo mesmo antes da maturação completa. Alguns sinais ajudam a evitar um fruto duro e sem graça: leve maciez ao apertar com cuidado, ausência de rachaduras profundas ou partes encharcadas, aroma discreto porém perceptível perto do pedúnculo e polpa uniforme, sem escurecimento excessivo.

    O sabor que lembra doce de leite: textura, aroma e usos na cozinha

    A associação com doce de leite não vem de um excesso de umidade, pelo contrário. A polpa do canistel se mostra densa, seca na medida certa e bastante macia, com uma sensação farinácea que lembra, ao mesmo tempo, gema de ovo cozida e creme adocicado. Esse perfil sensorial transforma a fruta de ouro em um ingrediente curioso para quem gosta de experimentar variedades menos convencionais.

    Canistel
    Foto: Purejoyeats/Flickr

    Na cozinha, ela rende melhor em preparos que valorizem corpo e doçura natural. Vitaminas batidas com leite ou bebida vegetal, cremes gelados, sorvetes, purês para recheios e sobremesas, além de compotas, doces de colher e mousses figuram entre os usos mais comuns. Combinações com canela, cacau, castanhas ou café também ajudam a equilibrar sua densidade, o que amplia as possibilidades além do consumo in natura.

    Uma fruta com raízes na história

    O canistel carrega uma trajetória que remonta a civilizações pré-colombianas. A espécie tem origem nas terras baixas da América Central, no sudeste do México, Belize, Guatemala e El Salvador . E os povos maias já cultivavam a fruta, que batizaram de “kanisté”, termo que deu origem ao nome atual. Peças arqueológicas também sugerem uma relação ainda mais antiga com a fruta. Pesquisadores identificaram uma garrafa de cerâmica inca com formato de canistel, datada de cerca de 250 anos depois de Cristo, o que indica que a espécie já despertava fascínio entre culturas antigas muito antes de chegar às mesas contemporâneas. Fato Paulista

    No Brasil, o cultivo é relativamente recente. A fruta chegou ao país por volta de 1985, por meio de uma parceria entre a Embrapa e a Unesp, que conduziu experimentos até a planta ganhar valor comercial. Hoje, a árvore, de porte médio, copa densa e ciclo perene, pode atingir até oito metros de altura e prospera em solo fértil e bem drenado, sob clima tropical.

    Além do Brasil, o canistel também se adaptou a diferentes regiões do planeta ao longo do tempo. A árvore hoje cresce nos Estados Unidos (Flórida e Havaí), nas Filipinas, na Costa Rica, no Panamá, na Jamaica, nas Bahamas e em Cuba, o que reforça sua versatilidade climática apesar da baixa popularidade fora desses circuitos.

    O que a ciência já descobriu sobre o canistel

    O interesse pela fruta de ouro não fica restrito ao paladar. Pesquisadores também analisam sua composição, especialmente pela presença de carotenóides, pigmentos ligados justamente ao tom que lembra gema de ovo. Essa atenção científica explica por que o canistel aparece com frequência cada vez maior em estudos sobre aproveitamento de frutas tropicais pouco exploradas comercialmente.

    Canistel no mercado
    Foto: Meighan/Flickr

    O estudo “Optimization of β-Carotene Enrichment of Coconut Oil from Canistel (Pouteria campechiana L.) Using Response Surface Methodology”, publicado no periódico científico Nutrition, descreveu o canistel como uma fruta subutilizada e rica em betacaroteno, usada no desenvolvimento de óleo de coco enriquecido com esse composto. O dado não transforma a fruta de ouro em solução milagrosa, mas reforça seu potencial nutricional e tecnológico, sobretudo pelo pigmento responsável pela coloração intensa da polpa.

    A composição nutricional também chama atenção por outros ângulos. A fruta reúne fibras, vitamina A e vitamina C, nutrientes que contribuem para a saúde ocular, o sistema imunológico e a ação antioxidante do organismo. Por conta desse perfil, a indústria de cosméticos já utiliza extratos da fruta em formulações que exploram o poder antioxidante dos carotenos presentes na polpa.

    Um futuro possível para a fruta de ouro no Brasil

    O canistel costuma agradar quem prefere sabores doces, cremosos e menos ácidos e, em vez de funcionar como opção de lanche rápido, rende melhor quando entra em receitas elaboradas. A fruta também desperta interesse entre pequenos produtores e feiras de alimentos regionais, já que seu apelo não depende apenas da aparência: ganha força quando o consumidor prova a polpa madura e entende, na prática, por que a comparação com doce de leite aparece com tanta frequência.

    O avanço das feiras de produtores, o interesse crescente por espécies pouco conhecidas e a busca por novos ingredientes podem abrir caminho para a fruta de ouro nos próximos anos. Ela reúne atributos hoje valorizados, como identidade regional, versatilidade culinária e um perfil sensorial marcante, sem soar como repetição das frutas mais comuns. Se colheita, pós-colheita e distribuição melhorarem, a polpa amarela de aspecto parecido com gema de ovo tende a sair da curiosidade de quintal para ocupar um lugar mais claro entre os sabores brasileiros que ainda circulam abaixo do radar.

  • Doce de leite com frutas do Cerrado: agroindústria de Bonito recebe certificação nacional

    Doce de leite com frutas do Cerrado: agroindústria de Bonito recebe certificação nacional

    O doce de leite produzido no Assentamento Santa Lúcia, em Bonito, agora pode chegar a qualquer estado brasileiro. A Agroindústria Pé da Serra recebeu o Selo Arte para cinco variedades do produto, certificação que permite a comercialização em todo o território nacional.

    O secretário Jaime Verruck, da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), entregou os certificados ao lado do secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável, Rogério Beretta, e do coordenador de Pecuária, Marivaldo Miranda.

    Diferente de outras certificações, o Selo Arte pertence ao produto, não ao estabelecimento. A legislação, criada em novembro de 2019, permite que alimentos artesanais de origem animal com inspeção municipal vendam para todo o Brasil, desde que atendam aos padrões sanitários exigidos. A certificação preserva a identidade do produto artesanal e garante a procedência da matéria-prima.

    Em Mato Grosso do Sul, a Semadesc e a Iagro respondem pela certificação. O estado já conta com 24 produtos certificados, incluindo linguiça de Maracaju, torresmo, manteiga ghee, queijo meia cura e diferentes tipos de doce de leite.

    Família produz 100 litros por dia em propriedade de 16 hectares

    A Agroindústria Pé da Serra conquistou o selo para o doce de leite tradicional (claro e escuro) e para as versões com jeracatiá, guavira e umbu, frutas típicas do Cerrado regional.

    A produtora Noêmia Nogueira dos Santos, 58 anos, comanda o negócio com os dois filhos em uma área de 16 hectares, dividida entre fruticultura e atividade leiteira. A família trabalha atualmente com 20 vacas em lactação, que produzem cerca de 100 litros de leite por dia.

    “Comecei a produzir leite há cerca de 15 anos. No início, caminhávamos sem orientação e sem saber como colocar o produto no mercado”, relembra Noêmia. A virada veio com o apoio de entidades como Iagro e Senar em Bonito. “Hoje conquistamos o Selo Arte. É uma gratidão muito grande.”

    A produção atual gira entre 60 e 70 potes por dia, vendidos apenas em Bonito. “Agora quero vender para fora e, com esse selo, vou conseguir”, destaca a produtora, que também fabrica geleias regionais como acerola com pimenta, jabuticaba, manga e combinações com frutas do Cerrado.

    Certificação exigiu três anos de adequações

    O processo para obter o Selo Arte contou com acompanhamento técnico do Senar/MS e durou cerca de três anos. A especialista em certificação Emylia Gabriella explica que a formalização começou por demanda da Vigilância Sanitária.

    Foto: Mairinco de Pauda/ Semadesc

    “Primeiro regularizamos pelo consórcio de inspeção e, depois, protocolamos o pedido do Selo Arte. Fizemos adequações estruturais, ajustes de fluxo e análises dos produtos, sempre com orientação da Iagro”, detalha.

    O secretário Jaime Verruck destacou a parceria entre poder público e produtor rural durante a entrega da certificação. “Sabemos do esforço que existe por trás de cada conquista. O processo é longo e exige dedicação, mas quando há comprometimento, os resultados aparecem. O mérito é seu.”

    Rogério Beretta complementa: “Com essa habilitação, a Agroindústria Pé da Serra passa a integrar o grupo de empreendimentos sul-mato-grossenses aptos a levar produtos artesanais de origem animal para além das fronteiras estaduais, agregando valor à produção familiar e fortalecendo a economia regional.”

  • Sítio no Norte de Minas transforma receita de família em atração turística

    Sítio no Norte de Minas transforma receita de família em atração turística

    Memória afetiva, apoio familiar e muita dedição garantem o sabor único do requeijão moreno artesanal que Carlos Alessandro Lucas e sua esposa produzem no Sítio Vó Luzia, em Serranópolis de Minas, Norte de Minas Gerais. A família fabrica cerca de 50 quilos da iguaria toda semana, mas o legado vai muito além da panela.

    Foto: Divulgação/Emater-MG

    A tradição começou com a avó de Carlos, Vó Luzia, que transformava o excedente de leite da produção do avô em renda extra. Após um período de interrupção, a saudade do sabor e a alta produção de leite motivaram Carlos a resgatar a receita em 2019. “Usei a lembrança de ver minha avó produzir e conselhos do meu pai até acertar o ponto exato”, relata o produtor.

    Assistência técnica e regularização

    Para regularizar a produção, a família buscou a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG). O extensionista Gentil Dias Neto orientou a família sobre as Boas Práticas de Fabricação, a regularização da agroindústria e a bovinocultura leiteira. Além do famoso requeijão moreno, a família agora também produz doce de leite e manteiga de requeijão de qualidade reconhecida em concursos regionais.

    A virada para o turismo rural surgiu de forma orgânica em 2020. Um amigo sugeriu um café no sítio para um pequeno grupo. A experiência agradou e o “boca a boca” fez o resto. Aos poucos, a atividade turística ajudou a família a superar desafios financeiros e abriu um novo horizonte.

    Hoje, os visitantes podem agendar uma experiência completa: conhecer a história do sítio de 80 anos, andar a cavalo e, é claro, apreciar o café da manhã ou da tarde com o requeijão moreno, quitandas e frutas da região.

    Potencial para a região e conexão com o visitante

    Para Gentil Dias Neto, da Emater-MG, o sucesso da família vem da boa receptividade e do espírito empreendedor. Ele vê grande potencial na atividade, reforçado pelas belezas da Cordilheira do Espinhaço, como uma opção para gerar emprego e renda.

    A Emater-MG auxilia na divulgação do Sítio Vó Luzia através do projeto Ruralidade Viva. “Com esse projeto, conectamos visitantes às experiências da agricultura familiar. A iniciativa reflete o crescimento do turismo rural em Minas Gerais, valoriza o trabalho dos produtores e fortalece a economia local”, explica Thatiana Daniella Moura Garcia, Coordenadora Técnica Estadual de Turismo Rural e Artesanato da Emater-MG.

    https://www.instagram.com/p/DMK1T0iuCwP/

    Para Carlos, manter viva a tradição dos avós já é um privilégio. Agora, ele espera que os filhos sejam os próximos sucessores não apenas da produção dos laticínios, mas também do empreendimento rural multifacetado que a família construiu.

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  • Prêmio define o melhor azeite, cachaça e doce de leite do Brasil

    Prêmio define o melhor azeite, cachaça e doce de leite do Brasil

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) recebe até 30 de abril as inscrições para o Prêmio Brasil Artesanal (PBA). O concurso avalia e valoriza a produção artesanal de azeite, cachaça e, pela primeira vez em 2026, doce de leite. A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) integra o grupo de instituições que apoiam a iniciativa.

    A novidade deste ano traz especial relevância para Minas Gerais, já que o doce de leite representa uma sobremesa tradicional da culinária mineira. Produtores de todo o país podem participar das três categorias do certame.

    A Epamig, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e o Sebrae elaboram o edital do Concurso de Azeite de Oliva. Essas instituições também fornecem conhecimento técnico e científico para avaliar e aprimorar os produtos participantes.

    “A Epamig atua de forma consistente em todas as etapas do cultivo da oliveira como empresa pioneira nas pesquisas com essa cultura. O concurso atesta, em mais uma edição, a qualidade dos azeites nacionais”, afirma Luiz Fernando, coordenador do Programa Estadual de Pesquisa em Olivicultura da Epamig.

    Concurso beneficia consumidores e produtores

    O coordenador destaca que a sociedade ganha acesso a informações sobre a qualidade dos produtos. Os produtores, por sua vez, associam suas marcas a um concurso que conta com instituições de referência no país.

    O Prêmio Brasil Artesanal estimula a profissionalização de pequenos e médios produtores rurais. A iniciativa também promove a melhoria contínua dos processos produtivos e agrega valor aos alimentos que chegam ao mercado.

    Os produtores devem enviar as amostras até 15 de maio. Os produtos passam por avaliação do júri técnico, análise da história, votação do júri popular e etapa final de premiação. Cada produtor pode inscrever um produto por categoria, nas modalidades blend ou monovarietal.

    O Prêmio Brasil Artesanal oferece certificados, premiação em dinheiro e divulgação nos canais digitais e redes sociais do Sistema CNA/Senar. Os interessados devem acessar o site oficial da CNA para realizar a inscrição.

  • Doce de leite: exportações brasileiras crescem quase 500% em cinco anos

    Doce de leite: exportações brasileiras crescem quase 500% em cinco anos

    O doce de leite brasileiro deixou de ser apenas aquela memória afetiva da infância pra virar uma categoria em franca expansão. E com números que impressionam. Entre 2016 e 2021, as exportações do produto cresceram impressionantes 441%, segundo dados do grupo de pesquisa Inovaleite, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O movimento mostra que o mercado internacional tá descobrindo (ou redescobrindo) o que os brasileiros sempre souberam: doce de leite é coisa séria.

    Minas Gerais segue como protagonista absoluto dessa história. O estado produziu 38,4 mil toneladas no período analisado, o que representa 58,1% de tudo que foi rastreado nacionalmente. A liderança mineira não é coincidência. E reflete décadas de tradição, conhecimento técnico e uma cultura láctea que atravessa gerações.

    Os números mais recentes só confirmam o bom momento. Em setembro de 2024, as exportações brasileiras de lácteos subiram 218,96% em relação a agosto e superaram em 96,77% o resultado de setembro de 2023, conforme levantamento do Portal Agro2. A trajetória ascendente indica que o doce de leite conquistou espaço próprio no mercado global, longe da sombra de outros derivados lácteos.

    Consumidor quer verdade, história e transparência

    Quem acompanha o setor de perto percebe uma mudança importante no perfil do consumidor. As pessoas querem saber de onde vem o que comem, como os produtos são feitos e qual a história por trás da marca. Esse comportamento fortalece empresas que trabalham com autenticidade e rastreabilidade.

    “Esse movimento acompanha o comportamento do consumidor brasileiro, que tem ampliado o interesse por produtos com rastreabilidade, verdade e história”, explica Rosi Barbosa, porta voz da Rocca, empresa mineira do setor. Segundo ela, esse ambiente cria condições favoráveis para marcas que valorizam suas origens e processos.

    Foto: Divulgação Rocca

    A empresa nasceu em Minas Gerais com a proposta de elevar o padrão de qualidade do doce de leite nacional. E agora colhe os frutos de um mercado que finalmente reconhece o valor agregado do produto.

    Agregação de valor acessível para pequenos produtores

    Do ponto de vista técnico, o doce de leite apresenta vantagens competitivas importantes. O Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital) aponta a categoria como uma das formas mais eficazes de agregar valor ao leite, especialmente para pequenos e médios produtores rurais.

    A razão é simples: fabricar doce de leite exige investimentos menores em equipamentos quando comparado a outros derivados lácteos. Além disso, o processo mantém características artesanais que diferenciam o produto final e criam valor percebido pelo consumidor. Essa combinação torna o doce de leite uma alternativa viável e lucrativa para quem busca diversificar a produção.

    O cenário atual marca uma transição clara. O doce de leite brasileiro deixa de ocupar apenas o espaço da tradição regional e passa a se consolidar como categoria econômica relevante, com identidade própria e potencial exportador comprovado.

    O mercado mundial está descobrindo o que Minas Gerais sempre soube. E os números provam que essa descoberta veio pra ficar.

  • Quem faz o melhor doce de leite de Minas?

    Quem faz o melhor doce de leite de Minas?

    Um dos símbolos mais doces da tradição mineira vai ganhar destaque especial neste fim de ano. O Instituto de Laticínios Cândido Tostes (Epamig/ILCT), sediado em Juiz de Fora, abriu as inscrições para o 1º Concurso de Doce de Leite Artesanal, parte das comemorações pelos 90 anos da instituição. Os interessados podem se inscrever até o dia 30 de novembro. O julgamento das amostras acontece no dia 4 de dezembro, na sede do Instituto.

    O concurso vai premiar as duas categorias: Doce de leite pastoso artesanal tradicional e Doce de leite pastoso artesanal com adição (como café, coco ou cacau). O objetivo é valorizar, promover e divulgar a produção artesanal mineira, reforçando a qualidade e a identidade cultural desse produto típico do estado. A premiação ocorrerá durante o evento comemorativo de aniversário do ILCT.

    Podem participar produtores artesanais que utilizem leite de produção própria, sem padronização industrial e sem o uso de aditivos químicos ou conservantes. Cada participante poderá inscrever um produto por categoria. As amostras serão avaliadas por uma comissão formada por técnicos e especialistas em laticínios, considerando sabor, textura, cor, aparência e identidade regional.

    Mais informações e o link para inscrição estão disponíveis no site oficial da Epamig.

    Tradição mineira

    A tradição mineira de fazer doce de leite nasceu nas cozinhas simples das fazendas, nas mãos habilidosas das mulheres que transformavam o leite fresco tirado na hora em verdadeiras obras de arte culinária. O doce, feito com poucos ingredientes (leite, açúcar e tempo), virou sinônimo da hospitalidade e do afeto mineiro.

    Nas antigas fazendas, o preparo do doce de leite era uma celebração. As famílias se reuniam em torno do tacho de cobre, mexendo a mistura com paciência e cuidado até atingir o ponto certo, aquele que só o olhar treinado sabia reconhecer. O cheiro adocicado tomava conta do ar, atraindo vizinhos e despertando lembranças que atravessaram gerações.

    Com o passar dos anos, Minas Gerais manteve viva essa herança, mesmo com a chegada das tecnologias e da produção em escala. Muitas famílias ainda preservam as receitas originais, repassadas de mãe para filha, garantindo o sabor autêntico e a textura inconfundível que tornaram o doce de leite mineiro uma referência nacional.

    Mais do que um alimento, o doce de leite é um símbolo cultural. Representa a união entre o campo e a mesa, a simplicidade das origens e o orgulho de quem transforma o leite em tradição. É por isso que concursos e celebrações dedicados a ele não são apenas disputas de sabor, mas homenagens à identidade e ao coração de Minas Gerais.