Tag: dívida agrícola

  • Família Yamada conquista recuperação extrajudicial

    Família Yamada conquista recuperação extrajudicial

    O juiz Davi Vilas Verdes Guedes Neto homologou a recuperação extrajudicial da Família Yamada, grupo de cinco produtores rurais que cultiva 4 mil hectares em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia. A decisão da 1ª Vara dos Feitos de Relações de Consumo Cíveis e Comerciais permite que a família quite R$ 75,6 milhões de um total de R$ 131,5 milhões em dívidas.

    O escritório Celso Cândido de Souza Advogados conduziu as negociações com os credores e apresentou o plano de recuperação extrajudicial ao juiz. Segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial, o Brasil registrou apenas 57 processos dessa modalidade até dezembro, contra 1.921 recuperações judiciais até novembro.

    Modalidade rara exige consenso entre credores

    A recuperação extrajudicial acontece fora do ambiente jurídico e depende da concordância dos credores, que têm liberdade para recusar propostas. O juiz homologa o acordo somente depois que os produtores apresentam o plano aprovado pela maioria dos envolvidos.

    “É o mesmo que ocorre quando as partes fazem um acordo em uma audiência de conciliação, desafogando o judiciário e dando mais celeridade à resolução da questão”, explica Fabrício Cândido Gomes de Souza, CEO do escritório responsável pelo caso. “Mas essa modalidade não é utilizada com frequência porque é muito difícil fazer os credores chegarem no denominador comum.”

    O advogado Fabrício Cândido Gomes de Souza. Foto: Arquivo pessoal.

    A Família Yamada obteve a adesão de 55,41% dos credores, que representam 57,46% do total das dívidas. O plano seguiu a via impositiva, que exige aprovação de mais da metade dos credores e de mais da metade do valor total devido.

    Trajetória de 40 anos no Matopiba

    Os Yamadas saíram do Paraná na década de 1980 e apostaram no potencial agrícola do Matopiba, região que engloba Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A família levou tecnologias de correção de solo para terras ainda improdutivas e contribuiu para transformar a região em importante polo produtor de soja, milho, sorgo e feijão.

    Nos últimos anos, os produtores enfrentaram problemas conjunturais agravados pela variação cambial, alta de insumos e mudanças climáticas. Em 2019, os advogados da família solicitaram recuperação judicial, mas o processo não avançou. A assessoria jurídica identificou então a possibilidade de seguir pela via extrajudicial.

    Diferença entre as modalidades

    A recuperação extrajudicial oferece duas vias: a voluntária, quando o devedor negocia com alguns credores específicos, e a impositiva, que exige aprovação de mais da metade dos credores e mais da metade do valor da dívida. Somente na segunda modalidade o acordo se estende a todos os envolvidos.

    Com a homologação judicial, a Família Yamada ganha fôlego para reorganizar as finanças e manter a operação agrícola na região oeste da Bahia.

  • Lavoro firma acordo de recuperação extrajudicial de R$ 2,5 bilhões

    Lavoro firma acordo de recuperação extrajudicial de R$ 2,5 bilhões

    A Lavoro, uma das maiores distribuidoras de insumos agrícolas do Brasil, protocolou na Justiça de São Paulo um acordo de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de R$ 2,5 bilhões em dívidas comerciais com fornecedores estratégicos. Isso inclui os gigantes do setor como BASF, FMC Agrícola e UPL Brasil. O plano ocorre após meses de negociações entre várias partes. E tem como objetivo garantir o fornecimento de insumos para as próximas safras, em meio a um cenário de inadimplência crescente no agronegócio nacional.

    O acordo de recuperação extrajudicial esta previsto na Lei nº 11.101/2005. E permite que a empresa renegocie condições de pagamento diretamente com parte dos credores, com posterior homologação judicial. No caso da Lavoro, os credores participantes receberão 100% do valor devido em cinco parcelas semestrais, de outubro de 2025 a setembro de 2027. A medida abrange apenas a operação de varejo agrícola no Brasil e a subsidiária Perterra, deixando de fora outras unidades da companhia e credores financeiros.

    A Lavoro ainda negocia separadamente cerca de R$ 1 bilhão em dívidas financeiras, incluindo R$ 420 milhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), além de débitos com bancos como Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Citi. A empresa também busca obter waiver dos detentores dos CRAs para evitar inadimplência nesses títulos.

    Impactos e contexto do agronegócio

    A reestruturação ocorre em um momento de forte pressão financeira no setor agropecuário brasileiro. O agronegócio enfrenta alta inadimplência, queda nos preços das commodities e restrição de crédito, fatores que levaram a um aumento expressivo nos pedidos de recuperação judicial em 2024 e 2025. Empresas concorrentes, como Agrogalaxy e Portal Agro, também recorreram à recuperação judicial recentemente.

    A Lavoro, apoiada pelo Pátria Investimentos, já adotou medidas de ajuste operacional, reduzindo 30% de suas lojas e sinalizando possíveis novos cortes para alinhar tamanho e eficiência ao plano de reestruturação. No segundo trimestre fiscal de 2025, a receita da companhia caiu 27% em relação ao mesmo período do ano anterior, impactada pela escassez de estoque e cancelamento de reservas, o que também afetou a receita de defensivos agrícolas. O lucro bruto consolidado recuou 28% na mesma base de comparação.

    Segundo o CEO Ruy Cunha, a recuperação extrajudicial foi escolhida por ser o instrumento que traz mais segurança para todas as partes envolvidas. Além de garantir a continuidade das operações e mitigar os efeitos da escassez de produtos no mercado. A expectativa é que o acordo permita à Lavoro atravessar o período de turbulência financeira, mantendo o abastecimento do setor. E assim, evitar impactos mais severos na cadeia produtiva do agronegócio.

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