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  • Cobra de 85 milhões de anos é encontrada no Brasil; veja como vivia

    Cobra de 85 milhões de anos é encontrada no Brasil; veja como vivia

    Uma cobra que rastejou pelo território brasileiro há até 85 milhões de anos está ajudando cientistas a entender como esses animais viviam quando os dinossauros ainda dominavam o planeta.

    Batizada de Tametara mirim, a espécie ganhou atenção dos pesquisadores após a descoberta de um fóssil em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. O exemplar surpreendeu, sobretudo, pelo ótimo estado de conservação do crânio e de parte do esqueleto.

    A descoberta aparece no estudo “Exceptional brain and ecological diversity in the earliest snakes”, publicado em julho na revista científica Nature. A pesquisa reuniu cientistas de diferentes instituições e contou com a participação de pesquisadores brasileiros.

    Além disso, o material abriu uma oportunidade rara. Os cientistas conseguiram investigar uma região que dificilmente deixa vestígios depois de milhões de anos: o cérebro.

    Para isso, a equipe utilizou microtomografias computadorizadas de alta resolução. Dessa forma, conseguiu reconstruir estruturas internas do crânio e analisar características do cérebro, dos nervos cranianos e do ouvido interno da serpente.

    Cobra brasileira vivia debaixo da terra

    A Tametara mirim viveu entre 75 milhões e 85 milhões de anos atrás, durante o período Cretáceo. Pesquisadores encontraram o fóssil em 2020 no Sítio Paleontológico José Martin Suárez, em Presidente Prudente.

    O exemplar conserva parte do crânio e mais de 100 vértebras articuladas. Portanto, os cientistas tiveram acesso a uma quantidade de informações incomum para uma serpente tão antiga.

    “Trata-se de uma das serpentes mais antigas conhecidas e melhor preservadas, sendo o primeiro fóssil articulado de serpente encontrado no País”, explicou Annie Hsiou, professora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, ao Jornal da USP.

    A boa conservação do material também permitiu que a equipe estudasse estruturas internas sem destruir o fóssil. Para isso, os pesquisadores recorreram à microtomografia computadorizada.

    Foi justamente essa análise que revelou uma das principais surpresas da pesquisa.

    Características do cérebro, do ouvido interno e da estrutura dos ossos indicam que a Tametara estava adaptada a escavar e passar boa parte da vida no subsolo. Os cientistas chamam animais com esse comportamento de fossoriais.

    Cérebro revelou como a cobra vivia

    Reprodução do vídeo com a cobra

    O crânio preservado se tornou uma das peças centrais da pesquisa. Afinal, fósseis de serpentes antigas geralmente aparecem fragmentados, o que limita a quantidade de informações disponíveis.

    Neste caso, porém, os pesquisadores conseguiram avançar.

    “Essa qualidade de preservação nos permite responder a perguntas que simplesmente não podem ser respondidas se você não tiver as partes certas do corpo preservadas”, afirmou Tiago Simões, paleobiólogo da Universidade de Princeton e principal autor do estudo, em entrevista à Science News.

    A reconstrução mostrou que o cérebro da Tametara apresentava diferenças em relação tanto a outras serpentes primitivas quanto às espécies atuais.

    Além disso, características do telencéfalo, do ouvido interno e da microestrutura dos ossos reforçaram a hipótese de uma vida subterrânea.

    Os cientistas, então, compararam a cobra brasileira com outra espécie antiga: a Dinilysia patagonica, encontrada na Argentina.

    Embora as duas tenham vivido durante o Cretáceo, elas aparentemente adotavam estratégias diferentes. Enquanto as características da Tametara apontam para hábitos subterrâneos, a Dinilysia apresenta sinais compatíveis com um modo de vida não fossorial.

    Essa diferença trouxe uma nova pista sobre a evolução das serpentes.

    Descoberta muda visão sobre primeiras cobras

    Durante décadas, pesquisadores tentaram responder a uma pergunta aparentemente simples: onde viviam as primeiras cobras?

    Uma das hipóteses relacionava características marcantes desses animais à adaptação para viver debaixo da terra. Por outro lado, pesquisadores também discutiram possíveis origens ligadas a ambientes aquáticos ou à vida sobre a superfície.

    Agora, a Tametara ajuda a mostrar uma história mais complexa.

    “Nós reformulamos o antigo debate sobre os fatores ecológicos por trás da origem das cobras”, afirmou Simões ao Museu de História Natural de Los Angeles.

    Segundo o pesquisador, as evidências indicam que as serpentes já apresentavam uma diversidade ecológica e neuroanatômica considerável há cerca de 80 milhões de anos.

    Portanto, esses animais provavelmente não seguiram apenas uma estratégia de sobrevivência durante as primeiras etapas de sua evolução.

    O estudo publicado na Nature reforça justamente essa interpretação. Os autores apontam que a evolução inicial das serpentes envolveu mudanças complexas no uso do habitat e também na ecologia sensorial.

    Assim, a diversidade entre as cobras antigas pode ter sido muito maior do que os fósseis conhecidos anteriormente sugeriam.

    Ela dividia espaço com dinossauros

    Preparação da cobra para pesquisa,

    O mundo da Tametara mirim também era completamente diferente daquele encontrado hoje no interior paulista.

    Na região que atualmente corresponde a Presidente Prudente, grandes dinossauros herbívoros de pescoço longo dividiam o ambiente com crocodilos, aves primitivas e outros animais.

    Enquanto esses gigantes ocupavam a superfície, a pequena serpente provavelmente encontrava proteção no subsolo.

    O fóssil preservado mede 41,9 centímetros. Entretanto, o animal completo era maior, pois os pesquisadores não encontraram toda a coluna e a cauda.

    Seu tamanho modesto, porém, contrasta com a importância científica da descoberta.

    Isso porque o exemplar brasileiro oferece aos cientistas uma rara janela para uma época em que as serpentes já começavam a explorar diferentes ambientes e desenvolver estratégias próprias de sobrevivência.

    Além disso, a descoberta mostra como fósseis encontrados no Brasil podem ajudar a responder questões sobre a evolução de animais que hoje vivem praticamente em todo o planeta.

    Há dezenas de milhões de anos, enquanto enormes dinossauros caminhavam pela superfície do que hoje é o Brasil, uma pequena cobra já havia encontrado uma estratégia bastante diferente para sobreviver: desaparecer debaixo da terra.

  • Doença óssea dizimou dinossauros no interior de São Paulo

    Doença óssea dizimou dinossauros no interior de São Paulo

    Um conjunto de ossos de saurópodes, como são chamados os dinossauros pescoçudos, encontrado no município de Ibirá (SP) revela que a região favoreceu uma doença óssea mortal para esses animais.

    Pesquisadores apoiados pela FAPESP encontraram em fósseis de seis indivíduos do Cretáceo, de cerca de 80 milhões de anos atrás, marcas de osteomielite, uma doença óssea que pode ser causada por bactérias, vírus, fungos ou protozoários.

    Os ossos não contêm sinais de regeneração, o que aponta que os animais morreram com a doença ainda em curso, provavelmente em decorrência dela. O estudo foi publicado na revista The Anatomical Record.

    “Existiam poucos achados de doenças infecciosas em saurópodes, o primeiro tendo sido publicado recentemente. Os ossos que analisamos são muito próximos entre si no tempo e de um mesmo sítio paleontológico, o que sugere que a região ofereceu condições para que patógenos infectassem muitos indivíduos naquele período”, conta Tito Aureliano, primeiro autor do estudo e pesquisador da Universidade Regional do Cariri (Urca), no Crato (CE).

    Lesões analisadas

    Uma das lesões ficou restrita à medula. Os outros ossos, também encontrados entre 2006 e 2023 no sítio Vaca Morta, contêm marcas de lesões que vão da medula até a parte externa. As lesões apresentam textura esponjosa e indicam a presença de vascularização na região, o que as diferencia de outras patologias ósseas, como osteossarcoma e neoplasia óssea — dois tipos de câncer que afetam esse tecido.

    Os pesquisadores ainda não identificaram sinais de cicatrização, processo que substitui o tecido ósseo perdido na lesão por um novo. Esse tipo de regeneração costuma aparecer com frequência no registro fóssil, especialmente em ossos que sofreram mordidas de outros dinossauros.

    No osso fossilizado de cerca de 80 milhões de anos, as setas indicadas por BL apontam a lesão causada por osteomielite. HB é a parte não lesionada e MB é a medula óssea (imagem: Tito Aureliano et al./The Anatomical Record)

    No osso fossilizado de cerca de 80 milhões de anos, as setas indicadas por BL apontam a lesão causada por osteomielite. HB é a parte não lesionada e MB é a medula óssea (imagem: Tito Aureliano et al./The Anatomical Record)

    Análises

    O estudo contou com apoio do Instituto de Estudos dos Hymenoptera Parasitoides da Região Sudeste Brasileira (IEHYPA-Sudeste), um Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela FAPESP.

    No IEHYPA-Sudeste, coordenado por Angélica Maria Penteado Martins Dias, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), os pesquisadores analisaram os ossos por meio de microscópio eletrônico de varredura (SEM) e estereomicroscópio.

    Três manifestações de osteomielite ainda desconhecidas foram identificadas nos fósseis. Um conjunto continha pequenas protrusões, elevações do osso ou “calombos”, em formato circular.

    Outras protrusões tinham um padrão semelhante ao de impressões digitais, num formato de elipse. Por fim, um terceiro conjunto tinha marcas redondas e largas maiores do que todas as outras. “Essas lesões podiam se conectar com músculos e pele e ficarem expostas, vertendo sangue ou pus”, explica Aureliano.

    Não foi possível identificar quais eram exatamente os ossos analisados. Apenas que um era uma costela e os outros eram da parte inferior dos membros, tanto de espécies pequenas quanto de gigantes. Também não foi possível identificar uma possível causa para as infecções.

    Primeiro caso descrito

    Em um trabalho publicado em 2021 na Cretaceous Research, os pesquisadores haviam descrito o primeiro caso de infecção óssea causada por um parasita sanguíneo e que também resultou em osteomielite. Os ossos, naquele caso, eram de um pequeno saurópode, Ibirania parva, encontrado no mesmo local dos fósseis analisados agora.

    A região é conhecida como Formação São José do Rio Preto. Isso por englobar municípios como o de mesmo nome. E tinha clima árido, com rios rasos e lentos, além de grandes poças de água parada. Nesses ambientes, muitos dinossauros ficavam atolados e morriam, gerando os fósseis.

    “Esse ambiente provavelmente favoreceu patógenos, que podem ter sido transmitidos por mosquitos ou pela própria água que era ingerida pela fauna, que incluía dinossauros, tartarugas e animais similares aos crocodilos atuais”, diz Aureliano.

    O autor aponta ainda que as evidências trazidas pelo estudo podem ser úteis tanto em futuros trabalhos de paleontologia como de arqueologia, ao apresentar as diferentes manifestações de uma mesma doença nos ossos e diferenciá-la de outras.

    Os autores Tito Aureliano e Aline Ghilardi apresentam um vídeo sobre o trabalho no canal Colecionadores de Ossos.

    Matéria de André Julião | Agência FAPESP

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  • Ginkgo biloba – a árvore medicinal milenar

    Ginkgo biloba – a árvore medicinal milenar

    O Ginkgo biloba, conhecido como “fóssil vivo”, é uma das espécies de árvores mais antigas do planeta, com uma linhagem que remonta a mais de 290 milhões de anos, muito antes da era dos dinossauros. Este notável exemplar da natureza não apenas resistiu a catástrofes ambientais, como também sobreviveu à devastação causada pela bomba atômica em Hiroshima.

    No dia 6 de agosto de 1945, quando a bomba “Little Boy” foi lançada sobre Hiroshima, as temperaturas na área atingiram impressionantes 3.900 graus Celsius, resultando em destruição instantânea para tudo que estava no raio da explosão. Entretanto, seis árvores de Ginkgo biloba, localizadas a cerca de um quilômetro do epicentro, resistiram ao impacto. Embora tenham sofrido danos severos, essas árvores recuperaram-se em poucos meses, demonstrando uma resiliência extraordinária.

    Árvore em frente ao prédio de ministério do governo do Japão. Reprodução site oficial Japão

    Ela também é conhecida pelos nomes populares nogueira-do-japão, árvore-avenca ou simplesmente ginkgo. Tem origem chinesa e é símbolo de paz e longevidade por ter sobrevivido às explosões atômicas no Japão.

    História evolutiva e características

    O Ginkgo biloba é frequentemente chamado de “fóssil vivo” devido à sua estabilidade evolutiva. Fósseis datados do período Jurássico mostram folhas quase idênticas às das ginkgos modernas, evidenciando sua resistência ao longo das eras. Durante milhões de anos, essas árvores prosperaram em Laurasia, o supercontinente do hemisfério norte, até que o evento de extinção do Cretáceo-Paleógeno eliminou os dinossauros e muitas outras formas de vida.

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    Após essa extinção em massa, os ginkgos enfrentaram um declínio populacional, reduzindo-se a áreas isoladas na China. A espécie quase desapareceu até que grupos de monges budistas começaram a cultivá-los por suas qualidades medicinais e estéticas.

    Importância cultural e atualidade

    Hoje, agricultores cultivam ginkgos em várias partes do mundo, valorizando sua resistência à poluição e pragas. Essas árvores se adaptam facilmente a ambientes urbanos, aparecendo com frequência em parques e ruas das cidades. Além disso, muitas pessoas utilizam suas folhas em suplementos alimentares por conta das propriedades antioxidantes.

    A longevidade dos ginkgos é notável; muitos exemplares vivem por mais de mil anos e não apresentam sinais claros de envelhecimento biológico. Estudos recentes indicam que mesmo ginkgos com 600 anos mantêm vitalidade comparável à dos jovens.

    O Ginkgo biloba não é apenas uma árvore antiga; é um símbolo de resistência e adaptação às adversidades. Sua capacidade de sobreviver a desastres naturais e mudanças climáticas ao longo dos milênios faz dela um exemplo fascinante da evolução e da resiliência da vida na Terra. Com o aumento das preocupações ambientais, o estudo e a preservação dessa espécie se tornam cada vez mais relevantes para entender como as plantas podem prosperar em um mundo em constante mudança. E ela tem uma outra característica, que são suas propriedades medicinais.

    Propriedades medicinais do ginkgo biloba: benefícios e cuidados

    O Ginkgo biloba, uma das plantas medicinais mais antigas do mundo, é amplamente reconhecido por suas propriedades terapêuticas. Com uma história de uso que remonta a milhares de anos, especialmente na medicina tradicional chinesa, essa árvore notável tem ganhado popularidade no Ocidente devido aos seus diversos benefícios à saúde.

    Benefícios do Ginkgo biloba

    • Melhora da Circulação Sanguínea: O Ginkgo biloba é conhecido por promover a dilatação dos vasos sanguíneos, o que melhora a circulação sanguínea. Isso pode ser particularmente benéfico para pessoas que sofrem de problemas circulatórios, como dores nas pernas e sensação de peso.
    • Aumento da Capacidade Cognitiva: Estudos indicam que o extrato de Ginkgo biloba pode ajudar a melhorar a memória e a função cognitiva, especialmente em idosos. A planta auxilia na proteção das células nervosas e na redução dos efeitos dos radicais livres, que podem contribuir para doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
    • Redução da Ansiedade e Depressão: O Ginkgo biloba pode ajudar a equilibrar os níveis hormonais e reduzir os sintomas de ansiedade e depressão, tornando-se um aliado no manejo do estresse.
    • Saúde Ocular: Devido à sua capacidade de melhorar a circulação sanguínea, o Ginkgo biloba pode proteger áreas sensíveis dos olhos, como a retina, ajudando na prevenção de problemas como glaucoma e degeneração macular.
    • Regulação da Pressão Arterial: A planta pode auxiliar na redução da pressão arterial ao promover a dilatação dos vasos sanguíneos e melhorar o fluxo sanguíneo.
    • Aumento da Libido: O Ginkgo biloba também auxilia no aumento da libido, especialmente em homens com disfunção erétil, pois melhora o fluxo sanguíneo para a região genital.

    Formas de consumo

    Ginkgo biloba aparece em várias formas, como cápsulas, extratos líquidos e chás. O uso exige orientação médica, especialmente para quem toma anticoagulantes ou apresenta condições de saúde específicas.

    Embora o Ginkgo biloba ofereça muitos benefícios, também apresenta contraindicações. Gestantes, lactantes e pessoas com menos de 18 anos devem evitar o consumo. Indivíduos que utilizam medicamentos anticoagulantes ou antiplaquetários também precisam evitar o uso, pois isso aumenta o risco de hemorragias.

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    Efeitos colaterais potenciais incluem dor de cabeça, tontura, diarreia e reações alérgicas. Por isso, é essencial consultar um profissional de saúde antes de iniciar qualquer tratamento com Ginkgo biloba.

    O Ginkgo biloba se destaca não apenas como um “fóssil vivo”, mas também como uma planta medicinal com propriedades valiosas para a saúde humana. Sua capacidade de melhorar a circulação sanguínea e apoiar funções cognitivas torna-o um recurso significativo na fitoterapia moderna. Contudo, seu uso deve sempre ser orientado por profissionais qualificados para garantir segurança e eficácia.