Tag: diagnóstico molecular

  • Diagnóstico molecular se torna aliado contra doenças aviárias

    Diagnóstico molecular se torna aliado contra doenças aviárias

    A gripe aviária ampliou a atenção sobre a importância do diagnóstico precoce na produção animal e reforçou o papel da biologia molecular na vigilância sanitária. Técnicas como a PCR em tempo real permitem identificar agentes infecciosos antes mesmo do surgimento dos primeiros sinais clínicos. Com isso, produtores, profissionais da medicina veterinária e autoridades sanitárias conseguem agir com mais rapidez diante de possíveis ameaças aos plantéis.

    Para Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, empresa brasileira especializada em soluções para diagnóstico molecular, a mudança acompanha um cenário em que a sanidade animal passou a exigir monitoramento cada vez mais preciso e contínuo. Segundo ela, os desafios enfrentados pelos aviários estão relacionados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e também à necessidade de reduzir o uso de antibióticos.

    “Os desafios de sanidade e controle de doenças em aviários estão cada vez mais ligados à intensificação da produção, à disseminação global de patógenos e à necessidade de reduzir o uso de antibióticos”, afirma Tatiani.

    Na avaliação da especialista, a vigilância molecular permite antecipar a identificação de agentes causadores de doenças. Dessa forma, a produção pode responder mais rapidamente diante de um risco sanitário, reduzindo a possibilidade de perdas e fortalecendo as medidas de controle.

    “Com a vigilância molecular, hoje conseguimos identificar a presença do agente causador muito antes da manifestação clínica, permitindo decisões rápidas que reduzem perdas produtivas, minimizam riscos sanitários e fortalecem toda a cadeia do agronegócio”, explica.

    A preocupação ganhou força diante da experiência recente com a influenza aviária de alta patogenicidade, considerada uma das principais ameaças à produção animal global. O cenário reforçou a necessidade de ampliar a vigilância laboratorial e adotar ferramentas capazes de identificar a circulação de agentes infecciosos com maior antecedência.

    Vigilância molecular amplia capacidade de prevenção

    De acordo com Tatiani, o diagnóstico molecular não se limita à identificação inicial de um agente infeccioso. A tecnologia também permite caracterizar geneticamente vírus e bactérias, acompanhar mutações, identificar variantes e compreender as possíveis rotas de disseminação dos patógenos.

    Essas informações ajudam a orientar decisões relacionadas à biossegurança e aos programas sanitários. Na prática, o monitoramento oferece elementos para que produtores e autoridades possam avaliar riscos e definir estratégias de controle de maneira mais rápida e precisa.

    A especialista avalia que a experiência com doenças de grande impacto econômico demonstrou a importância de investir em prevenção antes que um surto esteja instalado. Entre os exemplos estão a própria influenza aviária, a peste suína africana e a febre aftosa.

    Para a avicultura, esse acompanhamento contínuo representa uma ferramenta adicional de proteção dos plantéis. Além disso, a capacidade de identificar riscos com antecedência pode contribuir para reduzir impactos econômicos e preservar a regularidade das operações.

    “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais”, destaca Tatiani.

    A afirmação resume uma mudança de estratégia na sanidade animal. Em vez de concentrar as ações apenas na resposta a uma doença já manifestada, a vigilância molecular permite trabalhar com uma lógica de acompanhamento permanente.

    Diagnóstico molecular chega a outras doenças

    A evolução das ferramentas de diagnóstico também ampliou o uso dos exames moleculares para outras enfermidades de importância econômica. Além da influenza aviária, os testes vêm sendo utilizados na detecção de doenças como brucelose, tuberculose bovina, leptospirose, mastite e diarreia neonatal.

    Tatiani explica que a ampliação dessas aplicações acompanha a necessidade de diagnósticos mais rápidos e precisos na medicina veterinária. A identificação antecipada de agentes pode apoiar decisões clínicas e contribuir para um controle sanitário mais eficiente dos rebanhos.

    Esse movimento também ganha relevância diante das exigências dos mercados internacionais. A manutenção de padrões sanitários rigorosos é um fator importante para a competitividade da agropecuária brasileira. Por isso, a capacidade de monitorar doenças e demonstrar controle sanitário contribui para proteger a produção e manter a confiança dos compradores.

    Na visão da especialista, o diagnóstico molecular tende a ocupar um espaço cada vez mais permanente na rotina da produção animal. O objetivo é transformar a vigilância em uma prática contínua, capaz de identificar riscos antes que eles provoquem impactos maiores.

    “Depois de eventos como a influenza aviária, ficou claro que esperar os primeiros sintomas significa agir tarde demais. O diagnóstico molecular passou a ser um investimento permanente em biossegurança, porque monitorar continuamente custa muito menos do que lidar com os prejuízos provocados por um surto sanitário”, afirma Tatiani.

    A adoção dessas ferramentas, portanto, amplia a capacidade de prevenção e resposta da cadeia produtiva. Na avicultura, o diagnóstico precoce se soma às medidas de biossegurança para reduzir riscos e proteger os plantéis.

    Ao mesmo tempo, o uso contínuo da vigilância molecular pode contribuir para preservar a produtividade, reduzir perdas e fortalecer a posição da produção brasileira no mercado internacional. Assim, o diagnóstico deixa de ser apenas uma etapa diante de uma suspeita e passa a integrar uma estratégia permanente de proteção da atividade agropecuária.

  • Diagnóstico molecular fortalece combate à brucelose

    Diagnóstico molecular fortalece combate à brucelose

    O diagnóstico molecular da brucelose ganha cada vez mais espaço na pecuária brasileira. A tecnologia acelera a identificação da doença e fortalece as ações de vigilância sanitária. Dados do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal (PNCEBT), atualizados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em outubro de 2025, mostram que a enfermidade ainda apresenta diferentes níveis de ocorrência entre os estados. Por isso, especialistas defendem métodos mais rápidos e precisos para ampliar o controle da doença.

    A classificação do PNCEBT considera o risco epidemiológico em cada estado. Para isso, o programa analisa a prevalência de focos e a efetividade das ações de defesa sanitária. Santa Catarina é o principal destaque. O estado registrou prevalência de apenas 0,9% dos focos e tornou-se o único do País enquadrado na categoria de menor risco para brucelose bovina e bubalina.

    Além dos prejuízos econômicos, a enfermidade preocupa por seu impacto na saúde pública. Isso ocorre porque a brucelose é uma zoonose e também pode atingir seres humanos.

    Diagnóstico molecular da brucelose amplia a precisão

    Segundo Tatiani Janegitz, gerente de Desenvolvimento de Mercado – Agronegócio da Loccus, o Brasil avançou nos programas de controle. No entanto, ainda existem diferenças importantes entre as regiões.

    “Embora o Brasil tenha avançado nos programas de controle da brucelose, os dados mostram que a doença ainda apresenta comportamentos distintos entre os estados. Por isso, é cada vez mais importante investir em diagnósticos mais rápidos e precisos, capazes de apoiar decisões sanitárias em tempo oportuno e reduzir a circulação do agente nos rebanhos”, afirma.

    A rapidez na identificação dos animais infectados faz diferença no combate à enfermidade. Quanto menor o tempo entre a coleta da amostra e o resultado do exame, mais rapidamente as equipes sanitárias conseguem agir. Dessa forma, elas isolam os animais positivos, realizam a investigação epidemiológica e evitam novos focos nas propriedades.

    Os laboratórios ainda utilizam amplamente os métodos sorológicos tradicionais. Entretanto, em algumas situações, esses exames exigem análises complementares. Como consequência, o diagnóstico pode demorar mais. Nesse cenário, o diagnóstico molecular da brucelose permite identificar diretamente o material genético da bactéria. Assim, os profissionais obtêm resultados com mais rapidez e precisão.

    Tecnologia fortalece a vigilância sanitária

    A bactéria do gênero Brucella provoca a doença e afeta principalmente bovinos e bubalinos. Entre os principais prejuízos estão abortamentos, nascimento de animais debilitados, redução das taxas de prenhez, descarte precoce de matrizes e queda da produtividade nas propriedades rurais.

    Apesar dos avanços nos programas sanitários, o MAPA aponta desafios importantes. Entre eles estão o tamanho dos rebanhos, a cobertura vacinal, os diferentes sistemas de produção e a estrutura dos serviços veterinários. Esses fatores influenciam o controle da doença em todo o País.

    Ao mesmo tempo, cresce a demanda por exames laboratoriais. Por isso, a modernização dos laboratórios tornou-se estratégica. A automação e o diagnóstico molecular da brucelose ampliam a capacidade de processamento das análises. Além disso, padronizam procedimentos e reduzem o tempo necessário para a emissão dos resultados.

    “As ferramentas moleculares e os sistemas automatizados estão transformando a rotina laboratorial ao permitir maior produtividade, padronização dos processos e rapidez na obtenção dos resultados. Isso fortalece os programas de vigilância sanitária e amplia a capacidade de resposta diante de doenças que impactam tanto a produção animal quanto a saúde pública”, destaca Tatiani.

    Por fim, especialistas avaliam que a combinação entre vacinação, monitoramento epidemiológico, fiscalização e diagnóstico molecular da brucelose fortalece o controle da enfermidade. Com isso, o setor reduz a circulação do agente infeccioso, protege os rebanhos e amplia a competitividade da pecuária brasileira.