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  • Dia Mundial da Agricultura: Brasil bate recordes no agronegócio

    Dia Mundial da Agricultura: Brasil bate recordes no agronegócio

    O Brasil consolidou sua posição como uma das maiores potências agrícolas do mundo. Em 2025, o agronegócio brasileiro registrou US$ 169,2 bilhões em exportações, respondendo por 48,5% de tudo que o país vendeu ao exterior, segundo dados da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI). Os números foram divulgados nesta sexta-feira (20), data em que o mundo celebra o Dia Mundial da Agricultura.

    A Secretaria de Política Agrícola (SPA) estima que a produção brasileira de grãos na safra 2025/26 chegará a 353,4 milhões de toneladas, o maior volume da história do país. Com isso, o Brasil abastece hoje cerca de 10% da população mundial, distribuída pelos cinco continentes.

    Entre os produtos de maior impacto no mercado global estão soja, milho, açúcar, algodão e suco de laranja. No café, a liderança é absoluta: o Brasil é o maior produtor e exportador mundial, com exportações anuais de aproximadamente 40 milhões de sacas. Algo próximo a 35% de todo o consumo global.

    Política e investimento

    O Plano Safra 2025/2026 destinou R$ 516 bilhões ao setor agropecuário, o maior volume já registrado. Entre os principais instrumentos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estão a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), o crédito rural, o incentivo à abertura de novos mercados e o fomento a práticas de baixa emissão de carbono.

    “O Brasil reúne capacidade produtiva, inovação e sustentabilidade para seguir como um dos principais fornecedores de alimentos do mundo”, afirmou o ministro Carlos Fávaro.

    Ciência, defesa e rastreabilidade

    Pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) foram decisivas para o desenvolvimento de uma agricultura tropical de alta produtividade e competitividade. Já o sistema de defesa agropecuária, coordenado pelo Mapa, assegura a qualidade e a inocuidade dos produtos por meio de rastreabilidade, monitoramento de resíduos e fiscalização contínua ao longo de toda a cadeia produtiva, garantia tanto para o consumidor interno quanto para os mercados internacionais.

  • Dia Mundial da Agricultura: um dia de reflexão e trabalho

    Dia Mundial da Agricultura: um dia de reflexão e trabalho

    No Dia Mundial da Agricultura, mais do que celebrar conquistas, é preciso fazer uma reflexão honesta sobre os caminhos que estamos trilhando — e, principalmente, sobre os obstáculos que ainda insistem em limitar o pleno potencial do campo brasileiro. Do ponto de vista de quem está na lida diária, produzindo, investindo e assumindo riscos, o cenário é claro: avançamos muito dentro da porteira, mas seguimos travados fora dela.

    A agricultura brasileira é, hoje, uma das mais tecnológicas do mundo. Uma simples semente de soja carrega anos de pesquisa científica, inovação genética e desenvolvimento tecnológico. Mesmo plantas consideradas invasoras, como o joio, já são objeto de estudos avançados. O campo deixou de ser apenas força física e passou a ser inteligência aplicada, gestão de dados e precisão. Ainda assim, o setor não recebe a devida atenção quando o assunto é política pública voltada à alta tecnologia. Falta reconhecimento prático de que o agro moderno exige instrumentos compatíveis com seu nível de complexidade.

    Essa desconexão se reflete, por exemplo, na ausência de um Plano Safra de longo prazo. O modelo atual, um remendo renovado ano a ano, não oferece previsibilidade para o produtor rural, que precisa planejar investimentos de médio e longo prazo. Sem segurança, o risco aumenta — e o custo também. Soma-se a isso a necessidade urgente de taxas de juros mais condizentes com a realidade da atividade agropecuária. Produzir alimentos não pode ser tratado como uma operação financeira de alto risco; a segurança alimentar é uma atividade estratégica para o país e para o mundo.

    Outro gargalo histórico, e ainda não resolvido, é a infraestrutura. A dependência quase exclusiva do transporte rodoviário encarece o escoamento da produção e reduz a competitividade brasileira no mercado global. Investir em ferrovias não é apenas uma alternativa — é uma necessidade. Da mesma forma, a falta de estrutura adequada de armazenamento obriga o produtor a comercializar sua produção em momentos desfavoráveis, pressionando ainda mais suas margens.

    E se os desafios estruturais já não fossem suficientes, o produtor rural enfrenta, cada vez mais, os impactos das mudanças climáticas. Secas prolongadas, chuvas intensas e eventos extremos se tornaram parte da rotina no campo. No entanto, o Brasil ainda carece de um sistema de seguro rural robusto, acessível e eficiente. Na prática, o risco climático continua sendo quase integralmente absorvido por quem produz, o que compromete a sustentabilidade da atividade. Ao contrário dos Estados Unidos, onde quase 90% da produção é coberta, no Brasil esse índice chega, quando muito, próximo a 10%.

    O resultado é um cenário preocupante: mesmo com ganhos expressivos de produtividade e adoção de tecnologia de ponta, garantidos por uma resiliência sem tamanho do produtor, ele vê sua margem de lucratividade encolher — e, em muitos casos, se tornar negativa. Isso evidencia que o problema não está na capacidade de produção, mas no ambiente em que ela está inserida. Falta uma política estruturada, contínua e integrada que dê suporte real ao setor.

    Neste Dia da Agricultura, o que os mais de 15 milhões de produtores rurais pedem não é privilégio, mas coerência. É o reconhecimento de que o agro é parte essencial da economia brasileira e precisa ser tratado como tal. É necessário construir um verdadeiro Projeto Brasil para o campo, com planejamento de longo prazo, crédito adequado, seguro rural eficiente e investimentos consistentes em infraestrutura e inovação.

    O produtor já faz a sua parte — e faz bem, garantindo a sustentabilidade e preservação do meio ambiente, cuidadndo da água e da terra como nenhum outro – afinal este é seu maior patrimônio. O Brasil, agora, precisa fazer a sua. Celebrar a agricultura é importante, mas garantir condições para que ela continue sendo um motor de desenvolvimento é fundamental. Sem isso, o risco é transformar uma potência produtiva em um gigante limitado pelas próprias omissões. Neste dia simbólico, fica o recado de quem vive da terra: o futuro da agricultura depende das decisões que tomarmos agora.

    Tirso Meirelles, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp)