Tag: desmatamento ilegal

  • Nova regra do MPF aperta controle sobre origem do gado na Amazônia

    Nova regra do MPF aperta controle sobre origem do gado na Amazônia

    O Ministério Público Federal (MPF) adiou para janeiro de 2027 o início de uma nova etapa de controle da origem do gado comercializado por frigoríficos na Amazônia.

    A medida amplia o alcance do TAC da Carne Legal para os chamados fornecedores indiretos, propriedades que vendem bovinos a fazendas que, posteriormente, fornecem os animais aos frigoríficos.

    A mudança busca aumentar a rastreabilidade da cadeia bovina e identificar gado proveniente de propriedades com irregularidades socioambientais, como desmatamento ilegal, embargos ambientais ou sobreposição com áreas protegidas.

    O cronograma inicialmente divulgado pelo MPF previa o início da contabilização dessas operações em julho de 2026. A implementação, porém, foi prorrogada em seis meses para ampliar o período de adaptação dos produtores e frigoríficos.

    O que são fornecedores indiretos de gado?

    O foco inicial será nos chamados fornecedores indiretos de primeiro nível.

    São propriedades rurais que movimentaram bovinos ou bubalinos para um fornecedor direto nos 24 meses anteriores à aquisição do lote pelo frigorífico.

    Na prática, o fornecedor direto é a fazenda que vende os animais ao frigorífico. Já o indireto aparece em uma etapa anterior da cadeia, fornecendo animais para essa propriedade.

    Esse elo é considerado um dos principais desafios para a rastreabilidade da pecuária porque um bovino pode passar por diferentes propriedades entre as fases de cria, recria e engorda antes de chegar ao abate.

    Como será feito o controle?

    O sistema deverá cruzar informações relacionadas à movimentação e à situação socioambiental das propriedades rurais.

    Entre as bases utilizadas no controle estão informações das Guias de Trânsito Animal (GTAs), do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de outras bases públicas.

    O desenvolvimento técnico da solução conta com participação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e de outras instituições que apoiam o TAC da Carne Legal.

    Pela metodologia apresentada pelo MPF, um fornecedor direto poderá receber um alerta quando tiver adquirido volume considerado significativo de animais provenientes de fornecedores indiretos em desacordo com os critérios socioambientais.

    Inicialmente, esse limite foi estabelecido em:

    • mais de 30% do total adquirido pelo fornecedor direto na janela analisada;
    • 50 cabeças de gado, quando esse número representar um limite menor.

    O protocolo prevê a redução gradual dessa tolerância ao longo da implementação do sistema.

    Controle começa de forma gradual

    A implementação não significa que os frigoríficos passarão imediatamente a bloquear produtores em janeiro de 2027.

    A primeira etapa será destinada à contabilização das movimentações entre fornecedores indiretos e diretos, criando uma base para as análises posteriores.

    Segundo o cronograma divulgado após o adiamento:

    • janeiro de 2027: início da contabilização das transações dos fornecedores indiretos;
    • janeiro de 2028: início das análises e emissão de relatórios preliminares, inicialmente informativos;
    • julho de 2028: previsão de início dos Relatórios de Alerta sobre Fornecedores Indiretos, que poderão gerar consequências comerciais para fornecedores em situação irregular.

    O calendário deve ser acompanhado porque o protocolo está sendo implantado de maneira gradual e pode receber novos ajustes.

    Frigorífico poderá bloquear fornecedor direto

    Quando as regras de bloqueio estiverem em vigor, o impacto comercial recairá inicialmente sobre o fornecedor direto.

    Caso o sistema identifique volume relevante de gado proveniente de propriedades indiretas fora dos critérios estabelecidos pelo TAC, o frigorífico poderá deixar de comprar animais daquele fornecedor até que a situação seja justificada ou regularizada.

    Entre os mecanismos previstos pelo MPF para permitir a retomada das negociações estão a comprovação de que o fornecedor indireto voltou a atender aos critérios socioambientais ou a apresentação de documentos e certidões que demonstrem sua regularidade na data da operação.

    TAC da Carne já controla compras diretas

    O TAC da Carne Legal estabelece compromissos socioambientais para frigoríficos que atuam na Amazônia e já é utilizado para avaliar as compras diretas de bovinos.

    As empresas participantes devem adotar mecanismos para evitar a aquisição de animais provenientes de propriedades relacionadas a desmatamento ilegal, embargos ambientais, invasão de áreas protegidas ou outras irregularidades previstas no protocolo.

    O desafio dos fornecedores indiretos é maior porque frigoríficos normalmente têm acesso direto aos dados da propriedade responsável pela venda final do animal, mas não necessariamente a todas as fazendas pelas quais o bovino passou anteriormente.

    Dados divulgados pelo próprio MPF em 2025 indicaram que frigoríficos participantes do TAC e submetidos a auditorias independentes registraram nível significativamente menor de irregularidades em comparação com empresas avaliadas por verificações automáticas.

  • Selo Verde-ES: nova plataforma garante transparência ambiental no campo

    Selo Verde-ES: nova plataforma garante transparência ambiental no campo

    O Espírito Santo acaba de lançar uma ferramenta inovadora para produtores rurais: a Plataforma Selo Verde-ES. Desenvolvida pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) em parceria com a Secretaria de Agricultura (Seag), o sistema oferece certificação digital gratuita que comprova a regularidade socioambiental de propriedades rurais.

    A plataforma cruza dados oficiais do CAR, Ibama e Idaf para verificar se há desmatamento ilegal em imóveis rurais. Se a propriedade estiver regular, emite uma Certidão de Regularidade Ambiental com QR Code para consulta pública.

    Como funciona na prática

    Qualquer produtor com CAR pode acessar a plataforma. Basta inserir o número de inscrição no sistema. Em segundos, o Selo Verde-ES informa se a propriedade está conforme a lei. Se houver irregularidades, o sistema aponta o problema para agilizar a regularização.

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    Vantagens para produtores e mercado:
    • Facilita exportação para a União Europeia, que exige comprovação de origem sem desmatamento;
    • Permite participação em programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA);
    • Reduz risco de penalidades e embargos por falhas ambientais.
    • Compradores e investidores ganham segurança ao adquirir produtos de origem verificada. O ES consolida sua imagem como produtor sustentável e competitivo.

    Enio Bergoli, secretário estadual de Agricultura, destaca: “O Selo Verde-ES prova nosso compromisso com produção sustentável. São mais de 121 mil imóveis rurais prontos para mercados exigentes.”

    Já Leonardo Monteiro, diretor-geral do Idaf, enfatiza: “A ferramenta incentiva o compromisso socioambiental e atende à regulamentação europeia contra desmatamento.”

    O programa recebeu financiamento da União Europeia via Al Invest Verde. Estados como Minas Gerais e Pará já usam sistemas similares. Acre, Tocantins e Mato Grosso do Sul estão na fila.

    Como acessar

    Produtores rurais podem emitir a certidão diretamente pelo site:

    https://seloverde.idaf.es.gov.br/

  • Pará firma parceria com empresas para impulsionar pecuária sustentável

    Pará firma parceria com empresas para impulsionar pecuária sustentável

    O Governo do Pará anunciou nesta quinta-feira (24) uma aliança estratégica com grandes empresas do setor alimentício para impulsionar o Programa Pecuária Sustentável do Pará. Entre os signatários estão o Grupo Carrefour Brasil, a JBS, e os frigoríficos Rio Maria e Mafrinorte. A iniciativa visa implementar a rastreabilidade individual do rebanho bovino paraense – do nascimento ao abate – até 2026, garantindo transparência e combate ao desmatamento ilegal.

    O programa é pioneiro no Brasil e busca alinhar desenvolvimento econômico, preservação ambiental e bem-estar social. As empresas envolvidas se comprometem a incentivar a produção de carne livre de desmatamento, apoiar pequenos e médios produtores e informar os consumidores sobre os diferenciais da carne rastreada.

    Investimentos e tecnologia para rastreabilidade

    O Grupo Carrefour Brasil investirá R$ 10 milhões na aquisição de brincos eletrônicos e chips para alimentar o Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará (SRBIPA), lançado em 2024. Além disso, a empresa oferecerá assessoria gratuita para a regularização de fazendas, em parceria com a JBS.

    pecuária sustentável
    Hana Ghassan, Vice-Governadora do Pará; Helder Barbalho, Governador do Pará; Stéphane Maquaire, CEO do Grupo Carrefour Brasil; e Raul Protázio, Secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará.

    A partir do segundo semestre de 2025, as lojas do Carrefour no Pará serão as primeiras a vender carne com a certificação do programa. “A proteção do planeta e da biodiversidade é um dos pilares da nossa estratégia. Temos um papel fundamental em agendas colaborativas de alto impacto”, afirmou Stéphane Maquaire, CEO do Grupo Carrefour Brasil.

    Pará como referência em pecuária sustentável

    O Pará possui o segundo maior rebanho bovino do Brasil, com 25 milhões de cabeças, segundo dados do IBGE (2023). O governador Helder Barbalho destacou que o estado já registra avanços: “Reduzimos o desmatamento sem perder produtividade. Em março, atingimos a menor área desmatada desde 2019. Isso prova que estamos no caminho certo.”

    A JBS, por sua vez, reforçou seu compromisso com a pecuária de baixo carbono no estado, em parceria com ONGs como The Nature Conservancy (TNC). “Estamos investindo em rastreabilidade e regularização ambiental para fortalecer a pecuária sustentável”, disse Bruno Brainer, diretor de operações da Friboi na região Norte.

    Frigoríficos como agentes de transformação

    O Frigorífico Rio Maria, que já participa de um projeto piloto de rastreabilidade, destacou a importância da iniciativa:

    “A rastreabilidade é uma exigência do futuro. Produzir com responsabilidade agrega valor à cadeia da carne e do couro”, afirmou Roberto Paulinelli, presidente da empresa.

    A rastreabilidade é crucial para atender às exigências de mercados como União Europeia e China, que demandam comprovação de origem sustentável. O programa posiciona o Pará como um líder em produção responsável, abrindo portas para novos negócios globais.

    Com essa iniciativa, o estado avança na integração entre produtividade e conservação, reforçando seu papel na agenda climática global.

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