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  • Agro amplia acesso ao mercado de capitais

    Agro amplia acesso ao mercado de capitais

    O Ministério da Agricultura firmou acordo com a Comissão de Valores Mobiliários para ampliar o financiamento do agro. Além disso, a parceria busca expandir o acesso do setor agropecuário ao mercado de capitais. Segundo o Ministério, o convênio prevê compartilhamento de conhecimento técnico e aprimoramento de diagnósticos e análises. Também inclui a formulação e disseminação de ações para ampliar o financiamento das atividades agropecuárias.

    A Secretaria de Política Agrícola coordenará o acordo, com apoio de áreas técnicas do Ministério e da CVM. Por outro lado, a Superintendência de Securitização e Agronegócio da CVM participará das ações previstas.

    O Ministério destacou que parte relevante dos recursos do agro já vem do mercado de títulos e valores mobiliários. Assim, a Pasta considera a parceria estratégica para fortalecer o setor agropecuário. O acordo terá duração inicial de dois anos, com possibilidade de prorrogação por aditivo.

    Em uma rede social, o diretor Tiago Dahdah afirmou que ampliar fontes de financiamento fortalece competitividade, inovação e sustentabilidade. Além disso, ele disse que o acordo aproxima o agronegócio do mercado de capitais. Segundo Dahdah, a iniciativa melhora diagnósticos, análises e ações voltadas ao financiamento privado. Ele também destacou a importância de novos instrumentos diante das restrições fiscais ao crédito oficial. Por fim, o diretor afirmou que o financiamento privado complementa o crédito rural e moderniza o agro brasileiro.

     

  • Artigo: CVM avalia liberar crowdfunding para produtores rurais,

    Artigo: CVM avalia liberar crowdfunding para produtores rurais,

    O Brasil é uma potência mundial na produção de alimentos, mas ainda enfrenta um gargalo histórico: o acesso a capital no campo. Embora o agronegócio represente mais de 25% do PIB nacional, o crédito rural continua altamente concentrado em poucos agentes e dependente de linhas bancárias tradicionais.

    Esse cenário pode estar prestes a mudar. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu a Consulta Pública nº 05/2025, que propõe modernizar a Resolução CVM nº 88/2022 — norma que regula o crowdfunding de investimento — e autorizar produtores rurais a captar recursos diretamente com investidores, por meio de plataformas reguladas. A medida tem potencial de democratizar o crédito agrícola, aproximar o mercado de capitais da economia real e reduzir a dependência histórica de bancos, criando uma porta de entrada de financiamento para o pequeno e médio produtor rural.

    Atualmente, apenas pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 40 milhões podem recorrer ao modelo de captação simplificada, conforme a Resolução CVM nº 88/22. A nova regra, se aprovada, permitiria que produtores levantassem até R$ 2,5 milhões por safra em plataformas reguladas, com total transparência e supervisão da autarquia.

    Esse movimento ocorre em um momento de transformação estrutural no agro. Entre março de 2023 e março de 2025, o patrimônio líquido dos Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagro) cresceu 204%, saltando de R$ 14,7 bilhões para R$ 44,7 bilhões, enquanto os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) avançaram 42%, de R$ 110 bilhões para R$ 156 bilhões, segundo dados da CVM. O mercado financeiro já entendeu que o agro é estratégico — e agora é o momento de o produtor ocupar o mesmo espaço.

    Um novo modelo de financiamento para o agro

    Se implementada, a proposta da CVM representará o início de um novo ciclo de financiamento rural. O produtor passará a ser visto como uma “empresa”, capaz de acessar o mercado de capitais, emitir títulos e se comunicar com investidores de forma direta.

    Isso exigirá governança, transparência e gestão profissionalizada. O produtor precisará manter a separação entre contas pessoais e empresariais, estruturar relatórios financeiros e adotar boas práticas contábeis. Mas esse processo de formalização é positivo, ajuda a construir reputação, histórico de crédito e acesso a capital em condições mais competitivas.

    Outro ponto essencial é a segurança jurídica dos recebíveis rurais. CPRs, contratos de barter e fluxos futuros de produção ainda enfrentam desafios de registro e execução. Para que o modelo funcione, será preciso garantir que as plataformas, registradoras e cartórios atuem de forma integrada, oferecendo clareza e proteção tanto ao produtor quanto ao investidor.

    Desafios e oportunidades

    O sucesso dessa nova etapa dependerá da maturidade de todo o ecossistema. As plataformas de investimento coletivo terão papel decisivo ao aprimorar seus processos de análise de crédito, gestão de risco agrícola e due diligence, incorporando variáveis como produtividade, clima e histórico de safra.

    Também será necessário investir em educação financeira e capacitação dos produtores, para que compreendam conceitos de compliance, governança e relacionamento com investidores. Mais do que captar recursos, trata-se de formar uma nova geração de empreendedores rurais, protagonistas do próprio crescimento.

    O campo no centro da inovação

    A proposta da CVM vem em um momento em que o agronegócio brasileiro busca se conectar a temas como inovação, sustentabilidade e transição verde. Modelos como o crowdfunding podem ser ferramentas poderosas para financiar tecnologias regenerativas, bioinsumos, agricultura sintrópica, gestão de carbono e monitoramento climático, áreas em que startups e produtores de ponta já estão atuando. O campo começa a ocupar o espaço que merece no mercado de capitais. Levar o investidor urbano para o agro é um passo decisivo para financiar a transição sustentável e fortalecer o pequeno e médio produtor.

    Mais do que uma atualização regulatória, trata-se de um projeto de inclusão financeira, tecnológica e ambiental — um agro conectado ao mercado de capitais e ao futuro.

    Henrique Galvani, CEO da Arara Seed

    Henrique Galvani é sócio-fundador e CEO da Arara Seed, primeira plataforma de equity crowdfunding voltada exclusivamente para startups do agronegócio. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade Paulista, Galvani atua há 10 anos no setor, com passagens pelo Grupo BLB e pela BLB Ventures. Em 2024, foi reconhecido pela Forbes como um dos talentos do agro na lista Under 30.

    Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente a opinião do Agro em Campo e de seus editores.

  • CVM aprova dupla listagem da JBS no Brasil e EUA

    CVM aprova dupla listagem da JBS no Brasil e EUA

    A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizou o registro da JBS N.V. como emissora estrangeira. A autarquia também aprovou o Programa de BDRs Nível II da companhia e sua negociação na B3. Com isso, a JBS dá mais um passo rumo à dupla listagem no Brasil e nos Estados Unidos.

    No mês passado, a empresa já havia conquistado o registro na SEC (Securities and Exchange Commission), órgão regulador do mercado financeiro americano.

    Ações

    Agora, as ações da JBS seguirão disponíveis na B3 até 6 de junho. Já os BDRs da JBS N.V. começam a ser negociados na B3 em 9 de junho. Por fim, a expectativa é que as ações da companhia estreiem na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) no dia 12 de junho.

    No último dia 23, acionistas minoritários aprovaram a proposta de dupla listagem em assembleia extraordinária. A medida representa um marco histórico para a JBS, fundada há 72 anos no interior do Brasil.

    Segundo a companhia, a mudança busca destravar valor, ampliar a capacidade de investimento e adequar a estrutura de capital ao perfil global da empresa. A companhia também destaca o compromisso com a disciplina financeira.

    “A dupla listagem é o caminho para explorarmos nosso potencial no mercado global de alimentos”, afirma Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS. Ele destaca que a estratégia fortalece a diversificação de proteínas e geografias, com foco em marcas fortes e produtos de valor agregado.

    Atualmente, a JBS está entre as maiores empresas de alimentos do mundo. Possui mais de 250 fábricas em 17 países, atende mais de 300 mil clientes e exporta para mais de 180 países. Fundada em 1953, a companhia emprega 280 mil pessoas ao redor do mundo.

    O CFO da empresa, Guilherme Cavalcanti, reforça que a nova estrutura deve ampliar o acesso a investidores. “Teremos condições de captar recursos a custos menores, acelerando nossa estratégia de crescimento”, afirma.

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