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  • Fretes sobem com safra recorde e exportações aquecidas

    Fretes sobem com safra recorde e exportações aquecidas

    Os custos de transporte aumentaram em agosto em diversas regiões produtoras. A alta acompanha a movimentação recorde de grãos, insumos e fertilizantes. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), exportações aquecidas e forte demanda por caminhões mantêm os fretes em tendência de alta. Ao mesmo tempo, a colheita da segunda safra de milho também pressiona a logística nacional.

    Milho sustenta mercado interno e pressiona logística

    O Brasil deve colher safra recorde de 137 milhões de toneladas de milho em 2025. Mesmo assim, os preços internos seguem firmes. O consumo doméstico deve alcançar 90,2 milhões de toneladas. Em geral, o atraso na colheita retardou a entrada do cereal nos armazéns e sustentou as cotações.

    As exportações cresceram em ritmo acelerado. Apenas em julho, os embarques somaram 2,43 milhões de toneladas, contra 370 mil em junho. De janeiro a julho, as vendas externas acumularam 11,9 milhões de toneladas. O porto de Santos concentrou 24,7% desse volume. Os portos do Arco Norte reduziram participação para 34,7%, enquanto Paranaguá, São Francisco do Sul e Rio Grande ampliaram a fatia.

    Soja mantém exportações com demanda chinesa

    Produtores de soja apostam em contratos de entrega futura, esperando queda nos fretes com maior oferta de caminhões nos próximos meses. As exportações de soja somaram 77,4 milhões de toneladas entre janeiro e julho. A demanda chinesa segue como principal motor dos embarques. O porto de Santos respondeu por 35,9% das exportações. Já o Arco Norte escoou 38,2% da soja nacional.

    A soja argentina perdeu competitividade, favorecendo ainda mais o produto brasileiro no mercado internacional.

    Farelo de soja tem suporte na indústria doméstica

    A indústria nacional de esmagamento deve absorver 57 milhões de toneladas de soja em 2025, contra 52,7 milhões em 2024. Portanto, essa demanda interna sustenta os preços do farelo, mesmo com exportações levemente menores. Até julho, o volume embarcado somou 13,3 milhões de toneladas.

    Santos e Paranaguá permanecem como principais portos de saída do derivado da soja.

    Fertilizantes registram importações recordes no Brasil

    As importações de adubos e fertilizantes alcançaram 24,2 milhões de toneladas entre janeiro e julho, alta de 8,86% sobre 2024. Em julho, os embarques chegaram a 4,8 milhões de toneladas, maior marca da série histórica.
    O porto de Paranaguá liderou as entradas, com 6,34 milhões de toneladas, seguido pelos terminais do Arco Norte e de Santos.
    A alta nos preços internacionais e a incerteza sobre a compra indiana de ureia levaram produtores a adiar aquisições. Ou seja, esse movimento pode impactar a disponibilidade de insumos para a próxima safra brasileira.

    Fretes variam por região, mas tendência segue de alta

    Em julho, a Conab registrou comportamentos diferentes nos preços de frete entre os estados produtores de grãos.
    No Distrito Federal e no Maranhão, as cotações recuaram após a colheita da soja. Na Bahia, houve estabilidade em Irecê e Paripiranga.
    Já Luís Eduardo Magalhães registrou alta, puxada pelo fluxo de grãos e algodão para portos e mercado interno.
    Em Minas Gerais, a variação foi heterogênea: algumas rotas tiveram alta de até 9%, enquanto outras registraram queda.
    Nos principais polos produtores, prevaleceu a pressão de alta. Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Piauí e São Paulo tiveram elevação nos preços.
    A demanda forte por caminhões e a colheita concentrada explicam o encarecimento. Em algumas rotas, também houve influência dos reajustes da ANTT.
    Em resumo, para os produtores, o aumento do frete representa mais um desafio. Eles buscam equilibrar custos logísticos e rentabilidade em meio à safra intensa.

  • Ovo atinge preço mais alto em 22 meses no Brasil

    Ovo atinge preço mais alto em 22 meses no Brasil

    O preço do ovo no Brasil alcançou o patamar mais elevado em 22 meses, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Em fevereiro de 2025, a caixa com 30 dúzias de ovos brancos chegou a R$ 227, um aumento de 61% no mesmo período . O cenário combina fatores climáticos, custos de produção e demanda sazonal, criando um desafio para consumidores e produtores.

    As ondas de calor recordes no verão brasileiro afetaram diretamente a produtividade das galinhas. Com temperaturas acima de 40°C em algumas regiões, as aves sofrem estresse térmico, desviando energia para regular a temperatura corporal e reduzindo a postura em 5% a 10%. Para mitigar o problema, granjas investiram em climatização, mantendo os galpões a 10°C, mas o custo adicional pressionou ainda mais os preços.

    Milho e soja: ração mais cara eleva custo

    A ração, composta principalmente por milho (60%) e soja (30%), registrou aumentos significativos. A saca de milho de 60 kg subiu 32% desde setembro de 2024, alcançando R$ 79 em fevereiro. Somam-se a isso os custos de embalagens, que dispararam mais de 100% em oito meses, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) 68. “O repasse aos preços finais tornou-se inevitável”, destacou o Instituto Ovos Brasil.

    A proximidade da Quaresma (5 de março a 17 de abril) tradicionalmente impulsiona o consumo de ovos, já que muitos católicos substituem carnes vermelhas por proteínas brancas. Além disso, o retorno das aulas aumentou a demanda por merendas escolares, enquanto a alta nos preços da carne bovina levou consumidores a optarem pelo ovo como alternativa.

    Exportações e produção interna: impacto limitado, mas em alerta

    Embora as exportações de ovos brasileiros para os EUA tenham crescido 22,1% em janeiro (220 toneladas), elas representam menos de 1% da produção nacional. A ABPA ressalta que o mercado interno ainda é prioritário, com expectativa de produzir 59 bilhões de unidades em 2025. No entanto, especialistas alertam que um aumento contínuo nas vendas externas poderá tensionar a oferta doméstica. Ainda mais com a  crise do preço dos ovos que ocorre nos Estados Unidos.

    Perspectivas: quando o preço deve cair?

    A ABPA projeta normalização dos preços a partir de meados de abril, após o fim da Quaresma, com o reequilíbrio entre oferta e demanda. Para 2025, estima-se aumento de 3,4% na produção, o que pode estabilizar os valores. Além disso, a expectativa de maior oferta de milho e soja no mercado interno deve aliviar os custos de ração.

    Impacto no bolso do consumidor

    • Consumo per capita: Em 2025, o brasileiro deve consumir 272 ovos/ano, ante 242 em 2023.
    • Peso dos ovos: Nova regulamentação reduziu o peso médio em 10 gramas por unidade, afetando o custo-benefício.

    Enquanto isso, supermercados relatam alta de até 40% nos preços atacadistas, com cartelas sendo vendidas a R$ 30 em algumas regiões. Para especialistas, o cenário reforça a importância de políticas que equilibrem custos de produção e acesso a alimentos essenciais.

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