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  • Agro sob ataque: Selic alta e custos não dão trégua no campo

    Agro sob ataque: Selic alta e custos não dão trégua no campo

    A desaceleração no ritmo de queda da taxa básica de juros no Brasil, combinada à pressão internacional sobre insumos e ao ambiente fiscal doméstico mais sensível, já impacta o planejamento do agronegócio para 2026. A avaliação é de Wolney Arruda, administrador de empresas e presidente da Plantae Agrocrédito, com atuação no mercado de crédito rural há mais de duas décadas.

    Em entrevista ao Agro em Campo ele aponta para um cenário de crédito mais caro, custos elevados e maior incerteza para o produtor rural.

    Segundo o especialista, a combinação entre tensões geopolíticas, sobretudo envolvendo o Irã, e a limitação fiscal do governo brasileiro tende a manter o custo do dinheiro elevado por mais tempo. Isso afeta diretamente o acesso ao crédito rural e amplia os desafios para a próxima safra.

    Juros, cenário macro e crédito

    A redução menor da Selic muda o cenário para o agro em 2026?

    Muda bastante. O mercado esperava cortes mais agressivos, o que ajudaria a aliviar o custo do crédito. Com um ritmo mais lento, o produtor precisa se preparar para juros elevados por mais tempo.

    O que pesa mais hoje: risco fiscal ou cenário externo?

    Os dois fatores são relevantes, mas o fiscal tem um peso estrutural. Ele influencia diretamente a percepção de risco do país e limita a atuação do Banco Central.

    Existe risco de interrupção no ciclo de queda dos juros?

    Existe, principalmente se houver nova pressão inflacionária vinda de energia ou insumos agrícolas.

    Como esse cenário impacta o custo do dinheiro no campo?

    Ele encarece todas as linhas, tanto subsidiadas quanto livres, e reduz o acesso ao crédito em condições favoráveis.

    Geopolítica e custo dos insumos

    Como o conflito envolvendo o Irã impacta os fertilizantes?

    O Irã é um player relevante na produção de nitrogenados. Qualquer restrição de oferta pressiona os preços globais.

    O Brasil está muito dependente de insumos externos?

    Sim, especialmente em fertilizantes. Isso torna o país vulnerável a choques internacionais.

    Há alternativa no curto prazo?

    No curto prazo, não. A dependência é estrutural e exige tempo e investimento para ser reduzida.

    O risco no Estreito de Ormuz já afeta o diesel?

    Ainda de forma indireta, mas o mercado já precifica essa possibilidade, o que sustenta a volatilidade.

    Wolney Arruda, presidente da Plantae Agrocrédito

    Custos, produção e margens

    Qual é hoje o principal fator de pressão de custos?

    É um conjunto: fertilizantes, diesel e crédito. Todos estão pressionados ao mesmo tempo.

    Esse cenário pode mudar decisões do produtor?

    Sem dúvida. Pode levar à redução de área ou à escolha de culturas menos intensivas em insumos.

    Quais culturas são mais sensíveis?

    Milho e trigo, por exemplo, dependem mais de fertilizantes nitrogenados.

    O produtor está preparado para margens menores?

    Os mais capitalizados sim, mas uma parcela relevante ainda opera com pouca margem de segurança.

    Crédito rural e financiamento

    Como a Selic mais alta afeta o Plano Safra?

    Aumenta o custo de equalização para o governo, o que pode limitar a oferta de crédito subsidiado.

    A migração para crédito livre deve crescer?

    Sim, é uma tendência, principalmente entre produtores de maior porte.

    Quais os riscos dessa migração?

    Maior exposição à volatilidade dos juros e menor previsibilidade no custo financeiro.

    Pequenos e médios produtores serão mais impactados?

    Devem ser os mais afetados, porque têm menos acesso a alternativas de financiamento.

    Estratégia e perspectivas

    Como o produtor deve se posicionar agora?

    Com mais cautela, planejamento financeiro rigoroso e atenção ao custo de produção.

    Ferramentas de proteção ganham mais importância?

    Sim, hedge e gestão de risco passam a ser essenciais nesse ambiente.

    O agro brasileiro perde competitividade?

    Não necessariamente, mas enfrenta um ambiente mais desafiador.

    Esse cenário é conjuntural ou estrutural?

    Tem elementos dos dois. A geopolítica pode se ajustar, mas a questão fiscal tende a ser mais persistente.

    O que esperar para 2026 no campo?

    Um ano de decisões mais complexas, margens apertadas e maior necessidade de gestão profissional.

  • Cana-de-açúcar: produtores buscam novas estratégias para cortar custos no campo

    Cana-de-açúcar: produtores buscam novas estratégias para cortar custos no campo

    Produtores de cana-de-açúcar têm intensificado o uso de tecnologia e novas estratégias de manejo para enfrentar o aumento dos custos e melhorar a eficiência no campo.

    Esse movimento ganha destaque no Cana Summit 2026, que acontece nos dias 15 e 16 de abril, em Ribeirão Preto, reunindo especialistas e lideranças do setor.

    Tecnologia entra no planejamento

    Nos últimos anos, produtores passaram a adotar práticas mais avançadas para garantir maior estabilidade na produção. Nesse contexto, a irrigação e os sistemas integrados vêm ganhando espaço no planejamento agrícola.

    Essas soluções aumentam a previsibilidade da safra e, ao mesmo tempo, contribuem para a conservação do solo e o uso mais eficiente da água. Além disso, tecnologias como monitoramento climático e agricultura de precisão permitem decisões mais rápidas e assertivas no campo.

    Segundo estudos da Embrapa, a incorporação dessas ferramentas já está diretamente ligada ao aumento de produtividade e à redução de perdas em diferentes regiões produtoras.

    Encontro em Ribeirão Preto vai discutir práticas que impulsionam eficiência e rentabilidade na canavicultura. (Imagem: Divulgação)

    Eficiência virou prioridade

    Com o aumento dos custos de produção, o setor passou a priorizar eficiência em todas as etapas.

    Diante desse cenário, produtores ajustam o manejo, investem em adubação mais precisa e revisam o planejamento agrícola. Além disso, buscam otimizar o uso de insumos, o que ajuda a reduzir desperdícios e melhorar o resultado final.

    Ao mesmo tempo, a pressão por rentabilidade faz com que cada decisão no campo tenha impacto direto no desempenho da safra. Por isso, a combinação entre tecnologia e boas práticas tende a definir os resultados nos próximos ciclos.

    Especialistas discutem caminhos

    Para avançar nessas estratégias, o evento reúne especialistas de instituições como Embrapa, Centro de Tecnologia Canavieira e Unesp.

    Durante o painel, os participantes apresentam experiências práticas e, além disso, discutem alternativas para aumentar a produtividade sem elevar custos. Dessa forma, o encontro busca aproximar conhecimento técnico da realidade do produtor.

    Setor busca novas soluções

    Atualmente, o setor sucroenergético passa por um momento de adaptação. Por isso, produtores procuram soluções que tragam ganho de eficiência sem pressionar ainda mais os custos.

    Nesse cenário, tecnologias ligadas à irrigação, ao plantio e ao manejo ganham protagonismo. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por práticas mais sustentáveis, que também ajudam a manter a produtividade no longo prazo.

    O evento, realizado pela ORPLANA, marca ainda os 50 anos da entidade. Além disso, a escolha de Ribeirão Preto reforça o peso da região na produção de cana no país.

    Serviço

    Cana Summit 2026
    15 e 16 de abril de 2026
    Taiwan Centro de Eventos
    Avenida Dr. Francisco Gugliano, 2.710 – Ribeirão Preto

     

  • Queda no preço da ureia muda estratégia de compra de fertilizantes

    Queda no preço da ureia muda estratégia de compra de fertilizantes

    O mercado de fertilizantes nitrogenados passa por uma reconfiguração. Com uma queda acumulada de aproximadamente 18% nos preços da ureia nos portos brasileiros desde o final de agosto, os produtores rurais começam a reavaliar suas estratégias de compra para a próxima safra. A informação consta no relatório semanal da StoneX, empresa global de serviços financeiros.

    Ao longo de 2025, os altos custos fizeram muitos agricultores migrarem para fertilizantes de menor concentração, como o sulfato de amônio (SAM), em busca de melhor custo-benefício. Agora, a forte desvalorização da ureia está revertendo esse movimento.

    Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, explica que a demanda global mais fraca e uma oferta estável nos principais países produtores pressionaram as cotações para baixo. “Em algumas semanas, a retração superou US$ 10 por tonelada, o que evidencia a falta de sustentação dos preços no mercado internacional”, detalha Pernías.

    Retomada da competitividade e incertezas para 2026

    A queda de preço devolveu à ureia a competitividade frente a alternativas como o SAM e o nitrato de amônio (NAM). Este movimento se acentuou porque a própria demanda pelo sulfato de amônio elevou suas cotações nas últimas semanas.

    No entanto, ainda persistem dúvidas sobre a preferência dos compradores brasileiros em 2026. A StoneX alerta que um volume significativo de SAM já está programado para chegar ao país, o que deve garantir oferta abundante no curto prazo. A decisão final entre os tipos de fertilizante dependerá da trajetória de preços nos próximos meses.

    Cenário global pode trazer volatilidade

    Além da dinâmica interna, fatores internacionais exigem atenção. O período de aplicação de fertilizantes nos Estados Unidos e na China deve movimentar o mercado global. Outro ponto crítico é a demanda da Índia, cujas grandes licitações costumam causar volatilidade nos preços mundiais.

    Pernías conclui com um alerta aos compradores: “É fundamental acompanhar de perto esses movimentos. Eventos como as compras indianas e a sazonalidade de grandes consumidores podem gerar oscilações importantes e impactar diretamente os custos de aquisição no Brasil”.

  • Alta da amônia e do enxofre ameaça custo da produção agrícola no Brasil

    Alta da amônia e do enxofre ameaça custo da produção agrícola no Brasil

    O mercado de fertilizantes enfrenta um novo período de turbulência e custos ascendentes. Os preços da amônia e do enxofre, dois insumos críticos para a produção de fertilizantes, dispararam nas últimas semanas, elevando os custos de produção e desafiam a competitividade da indústria e dos agricultores brasileiros.

    De acordo com o mais recente relatório da StoneX, empresa global de análise de mercado, a situação é crítica. Na Europa, a amônia anota 14 semanas seguidas de valorização.

    No Brasil, o cenário não é diferente: o preço do enxofre nos portos nacionais superou a marca de US$ 300 por tonelada, um patamar não visto desde 2022, no auge dos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia.

    Em entrevista, o analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, explica que, embora a alta não se reflita imediatamente no preço final dos fertilizantes, a pressão sobre a cadeia é significativa. “Com relações de troca já nos piores patamares dos últimos anos, esse cenário representa mais um desafio para a indústria e é profundamente preocupante para os agricultores”, afirmou Pernías.

    O que está por trás da alta dos preços?

    A escalada dos preços tem origens distintas, porém convergentes. No caso da amônia, o movimento é impulsionado por uma oferta global mais apertada. Paralisações em fábricas, manutenções programadas e cortes no fornecimento de gás natural em países produtores restringiram a disponibilidade do produto no mercado internacional.

    Já a valorização do enxofre é alimentada por uma demanda internacional aquecida. Este insumo é vital para a produção de SSP, ácido sulfúrico e ácido fosfórico – essencial para fertilizantes fosfatados populares como MAP e DAP. “Com o interesse comprador aquecido, as cotações avançaram na China e no Brasil”, pontuou o analista.

    Impactos e previsões para o mercado de fertilizantes

    O cenário de custos elevados cria um ambiente de incerteza. Pernías alerta que os preços altos da amônia e do enxofre podem reduzir a competitividade de fabricantes que já enfrentam desafios estruturais ou que têm menor capacidade de repassar os custos.

    “Este movimento pode limitar recuos mais fortes nas cotações dos fertilizantes. Os custos elevados reduzem a disposição dos produtores em cortar preços, sob o risco de comprimir ainda mais suas margens”, concluiu o especialista.

  • Prepare o bolso: preço da carne atinge recordes

    Prepare o bolso: preço da carne atinge recordes

    Os preços do suíno vivo seguem em alta, atingindo novos recordes nominais na série histórica do Cepea. Em termos reais, as médias atuais são as maiores desde 2020. Pesquisadores do Cepea afirmam que a maior liquidez no mercado de carne impulsiona frigoríficos a adquirirem mais lotes para abate.

    A alta nos preços da carne bovina também estimula a demanda interna por suínos. Além disso, a oferta doméstica está limitada, cenário agravado pelo bom desempenho das exportações. Em outubro, foram embarcadas 129,7 mil toneladas de carne suína, o segundo maior volume da série histórica da Secex, iniciada em 1997.

    Boi gordo: carcaça casada bate recordes diários

    Desde 1º de novembro, o preço da carcaça casada bovina ultrapassa R$ 22 por quilo, alcançando novos recordes diários. Segundo o Cepea, a demanda aquecida reflete fatores macroeconômicos, como a queda do desemprego, e a proximidade das festas de fim de ano. Isso leva varejistas a reforçar estoques, pagando preços mais altos no atacado.

    No mercado de boi gordo, a dificuldade de adquirir novos animais pressiona a indústria a aumentar os valores da arroba. Além disso, frigoríficos estão reduzindo prazos de pagamento para garantir o abastecimento. O Indicador do boi gordo CEPEA/B3 registra alta acumulada de mais de 5% em novembro.

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    Frango: poder de compra frente ao milho cai ao menor nível

    O poder de compra dos avicultores paulistas em relação ao milho é o mais baixo desde abril de 2023. Conforme o Cepea, o cenário reflete a valorização interna do milho e o enfraquecimento dos preços do frango vivo. Além disso, a média parcial de novembro mostra queda em comparação ao mês anterior.

    Apesar de certa estabilidade nos preços do frango, alguns agentes, visando desovar estoques, reduziram valores. Já no mercado de milho, a forte demanda doméstica e a valorização internacional sustentam as altas nos preços.