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  • Eficiência redefine o lucro no agro brasileiro

    Eficiência redefine o lucro no agro brasileiro

    O agronegócio brasileiro atravessa, em 2026, uma mudança estrutural no modelo de crescimento. Embora a projeção aponte uma safra recorde de 354,4 milhões de toneladas, produzir mais deixou de ser garantia de maior rentabilidade. Isso ocorre porque o aumento dos custos de insumos, os juros elevados e a maior complexidade operacional comprimem as margens. Assim, uma nova lógica se impõe ao setor: a busca por eficiência.

    Nesse contexto, tecnologia e gestão baseada em dados passam a ocupar papel central na estratégia de produtores e agroindústrias. Além disso, a necessidade de controle mais rigoroso altera a forma como decisões são tomadas no campo.

    Para entender essa virada e seus impactos práticos, o Agro em Campo conversou com Fabiano Ferreira, CEO do Grupo Komvos. Segundo ele, o momento exige uma mudança de mentalidade para sustentar resultados.

    Mudança de lógica no campo

    O que mudou no agronegócio brasileiro nos últimos anos?

    De acordo com Ferreira, a principal mudança é conceitual. Durante muito tempo, o crescimento esteve diretamente ligado ao aumento da produção. No entanto, esse modelo deixou de se sustentar. Hoje, o produtor pode colher mais e, ainda assim, ganhar menos. Portanto, o foco saiu da expansão e passou para a preservação de margem.

    Por que produzir mais já não garante lucro?

    Os custos cresceram em ritmo acelerado. Insumos, crédito e operação ficaram mais caros. Além disso, o ambiente se tornou mais complexo, com maior exigência de controle e eficiência. Como resultado, o impacto positivo do aumento de produção sobre o resultado final diminuiu.

    Qual é o novo foco estratégico do setor?

    A eficiência operacional passou a ser prioridade. Isso significa controlar custos, reduzir perdas e melhorar a qualidade das decisões. Ou seja, não basta produzir bem; é preciso operar com precisão. Caso contrário, a competitividade tende a cair.

    Como a tecnologia entra nesse cenário?

    A tecnologia deixa de ser suporte e assume papel protagonista. Sistemas integrados de gestão conectam campo, financeiro, logística e pessoas. Dessa forma, o produtor ganha visão ampla do negócio e consegue agir com mais rapidez.

    Fabiano Ferreira, CEO do Grupo Komvos – Foto: Arquivo Pessoal/ Divulgação

    A gestão baseada em dados já é realidade no campo?

    Ela avança rapidamente. Empresas mais estruturadas já operam com dados em tempo real. Por outro lado, quem ainda depende apenas de percepção ou experiência isolada começa a perder espaço.

    Decisão antecipada e previsibilidade

    Quais são as principais inovações tecnológicas?

    Ferramentas de inteligência artificial e simulação de cenários ganham destaque. Com elas, é possível antecipar decisões antes mesmo da execução. Por exemplo, o produtor pode avaliar riscos climáticos, operacionais e financeiros antes do plantio.

    Isso muda o nível de risco da atividade?

    Sim, e de forma significativa. Quando cenários são antecipados, as incertezas diminuem. Consequentemente, a eficiência aumenta e a margem fica mais protegida.

    O mercado também está mais exigente?

    Sem dúvida. Rastreabilidade, conformidade e sustentabilidade deixaram de ser diferenciais. Agora, são exigências. Nesse sentido, cresce a necessidade de controle sobre toda a operação.

    Qual é o impacto para o produtor?

    Ele precisa profissionalizar a gestão. Hoje, decisões sem base em dados representam risco direto à rentabilidade. Em outras palavras, quem não mede, perde margem.

    E para as agroindústrias?

    O desafio está na integração da cadeia. Desde a produção até a entrega, tudo precisa estar conectado. Assim, a previsibilidade se torna um ativo estratégico.

    Competitividade e futuro do setor

    Os números do agro ainda são positivos?

    Sim. Em 2025, o setor movimentou US$ 169,2 bilhões em exportações. Esse resultado reforça a relevância econômica. No entanto, faturamento alto não significa, necessariamente, rentabilidade elevada.

    Onde está a nova vantagem competitiva?

    Na capacidade de operar melhor. Integrar dados, antecipar cenários e decidir com velocidade e precisão são fatores determinantes. Portanto, eficiência se torna o principal diferencial competitivo.

    Eficiência virou regra?

    Mais do que isso. Virou condição de sobrevivência. Não se trata mais de tendência, mas do mínimo necessário para permanecer no mercado.

    Qual é o papel das empresas de tecnologia?

    Garantir controle e previsibilidade. Não basta oferecer sistemas. É fundamental permitir decisões mais qualificadas em tempo real.

    Eventos do setor ajudam?

    Sim. Feiras e encontros ampliam o acesso à inovação. Além disso, aceleram a adoção de novas práticas, pois permitem visualizar aplicações concretas no dia a dia. Assim, a transformação em curso reposiciona o agronegócio brasileiro diante de um ambiente mais desafiador

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  • Alta global de fertilizantes aperta o bolso do produtor rural brasileiro

    Alta global de fertilizantes aperta o bolso do produtor rural brasileiro

    A forte demanda internacional por fertilizantes mantém os preços em patamares elevados no início de 2026, pressionando o custo de produção no campo e reduzindo o poder de compra do agricultor brasileiro. Dados da consultoria StoneX mostram uma piora significativa nas relações de troca, obrigando os produtores a desembolsar mais sacas de grãos para adquirir a mesma quantidade de insumos.

    Atualmente, o agricultor precisa vender cerca de 36 sacas de milho para comprar uma tonelada de uréia. Um aumento de cinco sacas em relação a janeiro. No caso da soja, a situação se repete: são necessárias quase 29 sacas para adquirir uma tonelada de MAP, também cinco sacas a mais que no começo do ano.

    Fatores globais que sustentam os preços

    O analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Tomás Pernías, explica que o movimento reflete a valorização dos fertilizantes no mercado internacional. “Os principais países consumidores se preparam para a temporada de adubação da primavera no Hemisfério Norte. Este movimento sustenta os preços e impacta diretamente o Brasil”, destaca.

    Dois gigantes influenciam fortemente o mercado:

    • Estados Unidos: buscam garantir estoques para as aplicações da primavera, aumentando a demanda.
    • China: amplia suas compras internas e reduz o volume de exportações, restringindo a oferta global.

    Outro agente crucial é a Índia, que realiza grandes licitações de compra de ureia. “A expectativa de novas compras indianas reforçou a percepção de um mercado firme”, completa Pernías.

    Cautela e incerteza no mercado doméstico

    No Brasil, com o fim da janela de compra para a safrinha e um longo intervalo até a safra 2026/27 de soja, os produtores adotam postura cautelosa e tendem a adiar decisões, na esperança de condições mais favoráveis.

    No entanto, o analista da StoneX faz um alerta: não há garantias de melhora significativa no curto prazo. “A demanda norte-americana e chinesa pode perder força em algum momento, mas o apetite comprador do Brasil e da Índia tende a crescer ao longo do ano. Isso pode continuar sustentando os preços”, avalia Pernías.

    O cenário indica que os agricultores brasileiros continuarão enfrentando um ambiente de decisões complexas e custos elevados com fertilizantes. Pelo menos durante os primeiros meses de 2026.