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  • São Paulo tem a cesta básica mais cara do Brasil

    São Paulo tem a cesta básica mais cara do Brasil

    Comer em São Paulo nunca foi barato, mas os números de fevereiro de 2026 reforçam o peso dessa realidade. Uma cesta básica na capital paulista custou R$ 852,87, o equivalente a 56,88% do rendimento mensal de quem recebe o salário mínimo. O dado integra a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

    São Paulo lidera o ranking das cestas mais caras do país, seguida por Rio de Janeiro (R$ 826,98), Florianópolis (R$ 797,53) e Cuiabá (R$ 793,77). Na outra ponta, as menores médias ficam com Aracaju (R$ 562,88), Porto Velho (R$ 601,69) e Maceió (R$ 603,92), capitais do Norte e Nordeste onde a composição da cesta é diferente.

    Quase metade do mês trabalhando para comer

    O impacto não aparece só no bolso, ele também se mede em tempo. Em fevereiro, um trabalhador com salário mínimo em São Paulo precisou dedicar 115 horas e 45 minutos de trabalho por mês apenas para comprar a cesta básica, o maior tempo entre todas as capitais pesquisadas. Rio de Janeiro (112h14) e Florianópolis (108h14) aparecem logo atrás. Em Aracaju, esse tempo cai para 76 horas e 23 minutos, a menor marca do ranking.

    Na média nacional, o trabalhador brasileiro comprometeu 46,13% do rendimento líquido com alimentação básica em fevereiro. O dado considera o desconto de 7,5% da Previdência Social sobre o salário mínimo de R$ 1.621.

    Queda pequena demais para aliviar

    O custo da cesta em São Paulo recuou 0,18% em relação a janeiro, com oito dos 13 produtos pesquisados registrando queda. Tomate (-6,08%), açúcar refinado (-3,52%) e café em pó (-2,98%) lideraram as reduções. Porém o alívio não chegou a todos os itens: feijão carioca, carne bovina, pão francês, manteiga e leite integral ficaram mais caros no período.

    No acumulado de 12 meses, café e feijão registraram altas expressivas e continuam pressionando o orçamento. Arroz, batata e leite apresentaram queda no período, mas o recuo não foi suficiente para aliviar de forma significativa o custo total da cesta.

    O salário ideal x o salário real

    Os dados escancararam a distância entre o que o trabalhador recebe e o que precisaria ganhar. Com base no custo da cesta de São Paulo e na determinação constitucional de que o salário mínimo deve cobrir alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, lazer e previdência de uma família, o Dieese estima que o piso nacional deveria ser de R$ 7.164,94 em fevereiro de 2026. Ou 4,42 vezes o salário atual de R$ 1.621.

    Em fevereiro de 2025, o comprometimento da renda com a cesta básica em São Paulo chegava a 61,28%. A queda para 56,88% em fevereiro de 2026 indica que o trabalhador paulista passou a comprar mais com uma fatia menor do salário. Avanço real, mas ainda insuficiente para garantir segurança alimentar a quem vive no limite do mínimo.

  • Cesta básica fica mais barata em 9 capitais

    Cesta básica fica mais barata em 9 capitais

     

    A cesta básica de alimentos ficou mais barata em nove capitais brasileiras durante dezembro de 2025, puxada principalmente pela queda nos preços de leite, arroz, açúcar, café e óleo de soja. Os dados fazem parte da Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preços da Cesta Básica, divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

    O levantamento, que acompanha preços em 27 capitais brasileiras, mostrou um cenário misto no último mês de 2025. Enquanto nove cidades registraram redução nos custos, 17 capitais apresentaram aumento nos valores da cesta básica. João Pessoa (PB) foi a única cidade onde o preço permaneceu estável, em R$ 597,66.

    As maiores altas foram registradas em:

    Maceió (AL): 3,19%

    Belo Horizonte (MG): 1,58%

    Salvador (BA): 1,55%

    Brasília (DF): 1,54%

    Já as quedas mais expressivas ocorreram em:

    • Porto Velho (RO): -3,60%
    • Boa Vista (RR): -2,55%
    • Rio Branco (AC): -1,54%
    • Manaus (AM): -1,43%

    São Paulo lidera ranking dos preços mais altos

    A capital paulista continua no topo da lista das cidades com cesta básica mais cara do país, atingindo R$ 845,95. Outras capitais do Centro-Sul também figuram entre as mais caras: Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06), Cuiabá (R$ 791,29) e Porto Alegre (R$ 784,22).

    Em contraste, as capitais do Norte e Nordeste apresentaram os menores valores médios, com destaque para Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69) e Porto Velho (R$ 592,01).

    Quais alimentos ficaram mais baratos?

    O arroz registrou queda em 23 das 27 capitais, com reduções mais significativas em Maceió (-6,65%) e Vitória (-6,63%). Segundo a pesquisa, o menor volume exportado e a demanda retraída contribuíram para a redução dos preços no varejo.

    O leite ficou mais barato em 22 capitais, com destaque para Curitiba, onde o preço caiu 5,61%. A maior oferta interna, impulsionada pela produção nacional e pelas importações de derivados, explicam a tendência de baixa.

    Com maior disponibilidade no mercado, o açúcar apresentou redução em 21 capitais. Teresina registrou a maior queda (-5,94%).

    O café diminuiu em 20 cidades, sendo que Palmas teve a maior redução (-3,35%). As tarifas impostas pelos Estados Unidos e as incertezas comerciais reduziram as exportações, impactando positivamente os preços internos.

    A maior oferta global de soja resultou em preços menores do óleo em 17 capitais, com destaque para Belo Horizonte (-6,68%) e São Luís (-5,90%).

    Poder de compra do salário mínimo

    Para manter uma família de quatro pessoas em dezembro de 2025, o salário mínimo necessário deveria ter sido de R$ 7.106,83. Isso é equivalente a 4,68 vezes o mínimo vigente de R$ 1.518,00.

    O trabalhador que recebe salário mínimo precisou trabalhar em média 98 horas e 41 minutos para adquirir os produtos da cesta básica, comprometendo 48,49% do rendimento líquido com alimentação.

    A parceria entre Conab e DIEESE ampliou a coleta de preços de 17 para 27 capitais brasileiras, reforçando a Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. A pesquisa completa começou a ser divulgada em agosto de 2025, oferecendo um panorama mais detalhado sobre o custo de vida nas principais cidades do país.