Tag: Curiosidades do agro

  • 18 elefantes morrem e tomates viram peça-chave de mistério

    18 elefantes morrem e tomates viram peça-chave de mistério

    A morte de 18 elefantes em uma das regiões de vida selvagem mais conhecidas do Quênia colocou até plantações de tomate no centro de uma investigação.

    Os animais morreram no ecossistema de Amboseli, no sul do país. Resultados preliminares apontaram sinais de intoxicação e levantaram a suspeita de contato com cianeto.

    Além disso, veterinários encontraram tomates no conteúdo estomacal de alguns animais. Por isso, uma das hipóteses considera a possível ingestão de alimentos contaminados.

    No entanto, a relação entre as mortes, os tomates e pesticidas agrícolas ainda não foi comprovada. Agricultores também contestam a hipótese e afirmam que não utilizam cianeto nas lavouras.

    Mortes começaram em junho

    Os primeiros casos ocorreram entre 24 de junho e 24 de julho. Inicialmente, 15 elefantes morreram. Depois, o número de animais encontrados mortos chegou a 18.

    As ocorrências atingiram áreas como o Parque Nacional de Amboseli, o Kimana Sanctuary e Kuku Ranch. A região fica próxima à fronteira com a Tanzânia e aos pés do Monte Kilimanjaro.

    Antes de morrer, alguns elefantes apresentaram sinais de paralisia e dificuldade para respirar, segundo informações do Kenya Wildlife Service (KWS).

    elefantes
    Foto: Parque Nacional Amboseli/Quênia

    Exames realizados após as mortes também identificaram alterações nos pulmões e no coração. Além disso, veterinários encontraram tomates e melancias no conteúdo estomacal dos animais.

    Agora, uma das principais perguntas da investigação é descobrir a origem do cianeto e determinar como os elefantes tiveram contato com a substância.

    Por que os tomates entraram na investigação?

    A ligação com a agricultura surgiu porque o entorno de Amboseli reúne importantes áreas de produção.

    A região de Kimana, por exemplo, possui lavouras de tomate, cebola e vagem. Parte desses alimentos abastece mercados de Nairóbi, capital do Quênia.

    Ao mesmo tempo, elefantes entram em propriedades rurais em busca de alimento. Nessas incursões, podem consumir produtos cultivados e provocar prejuízos aos agricultores.

    Foi nesse contexto que os tomates encontrados nos animais passaram a chamar atenção.

    tomates
    Foto: Rodarte/Agro em Campo

    Resultados laboratoriais preliminares indicaram possível intoxicação por cianeto. Assim, investigadores passaram a analisar se os elefantes poderiam ter ingerido alimentos contaminados em propriedades próximas às áreas de conservação.

    Entretanto, ainda falta estabelecer como ocorreu o contato com a substância.

    A ministra do Turismo e Vida Selvagem do Quênia, Rebecca Miano, ressaltou que os resultados disponíveis ainda não permitem uma conclusão.

    “Essas descobertas ainda estão sujeitas a uma verificação científica adicional antes que a investigação seja considerada concluída”, afirmou Miano, em comunicado divulgado pelo governo queniano.

    Agricultores contestam suspeita

    A possível ligação entre as mortes e as lavouras provocou reação entre produtores.

    Agricultores afirmam que não utilizam cianeto na produção. Além disso, questionam a hipótese de que pesticidas aplicados nas plantações estejam diretamente relacionados às mortes.

    Outro ponto chama atenção. Cabras, bovinos, gazelas e outros animais também circulam pelas propriedades agrícolas da região.

    por do sol na Africa
    Foto: Parque Nacional Amboseli/Quênia

    Por isso, os investigadores ainda precisam determinar a fonte da possível intoxicação e explicar por que o episódio atingiu os elefantes.

    O Kenya Wildlife Service informou ainda que o cianeto não é um ingrediente comum nos pesticidas agrícolas usados na região.

    Produtos químicos foram apreendidos

    Nos últimos dias, as autoridades ampliaram as buscas.

    Uma operação realizada em Tikondo, na área de Kimana, encontrou substâncias potencialmente tóxicas e materiais sem identificação.

    Agora, esses produtos passam por análises para determinar sua composição e descobrir se existe alguma relação com as mortes.

    Quatro pessoas foram detidas durante a investigação e posteriormente liberadas sob fiança. Além disso, as autoridades procuram outro suspeito.

    Entretanto, o governo ressaltou que as detenções não comprovam envolvimento no caso.

    “A prisão de pessoas de interesse e a recuperação de materiais não estabelecem, por si só, responsabilidade criminal”, afirmou Rebecca Miano.

    Elefantes e lavouras disputam espaço

    O episódio também expõe um problema antigo no Quênia: a convivência entre animais selvagens e propriedades agrícolas.

    A população de elefantes do país voltou a superar 36 mil animais depois de décadas de esforços de conservação e combate à caça ilegal.

    Entretanto, a expansão agrícola aumentou o contato entre comunidades rurais e esses grandes mamíferos.

    Em determinadas regiões, elefantes atravessam áreas de cultivo em busca de água e alimento. Consequentemente, uma única passagem pode representar prejuízo elevado para pequenos agricultores.

    Dados do Plano Nacional para Elefantes do Quênia mostram a dimensão do conflito. Pelo menos 1.160 elefantes morreram entre 2000 e 2020 em episódios relacionados à autodefesa ou à retaliação de comunidades.

    Em muitos desses casos, moradores tentavam proteger pessoas, propriedades ou plantações.

    Causa das 18 mortes ainda não está definida

    Apesar das suspeitas, não existe até agora uma conclusão definitiva de que tomates ou pesticidas agrícolas tenham causado a morte dos 18 elefantes.

    Os exames preliminares apontaram uma possível intoxicação. Além disso, a presença de alimentos cultivados nas propriedades próximas ajudou a direcionar parte da investigação.

    Por outro lado, ainda é necessário determinar a origem da substância e explicar como os animais tiveram contato com ela.

    Por isso, amostras dos elefantes, do ambiente e dos produtos apreendidos continuam sendo analisadas.

    Enquanto a investigação avança, o episódio chama atenção para um desafio crescente no campo. De um lado estão produtores que precisam proteger suas lavouras. Do outro, elefantes que circulam por um território cada vez mais compartilhado com propriedades rurais.

    Por enquanto, os tomates fazem parte do quebra-cabeça. A causa definitiva das 18 mortes, porém, ainda depende das análises científicas e da conclusão das autoridades quenianas.

  • Mini vacas viram fenômeno e mudam rotina de veterinários

    Mini vacas viram fenômeno e mudam rotina de veterinários

    Elas têm pelos longos, chifres e aparência de bicho de pelúcia. As chamadas mini vacas ganharam espaço como pets nos Estados Unidos e agora começam a mudar até a rotina de clínicas veterinárias.

    O movimento aparece principalmente em pequenas propriedades. Nesses locais, alguns bovinos deixaram de ter finalidade exclusivamente produtiva e passaram a receber cuidados semelhantes aos destinados aos animais de companhia.

    Com isso, clínicas acostumadas a cães e gatos começam a enxergar uma nova demanda. A tendência foi relatada pela Today’s Veterinary Business, publicação especializada em gestão e medicina veterinária.

    Além do potencial comercial, porém, o fenômeno exige cuidados. Especialistas alertam que tamanho reduzido não elimina as necessidades de um bovino. A seleção genética também merece atenção.

    Mini vacas começam a chegar aos consultórios

    Um dos casos relatados ocorreu no estado do Missouri. Uma bezerra Highland em miniatura apresentava uma lesão na coluna e precisava de atendimento.

    Os proprietários procuraram a Orchard Hills Veterinary Clinic em busca de uma segunda opinião. No entanto, havia uma diferença importante em relação ao manejo tradicional de bovinos destinados à produção.

    Para aquela família, a bezerra era um animal de companhia. “Este é o nosso animal de estimação. Não vamos abater o nosso pet”, disseram os proprietários durante o atendimento.

    Mini vaca em atendimento veterinário
    Foto: Todays Veterinary Business

     

    Diante da decisão, a médica-veterinária Hannah Gawf, proprietária da clínica, avaliou alternativas para tratar o animal.

    Uma das possibilidades envolvia um medicamento manipulado. Além disso, o produto poderia receber um sabor mais atrativo para facilitar sua administração.

    “Com certeza. Podemos mandar manipular um medicamento e dar a ele sabor de melaço”, afirmou Gawf à Today’s Veterinary Business.

    O caso ajuda a explicar por que algumas clínicas começam a olhar para esses bovinos de outra maneira.

    De animal de produção a pet

    Segundo Gawf, a procura por um atendimento individualizado para animais de grande porte vem crescendo. Dessa forma, os veterinários encontram proprietários dispostos a buscar alternativas que antes poderiam não fazer sentido econômico em sistemas produtivos.

    “Muitos tutores modernos estão buscando um atendimento mais compassivo e personalizado para seus animais de grande porte, em vez de uma abordagem tradicional voltada à produção”, explicou a veterinária.

    Essa mudança não envolve apenas as mini vacas. Cabras, ovelhas, aves e outros animais mantidos em pequenas propriedades também aparecem entre os novos pacientes.

    Ao mesmo tempo, nem todas as regiões possuem profissionais preparados para atender diferentes espécies. Portanto, a distância até um veterinário pode se tornar um problema para os proprietários.

    Médica veterinária com cavalos
    Foto: Todays Veterinary Business

    Nesse cenário, clínicas que ampliam os serviços conseguem atender uma demanda ainda pouco explorada.

    Highland chama atenção pela aparência

    Entre os bovinos que ganharam popularidade estão os Highlands e animais selecionados para apresentar menor porte.

    A raça Highland tem origem na Escócia. Segundo a Highland Cattle Society, entidade responsável pelo registro genealógico da raça no Reino Unido, esses bovinos se desenvolveram em condições ambientais difíceis e ficaram conhecidos pela rusticidade.

    A pelagem longa é uma de suas características mais marcantes. Além disso, os chifres ajudam a criar a aparência facilmente reconhecida nas redes sociais.

    Nos animais menores, essas características ganharam ainda mais apelo.

    Vídeos mostram bezerros sendo escovados, recebendo carinho e acompanhando seus proprietários. Consequentemente, o interesse ultrapassou o universo tradicional da pecuária.

    O crescimento já havia chamado atenção fora dos Estados Unidos. Em 2024, a emissora pública australiana ABC mostrou um criatório que registrou aumento de 30% nas vendas de Highlands em miniatura em um ano.

    Apesar da aparência, entretanto, especialistas alertam que esses animais continuam sendo bovinos.

    Mini vaca exige estrutura adequada

    O tamanho reduzido não significa que uma mini vaca possa ser criada nas mesmas condições de um cachorro.

    O animal precisa de espaço, água limpa, alimentação adequada e cercas capazes de garantir segurança. Além disso, a propriedade deve oferecer estrutura para o manejo veterinário.

    Outro ponto importante é o tamanho adulto.

    Um bezerro pequeno não necessariamente permanecerá com aquelas dimensões. Por isso, avaliar somente a aparência nos primeiros meses pode levar compradores a conclusões erradas.

    Nesse sentido, conhecer os pais e o histórico do animal ajuda a estimar seu desenvolvimento.

    Da mesma forma, vacinação, controle de parasitas e acompanhamento veterinário continuam necessários. O manejo também deve considerar idade, condição corporal, alimentação e ambiente.

    Genética das mini vacas preocupa especialistas

    Além dos cuidados de rotina, a popularidade dos bovinos menores trouxe uma discussão sobre genética.

    A professora Imke Tammen, da Sydney School of Veterinary Science, da Universidade de Sydney, alertou para variantes genéticas associadas à condrodisplasia em alguns bovinos comercializados como miniatura.

    A condrodisplasia afeta o desenvolvimento de cartilagens e ossos. Portanto, dependendo da variante genética e do cruzamento realizado, podem surgir problemas importantes para a saúde dos animais.

    “Se um animal herdar duas cópias do gene, isso resulta em uma manifestação muito mais grave, e eles frequentemente nascem mortos”, explicou Tammen à ABC.

    Por isso, a procedência ganha importância no momento da compra.

    Criadores responsáveis precisam acompanhar características genéticas e evitar cruzamentos que aumentem o risco de problemas hereditários. Além disso, selecionar animais apenas pelo menor tamanho pode comprometer o bem-estar.

  • Você sabia? O Nelore está em quase todo o rebanho brasileiro

    Você sabia? O Nelore está em quase todo o rebanho brasileiro

    Quando se fala em pecuária no Brasil, um nome aparece com força absoluta: o Nelore.

    Responsável por cerca de 80% do rebanho de corte nacional, a raça não apenas domina o campo, como também se tornou um dos maiores símbolos do agronegócio brasileiro. Mas, afinal, o que explica esse protagonismo?

    Uma raça que veio de longe e conquistou o Brasil

    Apesar de parecer totalmente brasileira, o Nelore tem origem na Índia. Os primeiros animais chegaram ao país ainda no século XIX e, desde então, passaram por um intenso processo de adaptação.

    Ao longo das décadas, criadores investiram em seleção genética e manejo, o que permitiu que a raça se ajustasse perfeitamente às condições do Brasil. Hoje, portanto, o Nelore é considerado essencial para o crescimento da pecuária nacional.

    Resistência que faz a diferença no campo

    Um dos principais fatores por trás do sucesso do Nelore está na sua capacidade de adaptação. Em um país de clima predominantemente tropical, essa característica se torna decisiva.

    A raça apresenta alta resistência ao calor e, além disso, maior tolerância a parasitas. Ao mesmo tempo, consegue manter bom desempenho mesmo em pastagens mais simples. Por isso, o Nelore se destaca justamente em regiões onde outras raças enfrentariam mais dificuldades.

    Eficiência que se transforma em lucro

    Além de resistente, o Nelore também se mostra altamente produtivo. Como resultado, isso impacta diretamente no bolso do produtor.

    Com o avanço do melhoramento genético, os animais passaram a ganhar peso mais rapidamente e, ao mesmo tempo, apresentar melhor desempenho reprodutivo. Consequentemente, o ciclo até o abate se tornou mais curto.

    Na prática, isso significa maior eficiência dentro da fazenda e, portanto, mais rentabilidade ao longo do tempo.

    O domínio em números

    Os números ajudam a entender a dimensão dessa liderança. Atualmente, cerca de 80% do rebanho de corte brasileiro possui genética Nelore, enquanto o país soma mais de 200 milhões de cabeças de gado.

    Além disso, a raça está presente em praticamente todas as regiões. Por esse motivo, torna-se impossível falar de pecuária no Brasil sem mencionar o Nelore.

    Tecnologia que impulsionou a raça

    Outro ponto fundamental para o crescimento do Nelore foi o investimento em tecnologia. Nos últimos anos, a pecuária brasileira avançou significativamente nesse aspecto.

    Técnicas como inseminação artificial e fertilização in vitro passaram a ser amplamente utilizadas. Dessa forma, os produtores conseguiram melhorar o padrão dos animais com mais rapidez e precisão.

    Como consequência, a raça passou a unir resistência e produtividade em um nível ainda mais elevado, algo essencial para o agro moderno.

    Mais que uma raça, um símbolo do agro

    Com o passar do tempo, o Nelore deixou de ser apenas um tipo de gado. Na verdade, passou a representar o próprio avanço do agronegócio brasileiro.

    Atualmente, a raça marca presença em leilões milionários, fazendas de alto padrão e grandes eventos do setor. Além disso, costuma estar associada ao crescimento econômico no campo, o que reforça ainda mais sua importância.

    Por que o Nelore domina o Brasil?

    O domínio da raça não aconteceu por acaso. Pelo contrário, ele resulta de uma combinação de fatores que trabalham em conjunto.

    A adaptação ao clima tropical, por exemplo, garante eficiência em diferentes regiões. Ao mesmo tempo, o baixo custo de manejo facilita sua adoção em larga escala. Soma-se a isso a alta produtividade e o avanço constante da genética.

    Assim, ao longo dos anos, o Nelore se consolidou como a base da pecuária brasileira e um dos pilares do agronegócio nacional.

  • Existe uma fazenda no Brasil maior que vários países

    Existe uma fazenda no Brasil maior que vários países

    A área que deixa países para trás

    No sudeste do Pará, existe uma área operacional que ocupa cerca de 646 mil hectares, o equivalente a 6.460 km². Esse número ganha outro significado quando comparado ao mapa mundial.

    Para começar, essa extensão supera com folga o território de Luxemburgo, que possui apenas 2.586 km². Além disso, equivale a 85% da Bélgica inteira, país com 30.528 km². Em termos urbanos, a área é 30 vezes maior que a cidade de São Paulo.

    Mas o dado mais impressionante vem do cenário global: essa única área no Brasil é maior que pelo menos 15 países membros da ONU. Não é exagero, é geografia.

    Mineração, pasto e sustentabilidade no mesmo território

    A área em questão abriga o projeto S11D, operado pela Vale, um dos maiores projetos de extração de minério de ferro do mundo. Contudo, a operação vai muito além da mineração.

    Dentro desse território, cerca de 150 mil hectares são destinados a atividades agropecuárias. O rebanho estimado chega a 45 mil cabeças de gado. Além disso, a área conta com projetos de recuperação ambiental e sistemas silvipastoris, que integram pecuária e vegetação nativa.

    Ou seja: dentro de uma única área no Pará, coexistem mineração, pecuária e preservação ambiental: tudo monitorado por satélites e drones em tempo real.

    (Imagem: Vale)

    O Brasil tem outras gigantes também

    O S11D não está sozinho nesse ranking. O Brasil concentra algumas das maiores propriedades rurais do planeta.

    A Fazenda Anna, localizada entre Mato Grosso e Pará, possui cerca de 575 mil hectares. Ela também supera o território de vários países europeus e integra produção de grãos e pecuária em larga escala.

    Já no oeste da Bahia, o Grupo Vanguarda administra aproximadamente 280 mil hectares, com forte investimento em irrigação e produção de soja. Juntas, essas três operações ilustram a escala impressionante do agronegócio brasileiro.

    Por que isso importa

    Essas áreas não são apenas grandes, elas são estratégicas. Combinam tecnologia avançada, produção diversificada e crescente preocupação com sustentabilidade.

    Portanto, quando o mundo debate segurança alimentar e produção sustentável, o Brasil aparece no centro dessa conversa. E não por acaso: o país tem terra, tecnologia e capacidade produtiva que poucos territórios no mundo conseguem reunir.

    O gigante do agro, afinal, é maior do que parece.