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  • Conhece o curauá? Técnica amplia cultivo na Amazônia

    Conhece o curauá? Técnica amplia cultivo na Amazônia

    A cultura de tecidos tem potencial para expandir e aprimorar a produção de mudas do curauá (Ananas comosus var. erectifolius). Essa bromélia amazônica possui fibras resistentes que podem substituir parcialmente a fibra de vidro em diversas aplicações industriais, como carenagens de celulares, compósitos poliméricos e solventes de óleo diesel. Em geral, a técnica garante segurança, higiene e uniformidade na multiplicação das mudas, atendendo à demanda crescente por fibras naturais no Brasil.

    Pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental (AM) estudam a cultura do curauá em parceria com instituições governamentais do Amazonas. Ou seja, o objetivo é viabilizar a adoção da fibra em indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM). Nos experimentos, mudas de curauá branco e roxo, produzidas pelo Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), foram plantadas no campo da Embrapa. O pesquisador Francisco Célio Chaves monitora o cultivo para coletar dados agronômicos e repassar as informações aos agricultores.

    A cultura de tecidos se mostrou vantajosa ao escalonar e otimizar a produção de mudas após o primeiro plantio. Portanto, isso facilita a expansão da cultura e a comercialização das mudas, beneficiando produtores interessados no mercado de fibras naturais.

    Estudos avançam conhecimento sobre o cultivo do curauá

    Os dados fazem parte da tese de doutorado do professor Felipe Padilha, orientado por Chaves, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Em resumo, a pesquisa analisou o crescimento e o acúmulo de nutrientes do curauá em casa de vegetação.

    Padilha destaca que o cultivo do curauá no Amazonas ainda é pouco difundido, com poucos estudos sobre adubação e nutrição mineral da espécie. Para o experimento de campo, ele utilizou recomendações de adubação adotadas no Pará. Santarém é o principal produtor da planta, mas há carência de informações agronômicas sobre seu cultivo.

    As mudas foram plantadas em agosto de 2022 e colhidas em fevereiro de 2024. O curauá roxo teve baixo desenvolvimento em solo de latossolo amarelo distrófico, exigindo mais estudos. Em contrapartida, o curauá branco apresentou bom desempenho. Em geral, a pesquisa avaliou aspectos como número de folhas, altura da planta, número de perfilhos, massa fresca de folhas, peso de fibra seca e rendimento da fibra.

    Potencial do curauá como fibra natural

    O curauá é uma planta nativa da Amazônia e possui ampla distribuição geográfica, sendo encontrada no Pará, Acre, Mato Grosso, Goiás e Amazonas. As condições climáticas favoráveis da região tropical contribuem para a ampliação do cultivo.

    A validação agronômica de espécies nativas permite que produtores, instituições de pesquisa e universidades tenham acesso a dados técnicos sobre o cultivo. Portanto, o estudo do crescimento e do acúmulo de nutrientes na planta é essencial para otimizar a produção de fibras e impulsionar o setor.

    Apesar da demanda crescente por fibras naturais, os plantios comerciais ainda são insuficientes. A falta de informações agronômicas é o principal obstáculo para a expansão da cultura no Amazonas. O desenvolvimento vegetativo das plantas depende do ambiente e da absorção de nutrientes. Essas características podem servir de base para pesquisas sobre melhoramento genético e desenvolvimento de cultivares adaptadas à região amazônica.

    Projeto-piloto incentiva produção de fibras

    Em 2024, o governo do Amazonas lançou um projeto-piloto para produção de fibras de curauá na Comunidade Santo Antônio de Caxinauá, distrito de Novo Remanso, em Itacoatiara (a 176 km de Manaus). A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Produção Rural (Sepror), Secretaria de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) e Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

    O projeto busca identificar dados técnicos sobre a produção de fibras para aplicação na indústria. Uma das primeiras utilizações será na fabricação de capas de celulares, reduzindo o uso de plástico. Além disso, a iniciativa deve gerar emprego e renda para agricultores da região.

    Produtor aposta no curauá

    Claudimar Mendonça, produtor rural de Novo Remanso, plantou um hectare com 12.500 mudas de curauá no início de 2024. Ele participa do projeto-piloto do governo e acredita no potencial da cultura. “A fibra do curauá pode substituir fibras importantes na indústria têxtil, como juta e malva, e tem durabilidade similar à fibra de vidro”, destaca.

    Mendonça também ressalta a vocação agrícola da região. “Novo Remanso é um polo de fruticultura e tem condições ideais para o cultivo. O curauá e o abacaxi pertencem ao mesmo gênero botânico e têm características de cultivo semelhantes”, explica. Para ele, o curauá pode agregar valor para pequenos produtores e fortalecer a economia local.

     

     

  • Técnica revoluciona o cultivo de curauá na Amazônia

    Técnica revoluciona o cultivo de curauá na Amazônia

    A técnica de cultura de tecidos, que permite a multiplicação de mudas in vitro, está revolucionando o cultivo do curauá na região amazônica. Essa abordagem tem mostrado resultados promissores para ampliar a produção dessa planta nativa, que possui fibras naturais de alto valor industrial. A Embrapa Amazônia Ocidental lidera os esforços de pesquisa em parceria com o governo do Amazonas e outras instituições.

    A técnica permite produzir mudas com maior segurança e eficiência, oferecendo uma solução para atender à crescente demanda industrial. “O cultivo do curauá no estado do Amazonas ainda é pouco difundido, e existem poucos estudos relacionados à adubação e nutrição mineral da espécie”, destaca Felipe Padilha, doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Agronomia Tropical da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

    Padilha explica que adaptou as recomendações de adubação utilizadas nos experimentos a partir de práticas do estado do Pará. As mudas, plantadas em agosto de 2022, apresentaram resultados variados. “O curauá branco se desenvolveu bem em campo, enquanto o curauá roxo teve dificuldades em solos de latossolo amarelo, exigindo estudos adicionais”, afirma.

    O pesquisador Francisco Célio Chaves, da Embrapa, reforça que a técnica de cultura de tecidos é essencial para ampliar a produção. “Ela permite otimizar o cultivo e facilita a ampliação dos plantios, especialmente para quem deseja produzir e comercializar mudas ou fibras naturais”, explia Chaves.

    Curauá: potencial econômico e sustentável

    Conhecido por sua resistência e versatilidade, o curauá é uma alternativa promissora à fibra de vidro, com aplicações que vão desde carenagens automotivas até a substituição de plásticos em produtos industriais. “A fibra do curauá é tão durável quanto a fibra de vidro e pode ser usada até na produção têxtil, substituindo materiais como juta e malva”, comenta Claudimar Mendonça, produtor rural que participa de um projeto-piloto em Novo Remanso.

    Curauá
    Curauá é uma bromélia amazônica com amplo potencial de uso na indústria por sua resistência e características que podem substituir parcialmente a fibra de vidro. Maria José Tupinambá/Embrapa

    Mendonça, que cultiva um hectare com 12.500 plantas, destaca a importância do incentivo à produção local. “Acreditamos que o curauá vai agregar valor às famílias da região. A planta tem semelhanças com o abacaxi, o que facilita o cultivo em uma área onde a fruticultura já é forte”, afirma.

    Projeto-Piloto focado em dados técnicos e científicos

    Em 2024, o governo do Amazonas lançou um projeto-piloto na Comunidade Santo Antônio de Caxinauá, distrito de Novo Remanso, com o objetivo de validar tecnicamente a produção de fibras do curauá. A Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) coordena o projeto, que inclui a participação do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e de outras instituições.

    “O principal objetivo é fornecer dados técnicos que possam ser utilizados pela indústria, especialmente no Polo Industrial de Manaus”, explica Chaves. A iniciativa visa estimular a geração de renda e emprego para agricultores da região, com uma perspectiva de substituir parcialmente materiais plásticos por fibras naturais.

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    Apesar do potencial, a produção de curauá enfrenta desafios relacionados à falta de informações agronômicas específicas. “Poucos dados sobre a espécie estão disponíveis na literatura, especialmente no Amazonas. É essencial compreender como os nutrientes influenciam o crescimento e a qualidade das fibras”, afirma Padilha.

    Estudos adicionais também buscam mapear o genoma do curauá, visando à criação de híbridos mais adaptados à região amazônica. “O crescimento vegetativo da planta depende de fatores ambientais e metabólicos, e essas características são essenciais para trabalhos futuros de melhoramento genético”, conclui Chaves.

    Futuro promissor para o curauá

    Com clima favorável e incentivos governamentais, o Amazonas tem condições ideais para liderar a produção de curauá no Brasil. “A validação agronômica da cultura é um passo essencial para fortalecer a agricultura local e criar novas oportunidades de mercado”, avalia Mendonça.

    A técnica de cultura de tecidos não apenas facilita a expansão do cultivo, mas também promove uma produção mais sustentável, alinhada às demandas industriais por fibras naturais. O projeto destaca o papel da pesquisa científica em transformar recursos nativos em oportunidades econômicas e ambientais para a Amazônia.