Tag: cupuaçu

  • Cupulate: o chocolate brasileiro que nasce do cupuaçu

    Cupulate: o chocolate brasileiro que nasce do cupuaçu

    O cupulate está revolucionando o mercado de chocolates. Este produto inovador vem das sementes do cupuaçu, fruto nativo da Amazônia. Muitos o consideram o “chocolate brasileiro”. Sua produção aproveita completamente o fruto, reduzindo desperdícios e agregando valor.

    Pesquisadores da Embrapa desenvolveram a tecnologia para produzir cupulate. Eles patentearam o processo no Brasil e no exterior. O método segue etapas similares às do chocolate comum: torra, moagem e conchagem das sementes.

    O cupulate surpreende pelo sabor diferenciado. Ele apresenta notas frutadas e ácidas, lembrando abacaxi e maracujá. Sua textura cremosa encanta os consumidores mais exigentes.

    Nutricionalmente, o produto se destaca por seus compostos bioativos. As sementes contêm teograndinas, antioxidantes exclusivos do cupuaçu. Essas substâncias combatem radicais livres e previnem envelhecimento precoce.

    Impacto positivo na Amazônia

    A produção de cupulate gera renda para comunidades tradicionais. Agricultores familiares encontram nova fonte de sustentabilidade. O cultivo do cupuaçu ocorre em sistemas agroflorestais, que preservam a biodiversidade.

    O processo produtivo apresenta baixo impacto ambiental. Não requer desmatamento e mantém a floresta em pé. Muitos produtores seguem princípios orgânicos, sem usar agrotóxicos.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    O cupulate já conquistou espaço no mercado nacional. Feiras de produtos amazônicos e lojas especializadas comercializam o produto. Consumidores buscam alternativas exóticas e sustentáveis.

    No exterior, o produto ganha status de superalimento. Países europeus e Estados Unidos importam o cupulate brasileiro. Ele atende à demanda por alimentos éticos e de origem conhecida.

    Como consumir

    O cupulate versátil permite diversas formas de consumo. Pode ser encontrado em tabletes, barras e pó. Na culinária, substitui o chocolate em receitas doces. Sua manteiga derivada do cupuaçu também serve para cosméticos.

    Especialistas recomendam preferir versões com maior porcentagem de sementes. Produtos com mais de 70% de cupulate oferecem maiores benefícios. Devem-se evitar versões com excesso de açúcar.

    Starup faz sucesso com produto

    A Kupulatte, startup nascida na Universidade do Estado do Amapá (UEAP), transforma sementes de cupuaçu – tradicionalmente descartadas – em um produto similar ao chocolate. A inovação garantiu à empresa uma vaga na final da Expo Favela Innovation 2025, onde representará o Amapá entre iniciativas de impacto social e econômico de todo o Brasil.

    A ideia surgiu em 2022, durante pesquisas acadêmicas, e concretizou-se em 2024 com um edital que incentivou a transformação da proposta em negócio. Evelyn Silveira, CEO da Kupulatte, explica: “O que antes era descartado pelos produtores hoje pode gerar renda e oportunidades”.

    Processo sustentável e inovador

    O nome Kupulatte combina “Kupu” (termo de origem tupi para “parecido com cacau”) e “latte” (em referência ao leite). O processo produtivo inclui:

    • Fermentação natural das sementes após a separação da polpa.
    • Secagem em estufa e torra em temperatura controlada.
    • Produção de nibs (fragmentos torrados) similares aos de cacau.
    • Trituração e refinamento até obter uma pasta homogênea.
    • Temperagem e moldagem em barras, bombons ou nibs puros.

    Atualmente, a startup oferece produtos com concentrações de 50%, 70% e 100%. Futuramente, planeja expandir para versões com leite animal ou vegetal.

    Reconhecimento e impacto econômico

    A Kupulatte já participou de eventos como o Bioeconomy Amazon Summit (Manaus, julho/2025), que reuniu 150 startups focadas em soluções para a Amazônia. A aceitação do público tem sido positiva. Destacando-se pela combinação de tradição regional, sustentabilidade e potencial comercial.

    A Expo Favela Innovation, vitrine para negócios de comunidades e periferias, valorizou o reaproveitamento de resíduos e a viabilidade marketável do projeto. Um dos avaliadores ressaltou: “Trata-se de um produto que alia inovação, tradição cultural e viabilidade de mercado”.

    Para o segundo semestre de 2025, a equipe busca parcerias com cooperativas de produtores de cupuaçu para ampliar o fornecimento de matéria-prima e escalar a produção. Evelyn Silveira enfatiza: “O cupuaçu é só o começo de um projeto que pode crescer muito mais”.

    Além do impacto comercial, a iniciativa fortalece a bioeconomia amazônica, diversifica a cadeia produtiva de chocolates e cria oportunidades para pequenos produtores locais.

  • Cupuaçu – da Amazônia para o mundo

    Cupuaçu – da Amazônia para o mundo

    O cupuaçu (Theobroma grandiflorum) é uma das joias da Amazônia. Parente próximo do cacau, essa fruta de casca dura e polpa cremosa tem um sabor que mistura notas de chocolate com toques de frutas tropicais, como abacaxi e banana. Nativo do norte do Brasil, o cupuaçu já conquistou mercados internacionais, especialmente na culinária e na indústria de cosméticos.  A fruta cresce em árvores que podem ultrapassar 10 metros de altura, preferindo solos férteis e clima quente para se desenvolver.

    Rico em vitaminas A, B1, B2 e C, o cupuaçu também oferece sais minerais e fibras. Sua polpa branca e cremosa aumenta a imunidade, auxilia na regulação do colesterol e melhora o funcionamento intestinal. Agricultores no Pará, Amazonas e Amapá investem na produção comercial, utilizando cultivares resistentes a doenças, como a vassoura-de-bruxa, o que ajudou a ampliar a oferta da fruta no mercado.

    O cupuaçu fortalece o sistema imunológico, melhora a digestão e ajuda a combater o envelhecimento precoce. Suas sementes produzem uma manteiga hidratante, usada em cremes e shampoos por sua capacidade de regenerar a pele e os cabelos. Além disso, a teobromina, presente na fruta, age como um estimulante natural, aumentando a disposição sem os efeitos colaterais da cafeína.

    Produção sustentável: como o cupuaçu movimenta a economia local

    A colheita do cupuaçu gera renda para comunidades amazônicas. Cada árvore produz até 30 frutos por safra, e a polpa é usada em sucos, sorvetes e geleias, enquanto as sementes viram matéria-prima para cosméticos e chocolate. Empresas como a Beraca investem em extração sustentável, garantindo fair trade e preservação da floresta.

    cupuaçu
    Foto: Vinicius Braga/Embrapa

    Na culinária, o cupuaçu se revela extremamente versátil. Sua polpa serve para fazer sucos, sorvetes, geleias, doces, licores e mousses, sempre mantendo seu sabor exótico e refrescante. Além disso, a gordura extraída da fruta entra na fabricação de cosméticos, valorizando sua presença além da gastronomia.

    Uma receita simples é o smoothie de cupuaçu com banana e leite de coco, perfeito para dias quentes. Já o cupulate pode ser usado em bolos e brigadeiros, oferecendo um toque amazônico aos doces.

    Cupulate: o chocolate amazônico que promete revolucionar a gastronomia

    Pesquisadores do Inpa e da Unicamp desenvolveram o cupulate, um chocolate feito com sementes de cupuaçu. O processo inclui fermentação, torra e moagem, resultando em um produto com textura e aroma similares ao chocolate tradicional, mas com menor custo de produção. O cupulate já aparece em versões ao leite, meio amargo e branco, ampliando as opções para quem busca alternativas ao cacau.

    O Pará valoriza tanto o cupuaçu que o reconheceu como patrimônio cultural e promove festivais para celebrar sua gastronomia e relevância econômica.

    Ocupando uma posição importante na agricultura e cultura amazônica, o cupuaçu demonstra que sua produção e aproveitamento industrial podem crescer ainda mais, ajudando a fortalecer a economia local e oferecer produtos inovadores para o mercado nacional e internacional.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Morango do amor movimenta economia; oportunidade de lucrar

    + Agro em Campo: Argentina: governo Milei reduz impostos do agronegócio

  • Embrapa lança série de vídeos sobre cultivo de cupuaçu

    Embrapa lança série de vídeos sobre cultivo de cupuaçu

    A Embrapa Amazônia Oriental acaba de lançar uma série de vídeos que resume o sistema de produção do cupuaçuzeiro, fruta típica da Amazônia usada em sucos, sorvetes, doces e cosméticos. Dividida em sete capítulos, a produção audiovisual orienta desde o preparo de mudas até o controle de doenças, como a vassoura-de-bruxa, fungo que já devastou plantações no passado.

    O cupuaçu, antes cultivado principalmente por extrativismo, hoje conta com variedades melhoradas que impulsionam a agricultura racional. Um exemplo é a BRS Carimbó, lançada em 2012, que combate a vassoura-de-bruxa e tem dupla aptidão (polpa e sementes). Em 2022, a Embrapa apresentou o Cupuaçu 5.0, um kit de clones com cinco variedades de alta produtividade e resistência.

    Do desestímulo à expansão do mercado

    O pesquisador Rafael Alves, da Embrapa Amazônia Oriental, lembra que, no passado, a vassoura-de-bruxa desencorajava os agricultores. “A doença afetava tanto que não compensava o trabalho do produtor”, afirma. Com as novas variedades, a cultura se expandiu e ganhou novos mercados.

    Além da polpa – tradicional em sucos e doces –, as amêndoas do cupuaçu agora são valorizadas pela indústria de cosméticos, que busca a manteiga de cupuaçu para cremes e hidratantes. Outro produto em ascensão é o cupulate, um alimento similar ao chocolate, feito das sementes. No entanto, o processamento ainda enfrenta desafios.

    “A película que envolve a amêndoa, se não for removida, deixa um gosto adstringente”, explica Alves. Ainda não há máquinas eficientes para essa etapa, mas iniciativas artesanais mostram que o cupulate tem potencial para diversificar a demanda.

    Cupuaçu em sistemas agroflorestais: sustentabilidade e produtividade

    O cupuaçuzeiro se adapta bem a Sistemas Agroflorestais (SAFs), onde é cultivado junto a outras espécies. “Assim como o cacau, o cupuaçu produz mesmo à sombra e começa a frutificar em três anos”, destaca o pesquisador.

    Essa característica o torna ideal para recuperação de áreas de reserva legal, pois mantém a produtividade por décadas e melhora o solo com sua folhagem abundante. “Quando adulto, a planta forra o chão com folhas, ajudando a reter umidade”, completa Alves.

    Destaques da série de vídeos da Embrapa:
    •  Passo a passo do cultivo do cupuaçu
    •  Controle de pragas e doenças, como a vassoura-de-bruxa
    •  Novas variedades resistentes (BRS Carimbó e Cupuaçu 5.0)
    •  Oportunidades de mercado: polpa, cosméticos e cupulate
    •  Vantagens do cultivo em sistemas agroflorestais

    https://youtu.be/KlyRJVO1joY?list=PLoelF-OuDCfHKlG4cILrUr5oM2LobRjFr

    A série está disponível no canal da Embrapa e é um recurso essencial para produtores rurais, técnicos agrícolas e empreendedores interessados na cadeia do cupuaçu.

    Leia mais:

     

    + Agro em Campo: Abril Vermelho: como o produtor rural deve agir em caso de invasão de terras
    + Agro em Campo: Fazenda amplia produção com investimento em robôs

  • Cupuaçu tem genes ligados à resistência à vassoura-de-bruxa

    Cupuaçu tem genes ligados à resistência à vassoura-de-bruxa

    Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) identificaram genes do cupuaçu relacionados à resistência ou suscetibilidade à vassoura-de-bruxa. A doença, causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa, afeta severamente as culturas de cupuaçu e cacau, gerando prejuízos significativos.

    O trabalho, liderado pelas pesquisadoras Lucilia Helena Marcellino e Loeni Ludke Falcão, é pioneiro no estudo da expressão gênica em larga escala do cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum). Em resumo, o estudo utilizou o sequenciamento de alta profundidade do transcritoma da planta, com foco nas regiões meristemáticas, áreas mais suscetíveis ao ataque do fungo.

    Avanços no estudo da interação planta-patógeno

    O transcritoma, conjunto completo de transcritos de um organismo, revelou milhares de genes expressos em plantas suscetíveis e resistentes ao fungo. “A análise bioinformática desses dados permitiu identificar genes relacionados à resposta imune, ao metabolismo secundário e ao crescimento”, explica Marcellino.

    Além disso, essa informação abre caminho para novas estratégias de combate à doença, incluindo a criação de marcadores moleculares para selecionar plantas resistentes e o desenvolvimento de fungicidas específicos.

    Impactos e potencial do estudo

    Segundo Falcão, o cupuaçu ainda possui grande potencial a ser explorado. “Diferentemente do cacau, o cupuaçu carece de pesquisas robustas, especialmente para desenvolver cultivares resistentes e métodos de controle eficientes”, destaca.

    Além disso, os pesquisadores inseriram alguns genes identificados no tomate Micro-Tom, planta-modelo que permitirá estudos detalhados sobre funções genéticas. A expectativa é compreender melhor os mecanismos de resistência e aplicá-los na cultura do cupuaçu.

    Parceria busca molécula para controlar o fungo

    Outra frente de pesquisa envolve uma parceria com a Embrapa Agricultura Digital (SP). O objetivo é sintetizar uma molécula capaz de inibir o fungo, atuando diretamente em uma proteína do patógeno. A tecnologia pode controlar tanto a M. perniciosa quanto a M. roreri, praga quarentenária em risco de entrada no Brasil.

    “A resistência aliada à boa produção e qualidade do fruto é essencial para o desenvolvimento do cupuaçu. Porém, o menor conhecimento sobre a genética molecular da planta ainda é um gargalo”, reforça Marcellino.

    Por que a doença é chamada de vassoura-de-bruxa?

    O fungo manipula a planta, induzindo o crescimento anormal de galhos, que formam estruturas semelhantes a vassouras. “Esses galhos crescem vigorosos, mas acabam se tornando alimento para o fungo na fase necrotrófica”, explica Falcão.

    A doença se espalha com facilidade, pois os galhos infectados permanecem na planta, favorecendo a disseminação dos esporos pelo vento. O controle requer poda fitossanitária, uso de fungicidas e cultivo de plantas resistentes.

    A pesquisa avança no entendimento da interação entre o cupuaçuzeiro e o fungo, fortalecendo o potencial do Brasil para desenvolver soluções sustentáveis e inovadoras para a cultura do cupuaçu. O estudo contou com a parceria da Embrapa Amazônia Oriental (PA) e outras instituições, como a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), na Bahia, a Universidade de Brasília (UnB), do Centro francês de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad) e a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac – Pará)

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Nanopartículas aumentam nutrição e resistência em plantas de arroz

     

  • Pesquisa: genes do cupuaçu resistem à vassoura-de-bruxa

    Pesquisa: genes do cupuaçu resistem à vassoura-de-bruxa

    Uma pesquisa inovadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) identificou genes do cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum) relacionados à resistência à infecção pelo fungo Moniliophthora perniciosa, causador da vassoura-de-bruxa. Essa doença representa um grande desafio tanto para a cultura do cupuaçu quanto para a do cacau, trazendo prejuízos significativos para os agricultores.

    A vassoura-de-bruxa é uma doença que afeta as plantas, levando a um crescimento anômalo e à morte dos galhos infectados. Enquanto o cacau já conta com um volume considerável de pesquisas sobre a doença, o cupuaçu ainda possui um grande potencial a ser explorado. O sequenciamento do transcritoma do cupuaçuzeiro permitiu a identificação de milhares de genes que podem apoiar estudos sobre outras doenças ou características de interesse, como produtividade e qualidade da polpa e das sementes.

    Metodologia utilizada

    s pesquisadoras Lucilia Helena Marcellino e Loeni Ludke Falcão conduziram o estudo pioneiro na análise da expressão gênica em grande escala voltada para a cultura do cupuaçu. Elas realizaram a pesquisa utilizando o sequenciamento de alta profundidade do transcritoma da planta, com foco nas regiões meristemáticas localizadas nas pontas dos galhos, alvos do ataque do patógeno.

    O transcritoma é o conjunto completo de transcritos (incluindo RNAs mensageiros, RNAs ribossômicos, RNAs transportadores e microRNAs) de um organismo. A análise desse conjunto é uma ferramenta poderosa para estudar a expressão gênica, permitindo que os cientistas desvendar os mecanismos moleculares envolvidos nos diferentes processos biológicos.

    Resultados e implicações

    Os resultados obtidos representam um avanço significativo no entendimento da interação entre o cupuaçuzeiro e o fungo causador da vassoura-de-bruxa. “Diferentemente do cacau, que já conta com um volume considerável de pesquisas, o cupuaçu ainda possui um grande potencial a ser explorado, especialmente no desenvolvimento de cultivares resistentes e no controle de doenças”, afirma Falcão.

    O sequenciamento gerou um vasto banco de dados que permitiu identificar genes relacionados à resposta à infecção por M. perniciosa. Foram registrados milhares de genes expressos tanto em plantas suscetíveis quanto nas resistentes. “Por meio da análise bioinformática desses dados, foi possível identificar genes relacionados à resposta imune da planta, ao metabolismo secundário e ao crescimento”, explica Marcellino.

    Desenvolvimento de novas estratégias

    Essas informações detalhadas sobre a interação planta-patógeno são fundamentais para o desenvolvimento de novas estratégias de controle da vassoura-de-bruxa. Isso inclui a criação de marcadores moleculares para a seleção de plantas resistentes e a identificação de alvos para novos fungicidas.

    A vassoura-de-bruxa traz grandes prejuízos tanto para a cultura do cupuaçu como do cacau. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    “Nossa pesquisa é um trabalho básico que pode ajudar os melhoristas no desenvolvimento de plantas resistentes à doença. E disponibilizar genes de interesse para estudos de função”, afirma Falcão. Alguns desses genes foram até inseridos em tomates Micro-Tom, uma planta-modelo para estudos com o fungo. Assim, permitindo um aprofundamento sobre a função e potencial uso desses genes.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Técnica revoluciona o cultivo de curauá na Amazônia
    + Agro em Campo: Problema: Brasil recebe notificações da China sobre soja

    Marcellino também está envolvida em uma parceria com a Embrapa Agricultura Digital (SP) para sintetizar uma molécula capaz de inibir o fungo ao se ligar a uma proteína presente no microrganismo. A expectativa é que essa tecnologia seja eficaz no controle tanto da M. perniciosa quanto da M. roreri, outra praga quarentenária que já está entrando no Brasil.

    “A obtenção de plantas que combinem resistência, boa produção e qualidade dos frutos é essencial para o desenvolvimento da cultura. Contudo, o menor conhecimento sobre a genética molecular do cupuaçuzeiro representa um gargalo para o desenvolvimento dessas plantas. Por isso, essa pesquisa é tão importante”, declara Marcellino.

    Compreendendo a vassoura-de-bruxa

    A pesquisa também se concentra em entender os processos iniciais da infecção pela Moniliophthora perniciosa. Durante essa fase inicial, o patógeno infecta áreas intercelulares de certos tecidos, causando crescimento anormal dos galhos devido à sua capacidade de manipular molecularmente a planta.

    “O fungo provoca o desenvolvimento excessivo de galhos laterais, resultando em uma estrutura semelhante a uma vassoura — daí o nome vassoura-de-bruxa”, explica Falcão. Esse crescimento anômalo leva a planta a enviar grandes quantidades de nutrientes para esses galhos, que se tornam maiores e mais vigorosos do que os demais.

    Após cerca de 30 a 60 dias de infecção, ocorre uma reação natural que resulta na morte do galho infectado, mas ele permanece na árvore. Nesse estágio, M. perniciosa passa da fase biotrófica para uma fase necrotrófica, onde suas ramificações crescem abundantemente. “O galho vigoroso produzido pela planta se torna alimento para o fungo por um longo período”, destaca Falcão.

    Além disso, essa situação permite ao microrganismo ter menos concorrência com outros fungos e bactérias do solo (já que o galho não cai). E também facilita a dispersão dos esporos pelo vento. Trata-se de uma doença difícil de controlar, exigindo práticas como poda fitossanitária e uso de fungicidas.

    A pesquisa realizada pela Embrapa representa um passo importante na luta contra a vassoura-de-bruxa no cupuaçu. A identificação dos genes relacionados à resistência e suscetibilidade ao fungo permite o desenvolvimento de novas estratégias para proteger essa cultura vital. O avanço na compreensão das interações planta-patógeno não apenas ajudará na produção sustentável do cupuaçu no Brasil. Também poderá abrir novas possibilidades para o cultivo saudável dessa planta tão valorizada no mercado.

  • Cupuaçu: fruto de alto potencial lucrativo

    Cupuaçu: fruto de alto potencial lucrativo

    O cupuaçu, uma fruta nativa da Amazônia, continua a se destacar como um ativo valioso na bioeconomia brasileira, especialmente no estado do Pará. Com uma área plantada de 8.900 hectares e uma produção anual de 29 mil toneladas em 2024, o cultivo do cupuaçu envolve cerca de 1.400 propriedades, predominantemente de agricultores familiares, segundo dados do IBGE.

    Pesquisadores da Embrapa, como Alfredo Homma, apontam que a cadeia do cupuaçu tende a expandir cada vez mauis. Isso devido à crescente demanda pela polpa da fruta, utilizada na fabricação de doces, sucos e outros produtos de confeitaria. Além disso, as amêndoas do cupuaçu são cada vez mais valorizadas pela indústria cosmética, onde são transformadas em manteiga apreciada por suas propriedades em produtos de beleza.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Bahia se destaca na produção de maracujá
    + Agro em Campo: Conheça o segredo da expansão de consumo do pistache

    Alberto Oppata, presidente da Cooperativa Mista de Cupuaçu (C.A.M.T.A), localizada em Tomé-Açu — o maior polo produtor do fruto —, destacou que a cooperativa produziu 530 mil quilos de polpa e cerca de 45 mil quilos de manteiga em 2024. No entanto, ele observou que a demanda por manteiga de cupuaçu frequentemente supera a capacidade de entrega. “Nossa demanda está acima de nossa capacidade de entrega pela ausência do fruto”, afirmou Oppata.

    Inovações tecnológicas e potencial lucrativo

    Um estudo intitulado “Bioeconomia da Sociobiodiversidade no Estado do Pará”, publicado em 2021, estima que a produção e comercialização do cupuaçu podem gerar mais de R$ 170 bilhões em renda até 2040. O cupuaçu-amêndoa foi classificado entre os dez produtos com maior potencial econômico para o estado nas próximas duas décadas.

    Recentemente, o lançamento do kit clonal Cupuaçu 5.0 pela Embrapa promete aumentar a produtividade e resistência das plantações. Com essa tecnologia, é possível produzir até 14 toneladas por hectare, um aumento significativo em relação à média anterior de apenas 2,5 toneladas por hectare. Essa inovação não só melhora o rendimento das colheitas, mas também expande o período de safra de quatro para seis meses.

    As exportações de produtos derivados do fruto também estão em ascensão. Em 2024, as vendas externas da polpa e manteiga do cupuaçu aumentaram consideravelmente, refletindo a valorização crescente deste fruto no mercado internacional. A versatilidade dele permite sua utilização em uma variedade de produtos como sorvetes, geleias e cosméticos.

    O cupuaçu se estabelece como um fruto com alto potencial para impulsionar a bioeconomia na Amazônia. Com o apoio contínuo da pesquisa e inovação tecnológica, espera-se que o cultivo e a comercialização do cupuaçu contribuam significativamente para o desenvolvimento econômico sustentável do Pará. E também para a valorização dos produtos da sociobiodiversidade brasileira. O futuro é promissor para este fruto icônico da Amazônia!

  • Pesquisadores brasileiros sequenciam genoma do cupuaçu pela primeira vez

    Pesquisadores brasileiros sequenciam genoma do cupuaçu pela primeira vez

    Cientistas brasileiros alcançaram um marco importante ao sequenciar, pela primeira vez, o genoma do cupuaçu (Theobroma grandiflorum), uma fruta típica da Amazônia. Esse avanço promete revolucionar o melhoramento genético da espécie, permitindo identificar e manipular genes que conferem resistência a doenças e aumentam a produtividade, fundamentais para cultivos mais sustentáveis e resilientes às mudanças climáticas.

    O estudo, que envolveu pesquisadores da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Universidade Federal do Pará (UFPA), Embrapa Amazônia Oriental e Universidade de São Paulo (USP), decodificou 31.381 genes distribuídos em 10 cromossomos. Entre as descobertas, está a confirmação genética de que o cupuaçu compartilha 65% de semelhança com o cacau (Theobroma cacao). A pesquisa também identificou genes ligados à produtividade e à defesa contra a vassoura-de-bruxa, uma doença devastadora causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa.

    Valorização da ciência nacional

    Segundo Alessandro Varani, professor de bioinformática e genômica da Unesp, o trabalho valoriza o potencial da ciência nacional. “Esse é, possivelmente, um dos primeiros artigos a descrever o genoma completo, telômero a telômero, de uma planta da nossa biodiversidade”, destacou Varani. A pesquisa também identificou bactérias do grupo Actinomycetota, que vivem nas folhas do cupuaçu e ajudam na defesa contra doenças.

    O pesquisador Rafael Alves, da Embrapa Amazônia Oriental, ressaltou que a decodificação genômica permite obter resultados em meses, algo que tradicionalmente levaria décadas. “O acesso a esse conhecimento permite saber, já nas primeiras brotações, quais mudas possuem as características mais desejáveis”, afirmou. Alves destacou ainda que os genótipos utilizados no estudo foram escolhidos criteriosamente para maximizar a resistência a doenças como a vassoura-de-bruxa e aumentar a produtividade.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Secas atrasam em 20 anos a recuperação de estoques de madeira em florestas manejadas
    + Agro em Campo: 3 frutas brasileiras entre as preferidas do mundo; veja quais

    A aplicação da bioinformática foi essencial para o sequenciamento genético do cupuaçu, e os desdobramentos dessa pesquisa poderão fortalecer práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis na Amazônia. “Com o genoma 100% sequenciado, abrem-se novas possibilidades para o melhoramento genético da espécie, visando aprimorar características de interesse comercial e ambiental”, explicou Vinícius Abreu, professor da Faculdade de Computação da UFPA.

    Importância econômica

    A relevância econômica do cupuaçu é evidente, especialmente no Pará, onde a fruta ocupa 8.900 hectares e gera uma produção anual de 29 mil toneladas. O estudo “Bioeconomia da sociobiodiversidade no estado do Pará” estimou que a cadeia produtiva do cupuaçu poderia gerar mais de R$ 170 bilhões em renda até 2040. Isso consolida o fruto como um ativo crucial para a bioeconomia da Amazônia.

    Este avanço científico não só protege a produção e aumenta a produtividade, mas também fortalece a bioeconomia da Amazônia. E, principalmente, contribui para a preservação ambiental e o desenvolvimento sustentável da região.