Tag: culturas de inverno

  • Geadas e temperaturas negativas acendem alerta no campo

    Geadas e temperaturas negativas acendem alerta no campo

    A onda de frio que atingiu o Sul do Brasil nesta semana colocou o clima no centro das atenções do agronegócio e elevou o alerta sobre a safra de grãos 2025/26. A chegada de uma frente fria derrubou as temperaturas, provocou geadas e levou os termômetros a mínimas próximas de 3°C em áreas produtoras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

    Na Serra Gaúcha, as temperaturas ficaram abaixo de 0°C por vários dias consecutivos, o que aumentou o risco de danos em lavouras de milho, feijão e culturas de inverno em fase inicial de desenvolvimento.

    O cenário agrava uma situação já pressionada por irregularidade climática. A safra 2025/26 vinha enfrentando estiagem, oscilações térmicas e baixa umidade do solo em importantes regiões produtoras. Agora, as geadas adicionam um novo fator de risco ao ciclo agrícola.

    No Rio Grande do Sul, produtores aceleram a semeadura do milho em áreas menos suscetíveis ao frio para reduzir perdas. A estratégia busca escapar das janelas mais críticas de ocorrência de geadas.

    Manejo do solo

    Segundo Fellipe Parreira, da GIROAgro, o manejo do solo ganhou protagonismo diante do aumento da imprevisibilidade climática. “A inoculação de sementes com bactérias eficientes favorece o desenvolvimento radicular e pode elevar a produtividade. No entanto, o resultado depende de fatores como clima, solo, manejo e disponibilidade de nutrientes”, explica.

    Solos bem corrigidos, com boa estrutura física e fertilização equilibrada, aumentam a retenção de água, fortalecem o sistema radicular e ajudam na recuperação das plantas após estresse térmico. Em áreas com manejo técnico adequado, as lavouras tendem a apresentar maior resistência durante episódios de frio intenso e geadas.

    O avanço de práticas como agricultura regenerativa, adubação de precisão e conservação do solo reflete a resposta do setor aos eventos climáticos extremos. Produtores ampliam investimentos em manejo biológico, cobertura vegetal, retenção hídrica, preservação da microbiota do solo e monitoramento climático.

    Esse movimento acompanha a busca por produtividade com sustentabilidade, aliada ao uso de tecnologias mais eficientes e adaptadas às diferentes realidades do campo brasileiro.

    Impacto

    O impacto do frio não se limita ao Sul. O milho, cultura estratégica para o agronegócio, influencia diretamente cadeias como proteína animal, indústria de alimentos, exportações e logística. Quedas na produtividade podem gerar efeitos em toda a economia agrícola.

    O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já indicava maio como um mês de forte contraste climático, com avanço de massas de ar frio e risco de geadas no Sul, além de pressão sobre áreas do Centro-Sul.

    Além das baixas temperaturas, técnicos monitoram o estresse hídrico em áreas de segunda safra, principalmente no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Nessas regiões, milho e feijão enfrentam perdas causadas pela combinação de seca e frio.

    O cenário reforça uma mudança estrutural no campo. A produção agrícola passou a depender cada vez mais da adaptação às condições climáticas. Planejamento técnico, manejo eficiente do solo e estratégias de resiliência tornaram-se essenciais para sustentar a produtividade diante das mudanças do clima.

  • Seguro rural recebe incentivo extra até agosto de 2025

    Seguro rural recebe incentivo extra até agosto de 2025

    O governo federal anunciou a ampliação dos recursos para o seguro rural. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) oficializou a medida com a publicação da Resolução nº 106. O novo cronograma detalha os valores mensais destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) até agosto de 2025.

    Orçamento

    Do orçamento total de R$ 1 bilhão previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA), o governo já havia liberado R$ 179 milhões em maio. Agora, a partir de junho, o Mapa distribuirá mais R$ 280 milhões para apoiar apólices voltadas às culturas de inverno.

    Além disso, o plano reserva R$ 36 milhões para frutas, R$ 7,5 milhões para a pecuária, R$ 1,5 milhão para florestas e R$ 35,5 milhões para outras culturas. O objetivo é garantir cobertura a uma ampla gama de atividades agropecuárias em todo o país.

    Segundo o secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, os valores devem atender a maior parte da demanda atual. “Vamos atender praticamente toda a procura pelas culturas de inverno e sinalizar recursos para as demais atividades”, afirmou.

    Contudo, o governo precisou bloquear R$ 445 milhões do orçamento do PSR para cumprir as metas fiscais. Campos, no entanto, acredita que o corte será revertido. “Vamos trabalhar para liberar esse valor o quanto antes e evitar prejuízos à safra de verão”, explicou. Além disso, ele ressaltou que o PSR é uma despesa discricionária e, por isso, pode sofrer bloqueios orçamentários ao longo do ano. Ainda assim, o Ministério mantém o compromisso de ampliar a proteção ao produtor.

    Atualmente, 17 seguradoras estão habilitadas a operar com o seguro rural. Para contratar uma apólice, o produtor deve procurar um corretor ou uma instituição financeira autorizada.

    O benefício se estende a pessoas físicas ou jurídicas, mesmo que não tenham acesso ao crédito rural. A subvenção federal cobre 40% do prêmio em todas as atividades, exceto a soja, que tem apoio de 20%. A regra vale para todos os tipos de cobertura e produtos reconhecidos pelo PSR.

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