Tag: cultura

  • Cavalgada do Embaixador: Gusttavo Lima leva governadores e celebridades para o interior de Goiás

    Cavalgada do Embaixador: Gusttavo Lima leva governadores e celebridades para o interior de Goiás

    Bela Vista de Goiás acordou diferente no último domingo (26). Com poeira na estrada, bota no pé e comitiva formada desde cedo, a cidade a poucos quilômetros de Goiânia recebeu a primeira edição da Cavalgada do Embaixador, evento criado e organizado pelo cantor e empresário Gusttavo Lima. Não foi uma simples festa de campo. Foi uma movimentação que reuniu política, equinocultura, cultura sertaneja e audiência digital em um único percurso de 12 km pela GO-020.

    Quem estava lá: da sede até a cúpula política de Goiás

    Entre os presentes estavam o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e o atual governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB). Além deles, o influenciador Jon Vlogs, o humorista Jacques Vanier e a modelo Andressa Suita, companheira do cantor, também marcaram presença.

    Ronaldo Caiado já demonstrava proximidade com o cantor desde 2025 e chegou a comentar publicamente: “Independente de ser ou não candidato, o Gusttavo Lima já entrou para a política. Gusttavo Lima sabe do que fala.” No entanto, o artista optou por não seguir carreira política. A cavalgada, portanto, funcionou como um espaço informal de articulação onde o prestígio do entretenimento sertanejo e o peso institucional do agronegócio goiano se encontraram na mesma pista de terra.

    550 animais, raças de elite e cavalos que valem até R$ 200 mil

    Quem esperava um evento de ocasião se surpreendeu com a escala do plantel. Segundo a veterinária Joyce Barros, cerca de 550 animais participaram, entre equinos e muares, além de um bovino. Os animais vieram de estados como Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e do Distrito Federal. Cerca de 20 animais da Cavalaria da Polícia Militar também estiveram no evento.

    Estiveram presentes equinos das raças quarto de milha, mangalarga e friesian, entre outras, além dos muares. O valor dos animais varia, mas alguns ficam entre R$ 100 mil e R$ 200 mil. O próprio Gusttavo Lima conduziu o percurso montado em um mangalarga, raça conhecida pela elegância e versatilidade nos eventos equestres brasileiros.

    Além disso, a cavalgada teve início às 10h, ao som de muita moda sertaneja. Durante o trajeto, o artista interagiu com os participantes e chegou a cantar junto com o grupo em vídeos divulgados nas redes sociais.

    Rigor sanitário: Agrodefesa no centro da organização

    Para o público de agroemcampo.ig.com.br, um dado chama atenção especial: a Cavalgada do Embaixador não abriu mão do protocolo sanitário. O evento exigiu exame negativo de anemia infecciosa equina e a apresentação da Guia de Trânsito Animal (GTA), conforme exigido pela Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa).

    Foram proibidos animais machos não castrados, charrete, carroças e afins, além de carros no circuito. Durante o percurso, a orientação era manter o ritmo tranquilo, hidratar os cavalos e evitar desgaste no sol forte. Qualquer atitude errada era barrada na hora. Esse nível de exigência posiciona o evento dentro dos padrões esperados em exposições agropecuárias de médio porte, não apenas como entretenimento.

    Ingresso a R$ 500, churrasco e show: o modelo de negócio do evento

    Cada participante pagou R$ 500, valor que incluía camisa oficial, a Guia de Trânsito Animal, café da manhã, churrasco e open bar com cerveja, água e refrigerante. Ao fim do trajeto, houve apresentações musicais do Trio Remelexo Bom Demais, do cantor Zé Elias e do próprio Gusttavo Lima.

    No ambiente digital, a repercussão confirmou o potencial do formato. A repercussão digital superou 17 mil interações em uma única postagem, onde o público debateu desde os custos até o desejo de ingressar no universo da equinocultura. Esse dado revela algo importante para quem atua no setor: eventos como esse não apenas celebram a cultura equestre, mas geram demanda real por cavalos, serviços veterinários, equipamentos e turismo rural.

    Em contraste com eventos que costumam separar o show da substância, a Cavalgada do Embaixador entregou os dois juntos. O evento reforça a versatilidade de Gusttavo Lima, que além de cantor é empresário, dono de haras e de time de futebol, movimentando o mercado de animais de elite em Goiás. A primeira edição já deixou claro que tem estrutura e apelo para virar tradição no calendário do agro goiano.

  • Elogiado por Régis Tadeu: relembre o rock rural que marcou época

    Elogiado por Régis Tadeu: relembre o rock rural que marcou época

    Pouco lembrado pelo grande público, o rock rural ocupa um espaço singular na música brasileira. Surgido entre o fim dos anos 1960 e início dos anos 1970, o estilo nasceu da mistura entre o rock tradicional e elementos da cultura regional, criando uma identidade própria que ainda ecoa em diferentes gerações.

    Ao mesmo tempo, o movimento refletia uma época marcada por transformações culturais e busca por liberdade, especialmente entre jovens que viam na estrada um símbolo de mudança.

    Uma mistura entre o global e o regional

    O rock rural não surgiu por acaso. Ele foi resultado direto da fusão entre o rock internacional, influenciado pelo blues e pelo country, com ritmos e referências brasileiras.

    Nesse contexto, artistas passaram a incorporar violas, temáticas do interior e paisagens rurais às guitarras elétricas. Dessa forma, criava-se uma sonoridade híbrida, que dialogava tanto com o campo quanto com a modernidade urbana.

    O rock rural ganhou força nos anos 70 ao misturar guitarras elétricas com elementos da música caipira, criando um dos primeiros movimentos híbridos da música brasileira.

    Além disso, o movimento acompanhava uma tendência cultural da época, em que a música buscava novas formas de expressão e identidade.

    Estrada, liberdade e identidade

    Mais do que um estilo musical, o rock rural também carregava um imaginário forte. A estrada aparecia como símbolo central, representando liberdade, deslocamento e descoberta.

    Esse conceito ganhou força em meio ao cenário político e social do Brasil, especialmente durante a ditadura militar. Nesse período, a música se tornou um espaço de expressão e resistência simbólica.

    A leitura desse movimento também passa pela análise de especialistas. O crítico musical Régis Tadeu já destacou que o rock rural surgiu como uma resposta criativa à necessidade de identidade na música brasileira, combinando referências externas com elementos locais.

    Um movimento fora do mainstream

    Apesar de sua relevância cultural, o rock rural nunca ocupou o mesmo espaço que outros gêneros populares no Brasil. Ao longo dos anos, manteve-se mais restrito a nichos e a um público específico.

    Ainda assim, o estilo conseguiu se sustentar ao longo do tempo, influenciando artistas e mantendo uma base fiel de ouvintes. Isso mostra que sua importância vai além do sucesso comercial.

    Em muitos casos, o rock rural funcionou como uma alternativa à música dominante, oferecendo uma proposta mais autoral e conectada às raízes brasileiras.

    Influência que permanece

    Mesmo sem grande presença na mídia, o legado do rock rural continua presente. Elementos do gênero podem ser percebidos em diferentes movimentos musicais que valorizam a mistura entre tradição e modernidade.

    Hoje, em um cenário em que o agro ganha cada vez mais destaque no Brasil, o tema volta a despertar interesse. A conexão entre campo, cultura e identidade reforça a relevância desse estilo.

    No fim das contas, o rock rural permanece como um retrato de um momento em que a música buscava novas direções, sem abrir mão de suas origens.

  • Milho verão: opção rentável para produtores rurais

    Milho verão: opção rentável para produtores rurais

    O milho verão é uma cultura atrativa para os produtores brasileiros em diversas regiões, sendo cultivado em aproximadamente 5 milhões de hectares. Com alta produtividade, essa opção de cultivo pode ser rentável para os agricultores que enfrentam desafios climáticos e a incidência de pragas, como lagartas, percevejos e cigarrinhas.

    Para garantir a rentabilidade do milho verão, que é plantado entre outubro e novembro na região Sul e até novembro na Bahia, os produtores devem adotar boas práticas de manejo. Por exemplo, como adubação adequada e semeadura de híbridos de alto potencial.  A utilização de tecnologias inovadoras para proteção da cultura e controle de pragas e doenças também ajuda.

    Principais pragas

    Uma das principais pragas do milho verão é o percevejo barriga-verde (Dichelops melacanthus). Ela pode causar uma redução de aproximadamente 5,38% na produção de grãos por hectare, caso haja uma infestação de um percevejo por metro quadrado. Esse inseto se alimenta das plântulas, causando danos físicos e fisiológicos, podendo levar a espigas reduzidas ou até mesmo afetar completamente o desenvolvimento da cultura.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Inteligência Artificial promete revolucionar a gestão de irrigação na agricultura
    + Agro em Campo: Conheça a batata-doce que combate à fome no Semiárido pernambucano

    Outra praga importante é a cigarrinha (Dalbulus maidis), vetora de doenças como o enfezamento pálido, enfezamento vermelho e risca do milho. Ela pode atingir altas populações em apenas um ciclo da cultura, que dura cerca de 180 dias. “A ponte verde entre o milho verão e o milho safrinha permite que o ciclo de vida da cigarrinha seja completo, favorecendo o aumento de sua população. E, consequentemente, mais incidência de enfezamentos”, explica Fábio Lemos, gerente de culturas e portfólio da FMC.

    Rentabilidade e desafios

    De acordo com a Embrapa, a cigarrinha adquire os molicutes ao se alimentar da seiva de uma planta de milho doente. Desta forma, pode transmiti-los para plantas sadias durante a alimentação. Isso após um período latente de 3 a 4 semanas, que pode ser reduzido em condições de altas temperaturas.

    Apesar dos desafios, o milho verão continua sendo uma opção rentável para os produtores rurais em diversas regiões do Brasil. Com a adoção de boas práticas de manejo e o controle eficaz das principais pragas, os agricultores podem maximizar a produtividade e a rentabilidade dessa cultura.