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  • Conhecida como “olho de dragão”, fruta exótica pode virar aposta dos pomares

    Conhecida como “olho de dragão”, fruta exótica pode virar aposta dos pomares

    Pouco conhecida no Brasil, a longan começa a despertar o interesse de agricultores e consumidores atraídos por frutas exóticas. Parente próxima da lichia, a espécie chama atenção pelo sabor acentuadamente doce, pela aparência incomum e pelo potencial de ocupar espaços voltados a produtos diferenciados.

    Longan
    Foto: Kate Walton/ Flickr

    Tradicional em países como China, Tailândia e Vietnã, a fruta ainda aparece de forma tímida no mercado brasileiro. Essa raridade, porém, pode funcionar como um dos seus principais atrativos, sobretudo entre produtores que buscam diversificar o cultivo e alcançar públicos interessados em novidades.

    O que é a longan e por que ela lembra a lichia

    Cientificamente chamada de Dimocarpus longan, a fruta pertence à família das sapindáceas, o mesmo grupo botânico que reúne a lichia e o rambutã. Originária do sul da Ásia, a espécie tem registros de cultivo que ultrapassam dois mil anos e ocupa lugar de destaque tanto na culinária quanto na medicina tradicional chinesa.

    O apelido “olho de dragão” resume bem sua aparência: sob uma casca fina e amarronzada, a polpa translúcida envolve uma semente escura, criando um efeito visual que lembra um olho. Cada fruto pesa entre 6 e 19 gramas e tem tamanho próximo ao de uma azeitona grande ou uma uva.

    A longan mantém semelhanças visuais e botânicas com a lichia, o que pode facilitar sua apresentação ao consumidor. Mesmo assim, possui identidade própria: o sabor é descrito como doce e levemente almiscarado, com quem já provou comparando a experiência a uma mistura entre lichia e melão.

    Sabor doce e ficha nutricional chamam atenção

    O sabor delicado e naturalmente adocicado aparece entre os principais pontos de interesse da fruta. A aparência também desperta curiosidade imediata, principalmente entre pessoas que têm contato com o fruto pela primeira vez.

    Além do paladar, a longan carrega um perfil nutricional robusto. A cada 100 gramas, a fruta oferece cerca de 84 mg de vitamina C, valor que supera a recomendação diária do nutriente. O fruto também concentra potássio, cobre, magnésio, fósforo, manganês e vitaminas do complexo B, incluindo o ácido fólico. Estudos apontam ainda a presença de compostos antioxidantes, como polifenóis, que contribuem para a proteção das células contra o estresse oxidativo.

    Longan
    Foto: Hoisang/ Flickr

    A composição baixa em gordura e sódio, somada ao alto teor de açúcares naturais, reforça o apelo da longan como opção de consumo doce e ao mesmo tempo nutritiva. Ainda que pessoas com restrição de açúcar devam consumi-la com moderação.

    Um nicho de mercado ainda em formação

    Por ainda ser pouco conhecida no país, a longan pode encontrar espaço em mercados que valorizam produtos raros. Feiras especializadas, empórios de luxo, mercados gourmet e restaurantes ligados à alta gastronomia surgem como possíveis caminhos para a comercialização.

    O cultivo da fruta acompanha um movimento de produtores que procuram alternativas fora das commodities tradicionais. Em vez de depender apenas de culturas já consolidadas, a introdução de espécies exóticas amplia a variedade dos pomares e abre novas possibilidades de renda.

    A raridade do produto ajuda a construir um apelo comercial ligado à exclusividade. Consumidores interessados em sabores diferentes e ingredientes pouco comuns tendem a formar o público inicial desse tipo de cultivo. No cenário internacional, o quadro é distinto: a longan figura entre as frutas tropicais de menor porte com maior volume de produção global, com exportação relevante de polpa seca, suco e conserva para Europa, América do Norte e Austrália. Um indicativo do potencial que o produto ainda pode desenvolver por aqui.

    Ainda assim, o mercado brasileiro permanece em fase de formação. Não existem dados consolidados sobre o volume total produzido, a área ocupada pelas plantações ou a comercialização em larga escala no país. Sem números amplos, o cultivo deve ser visto como uma experiência promissora, mas ainda inicial. O avanço dependerá da aceitação dos consumidores e do interesse de outros agricultores em testar a espécie.

    Adaptação ao clima brasileiro exige cuidados

    A longan precisa de atenção durante todo o ciclo de cultivo até a colheita. O manejo específico da planta faz parte dos desafios enfrentados por quem decide introduzir a fruta em uma propriedade. Na origem, a árvore pode ultrapassar 30 metros de altura, o que também influencia decisões sobre espaçamento e manejo em pomares comerciais.

    Experiências de plantio já realizadas indicam que a espécie consegue se adaptar a determinadas condições encontradas no país. Esse resultado inicial aumenta o interesse de produtores que acompanham a expansão de frutas exóticas no Brasil.

    A adaptação, no entanto, não garante que o cultivo em grande escala vingue. Como a produção ainda é limitada, o comportamento da cultura precisa ser observado ao longo do tempo, em diferentes regiões e condições de solo e clima.

    Potencial comercial e diversificação no campo

    A aparência incomum pode ajudar a longan a ganhar destaque em pontos de venda. Em feiras e empórios, a fruta tende a chamar atenção pelo simples fato de ser diferente das opções mais conhecidas pelo consumidor brasileiro.

    O sabor doce também favorece a aproximação com o público. A relação com a lichia oferece uma referência conhecida, embora a longan mantenha identidade própria. Restaurantes e estabelecimentos voltados à gastronomia representam outra oportunidade: ingredientes exóticos costumam despertar o interesse de cozinhas que buscam apresentar novas experiências aos clientes.

    Longan
    Foto: Fruitnet/ Flickr

    A presença da longan em propriedades rurais mostra como frutas raras podem integrar estratégias de diversificação. A espécie não precisa substituir culturas tradicionais, mas pode dividir espaço com elas e ampliar o número de produtos oferecidos por um mesmo produtor.

    Esse modelo permite testar a aceitação do mercado sem depender exclusivamente de uma cultura ainda pouco conhecida. Caso a procura aumente, o plantio pode ganhar novas áreas e alcançar outros produtores.

    Por enquanto, a longan permanece como uma aposta. Seu sabor doce, o visual exótico, a riqueza nutricional e a proximidade com a lichia formam os principais elementos capazes de atrair consumidores. A fruta ainda tem um longo caminho até conquistar presença regular no mercado brasileiro. Mesmo assim, o interesse já despertado mostra que espécies asiáticas pouco conhecidas podem abrir espaço entre agricultores e compradores que procuram alternativas fora do comum.

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  • 5 hortaliças ideais para plantar em agosto

    5 hortaliças ideais para plantar em agosto

    Agosto marca uma transição importante para a agricultura em boa parte do Brasil. Com o aumento gradual das temperaturas e da incidência de luz solar, diversas hortaliças encontram condições favoráveis para iniciar o desenvolvimento.

    Para quem deseja renovar a horta, seja em casa ou na propriedade rural, este é um dos períodos mais indicados para o plantio de algumas espécies.

    Confira abaixo quais hortaliças podem ser cultivadas neste mês.

    Abóbora

    Originária do continente americano, a abóbora é sensível ao frio intenso e não tolera geadas.

    Por isso, a Embrapa recomenda o plantio durante este período principalmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Em condições favoráveis, a colheita acontece entre 90 e 120 dias após a semeadura.

    Alface

    A alface é uma das hortaliças mais consumidas pelos brasileiros e pode ser cultivada em todas as regiões do país.

    Entre as variedades mais conhecidas estão a crespa, lisa, americana, romana, mimosa e roxa. Em geral, a colheita ocorre cerca de dois meses após o plantio, tornando a cultura uma excelente opção para hortas domésticas.

    Beterraba

    A beterraba se desenvolve melhor em solos leves, bem drenados e sob temperaturas amenas.

    Nas regiões Sul e Sudeste, o cultivo pode ser realizado durante todo o ano. Já nas demais regiões brasileiras, a Embrapa recomenda a semeadura entre abril e agosto. A colheita costuma ocorrer aproximadamente dois meses depois do plantio.

    Cebolinha

    Muito utilizada como tempero, a cebolinha apresenta boa adaptação a temperaturas amenas e frias.

    O cultivo é simples, exige poucos cuidados e ainda permite rebrotas após a colheita. Em condições adequadas, as folhas podem ser colhidas em cerca de 70 dias, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.

    Nabo

    O nabo pertence à mesma família do repolho, da couve e do rabanete.

    A semeadura deve ser feita diretamente no solo, preferencialmente em áreas de textura argilosa. Segundo a Embrapa, o plantio é indicado durante o outono e o inverno na maior parte do país. Em regiões de maior altitude, onde as temperaturas permanecem entre 15°C e 25°C, o cultivo pode ocorrer durante todo o ano.

    A colheita é rápida e normalmente acontece a partir de 50 dias após a semeadura.

    Como ter melhores resultados na horta?

    Independentemente da espécie escolhida, alguns cuidados ajudam a aumentar a produtividade:

    • Utilize sementes ou mudas de boa procedência.
    • Mantenha o solo fértil e bem drenado.
    • Faça irrigação regular, evitando encharcamentos.
    • Respeite o espaçamento recomendado para cada cultura.
    • Observe as condições climáticas da sua região antes do plantio.

    Com planejamento e os cuidados adequados, agosto pode ser um excelente período para iniciar uma nova produção.

  • Feijão preto pode render até 6 mil kg/ha? Conheça a aposta da Embrapa

    Feijão preto pode render até 6 mil kg/ha? Conheça a aposta da Embrapa

    O feijão preto ocupa um lugar insubstituível na cultura alimentar brasileira. Portanto, quando a oferta interna cai, os impactos chegam direto ao bolso do consumidor e à rentabilidade do produtor.

    Em safras nas quais a produção nacional não consegue abastecer o mercado interno, é comum o Brasil importar feijão preto de países como Argentina e China. Assim, a Embrapa Arroz e Feijão apresentou ao mercado uma resposta concreta. Trata-se da cultivar BRS FP417, lançada em fevereiro de 2025 durante o 36º Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR).

    O setor produtivo nacional ganha um material genético desenvolvido para elevar produtividade, reduzir perdas por doenças e melhorar a qualidade comercial dos grãos.

    O que torna a BRS FP417 diferente

    A BRS FP417 se destaca por reunir resistência a várias doenças que impactam a rentabilidade da cultura, apresentando ótimos níveis de resistência à antracnose e à murcha de fusário, além de resistência intermediária ao crestamento bacteriano comum e à murcha de curtobacterium. Essas enfermidades causam perdas expressivas em lavouras de todo o Brasil. Por isso, a resistência genética se traduz em economia direta para o produtor, sem precisar aumentar o custo com fungicidas.

    Foto: ARAÚJO, Sebastião José de

    Além disso, a cultivar se destaca pela rusticidade aliada à alta produtividade e excelente qualidade comercial de grãos. Não se trata apenas de uma planta resistente. Trata-se de um material que entrega desempenho superior em condições reais de campo. A BRS FP417 possui alto rendimento de peneira 11 (4,25mm), atingindo 86% dos grãos nessa classificação, e tempo médio de cocção de 32 minutos. Dessa forma, o grão atende tanto às exigências da indústria alimentícia quanto às do consumidor final.

    Produtividade: os números que interessam ao produtor

    Com ciclo de desenvolvimento normal, o potencial produtivo da BRS FP417 pode chegar a 6.000 kg/ha, dependendo do ambiente de produção. A média nacional de produtividade do feijão gira em torno de 1.400 a 1.500 kg/ha. Assim, o potencial dessa cultivar é quatro vezes superior à média do setor.

    Nos experimentos de validação, a linhagem apresentou produtividade média de 2.465 kg/ha, com potencial de 4.096 kg/ha a partir da média dos cinco experimentos com as maiores produtividades. Esses resultados, portanto, são sólidos e replicáveis.

    Um dos grandes diferenciais da BRS FP417 é sua arquitetura ereta de porte alto com resistência ao acamamento, o que facilita a colheita mecanizada. A cultivar atende diretamente à demanda por lavouras adaptadas a sistemas modernos e de larga escala.

    Onde adquirir as sementes da BRS FP417

    A proposta é comercializada por empresas parceiras da Embrapa: Sementes Cittolin, NL Lunardi Sementes, Cooperativa Agrícola Mista São Cristóvão, Cooperativa Agroindustrial Alfa, Coprossel e outras licenciadas.

    A BRS FP417 está registrada para os estados de AL, BA, CE, DF, GO, MA, MS, MT, PB, PE, PI, PR, RJ, RN, RS, SE, SC, SP e TO. Assim, produtores de diferentes regiões produtoras estratégicas do país já podem planejar a adoção da nova cultivar.

    O mercado do feijão preto: oportunidade para quem produz com qualidade

    O cenário atual do mercado de feijão preto combina expansão das exportações e pressão de preços internos. A Conab estimou que a produção de feijão preto cresceu 14% no Brasil em 2025, alcançando 811,3 mil toneladas.

    Mesmo com esse crescimento, o mercado externo absorve cada vez mais. Em 2024, as exportações brasileiras de feijão somaram 217 mil toneladas, um recorde histórico.  Por outro lado, as cotações do feijão preto ao produtor cederam cerca de 36,4% em 2025 em comparação à média de 2024.

    Nesse contexto, produtividade e qualidade passam a ser os principais fatores de competitividade. Portanto, cultivares como a BRS FP417 chegam em momento oportuno. Afinal, produzir mais por hectare, com grãos de padrão comercial elevado, é o caminho mais eficiente para preservar a margem mesmo em cenários de queda de preço.

    A Embrapa se dedica à busca de cultivares que permitam aos agricultores ofertarem produtos de melhor qualidade aos consumidores, conseguindo, consequentemente, melhores rendimentos com a cultura.

  • Colheita uniforme eleva produtividade e qualidade do feijão-vagem no campo

    Colheita uniforme eleva produtividade e qualidade do feijão-vagem no campo

    A busca por eficiência no manejo e qualidade comercial tem levado produtores a investir em variedades de feijão-vagem com colheita concentrada e vagens mais uniformes. Em polos tradicionais de cultivo, como São Paulo, Sul de Minas, Goiás, Paraná e Santa Catarina, esse tipo de material vem ganhando popularidade por combinar produtividade, vigor de planta e excelente aparência visual.

    O especialista em Cinturão Verde Roberto Araújo explica que a colheita concentrada se tornou um dos principais diferenciais no campo. “Enquanto outros materiais exigem duas ou três passadas para aproveitar todo o potencial produtivo, há variedades que alcançam cerca de 90% das vagens prontas simultaneamente. O produtor consegue colher praticamente tudo de uma vez”, comenta.

    Essa característica reduz danos às plantas, comuns em colheitas repetidas, e melhora o aproveitamento da produtividade final. A concentração também simplifica a gestão da mão de obra e favorece operações de mecanização, que ganham agilidade e precisão com a uniformidade das vagens.

    Além da praticidade na colheita, as variedades determinadas se destacam pela qualidade do produto final. Segundo Araújo, a coloração verde mais intensa garante melhor aparência e amplia a durabilidade nas gôndolas. “Vagens muito claras aparentam ressecamento em poucos dias. As de tom mais escuro mantêm o aspecto fresco por mais tempo”, afirma.

    Mercado

    O formato cilíndrico e a baixa presença de fibras atendem à preferência do mercado e melhoram a textura e o sabor. Outro destaque é a formação lenta das sementes, que prolonga a janela de colheita sem prejudicar o visual do produto. “Com sementes que se formam mais devagar, a vagem mantém o valor comercial mesmo que o produtor demore um pouco mais para colher”, completa.

    Com ciclo médio entre 50 e 60 dias e boa adaptação a diferentes regiões, o feijão-vagem determinado se consolida como uma opção eficiente para quem busca simplicidade no manejo e vagens de alto padrão. Araújo reforça que o sucesso da cultura depende do respeito às janelas ideais de plantio, evitando períodos de frio intenso e geadas, que podem comprometer o desempenho da lavoura.

  • Norte de Minas se consolida como polo de produção de cacau

    Norte de Minas se consolida como polo de produção de cacau

    O Norte de Minas transformou suas características climáticas adversas em oportunidade de negócio. A região, conhecida pelo clima seco, altas temperaturas e baixo índice pluviométrico, agora abriga um dos polos emergentes de cultivo de cacau no país.

    Pesquisadores da Universidade Estadual de Minas Gerais (Unimontes) desenvolveram um método que viabiliza a produção do fruto em áreas não tradicionais. O projeto recebe apoio do Governo de Minas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), e já projeta resultados expressivos.

    Área plantada cresce 525% em dois anos

    O engenheiro agrônomo Victor Martins Maia, especialista em fitotecnia da Unimontes, lidera as pesquisas. Os dados atuais registram 480 hectares ocupados com plantações de cacau em Minas Gerais. Para 2026, as projeções apontam crescimento para três mil hectares plantados.

    “A indústria mundial busca locais que ofereçam estabilidade e capacidade de fornecimento de cacau. O Brasil tem a possibilidade de crescer com produtividade e tecnologia para atender a demanda mundial”, afirma Maia.

    O pesquisador coordena o Centro Tecnológico para Cacauicultura em Regiões Não Tradicionais (CTCRNT). A Fapemig destinou aproximadamente R$ 3,5 milhões ao centro, que desenvolve estudos sobre consumo de água irrigada, tipos de mudas e adubação nas plantações.

    Técnica a pleno sol substitui modelo da cabruca

    O método desenvolvido pela Unimontes permite o plantio de cacau a pleno sol, em consórcio com lavouras tradicionais de banana que já possuem sistema de irrigação. A técnica contrasta com o cultivo “na cabruca”, modelo tradicional que produz o fruto em meio à Mata Atlântica raleada.

    Foto: Letícia Fagundes/Agência MG

    No sistema inovador, os produtores cultivam clones de cacau mais resistentes à sombra das bananeiras. As mudas crescem durante dois anos, passam por podas sucessivas e se preparam para suportar a produção em condições climáticas desafiadoras.

    Consórcio garante renda ao produtor

    A associação entre cacau e banana traz vantagens econômicas imediatas aos produtores. “Do ponto de vista econômico, o modelo garante renda constante ao produtor. Enquanto aguarda o cacau começar a produzir, ele mantém a comercialização de banana”, explica Victor Maia.

    O centro também aplica visão computacional na predição da produção e estuda sistemas agroflorestais que consorciam o cacau com macadâmia ou abacaxi.

    Trajetória de pesquisa supera desafios climáticos

    A pesquisa começou em 2011, quando a equipe analisou o cultivo de clones adaptados em Janaúba. Anos seguidos de seca severa comprometeram os primeiros experimentos. Os clones plantados na fazenda experimental, sem irrigação, não resistiram ao período de estiagem.

    A equipe reformulou a estratégia e identificou clones trazidos da Bahia mais adaptados à região. Em 2017, o projeto recebeu novo apoio da Fapemig para experimentos em campo. Naquele ano, os pesquisadores promoveram os primeiros eventos técnicos de extensão, que levaram os resultados aos produtores locais. Desde então, a Unimontes realiza eventos específicos sobre cultivo de cacau no semiárido mineiro a cada dois anos.

    Terroir do sertão: próximo passo da cacauicultura mineira

    O CTCRNT desenvolve atualmente um projeto em parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla) sobre fermentação do cacau para produção de chocolate. A iniciativa pode resultar no nascimento de um “terroir do sertão”, com cacau que apresenta características únicas da região.

    “Esse é apenas o começo da cacauicultura em Minas”, conclui o pesquisador Victor Maia.

  • Cultivo de Cannabis medicinal: Anvisa define próximos passos da regularização

    Cultivo de Cannabis medicinal: Anvisa define próximos passos da regularização

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apresentou nesta quarta-feira (8/10) uma atualização sobre as medidas que desenvolve para atender à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) relacionada ao cultivo de Cannabis para fins medicinais e farmacêuticos. A apresentação ocorreu durante a 16ª Reunião Pública da Diretoria Colegiada da Agência.

    O STJ reconheceu, em novembro de 2024, o direito de pessoas jurídicas importarem sementes da planta, além de plantarem, cultivarem e comercializarem o cânhamo industrial (hemp) destinado exclusivamente a finalidades medicinais e industriais farmacêuticas. O tribunal definiu que a variedade da Cannabis com teor de tetrahidrocanabinol (THC) inferior a 0,3% não pode ser considerada proibida.

    Agência busca mais tempo para regulamentação completa

    O diretor relator do tema na Anvisa, Thiago Campos, revelou que a Agência pretende avançar na proposta de regulamentação e cobrir pontos que a minuta inicial não contemplou, devido ao prazo restrito estabelecido para regulamentar a questão. A Advocacia-Geral da União (AGU) já solicitou ao STJ uma extensão do prazo para a regulamentação.

    “A expectativa é que possamos elaborar uma norma mais completa, que atenda de forma adequada todas as necessidades em torno do assunto”, destacou o diretor.

    Pontos críticos em discussão

    As equipes técnicas da Anvisa já trabalham em diversos questionamentos que a norma deve abordar:

    • Cumprimento integral da decisão judicial
    • Definição clara sobre pesquisa científica com Cannabis
    • Possíveis impactos da regulamentação sobre decisões judiciais já proferidas e sobre a judicialização
    • Prazos necessários para adequação normativa e operacionalização interna
    • Consequências da fixação de um percentual máximo de THC para medicamentos e produtos de Cannabis já registrados pela Agência com teor superior ao limite estabelecido

    Limite de THC gera preocupação

    Segundo Thiago Campos, a discussão sobre o limite percentual de THC representa um dos pontos centrais do processo regulatório. O relator alertou que a definição desse percentual não pode se tornar um obstáculo à pesquisa e ao desenvolvimento de novos medicamentos.

    A preocupação surge porque diversos produtos de Cannabis já registrados pela Anvisa podem conter teores de THC superiores ao limite de 0,3% estabelecido para o cânhamo industrial.

    A Anvisa realizou recentemente dois encontros estratégicos com setores envolvidos no tema. O primeiro reuniu representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A pauta incluiu a pesquisa com a planta Cannabis sativa e o papel da instituição no desenvolvimento da tecnologia de plantio e cultivo no Brasil.

    O segundo encontro aconteceu em setembro com associações de pacientes. Os participantes discutiram necessidades terapêuticas, acesso aos produtos de Cannabis e a judicialização no setor.

    Em maio deste ano, a AGU apresentou ao STJ um plano de trabalho para atender à decisão judicial. O plano envolve órgãos relacionados ao tema, como Anvisa, Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e Ministério da Saúde.

    No dia 30 de setembro, a AGU solicitou oficialmente uma prorrogação do prazo. O objetivo é permitir que a avaliação e a elaboração da regulamentação atendam de forma mais completa as necessidades identificadas pelos órgãos técnicos e pela sociedade civil.

  • Entenda o cenário da produção de feijão no Brasil

    Entenda o cenário da produção de feijão no Brasil

    A maioria dos produtores de feijão cultiva pequenas áreas no Brasil. Segundo a Embrapa Arroz e Feijão, 97% das lavouras têm menos de cinco hectares. Esses cultivos estão distribuídos em 533,5 mil propriedades rurais.

    Apesar da predominância numérica, as grandes lavouras concentram a produção. Plantios acima de 50 hectares representam apenas 0,5% do total, mas respondem por 75% do feijão colhido nos principais estados produtores.

    Pesquisa da Embrapa detalha perfil do setor

    O estudo utilizou dados do Censo Agropecuário 2017, publicado em 2023 pelo IBGE. Os pesquisadores classificaram as áreas em três categorias: pequenas (até 5 ha), médias (de 5 a menos de 50 ha) e grandes (a partir de 50 ha).

    Segundo o socioeconomista da Embrapa, Alcido Wander, o tamanho da lavoura de feijão não corresponde ao da propriedade rural. Além disso, ele explica que a área de cultivo pode estar dentro de fazendas pequenas, médias ou grandes.

    Produção e consumo do feijão brasileiro

    Foto: divulgação – Embrapa / Sebastião Araújo

    As grandes lavouras, cerca de 3 mil, colheram mais de 1,2 milhão de toneladas de feijão. Já as pequenas áreas contribuíram principalmente para o autoconsumo. Em geral, nessas propriedades, 59% do feijão de cor e 38% do feijão preto ficaram fora do mercado.

    No total, 87% da produção abasteceu o mercado interno. Ou seja, pouco mais de 200 mil toneladas foram destinadas ao consumo das famílias rurais.

    Exportações superam importações

    Nos últimos dez anos, a produção brasileira variou de 2,5 a 3,4 milhões de toneladas. O abastecimento contou também com importações anuais próximas de 100 mil toneladas. Wander observa que o consumo per capita caiu para 13,2 quilos por habitante ao ano.

    Ao mesmo tempo, as exportações cresceram. Desde a safra 2017/18, o Brasil tornou-se exportador líquido de feijão. Na safra 2023/24, o País exportou 150 mil toneladas, alta de 22% em relação a dez anos atrás.

    Projeções para 2033

    Foto: divulgação – Embrapa Agostinho / Didonet

    De acordo com o Ministério da Agricultura, a produção deve cair levemente até 2032/33, alcançando 2,9 milhões de toneladas. O consumo esperado é de 2,7 milhões de toneladas e as importações devem ficar em torno de 65 mil toneladas. “Essas projeções podem mudar com aumento das exportações ou do consumo interno”, afirma Wander.

  • Petrobras investe R$ 3,9 milhões em projeto de cultivo de macroalgas no RN

    Petrobras investe R$ 3,9 milhões em projeto de cultivo de macroalgas no RN

    A Petrobras aprovou o projeto “Algimare: Algicultura Como Renda e Preservação Ambiental”, desenvolvido pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN) em parceria com o Centro AMA-GOA de Cultura e Meio Ambiente. O investimento total será de R$ 3.939.726,00 para a produção de macroalgas nos municípios de Macau e Galinhos, no litoral norte potiguar.

    O projeto, selecionado em 2023 pelo Programa Socioambiental da Petrobras, aguardava a assinatura do convênio para liberação da primeira parcela dos recursos. Com duração de três anos, a iniciativa visa gerar emprego e renda para comunidades locais, além de reduzir a extração predatória de algas naturais.

    Preservação ambiental e desenvolvimento econômico

    O “Algimare” foi um dos projetos aprovados em meio a concorrentes de todo o Brasil e tem como foco a sustentabilidade e inclusão social. A pesquisadora Ana Célia, da Unidade de Aquicultura da EMPARN, destaca que a iniciativa minimizará a colheita excessiva de algas nos bancos naturais, promovendo um equilíbrio ecológico.

    Foto: Divulgação EMPARN

    Serão instaladas duas unidades de produção da macroalga Gracilaria birdiae – uma em Diogo Lopes (Macau) e outra em Galinhos. A EMPARN ficará responsável pelas orientações técnicas, enquanto o Centro AMA-GOA executará o cultivo e os experimentos.

    Benefícios econômicos e aplicações das macroalgas

    De acordo com Josemir Neves, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da EMPARN, o projeto fortalecerá a economia local, especialmente para marisqueiras e pescadoras das comunidades envolvidas.

    As macroalgas são organismos fotossintéticos com diversas aplicações, podendo ser consumidas in natura ou processadas para:

    • Alimentos (como estabilizantes e espessantes)
    • Indústria farmacêutica e cosmética
    • Rações animais e fertilizantes
    • Biotecnologia

    Com o início das atividades, a expectativa é que o projeto Algimare se torne um modelo de desenvolvimento sustentável, alinhando preservação ambiental e geração de renda no Rio Grande do Norte.

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  • Zona da Mata mineira surpreende com potencial para arroz de sequeiro

    Zona da Mata mineira surpreende com potencial para arroz de sequeiro

    A Zona da Mata mineira está se revelando uma nova fronteira agrícola para o cultivo de arroz de sequeiro, com produtividades que desafiam expectativas. Dados divulgados em abril de 2024 pela Emater-MG e Epamig comprovaram que unidades demonstrativas implantadas em Olaria, Lima Duarte e Santana do Garambéu alcançaram mais de 5 toneladas por hectare em todas as variedades testadas, com picos de até 10 toneladas na cultivar CMG 1590. Os resultados apontam um cenário promissor para agricultores familiares e a economia regional.

    Resultados que superam expectativas

    As unidades, instaladas em novembro de 2023 em parceria com Ufla e prefeituras, testaram sete variedades de arroz em áreas de 500 m² cada. A metodologia rigorosa incluiu medição de área, pesagem de grãos e ajustes por umidade e impurezas. Enquanto a expectativa inicial era de 3 toneladas/hectare, o desempenho foi surpreendente:

    • CMG 1590: 10 toneladas/hectare (melhor resultado);
    • Arroz aromático: 8,15 toneladas/hectare;
    • Variedade crioula tradicional: apenas 1,2 tonelada/hectare.

    “O arroz aromático, por exemplo, tem alto valor de mercado, o que pode agregar renda aos produtores”, destacou Marco Aurélio Moreira, coordenador regional de Culturas da Emater-MG.

    Em Santana do Garambéu, município de altitude elevada, variações térmicas afetaram a qualidade dos grãos em algumas cultivares. Ainda assim, a CMG 1590 manteve resistência e produtividade. Já em Lima Duarte, ataques de capivaras e pássaros trouxeram desafios, mas não houve infestações graves de pragas ou doenças.

    “Os danos foram pontuais e não comprometeram os resultados gerais”, explicou Janine Guedes, pesquisadora da Epamig, reforçando a robustez das cultivares modernas.

    Parcerias que fortalecem a agricultura familiar

    A colaboração entre Emater-MG, Epamig, Ufla e prefeituras foi essencial para o sucesso. Enquanto a Epamig liderou a pesquisa e a Emater-MG a extensão rural, as prefeituras forneceram apoio logístico, e a Ufla contribuiu com recursos humanos.

    “Pesquisa e extensão juntas são capazes de transformar a realidade do pequeno produtor”, afirmou Janine Guedes. Em Olaria, por exemplo, cerca de 40 agricultores visitaram a propriedade de Vicentina Oliveira, uma das participantes. “No começo, duvidei, mas o resultado foi incrível. Agora quero ampliar a produção para vender ao Pnae e em feiras”, comemorou Vicentina.

    Um novo horizonte para a região

    Os números abrem caminho para a diversificação da produção na Zona da Mata, tradicionalmente focada em culturas como café e leite. Com variedades de alto rendimento e valor comercial, como o aromático, o arroz de sequeiro pode se tornar uma alternativa viável para geração de renda e segurança alimentar.

    A próxima etapa inclui a disseminação de técnicas de manejo e a expansão das cultivares para outras áreas. Enquanto isso, os agricultores da região já enxergam no arroz uma semente de esperança para colheitas mais fartas.

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  • Produção de café no Brasil deve atingir 51,81 milhões de sacas 

    Produção de café no Brasil deve atingir 51,81 milhões de sacas 

    A safra de café do Brasil em 2025 deve somar 51,81 milhões de sacas de 60 kg, segundo estimativas do primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Ou seja, o volume representa uma queda de 4,4% em relação à produção de 2024, que foi de 54,21 milhões de sacas.

    Estimativa detalhada de produção

    A produção de Coffea arabica deve atingir 34,68 milhões de sacas, cultivadas em 1,48 milhão de hectares. A produtividade média esperada é de 23,43 sacas por hectare. Em geral, o volume equivale a 66,94% da produção total prevista para o país. No entanto, essa estimativa indica uma queda de 12,4% em relação a 2024, quando a colheita chegou a 39,59 milhões de sacas.

    Por outro lado, a produção de Coffea canephora (robusta+conilon) deve crescer 17,2%, alcançando 17,13 milhões de sacas. O cultivo ocorre em uma área de 369,7 mil hectares, com produtividade estimada em 46,3 sacas por hectare. Esse volume representará 33,06% da produção nacional de café em 2025.

    A Região Sudeste segue como principal produtora, com 44,93 milhões de sacas, ou 86,72% do total nacional. Apesar da liderança, a região terá uma queda de 6% em relação à safra de 2024, que foi de 47,75 milhões de sacas. O Nordeste aparece em segundo lugar, com 3,41 milhões de sacas (6,58% do total), crescimento de 11% sobre o volume de 2024. A Região Norte deve colher 2,24 milhões de sacas, aumento de 6,2% em relação ao ano anterior. O Sul manterá a produção estável em 675,3 mil sacas (1,3% do total). No Centro-Oeste, a estimativa é de 463,1 mil sacas, com queda de 11,6% em comparação a 2024.

    A Conab acompanha a safra brasileira de café desde 2001, com quatro levantamentos anuais. O primeiro ocorre em janeiro, o segundo em maio, o terceiro em agosto e o quarto em novembro, quando os dados são consolidados após o fim da colheita. As informações completas estão disponíveis no Observatório do Café, coordenado pela Embrapa Café.

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