A aposta na pitaia como alternativa para diversificar a produção agrícola em Santa Catarina já apresenta resultados expressivos. Com uma projeção de colheita de 7,6 mil toneladas para 2026, a fruta rústica de origem centro-americana encontrou no litoral catarinense o ambiente ideal para prosperar. Esse crescimento, no entanto, trouxe novos desafios: o surgimento de pragas com a comercialização da cultura.

Para enfrentar o problema, pesquisadores da Epagri em Itajaí desenvolvem, desde 2016, um conjunto de conhecimentos pioneiros focado no controle biológico e manejo sustentável. Como o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) praticamente não possui defensivos registrados para a pitaia, a solução reside na manipulação do ambiente e no equilíbrio ecológico.
Identificação de pragas e soluções criativas
O entomologista Marcelo Mendes de Haro identificou 19 potenciais pragas nos pomares, incluindo percevejos, caracóis, besouros e formigas. Os percevejos, atraídos por lavouras de grãos vizinhas, são os principais vilões, pois sugam a seiva e prejudicam a aparência comercial dos frutos.
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Para proteger a produção, os pesquisadores recomendam técnicas que evitam o uso de produtos químicos:
- Ensacamento de frutos: o uso de sacos de TNT reduz as lesões causadas por insetos em até 65%.
- Cobertura do solo: o plantio de amendoim-forrageiro no verão e um mix de sementes no inverno mantém o ecossistema equilibrado.
- Quebra-ventos biológicos: plantas como hibiscos, manacás e até bananeiras atraem pragas para longe da pitaia ou abrigam predadores naturais.

A formiga cortadeira é uma das pragas que mais causam danos às frutas
A pesquisa também destaca a importância da preservação da abelha-irapuá. Por ser uma espécie polinizadora protegida por lei, o manejo dispensa inseticidas ou a retirada de ninhos.
O futuro da pitaia catarinense
Além do manejo de pragas, a Epagri investe no melhoramento genético. O pesquisador Alessandro Borini Lone lidera um projeto que avalia 80 híbridos de pitaia. O objetivo é selecionar, até 2027, variedades adaptadas ao clima e solo do estado que ofereçam frutos com maior dulçor, tamanho e cor atraente. Atualmente, oito materiais promissores já estão em fase de teste.

Para que a informação chegue ao campo, a Epagri lançou diversas publicações técnicas desde 2020. Materiais como o boletim “Cultivo de Pitaia” e livros especializados orientam produtores sobre adubação, polinização e sistemas de plantio direto.
Extensionistas e pesquisadores realizam visitas técnicas e “Dias de Campo” constantemente. Assim, capacitando agricultores em todo o estado para garantir que a pitaia se consolide como uma fonte de renda sustentável e lucrativa para as famílias rurais de Santa Catarina.
