A broca-do-abacate (Stenoma catenifer) representa uma ameaça severa aos produtores catarinenses, com potencial para destruir completamente as safras. A praga ataca os frutos ainda no pomar: as lagartas perfuram a casca, devoram a polpa e chegam até o caroço, inviabilizando a comercialização.
Produtores de abacate em Santa Catarina agora contam com uma ferramenta digital que prevê a ocorrência da praga. O portal Agroconnect, desenvolvido pela Epagri/Ciram, calcula quantas gerações anuais da broca-do-abacate devem surgir em cada região, além da duração de cada ciclo, conforme a temperatura local. O sistema atualiza os dados diariamente.
Ciclo de vida e danos da praga
A broca-do-abacate completa um ciclo destrutivo nos pomares. As mariposas depositam ovos em fissuras, pedicelos e pedúnculos dos frutos. Após a eclosão, as lagartas perfuram a casca e se alimentam da polpa até atingir o caroço. O ataque causa perdas que podem chegar a 100% da produção.
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Cientistas identificaram a praga no Brasil pela primeira vez em 1923. A espécie neotropical ocorre na Venezuela, Peru e México. No território nacional, a broca-do-abacate se distribui amplamente e ataca com frequência os principais estados produtores: São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Paraná.
Projeto Miríades amplia monitoramento de pragas
A pesquisadora Iria Sartor Araújo coordena o projeto Miríades, da Epagri/Ciram, que desenvolveu a nova ferramenta. A iniciativa apoia o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e garante uma abordagem eficiente, econômica e sustentável no controle de infestações agrícolas.
O projeto já calculou a favorabilidade para ocorrência de outras pragas importantes: cigarrinha-do-milho, lagarta-do-cartucho-do-milho, tripes e mariposa oriental das fruteiras. O Miríades também monitora a distribuição e duração de ciclos de vida do mosquito da dengue. Todas as informações estão disponíveis gratuitamente no Agroconnect.
Cultura do abacate tem potencial em Santa Catarina
O cultivo de abacate apresenta potencial significativo em Santa Catarina, especialmente nas regiões litorâneas e em áreas com clima ameno, que minimizam o risco de geadas.

“Diante do cenário de mudanças climáticas, precisamos conhecer a influência das condições do clima tanto em insetos e culturas de grande importância socioeconômica, como também em pragas e culturas com potencial de desenvolvimento em Santa Catarina”, explica Hamilton Vieira, pesquisador da Epagri/Ciram e integrante do projeto Miríades.
A divulgação antecipada da favorabilidade de ocorrência da broca-do-abacate no território catarinense ganha relevância econômica e ambiental. As informações permitem que produtores planejem a instalação de pomares considerando os riscos de cada região.
Como funciona o cálculo de favorabilidade
O sistema utiliza uma equação matemática para calcular a favorabilidade térmica e estimar o número de gerações anuais da praga, a duração de cada ciclo e a distribuição espacial em Santa Catarina.
O cálculo considera a duração em horas do desenvolvimento da mariposa Stenoma catenifer, do ovo até a fase adulta, em função da temperatura média horária. “Os insetos têm pequena massa corporal e dependem altamente da temperatura ambiente”, explica Hamilton Vieira.
