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  • Governo avalia criar lista de ‘agrotóxicos altamente perigosos’

    Governo avalia criar lista de ‘agrotóxicos altamente perigosos’

    O governo federal avalia a criação de uma lista de Agrotóxicos Altamente Perigosos (AAP) baseada em critérios internacionais relacionados à toxicidade para seres humanos e aos riscos para o meio ambiente.

    A proposta, porém, ainda está em análise e não significaria automaticamente a proibição dos produtos enquadrados na lista. Mesmo assim, representantes de produtores e fabricantes de defensivos temem que a classificação provoque restrições indiretas e impactos econômicos sobre a agricultura brasileira.

    Uma minuta de portaria conjunta dos ministérios do Meio Ambiente e da Saúde, do Ibama e da Anvisa reúne 42 ingredientes ativos já proibidos no Brasil e outros 39 registrados e atualmente utilizados no país, segundo informações publicadas pelo Valor Econômico.

    Lista atingiria centenas de defensivos agrícolas

    De acordo com a Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda), os 39 ingredientes ativos registrados aparecem em 864 produtos comerciais de 89 fabricantes.

    Segundo nota técnica da entidade citada pelo Valor, eles representam 26,3% das formulações comerciais de herbicidas, inseticidas e fungicidas disponíveis no país.

    Esses defensivos são utilizados no manejo de diferentes problemas fitossanitários, entre eles:

    • ferrugem asiática da soja;
    • bicudo-do-algodoeiro;
    • antracnose;
    • mofo-branco no feijão;
    • percevejos;
    • cigarrinha-do-milho.

    Governo diz que classificação não significa proibição

    Segundo o material-base, a minuta foi assinada em abril pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Ibama. Desde então, entidades ligadas ao agronegócio vêm se mobilizando contra a publicação.

    A Casa Civil informou que avaliações técnicas e jurídicas continuam sendo realizadas e que, diante da complexidade do assunto, a proposta permanece sob análise do governo federal.

    O Ministério do Meio Ambiente também afirmou que a inclusão de um ingrediente ativo na lista não implicaria vedação automática de seu uso.

    “A categorização de ingredientes ativos de agrotóxicos constitui importante subsídio para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas à redução da exposição a agrotóxicos altamente perigosos ao meio ambiente e à saúde no Brasil”, afirmou a Pasta.

    O Ministério da Saúde informou que ainda não havia recebido o documento.

    Proposta está ligada ao Pronara

    A iniciativa está relacionada ao Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), política federal voltada à redução progressiva do uso desses produtos e ao estímulo a alternativas de menor impacto.

    O programa foi instituído pelo Decreto 12.538/2025 e prevê ações como monitoramento de resíduos em alimentos, incentivo à produção de base ecológica, pesquisa e desenvolvimento de bioinsumos.

    A discussão sobre os chamados Highly Hazardous Pesticides (HHPs) utiliza como referência critérios adotados internacionalmente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), conforme o material analisado.

    Uma ata do comitê gestor do Pronara também aponta que a classificação poderia auxiliar na priorização de alternativas e no incentivo à inovação tecnológica.

    Produtores temem restrições indiretas

    A Aprosoja Brasil classificou a proposta como um “banimento indireto disfarçado”.

    Segundo a entidade, mesmo sem uma proibição formal, a utilização da lista em políticas públicas poderia provocar consequências em áreas como:

    • crédito rural;
    • seguros agrícolas;
    • programas de certificação;
    • compras públicas;
    • comércio exterior;
    • cadeias de exportação.

    A associação também considera possível o surgimento de novas restrições estaduais ou municipais.

    A posição recebeu apoio de aproximadamente 50 entidades ligadas ao Instituto Pensar Agropecuária (IPA).

    Parte do setor também questiona a participação do Ministério da Agricultura na elaboração da medida e a compatibilidade da proposta com a Lei 14.785/2023, que estabeleceu novas regras para registro, controle e fiscalização de agrotóxicos no país.

    A legislação de 2023 efetivamente disciplina pesquisa, produção, registro, classificação, controle, inspeção e fiscalização dos agrotóxicos no Brasil.

    Setor estima impacto bilionário sobre soja e milho

    Um dos principais argumentos contrários à medida envolve eventuais efeitos sobre a produtividade agrícola.

    Em estudo apresentado ao Ministério da Agricultura, a CropLife Brasil estimou que um cenário de restrição significativa na eficácia do controle fitossanitário poderia provocar perda de 12,8 milhões de toneladas de soja, com impacto financeiro de aproximadamente R$ 23,5 bilhões.

    Para o milho, a entidade projetou redução potencial de 92,9 milhões de toneladas, equivalente a cerca de R$ 102 bilhões.

    Somadas, as projeções chegam a R$ 125,5 bilhões.

    Os números, no entanto, são estimativas produzidas pelo setor de defensivos para um cenário hipotético de restrição relevante e não representam uma previsão oficial do governo ou uma consequência já estabelecida da criação da lista.

    Exportações também preocupam o setor

    A CropLife argumenta ainda que a classificação poderia produzir efeitos comerciais e reputacionais sobre produtos agrícolas brasileiros em mercados com regras ambientais mais rígidas, como a União Europeia.

    Segundo a entidade, a existência da lista poderia alimentar novos questionamentos sobre sustentabilidade e padrões produtivos brasileiros durante negociações comerciais e relações com compradores internacionais.

    Em manifestação técnica encaminhada à Casa Civil, o Ministério da Agricultura apresentou críticas à minuta.

    Segundo o documento, a Pasta avaliou que a proposta “apresenta graves inconsistências técnicas, jurídicas e institucionais, configurando risco a um sistema regulatório consolidado, ameaçando a segurança jurídica e a competitividade do agronegócio brasileiro”.

    Já o Ministério do Desenvolvimento Agrário se posicionou favoravelmente à publicação da portaria em manifestação técnica mencionada no processo.

  • Inovação ganha papel estratégico no agro brasileiro

    Inovação ganha papel estratégico no agro brasileiro

    A inovação no agro ocupa papel cada vez mais estratégico para garantir a competitividade da agricultura brasileira. Essa foi a principal conclusão dos debates realizados durante evento promovido pela Bayer, em 15 de junho, em São Paulo. Especialistas, representantes da indústria, juristas e produtores rurais discutiram os fatores que sustentam o desenvolvimento tecnológico no campo e os desafios para atender às novas demandas do mercado.

    Ao longo de três painéis, os participantes defenderam que o avanço do agronegócio depende da combinação entre pesquisa científica, segurança jurídica, proteção da propriedade intelectual e adoção de novas tecnologias. Além disso, destacaram a necessidade de preparar o setor para um cenário marcado pela transição energética, pela busca por sustentabilidade e pelo aumento da demanda global por alimentos e combustíveis renováveis.

    Da pesquisa ao campo

    O painel “Do laboratório à lavoura: como a inovação chega ao campo” contou com a mediação de Francila Calica, diretora de Sustentabilidade e Assuntos Agrícolas da Bayer para a América Latina. Participaram da discussão Fábio Passos, diretor de soja comercial da Bayer; Tages Martinelli, CEO da Sementes Jotabasso; e o produtor rural Pompílio Rocha Silva, engenheiro agrônomo e agricultor de Chapadão do Sul (MS).

    Durante o debate, os especialistas explicaram que o desenvolvimento de uma nova biotecnologia exige tempo, investimento e planejamento. Em muitos casos, uma tecnologia leva entre 12 e 15 anos para chegar ao mercado. Nesse período, pesquisadores realizam estudos em laboratório, testes em campo e avaliações regulatórias antes da liberação comercial.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Os debatedores também destacaram o papel das sementes na transferência de tecnologia. Segundo eles, a genética carrega boa parte das inovações que chegam às propriedades rurais, permitindo ganhos de produtividade, resistência a pragas e maior adaptação às condições climáticas.

    Ao mesmo tempo, os participantes lembraram que a tecnologia não gera resultados sozinha. O produtor precisa combinar genética, manejo e conhecimento técnico para extrair o máximo potencial das ferramentas disponíveis.

    Nesse contexto, as mudanças climáticas ampliam a importância da inovação. Eventos extremos, como estiagens prolongadas e irregularidade das chuvas, exigem cultivares mais resilientes e sistemas produtivos mais eficientes.

    Segurança jurídica impulsiona investimentos

    O segundo painel, “Segurança jurídica e os pilares da inovação”, teve mediação de Andrea Garcia, vice-presidente Jurídica, de Patentes e Compliance da Bayer no Brasil. Participaram da discussão Catharina Pires, diretora de Germoplasma e Biotecnologia da CropLife Brasil, e Luiz Henrique do Amaral, sócio sênior do escritório Dannemann e membro da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI).

    Os especialistas defenderam que a inovação depende de um ambiente regulatório estável e previsível. Segundo eles, empresas e instituições de pesquisa investem bilhões de reais em projetos que levam anos para apresentar resultados. Por isso, a proteção da propriedade intelectual se torna fundamental para estimular novos investimentos.

    Durante o debate, os participantes explicaram que muitas tecnologias estudadas nunca chegam ao mercado. Dessa forma, mecanismos como patentes e proteção de cultivares ajudam a garantir retorno aos investimentos realizados ao longo do processo de pesquisa.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    Catharina Pires ressaltou que o crescimento do agro brasileiro resulta da combinação entre condições produtivas favoráveis, produtores dispostos a adotar tecnologia e um ambiente jurídico capaz de oferecer segurança para quem investe em inovação.

    Além disso, os debatedores abordaram o impacto da pirataria de sementes. Dados apresentados durante o painel indicam que cerca de 11% das sementes de soja utilizadas no Brasil têm origem ilegal. Em algumas regiões do Rio Grande do Sul, esse percentual ultrapassa 28%.

    Segundo os especialistas, a prática provoca prejuízos econômicos para toda a cadeia produtiva. Além disso, aumenta os riscos relacionados à qualidade das sementes, à produtividade das lavouras e à segurança fitossanitária.

    Biocombustíveis ampliam oportunidades

    O terceiro painel, “Sementes, inovação e novas demandas de mercado”, foi mediado por Rafael Mendes, diretor do negócio de soja da Bayer. Participaram da discussão Fábio Meneghin, fundador da Veeries, e Catarina Correa, gerente de Relações Institucionais da Bayer.

    Os participantes analisaram as transformações que devem influenciar o futuro da agricultura brasileira. Segundo eles, a demanda por proteína animal continuará importante para a soja. No entanto, novos mercados começam a ganhar espaço e podem impulsionar a próxima fase de crescimento do setor.

    Entre essas oportunidades estão os biocombustíveis. Os especialistas destacaram que programas voltados ao biodiesel e ao combustível sustentável de aviação (SAF) devem ampliar a demanda por óleo vegetal nos próximos anos.

    Nesse cenário, a Lei do Combustível do Futuro aparece como um instrumento capaz de oferecer previsibilidade para investimentos e estimular o crescimento da cadeia produtiva.

    Além disso, os debatedores destacaram que o Brasil reúne condições favoráveis para aproveitar essa oportunidade. O País possui escala de produção, capacidade tecnológica e experiência na utilização de fontes renováveis de energia.

    Sustentabilidade entra na agenda do mercado

    A sustentabilidade também ganhou espaço nas discussões. Segundo Catarina Correa, os mercados internacionais exigem cada vez mais informações sobre a origem dos produtos e sobre as emissões associadas à produção agrícola.

    Por isso, produtores e empresas precisam avançar na adoção de ferramentas capazes de medir e comprovar práticas sustentáveis. Entre elas estão sistemas de agricultura digital, monitoramento de indicadores ambientais e programas de mensuração de carbono.

    Ao mesmo tempo, os participantes ressaltaram que o aumento da produtividade continua sendo o principal caminho para ampliar a produção de forma sustentável. Dessa forma, a inovação seguirá desempenhando papel central na agricultura brasileira.

    As novas tecnologias também devem contribuir para o desenvolvimento de cultivares mais eficientes, mais adaptadas às mudanças climáticas e capazes de atender às exigências de consumidores e mercados globais.

    Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    O papel da inovação no futuro do agro

    Embora tenham abordado temas distintos, os três painéis convergiram para uma mesma conclusão. O futuro do agronegócio brasileiro dependerá da capacidade de transformar conhecimento científico em soluções práticas para o campo.

    Pesquisa, genética, biotecnologia, segurança jurídica e sustentabilidade formam uma base essencial para sustentar a competitividade do setor. Além disso, a integração entre ciência, indústria e produtores continuará determinando a velocidade com que novas tecnologias chegarão às propriedades rurais.

    Diante das mudanças climáticas, da transição energética e do crescimento da demanda global por alimentos e combustíveis renováveis, os participantes defenderam que a inovação continuará sendo uma das principais ferramentas para garantir o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira nas próximas décadas.

  • Brasil incinera 230 toneladas de agrotóxicos ilegais em 2025

    Brasil incinera 230 toneladas de agrotóxicos ilegais em 2025

    O Brasil incinerou 230 toneladas de defensivos agrícolas ilegais em 2025. Os números fazem parte do balanço anual da CropLife Brasil (CLB), entidade que monitora a destinação final de produtos ilícitos retirados de circulação por meio de operações conjuntas com órgãos públicos de fiscalização e repressão.

    Foto: CropLife Brasil

    Desde 2020, ações coordenadas com a associação resultaram na destruição de cerca de 1,6 mil toneladas de insumos ilegais. Um volume suficiente para preencher pouco mais de dois terços de uma piscina olímpica. No total, 49 operações de cooperação viabilizaram esse resultado.

    O volume de 2025 representa queda de 30% em relação ao ano anterior, quando o setor eliminou 330 toneladas. Segundo Nilto Mendes, gerente de Combate a Produtos Ilegais da CLB, a variação acompanha a redução no montante apreendido pelas autoridades no período.

    “A cooperação é a resposta-chave para o enfrentamento a esse tipo de crime”, afirma Mendes. Segundo ele, a CropLife articula com órgãos federais e estaduais para apoiar as ações de fiscalização e garantir que as autoridades atuem sem preocupação com a destinação final dos itens apreendidos.

    Falsificação e contrabando

    A região Sudeste lidera o ranking de apreensão de agrotóxicos falsificados no país, com destaque para São Paulo e Minas Gerais. Já o contrabando concentra-se nas regiões Sul e Centro-Oeste, especialmente nas faixas de fronteira com Argentina e Paraguai.

    Foto: CropLife Brasil

    Produtos nessas condições não possuem eficiência agronômica comprovada e representam riscos de contaminação humana e ambiental, além de prejudicarem a produção agrícola nacional. O Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF) estima que o mercado ilegal responde por cerca de 25% do total de defensivos agrícolas comercializados no Brasil.

    Como ocorre a destruição

    Os produtos apreendidos passam por uma cadeia de procedimentos antes do descarte: manuseio, reacondicionamento, armazenagem adequada e transporte do Depósito de Mercadorias Apreendidas (DMA) até o local de destruição. A incineração ocorre em estabelecimentos regularmente habilitados, a temperaturas superiores a 900°C.

    Foto: CropLife Brasil

    O processo segue as diretrizes do Sistema Campo Limpo, gerido pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), em conformidade com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

  • CropLife Brasil anuncia Ana Repezza como nova presidente

    CropLife Brasil anuncia Ana Repezza como nova presidente

    A CropLife Brasil (CLB) oficializou nesta segunda-feira (4) a nomeação de Ana Repezza como nova presidente da entidade. A executiva assume o cargo com a missão de ampliar o diálogo institucional, impulsionar pautas regulatórias estratégicas e fortalecer a presença do agronegócio brasileiro nos debates internacionais sobre inovação agrícola.

    Repezza passa a atuar a partir do escritório da associação em Brasília (DF) e lidera a articulação dos quatro segmentos representados pela CLB: defensivos químicos, bioinsumos, sementes e biotecnologia.

    Com mais de 25 anos de experiência, a nova presidente construiu carreira em comércio exterior, relações institucionais e atração de investimentos. Ao longo da trajetória, atuou na formação de consensos em ambientes complexos, tanto no Brasil quanto no exterior, o que reforça seu perfil estratégico para ampliar a competitividade do agro brasileiro.

    “Quero fortalecer o diálogo produtivo que a CropLife já mantém com o governo, no Executivo e no Legislativo. Temos desafios relevantes este ano, com impactos econômicos no setor de insumos, que afetam diretamente a pesquisa e a segurança jurídica”, afirma Ana Repezza.

    Relevância global

    A executiva destaca que o Brasil reúne condições únicas para ampliar sua relevância global, não apenas como exportador de alimentos, mas também como referência em ciência aplicada à agricultura tropical.

    Entre as prioridades da nova gestão estão o incentivo à adoção de tecnologias sustentáveis no campo, a valorização das boas práticas agrícolas e o fortalecimento do papel do país em discussões internacionais sobre segurança alimentar e inovação. “Quero contribuir para que o Brasil avance como protagonista na inovação agrícola global”, reforça.

    O Conselho de Administração da CropLife Brasil conduziu a escolha de Repezza por meio de um processo estruturado, com foco no fortalecimento estratégico da entidade. Durante a transição, a diretoria atuou em modelo colegiado sob supervisão do conselho.

    Trajetória

    Ana Paula L. A. Repezza é mestre em Gestão Internacional pela University of London e possui MBA em Negócios Internacionais e Comércio Exterior pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Também conta com especialização em Globalização e Desenvolvimento Socioeconômico pelo World Trade Institute, da Universidade de Berna, na Suíça. E graduação em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

    Antes de assumir a presidência da CLB, liderou a Diretoria de Negócios da ApexBrasil, onde coordenou mais de 50 missões comerciais internacionais na América Latina, África e Ásia. Também atuou como secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), com foco na formulação de políticas comerciais e regulação de bens agrícolas e industriais.

    A CropLife Brasil reúne empresas, especialistas e instituições que atuam na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias voltadas à produção agrícola sustentável. A entidade concentra sua atuação em quatro áreas: defensivos químicos, bioinsumos, biotecnologia e germoplasma.

  • Brasil alcança marca histórica em registros de insumos agrícolas

    Brasil alcança marca histórica em registros de insumos agrícolas

    O Brasil estabeleceu um novo recorde no setor de insumos agrícolas em 2025. O país registrou 139 novos bioinsumos e 560 novos defensivos químicos, considerando produtos técnicos e formulados, segundo dados do CropData, portal de informações da CropLife Brasil.

    Os agentes microbiológicos lideraram o crescimento entre os bioinsumos. O segmento conquistou 121 novos registros, representando 87% do total e superando o desempenho do ano anterior. Esses agentes incluem microrganismos como bactérias, fungos e vírus que combatem pragas e doenças nas lavouras.

    A entrada de novas empresas no setor e a ampliação das áreas de biológicos nas indústrias multinacionais explicam o aumento expressivo nos registros de bioinsumos.

    Defensivos químicos registram 28 novas moléculas

    No segmento de defensivos químicos, o mercado brasileiro recebeu seis novos registros de produtos técnicos e 22 de produtos formulados com moléculas inéditas. O detalhamento mostra que cerca de 95% dos agroquímicos registrados referem-se a produtos já existentes no mercado – os chamados “genéricos” com moléculas já validadas.

    As exportações de sementes agrícolas mantiveram trajetória positiva e atingiram US$ 233 milhões entre janeiro e novembro de 2025. O valor representa o pico de receita na série histórica dos últimos cinco anos, com aproximadamente US$ 10 milhões acima dos resultados de 2023 e 2024.

    O recorde indica que o Brasil intensificou suas exportações de tecnologia incorporada às sementes, especialmente para países sul-americanos.

    Importações crescem 24% em volume

    As importações de produtos químicos totalizaram US$ 12,9 bilhões no acumulado de janeiro a novembro de 2025, registrando alta de 16% em receita. O aumento representa US$ 1,8 bilhão a mais em comparação ao mesmo período de 2024.

    O volume importado cresceu 24%, saltando de 1.305.312 toneladas em 2024 para 1.621.095 toneladas em 2025. A CropLife Brasil monitora o desembarque de defensivos químicos formulados, compostos técnicos e matérias-primas importadas, utilizados pela indústria nacional para formulação local.

    Indústria aponta desafio com inovação

    Renato Gomides, gerente executivo da CropLife Brasil, avalia o cenário como extremamente positivo para o dinamismo regulatório e a ampliação da oferta de produtos. “O recorde fortalece a oferta de soluções ao produtor rural e contribui para a competitividade do mercado”, afirma.

    No entanto, Gomides ressalta uma limitação importante. “A entrada de tecnologias efetivamente inovadoras permaneceu limitada, tanto no segmento químico quanto no de biológicos. Os registros ‘genéricos’ avançaram mais do que a inovação disruptiva”, explica o executivo.

    O gerente destaca que o desafio atual vai além do alto volume de registros. O Brasil precisa criar condições para consolidar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) de novas tecnologias, fundamentais para enfrentar a resistência de pragas e aumentar a produtividade e sustentabilidade da agricultura brasileira.

  • Defensivos agrícolas falsificados: sinais de alerta que todo produtor deve conhecer

    Defensivos agrícolas falsificados: sinais de alerta que todo produtor deve conhecer

    O mercado brasileiro enfrenta um problema crescente com defensivos agrícolas falsificados. Estes produtos colocam em risco a produtividade das lavouras e a saúde dos trabalhadores rurais. Produtores precisam desenvolver estratégias eficazes para identificar e evitar essas falsificações.

    O Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF) calcula que produtos ilegais já ocupam 25% do mercado brasileiro de defensivos químicos, que movimenta cerca de US$ 60 bilhões por ano. Entre 2018 e 2020, o roubo de cargas gerou um prejuízo de R$ 214 milhões.

    Mas o impacto vai além das perdas econômicas: o uso de insumos não registrados reduz a eficácia agronômica, favorece o surgimento de pragas resistentes e expõe trabalhadores rurais, consumidores e o meio ambiente a riscos significativos, como a contaminação da água e do solo e casos de intoxicação, já que esses produtos não passam pelas avaliações da ANVISA, do IBAMA ou do Ministério da Agricultura e Pecuária.

    Verifique sempre a procedência dos produtos

    Compradores devem investigar a origem dos defensivos antes da compra. Produtos falsificados frequentemente chegam ao mercado através de canais irregulares. A rastreabilidade representa um fator fundamental na identificação de produtos originais.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    Fabricantes legítimos mantêm registros detalhados de distribuição. Estes registros permitem rastrear cada lote desde a produção até o ponto de venda. Produtores podem solicitar essas informações aos revendedores para confirmar a autenticidade.

    Analise embalagens e rótulos com atenção

    Falsificadores cometem erros frequentes nas embalagens dos produtos. Cores desbotadas, impressão de baixa qualidade e informações incorretas denunciam produtos falsos. Embalagens originais apresentam acabamento impecável e informações precisas.

    Rótulos autênticos contêm códigos de barras funcionais e números de registro atualizados. Produtores devem verificar estes códigos através de aplicativos específicos ou sites oficiais. Informações inconsistentes ou códigos inexistentes indicam falsificação.

    A qualidade do material da embalagem também revela muito sobre o produto. Embalagens falsas utilizam materiais mais baratos e frágeis. Tampas que não fecham corretamente ou vazamentos também sinalizam problemas.

    Compre apenas de revendedores autorizados

    Revendedores autorizados passam por rigorosos processos de credenciamento. Eles mantêm contratos diretos com os fabricantes e seguem protocolos específicos de armazenamento. Esta cadeia controlada reduz significativamente o risco de falsificações.

    Órgãos reguladores mantêm listas atualizadas de distribuidores autorizados. Produtores podem consultar essas listas nos sites oficiais do MAPA (Ministério da Agricultura) e dos fabricantes. Compras fora desta rede autorizada aumentam consideravelmente os riscos.

    Revendedores legítimos oferecem garantias e suporte técnico adequado. Eles possuem técnicos capacitados para orientar sobre aplicação e dosagem. Vendedores irregulares raramente oferecem esse tipo de apoio.

    Desconfie de preços muito baixos

    Preços significativamente abaixo do mercado levantam suspeitas imediatas. Defensivos originais têm custos de produção elevados devido às exigências regulatórias. Ofertas muito vantajosas frequentemente escondem produtos falsificados ou vencidos.

    Produtores devem pesquisar preços em diferentes revendedores autorizados. Esta pesquisa estabelece uma faixa de preços de referência para cada produto. Descontos superiores a 20% do valor médio merecem investigação cuidadosa.

    Promoções legítimas sempre vêm acompanhadas de documentação oficial. Fabricantes comunicam oficialmente suas campanhas promocionais. Vendedores que não conseguem comprovar a origem dos descontos levantam bandeiras vermelhas.

    Examine detalhes técnicos dos produtos

    Produtos falsificados apresentam composições químicas incorretas ou incompletas. Análises laboratoriais revelam diferenças significativas entre produtos originais e falsificados. Princípios ativos em concentrações erradas comprometem a eficácia.

    Testes simples podem ser realizados na propriedade para verificar a autenticidade. Produtos que não se dissolvem adequadamente ou apresentam sedimentação excessiva merecem suspeita. Odores estranhos ou cores diferentes do padrão também indicam problemas.

    Documentos técnicos como bulas e fichas de segurança devem estar completos e atualizados. Informações vagas ou genéricas sugerem produtos falsificados. Originais sempre apresentam dados técnicos precisos e detalhados.

    Exija certificações e registros obrigatórios

    Todo defensivo agrícola precisa ter registro no MAPA para comercialização legal. Este registro garante que o produto passou por testes de eficácia e segurança. Números de registro devem ser verificados no sistema oficial do ministério.

    Certificados de qualidade ISO e outros selos técnicos agregam credibilidade ao produto. Fabricantes sérios investem em certificações que comprovam seus padrões de qualidade. Falsificadores raramente conseguem reproduzir estes documentos com precisão.

    Notas fiscais completas e corretas são obrigatórias em todas as transações. Elas comprovam a origem legal do produto e permitem rastreabilidade completa. Vendedores que evitam emitir notas fiscais operam irregularmente.

    Relate suspeitas aos órgãos competentes

    Denúncias de produtos suspeitos ajudam a combater o mercado irregular. MAPA, ANVISA e polícias especializadas investigam essas denúncias. Produtores que relatam irregularidades contribuem para a proteção de toda a categoria.

    Órgãos competentes mantêm canais específicos para receber denúncias. Estes canais garantem sigilo e proteção aos denunciantes. Informações detalhadas sobre produtos, vendedores e locais facilitam as investigações.

    Associações de produtores e sindicatos rurais também apoiam no combate às falsificações. Eles mantêm redes de informação que alertam sobre produtos suspeitos no mercado. Participar dessas redes fortalece a defesa coletiva contra fraudes.

    Vigilância constante

    A compra de defensivos agrícolas originais exige vigilância constante dos produtores. Verificação de procedência, análise de embalagens e escolha de revendedores autorizados formam a base desta proteção. Preços suspeitos e documentação irregular sempre merecem investigação cuidadosa.

    Investir tempo na verificação de produtos evita prejuízos muito maiores no futuro. Defensivos falsificados podem arruinar safeiras inteiras e colocar em risco a saúde dos trabalhadores. A prevenção continua sendo a melhor estratégia contra essas fraudes no setor agrícola.

    Operação em Franca impede circulação de defensivos agrícolas ilegais

    Uma operação conjunta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Militar apreendeu, em Franca (SP), mais de 30 mil embalagens irregulares usadas para armazenar e vender defensivos agrícolas falsificados. A ação, realizada nesta terça-feira (8), representa a maior apreensão desse tipo de material no estado nos últimos anos.

    Foto: Divulgação Gaaeco/MPSP/PMSP

    A força-tarefa combate de forma sistemática organizações criminosas envolvidas na falsificação e adulteração de insumos agrícolas. O grupo desarticulado atuava principalmente no núcleo gráfico, responsável por falsificar galões e tampas de embalagens de agrotóxicos. Esses itens abasteciam outras frentes da quadrilha, que continuavam o processo de adulteração dos produtos.

    Segundo o promotor Adriano Mellega, do Gaeco de Franca, a apreensão demonstra o potencial de dano que a quadrilha poderia causar. “Se essa estrutura criminosa continuasse agindo com essa quantidade de insumos, haveria grande prejuízo aos produtores, consumidores e ao meio ambiente”, afirmou.

    Nos locais vistoriados, os agentes encontraram equipamentos usados na falsificação e milhares de embalagens irregulares. As garrafas apreendidas poderiam armazenar até 155.535 litros de defensivos agrícolas ilegais. Após a operação, todo o material seguiu para perícia da Polícia Científica.

    Nilto Mendes, gerente de Combate a Insumos Agrícolas Ilegais da CropLife Brasil, ressaltou o impacto da apreensão. Ele destacou que o uso de insumos falsificados ameaça a produção agrícola, o meio ambiente e a saúde humana. Mendes também reforçou a importância de devolver embalagens vazias de defensivos químicos aos órgãos competentes, colaborando para o combate ao comércio ilegal e promovendo boas práticas agrícolas.

    Materiais apreendidos

    Durante a operação, o Gaeco reteve:

    10.164 garrafas de 1 litro

    3.888 galões de 2 litros

    9.339 galões de 5 litros

    4.830 galões de 10 litros

    2.130 galões de 20 litros

    Atuação coordenada

    O combate à ilegalidade exige a atuação coordenada entre órgãos públicos e setor privado. Nesse sentido, a CropLife Brasil e a Universidade de São Paulo (USP) lançaram, recentemente, a terceira edição do curso de combate ao comércio ilegal de insumos agrícolas. A iniciativa tem como objetivo capacitar profissionais da cadeia produtiva, ampliar a conscientização sobre os riscos associados ao uso de produtos falsificados e fortalecer a colaboração entre diferentes setores para coibir práticas criminosas no campo.

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  • Comitiva da Índia visita o Brasil para parcerias no agronegócio

    Comitiva da Índia visita o Brasil para parcerias no agronegócio

    Entre os dias 7 e 17 de dezembro, o Brasil recebeu uma missão oficial composta por empresários e jornalistas da Índia. O objetivo é fortalecer as relações bilaterais e explorar novas oportunidades de negócios no agronegócio. Organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), a missão teve como foco apresentar o potencial brasileiro no setor, ampliar o comércio bilateral e promover a troca de conhecimento entre as duas nações.

    A comitiva indiana participou de uma agenda intensa e diversificada que incluiu visitas técnicas, reuniões com lideranças do setor, apresentações institucionais e encontros com representantes de entidades em estados estratégicos como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. A missão buscou criar uma base sólida para futuros acordos comerciais e iniciativas de cooperação técnica, alinhados aos interesses estratégicos de Brasil e Índia, membros do grupo BRICS.

    Brasil e Índia: dois gigantes do Sul Global caminhando juntos

    Na sede da ApexBrasil, em Brasília, a diretora de Negócios, Ana Repezza, e o gerente de Agronegócio, Laudemir Müller, recepcionaram os integrantes da delegação indiana. Em seu discurso de boas-vindas, Ana Repezza destacou a importância de uma maior aproximação entre os dois países.

    Missão oficial promovida pela ApexBrasil foi uma imersão no mundo do agronegócio brasileiro. Foto: divulgação ApexBrasil

    “Brasil e Índia são duas das maiores potências do Sul Global, com desafios comuns e interesses compartilhados. Trabalhar em conjunto para combater problemas globais como a insegurança alimentar e as mudanças climáticas é essencial. A visita de empresários e jornalistas indianos ao Brasil reforça nosso compromisso com a construção de um futuro mais sustentável e inovador para ambos os países”, afirmou.

    A diretora também ressaltou que a Índia é uma das prioridades comerciais do Brasil. Especialmente devido às semelhanças entre os mercados e à condição de ambos como membros do BRICS. Segundo ela, a missão é uma oportunidade única de compartilhar experiências e aprender com os modelos de sucesso indianos, particularmente na agricultura familiar e na produção sustentável.

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    Laudemir Müller destacou que Brasil e Índia têm muito a contribuir mutuamente em áreas como segurança alimentar, transição energética e enfrentamento das mudanças climáticas. Ele também elogiou o trabalho de dois agricultores indianos presentes na delegação, Raja Tam Thipathi e Rathnamma Gundamanttha, cujas práticas inovadoras na agricultura familiar servem de inspiração para o setor no Brasil.

    Explorando o Potencial do Agronegócio Brasileiro

    Durante a visita ao país, a comitiva passou por vários estados, e pode conhecer um pouco de cada setor. Fizemos abaixo um resumo de cada visita.

    • Distrito Federal: conhecimento e inovação no cerrado

    A delegação visitou a Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF), referência na transformação do cerrado em terras produtivas desde 1978. Durante o encontro, o engenheiro agrônomo Cláudio Malinski apresentou um panorama sobre os desafios iniciais da cooperativa e sua evolução até se tornar um modelo de sucesso no setor agropecuário brasileiro.

    No Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua, destacou a importância do encontro para fortalecer as relações de confiança entre os dois países. Segundo ele, a pauta comercial atual entre Brasil e Índia ainda é tímida. Mas há grande potencial de crescimento, especialmente em produtos como algodão, feijões, pulses e gergelim.

    Os empresários indianos também visitaram a sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), onde conheceram as inovações tecnológicas desenvolvidas para o agronegócio brasileiro e discutiram possibilidades de cooperação técnica.

    • São Paulo: sustentabilidade e tecnologia no campo

    Em São Paulo, o grupo participou de reuniões com o cônsul da Índia, Hansraj Singh Verma. E também  com representantes de instituições importantes, como a CropLife Brasil e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA).

    No interior do estado, as visitas técnicas ao Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e à exportadora Citrus Tree demonstraram a capacidade do Brasil em desenvolver e aplicar soluções tecnológicas no setor agrícola. No IAC, a delegação conheceu pesquisas sobre sementes genéticas de cultivares como feijão e amendoim, produtos amplamente consumidos na Índia. Já na Citrus Tree, os indianos acompanharam todas as etapas de produção e exportação do limão Tahiti, produto de destaque no mercado internacional.

    • Minas Gerais: inovação e genética de qualidade

    Em Uberaba, Minas Gerais, o grupo visitou a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). E também o Centro de Biotecnologia e Difusão Genética (Genex do Brasil). Durante a visita, a supervisora de Relações Internacionais da ABCZ, Raquel Dal Secco, destacou o papel estratégico do Brasil como fornecedor global de carne e genética de alta qualidade.

    “O agronegócio brasileiro é um dos pilares da economia do país e alimenta milhões de pessoas ao redor do mundo. Essas missões internacionais são fundamentais para fortalecer o relacionamento com parceiros estratégicos e ampliar a divulgação do trabalho realizado no Brasil”, afirmou Raquel.

    A delegação também conheceu de perto a exportação de sêmen bovino para a Índia, que alcançou números expressivos em 2023, além de avanços nos protocolos sanitários entre os dois países.

    • Rio de Janeiro: potencial de cooperação e comércio

    No Rio de Janeiro, a Câmara de Comércio Índia-Brasil organizou um encontro com empresários locais e representantes do governo estadual. Letícia Gomes, gerente de Relações Institucionais da Câmara, enfatizou o enorme potencial de expansão do comércio entre os países. E reafirmou o compromisso de apoiar empresas brasileiras interessadas no mercado indiano.

    Cenário econômico e oportunidades bilaterais

    Em 2023, as exportações brasileiras para a Índia somaram US$ 4,7 bilhões, com destaque para óleos vegetais, açúcares e melaços. O comércio bilateral totalizou um recorde de US$ 15,2 bilhões em 2022, representando um crescimento de 31,4% em relação ao ano anterior. Apesar dos números positivos, a Índia ainda corresponde a apenas 2% das exportações brasileiras, indicando um potencial significativo para diversificação e crescimento.

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    De acordo com um relatório da ApexBrasil, o desafio para o Brasil é ampliar sua pauta exportadora para o mercado indiano. Aproveitando, desta forma, as oportunidades em áreas como biocombustíveis, pulses e algodão.

    A missão oficial indiana foi apoiada por diversos ministérios brasileiros. E reforça o compromisso de Brasil e Índia com a construção de uma parceria estratégica baseada na inovação, sustentabilidade e crescimento mútuo. Com mercados complementares e interesses convergentes, os dois países têm a oportunidade de criar um modelo de cooperação que beneficie não apenas suas economias, mas também a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável em escala global. E o principal, criar muitas oportunidades de negócios para o agro setor.

  • Entidades representativas do agro se reuniram com Ministro para balanço do setor

    Entidades representativas do agro se reuniram com Ministro para balanço do setor

    O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, se reuniu nesta terça-feira (12) com cerca de 20 entidades representativas do setor agropecuário para apresentar um balanço das ações do Ministério da Agricultura (Mapa) no último ano e discutir as prioridades para 2025. O encontro teve como foco os resultados do segundo ano do governo Lula, especialmente em relação à abertura de novos mercados para os produtos brasileiros.

    Na abertura da reunião, Fávaro expressou sua gratidão pela presença das entidades e enfatizou a importância de ouvir as demandas e sugestões do setor. “Queremos receber as demandas, as críticas e as sugestões dos setores. Também é importante prestarmos contas sobre o trabalho do Mapa ao longo desses dois anos e mostrar os resultados alcançados”, afirmou.

    Entre as entidades presentes estavam representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa); Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenseg); Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec); Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo); Croplife Brasil; Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca); Associação Matogrossense dos Produtores de Algodão (Ampa); União Nacional do Etanol de Milho (Unem); Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos); Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (Citrus BR); Exportadores de Sucos Cítricos Ibiapaba Netto (diretor-executivo); Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia); Associação Brasileira do Agronegócio (Abag); Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé); Indústria Brasileira de Árvores (Ibá); Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA); Sociedade Rural Brasileira (SRB); Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato) e a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo).

    Abertura de mercados

    Um dos principais destaques da reunião foi a abertura de 274 novos mercados em 61 destinos desde o início de 2023. Fávaro atribuiu esse recorde à boa relação diplomática e ao trabalho das equipes técnicas do Mapa, do Ministério das Relações Exteriores e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). “Nosso foco é ampliar as relações comerciais para a agropecuária brasileira, especialmente em um cenário de preços de commodities achatados”, ressaltou o ministro.

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    O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luis Rua, apresentou dados que evidenciam o crescimento econômico do agronegócio no Brasil, destacando que, apesar da queda nos preços médios de exportação de alguns produtos, o desempenho geral tem sido positivo. O setor agrícola representa quase metade das exportações totais brasileiras em 2024, com 49,3% do total.

    Novas secretarias e lei antidesmatamento

    Durante a reunião, Fávaro anunciou a possível criação de duas novas secretarias no Mapa: uma para o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e outra para Promoção Comercial dos Produtos do Agro. “Teremos o melhor Instituto Meteorológico da América Latina”, garantiu.

    Outro assunto debatido foi a carta enviada pelo Brasil à União Europeia pedindo a suspensão da Lei Antidesmatamento. Fávaro enfatizou que o Brasil possui um código florestal rigoroso e que é fundamental respeitar a soberania nacional.

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    O presidente da Abrapa, Alexandre Schenkel, destacou a importância da interação entre o setor privado e o governo. “Essa interação faz com que tenhamos resultados para o Brasil”, afirmou.

    O presidente da Abiec, Jorge Camardelli, destacou o que ele chamou de excelência do processo comercial. “O Brasil é competitivo e tem oferta para o mundo. Nenhum player no mundo hoje ou nos próximos anos terá a produção que o Brasil tem para abastecer o mundo com qualidade proteica e principalmente com volume” afirmou.

    A reunião refletiu o compromisso do governo em fortalecer o agronegócio brasileiro e buscar soluções para os desafios enfrentados pelo setor.