Tag: CRISPR-Cas9

  • Cientistas chineses criam carpa sem espinhas

    Cientistas chineses criam carpa sem espinhas

    Uma equipe de pesquisadores chineses alcançou um marco na aquicultura. Eles desenvolveram a primeira variedade de carpa Gibel totalmente sem as espinhas intermusculares, os pequenos ossos que representam risco de engasgo. O avanço emprega a revolucionária tecnologia de edição genética CRISPR/Cas9 e pode transformar o consumo desse peixe popular em toda a Ásia.

    A carpa Gibel (Carassius gibelio) é um dos peixes de água doce mais populares no continente asiático. Consumidores apreciam sua carne macia e saborosa, mas precisam lidar com um inconveniente perigoso: mais de 80 espinhas minúsculas embutidas na musculatura do animal. Esses pequenos ossos são difíceis de remover durante o preparo e frequentemente causam engasgos, levando muitos a evitar o peixe, apesar de seu valor nutricional.

    Como a “tesoura molecular” CRISPR eliminou o problema

    Para solucionar a questão, pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências, liderados pelo professor Gui Jianfang, mapearam o genoma da carpa. Eles identificaram dois genes-chave, *Cgrunx2b-A* e *Cgrunx2b-B*, responsáveis pelo desenvolvimento das espinhas. Utilizando a tecnologia CRISPR/Cas9 – que age como uma ferramenta de precisão para cortar e editar sequências específicas de DNA –, a equipe desativou esses genes em embriões do peixe.

    O procedimento impediu a formação das espinhas intermusculares, enquanto o esqueleto principal do animal se desenvolveu normalmente. A nova linhagem recebeu o nome “Zhongke Nº 6”.

    Mais que sem espinhas: os benefícios da nova carpa

    O projeto, parte de um programa estratégico de seis anos, visou mais que apenas a remoção dos ossos. Os cientistas desenvolveram um peixe otimizado para a aquicultura sustentável. A variedade “Zhongke Nº 6” apresenta três vantagens principais:

    • Crescimento acelerado: atinge o tamanho comercial mais rápido que as carpas comuns.
    • Maior resistência: demonstra elevada tolerância a doenças, mesmo em cultivos de alta densidade.
    • Alta eficiência alimentar: converte ração em massa corporal de forma mais eficiente, reduzindo custos e impactos ambientais.

    A conquista, detalhada na revista científica Aquaculture, vai além da conveniência culinária. Ela valida o uso seguro e eficaz da edição genética para “redesenhar” espécies aquícolas, tornando-as mais produtivas, seguras e sustentáveis.

    A comercialização da carpa sem espinhas pode ampliar significativamente seu mercado, atraindo consumidores que antes a evitavam por medo de engasgos, como crianças e idosos. A técnica ainda abre caminho para aplicações em outras espécies, potencialmente revolucionando a produção de proteína animal para alimentar uma população global em crescimento.

  • Bezerros geneticamente editados nascem no Brasil

    Bezerros geneticamente editados nascem no Brasil

    Pela primeira vez no Brasil e na América Latina, nasceram bezerros geneticamente editados a partir de embriões fecundados in vitro. A Embrapa, em parceria com a Associação Brasileira de Angus e Ultrablack, anunciou o avanço histórico para a bovinocultura nacional. O projeto visa desenvolver bovinos mais resilientes às altas temperaturas e às mudanças climáticas, utilizando a tecnologia de edição genética CRISPR/Cas9.

    Entre o fim de março e o início de abril, cinco bezerros da raça Angus nasceram, e os primeiros resultados indicam sucesso na edição genética em pelo menos dois deles. O sequenciamento genético realizado pela Embrapa Gado de Leite (MG) confirmou que os animais carregam a característica desejada: pelos curtos e lisos, que proporcionam maior resiliência ao calor. Segundo o pesquisador da Embrapa Luiz Sérgio de Almeida Camargo, “os resultados obtidos já são suficientes para que os animais apresentem a característica desejada”. Destacando que “dois dos bezerros editados apresentam pelos curtos e lisos, resultado de mais de 90% de edição genética nos folículos pilosos”.

    Tecnologia CRISPR/Cas9: a tesoura genética

    A edição foi realizada com a técnica CRISPR/Cas9, chamada de “melhoramento genético de precisão”. Camargo explica que “o CRISPR/Cas9 funciona como uma espécie de tesoura genética, capaz de editar sequências no DNA de maneira precisa, e que pode ser usada para melhorar a saúde e o bem-estar animal bem como promover características de interesse econômico”. Essa tecnologia permite introduzir mutações benéficas diretamente nos embriões, evitando cruzamentos tradicionais que levariam gerações para fixar as características desejadas.

    Eletroporação de zigotos: método inovador e eficiente

    Pesquisadores aplicaram a edição genética em embriões utilizando a eletroporação de zigotos, processo que usa pulsos elétricos de curta duração para abrir temporariamente a membrana do zigoto e permitir a entrada das moléculas responsáveis pela edição. Camargo destaca que “essa técnica é considerada menos invasiva e mais prática do que outros métodos tradicionais usados para edição gênica”. E que os estudos conduzidos pela Embrapa indicam que ela pode ser “mais eficiente e menos custosa”.

    Pesquisas prosseguem para avaliar transmissão da característica para futuras gerações de Angus e outras raças bovinas.

    O objetivo da pesquisa é que os bovinos Angus sofram menos com o estresse térmico, resultando em melhor bem-estar e maior produtividade. Camargo reforça: “A capacidade de resistir melhor ao calor traz ganhos diretos para o bem-estar dos animais e também para a produtividade, beneficiando os produtores”. A adaptação ao clima tropical é cada vez mais necessária diante dos cenários de aquecimento global.

    Parcerias e futuro da pesquisa

    O nascimento dos bezerros geneticamente editados é fruto de uma ampla parceria entre Embrapa, Associação Brasileira de Angus e Ultrablack, CNPq, Fapemig, Sebrae e Casa Branca Agropastoril. As pesquisas envolvem equipes das unidades Embrapa Gado de Leite (MG), Gado de Corte (MS) e Pecuária Sul (RS), com foco no desenvolvimento de novos animais e na avaliação da transmissão das características para futuras gerações.

    As próximas etapas incluem o acompanhamento do crescimento dos animais, avaliação de sua performance produtiva e reprodutiva e estudo da hereditariedade das edições no genoma. Com a comprovação da transmissão genética, a tecnologia poderá se disseminar naturalmente nos rebanhos, acelerando a adaptação ao clima tropical.

    Reconhecimento dos líderes do setor

    O diretor-executivo da Associação Brasileira de Angus e Ultrablack, Mateus Pivato, comemora o avanço: “Trata-se de um projeto que coloca a pecuária brasileira na vanguarda da inovação genética. Estamos investindo em um futuro mais sustentável, com animais de alta qualidade que suportam melhor os desafios climáticos do País”. Ele ressalta ainda que “o mercado consumidor valoriza cada vez mais práticas que combinam produtividade com respeito ao bem-estar animal”.

    Para o presidente da Associação, José Paulo Cairoli, “gerar os primeiros animais melhorados via edição gênica é um marco na história da pecuária brasileira. E estamos muito felizes em poder protagonizar esse ineditismo”. Cairoli destaca que “todo passo dado pela Associação, nessa parceria tão importante com a Embrapa, demonstra o esforço que a entidade faz para valorizar a raça e quem aposta nela”.

    Com esse avanço, a pecuária brasileira dá um passo decisivo rumo ao futuro. Combinando inovação genética, sustentabilidade e qualidade produtiva para enfrentar os desafios climáticos e atender às demandas do mercado nacional e internacional.

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  • Edição genética de fungos no controle biológico de pragas

    Edição genética de fungos no controle biológico de pragas

    A edição genética de fungos está revolucionando o controle biológico de pragas agrícolas. Pesquisadores brasileiros e americanos utilizam a tecnologia CRISPR-Cas9 para modificar o fungo Beauveria bassiana, tornando-o mais eficaz no combate a insetos. Essa abordagem promove a produção de oosporina, uma substância que compromete o sistema imunológico dos insetos, aumentando a eficácia dos bioinseticidas.

    A CRISPR-Cas9 é uma ferramenta de edição genética precisa, que funciona como uma “tesoura molecular”, permitindo a modificação ou correção de genes específicos. Isso otimiza a produção de metabólitos e biopesticidas, criando microrganismos mais resistentes e funcionais para aplicações sustentáveis. “O sistema CRISPR revolucionou a biotecnologia microbiana ao permitir a edição genética precisa e eficiente de microrganismos de interesse industrial, agrícola e médico”, destaca um dos pesquisadores envolvidos no estudo.

    Os blastosporos, uma forma específica de células fúngicas, mostraram-se mais eficazes e fáceis de multiplicar do que os conídios tradicionalmente usados. Eles são 3,3 vezes mais letais e 22% mais rápidos em matar insetos, além de serem produzidos em apenas dois a três dias, tornando sua aplicação prática e sustentável. “Os resultados surpreenderam. Os blastosporos foram significativamente mais eficazes do que os conídios, alcançando 97% de mortalidade nas larvas da traça-da-cera em apenas cinco dias”, enfatiza Gabriel Mascarin, da Embrapa Meio Ambiente.

    Impacto ambiental

    A utilização de fungos modificados pode reduzir a dependência de pesticidas químicos, promovendo uma agricultura mais sustentável. Além disso, a oosporina produzida pelos fungos tem propriedades antifúngicas e antibacterianas, podendo ser usada como biofungicida contra patógenos de plantas. “Essa abordagem contribui para o controle de pragas de forma mais segura e ambientalmente amigável. O que é crucial para a segurança alimentar e a sustentabilidade do agronegócio”, destaca Mascarin.

    Apesar dos avanços, os cientistas enfrentam desafios como a menor resistência dos genes mutantes a estressores químicos. No entanto, acredita-se que seja possível selecionar linhagens sem esses efeitos colaterais, mantendo os benefícios da tecnologia. “A técnica permite gerar vários mutantes, o que nos permite selecionar as linhagens mais promissoras e superar os desafios atuais”, explica um dos pesquisadores.

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