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  • Búfalos destroem o solo do Vale do Ribeira e ameaçam a Mata Atlântica

    Búfalos destroem o solo do Vale do Ribeira e ameaçam a Mata Atlântica

    O Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, carrega dois títulos relevantes: é um dos maiores polos produtores de banana do Brasil e abriga os maiores remanescentes de Mata Atlântica do país. Agora, uma pesquisa da Unesp publicada na revista Geoderma Regional revela que a criação de búfalos na região ameaça os dois patrimônios ao mesmo tempo.

    A bubalinocultura chegou ao Vale do Ribeira na década de 1960, aproveitando os terrenos alagados e o clima úmido da região. Hoje, segundo o IBGE, São Paulo concentra o maior rebanho bubalino fora do Norte do Brasil, 118.824 cabeças , e aproximadamente 53% desses animais ficam no Vale do Ribeira. A atividade movimenta a economia local com a venda de leite e carne, mas o manejo inadequado gera um problema crescente: a destruição do solo.

    O peso do problema

    Cada búfalo adulto pode atingir 1,70 m de altura e pesar mais de 800 kg. Apoiado em quatro patas, o animal exerce uma pressão de contato em movimento de até 408 kPa (quilopascal). È um valor superior ao de máquinas agrícolas, já que toda a força se concentra em apenas quatro pontos de contato com o chão.

    O resultado é a compactação do solo. O pisoteio contínuo eleva a densidade e a resistência à penetração do terreno, que frequentemente ultrapassa o limite crítico de 2 a 3 MPa (megapascals). Acima desse limite, as raízes das plantas não conseguem se expandir, o que compromete o crescimento das culturas e a absorção de água e nutrientes.

    A degradação não para por aí. O solo compactado bloqueia a infiltração de água, agrava o encharcamento superficial e acelera a erosão. A diferença é expressiva: áreas de vegetação nativa absorvem entre 92% e 95% mais água do que terrenos danificados pelo pisoteio dos búfalos.

    Da fazenda para a floresta

    O estudo aconteceu em uma fazenda próxima ao rio Ribeira de Iguape, área de solo bastante argiloso. Conforme a água infiltra, o terreno perde resistência mecânica e fica mais maleável, o que intensifica ainda mais a compactação. Rodrigo Batista Pinto, primeiro autor da pesquisa e mestre em agronomia pela Unesp, observou animais que permaneciam até 21 dias seguidos na mesma área de pastagem durante o verão, prática que considera inadequada.

    O impacto direto para o agronegócio é a perda de produtividade agrícola. Mas o problema tem uma consequência mais ampla: fazendeiros com terras degradadas abrem novas áreas de cultivo e pastoreio, pressionando a Mata Atlântica nativa. Desde 1999, o Vale do Ribeira integra o Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco e reúne um mosaico de unidades de conservação, incluindo o PETAR e o Parque Estadual da Ilha do Cardoso.

    A solução já existe

    Pinto defende a bubalinocultura, mas cobra mudanças no manejo. A saída, segundo ele, é a rotação de pastagens: fazer os búfalos circularem com mais frequência entre diferentes áreas, reduzindo o tempo de permanência em cada espaço.

    “Com uma rotação bem planejada, o solo tem tempo para se recuperar, a compactação diminui e a vegetação se regenera”, afirma o pesquisador. A medida beneficia o produtor que preserva a produtividade da terra e o meio ambiente, ao reduzir a pressão sobre as reservas florestais da região.

  • Búfala Catarina se torna fenômeno nas redes sociais

    Búfala Catarina se torna fenômeno nas redes sociais

    Felipe Rezende enfrenta diariamente uma pergunta inusitada dos amigos: “búfalos são de outro planeta?” A dúvida, que pode parecer absurda para quem trabalha com bubalinocultura, revela o desconhecimento geral sobre esses animais. O produtor rural decidiu mudar esse cenário e transformou a Fazenda Cantão em um fenômeno digital.

    Foto: Arquivo Pessoal

    Com menos de 900 publicações no feed, o perfil @fazendacantao ultrapassou 200 mil seguidores no Instagram. O número cresce rapidamente – apenas algumas horas após comemorar a marca, a página ganhou outros 11 mil inscritos.

    Rezende dedica o conteúdo a mostrar o dia a dia da propriedade em Piumhi, interior de Minas Gerais. O criador foca especialmente na docilidade e no comportamento afetuoso dos búfalos, características que surpreendem quem nunca teve contato com a espécie.

    “Comecei a perceber que poderia mostrar às pessoas aquilo que vivi na prática. Gravei minhas rotinas na fazenda, principalmente com os búfalos. A receptividade foi crescendo, passei a dar nomes aos animais, e a galera começou a reagir e interagir. Isso tomou grandes proporções”, explica o produtor.

    Catarina: a búfala blogueira que rouba a cena

    A estrela absoluta dos perfis é Catarina, uma búfala que possui centenas de quilos e carisma de sobra. A “blogueirinha” ganhou perfil próprio no Instagram (@bufalacatarina) e encanta seguidores com poses diferentes em cada publicação.

    “No topo da lista está a Catarina, que desperta um amor realmente muito grande. Ela foi pioneira nessa história toda. Quando bezerra, ficou doente e quase morreu. Cuidei dela e desenvolvemos uma conexão muito forte. As pessoas percebem isso. A Catarina é uma búfala diferenciada”, conta Rezende.

    https://www.instagram.com/p/Cl9SGREptJQ/

    Cada postagem da “atriz” mostra a diversão e o respeito com que os animais vivem na propriedade. O conteúdo atrai especialmente pessoas que nunca entraram em uma fazenda onde o bem-estar animal é prioridade.

    Da pecuária tradicional à bubalinocultura leiteira

    Felipe Rezende e o pai decidiram abandonar a criação de vacas holandesas para investir na produção leiteira com búfalos. Hoje, o produtor integra a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) e reconhece sua influência na cadeia produtiva.

    “Acredito que influencio a cadeia leiteira, principalmente nas boas práticas de manejo e nos bons tratos aos animais”, pondera.

    O receio inicial do próprio Rezende quanto ao tamanho e à aparência dos búfalos motivou sua atuação digital. Ao perceber que outras pessoas compartilhavam os mesmos preconceitos, o criador viu a oportunidade de educar o público sobre a espécie.

    Conteúdo para todas as idades conquista internet

    Os perfis da Fazenda Cantão e da búfala Catarina oferecem conteúdo adequado para todas as idades. A descrição do perfil da propriedade traz um alerta bem-humorado: “Cuidado! Você vai se apaixonar por búfalos”.

    A estratégia de mostrar a realidade da bubalinocultura com leveza e autenticidade transforma seguidores em admiradores da espécie. O trabalho de Rezende prova que desmistificar preconceitos e promover boas práticas de manejo pode gerar engajamento genuíno nas redes sociais.