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  • Crescimento das cooperativas de crédito desafia grandes bancos

    Crescimento das cooperativas de crédito desafia grandes bancos

    A Cresol iniciou 2026 reforçando sua atuação junto ao produtor rural durante a 38ª edição do Show Rural Coopavel, realizada em Cascavel, no Oeste do Paraná. Presente no evento há mais de dez anos, a cooperativa participa do primeiro grande compromisso do calendário do agronegócio brasileiro celebrando seus 30 anos de história, apresentando resultados expressivos de 2025 e detalhando um portfólio completo de soluções financeiras voltadas ao campo.

    O Show Rural Coopavel chega à sua 38ª edição consolidado como um dos principais ambientes para discussão de inovação tecnológica, sustentabilidade, financiamento e desenvolvimento regional. Nesse contexto, os temas dialogam diretamente com a atuação da Cresol, que mantém foco na proximidade com o produtor, no fortalecimento das comunidades rurais e no acesso ao crédito em diferentes realidades produtivas.

    A coletiva de imprensa contou com a participação de Marcio Falcão, diretor-executivo da Cresol Confederação; Alzimiro Thomé, presidente da Central Cresol Baser; e Adriano Michelon, vice-presidente da Cresol Confederação. Segundo os dirigentes, a presença na feira simboliza o primeiro grande compromisso institucional do ano e reforça a parceria histórica com a Coopavel e com o agro paranaense.

    Além disso, o Paraná foi apontado como estratégico para o agronegócio nacional, ao criar um ambiente favorável para investimentos, expansão dos negócios e fortalecimento da cadeia agroindustrial. Por isso, a Cresol intensifica sua atuação no Estado, apoiando produtores e empreendedores em diferentes estágios de desenvolvimento.

    Portfólio completo e soluções financeiras no campo

    A Cresol apresentou todo o seu portfólio de soluções financeiras na feira. Para o produtor rural, estão disponíveis linhas de crédito pré-aprovado, custeio, crédito rotativo e investimentos. Já para pessoas jurídicas, a cooperativa oferece crédito sustentável, financiamento de veículos e investimentos, além de consórcios sustentáveis e de veículos.

    Ao longo da exposição, o estande da Cresol recebeu produtores de diversas regiões. Com isso, a cooperativa reforçou o atendimento técnico, a orientação financeira e o planejamento de crédito adequado a cada perfil produtivo.

    Crédito sustentável e desempenho histórico

    Outro destaque da participação da Cresol foi o crédito sustentável. A cooperativa mantém uma carteira baseada na Classificação Nacional de Atividades Econômicas, alinhada à taxonomia da Febraban, que identifica, monitora e mensura atividades econômicas sustentáveis, além de riscos socioambientais e climáticos nas carteiras de crédito.

    Em 2025, essa carteira sustentável somou R$ 12 bilhões. No mesmo ano em que completou 30 anos de fundação, a Cresol atingiu a marca de 1 milhão de cooperados, com a entrada de mais de 130 mil novos associados, crescimento de 13,4%. Ainda assim, a expectativa para 2026 segue positiva, com previsão de mais de 120 mil novos cooperados.

    A rede física também avançou de forma consistente. O sistema alcançou 1.000 agências após a abertura de 90 novos pontos de atendimento em 2025. Atualmente, a Cresol está presente em 20 estados brasileiros, com expansão principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além da chegada ao Tocantins.

    Mais de 75% das unidades estão localizadas em municípios com até 50 mil habitantes. Dessa forma, a cooperativa reforça a estratégia de interiorização do crédito. Para 2026, das 180 novas agências previstas, 135 devem ser abertas em pequenos municípios.

    Por que as cooperativas de crédito crescem no Brasil

    Durante a coletiva de imprensa, o vice-presidente da Cresol Confederação, Adriano Michelon, explicou os fatores que impulsionam o crescimento das cooperativas de crédito no país, mesmo com a forte concentração do sistema financeiro.

    Nesse contexto, ele destacou que o movimento começa com a mudança de estratégia dos bancos tradicionais. “Os bancos estão digitalizando tudo e se deslocando dos municípios e de outras regiões do agro. As cooperativas entram nesse espaço, e isso está muito pujante”, afirmou.

    Cooperado no centro e crédito que fica na comunidade

    Além disso, Michelon ressaltou que as cooperativas colocam o cooperado no centro das decisões. “As cooperativas elegem o cooperado como o centro das atenções. Todas as ações são focadas nele. Em um mundo cada vez mais digitalizado, o relacionamento é fundamental. Fazer serviços bancários é possível on-line, mas uma consultoria para um bom negócio exige conversar com pessoas”, disse.

    Ao mesmo tempo, ele chamou atenção para a qualificação das equipes. “Os gerentes e as estruturas das cooperativas estão cada vez mais especializadas, atuando quase como uma consultoria para o cooperado. Isso faz a diferença”, completou.

    Adriano, Alzimiro e Marcio durante coletiva na Feira Rural Coopavel – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Por outro lado, a governança também contribui para esse avanço. “Estamos com uma governança muito forte e especializada, com licenças administrativas. Todo o segmento vem se fortalecendo e, com isso, surgem custos menores, que são repassados ao quadro social”, explicou.

    Por fim, Michelon destacou o diferencial do cooperativismo na distribuição dos resultados. “O cooperado é dono do banco. Enquanto nos grandes bancos o resultado vai para os acionistas, no cooperativismo o resultado volta para o dono, que é o associado. As sobras ficam na comunidade”, afirmou.

    Como exemplo, ele citou Cascavel e a região Sudoeste do Paraná. “Aqui, o resultado financeiro das cooperativas permanece na cidade, para as pessoas que moram aqui. No Sudoeste, hoje praticamente todos os ativos giram dentro do contexto das cooperativas. Há dez anos isso representava cerca de 10%”, observou.

    Nesse cenário, o dirigente resumiu: “O sistema financeiro está centralizado em cinco grandes bancos, que concentram a maior fatia. As cooperativas, que eram 3%, 4%, 5%, já estão chegando a 10% e têm um caminhar muito forte pela frente”.

    Cresol no agro, Plano Safra e parceria com o BNDES

    No Plano Safra 2025/26, até 10 de fevereiro, a Cresol já havia liberado R$ 10,2 bilhões em crédito rural, em mais de 87 mil propostas para cooperados de todo o Brasil. As operações de custeio somaram R$ 6,6 bilhões, enquanto os investimentos alcançaram R$ 3,2 bilhões.

    As linhas mais acessadas foram o Pronaf, com R$ 4,2 bilhões; o Pronamp, com R$ 2,7 bilhões; e outras linhas, que somaram R$ 2,9 bilhões. Assim, a cooperativa mantém foco no pequeno e médio produtor rural.

    Ao longo de 30 anos, a Cresol já liberou mais de R$ 56,5 bilhões em crédito agro, em mais de 1,2 milhão de contratos. Além disso, destaca-se na parceria com o BNDES, sendo o agente com maior número de operações em 2025.

    Cooperativismo como motor do desenvolvimento rural

    Para a Cresol, o cooperativismo financeiro vai além da concessão de crédito. O modelo busca capacitar o produtor, melhorar a gestão da propriedade, identificar oportunidades de inovação e gerar renda no campo.

    Com presença consolidada no Show Rural Coopavel, a cooperativa inicia 2026 reforçando seu compromisso com o produtor rural, com o desenvolvimento regional e com um sistema financeiro mais próximo, sustentável e conectado à realidade do agronegócio brasileiro.

  • Cooperativas de crédito reforçam impacto sustentável rumo à COP 30

    Cooperativas de crédito reforçam impacto sustentável rumo à COP 30

    O Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) realizou, em 19 de agosto, na sede do Sicredi em Belém (PA), um encontro preparatório para a COP 30. O evento reuniu as cooperativas de crédito Sicredi Norte, Sicoob Cooesa e Cresol Amazônia, além da participação da Concaves (Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis), que destacou sua atuação em economia circular.

    Sicredi amplia crédito verde e inclusão

    O presidente do Conselho de Administração da Sicredi Norte, Wilson Machado, abriu o evento com as boas-vindas, seguido pela apresentação conduzida por Pedro Lutz Ramos, superintendente de Tesouraria da instituição. Ele destacou que, em 2024, a Sicredi aplicou R$ 7,4 bilhões em projetos de energia limpa e agricultura de baixo carbono. Também destinou R$ 16 bilhões em crédito para mulheres empreendedoras e produtoras rurais.

    Na Amazônia, a cooperativa está presente em 271 municípios e é a única instituição financeira em 19 localidades. Apenas em energia solar, financiou R$ 324,5 milhões em projetos.

    Entre os exemplos, foi apresentada a trajetória de Sarah e Robson, produtores de cacau de Medicilândia (PA). Com apoio da Sicredi, eles investiram em estufas de secagem e expandiram a produção de chocolate. O trabalho rendeu um prêmio nacional e outro internacional, colocando o cacau da região entre os melhores do mundo.

     

    Pedro Lutz Ramos, superintendente de Tesouraria do Sicredi – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro Em Campo

    Na Amazônia, a cooperativa está presente em 271 municípios e é a única instituição financeira em 19 localidades. Apenas em energia solar, financiou R$ 324,5 milhões em projetos.

    Entre os exemplos, foi apresentada a trajetória de Sarah e Robson, produtores de cacau de Medicilândia (PA). Com apoio do Sicredi, eles investiram em estufas de secagem e expandiram a produção de chocolate. O trabalho rendeu um prêmio nacional e outro internacional, colocando o cacau da região entre os melhores do mundo.

    Sicoob alia cidadania, inovação e energia limpa

    A apresentação do Sicoob ficou a cargo de Lidiana Ferreira, do setor de Cooperativismo Financeiro e Investimento Social Privado. Ela apresentou três frentes de impacto:

    • Biblioteca comunitária no Marajó, inaugurada em junho de 2024, espaço de leitura e formação cultural;
    • Cooperativa mirim ribeirinha, criada em Portel (PA), a primeira do gênero no Brasil, com jovens organizados em torno do cultivo do açaí;
    • Usina fotovoltaica em Santa Bárbara do Pará, prevista para 2025, que garantirá energia limpa a toda a estrutura do Sicoob Cooesa.

    Segundo Lidiana, o sistema já concedeu R$ 3,2 milhões em crédito verde e desenvolve inventário de emissões de gases de efeito estufa, reforçando o compromisso socioambiental da cooperativa.

    Lidiana Ferreira, do setor de Cooperativismo Financeiro e Investimento Social Privado do Sicoob – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro Em Campo

    Cresol Amazônia promove inclusão e protagonismo

    O diretor de operações da Cresol nos estados de Rondônia e Amazonas, Douglas Barbosa, apresentou as ações da cooperativa. Ele destacou que a Cresol alcançou 100% dos municípios de Rondônia e avança em localidades do Amazonas, como Codajás e Anori, oferecendo crédito, orientação técnica e apoio ao empreendedorismo local.

    Douglas Barbosa, diretor de operações da Cresol nos estados de Rondônia e Amazonas – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro Em Campo

    A cooperativa mantém uma estratégia ESG baseada em dez eixos, como educação financeira, inovação e sucessão familiar. Já impactou 51 mil pessoas em ações educativas. Na Amazônia, mulheres ocupam 80% dos cargos de liderança e quase 70% do crédito liberado vai para jovens com até 29 anos.

    Concaves transforma resíduos em oportunidade

    A apresentação da Concaves foi feita por sua presidente e catadora de materiais recicláveis, Debora Baia, que destacou a transformação vivida pela categoria em Belém a partir do cooperativismo.

    Hoje, a cooperativa reúne 22 associados, com renda média de R$ 1.600, e já atendeu mais de 20 mil pessoas por meio da coleta seletiva.

    Debora Baia, presidente e catadora de materiais recicláveis da Concaves – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro Em Campo

    Entre as iniciativas, estão o “Reciclômetro Concaves”, que permite rastrear resíduos em tempo real, e a parceria com a Itaipu Binacional para implantação de quatro unidades de valorização de recicláveis na região.

    Cooperativismo como motor de desenvolvimento

    Segundo estudos da Fipe, municípios com presença de cooperativas de crédito registram 10% mais PIB per capita e 15% a mais em empregos formais. Os exemplos mostrados em Belém reforçam a visão de que o cooperativismo é capaz de gerar desenvolvimento econômico aliado à inclusão e sustentabilidade.