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  • Câmara aprova R$ 10 bilhões para indústria de fertilizantes

    Câmara aprova R$ 10 bilhões para indústria de fertilizantes

    A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 699/23, que destina até R$ 10 bilhões em subsídios ao longo de cinco anos para fábricas de fertilizantes que construam novas plantas no Brasil ou expandam e modernizem as já existentes. O benefício chega na forma de crédito fiscal sobre tributos federais. Por sofrer alterações em relação ao texto original do Senado, o projeto retorna àquela Casa para nova apreciação.

    O relator, deputado Junior Ferrari (PSD-PA), propôs o substitutivo aprovado. Segundo ele, a medida é estratégica para o setor de insumos agropecuários. “O Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e importamos cerca de 85% a 90% dos fertilizantes. Corremos um risco de falta de alimentos no Brasil e no mundo. É uma questão econômica, mas, muito mais, de segurança alimentar”, afirmou.

    Como funciona o Profert

    O Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert) operará entre 2027 e 2031, com limite de R$ 2 bilhões anuais em créditos fiscais. Valores não utilizados em um ano podem migrar para o exercício seguinte. O Poder Executivo definirá quais projetos terão acesso aos benefícios.

    Podem participar empresas que produzam fertilizantes sintéticos ou minerais, matérias-primas, bioinsumos, biofertilizantes e remineralizadores. A habilitação depende de aprovação prévia no Ministério da Agricultura.

    A concessão de créditos ocorre por procedimento concorrencial e se limita a 20% dos gastos da empresa com produção no Brasil. Os créditos equivalem a contribuições da CSLL e servem para compensar débitos tributários ou pedir ressarcimento em dinheiro.

    Empresas que não implementarem o projeto aprovado pagam multa de 20% do valor liberado e devolvem os créditos utilizados.

    Critérios de seleção

    Para receber os benefícios, as empresas precisam cumprir requisitos ambientais e sociais, entre eles a adoção de tecnologias para reduzir ou neutralizar emissões de gases de efeito estufa, apoio a iniciativas de desenvolvimento local e inclusão social, transparência com comunidades afetadas e melhoria na eficiência energética.

    O texto também isenta o Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) entre 2027 e 2031 para cargas destinadas a projetos do Profert, com limite anual de R$ 200 milhões e teto de R$ 1 bilhão no período total.

    Para viabilizar os investimentos, a União pode criar o Fundo de Estímulo à Produção Nacional de Fertilizantes (FPNF), que poderá conceder garantias para empréstimos, investir em dívida estruturada com equalização de juros e apoiar pesquisas.

    O BNDES também recebe recursos da União para oferecer linhas de crédito às empresas habilitadas no Profert, cobrindo modernização de plantas industriais, pesquisa e desenvolvimento e infraestrutura logística. Tanto o BNDES quanto bancos habilitados assumem integralmente os riscos dos empréstimos.

    Medida emergencial para 2026

    Em razão da alta nos preços de fertilizantes com fornecimento principal pelo Irã, o projeto libera até R$ 1 bilhão em créditos já em 2026. Produtores e importadores que deduzem o valor do crédito no preço de venda — com indicação em nota fiscal — podem acessar esse benefício. A condição é manter o mesmo nível de empregados dos três meses anteriores à vigência da lei.

    O Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert) definirá percentuais mínimos de fertilizantes nacionais na composição dos produtos comercializados no Brasil. A meta começa em 2%, com crescimento gradual até 10% em 2037. O conselho também monitorará os resultados do Profert anualmente.

    Críticas

    O líder do Novo, deputado Gilson Marques (SC), contestou a mistura obrigatória: “Isso não tem sentido, nem por ser obrigatória, nem nacional. Tem de ser feita da melhor forma, livre e mais barata.”

    Já o deputado Chico Alencar (Psol-RJ) questionou a abordagem do projeto, que classifica como uma “velha solução” de renúncia fiscal. Para ele, os gargalos reais estão na baixa disponibilidade de gás natural e na precária capacidade logística do país.

  • Reforma tributária exige rigor na Nota Fiscal Eletrônica (NF-e)

    Reforma tributária exige rigor na Nota Fiscal Eletrônica (NF-e)

    A Reforma Tributária, aprovada em 2023 e com implementação gradual a partir de 2026, está transformando a forma como os impostos são calculados no Brasil. Um dos principais impactos será no controle rigoroso da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), que se tornou obrigatória para produtores rurais desde fevereiro de 2025.

    Com a substituição de PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS pelo IVA dual (composto pelo IBS – Imposto sobre Bens e Serviços – e CBS – Contribuição sobre Bens e Serviços), todas as operações do agronegócio, desde a venda até a compra de insumos, deverão ser registradas digitalmente.

    Por que a NF-e é tão importante agora?

    A NF-e será o principal documento para:

    • Comprovar créditos tributários – permitindo o ressarcimento de impostos pagos na cadeia produtiva.
    • Garantir rastreabilidade – evitando fraudes e irregularidades fiscais.
    • Manter a competitividade – quem não emitir corretamente pode perder direito a benefícios e enfrentar multas.
    Viviane Morales, diretora administrativa da Lastro Agronegócios. Foto: Divulgação

    Segundo Viviane Morales, diretora da Lastro Agronegócios, muitos produtores ainda não se adaptaram:  “Antes de falarmos sobre a Reforma Tributária, precisamos olhar para a situação atual, que ainda não é satisfatória. A NF-e não é mais opcional, é obrigatória”.

    Riscos para quem não se adequar

    O não cumprimento das regras pode levar a:

    • Perda de créditos fiscais – sem a NF-e, o produtor não consegue comprovar impostos pagos.
    • Multas e inadimplência – a Receita Federal já está fiscalizando a emissão digital.
    • Dificuldade em vender para grandes compradores – empresas e cooperativas exigem notas fiscais regulares.
    Gustavo Venâncio, diretor comercial da Lastro Agronegócios. Foto: Reprodução

    Gustavo Venâncio, diretor comercial da Lastro, alerta: “As notas de entrada e saída serão a base da apuração tributária. Não é mais uma escolha, é uma exigência legal”.

    Cronograma de mudanças e novas regras

    • Julho 2025 – início dos testes em homologação para o novo layout da NF-e, incluindo campos de IBS, CBS e IS.
    • Outubro 2025 – versão final disponível em produção, ainda não obrigatória.
    • Janeiro 2026 – obrigatoriedade do novo formato, com risco de rejeição para notas fora do padrão.

    Além disso, a Nota Técnica 2025.002 trouxe mudanças como:

    • Novos campos para crédito e débito de impostos.
    • Validações automáticas para evitar inconsistências.
    • Padronização nacional da NF-e de serviços (NFS-e).

    Como o produtor rural deve se preparar?

    • Capacitar equipes – treinar colaboradores para emissão correta da NF-e.
    • Buscar consultoria tributária – ajustar processos antes de 2026.
    • Investir em sistemas digitais – garantir que softwares estejam atualizados.

    A Reforma Tributária exige que o agronegócio se modernize, e a NF-e é peça-chave nessa transição. Quem se antecipar evitará prejuízos e garantirá competitividade no mercado.

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