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  • BNDES destina R$ 834 milhões para plantar 108 milhões de árvores

    BNDES destina R$ 834 milhões para plantar 108 milhões de árvores

    O Brasil acaba de abrir mais uma frente na recuperação de suas florestas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou cinco operações de crédito do Fundo Clima Florestas. Ao todo, os financiamentos somam R$ 834 milhões e devem destravar R$ 2,7 bilhões em investimentos.

    Os projetos abrangem Amazônia, Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Juntos, eles preveem a recuperação de mais de 65,6 mil hectares de áreas degradadas. Além disso, incluem o plantio de mais de 108 milhões de árvores nativas e a criação de mais de 27 mil empregos verdes.

    Fundo Clima mobiliza R$ 2,7 bilhões para recuperar áreas degradadas

    A imagem mostra a sede do BNDES e com árvores na frente
    Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

    Com as novas operações, o BNDES alcança R$ 8,2 bilhões em recursos mobilizados para reflorestamento desde a criação do Fundo Clima.

    O anúncio ocorreu durante a Semana do Meio Ambiente, no Palácio do Planalto, na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o banco assinou contrato com a BTG Pactual Timberland Investment Group (TIG). Além disso, entregou cartas de aprovação aos grupos Systemica, Biomas, Courageous e RRG Soluções Baseadas na Natureza.

    Segundo a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, a restauração florestal deixou de ser apenas uma agenda ambiental. Hoje, também representa uma oportunidade econômica.

    “Não estamos falando de plantar uma única espécie. Estamos falando de reconstruir florestas nativas, gerar emprego, produzir alimentos e capturar carbono”, afirmou.

    Projetos vão plantar 108 milhões de árvores e criar 27 mil empregos verdes

    Os projetos também devem gerar receitas com créditos de carbono, produtos florestais e bioeconomia. Ao mesmo tempo, os investimentos transformam áreas degradadas em ativos produtivos.

    Plantação de árvores e Cupuaçu
    Foto: Embrapa/Vinicius Braga Soares

    No Mato Grosso do Sul, a Camapuã Agropecuária, controlada pela BTG Pactual TIG, receberá R$ 200 milhões. O objetivo é restaurar e conservar 49,4 mil hectares de Cerrado. Desse total, 24,8 mil hectares serão recuperados. Outros 24,6 mil hectares permanecerão preservados. Além disso, a iniciativa poderá gerar cerca de 36 milhões de créditos de carbono.

    Como resultado dessa estratéfia, a Systemica contará com R$ 180 milhões para recuperar a Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu, no Pará. O projeto prevê o plantio de 1,5 milhão de mudas e o uso de 100 toneladas de sementes nativas.

    Crédito de carbono, cacau e sistemas agroflorestais ganham impulso

    Ministro do Ambiente, João Paulo Capobianco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, ao fundo, com chefe do Departamento Jurídico da RRG Soluções, Stefano Gianini, o diretor financeiro da Courageous, Frederico Oliveira, a diretora da Carbon2Nature, Flávia Antunes, o presidente da Biomas, Fábio Sakamoto, e o diretor de desenvolvimento da Systêmica, Cyril Perrin, após a assinatura das cartas de aprovação no valor total de R$ 633,5 milhões para projetos de SAF e restauro florestal
    Foto: Divulgação BNDES

    Na Bahia, o Projeto Muçununga receberá R$ 87,2 milhões. A iniciativa é desenvolvida pelos grupos Biomas e Carbon2Nature Brasil em áreas da Veracel Celulose. Mais de 100 espécies nativas serão plantadas. Assim, a proposta pretende recriar corredores ecológicos e favorecer espécies ameaçadas de extinção.

    Em Roraima, a Courageous Land implantará sistemas agroflorestais em 2 mil hectares degradados em Rorainópolis. O projeto combinará a produção de café, açaí e espécies madeireiras. Além disso, a iniciativa prevê capturar cerca de 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono em 42 anos.

    Por fim, a RRG Soluções Baseadas na Natureza receberá R$ 250 milhões para desenvolver 2,5 mil hectares de produção sustentável de cacau na Bahia. Parte da área ficará em Teixeira de Freitas e outra parte em Casa Nova. Dessa forma, o projeto reforça uma tendência crescente no agronegócio brasileiro: produzir, conservar e restaurar podem avançar juntos.

  • Caatinga retira da atmosfera 5,2 t de carbono por hectare

    Caatinga retira da atmosfera 5,2 t de carbono por hectare

    Um estudo realizado pelo Observatório Nacional da Dinâmica da Água e do Carbono no Bioma Caatinga (OndaCBC) revela que a Caatinga, um bioma exclusivo do Brasil, se destaca como um dos mais eficientes sumidouros de carbono do planeta. Ao longo de quase uma década, a região conseguiu retirar da atmosfera uma média impressionante de 5,2 toneladas de carbono por hectare anualmente, ou 527 gramas por metro quadrado.

    A pesquisa comparou os dados da Caatinga com outras regiões secas ao redor do mundo, incluindo os Estados Unidos, Canadá, México, Espanha, Austrália e até mesmo áreas na África e América do Sul. Os resultados colocam a Caatinga em uma posição privilegiada, superando até mesmo as florestas da Amazônia em termos de eficiência na captura de carbono.

    O professor Bergson Bezerra, líder do OndaCBC, destaca que a taxa máxima registrada em outros locais foi de 548 gramas de carbono por metro quadrado, encontrada em uma floresta no Peru. “A Caatinga está seguramente entre os maiores sumidouros entre as florestas secas do mundo”, afirma Bezerra.

    A pesquisa identificou que a precipitação é o fator mais importante para as trocas de carbono no bioma. Embora a temperatura, radiação e umidade permaneçam relativamente constantes ao longo do ano, as chuvas, mesmo que em quantidades modestas, têm um impacto significativo. Elas estimulam o crescimento da vegetação, aumentando assim a capacidade da Caatinga de absorver CO₂ da atmosfera. “As chuvas atuam como um catalisador para o crescimento vegetal, tornando o bioma altamente eficaz na captura desse gás”, explica Bezerra.

    Metodologia: rede de torres micrometeorológicas

    Desde 2010, o OndaCBC tem coletado dados em várias torres micrometeorológicas localizadas em municípios estratégicos de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. A torre mais antiga e completa está instalada na Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), onde monitora uma área nativa há 13 anos. A pesquisadora Magna Soelma Beserra ressalta que essa rede de torres permite uma análise abrangente das trocas de energia e carbono no bioma.

    Os dados coletados incluem variáveis meteorológicas como chuva, radiação solar e temperatura, além das concentrações de vapor d’água e dióxido de carbono. “Antes do Observatório, não tínhamos dados consistentes sobre o potencial da Caatinga como sumidouro de carbono. Agora estamos obtendo evidências robustas que confirmam sua eficácia”, afirma Beserra.

    Implicações para políticas públicas

    Os resultados do estudo têm implicações significativas para a formulação de políticas públicas voltadas à conservação e manejo sustentável da Caatinga. Aldrin Perez Marin, pesquisador do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), argumenta que os dados podem subsidiar programas de crédito de carbono na região. “Esses programas podem gerar benefícios econômicos e ambientais a curto e médio prazo”, destaca Marin.

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    Além disso, ele enfatiza a importância da Caatinga na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. “A eficiência da Caatinga em capturar carbono fortalece o argumento para políticas públicas que promovam sua conservação”, acrescenta.

    A biodiversidade da caatinga

    Ocupando cerca de 11% do território brasileiro em uma área aproximada de 850 mil quilômetros quadrados, a Caatinga é um ecossistema rico em biodiversidade adaptada às condições semiáridas. Embora antes fosse considerada uma região com baixa diversidade de espécies, estudos recentes revelam uma ampla gama de flora e fauna endêmicas.

    Além disso, a Caatinga desempenha serviços socioambientais essenciais, como regulação do clima e controle da erosão. O pesquisador Aldrin Perez Marin também observa que o bioma possui potenciais socioeconômicos significativos através do aproveitamento sustentável de frutos nativos e plantas medicinais.

    Preservação e futuro sustentável

    Os resultados obtidos pelo OndaCBC não apenas destacam a importância da Caatinga como um sumidouro eficiente de CO₂, mas também ressaltam a necessidade urgente de preservar esse ecossistema vital. As pesquisas em andamento têm o potencial de informar políticas públicas que visem à recuperação de áreas degradadas e à conservação das áreas intactas.

    Compreender o papel crucial da Caatinga na mitigação das mudanças climáticas é essencial para garantir um futuro sustentável para as comunidades locais que dependem desses recursos naturais. À medida que novas pesquisas são realizadas, espera-se que elas sirvam como um alerta sobre a importância da preservação dos ecossistemas secos, muitas vezes negligenciados mas fundamentais para a saúde ambiental global.

  • Saiba a relação entre crédito de carbono e recuperação de pastagens

    Saiba a relação entre crédito de carbono e recuperação de pastagens

    Um estudo realizado pela Embrapa Meio Ambiente analisou o impacto da recuperação de pastagens degradadas no sudeste do Brasil sobre o balanço de carbono e as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Realizado ao longo de cinco anos, a pesquisa abrangeu desde uma pastagem degradada até sua renovação com fertilização nitrogenada, destacando os desafios na implementação de programas de créditos de carbono em pastagens.

    O levantamento alerta para os desafios da implementação de programas de créditos de carbono em pastagens. E destaca que fatores como mudanças nas práticas agrícolas e eventos climáticos extremos podem comprometer a eficácia e a permanência do sequestro de carbono.

    Impacto da recuperação de pastagens

    De acordo com Osvaldo Cabral, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente que coordenou o experimento, a assimilação de dióxido de carbono observada na pastagem degradada não compensou o carbono removido pelo pastejo. Dessa forma, contribui para a continuidade do processo de degradação do solo.

    Por outro lado, a pastagem reformada e adubada conseguiu fixar carbono a uma taxa superior à meta estabelecida pela Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil. No entanto, essa taxa não foi suficiente para neutralizar as emissões geradas durante o processo de renovação, quando o solo foi arado e permaneceu sem cobertura.

    Importância do monitoramento e práticas de manejo

    O estudo enfatiza a importância do monitoramento contínuo do balanço de dióxido de carbono, principalmente em anos de baixa precipitação. Isso ajuda a avaliar o impacto das práticas de manejo sobre as emissões líquidas de GEE, incluindo óxido nitroso e metano.

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    A adoção de práticas adequadas de manejo pode evitar e até reverter a degradação das pastagens, melhorando a capacidade de armazenamento de carbono e contribuindo com os compromissos climáticos do Brasil.

    Política de Agricultura de Baixo Carbono e desafios futuros

    A pesquisa destaca o papel crucial da Política de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) do Governo brasileiro, que visa recuperar milhões de hectares de pastagens degradadas. No entanto, apenas um terço das áreas-alvo foi reabilitado, e a falta de monitoramento formal dificulta a avaliação dos impactos.

    Para o novo ciclo do Plano ABC+ (2020-2030), o foco será a governança e o uso de critérios científicos para mensuração e relatórios.  Isso visa superar os desafios identificados no estudo e potencializar os benefícios da recuperação de pastagens no sudeste do Brasil.

    Os resultados completos do estudo estão disponíveis na publicação “Eddy covariance fluxes of greenhouse gasses observed in a renewed pasture in the southeast of Brazil”.

    Com esse estudo, fica evidente a necessidade de práticas contínuas e bem monitoradas para alcançar uma recuperação sustentável das pastagens. E sua importancia  para contribuir significativamente para a mitigação das mudanças climáticas.