Tag: CPR

  • Governo prepara medida provisória para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais

    Governo prepara medida provisória para renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais

    O governo federal pretende publicar até a próxima semana uma medida provisória (MP) para criar uma solução definitiva para o endividamento rural no Brasil. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que a proposta busca equilibrar as demandas do setor produtivo com as limitações fiscais da União.

    A expectativa é que a medida permita renegociar mais de R$ 100 bilhões em dívidas bancárias de produtores rurais. Segundo o ministro, o impacto adicional para o Tesouro Nacional ficará entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões por ano.

    Enquanto isso, representantes do agronegócio e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) continuam defendendo uma solução também para as dívidas privadas, que ficaram fora da proposta.

    Como funcionará a renegociação

    O texto está em fase final de ajustes e deverá ser concluído no início da próxima semana.

    A proposta prevê duas modalidades de atendimento aos produtores rurais, conforme a origem e a intensidade das perdas.

    Produtores afetados por eventos climáticos

    Os agricultores que registraram duas perdas iguais ou superiores a 40% causadas por eventos climáticos poderão contar com:

    • juros de 5%, 8% ou 11% ao ano;
    • prazo de até dez anos para pagamento;
    • dois anos de carência;
    • dispensa de pagamento de entrada.

    Produtores prejudicados por clima ou mercado

    Quem acumulou perdas superiores a 30% em duas safras entre 2019 e 2025, seja por fatores climáticos ou pela queda da renda causada pelos preços agrícolas, poderá renegociar com:

    • juros de 6%, 9% ou 12% ao ano;
    • prazo de oito anos;
    • dois anos de carência;
    • sem exigência de entrada.

    Em ambos os casos, será obrigatória a comprovação das perdas.

    Segundo Durigan, o governo não utilizará recursos públicos para beneficiar produtores que não comprovarem prejuízos.

    Limites para renegociação

    A proposta estabelece limites diferentes para cada situação.

    Os produtores atingidos por eventos climáticos poderão renegociar até R$ 8 milhões por CPF.

    Já aqueles afetados principalmente pela volatilidade dos preços agrícolas terão limite de R$ 4 milhões por CPF.

    Bancos deverão facilitar a renegociação

    A medida provisória também pretende reduzir obstáculos para a contratação das novas operações.

    Entre as mudanças previstas estão:

    • utilização das garantias já apresentadas nas operações originais;
    • ajuste proporcional do valor das garantias exigidas pelos bancos;
    • criação de um Fundo Garantidor para fortalecer o crédito rural.

    Segundo o ministro, o objetivo é dar maior segurança às instituições financeiras e ampliar o acesso dos produtores às renegociações.

    Governo quer evitar aumento da inadimplência

    Durigan afirmou que as negociações chegaram à etapa final e que o governo busca apresentar uma resposta definitiva para reduzir o risco de inadimplência no setor.

    De acordo com ele, instituições financeiras relataram aumento nos atrasos de pagamento diante da expectativa de uma nova rodada de renegociação das dívidas rurais.

    O ministro também destacou que a proposta procura preservar a sustentabilidade do crédito rural, evitando impactos negativos sobre o financiamento do agronegócio nos próximos anos.

    Dívidas privadas continuam fora da MP

    Um dos principais pontos pendentes envolve as dívidas contraídas diretamente com tradings, cooperativas e revendas de insumos.

    Segundo estimativas da Frente Parlamentar da Agropecuária, esses débitos representam cerca de 65% do passivo total dos produtores rurais.

    A medida provisória deverá contemplar apenas as Cédulas de Produto Rural (CPRs) emitidas em favor de instituições financeiras. A proposta permitirá a emissão de novas CPRs para quitar operações anteriores, com prazos mais longos e juros definidos pelo mercado.

    Setor avalia proposta como avanço

    Fontes ligadas ao agronegócio consideram que a medida provisória representa um avanço nas negociações entre o governo e o setor produtivo.

    Apesar disso, permanece a expectativa sobre uma solução futura para as dívidas privadas e sobre a reação dos produtores, especialmente no Rio Grande do Sul, onde o elevado nível de endividamento continua sendo uma das principais preocupações do setor.

  • Cooperativa amplia crédito e diversifica soluções no agro

    Cooperativa amplia crédito e diversifica soluções no agro

    Durante a 31ª Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), o Sicredi apresentou os resultados do Plano Safra 2025/2026 e reforçou a ampliação das soluções financeiras para o agronegócio. Nos nove primeiros meses do ciclo, a instituição liberou R$ 52,8 bilhões em crédito rural. O volume representa crescimento de 16,5% em relação à safra anterior. Assim, o Sicredi consolida sua posição como principal financiador privado do setor.

    Além disso, a estratégia vai além do crédito tradicional. O Sicredi ampliou o uso de instrumentos como CPR, consórcios, derivativos e linhas em moeda estrangeira. Dessa forma, o produtor ganha mais previsibilidade financeira. Ao mesmo tempo, reduz a exposição às oscilações de preços e do câmbio.

    Segundo o superintendente de Agronegócio do Sicredi, Vitor de Moraes, o avanço está ligado à proximidade com o campo. “Os números apresentados refletem a força do modelo cooperativo e, principalmente, a nossa proximidade com o produtor rural. Seguimos ampliando o acesso ao crédito de forma responsável”, afirmou.

    Portfólio avança e reforça gestão de risco

    Ao longo do último ano, o Sicredi intensificou a oferta de soluções complementares. Em 2025, a instituição registrou R$ 3,2 bilhões em consórcios destinados ao agro. Além disso, a cobertura de seguros rurais chegou a 479 mil hectares. Com isso, a gestão de risco ganha mais relevância no planejamento do produtor.

    De acordo com o gerente de Desenvolvimento de Negócios da Central Sicredi PR/SP/RJ, Adilson de Sá, a diversificação é estratégica. “Temos ampliado nossa oferta de soluções para atender o produtor de forma completa. Assim, vamos além do crédito tradicional. Produtos como consórcios, seguros e operações em moeda estrangeira permitem mais planejamento, proteção e competitividade”, disse.

    Vitor de Moraes, Clemente Renosto, Adilson de Sá e Gilson Farias, durante coletiva de imprensa na Agrishow 2026 – Foto: PH Lopes/ Agro em Campo

    No segmento de consórcios, o Sicredi soma carteira superior a R$ 61,8 bilhões. Nos últimos 12 meses, as vendas no agro cresceram 23%. Esse desempenho reflete a busca por alternativas com menor custo financeiro. Além disso, o modelo favorece o planejamento de médio e longo prazo.

    Outro ponto de destaque está nas operações estruturadas. Entre 2024 e 2025, o Sicredi registrou crescimento de 350% nas operações de proteção cambial e de commodities. Dessa maneira, o produtor amplia o controle sobre margens e receitas.

    Crédito cresce e amplia presença no campo

    Atualmente, a carteira de crédito agro do Sicredi ultrapassa R$ 123 bilhões. Ao mesmo tempo, a instituição lidera as operações do programa Pró-Trator em São Paulo. A participação supera 80% das operações, com mais de 800 contratos na safra atual.

    Pequenos e médios produtores seguem como maioria. Eles representam cerca de 70% das mais de 247 mil operações realizadas. Além disso, o crédito para mulheres produtoras avançou. Foram liberados R$ 10,5 bilhões, com crescimento de 7,4%.

    Para o gerente de Desenvolvimento de Negócios da Central Sicredi PR/SP/RJ, Gilson Farias, a feira aproxima o produtor das soluções financeiras. “A participação na Agrishow é uma oportunidade estratégica. Estamos mais próximos dos produtores e entendemos melhor suas necessidades. Assim, conseguimos oferecer soluções que contribuem para o desenvolvimento sustentável do agronegócio”, afirmou.

    O presidente da Sicredi Soma, Clemente Renosto, também participou da apresentação. A presença reforça o posicionamento institucional do Sicredi durante a feira.

    Com mais de 10 milhões de associados e mais de 3 mil agências, o Sicredi atua em todo o país. Além disso, mantém presença física em centenas de municípios. O atendimento combina canais digitais e presença local. Dessa forma, amplia o acesso ao crédito e aos serviços financeiros no campo

  • Plano Safra 2025/2026 registra alta no crédito rural e avanço das CPRs

    Plano Safra 2025/2026 registra alta no crédito rural e avanço das CPRs

    O crédito rural empresarial alcançou R$ 404 bilhões entre julho de 2025 e março de 2026, um aumento de 10% em comparação ao mesmo período da safra anterior, que havia somado R$ 368 bilhões. Os dados constam no Boletim do Crédito Rural do Plano Safra 2025/2026, elaborado pelo Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário (DEFIN) da Secretaria de Política Agrícola, com base em informações do Banco Central (SICOR).

    Os recursos efetivamente liberados aos produtores rurais somaram R$ 387 bilhões, avanço de 5% sobre a safra passada. O destaque do período foi o crescimento das Cédulas de Produto Rural (CPR), que dispararam 38% e atingiram R$ 183,1 bilhões. Ao somar esse volume ao crédito de custeio tradicional, o total destinado ao custeio da safra chegou a R$ 303,1 bilhões. 13% acima do ciclo 2024/2025.

    Segundo a Secretaria de Política Agrícola, o aumento nas contratações e concessões reflete a solidez do financiamento agropecuário, mesmo diante de um cenário de maior seletividade no crédito.

    Industrialização lidera crescimento; custeio e investimento recuam

    O segmento de industrialização registrou o maior salto proporcional, com alta de 74% nas contratações (R$ 28,1 bilhões) e de 64% nas concessões (R$ 26,4 bilhões), impulsionado pela demanda do agronegócio processador.

    As linhas de custeio e investimento, porém, mostraram retração. O custeio caiu 11% nas contratações (R$ 120 bilhões) e 15% nas concessões (R$ 114,3 bilhões). Já o crédito de investimento encolheu 16% nas contratações (R$ 45,5 bilhões) e 30% nas concessões (R$ 37,6 bilhões). Na comercialização, o recuo foi de 10% nas contratações (R$ 27,2 bilhões) e 16% nas concessões (R$ 25,5 bilhões).

    O relatório atribui a queda nos investimentos à cautela do produtor frente às taxas de juros ainda elevadas, com expectativa de redução gradual da Selic até o fim de 2026.

    Prodecoop cresce e total de contratos diminui

    Entre os programas de financiamento, apenas o Prodecoop apresentou alta de 20%, alcançando R$ 900 milhões em concessões. O número total de contratos caiu 24%, de 534,3 mil para 408,3 mil operações.

    O Pronamp respondeu por 156,4 mil contratos, enquanto outros produtores rurais firmaram 127,6 mil operações. As CPRs totalizaram 125,3 mil contratos. Regionalmente, o Sul manteve a liderança em número de operações, e o Sudeste liderou em valores contratados.

    Fontes de recursos: destaque para LCA controlada

    As fontes controladas de crédito rural movimentaram R$ 106,5 bilhões em concessões, retração de 7%. Os Recursos Obrigatórios cresceram 19%, somando R$ 42,8 bilhões. Já a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) Controlada saltou 3.564%, para R$ 26,9 bilhões.

    A Poupança Rural Controlada totalizou R$ 7,5 bilhões, e os Fundos Constitucionais, R$ 14,5 bilhões. Entre as fontes não controladas, o volume chegou a R$ 97,3 bilhões, com destaque para a LCA Livre (R$ 47,8 bilhões) e a Poupança Rural Livre, que cresceu 39%, atingindo R$ 44,4 bilhões. O BNDES Livre recuou 11%, com R$ 4,4 bilhões.

    38% dos recursos equalizáveis do Plano Safra já foram concedidos

    Até março de 2026, o Plano Safra 2025/2026 executou 38% dos R$ 113,4 bilhões em recursos equalizáveis previstos. Foram liberados R$ 43,4 bilhões, restando 62% ainda disponíveis para contratação.

    O custeio representou 39% da execução (R$ 24,7 bilhões de R$ 63 bilhões previstos), o investimento, 37% (R$ 18,4 bilhões de R$ 49,5 bilhões), e a comercialização, 36% (R$ 307 milhões de R$ 845 milhões).

    O Banco do Brasil lidera a execução do plano, seguido pelos sistemas Sicoob e Cresol, que já alcançaram, respectivamente, 59% e 100% das metas de custeio.

    No total, há R$ 21,7 bilhões em crédito contratado ainda não liberado, com destaque para financiamentos fora de programas específicos (R$ 10,8 bilhões), além de recursos vinculados ao Pronamp, PCA, Funcafé e Moderfrota.

    De acordo com a Secretaria de Política Agrícola, o boletim reforça a estabilidade do crédito agropecuário, impulsionada pela expansão da CPR e da industrialização. Apesar da retração no investimento e no custeio tradicional, o setor mantém trajetória de crescimento, mesmo sob juros elevados.

  • Crédito rural entra em alerta e setor pede blindagem de títulos

    Crédito rural entra em alerta e setor pede blindagem de títulos

    O acesso ao crédito rural no Brasil tem passado por mudanças importantes nos últimos anos, e uma delas ganha cada vez mais destaque: a chamada “blindagem de títulos” no agronegócio.

    Na prática, o mecanismo busca dar mais segurança jurídica às operações financeiras no campo, especialmente diante do aumento das recuperações judiciais envolvendo produtores rurais. Com isso, agentes do setor privado passaram a defender medidas que garantam maior proteção aos títulos de crédito ligados à produção agrícola.

    Segurança jurídica entra no centro do debate

    A discussão ganhou força à medida que cresceu a preocupação com o risco de inadimplência no setor.

    Em muitos casos, instituições financeiras e investidores relatam dificuldades para recuperar valores após produtores entrarem em processos de recuperação judicial. Como consequência, a confiança nas operações de crédito rural acaba sendo impactada.

    Diante desse cenário, a blindagem surge como alternativa para proteger instrumentos como a Cédula de Produto Rural (CPR) e outros títulos amplamente utilizados no financiamento da safra. A proposta é evitar que esses ativos sejam atingidos por decisões judiciais, garantindo mais previsibilidade aos credores.

    Impacto direto no custo do crédito

    Além da segurança jurídica, o tema também se conecta ao custo do crédito no campo.

    Especialistas apontam que, quanto maior o risco percebido pelos financiadores, mais caro tende a ser o crédito para o produtor. Por outro lado, ao reduzir incertezas, a blindagem pode contribuir para taxas mais competitivas no médio prazo.

    Esse movimento se torna ainda mais relevante em um cenário de juros elevados e maior seletividade na concessão de recursos.

    Crescimento do crédito privado exige novas regras

    O avanço da discussão também acompanha uma transformação estrutural no financiamento do agronegócio.

    Nos últimos anos, o setor privado ampliou sua participação no crédito rural, reduzindo a dependência de recursos subsidiados. Instrumentos como CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e CPR passaram a ocupar espaço relevante no mercado.

    Além disso, a entrada de investidores institucionais, como fundos e bancos, elevou o nível de exigência em relação à segurança das operações. Nesse contexto, regras mais claras e estáveis se tornam fundamentais para sustentar esse crescimento.

    Desafio é equilibrar interesses

    Ao mesmo tempo, o tema não é consenso entre especialistas: Parte dos analistas alerta que eventuais mudanças precisam preservar mecanismos de proteção ao produtor em momentos de crise.
    O desafio está em encontrar um equilíbrio entre garantir segurança aos financiadores e manter alternativas viáveis para quem enfrenta dificuldades no campo.

    Assim, a blindagem de títulos passa a integrar um debate mais amplo sobre o futuro do crédito rural no Brasil.

    Tema deve avançar nos próximos meses

    Diante desse cenário, a expectativa é que a discussão avance entre setor privado, governo e especialistas.

    Enquanto isso, o agronegócio segue em adaptação. Com custos elevados, riscos climáticos e mudanças no mercado global, produtores e financiadores buscam novas formas de equilibrar segurança e acesso ao crédito — um tema que deve continuar no centro das decisões do setor nos próximos anos.

  • Estoques de CPR explodem 16% e atingem R$ 561 bi no agro

    Estoques de CPR explodem 16% e atingem R$ 561 bi no agro

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulga o Boletim de Finanças Privadas do Agro com números robustos de fevereiro. Registradoras contabilizaram 402 mil Cédulas de Produto Rural (CPR), totalizando R$ 561 bilhões em estoques. Esse volume representa alta de 16% ante fevereiro de 2025.

    Na safra atual, de julho de 2025 a fevereiro de 2026, o setor emitiu R$ 248 bilhões em CPR. O valor cai 8% em relação à safra anterior, mas os estoques totais impulsionam o funding privado no agronegócio.

    Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) também avançam. Bancos e financeiras acumularam R$ 588 bilhões em estoques, crescimento de 9% em 12 meses. Pelo menos 60% desse montante, R$ 352 bilhões em fevereiro, voltam obrigatoriamente ao financiamento rural, com salto de 31% ante 2025.

    Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) mantêm o ritmo forte de 2026. Os estoques atingiram R$ 176 bilhões, alta de 15% em um ano. Já os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) recuaram 8%, para R$ 32 bilhões, efeito residual do pico atípico de agosto de 2024.

    Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) voltam aos holofotes. Em janeiro, o patrimônio líquido alcançou R$ 48 bilhões, crescimento de 10% em 12 meses. O número de fundos operacionais subiu 60%, para 220.

    O Departamento de Política de Financiamento ao Setor Agropecuário, da Secretaria de Política Agrícola do Mapa, produz o boletim mensalmente. Acesse o relatório completo no site do Mapa para dados atualizados sobre financiamento do agronegócio.

  • Crédito rural cresce 7% no Plano Safra 2025/26 e alcança R$ 354,4 bilhões até fevereiro

    Crédito rural cresce 7% no Plano Safra 2025/26 e alcança R$ 354,4 bilhões até fevereiro

    O crédito rural empresarial continua em expansão no ciclo 2025/2026 do Plano Safra. Entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, o total contratado chegou a R$ 354,4 bilhões, o que representa alta de 7% em relação aos R$ 330,8 bilhões registrados no mesmo período da safra anterior, de acordo com o Boletim de Crédito Rural divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

    Os recursos efetivamente liberados nas contas dos produtores somaram R$ 342,9 bilhões, avanço de 4% no comparativo anual. O bom desempenho foi impulsionado principalmente pela alta das Cédulas de Produto Rural (CPR) e pela expansão do crédito para industrialização agrícola, que compensaram retrações nas modalidades tradicionais de custeio e investimento.

    CPR e industrialização puxam crescimento

    As CPRs emitidas por produtores em favor de instituições financeiras foram o principal motor da expansão. As contratações atingiram R$ 163,4 bilhões, um salto de 39% sobre o ciclo anterior. Somadas às operações de custeio tradicional, o volume total destinado ao financiamento da safra chegou a R$ 269,8 bilhões, alta de 12%.

    A industrialização agropecuária também ganhou destaque, com crescimento de 56% nas contratações, totalizando R$ 22,2 bilhões. As concessões acompanharam o ritmo e avançaram 51%, chegando a R$ 21,5 bilhões.

    Linhas tradicionais recuam

    Na direção oposta, as linhas tradicionais de financiamento recuaram. O custeio contratado caiu 13%, para R$ 106,4 bilhões, enquanto as liberações efetivas recuaram 16% (R$ 103,4 bilhões). O investimento teve retração ainda mais expressiva: queda de 20% nas contratações (R$ 39,5 bilhões) e 33% nas concessões (R$ 33 bilhões).

    A comercialização também sofreu redução, com recuo de 15% nas contratações (R$ 22,9 bilhões) e de 19% nas concessões (R$ 21,8 bilhões). Segundo a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, o setor mantém cautela diante dos custos financeiros elevados, com expectativa de que a taxa Selic recue em até dois pontos percentuais até o fim de 2026.

    Os principais programas de investimento rural registraram retração em relação à safra passada. O Moderfrota liderou as quedas, com redução de 49%, passando de R$ 6,85 bilhões para R$ 3,48 bilhões. O Proirriga caiu 48%, o Inovagro 33% e o Pronamp 34%. O Prodecoop teve a menor variação negativa, com recuo de apenas 3%.

    Fontes de recursos e modalidades

    As fontes controladas totalizaram R$ 98,8 bilhões, crescimento de R$ 6,5 bilhões sobre janeiro. Destaque para as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) na modalidade controlada, que dispararam 4.038%, alcançando R$ 25,7 bilhões, reflexo de mudanças regulatórias recentes.

    Os recursos obrigatórios avançaram 5%, para R$ 36 bilhões, enquanto a poupança rural controlada caiu 26% e os fundos constitucionais diminuíram 7%. Já as fontes não controladas somaram R$ 80,7 bilhões, queda de 24%, com recuo de 36% nas LCAs livres e alta de 28% na poupança rural livre.

    Recursos equalizáveis ainda têm saldo elevado

    Dos R$ 113,4 bilhões em recursos equalizáveis previstos no Plano Safra 2025/2026, foram liberados até fevereiro R$ 44,1 bilhões, ou 39% do total. Isso significa que 61% ainda estão disponíveis para contratação até o fim do ciclo.

    O custeio equalizado executou 44% dos R$ 63 bilhões programados, e o investimento equalizado, 33% dos R$ 49,5 bilhões previstos. No ranking das instituições financeiras, o Banco do Brasil lidera em ambas as modalidades, seguido de BNDES, Sicoob e Sicredi, enquanto a Cresol já executou 100% do crédito equalizado de custeio.

    Atualmente, há R$ 15,1 bilhões contratados, mas ainda não liberados, incluindo R$ 7,0 bilhões em financiamentos sem vínculo, R$ 1,2 bilhão no Pronamp, R$ 800 milhões no PCA, R$ 500 milhões no Funcafé e R$ 500 milhões no Moderfrota.

  • Novo seguro amplia proteção do crédito agrícola contra riscos climáticos

    Novo seguro amplia proteção do crédito agrícola contra riscos climáticos

    Um novo seguro voltado à cobertura de riscos climáticos promete reforçar a segurança das operações de crédito rural e ampliar a confiança no agronegócio. A solução foi desenvolvida para proteger produtos vinculados à Cédula de Produto Rural (CPR), um dos principais instrumentos de financiamento do setor.

    Segundo o diretor-geral da Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), Cesar Henrique Bernardes Costa, a iniciativa fortalece o uso da CPR ao oferecer uma proteção direta ao credor contra perdas climáticas. “É uma resposta concreta à demanda do mercado e um avanço importante para o crédito agrícola brasileiro”, afirmou.

    O produto se diferencia pela forma de indenização: em caso de sinistro, o segurador paga o valor diretamente ao credor da CPR, o que amplia a segurança financeira e reduz os riscos de inadimplência. Além disso, o seguro pode contar com subvenção federal ao prêmio do seguro rural, o que diminui o custo da apólice. No Estado de São Paulo, produtores também têm acesso à subvenção estadual.

    Para o diretor territorial da MAPFRE em São Paulo, Leonardo Marins, o aumento do crédito privado no agronegócio exige uma estrutura de mitigação de riscos mais robusta. “A CPR ganhou protagonismo nessas operações, e diante da maior instabilidade climática, é essencial que o risco esteja coberto. Quando estruturada tecnicamente, a CPR oferece previsibilidade e o mercado passa a confiar mais no título”, destacou.

    Disponibilidade

    A nova modalidade estará disponível em fevereiro de 2026, cobrindo a produção e o financiamento da safra 2026/2027. A iniciativa atende à demanda por instrumentos capazes de reforçar a segurança jurídica e financeira nas operações com CPR, fortalecendo o crédito do agronegócio brasileiro.

    Cesar Henrique Bernardes Costa, diretor geral da BBM e Leonardo Marins, diretor territorial São Paulo da MAPFRE. Foto: Divulgação

    A parceria entre as instituições teve início em 2024, quando lançaram produtos voltados ao seguro florestal com condições diferenciadas. O objetivo é ampliar o acesso a coberturas de risco no campo e oferecer mais soluções de proteção para produtores e financiadores rurais.

  • CPR puxa alta de 31% na captação para custeio da safra

    CPR puxa alta de 31% na captação para custeio da safra

    O mercado de crédito rural demonstra vigor no iníco da safra, com as Cédulas de Produto Rural (CPR) apresentando crescimento expressivo. Dados do Boletim de Desempenho do Crédito Rural, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), revelam que os recursos captados por meio de CPR para custeio da safra atingiram R$ 86,2 bilhões entre julho e outubro de 2025. O valor representa um salto de 31% em comparação com o mesmo período de 2024.

    O instrumento consolida-se como uma fonte crucial de financiamento para o agronegócio. A análise considera apenas as CPRs emitidas diretamente por produtores rurais em favor de instituições financeiras, destacando a confiança do setor nesse título.

    Crédito rural mostra sólido crescimento no volume total

    Quando somados os recursos do custeio tradicional e os captados via CPR, o volume total direcionado ao campo no período chegou a R$ 156,9 bilhões. O montante é 4% superior ao registrado na safra 2024/2025, indicando um ambiente de financiamento robusto.

    No geral, o crédito rural contratado (incluindo todas as finalidades) entre julho e outubro de 2025 totalizou R$ 201,75 bilhões, com uma leve alta de 0,3% ante os R$ 201,16 bilhões do mesmo período do ano anterior.

    Industrialização e armazenagem são outros destaques positivos

    Além do forte desempenho da CPR, outros segmentos do crédito rural também registraram avanços significativos:

    • Industrialização: os recursos contratados para essa finalidade tiveram um crescimento robusto de 29%, alcançando R$ 11,7 bilhões.
    • Armazenagem: o Programa de Construção de Armazéns (PCA), voltado para investimento, registrou desempenho 22% superior ao do período anterior.
    • Procap-Agro: o programa destinado à comercialização da produção agrícola também apresentou alta, de 3%.

    Apesar do crescimento nos valores captados, o relatório do Mapa aponta uma redução em dois indicadores operacionais:

    • Contratos Firmados: houve uma queda de 29% no número total de operações, que passou de 300.346 para 212.801.
    • Valores Efetivamente Concedidos: os recursos que já foram para as mãos dos produtores registraram uma retração de 7%, somando R$ 187,81 bilhões.

    Os dados sugerem uma concentração de valor por operação, onde produtores, especialmente os de maior porte, estão acessando linhas de crédito com volumes individuais mais elevados, com a CPR sendo um instrumento-chave nesse movimento.

  • LCA bate recorde, consolidando-se como maior fonte para o agro

    LCA bate recorde, consolidando-se como maior fonte para o agro

    O mercado de crédito do agronegócio mostra forte expansão, com a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) alcançando um estoque recorde de R$ 608,13 bilhões em setembro. Os dados, divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em seu último Boletim de Finanças do Agro, revelam um crescimento robusto de 23% em relação a setembro do ano anterior.

    O desempenho consolida a LCA como o título de maior peso no financiamento privado do setor. Em um intervalo de apenas quatro anos, entre setembro de 2021 e setembro de 2025, seu estoque mais do que quadruplicou, saltando de R$ 148 bilhões para o patamar atual.

    LCA lidera o financiamento do crédito rural

    A LCA, um título emitido por bancos e lastreado em direitos creditórios do agro, consolidou-se como a principal fonte de recursos para o campo. Dados preliminares do Banco Central indicam que, apenas no terceiro trimestre de 2025 (julho a setembro), a LCA respondeu por cerca de 37% de todo o crédito rural direcionado ao agronegócio.

    O relatório do Mapa também destaca a performance de outros títulos:

    • Cédula de Produto Rural (CPR): seu estoque chegou a R$ 527,43 bilhões em setembro, um aumento de 27% na comparação anual.
    • Emissões da Safra 2025/26: De julho a setembro, as emissões de CPR totalizaram R$ 105,64 bilhões. Volume 1% superior ao do mesmo período da safra anterior. O Banco Central informa que 65% dessas emissões beneficiaram instituições financeiras, enquanto 35% seguiram para o mercado de capitais.
    • Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA): apresentaram estoque de R$ 162 bilhões, com alta de 17% em doze meses.
    • Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA): totalizaram R$ 32 bilhões, registrando uma queda de 17% no período.

    O boletim informa que a atualização dos dados dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) está suspensa temporariamente. A divulgação retornará após o período de adaptação desses fundos às novas regras do Anexo VI da Resolução CVM 175.

     

     

  • Sicredi supera marca de R$ 30 bilhões em carteira de CPR

    Sicredi supera marca de R$ 30 bilhões em carteira de CPR

    O Sicredi, uma das principais instituições financeiras cooperativas do país, ultrapassou a marca de R$ 30 bilhões em carteira de Cédula de Produto Rural (CPR). Esse crescimento representa um aumento de 38,71% em um ano, passando de R$ 21,7 bilhões para R$ 30,1 bilhões, com mais de 87 mil operações ativas.

    A CPR é um dos principais instrumentos de financiamento da cadeia produtiva do agronegócio. Portanto, permitindo que os emissores obtenham recursos de maneira ágil para finalidades diversas. Criada pela Lei N. 8.929, de 1994, essa ferramenta tem sido essencial para o setor, especialmente para produtores rurais que buscam financiamento flexível.

    Presença do Sicredi no setor agro

    O Sicredi tem uma forte presença no setor agro, com 777 mil associados. Desses, 83% são da agricultura familiar, 12% produtores de porte médio e 5% de grande porte. “Nosso compromisso é apoiar a atividade dos associados. E a CPR, nos últimos anos, se constituiu como uma importante alternativa que se soma ao amplo portfólio de soluções voltadas ao público agro”, destaca Thiago Rossoni, superintendente de Agronegócio do Sicredi.

    Superintendente de Agronegócio do Sicredi, Thiago Rossoni

    A carteira Agro do Sicredi alcançou o montante de R$ 101 bilhões em 2024, um valor 21% superior ao do ano anterior. A instituição é a segunda maior fornecedora de crédito agro no país e a primeira entre as instituições privadas. Os desembolsos do Plano Safra pelo Sicredi cresceram 5,9% no primeiro semestre da safra 2024/25, com destaque para a CPR, que teve um aumento de 57% em relação ao mesmo período da safra passada.

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