Tag: CPR digital

  • E-agro dobra crédito rural e chega a R$ 5,6 bilhões

    E-agro dobra crédito rural e chega a R$ 5,6 bilhões

    O E-agro, ecossistema digital do Bradesco voltado ao agronegócio, encerrou 2025 com R$ 5,6 bilhões em crédito rural originado e uma carteira total de R$ 6,3 bilhões. O resultado representa mais que o dobro do registrado em 2024, quando a plataforma alcançou R$ 2,4 bilhões. Dessa forma, o crédito rural digital se consolida como ferramenta estratégica de gestão financeira no campo. Os números foram apresentados pelo Bradesco durante coletiva de imprensa realizada na 38ª Show Rural Coopavel, em Cascavel (PR).

    A coletiva contou com a participação de Roberto França, diretor de Agronegócios do Bradesco, e de Nadege Saad, head do E-agro. Ambos detalharam os resultados e explicaram a estratégia da plataforma diante de um cenário marcado por maior seletividade do crédito, volatilidade de preços e pressão sobre as margens do produtor rural.

    Criado em 2023, o E-agro iniciou suas operações com R$ 500 milhões em crédito rural originado. Desde então, mantém uma trajetória consistente de crescimento. Ao mesmo tempo, a plataforma acompanha a transformação do perfil do produtor, que passou a priorizar planejamento financeiro, controle de custos e gestão de riscos ao longo do ciclo produtivo.

    Segundo Roberto França, o avanço do E-agro reflete uma mudança estrutural na relação entre o sistema financeiro e o campo. “O produtor rural está mais profissionalizado e mais exigente. Hoje, ele busca soluções que contribuam para planejar melhor a safra e organizar o fluxo de caixa. Com isso, o crédito deixa de ser apenas uma necessidade pontual e passa a integrar a estratégia do negócio”, afirmou.

    Crédito rural digital assume papel estratégico no campo

    Nesse contexto, o crédito rural digital deixou de ser apenas um canal de contratação. Atualmente, ele passou a ocupar posição central na gestão das propriedades. Em um ambiente de margens mais apertadas, o produtor utiliza o crédito como instrumento de planejamento, integrando custeio, investimento e proteção contra riscos.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Para Nadege Saad, a consolidação do E-agro está diretamente ligada à maturidade digital do produtor rural. “O produtor está mais atento ao custo do crédito e aos riscos envolvidos. Por isso, exige soluções financeiras mais precisas, transparentes e alinhadas à realidade do campo. Crescer foi importante. No entanto, crescer com disciplina e coerência foi essencial”, destacou durante a coletiva.

    Atualmente, o E-agro reúne 114 sellers ativos e 118 parceiros de crédito. Dessa forma, conecta milhares de produtores rurais a diferentes linhas de financiamento em um único ecossistema digital. A proposta é organizar o acesso ao crédito rural e a serviços financeiros ao longo de toda a jornada produtiva.

    “Nosso papel vai além da originação. Atuamos como um marketplace financeiro que estrutura o acesso ao crédito de forma responsável. Além disso, oferecemos leitura técnica de risco e uma jornada digital simples e integrada”, explicou Nadege Saad.

    Além do crédito para custeio e investimento, a plataforma permite a contratação de Cédula de Produto Rural (CPR) digital. Inclusive, o produtor pode utilizar máquinas e equipamentos como garantia, com contratação totalmente on-line. Com isso, o E-agro amplia as alternativas de financiamento e fortalece a gestão de risco no campo.

    Expansão do crédito rural marca a agenda de 2026

    Durante a coletiva na Show Rural Coopavel, os executivos também apresentaram as prioridades para 2026. A agenda prevê a entrada no mercado de crédito PJ ainda no primeiro trimestre do ano. Além disso, inclui a ampliação do financiamento de máquinas, com destaque para a chamada linha amarela.

    Outro ponto em avaliação envolve instrumentos como CPR em dólar e CPR pós-fixada. A ideia é oferecer maior previsibilidade financeira e apoiar a gestão de risco diante da volatilidade do mercado agrícola. Ao mesmo tempo, a plataforma avança na implementação do Concierge E-agro, serviço de atendimento especializado ao cliente.

    Ainda em 2026, o E-agro prevê evoluções no seguro prestamista. As soluções devem se tornar mais aderentes ao perfil do produtor rural. “Tecnologia é meio. O objetivo final é promover disciplina financeira e apoiar decisões mais seguras em um ambiente cada vez mais exigente”, reforçou Nadege Saad.

    Show Rural Coopavel reforça proximidade com o produtor rural

    A participação do Bradesco e do E-agro na 38ª Show Rural Coopavel, realizada de 9 a 13 de fevereiro, reforça a estratégia de aproximação com produtores e parceiros. O evento é considerado um dos principais espaços de discussão do agronegócio brasileiro no início do ano.

    Nesse período, o planejamento financeiro ganha relevância para a próxima safra. Por isso, a presença na feira permite apresentar, na prática, como a digitalização e o crédito rural integrado podem contribuir para decisões mais eficientes no campo.

    Lançado em parceria com o inovabra, ambiente de coinovação do Bradesco, e com participação da IBM, o E-agro atende clientes e não clientes do banco. A plataforma reúne soluções para agricultura e pecuária, além de produtos ligados a máquinas, insumos, irrigação, energia solar e agricultura digital.

  • Demanda por crédito rural atinge R$ 1 trilhão e abre mercado para startups

    Demanda por crédito rural atinge R$ 1 trilhão e abre mercado para startups

    O agronegócio brasileiro ultrapassou R$ 1 trilhão em demanda por crédito em 2024, revela o Boletim de Finanças Privadas do Agro que o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou recentemente. Os dados confirmam a força do setor na economia nacional e expõem um desequilíbrio histórico: grandes produtores e mecanismos tradicionais ainda concentram a maior parte do acesso ao capital.

    Um novo ecossistema, no entanto, ganha protagonismo para transformar esse cenário. As agfintechs, startups que combinam tecnologia e soluções financeiras, desenvolvem alternativas específicas para o campo. Essas empresas trabalham junto a plataformas de investimento coletivo e abrem rotas de crédito mais descentralizadas, flexíveis e inclusivas.

    Agfintechs crescem 14,1% e consolidam Brasil como polo de inovação agrícola

    O Brasil já conta com 97 agfintechs em 2024, crescimento de 14,1% em relação a 2023. O Radar Agtech Brasil 2024, estudo que a Embrapa elaborou em parceria com SP Ventures e Homo Ludens Research, monitora o ecossistema desde 2019 e confirma: o país se consolida como um dos polos mais promissores de inovação agrícola no mundo.

    As empresas oferecem soluções diversificadas. Antecipação de recebíveis via CPR digital, crédito peer-to-peer, seguro paramétrico com base em dados climáticos e plataformas integradas de gestão financeira e risco atendem desde pequenos produtores familiares até grandes cooperativas agroindustriais.

    Mercado de capitais democratiza financiamento do agronegócio

    O mercado de capitais agora representa uma alternativa concreta para financiar o agro. A Resolução CVM 88, em vigor desde 2022, permite ofertas públicas de até R$ 15 milhões por meio de plataformas de investimento coletivo reguladas. A Arara Seed, primeira plataforma do Brasil dedicada exclusivamente a agro, food e climate tech, lidera esse movimento.

    A regulamentação criou espaço para novas estruturas de financiamento. Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) pulverizados, Notas Comerciais lastreadas em recebíveis rurais e CPRs democratizam o acesso a capital. Startups, pequenas empresas e produtores que grandes bancos ignoravam agora encontram investidores.

    Sustentabilidade atrai nova geração de investidores para o campo

    O perfil dos investidores mudou significativamente. A rentabilidade deixou de ser o único critério. Investidores buscam cada vez mais projetos com impacto e propósito definidos. Iniciativas focadas em clima, rastreabilidade de alimentos, agricultura regenerativa e descarbonização atraem desde fundos institucionais até pessoas físicas que desejam gerar impacto positivo.

    “O desafio do agro hoje não é apenas produzir em escala, mas inovar com responsabilidade, rastreabilidade e menor impacto ambiental. Essa nova lógica abre espaço para investimentos mais descentralizados e alinhados aos valores do investidor moderno”, destaca Henrique Galvani, CEO da Arara Seed.

    Aportes acessíveis e potencial de alto retorno transformam o agro em campo fértil para quem busca diversificar a carteira com ativos reais e sustentáveis.

    Brasil lidera transição global para agronegócio tecnológico e regenerativo

    A tendência se fortalece: nos próximos anos, investidores devem aportar bilhões em soluções que envolvem inteligência artificial aplicada ao campo, biológicos, monitoramento climático, agroflorestas e plataformas digitais de crédito e seguro rural.

    O Brasil ocupa posição privilegiada nessa transição global. A vocação agrícola do país e a diversidade de biomas criam condições ideais para liderar um modelo de produção mais eficiente, tecnológico e regenerativo.

    “Com um ecossistema em expansão, demanda reprimida por crédito e startups cada vez mais preparadas para escalar, o agronegócio brasileiro se posiciona como um dos setores mais promissores para quem deseja unir impacto e retorno financeiro”, conclui Galvani.