Tag: cosméticos

  • Anvisa recolhe ricota Vaidosa e amplia lista de produtos proibidos em julho

    Anvisa recolhe ricota Vaidosa e amplia lista de produtos proibidos em julho

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a venda, a distribuição e o consumo da Ricota Fresca da marca Vaidosa. A decisão integra uma sequência de ações que a agência tomou nas últimas duas semanas contra alimentos, cosméticos e produtos de limpeza com irregularidades. E reforça o alerta sobre os riscos de consumir itens sob suspeita.

    Ricota recolhida pela Anvisa
    Foto: Reprodução

    A empresa Vaidosa Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. informou à Anvisa que recolherá voluntariamente os lotes 148, 153, 166 e 167 da Ricota Fresca. A companhia não comprovou documentalmente que o hidróxido de sódio usado no processo de fabricação atende à especificação de grau alimentício.

    A substância funciona como coadjuvante de tecnologia para corrigir o pH durante a produção do queijo. E o uso de um insumo fora do padrão adequado pode representar risco à saúde do consumidor.

    Anvisa também mirou azeite, doces e cosméticos

    A ricota não é o único produto que a Anvisa retirou de circulação recentemente. Na quarta-feira (22/7), a agência determinou o recolhimento de todos os lotes do Azeite de Oliva Extra Virgem da marca San Oliveto. Ele apresentou resultado insatisfatório em teste de índice de refração, parâmetro que avalia a qualidade e a autenticidade do produto. No mesmo dia, a Anvisa apreendeu os produtos da Indústria e Comércio de Doces Fatti a Mano. Os itens não possuíam registro nem regularização junto ao órgão. E eram fabricados em local sem licença de funcionamento.

    Azeite San Oliveto
    Foto: Reprodução

    Também na semana, a agência publicou a Resolução-RE nº 2.895/2026 e proibiu a comercialização de cinco produtos, entre eles um cosmético à base de cúrcuma e itens das empresas Biopharcos e Aptos Brasil, por veicularem alegações terapêuticas irregulares. Em todos esses casos, a empresa responsável e o CNPJ aparecem como desconhecidos, e a motivação da proibição é a venda sem registro ou notificação junto à Anvisa.

    A lista de recalls recentes inclui ainda dez produtos de limpeza e um purificador de ar sem autorização de fabricação, retirados do mercado por meio de cinco novas resoluções publicadas no Diário Oficial da União. A Anvisa orienta consumidores e comerciantes a interromperem imediatamente a comercialização e o uso desses itens.

    Quais riscos o consumo de produtos suspeitos representa

    Produtos recolhidos por falhas de composição, ausência de registro ou irregularidades no processo produtivo podem conter substâncias tóxicas, contaminantes ou concentrações fora do permitido pela legislação sanitária. No caso de insumos como o hidróxido de sódio fora da especificação alimentícia, a exposição pode causar irritação ou lesões no trato digestivo, dependendo da concentração residual no produto final.

    Casos anteriores mostram a gravidade do problema: a Anvisa já recolheu fórmulas infantis por risco de contaminação por toxina bacteriana e um lote de molho de tomate importado após a identificação de fragmentos de vidro na composição. Por isso, a agência recomenda que o consumidor nunca ignore um alerta de recall, mesmo que o produto pareça normal.

    O que fazer com um produto recolhido em casa

    O consumidor que tiver em casa qualquer item incluído em uma resolução de recolhimento deve parar de usá-lo ou consumi-lo imediatamente. A orientação da Anvisa é verificar o número do lote na embalagem, guardar o produto em local seco e fechado até descartá-lo corretamente. Além de buscar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do fabricante para solicitar troca ou reembolso. Denúncias e dúvidas também podem ser registradas diretamente no site da Anvisa.

  • Alecrim-do-mato da Caatinga vira aposta e atrai indústria

    Alecrim-do-mato da Caatinga vira aposta e atrai indústria

    Pesquisadores da Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), concluíram a estruturação da base tecnológica para o cultivo e a exploração comercial do alecrim-do-mato (Lippia grata Schauer), planta aromática nativa da Caatinga com potencial para bioinsumos agrícolas, cosméticos e fragrâncias. Os estudos definiram protocolos de produção de mudas e extração de óleo essencial, abriram parcerias industriais e apontam para a integração da espécie em sistemas agroecológicos com agricultores familiares do Semiárido.

    Os trabalhos começaram em 2009, a partir de um levantamento de cerca de 25 espécies aromáticas produtoras de óleos essenciais em Pernambuco e na Bahia. Após análises químicas e ensaios biológicos, a Lippia grata se destacou entre todas. “Desde os primeiros levantamentos, o alecrim-do-mato apresentou um potencial muito superior ao das demais espécies avaliadas”, afirma a pesquisadora Ana Valéria Vieira de Souza.

    A planta ocorre em todos os estados do Nordeste, exceto Alagoas, suporta baixa disponibilidade de água e admite plantio consorciado. Características que facilitam sua adoção no Semiárido.

    Um dos primeiros desafios da pesquisa foi o fato de o alecrim-do-mato não se propagar por sementes. A equipe desenvolveu um protocolo de propagação vegetativa que mostrou facilidade de enraizamento sem o uso de substâncias estimulantes, viabilizando a produção em escala. O protocolo recomenda a coleta de ramos medianos das plantas matrizes, entre 50 e 60 centímetros do solo, e o uso de vermiculita expandida como substrato.

    Óleo com rendimento acima da média

    No campo da extração, os pesquisadores identificaram que folhas secas à sombra produzem entre 3 e 5 mililitros de óleo essencial por 100 gramas. Um índice considerado elevado para a espécie. A destilação por arraste a vapor preserva as propriedades do produto, e o armazenamento deve ocorrer em frascos âmbar ou protegidos da luz, em temperaturas abaixo de 15 °C.

    Óleo essencial apresenta ação antifúngica e antibacteriana, com resultados promissores no controle de patógenos de culturas como manga e uva. Foto: Clarice Rocha/Embrapa

    O óleo do Vale do São Francisco ainda guarda uma característica incomum: um quimiotipo diferenciado, com composição química distinta das populações da espécie em outras regiões. Parceiros industriais que analisaram o material reagiram com surpresa. “O quimiotipo local mostrou uma composição mais potente, o que expande as possibilidades industriais e agrega valor ao produto final”, diz Ana Valéria.

    Fungo não resiste nem ao contato

    Em ensaios laboratoriais e de campo, o óleo da Lippia grata inibiu fungos como Lasiodiplodia, Aspergillus, Alternaria e Cladosporium. Eles são patógenos que atacam manga e uva, culturas estratégicas do Vale do São Francisco. O pesquisador Pedro Martins destaca um resultado especialmente relevante para a viticultura: o óleo paralisou o crescimento de certos fungos mesmo sem contato direto com eles. “Esse comportamento é especialmente útil para a pós-colheita da uva, que não pode receber tratamentos que umedeçam os cachos”, explica Martins.

    “Testamos quebra-faca, marmeleiro e outras espécies. O alecrim-do-mato foi disparadamente a mais eficiente”, completa o pesquisador.

    Para tornar o óleo aplicável em larga escala, a equipe avança no desenvolvimento de formulações e nanoformulações que aumentem a estabilidade do produto e superem limitações como volatilidade, degradação pela luz e baixa solubilidade. O pesquisador Douglas Britto lidera estudos sobre revestimentos pós-colheita para prolongar a vida útil da manga.

    Da roça ao mercado de cosméticos

    Desde 2022, a Embrapa Semiárido mantém parceria com a empresa Bio Assets para o desenvolvimento de produtos comerciais a partir de ativos naturais da Caatinga e do . Incluindo o óleo da Lippia grata, que também desperta interesse da indústria de cosméticos e fragrâncias.

    A próxima etapa prevê a implantação do cultivo em propriedades familiares, com integração dos princípios da agroecologia e da bioeconomia desde o início. “O alecrim-do-mato é um dos exemplos mais fortes de como a biodiversidade da Caatinga pode impulsionar inovação, renda e inclusão socioprodutiva”, afirma Ana Valéria. “As perspectivas são excelentes, e seguimos trabalhando para ampliar suas aplicações e consolidar essa nova cadeia de valor.”

    Pesquisa integra bioeconomia e agroecologia, com foco no cultivo pela agricultura familiar no Semiárido. Foto: Clarice Rocha/Embrapa
  • Pesquisa revela potencial do umbu para saúde, beleza e nutrição

    Pesquisa revela potencial do umbu para saúde, beleza e nutrição

    Uma pesquisa científica inédita acaba de revelar o potencial transformador do umbu (Spondias tuberosa Arruda), fruta nativa do semiárido brasileiro. O estudo, realizado em parceria entre a Embrapa e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), caracterizou pela primeira vez de forma abrangente os compostos químicos e aromáticos da polpa do fruto, apontando aplicações que vão desde alimentos funcionais até cosméticos e medicamentos.

    Os resultados impressionaram os pesquisadores. Segundo a professora Juliane Welke, da UFRGS, o trabalho investigou tanto os compostos fenólicos tradicionais quanto aqueles negligenciados em estudos anteriores, chamados de “não extraíveis”.

    “Descobrimos que essa fração não extraível representa 82% do conteúdo total de polifenóis da polpa de umbu e apresenta alta capacidade antioxidante”, explica a doutoranda Rafaela Silveira, autora principal do estudo.

    Os antioxidantes são substâncias que combatem os radicais livres no organismo, associados ao envelhecimento celular e a doenças crônicas como cânceres e problemas cardiovasculares.

    19 compostos bioativos identificados

    A análise identificou 19 compostos fenólicos e um ácido orgânico na polpa do umbu. Entre os destaques estão flavonoides como miricetina, rutina, quercetina e kaempferol – moléculas já reconhecidas pela ciência por seus efeitos anti-inflamatórios e cardioprotetores.

    “Essas substâncias reforçam o potencial do umbu como ingrediente funcional que vai muito além da alimentação, alcançando aplicações farmacêuticas”, afirma Silveira.

    Aroma exótico atrai indústrias

    No campo dos aromas, a pesquisa encontrou 26 terpenos, além de álcoois, ésteres, ácidos, aldeídos e cetonas. Compostos como citral, β-linalol, nerol e p-cimeno são os principais responsáveis pelo perfil aromático exótico do umbu, que combina notas cítricas, florais e doces.

    Umbu
    Foto: Auxiliadora Coêlho/Embrapa

    O perfil diferenciado já desperta interesse das indústrias de alimentos e cosméticos, que enxergam na fruta uma matéria-prima inovadora para produtos de alto valor agregado.

    Economia circular e geração de renda

    Além dos benefícios nutricionais e sensoriais, o aproveitamento integral do umbu pode impulsionar a economia circular no semiárido nordestino, segundo Aline Biasoto, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.

    Atualmente, a fruta é comercializada principalmente em forma de polpa por cooperativas locais, sendo utilizada na produção de geleias, compotas, sorvetes, sucos, licores e cervejas artesanais.

    O umbuzeiro, capaz de armazenar água em suas raízes para sobreviver às secas prolongadas, é considerado patrimônio cultural do semiárido. A coleta dos frutos é tradicionalmente realizada por agricultores familiares, garantindo sustento a diversas comunidades da Caatinga.

    Cultivares melhoradas ampliam possibilidades

    Saulo de Tarso Aidar, pesquisador da Embrapa Semiárido e coordenador do projeto de biodiversidade da Caatinga, acredita que a nova caracterização científica pode abrir novos mercados para o fruto e ampliar seu impacto socioeconômico.

    Desde 2019, a Embrapa já registrou quatro cultivares melhoradas de umbuzeiro no Ministério da Agricultura e Pecuária: BRS 48, BRS 52, BRS 55 e BRS 68. Todas apresentam produtividade superior à média e estão adaptadas ao bioma Caatinga.

    “Os novos materiais representam um passo importante na domesticação do umbuzeiro, reduzindo a dependência do extrativismo”, explica Visêldo Ribeiro, da Embrapa Semiárido.

    Estudos futuros devem aprofundar o papel dos compostos fenólicos do umbu na saúde intestinal e avaliar aplicações específicas em alimentos funcionais e suplementos nutricionais. No campo dos aromas, os pesquisadores pretendem explorar o potencial dos terpenos em produtos cosméticos e alimentícios.

    A pesquisa reposiciona o umbu, até então subutilizado e com altas perdas pós-colheita, como matéria-prima estratégica para inovação industrial, unindo saúde, sustentabilidade e tradição cultural do semiárido brasileiro.

    O estudo, de Rafaela Silveira, UFRGS, Karolina Hernandes, UFRGS, Luana Mallmann, UFRGS, Viseldo Oliveira, Embrapa Semiárido, Cláudia Zini, UFRGS, Aline Biasoto, Embrapa Meio Ambiente e Juliane Elisa Welke, UFRGS, está disponível aqui.

  • Cosméticos sustentáveis: como tendência está revolucionando mercado

    Cosméticos sustentáveis: como tendência está revolucionando mercado

    A demanda por produtos sustentáveis e ambientalmente responsáveis tem transformado diversos setores, e a indústria da beleza não é exceção. Os cosméticos sustentáveis, também conhecidos como cosméticos naturais, ecológicos ou cosméticos verdes, seguem uma tendência de crescimento no mercado, conquistando um número grande de consumidores preocupados com a saúde e o meio ambiente.

    A popularidade dos cosméticos sustentáveis está incentivando marcas da beleza a repensar suas formulações e práticas de produção.

    Grandes empresas estão lançando linhas de produtos ecológicos e investindo em certificações que garantem a sustentabilidade. Ao mesmo tempo, novas marcas estão surgindo com uma filosofia completamente alinhada para a sustentabilidade, com um emergente e ainda pouco explorado mercado consumidor.

    O que são cosméticos sustentáveis?

    Cosméticos sustentáveis são produtos de beleza que buscam minimizar os impactos ao meio ambiente, utilizando matérias primas sustentáveis e evitando substâncias químicas sintéticas prejudiciais tanto para a pele quanto para o meio ambiente.

    Esses produtos são formulados sem parabenos, sulfatos, ftalatos e outras toxinas, priorizando componentes como óleos essenciais, extratos de plantas e minerais, ingredientes orgânicos, veganos, de origem não animal e cruelty-free.

    Além disso, a produção desses cosméticos envolve em toda a cadeia produtiva práticas sustentáveis e ecologicamente responsáveis, como a agricultura orgânica, uso de embalagens recicláveis e biodegradáveis, uso racional da água e fortalecimento das comunidades bioextrativistas regionais.

    Tipos de cosméticos sustentáveis:

    • Cosméticos orgânicos: deve conter, no mínimo, 95% de matérias-primas certificadas como orgânicas.
    • Cosméticos naturais: deve conter, no mínimo, 95% de matérias-primas naturais e não deve conter aditivos químicos.
    • Cosméticos veganos: não contem matérias primas de origem animal como exemplo lanolina, colágeno, mel, cera de abelha.
    • Biocosmeticos: produzidos a partir de ingredientes naturais desenvolvidos em condições laboratoriais com a ajuda de bactérias, fungos e leveduras como, por exemplo, ácido hialurônico produzido, peptídeos, enzimas, biocelulose.

    Exemplo nacional

    No Brasil a Natura é referência em sustentabilidade em sua cadeia produtiva. Em 2011 a empresa lançou o Programa Natura Amazônia e desde então mais de dois milhões de hectares de floresta foram conservadas, R$ 2,5 bilhões em volume de negócios movimentados na região amazônica e 28 mil pessoas impactadas diretamente.

    A empresa ainda tem como meta aumentar para três milhões de hectares de conservação da Amazônia até 2030 e contribuir para o desmatamento zero até 2025.

    A tendência é de crescimento contínuo. Além disso, consumidores estão cada vez mais informados e exigentes, pressionando a indústria a adotar práticas mais alinhadas ao ecologicamente correto e sustentável.

    Por sua vez, as grandes empresas do ramo da beleza estão se reinventando atentos a esse mercado embora. Os custos de pesquisa e produção de cosméticos ecológicos são geralmente mais altos, refletindo-se nos preços finais para o consumidor. No entanto, segundo o caderno de tendências 2019 a 2020 do Sebrae, 29% dos consumidores brasileiros preferem comprar produtos de empresas com práticas sustentáveis e 73% dos consumidores de 20 a 34 anos estão dispostos a pagar mais por esses produtos.

    Este movimento por cosméticos ecologicamente responsáveis não apenas reflete uma mudança de hábitos, mas também uma transformação cultural em direção à sustentabilidade e ao bem-estar coletivo