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  • Brasil avança na busca de qualidade do azeite

    Brasil avança na busca de qualidade do azeite

    O Brasil marcou presença no World Olive Day, evento realizado durante a 122ª reunião do Conselho Oleícola Internacional (COI) em Córdoba, Espanha, demonstrando seus avanços na regulamentação e controle de qualidade do azeite consumido no país. A participação brasileira ganhou destaque com o anúncio oficial dos procedimentos para adesão ao COI, organização que reúne os principais produtores mundiais do setor.

    Foto: Mapa

    O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Goulart, participou do encontro ao lado de ministros e delegações de 28 países. O evento culminou na aprovação da Declaração de Córdoba, documento que estabelece diretrizes globais para sustentabilidade, saúde pública e cooperação internacional no setor olivícola.

    Crescimento do consumo impulsiona mudanças regulatórias

    Durante sua participação, Goulart ressaltou o aumento significativo do consumo de azeite pelos brasileiros e a crescente conscientização sobre os benefícios nutricionais do produto. Apesar de a produção nacional ainda ser limitada, o governo brasileiro concentra esforços para garantir a qualidade e a segurança dos azeites disponíveis no mercado.

    “O Mapa vem trabalhando com firmeza para alinhar os regulamentos técnicos aos padrões internacionais, especialmente aos estabelecidos pelo Conselho Oleícola Internacional, além de combater firmemente as fraudes que colocam em risco a saúde da população e prejudicam o comércio justo”, declarou o secretário.

    Adesão ao COI representa marco estratégico

    A entrada do Brasil no Conselho Oleícola Internacional representa uma prioridade estratégica para o país, que busca integrar um fórum global dedicado à cooperação técnica, inovação e desenvolvimento sustentável do setor. O secretário informou que os procedimentos formais para adesão já foram iniciados. E destacou a possibilidade de o Brasil contribuir com sua expertise em agricultura tropical.

    Goulart agradeceu o apoio do COI ao Brasil desde 2024, especialmente na capacitação de painelistas especializados em análise sensorial de azeites. Essa formação é considerada fundamental para o aprimoramento dos controles oficiais realizados pelo governo brasileira. Fortalecendo a fiscalização e garantindo produtos de maior qualidade ao consumidor.

    Combate a fraudes e educação do mercado

    Entre as iniciativas destacadas pelo representante brasileiro estão as ações de promoção e educação sobre azeite coordenadas pelo COI. Campanhas educativas e masterclasses direcionadas à imprensa, influenciadores digitais e profissionais da gastronomia têm contribuído para ampliar o conhecimento sobre o produto no mercado nacional.

    O combate às fraudes permanece como prioridade absoluta para o Mapa, que intensifica a fiscalização para coibir práticas ilegais que comprometem a saúde pública e distorcem a concorrência no setor.

    Declaração de Córdoba reforça compromissos globais

    A Declaração de Córdoba, aprovada durante o encontro, consolida princípios compartilhados pelos países membros do COI em áreas estratégicas como sustentabilidade ambiental, segurança alimentar e comércio internacional. O documento reforça a importância da oliveira e do azeite na promoção de dietas saudáveis e na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

    O Brasil se alinha aos valores expressos na declaração, que incluem a valorização dos territórios rurais, preservação ambiental e fortalecimento do comércio justo. O país reafirma seu compromisso com o desenvolvimento agropecuário sustentável, pautado pela inovação, inclusão social e responsabilidade ambiental.

    Setor olivícola em perspectiva global

    O World Olive Day reuniu lideranças dos principais países produtores de azeite e azeitonas de mesa para debater desafios e oportunidades do setor. As discussões enfatizaram a necessidade de harmonização dos padrões de qualidade internacionais e o fortalecimento da cooperação entre nações produtoras e consumidoras.

    Com a participação ativa em fóruns internacionais, o Brasil busca posicionar-se estrategicamente no mercado global de azeite. Equilibrando a proteção do consumidor nacional com a integração às melhores práticas internacionais do setor.

  • Dia decisivo nas urnas testa força de Milei e confiança do agro

    Dia decisivo nas urnas testa força de Milei e confiança do agro

    Javier Milei chega às eleições legislativas deste domingo (26) em clima de tensão. O libertário, que fez do combate ao Estado sua bandeira, enfrenta nas urnas um teste decisivo: saber se o país aprova sua agenda econômica e se o Congresso permitirá que ela avance.

    Nenhum setor observa esse embate com tanta atenção quanto o agronegócio. A agricultura é responsável por mais de 60% das exportações argentinas e, em meio à recessão e à desvalorização de 54% do peso, tornou-se o principal fiador da geração de dólares.

    Desde que assumiu, Milei tem se esforçado para reconstruir a relação com o campo, historicamente desconfiado do poder central. Em julho, durante a Exposição Rural de Palermo, ele discursou diante de milhares de produtores: “O que o campo precisa não é que o Estado o proteja, mas que o deixem trabalhar.”

    A frase, registrada pelo jornal La Nación, foi recebida com aplausos e sintetizou o eixo de sua política: menos impostos, mais liberdade e câmbio unificado.

    Redução de impostos, mas sem garantias

    O presidente anunciou a redução das retenciones, tributos cobrados sobre exportações de grãos e carnes, medida vista como um gesto de reconciliação. Em discurso, prometeu que “a Argentina voltará a ser o celeiro do mundo”.

    A decisão foi elogiada, mas também relativizada. Segundo o Infobae, representantes da Sociedade Rural Argentina e da Federação Agrária advertiram que o governo ainda não detalhou quando a medida se tornará permanente. “Não está prevista uma queda estrutural das alíquotas”, escreveu o portal.

    Um comunicado conjunto das principais entidades rurais reforçou o pedido de segurança jurídica: “Exigimos a eliminação definitiva desses impostos, de maneira previsível e sustentável”, afirmou o texto, reproduzido pela Reuters.

    A reação reflete um dilema. Milei liberalizou o câmbio e retirou parte das restrições à exportação, mas precisa do novo Congresso eleito hoje para aprovar o avanço das reformas. Uma maioria hostil pode travar projetos-chave e forçar o governo a recuar.

    Mercado observa

    Investidores e analistas monitoram o pleito como um indicador da estabilidade futura. O mercado agrícola vê Milei como um aliado natural, mas a governabilidade ainda é incerta.

    “Há entusiasmo, mas também cautela”, disse o economista Jorge Castro à Agrofy News. “Se as reformas não forem aprovadas, o país voltará à mesma armadilha fiscal que sufocou o agro nas últimas décadas.”

    Em setembro, o presidente reagiu às críticas de que apenas grandes exportadoras se beneficiaram do corte temporário de impostos. “O melhor respeito é que o preço da soja subiu de 295 para 350 dólares”, afirmou à emissora A24, garantindo que “os produtores se beneficiaram diretamente”.

    Efeito regional

    Um agronegócio argentino mais competitivo poderá alterar o equilíbrio comercial da América do Sul. O país já sinaliza recuperação nas exportações de soja e milho, o que pressiona o Brasil e o Paraguai nos mercados asiáticos.

    Ao mesmo tempo, o setor de máquinas agrícolas brasileiro enxerga oportunidade: com o fim das barreiras à importação de equipamentos, a Argentina pode ampliar compras de tecnologia e insumos produzidos no Brasil.

    Expectativa no campo

    Nas províncias agrícolas de Córdoba, Santa Fé e Entre Ríos, o clima é de esperança cautelosa. Produtores reconhecem que o discurso liberal de Milei trouxe alívio, mas esperam menos improviso e mais continuidade.

    Javier Milei em evento da Expo Angus na Argentina

    “O solo argentino é fértil, mas a política precisa parar de mudar o clima a cada eleição”, disse um dirigente rural ouvido pelo Clarín Rural.

    As urnas fecham às 18h e os primeiros resultados devem sair à noite. Para Milei, o voto do campo pode definir não apenas o futuro do seu governo, mas o rumo econômico de um país que tenta, mais uma vez, se reinventar pela força da terra.