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  • Brasil produz mais de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo pela primeira vez

    Brasil produz mais de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo pela primeira vez

    A piscicultura brasileira alcançou um marco histórico ao superar, pela primeira vez, a produção de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo. O volume representa um crescimento de 60% em relação a dez anos atrás e consolida a atividade como uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio nacional.

    Além do avanço produtivo, o setor movimenta atualmente cerca de R$ 12,5 bilhões e gera aproximadamente 500 mil empregos diretos em todo o país. O crescimento foi impulsionado principalmente pela tilápia, espécie que respondeu por 707 mil toneladas produzidas no último ano, registrando expansão de 84%.

    A evolução da atividade pode ser observada na trajetória do produtor Martinho Colpani Filho, de Mococa (SP). No fim dos anos 1980, sua família decidiu trocar culturas tradicionais pela criação de peixes, em uma época em que a atividade ainda era vista com desconfiança.

    “Na cidade, a gente era motivo de piada por criar peixe. Diziam que nunca ia dar dinheiro porque tinha peixe de graça no rio”, recorda.

    Com o passar dos anos, a piscicultura ganhou escala e profissionalização. Atualmente, além da tilápia, produtores investem em espécies como o panga, peixe originário do Vietnã que vem ampliando espaço no mercado brasileiro.

    Tilápia lidera crescimento do setor

    Segundo Francisco Medeiros, presidente da Peixe BR, a transformação da cadeia produtiva ocorreu em pouco mais de uma década.

    “Há 12 anos, a tilápia não passava de 12% da produção de peixes. Hoje, 70% é tilápia, com tendência de chegar a 82% em 2030”, afirma.

    tilápia
    A tilápia é a grande responsável pelo forte crescimento da piscicultura nacional — Foto: Aires Mariga/Epagri

    O avanço foi impulsionado principalmente pelas cooperativas do Paraná, que adaptaram para a piscicultura o modelo de integração já consolidado na avicultura. Empresas como Copacol e C.Vale investiram em genética, produção de alevinos, fabricação de ração, assistência técnica e processamento industrial.

    A Copacol, por exemplo, trabalha com cerca de 300 produtores integrados e possui duas unidades frigoríficas capazes de processar 210 mil peixes por dia. Já a C.Vale opera o maior frigorífico de tilápia do país, em Palotina (PR), com capacidade de abate de 240 mil quilos diariamente.

    Exportações e desafios internacionais

    Além da demanda interna crescente, as exportações têm contribuído para o avanço da piscicultura brasileira. Em 2024, a receita das vendas externas de pescado aumentou 138%, enquanto o volume exportado cresceu 102%.

    No entanto, o setor enfrentou dificuldades após a imposição de uma tarifa adicional de 50% pelos Estados Unidos sobre a tilápia brasileira. Como consequência, empresas exportadoras perderam participação no mercado americano e passaram a disputar espaço com novos fornecedores.

    Tecnologia abre caminho para nova expansão

    Para sustentar o avanço da produção, o setor aposta em pesquisa, inovação e melhoramento genético. Em Santa Catarina, a Epagri desenvolve estudos para aumentar o desempenho produtivo da tilápia, especialmente em regiões sujeitas a baixas temperaturas durante o inverno.

    Ao longo de 12 anos de pesquisas, a instituição desenvolveu cinco gerações da espécie. Como resultado, o peso médio dos peixes passou de 700 gramas para 973 gramas, um ganho de 39%. Além disso, os avanços contribuíram para reduzir riscos sanitários e melhorar a rentabilidade dos produtores sem a necessidade de grandes ampliações na estrutura das propriedades.

    Dessa forma, especialistas avaliam que a piscicultura brasileira ainda possui amplo espaço para crescer, impulsionada pela tecnologia, pela profissionalização da cadeia e pelo aumento do consumo de pescado no mercado nacional e internacional.

  • Missão à China impulsiona cooperativas brasileiras e fortalece agro no mercado asiático

    Missão à China impulsiona cooperativas brasileiras e fortalece agro no mercado asiático

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou neste domingo (17), em Xangai, de um encontro com lideranças de cooperativas do agronegócio brasileiro e reforçou a importância estratégica da China para o setor.

    Foto: Beatriz Batalha/Mapa

    A reunião integrou a missão técnica “Asia Expert”, iniciativa que conecta o cooperativismo agrícola brasileiro aos mercados asiáticos. A programação inclui visitas à China, Coreia do Sul e Japão, com foco na ampliação de negócios e parcerias internacionais.

    Expansão

    Durante o encontro, André de Paula destacou a necessidade de manter e expandir as agendas estratégicas do agronegócio brasileiro no exterior. Segundo o ministro, a China segue como principal parceiro comercial do Brasil e peça-chave para o crescimento do setor.

    “Assumi o Ministério da Agricultura e Pecuária há cerca de 45 dias com o compromisso de dar continuidade a um trabalho consistente. Não por acaso, uma das primeiras agendas internacionais ocorre na China, nosso maior parceiro comercial. Precisamos fortalecer essa relação e ampliar oportunidades para consolidar o agro brasileiro como pilar da segurança alimentar global”, afirmou.

    O CEO da Ourofino Agrociência, Marcelo Abdo, apresentou o programa Asia Expert e destacou o protagonismo crescente da Ásia no cenário global. Segundo ele, o continente deixou de ser um mercado complementar e passou a ocupar posição central nas estratégias do agronegócio brasileiro.

    “O Asia Expert prepara lideranças para compreender as transformações em curso na Ásia e construir relações sólidas e duradouras com parceiros da região”, disse.

    Participaram do encontro representantes de importantes cooperativas agroindustriais brasileiras, como C.Vale, Lar Cooperativa Agroindustrial, Comigo, Copacol, Coopercitrus, Integrada, Cotrijal, Copasul e Coplacana.

    A missão reforça o movimento de internacionalização do cooperativismo brasileiro e amplia o acesso a mercados estratégicos, especialmente diante da crescente demanda asiática por alimentos e insumos agrícolas.