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  • Cooperativas do agro exportam US$ 17,4 bilhões em 2025

    Cooperativas do agro exportam US$ 17,4 bilhões em 2025

    As cooperativas brasileiras do agronegócio exportaram US$ 17,4 bilhões (cerca de R$ 96 bilhões) em 2025, segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

    O resultado representa 10,3% de todas as exportações do agronegócio brasileiro, reforçando a importância do cooperativismo para o comércio exterior do país.

    Apesar do desempenho expressivo, as vendas internacionais seguem concentradas. Das 140 cooperativas exportadoras em atividade, apenas dez responderam por 67% de todo o volume embarcado ao exterior.

    Cooperativas do agro movimentaram R$ 487 bilhões

    Além do avanço nas exportações, as cooperativas agropecuárias registraram faturamento de R$ 487,3 bilhões em 2025.

    O valor representa crescimento de 11,2% em comparação com o ano anterior.

    Considerando todos os segmentos do cooperativismo brasileiro, a movimentação econômica alcançou R$ 848 bilhões, equivalente a 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

    Café e carne de aves lideram as exportações

    Entre os principais itens exportados pelas cooperativas brasileiras estão o café, carne de aves, farelo de soja, carne suína e óleo de soja.

    Esses produtos mantêm forte presença nos mercados internacionais e ajudam a consolidar a competitividade do agronegócio brasileiro.

    Cooperativismo volta a crescer em número de organizações

    Além disso, o levantamento da OCB também mostra a retomada da expansão do cooperativismo no país.

    Em 2025, o Brasil passou a contar com 4.400 cooperativas distribuídas em 3.425 municípios.

    Os indicadores econômicos revelam um setor em crescimento:

    • R$ 848 bilhões em ingressos totais;
    • Crescimento de 12% em relação a 2024;
    • R$ 1,6 trilhão em ativos;
    • Alta de 14,9% no patrimônio;
    • R$ 61,3 bilhões distribuídos em sobras aos cooperados;
    • Crescimento de 14,2% sobre o ano anterior;
    • 613.375 empregos diretos gerados;
    • Expansão de 6,1% no número de trabalhadores.

    Segundo a presidente-executiva do Sistema OCB, Tania Zanella, os resultados refletem a força do modelo cooperativista.

    “Os números do Anuário mostram que o cooperativismo continua crescendo de forma consistente porque entrega resultados concretos para as pessoas. Cada novo cooperado representa alguém que escolheu participar de um modelo baseado na cooperação, na geração compartilhada de riqueza e no desenvolvimento das comunidades”, afirmou.

    Patrimônio supera R$ 1,6 trilhão

    Outro destaque do levantamento é o fortalecimento da participação econômica das cooperativas brasileiras.

    O patrimônio do setor atingiu R$ 1,6 trilhão em ativos, impulsionado principalmente pelo Ramo Crédito, responsável por mais de 72% desse total.

    Já o Ramo Agropecuário segue como o principal motor econômico do cooperativismo nacional. O segmento concentra 57,4% dos ingressos do setor e permanece como o maior empregador do movimento, com aproximadamente 277 mil postos de trabalho.

    O desempenho reforça a relevância das cooperativas para a geração de renda, empregos e desenvolvimento das comunidades rurais em todo o Brasil.

  • Missão à China impulsiona cooperativas brasileiras e fortalece agro no mercado asiático

    Missão à China impulsiona cooperativas brasileiras e fortalece agro no mercado asiático

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou neste domingo (17), em Xangai, de um encontro com lideranças de cooperativas do agronegócio brasileiro e reforçou a importância estratégica da China para o setor.

    Foto: Beatriz Batalha/Mapa

    A reunião integrou a missão técnica “Asia Expert”, iniciativa que conecta o cooperativismo agrícola brasileiro aos mercados asiáticos. A programação inclui visitas à China, Coreia do Sul e Japão, com foco na ampliação de negócios e parcerias internacionais.

    Expansão

    Durante o encontro, André de Paula destacou a necessidade de manter e expandir as agendas estratégicas do agronegócio brasileiro no exterior. Segundo o ministro, a China segue como principal parceiro comercial do Brasil e peça-chave para o crescimento do setor.

    “Assumi o Ministério da Agricultura e Pecuária há cerca de 45 dias com o compromisso de dar continuidade a um trabalho consistente. Não por acaso, uma das primeiras agendas internacionais ocorre na China, nosso maior parceiro comercial. Precisamos fortalecer essa relação e ampliar oportunidades para consolidar o agro brasileiro como pilar da segurança alimentar global”, afirmou.

    O CEO da Ourofino Agrociência, Marcelo Abdo, apresentou o programa Asia Expert e destacou o protagonismo crescente da Ásia no cenário global. Segundo ele, o continente deixou de ser um mercado complementar e passou a ocupar posição central nas estratégias do agronegócio brasileiro.

    “O Asia Expert prepara lideranças para compreender as transformações em curso na Ásia e construir relações sólidas e duradouras com parceiros da região”, disse.

    Participaram do encontro representantes de importantes cooperativas agroindustriais brasileiras, como C.Vale, Lar Cooperativa Agroindustrial, Comigo, Copacol, Coopercitrus, Integrada, Cotrijal, Copasul e Coplacana.

    A missão reforça o movimento de internacionalização do cooperativismo brasileiro e amplia o acesso a mercados estratégicos, especialmente diante da crescente demanda asiática por alimentos e insumos agrícolas.

  • Show Rural Coopavel abre calendário nacional do agronegócio

    Show Rural Coopavel abre calendário nacional do agronegócio

    A 38ª edição do Show Rural Coopavel começou nesta segunda-feira (9), em Cascavel, no Oeste do Paraná, e segue até sexta-feira (13), consolidando-se mais uma vez como uma das principais vitrines de inovação do agronegócio brasileiro. A expectativa da organização é movimentar R$ 6 bilhões em negócios, volume 14% inferior ao recorde de R$ 7 bilhões registrado na edição anterior, reflexo de um cenário mais cauteloso no campo, especialmente com a queda nos preços da soja e de outros grãos.

    Promovido pela Cooperativa Agroindustrial de Cascavel (Coopavel), o evento abre o calendário nacional das grandes feiras agropecuárias e deve receber entre 350 mil e 400 mil visitantes ao longo dos cinco dias, reunindo produtores rurais, cooperativas, empresas, pesquisadores, estudantes e representantes do poder público.

    Cenário conservador, mas com otimismo no setor

    Segundo o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, a projeção mais conservadora leva em conta a capacidade atual de investimento do produtor rural. “Há um otimismo na cadeia produtiva, tendo em vista que crescemos mais do que os outros setores econômicos do país. Mas temos esse norte conservador porque o dinheiro do produtor para investimentos vem dessa produção”, afirmou.

    Ratinho Jr, governador do Paraná e Dilvo Grolli, presidente da Coopavel – Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Ainda assim, Grolli não descarta a possibilidade de o volume de negócios superar as estimativas iniciais. Para ele, o próprio perfil da feira cria um ambiente favorável. “As empresas do setor apostam no crescimento do agronegócio e entendem que a tomada de decisão do produtor rural é baseada em resultado. A produtividade vem aumentando em torno de 3% ao ano nas lavouras, muito em função da aquisição de tecnologia e inovação. Não dá para ficar com o freio de mão puxado”, analisou.

    Estrutura robusta e lançamentos tecnológicos

    Com mais de 600 expositores nacionais e internacionais, o Show Rural 2026 chama a atenção pelo porte dos estandes e pelo volume de lançamentos. Há novas variedades de grãos, soluções digitais, máquinas agrícolas e equipamentos voltados a diferentes perfis de propriedades rurais.

    “Chama a atenção o investimento robusto das empresas, tanto nos produtos e serviços quanto na estrutura para receber os produtores, com estandes que ultrapassam 4 mil metros quadrados”, destacou Grolli. Aproximadamente 5,7 mil profissionais atuam direta ou indiretamente nas etapas de planejamento e execução do evento.

    Fé, tradição e abertura oficial

    Antes mesmo da abertura oficial para negócios, o Show Rural teve início simbólico no domingo (8), com uma missa celebrada às 11h, que reuniu centenas de pessoas. A celebração foi conduzida pelo arcebispo de Cascavel, Dom José Mário Angonese, com a participação do padre Marcelo Dalmagro, do diácono Pedro Guerra e do arcebispo emérito Dom Adelar Baruffi, em um momento de fé, reflexão e gratidão.

    Na manhã desta segunda-feira, o ato inaugural contou com a presença do governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), acompanhado do vice-governador Darci Piana e de secretários de Estado. Eles foram recepcionados pelo presidente da Coopavel.

    Foto: Pedro H. Lopes/ Agro em Campo

    Em entrevista coletiva, Ratinho Junior destacou investimentos históricos do Estado no meio rural. “Realizamos a maior compra de maquinários para os municípios do Paraná, com mais de 2 mil máquinas para atender as estradas rurais. São 389 estradas rurais com convênios assinados, mais de 3 mil quilômetros e um investimento que passa de R$ 3 bilhões. É o maior programa de pavimentação de estradas rurais do mundo”, afirmou.

    O governador também ressaltou o papel do agronegócio na economia estadual. “Nosso PIB está na marca de R$ 800 bilhões, ou seja, vamos entregar o mandato com o PIB dobrado. O Paraná se transformou no supermercado do mundo, exportando para mais de 180 países. Somos o segundo maior produtor de grãos do Brasil e líderes em proteína animal, o que gera emprego, renda e fortalece a economia”, completou.

    Tradição, crescimento e futuro do agro

    Criado em 1989, quando reuniu apenas 15 empresas e recebeu 110 visitantes, o Show Rural Coopavel se transformou em referência nacional na difusão de tecnologias e no fortalecimento do setor agropecuário. Em 2025, a feira atraiu mais de 407 mil visitantes e movimentou R$ 7 bilhões.

    Nesta edição, o evento traz como tema “A força que vem de dentro”, destacando a resiliência do produtor rural diante dos desafios do campo. Entre os destaques está o Show Rural Digital, realizado desde 2019 como polo de inovação, com cerca de 60 apresentações e dezenas de expositores voltados à transformação tecnológica do agro.

  • Rondônia Rural Show Internacional está com inscrições abertas para expositores

    Rondônia Rural Show Internacional está com inscrições abertas para expositores

    As inscrições para empresas, produtores e instituições que desejam garantir espaço na 13ª Rondônia Rural Show Internacional, a maior vitrine do agronegócio da Região Norte, estão oficialmente abertas. Os interessados têm até o dia 20 de fevereiro para se candidatar a uma das vagas de expositor no evento, que acontecerá de 25 a 30 de maio, no Centro Tecnológico Vandeci Rack, em Ji-Paraná (RO).

    Promovida pelo Governo de Rondônia, por intermédio da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), a feira é um polo catalisador de negócios, tecnologia e inovação para o setor agropecuário. A iniciativa direciona a participação a empresas, cooperativas, produtores rurais e empreendedores que desejam apresentar novos produtos, serviços e tecnologias a um público altamente qualificado.

    Como se inscrever para expor na feira?

    O processo de inscrição é realizado exclusivamente online, através do site oficial da Rondônia Rural Show. Os candidatos devem:

    • Acessar o portal oficial do evento.
    • Preencher integralmente o formulário de inscrição com os dados solicitados.
    • Anexar a documentação exigida pela organização.
    • Finalizar o envio dentro do prazo estipulado (até 20/02).

    De acordo com a comissão organizadora, a análise cuidadosa das inscrições, principalmente dos novos expositores, é essencial para o planejamento logístico da feira. Após o período de avaliação, os selecionados serão contatados para receber as orientações finais.

    Governador e secretário enfatizam a importância do evento

    O governador Marcos Rocha destacou o papel estratégico da feira: “A Rondônia Rural Show é a vitrine do nosso agronegócio. A diversidade de expositores fortalece a economia, gera negócios e projeta a força do produtor rondoniense”, afirmou.

    Já o secretário estadual da Agricultura, Luiz Paulo, explicou a necessidade do controle rigoroso de vagas: “As inscrições são a base do nosso planejamento. A área disponível no Centro Tecnológico Vandeci Rack tem capacidade limitada, o que torna esse processo seletivo fundamental para garantir a qualidade e a organização da feira”, concluiu.

  • Tarifaço trava exportação de açaí para os EUA e força produtores a buscar novos mercados

    Tarifaço trava exportação de açaí para os EUA e força produtores a buscar novos mercados

    O aumento de 50% na tarifa de exportação para os Estados Unidos, imposto pelo governo de Donald Trump em agosto de 2024, travou as vendas de açaí para o mercado norte-americano. Produtores e cooperativas agora correm contra o tempo para encontrar novos destinos e evitar prejuízos que ameaçam milhares de empregos na Amazônia.

    A cooperativa Amazonbai, que reúne 161 ribeirinhos produtores de açaí do Amapá, cancelou o envio de polpa para os Estados Unidos. A decisão deixou 20 toneladas do produto paradas, sem destinação para venda.

    “O cliente disse que não arcaria com o custo adicional. Para não perder a carga e ter um prejuízo maior, conseguimos enviar para outro cliente em Portugal”, relata Amiraldo Picanço, presidente da cooperativa.

    Segundo Picanço, a Amazonbai também encontrou alternativas no mercado interno, em Santa Catarina e Brasília. “Mas ainda é pouco. Os EUA compravam 60% da nossa produção”, afirma.

    Cooperativas negociam com China e buscam reduzir dependência dos EUA

    A estratégia da Amazonbai agora passa pela abertura de novos mercados internacionais. Com apoio da Secretaria de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Amapá, a cooperativa já negocia com duas empresas da China.

    “Esperamos que, daqui a três ou quatro meses, estejamos aptos para vender para lá. Não podemos ficar dependentes do mercado norte-americano”, diz Picanço.

    Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

    Os produtores do Pará, que detém cerca de 95% da produção nacional de açaí, enfrentam a mesma situação. Alex Carvalho, presidente da Fiepa (Federação das Indústrias do Estado do Pará), projeta retração de até 20,1% no volume total exportado aos EUA, com 8% concentrados apenas no açaí.

    Queda nas exportações ameaça 20 mil empregos na cadeia produtiva

    Os Estados Unidos representam o principal destino das exportações de açaí do Pará, com mais de 75% do total exportado. De janeiro a junho de 2025, o valor enviado ao mercado norte-americano alcançou US$ 43,6 milhões, crescimento de 59,34% em relação ao mesmo período de 2024.

    “Esse cenário compromete a competitividade do fruto, reduz a produtividade e ameaça milhares de empregos. Também atinge comunidades amazônicas que dependem da coleta, transporte e beneficiamento do açaí”, afirma Carvalho.

    Para Nazareno Alves, presidente da Amaçaí (Associação de Produtores de Açaí da Amazônia) e proprietário do restaurante Point do Açaí, em Belém, exportar açaí para os Estados Unidos tornou-se inviável. “Os empresários estão buscando outros mercados porque a conta não fecha”, diz.

    Alves ressalta que outros mercados “importam muito pouco em comparação com os EUA”.

    Impacto atinge toda a cadeia: da coleta ao beneficiamento

    O presidente da Fiepa destaca que o impacto não se restringe às indústrias exportadoras. A medida afeta toda a cadeia do açaí, desde a coleta até o beneficiamento, atingindo milhares de famílias amazônicas, incluindo agricultores familiares, cooperativas e ribeirinhos.

    No auge da safra, a colheita de açaí pode movimentar de R$ 15 a R$ 20 milhões por dia, com cerca de 250 mil latas produzidas diariamente. Esse ciclo virtuoso de emprego e renda beneficia barqueiros, carregadores e trabalhadores da floresta.

    “A retração nas exportações ameaça diretamente essa rede socioeconômica, pressionando para baixo os preços pagos ao produtor e comprometendo a renda de comunidades que têm no açaí uma das principais fontes de subsistência”, alerta Carvalho.

    O açaí gera cerca de 5 mil postos de trabalho diretos e 15 mil indiretos, que podem ser comprometidos pela queda nas exportações. Sem contar os milhares de trabalhadores informais envolvidos nas etapas de coleta, transporte e beneficiamento do fruto na floresta.

    Para Carvalho, a medida ameaça ainda o modelo de desenvolvimento sustentável da Amazônia, que combina geração de renda, inclusão produtiva e conservação da floresta.

    Mercados alternativos crescem, mas ainda não compensam perda

    Jhoy Gerald Silva, conhecido como Rochinha Jr., diretor de comunicação da Acpab (Associação da Cadeia Produtiva do Açaí de Belém), acredita que o tarifaço não afetará tanto os produtores e exportadores do fruto.

    “Com o aumento da demanda interna e a pouca produção nas áreas ribeirinhas, devido às mudanças climáticas, de dois anos para cá, acho que o impacto será mínimo”, avalia.

    Para ele, há uma sobrevalorização do mercado norte-americano. “Temos o Japão, a Europa, Portugal, Emirados Árabes Unidos. Além disso, com mais de 140 países vindo para a COP 30, que vão conhecer o açaí, a tendência é que novos mercados sejam criados”, argumenta.

    Rochinha Jr. é parceiro comercial da empresa Maná Açaí, que exportava cerca de 2% de açaí congelado para os Estados Unidos. “A maior parte da nossa produção vai para outros estados do Brasil, cerca de 75%, além de 12% para Portugal e o resto para o mercado paraense”, detalha.

    Ele também acredita que o programa anunciado em agosto pelo governo federal, de compra de açaí diretamente de produtores afetados pelo tarifaço, vai ajudar a aliviar os efeitos da interrupção da exportação para os EUA.

    Austrália e Holanda registram crescimento explosivo nas importações

    Dados da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) revelam que mercados como Austrália e Holanda vêm exibindo crescimento expressivo no interesse pelo açaí amazônico.

    Os Estados Unidos ainda lideram, com 58% do volume exportado. A Austrália responde por 15,6% do total, a Holanda aparece com 12,7% e o Japão com 11,2%.

    De janeiro a agosto de 2025, a Austrália importou 2.111 toneladas, ante 1.493 toneladas no mesmo período de 2024 — aumento de 41%. A Holanda apresentou alta ainda maior, passando de 260 toneladas para 1.726 toneladas no primeiro semestre — crescimento de 565%. O Japão também registrou variação de 563%, pulando de 229 para 1.515 toneladas.

    Na Austrália, o açaí tem sido consumido com toppings como granola, chocolate, frutas, Nutella, pistache e mel — bem diferente do hábito paraense. Holandeses relatam que, quando o produto chega ao mercado, o estoque esgota rapidamente, mesmo distribuído para vários supermercados.

    China e Rússia entram na disputa pelo superfruit amazônico

    Dados do Comex Stat mostram crescimento consistente das exportações de açaí para a China e Rússia no último ano. O volume movimentado ultrapassa toneladas mensais, sinalizando mudanças importantes na pauta exportadora brasileira.

    Mercados asiáticos mostram apetite crescente por produtos funcionais. O açaí compete diretamente com outras superfrutas globais, como blueberry e mirtilo, mas ganha destaque pelo apelo sustentável e pela rica identidade cultural da Amazônia.

    Transportar o açaí para longas distâncias exige rigor no controle de temperatura e um cronograma preciso desde o processamento até a entrega no destino final. Produtores investem em soluções inovadoras, como ultracongelamento e embalagens biodegradáveis, para preservar sabor e propriedades até o consumidor final.

    Mudanças climáticas reduzem produção em até 90% em comunidades

    Mudanças climáticas têm impacto direto na produção de açaí. Rochinha Jr. relata queda de cerca de 30% em relação ao ano passado. “O fruto está escasso. Os ribeirinhos estão perdendo muito devido à estiagem, porque não há irrigação, e porque não fazem o remanejo de terreno”, afirma.

    Na comunidade de Itacoan Miri, no município paraense de Acará, o açaí sustenta cerca de 600 famílias, segundo o produtor quilombola Adelino Cardoso. Com a estiagem do ano passado, ele estima queda de 90% na produção do fruto. “Tive que fazer praticamente uma nova plantação, com um novo sistema de irrigação”, conta.

    Nazareno Alves, da Amaçaí, também aponta os desafios trazidos pelas mudanças climáticas. “Para produzir bem o açaí, não pode ter nem muito sol nem muita chuva. Mas quando chega o inverno amazônico, são pancadas gigantes de água, o primeiro semestre todo. E no verão, é sol que não acaba mais”, explica.

    Setor articula com governo federal alternativas ao mercado americano

    Alex Carvalho, da Fiepa, diz que a instituição tem atuado de forma institucional e diplomática, articulando-se com o governo do Pará, o governo federal e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para dialogar com autoridades norte-americanas e buscar alternativas que preservem a competitividade do açaí amazônico.

    A federação analisa medidas de apoio, como linhas de financiamento específicas, seguro de crédito à exportação e incentivos à abertura de novos mercados.

    “No entanto, a diversificação exige tempo, já que envolve barreiras sanitárias, certificações, custos logísticos e negociações contratuais. Ainda assim, trata-se de uma prioridade para reduzir a dependência de um único destino e fortalecer a resiliência da bioeconomia regional”, afirma.

    O governo do Pará tem investido em modernização — da produção à logística — além de incentivar a certificação por Indicação Geográfica (IG) para valorizar o açaí paraense. Apesar do crescimento da exportação, 90% do açaí produzido permanece no Brasil.

    A tendência é que produtos como mix de açaí (mistura com frutas, granola etc.) e polpa em pó ganhem espaço, pois diminuem custos de transporte e permitem explorar novos nichos de mercado.

  • COP30 pode gerar R$ 3,3 milhões à agricultura familiar

    COP30 pode gerar R$ 3,3 milhões à agricultura familiar

    Mais de 8 mil famílias e 80 grupos do Pará estão aptos a fornecer alimentos ao evento climático em Belém. A COP30, que será realizada em novembro de 2025, em Belém (PA), pode movimentar R$ 3,3 milhões na economia local. O valor deve vir da compra de alimentos de agricultores familiares e produtores agroecológicos do estado.

    O levantamento foi feito pelos institutos Regenera e Fronteiras do Desenvolvimento. O objetivo foi identificar fornecedores capazes de atender às exigências do edital publicado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI) em agosto. Pela primeira vez, uma conferência do clima exigirá que pelo menos 30% dos ingredientes servidos aos participantes venham da agricultura familiar, da agroecologia ou de povos e comunidades tradicionais.

    Agricultores locais prontos para atender à demanda

    O mapeamento aponta que 80 grupos organizados, entre associações e cooperativas, e cerca de 8 mil famílias já estão aptos a fornecer alimentos à conferência.
    Segundo o cofundador do Instituto Regenera, Maurício Alcântara, a iniciativa comprova que o Pará tem produção suficiente para atender grandes eventos. “Quando se fala em ampliar a oferta de alimentos agroecológicos, sempre perguntam se há produtores suficientes. O mapeamento mostra que sim”, afirma.

    O estudo considerou critérios como registro no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), emissão de nota fiscal e cumprimento das normas sanitárias. Alcântara explica que o levantamento é apenas o início. “Há muito mais produção além dessas 8 mil famílias. Queremos mostrar a diversidade de produtos e origens existentes no Pará”, destaca.

    Importância da agricultura familiar no Brasil

    A agricultura familiar representa 77% dos estabelecimentos agrícolas do país, segundo o Anuário Estatístico da Agricultura Familiar. O setor ocupa 80,8 milhões de hectares, o equivalente a 23% da área total agrícola nacional.
    Essas propriedades respondem por 23% do valor bruto da produção agropecuária e por 67% das ocupações no campo. São mais de 10 milhões de trabalhadores rurais, concentrados principalmente no Nordeste.
    Para Alcântara, a inclusão da agricultura familiar e da agroecologia na COP30 é um marco.
    “São produtores que respeitam o bioma, produzem de forma regenerativa e ajudam a preservar as florestas”, ressalta.
    Ele considera a medida um legado para as próximas conferências. “É essencial reconhecer esses produtores e mostrar que eventos internacionais podem priorizar a produção local”, defende.

    Produção amazônica ganha destaque

    Entre os grupos mapeados está o Grupo para Consumo Agroecológico (Gruca), criado em Marituba, região metropolitana de Belém. O agricultor urbano Noel Gonzaga, um dos fundadores, conecta pequenos produtores a consumidores por meio do grupo.
    As 25 famílias do Gruca também recebem visitantes interessados em conhecer de perto as práticas sustentáveis de produção.
    Gonzaga cultiva macaxeira, abóbora, feijão, quiabo, milho e açaí, além do ariá, conhecido como batata amazônica. Ele explica que o alimento quase desapareceu das mesas locais com a chegada do trigo.
    “Hoje estamos trazendo o ariá de volta. É parte da nossa cultura alimentar”, afirma.
    A produção abastece a própria família e o excedente é vendido por meio do Gruca e do ponto de cultura alimentar Iacitata, que reúne uma rede de produtores agroecológicos. O Iacitata vai atuar nos espaços oficiais da COP30.

    Açaí e sustentabilidade no cardápio da COP30

    Entre os produtos que Gonzaga fornecerá está o açaí, símbolo da cultura amazônica. “O açaí é as nossas boas-vindas. É parte da nossa identidade”, diz.
    O fruto chegou a ser vetado no edital da conferência por suposto risco de contaminação, mas a decisão foi revista após debate com produtores.
    “A COP deu sorte. Vai coincidir com o auge da safra. Em novembro ainda teremos muito açaí disponível”, afirma Gonzaga.
    Para ele, produzir de forma sustentável é uma questão de saúde e de respeito ao consumidor. “Eu planto o que como. Isso me obriga a ter práticas limpas e agroecológicas”, completa.

    Legado sustentável

    A presença dos agricultores familiares na COP30 reforça o papel do Brasil na promoção de um modelo de produção sustentável. Além de fortalecer a economia local, a medida aproxima o evento das comunidades que vivem e preservam a Amazônia.
    Com a iniciativa, o Pará mostra que é possível unir clima, cultura e agricultura em um mesmo propósito: garantir o futuro do planeta com alimentos saudáveis e sustentáveis.

     

  • PPAIS: Governo de SP fortalece cadeia do leite

    PPAIS: Governo de SP fortalece cadeia do leite

    Em ação estratégica para impulsionar a cadeia produtiva do leite em São Paulo, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento realizou um mutirão de emissão de Declaração de Conformidade (DCOMP), documento essencial para que produtores participem das Chamadas Públicas do PPAIS (Programa Paulista da Agricultura de Interesse Social). O objetivo é ampliar a comercialização de produtos lácteos, como leite e queijo, até o limite de R$ 104 mil anuais por família.

    Na primeira etapa, a região do Vale do Paraíba foi palco do mutirão, em parceria com a Cooperativa de Laticínios do Médio Vale do Paraíba (Comevap). A iniciativa contou com apoio técnico da Secretaria para agilizar a adesão de produtores cooperados ao programa. “Nós emitimos 91 DCOMPs para os produtores locais. E mais de 15 unidades já comercializam leite e queijo pelo PPAIS”, destacou o analista de desenvolvimento agrário e gestor do programa, Clóvis Etto.

    Em 2024, o PPAIS registrou R$ 21 milhões em compras de agricultores familiares paulistas. Cconsolidando São Paulo como o principal comprador de produtos da agricultura familiar. A ação não só garante renda aos produtores, mas também oferece preços superiores aos do mercado tradicional, melhorando a qualidade de vida no campo e promovendo o desenvolvimento regional.

    “O PPAIS fomenta a comercialização e contribui para a dignidade do agricultor. Além de levar alimentos de qualidade às crianças das escolas do Estado”, ressaltou o secretário de Agricultura e Abastecimento, Guilherme Piai.

    Cooperativismo em números

    Segundo a Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp), o estado conta com 181 cooperativas agropecuárias e 165 mil produtores cooperados. Entre os benefícios do modelo estão acesso a insumos de qualidade, tecnologias avançadas, assistência técnica especializada e o fortalecimento das comunidades rurais.

    Em 2024, o governo paulista publicou um decreto que dobrou o teto do PPAIS. Elevando o valor anual de R$ 52 mil para R$ 104 mil por produtor. Um aumento de 130% nas compras públicas.

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  • Etanol de trigo é destaque em capacitação de cooperativas

    Etanol de trigo é destaque em capacitação de cooperativas

    A Embrapa Agroenergia reuniu 25 técnicos ligados à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) para encerrar a capacitação “Embrapa e Sistema OCB em trigo tropical”, promovida pela Embrapa Trigo (Passo Fundo-RS) em 2024. O encontro, realizado em Brasília, abordou o potencial do trigo como matéria-prima para etanol, no contexto da transição energética.

    Recebidos pelo chefe-geral Alexandre Alonso, os participantes discutiram a crescente utilização de grãos e cereais para biocombustíveis. Segundo Alonso, o uso do trigo para produção de etanol representa uma oportunidade para unir segurança alimentar, energética e novos negócios para produtores e cooperativas.

    Bruno Laviola, chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento, destacou a importância do encontro para debater desafios e oportunidades do trigo tropical no setor bioenergético. Além disso, ele enfatizou que a transição energética exige fontes renováveis para substituir combustíveis fósseis, reduzindo emissões de gases de efeito estufa.

    Durante sua apresentação, Laviola ressaltou o potencial da agricultura brasileira para impulsionar a transição energética por meio da produção sustentável de biomassa. Já Giovani Faé, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Trigo, explicou que a capacitação com cooperativas ocorre há uma década, mas 2024 marca o primeiro foco no trigo tropical.

    Faé afirmou que a diversificação da cadeia do trigo e o mercado emergente de etanol amiláceo abrem oportunidades estratégicas para o setor. Ou seja, ele destacou que iniciativas como essa ajudam produtores a obter mais liquidez e aproveitar os benefícios ambientais dessa cultura.

    Em resumo, as palestras, conduzidas pelos pesquisadores Maurício Lopes e Félix Siqueira, abordaram desafios como o controle de micotoxinas em grãos crus no processo produtivo de etanol. Luan Pivatto, técnico da Cooperativa Alfa de Dourados-MS, considerou a capacitação produtiva, especialmente pelas informações sobre biomassa de bambu.

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    Parcerias estratégicas em foco

    Além das discussões técnicas, o evento abriu espaço para possíveis parcerias entre cooperativas e Embrapa Agroenergia. Juliana Evangelista, chefe-adjunta de Transferência de Tecnologia, apresentou os modelos de colaboração, como o programa “Portas Abertas” e o credenciamento junto à Embrapii.

    Portanto, essas iniciativas permitem às empresas utilizar a infraestrutura da Embrapa e receber aporte financeiro para inovação industrial. Segundo Juliana, os recursos da Embrapii podem custear até um terço do valor de cada projeto, com o restante dividido entre a indústria parceira e a Embrapa.

    O evento encerrou com uma visita técnica aos laboratórios e áreas experimentais da Embrapa Agroenergia, liderada pelo supervisor Felipe Carvalho. A capacitação reforçou a importância do trigo tropical na agenda de bioenergia e abriu caminho para novas oportunidades no setor.

  • Conab fará leilões para estimular produção de arroz na próxima semana

    Conab fará leilões para estimular produção de arroz na próxima semana

    A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) organizará leilões de Contrato de Opção de Venda Público (COV) de arroz na próxima semana. Com um aporte de cerca de R$ 1 bilhão, o objetivo é adquirir até 500 mil toneladas de arroz longo fino em casca, tipos 1 e 2, da safra 2024/25. Ou seja, a medida busca diversificar e ampliar a produção nacional do grão.

    Entenda como os leilões serão realizados

    Os primeiros leilões, previstos para quinta-feira (5), serão exclusivos para agricultores familiares. Serão ofertados 4.754 contratos, cada um equivalente a 27 toneladas. Na sexta-feira (6), outros três leilões ocorrerão para ampla concorrência, abrangendo todos os produtores e cooperativas. Nessa etapa, estarão disponíveis 18.518 contratos de 27 toneladas cada.

    Os vencimentos variam conforme a região produtora. Contratos de Minas Gerais e Paraná expiram em 30 de julho de 2025. Para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o prazo é 30 de agosto de 2025. Já em Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Tocantins, os contratos vencem em 30 de outubro de 2025. Os valores de venda são ajustados de acordo com as datas de vencimento.

    O Contrato de Opção de Venda garante ao produtor rural ou à cooperativa o direito de vender o produto ao governo em data futura, a um preço fixado previamente. A adesão, no entanto, é opcional.

    Essa iniciativa integra as ações do Governo Federal para recompor estoques públicos. Em 2023, a retomada começou com a aquisição de milho via Aquisições do Governo Federal (AGF) e se expandiu para o trigo em 2024.

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    Produção de arroz no Brasil deve crescer em 2024/25

    A área semeada de arroz no Brasil deve atingir 1,77 milhão de hectares na safra 2024/25, superando os 1,6 milhão de hectares do ciclo anterior. A estimativa é do 2º Levantamento de Grãos da Safra 2024/25, divulgado pela Conab em 14 de novembro.

    A semeadura já alcançou 77,4% da área total nas principais regiões produtoras, segundo o Progresso de Safra da última semana. Portanto, com produtividade média estimada em 6.814 quilos por hectare, a produção nacional deve ultrapassar 12 milhões de toneladas.

    Os leilões programados pela Conab visam fortalecer ainda mais a cadeia produtiva do arroz e garantir estabilidade no mercado.