Tag: controle sanitário

  • Câmara aprova medida para proteger produção nacional de cacau

    Câmara aprova medida para proteger produção nacional de cacau

    A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de decreto legislativo que amplia o controle sanitário sobre a importação de amêndoas secas de cacau da Costa do Marfim. O texto segue agora para análise do Senado.

    Deputado Zé Neto (PT-BA). Foto: Bruno Spada / Agência Câmara de Notícias

    A proposta, de autoria do deputado Zé Neto (PT-BA), suspende os efeitos da Instrução Normativa 125/2021, do Ministério da Agricultura. A norma retirou a exigência do uso de brometo de metila no tratamento do cacau importado, substância que enfrenta restrições internacionais por danos à camada de ozônio.

    Segundo o autor, o governo editou a norma sem consultar produtores brasileiros, que alertaram para o risco de contaminação das lavouras por micro-organismos. Ele defende maior rigor para evitar prejuízos à produção nacional.

    Antes da norma de 2021, regras técnicas já exigiam medidas de controle sanitário, como a Instrução Normativa 18/2020. No entanto, o governo federal flexibilizou essas exigências ao considerar baixo o risco de pragas. Desde então, passou a exigir apenas certificação fitossanitária emitida por autoridades da Costa do Marfim, com tratamento realizado na origem, geralmente com fosfina.

    Debate sobre riscos e impacto econômico

    O relator do projeto, deputado Márcio Marinho (Republicanos-BA), defendeu a aprovação e criticou a flexibilização das regras. Para ele, a medida anterior favoreceu práticas comerciais prejudiciais e colocou em risco a sanidade das lavouras brasileiras.

    Deputado Márcio Marinho, relator do projeto. Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

    Marinho afirmou que a entrada de cacau africano pressionou os preços no mercado interno, levando a arroba a valores inferiores a R$ 200. Um patamar que, segundo ele, não cobre os custos de produção do agricultor familiar.

    O deputado também questionou a necessidade de importação. Dados de 2025 indicam produção nacional de 186 mil toneladas, frente a uma moagem de 196 mil toneladas. Para ele, a diferença poderia ser resolvida com incentivo à produção interna, em vez de importações. Ele ainda apontou que a indústria opera com cerca de 30% de ociosidade.

    Durante o debate em plenário, o deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) destacou a importância de manter padrões sanitários rigorosos. Ele afirmou que a legislação brasileira é mais exigente do que a de outros países, o que, na sua visão, torna a concorrência desigual.

    Já o deputado Helder Salomão (PT-ES) reforçou que a proposta ajuda a proteger as lavouras nacionais, evita a entrada de novas pragas e preserva a produtividade do setor cacaueiro.

  • Vírus que mata até 90% das tilápias ameaça o agro paulista  

    Vírus que mata até 90% das tilápias ameaça o agro paulista  

    O Governo do Estado de São Paulo publicou nesta semana uma resolução que estabelece medidas de defesa sanitária para proteger a cadeia produtiva da tilápia contra o Tilapia Lake Virus (TiLV), patógeno emergente com taxa de mortalidade que pode chegar a 90% dos plantéis infectados. A norma antecipa uma resposta estadual enquanto o Ministério da Agricultura ainda avalia os riscos associados à importação do peixe.

    A doença já foi registrada em países da Ásia, África e Oriente Médio, e sua eventual chegada ao Brasil preocupa especialistas pelo potencial de transmissão rápida e pelos impactos econômicos que poderia causar em regiões de alta concentração produtiva, como São Paulo, principal polo da tilapicultura nacional.

    Controle desde a origem até o consumidor

    A resolução torna obrigatório o controle sanitário de todos os produtos de tilápia,frescos, congelados, inteiros ou processados, oriundos de países com registro confirmado da enfermidade. As exigências incluem identificação e rastreabilidade dos lotes, segregação de produtos por origem e manutenção de registros sanitários e fiscais por pelo menos 12 meses.

    As regras valem para produtos destinados ao consumo humano, à alimentação animal e ao processamento industrial.

    “A cadeia da tilápia tem ganhado relevância no agro paulista, com crescimento da produção e geração de empregos. Esse avanço exige atenção sanitária cada vez maior”, afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho.

    Fiscalização integrada e sanções previstas

    A execução das medidas caberá à Defesa Agropecuária do Estado, com poder para inspecionar estabelecimentos, cargas e documentos, além de aplicar sanções administrativas e determinar medidas corretivas. Em casos de risco sanitário, a apreensão e interdição cautelar de produtos também está prevista.

    A atuação será integrada com vigilâncias sanitárias municipais, Procon-SP e demais órgãos de fiscalização, ampliando o alcance do controle em toda a cadeia produtiva.

    Princípio da precaução

    Para Ieda Blanco, médica-veterinária responsável pelo Programa Estadual de Sanidade dos Animais Aquáticos (PESAq), agir antes da chegada do vírus é essencial. “A prevenção contra a introdução do TiLV é fundamental, uma vez que o vírus apresenta transmissão rápida e sua eventual introdução traria impactos econômicos imensos à tilapicultura paulista”, destacou.

    A medida adota o chamado princípio da precaução, estabelecendo barreiras sanitárias antes que a enfermidade chegue ao território nacional. Uma estratégia que, segundo o presidente da Câmara Setorial de Pesca e Aquicultura do Estado, Martinho Colpani, é decisiva para a continuidade do setor. “A prevenção sanitária é fundamental para proteger empregos e sustentar o crescimento da cadeia”, reforçou.

    A tilapicultura é hoje uma das principais cadeias da aquicultura brasileira. Em São Paulo, o setor combina escala produtiva, estrutura industrial consolidada e forte inserção no mercado interno, o que eleva o peso econômico de qualquer ameaça sanitária. E justifica, segundo o governo estadual, a antecipação das medidas protetivas.

  • Brasil abre novo mercado: penas de aves agora em Hong Kong

    Brasil abre novo mercado: penas de aves agora em Hong Kong

    O Brasil conquistou uma nova abertura de mercado com a aprovação sanitária da Região Administrativa Especial (RAE) de Hong Kong para a exportação de penas de aves. Este produto possui diversos usos industriais, sendo empregado na fabricação de almofadas, travesseiros, roupas de cama e estofados, além de servir como matéria-prima para produtos de isolamento térmico e acústico.

    Penas de aves

    O governo brasileiro comemorou o anúncio, que fortalece a confiança no sistema de controle sanitário do país.

    A nova abertura não só expande o mercado para produtos avícolas brasileiros, mas também reforça a relação comercial com Hong Kong. No ano passado, a RAE importou mais de US$ 1,15 bilhão em produtos do agronegócio brasileiro.

    Com esta aprovação, o agronegócio brasileiro registra sua 72ª abertura de mercado neste ano, acumulando 150 aberturas desde o início de 2023. Este resultado é fruto do trabalho conjunto entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).

    O agronegócio continua sendo o setor mais forte do Brasil para as exportações. Portanto, cada acordo abre novas oportunidades de negócio para os produtores de todos os tamanhos.

    A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), por exemplo, tem vários programas de auxilio. Eles são voltados para o pequeno e médio produtores conseguirem abrir mercados no exterior.