Tag: contrabando

  • Receita Federal apreende R$ 1,5 milhão em vinhos e azeites argentinos contrabandeados

    Receita Federal apreende R$ 1,5 milhão em vinhos e azeites argentinos contrabandeados

    Analistas-Tributários da Receita Federal do Brasil desarticularam, na última sexta-feira (5), um esquema de contrabando de vinhos e azeite argentino no município de Barracão, no Sudoeste do Paraná. A operação resultou na apreensão de uma carga avaliada em mais de R$ 1,5 milhão e na prisão em flagrante de um suspeito.

    Foto: Sindireceita

    A ação integrou a Operação Brasil, iniciativa federal de combate ao crime organizado, e contou com a participação do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFRON), da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) e da Polícia Federal. Equipes monitoravam um imóvel na região com suspeita de servir como depósito de mercadorias ilícitas antes de a operação ser deflagrada.

    O que os agentes encontraram

    Durante a abordagem ao imóvel, os fiscais e policiais localizaram:

    • 216 galões de azeite de oliva (equivalente a 1.080 litros)
    • 1.321 caixas de vinho (totalizando 6.605 garrafas)

    Nenhum dos produtos tinha documentação legal para ingresso no território brasileiro, requisito obrigatório para importação regular, que inclui registro na Receita Federal, pagamento de impostos como II (Imposto de Importação) e IPI, além de autorização sanitária do Ministério da Agricultura. A ausência desses documentos configura crime de descaminho ou contrabando, sujeito a penas de um a quatro anos de reclusão, conforme o Código Penal brasileiro.

    Os agentes também identificaram três veículos utilizados na logística do esquema: um Fiat Siena, uma Volkswagen Amarok e uma Fiat Toro.

    Fronteira do Paraná com a Argentina, ponto estratégico para o contrabando

    Barracão faz fronteira seca com Bernardo de Irigoyen, na província argentina de Misiones, uma das rotas historicamente mais exploradas pelo contrabando no Sul do Brasil. A proximidade com a Argentina, aliada ao alto diferencial de preços de produtos como vinho e azeite entre os dois países, torna a região um alvo frequente de operações da Receita Federal e das forças de segurança.

    Vinhos e azeites argentinos chegam a custar até 60% menos do que os similares comercializados legalmente no Brasil. Portanto, isso torna o contrabando financeiramente atrativo para organizações criminosas.

    O suspeito preso em flagrante foi levado à Delegacia da Polícia Federal. Já os três veículos apreendidos e toda a mercadoria seguiram para a unidade da Receita Federal em Dionísio Cerqueira, onde passam por procedimentos fiscais e administrativos. O prejuízo estimado ao esquema criminoso supera R$ 1,5 milhão.

  • Brasil incinera 230 toneladas de agrotóxicos ilegais em 2025

    Brasil incinera 230 toneladas de agrotóxicos ilegais em 2025

    O Brasil incinerou 230 toneladas de defensivos agrícolas ilegais em 2025. Os números fazem parte do balanço anual da CropLife Brasil (CLB), entidade que monitora a destinação final de produtos ilícitos retirados de circulação por meio de operações conjuntas com órgãos públicos de fiscalização e repressão.

    Foto: CropLife Brasil

    Desde 2020, ações coordenadas com a associação resultaram na destruição de cerca de 1,6 mil toneladas de insumos ilegais. Um volume suficiente para preencher pouco mais de dois terços de uma piscina olímpica. No total, 49 operações de cooperação viabilizaram esse resultado.

    O volume de 2025 representa queda de 30% em relação ao ano anterior, quando o setor eliminou 330 toneladas. Segundo Nilto Mendes, gerente de Combate a Produtos Ilegais da CLB, a variação acompanha a redução no montante apreendido pelas autoridades no período.

    “A cooperação é a resposta-chave para o enfrentamento a esse tipo de crime”, afirma Mendes. Segundo ele, a CropLife articula com órgãos federais e estaduais para apoiar as ações de fiscalização e garantir que as autoridades atuem sem preocupação com a destinação final dos itens apreendidos.

    Falsificação e contrabando

    A região Sudeste lidera o ranking de apreensão de agrotóxicos falsificados no país, com destaque para São Paulo e Minas Gerais. Já o contrabando concentra-se nas regiões Sul e Centro-Oeste, especialmente nas faixas de fronteira com Argentina e Paraguai.

    Foto: CropLife Brasil

    Produtos nessas condições não possuem eficiência agronômica comprovada e representam riscos de contaminação humana e ambiental, além de prejudicarem a produção agrícola nacional. O Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF) estima que o mercado ilegal responde por cerca de 25% do total de defensivos agrícolas comercializados no Brasil.

    Como ocorre a destruição

    Os produtos apreendidos passam por uma cadeia de procedimentos antes do descarte: manuseio, reacondicionamento, armazenagem adequada e transporte do Depósito de Mercadorias Apreendidas (DMA) até o local de destruição. A incineração ocorre em estabelecimentos regularmente habilitados, a temperaturas superiores a 900°C.

    Foto: CropLife Brasil

    O processo segue as diretrizes do Sistema Campo Limpo, gerido pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (InpEV), em conformidade com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

  • Operação apreende agrotóxicos ilegais em terras indígenas Guarani Kaiowá

    Operação apreende agrotóxicos ilegais em terras indígenas Guarani Kaiowá

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) apreendeu agrotóxicos, um trator e um pulverizador durante operação realizada na Terra Indígena Yvy Katu. Ela fica localizada no município de Japorã (MS), e a operação ocorreu entre os dias 8 e 12 de setembro de 2025. A ação aconteceu no âmbito das articulações conduzidas pelo Gabinete de Crise Guarani Kaiowá. E foi coordenado pelo Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas (Demed) do Ministério dos Povos Indígenas.

    Os fiscais lavraram seis autos de infração durante a operação, aplicando multas que somaram mais de R$ 79 mil para não indígenas envolvidos na exploração ilegal do território. Além disso, dois indígenas possivelmente vinculados à prática de arrendamento também foram multados em quase R$ 17 mil por irregularidades no uso de agrotóxicos.

    Terra indígena enfrenta problemas com arrendamento ilegal

    A Terra Indígena Yvy Katu vem enfrentando sérios problemas relacionados ao arrendamento ilegal de parcelas do seu território, prática que tem gerado graves danos ambientais e coletivos. A situação motivou reiteradas reivindicações da comunidade para que o Estado intensificasse sua atuação na região, combatendo essas práticas irregulares.

    O arrendamento de terras indígenas é expressamente vedado pelo artigo 18 da Lei nº 6.001/73 e pelo artigo 231 da Constituição Federal de 1988, que determina que as terras tradicionalmente ocupadas são de usufruto exclusivo dos povos indígenas. A prática pode configurar o crime de usurpação de bens da União, previsto no artigo 2º da Lei nº 8.176/91.

    Operação descobre contrabando de agrotóxicos do Paraguai

    Em uma ação anterior, realizada no dia 1º de julho de 2025, uma operação coordenada pelo Ministério Público Federal (MPF) e com participação da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Ibama apreendeu mais de 200 quilos de agrotóxicos contrabandeados do Paraguai. Os produtos estavam escondidos em área de mata nas terras indígenas da comunidade Gyuraroká, localizada no município de Caarapó (MS).

    O Gabinete de Crise Guarani Kaiowá foi criado especificamente para enfrentar a situação de violação de direitos humanos vivenciada pelo povo Guarani e Kaiowá na região sul de Mato Grosso do Sul. O órgão atua com base em três eixos estratégicos fundamentais: território, direitos sociais e segurança pública, orientando ações integradas e interinstitucionais voltadas à garantia de direitos e ao fortalecimento da coletividade Guarani e Kaiowá.

    Desde junho de 2024, o Gabinete coordena ações interinstitucionais de fiscalização para combater o uso irregular de agrotóxicos em diversos territórios indígenas do sul do Mato Grosso do Sul, demonstrando o compromisso contínuo com a proteção desses territórios.

    Eixo território prioriza combate aos agrotóxicos

    No eixo território, uma das principais prioridades estabelecidas é o enfrentamento à contaminação e ao uso irregular de agrotóxicos em terras indígenas. Para alcançar esse objetivo, o Demed tem promovido, desde o ano passado, reuniões periódicas com os órgãos públicos para articular ações de fiscalização relacionadas ao uso irregular de agrotóxicos e ao plantio de transgênicos. Com atenção especial às especificidades das pulverizações terrestres e aéreas.

    As estratégias de fiscalização são elaboradas de forma conjunta e coordenada, tendo como base o calendário agrícola da soja e do milho. E tem o objetivo de coibir o uso indevido de agrotóxicos em territórios tradicionalmente ocupados pelos povos Guarani e Kaiowá. Essas ações visam contribuir diretamente para a promoção do bem-viver nos territórios indígenas, incluindo o cuidado essencial com o meio ambiente e com a saúde dos povos Guarani e Kaiowá.

    As articulações para combate ao uso irregular de agrotóxicos envolvem diversos órgãos federais e estaduais, cada um contribuindo com suas competências específicas. Participam dessas ações coordenadas o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal de Mato Grosso do Sul (Iagro/MS).

    Autoridades destacam importância da cooperação institucional

    “A articulação interinstitucional é condição indispensável para enfrentar os desafios complexos que incidem sobre os territórios indígenas. Promovendo ações coordenadas em defesa da vida, da saúde e dos direitos dos povos Guarani e Kaiowá”, declarou Avanilson Karajá, diretor do Demed. Segundo ele, cada órgão, dentro de suas competências específicas, exerce papéis estratégicos e complementares na implementação de políticas públicas voltadas à proteção ambiental e à garantia de direitos territoriais.

    Rodrigo Agostinho, presidente do Ibama, ressaltou que a fiscalização do uso irregular de agrotóxicos em terras indígenas representa uma ação fundamental para proteger não apenas o meio ambiente, mas também a saúde das comunidades que vivem nesses territórios. “O Ibama seguirá atuando de forma integrada com outros órgãos do Estado para coibir práticas ilegais. Que comprometem a biodiversidade e a qualidade de vida dos povos indígenas”, afirmou.

    A Funai destacou que o objetivo principal da operação foi coibir práticas ilegais como o uso irregular de agrotóxicos, crimes ambientais e o arrendamento ilegal de terras. Durante as ações, a Coordenação Regional da Funai de Ponta Porã (CR-PP) acompanhou todas as diligências visando garantir a interlocução adequada em prol da proteção e segurança das comunidades indígenas da região.