Tag: Contaminação

  • Poluição por petróleo altera machos de peixes raros no Rio Grande do Norte

    Poluição por petróleo altera machos de peixes raros no Rio Grande do Norte

    Pesquisadores identificaram indícios de que a contaminação por petróleo pode estar provocando alterações biológicas em espécies raras de peixes anuais no Rio Grande do Norte. Incluindo mudanças na coloração de machos que passaram a apresentar padrões associados às fêmeas.

    Pesquisadores observaram o fenômeno em espécies do gênero Hypsolebias lulai, peixes de pequeno porte que a ciência descreveu recentemente e que vivem em poças temporárias do semiárido potiguar, região também marcada por atividade petrolífera.

    Os resultados foram apresentados por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte no Encontro Brasileiro de Ictiologia (EBI). E apontam que a exposição a hidrocarbonetos do petróleo pode estar associada a alterações fenotípicas ligadas à desregulação endócrina, processo em que contaminantes interferem no sistema hormonal dos organismos.

    Segundo o estudo, alguns machos apresentaram coloração semelhante à das fêmeas, além de sinais classificados pelos autores como fenótipos intersexuais. O que pode indicar impactos sobre processos reprodutivos e sobrevivência dessas populações.

    Espécies raras e habitat vulnerável

    Os peixes anuais do gênero Hypsolebias vivem em ambientes temporários que se formam no período chuvoso e desaparecem na estiagem. Esse ciclo torna as espécies particularmente sensíveis a mudanças ambientais.

    Por ocorrerem em áreas restritas e frágeis, esses peixes já enfrentam pressões relacionadas à perda de habitat, secas e degradação ambiental. A possibilidade de impactos associados à atividade petrolífera amplia as preocupações sobre conservação.

    Pesquisadores brasileiros descreveram recentemente a espécie Hypsolebias lulai, considerada endêmica da região.

    Petróleo pode atuar como desregulador endócrino

    Segundo a literatura científica, compostos presentes no petróleo, como hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (PAHs), podem atuar como desreguladores endócrinos, afetando desenvolvimento, comportamento reprodutivo e características sexuais em organismos aquáticos.

    Esse tipo de alteração já foi documentado em estudos internacionais com peixes expostos a contaminantes industriais. Mas registros envolvendo espécies nativas raras do semiárido brasileiro ainda são pouco comuns.

    Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de ampliar investigações toxicológicas e monitoramentos em áreas da Bacia Potiguar, importante polo de exploração terrestre de petróleo do país.

    Conservação e monitoramento

    O caso também acende alerta para políticas de conservação. Órgãos como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis podem ter papel relevante em ações de monitoramento e proteção dessas populações.

    Além do impacto sobre indivíduos, especialistas alertam que alterações reprodutivas em espécies de distribuição limitada podem comprometer populações inteiras ao longo do tempo.

    Os pesquisadores defendem que novos estudos aprofundem se as mudanças observadas têm relação direta com contaminantes do petróleo e quais podem ser os efeitos para a sobrevivência dessas espécies.

  • Pesquisa detecta Salmonella em viveiros de peixes nativos no Pantanal e no Cerrado

    Pesquisa detecta Salmonella em viveiros de peixes nativos no Pantanal e no Cerrado

    Uma pesquisa conduzida por cientistas da Embrapa e da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) identificou a presença da bactéria Salmonella spp. em viveiros de peixes nativos no Centro-Oeste do Brasil. O patógeno foi encontrado em 88% das propriedades avaliadas e em 31,5% das amostras coletadas em Mato Grosso, o maior polo produtor de espécies nativas do País. Os resultados acendem um alerta sobre a necessidade de reforçar práticas de biossegurança ao longo de toda a cadeia produtiva da aquicultura brasileira.

    Foto: Yuri Porto/Embrapa

    O levantamento analisou 184 amostras de diferentes origens, como peixes, água dos viveiros, sedimentos, ração e fezes de animais silvestres e domésticos presentes nas áreas de cultivo, em propriedades localizadas nos biomas Pantanal e Cerrado. As análises seguiram protocolos internacionais e foram confirmadas por testes moleculares, que permitiram identificar dez sorotipos diferentes da bactéria. Os mais frequentes foram os sorotipos Saintpaul e Newport. Embora tenham sido registrados níveis moderados de resistência a alguns antibióticos, nenhuma cepa multirresistente foi detectada.

    O risco real para o consumidor

    Apesar dos números expressivos, as pesquisadoras responsáveis pelo estudo reforçam que a contaminação identificada está restrita à fase de produção. E não ao produto final que chega à mesa do consumidor.

    “Isso não significa que o pescado necessariamente estará contaminado, pois os controles sanitários, o processamento industrial e o cozimento adequado podem reduzir ou eliminar o risco”, explica a professora Luciana Savay-da-Silva, da UFMT.

    Um estudo paralelo avaliou 55 cepas de Salmonella isoladas da tambatinga, híbrido do tambaqui muito cultivado na região. E verificou que nenhuma apresentava sorotipos clássicos associados a surtos humanos graves, como Typhi, Enteritidis ou Typhimurium. Todas as cepas se mostraram sensíveis aos antibióticos testados, o que indica baixo risco nas condições avaliadas.

    Por que a contaminação acontece?

    A pesquisadora Fabíola Fogaça, da Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), que coordenou as ações do estudo, explica que a detecção precoce dos pontos críticos de contaminação permite adotar medidas preventivas que reduzem os riscos e aumentam tanto a segurança do alimento quanto a sustentabilidade da produção.

    Os estudos comprovaram que as vísceras dos peixes apresentaram as maiores taxas de detecção. Foto: Yuri Porto/Embrapa

    Um dos fatores centrais identificados pelo estudo é a exposição dos viveiros à fauna local. A professora da UFMT Eduardo Figueiredo aponta que tanques de cultivo frequentemente recebem a visita de pássaros, jacarés, capivaras, aves domésticas, suínos, bovinos, cães e gatos. O que torna a contaminação do solo e da água praticamente inevitável.

    Os dados também indicaram que as vísceras dos peixes concentram as maiores taxas de detecção da bactéria e que a ocorrência aumenta durante o período seco, o que sugere a influência direta de fatores ambientais e de manejo sobre a dinâmica da contaminação.

    Uma mudança simples pode fazer grande diferença no processamento

    Além do monitoramento nos viveiros, o estudo aponta uma oportunidade concreta de melhoria dentro dos frigoríficos. Atualmente, o fluxo padrão de processamento começa com a lavagem do peixe em água hiperclorada, seguida pela retirada de vísceras e guelras.

    Savay-da-Silva defende a inversão dessas etapas. “Estudos em laboratório e em escala piloto já demonstraram que seria mais eficiente primeiro retirar as vísceras e guelras, ainda em uma área suja, e depois realizar a lavagem hiperclorada”, esclarece a pesquisadora. A mudança, simples do ponto de vista operacional, poderia reduzir significativamente o risco de contaminação cruzada durante o processamento.

    Como se proteger na cozinha

    Mesmo que o pescado tenha sido exposto à bactéria durante a produção, medidas básicas de higiene eliminam o risco de contaminação alimentar:

    • Armazenamento: mantenha o pescado refrigerado a até 4 °C ou congelado e evite deixá-lo fora da geladeira por períodos prolongados.
    • Evite contaminação cruzada: use facas, tábuas e utensílios separados para alimentos crus e cozidos, e lave bem as mãos após manipular peixe cru.
    • Cozimento seguro: cozinhe o pescado até atingir temperatura interna acima de 70 °C e evite consumir peixe cru ou mal cozido sem certificação sanitária.
    • Higiene na cozinha: descarte os líquidos da embalagem, higienize a pia após o preparo e prefira sempre produtos com selo de inspeção.

    Próximos passos e a lógica da Saúde Única

    Os pesquisadores destacam que a presença de diferentes sorotipos com relevância epidemiológica reforça a necessidade de programas integrados de vigilância baseados no conceito de Saúde Única; uma abordagem que reconhece a interdependência entre saúde animal, humana e ambiental.

    Os próximos passos incluem ampliar o monitoramento para outras regiões produtoras, investigar fatores de risco específicos em diferentes sistemas de produção e criar protocolos de boas práticas aplicáveis diretamente nos viveiros.

    “Nosso objetivo é transformar os resultados científicos em orientações práticas para o setor produtivo, contribuindo para alimentos mais seguros e para a competitividade da aquicultura brasileira”, resume Fogaça.

    A piscicultura brasileira em números

    O setor aquícola vive um momento de expansão. O Brasil produziu cerca de 968,7 mil toneladas de peixes cultivados em 2024. Um crescimento de aproximadamente 9% em relação ao ano anterior. A tilápia lidera com folga, respondendo por cerca de 68% da produção nacional, mas espécies nativas como tambaqui, tambatinga, pacu e pirarucu formam o segundo maior grupo produtivo do País.

    O consumo interno ainda tem espaço para crescer: os brasileiros consomem, em média, cerca de 10 kg de pescado por pessoa ao ano. Um número abaixo da média mundial, mas com tendência de expansão contínua. O que torna ainda mais estratégico garantir a segurança e a qualidade do produto ao longo de toda a cadeia.

  • Anvisa determina recolhimento de lote de whey protein da Piracanjuba

    Anvisa determina recolhimento de lote de whey protein da Piracanjuba

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento imediato do lote 23224 do Whey Protein Suplemento Alimentar em Pó, sabor chocolate, da marca Piracanjuba. A decisão foi publicada na Resolução-RE nº 2.094, de 4 de junho de 2025. E inclui a suspensão da comercialização, distribuição e uso do referido lote em todo o território nacional.

    O resultado insatisfatório no ensaio de contagem da bactéria Staphylococcus aureus, apontado pelo laudo do Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal, motivou o recolhimento. O exame identificou 7,2 x 10² UFC/g, valor acima do limite permitido pela legislação sanitária brasileira, em desacordo com o Decreto-Lei 986/1969, Portaria SVS/MS nº 326/1997 e a RDC nº 724/2022.

    O Staphylococcus aureus é uma bactéria que, quando presente em níveis elevados em alimentos, pode produzir toxinas responsáveis por quadros de intoxicação alimentar. Os sintomas incluem náuseas, vômitos, cólicas e diarreia, podendo representar risco à saúde, principalmente para idosos, crianças e pessoas com imunidade comprometida.

    O que fazer se adquiriu o produto

    Consumidores que adquiriram o Whey Protein Piracanjuba, lote 23224, devem interromper imediatamente o consumo. Além disso, devem entrar em contato com a empresa para orientações sobre devolução ou substituição do produto. O número do lote pode ser conferido na embalagem.

    A Anvisa destaca a importância do monitoramento e da fiscalização de suplementos alimentares para garantir a segurança dos consumidores. O órgão orienta que os consumidores comuniquem qualquer suspeita de irregularidade em produtos alimentícios diretamente aos canais oficiais de vigilância sanitária.

    Segurança alimentar

    O recolhimento ocorre em meio ao Dia Mundial da Segurança dos Alimentos, celebrado em 7 de junho. A data reforça a importância da ciência e da vigilância na proteção da saúde pública. Casos como este evidenciam a necessidade de rigor no controle de qualidade de alimentos e suplementos, segmento que cresce no Brasil e exige atenção redobrada de fabricantes, distribuidores e consumidores.

    A Piracanjuba emitiu uma nota oficial, reproduzida abaixo:

    Em vista da medida tomada pela Anvisa em relação ao Whey em Pó Piracanjuba, a empresa esclarece que possui laudo atestando a regularidade e a conformidade do produto emitido por laboratórios credenciados pela própria agência sanitária. A companhia informa que tomará as providências cabíveis para a resolução do tema.

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  • USP desenvolve tecnologia para reduzir perdas bilionárias na produção de etanol

    USP desenvolve tecnologia para reduzir perdas bilionárias na produção de etanol

    Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão finalizando uma solução inovadora para reduzir perdas causadas por contaminações microbianas na produção de etanol. Combinando espectrometria de massas e inteligência artificial (IA), o método promete identificar bactérias prejudiciais ao processo de fermentação em tempo recorde, otimizando o uso de antimicrobianos e aumentando a eficiência industrial. A tecnologia, desenvolvida no âmbito do Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), tem potencial para ser aplicada também em setores como alimentos, cervejas e carnes.

    Tecnologia adaptada da saúde para a indústria

    O projeto, financiado pela Shell Brasil via cláusula de P&D da ANP, utiliza o equipamento MALDI-TOF (Matrix-Assisted Laser Desorption/Ionization Time-of-Flight), comum em diagnósticos hospitalares. Segundo Carlos Alberto Labate, coordenador do estudo e professor da ESALQ-USP, a técnica está sendo adaptada para o ambiente industrial: “Assim como o MALDI-TOF identifica microrganismos em hospitais, estamos desenvolvendo métodos para detectar contaminantes em usinas com a mesma rapidez e precisão”.

    Atualmente, a identificação de bactérias leva dias, mas a nova metodologia reduzirá o processo para horas. Isso permitirá às usinas agir rapidamente. E reduzir perdas que chegam a 2% da produção nacional de etanol – equivalente a R$ 1,5 bilhão anuais, segundo dados do setor.

    A inovação inclui a integração de modelos de IA capazes de identificar múltiplos microrganismos em uma única análise, simplificando etapas e reduzindo custos. Labate destaca que o sistema pode evoluir para soluções automatizadas: “No futuro, a IA não só detectará o contaminante. Mas sugerirá medidas corretivas, aumentando ainda mais a eficiência”.

    Aplicação além do etanol

    A tecnologia também beneficiará indústrias que dependem de processos fermentativos, como produção de cerveja e laticínios. “O controle preciso de contaminações é essencial para segurança e produtividade em diversos setores”, explica Labate.

    O projeto, que conta com parceria da Raízen, tem conclusão prevista para maio de 2025.

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  • Perigo: fertilizantes de liberação controlada espalham microplásticos

    Perigo: fertilizantes de liberação controlada espalham microplásticos

    Um estudo da Universidade do Missouri revelou que fertilizantes amplamente utilizados na agricultura dos Estados Unidos estão liberando microplásticos em níveis alarmantes no solo e na água. A descoberta acende um alerta global sobre os riscos invisíveis para a segurança alimentar e a saúde humana.

    Pesquisadores descobriram que fertilizantes de liberação controlada — usados para aumentar a produtividade das lavouras — são encapsulados com plástico. Essas cápsulas, menores que 5 milímetros, se fragmentam no solo e se transformam em partículas ainda menores, classificadas como microplásticos.

    Dados alarmantes:

    • 16 mil químicos plásticos estão presentes nesses fertilizantes, incluindo substâncias tóxicas como BPA, ftalatos e PFAS.
    • Culturas como trigo, milho e arroz podem absorver os microplásticos, segundo estudos anteriores.
    • Impacto no solo: Partículas plásticas reduzem a qualidade da terra, prejudicando a agricultura a longo prazo.

    “Precisamos Alertar os Agricultores”, diz autora do estudo

    Maryam Salehi, pesquisadora líder da Universidade do Missouri, destacou em entrevista:

    “A indústria ainda trata esses fertilizantes como seguros, mas eles escondem riscos invisíveis. Os microplásticos não ficam apenas no solo. Eles são carregados pela chuva para rios e lagos, contaminando ecossistemas inteiros.”

    Riscos à saúde humana:

    • Microplásticos já foram encontrados no sangue, pulmões e placenta humana.
    • Associados a câncer, doenças cardíacas e neurológicas (como Parkinson).
    • Ainda não se sabe quais químicos específicos estão nos fertilizantes analisados.

    Solução simples, mas ignorada pela indústria

    O estudo aponta que alternativas biodegradáveis já existem no mercado. No entanto, a eficácia e o custo dos fertilizantes plásticos ainda mantêm a indústria presa a modelos tradicionais.

    O caminho para mudança:

    • Regulamentação urgente: Exigir rótulos que alertem sobre microplásticos.
    • Incentivos fiscais para fertilizantes sustentáveis.
    • Conscientização dos agricultores sobre os riscos a longo prazo.

    Microplásticos na mesa do brasileiro: um problema global

    Testes já detectaram microplásticos em frutas, legumes e grãos vendidos em supermercados. Como os EUA são um dos maiores exportadores de commodities agrícolas, a contaminação pode afetar cadeias alimentares em todo o mundo, incluindo o Brasil.

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