Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) e da Universidade de São Paulo (USP) testaram com sucesso uma técnica de irradiação por feixe de elétrons capaz de eliminar resíduos do antidepressivo fluoxetina da água. O método produz compostos altamente reativos que atacam e degradam as moléculas do medicamento, reduzindo a toxicidade para peixes e outros organismos aquáticos.
Os resultados constam de artigo publicado na revista científica Radiation Physics and Chemistry. Segundo o engenheiro bioquímico Flávio Tominaga, primeiro autor do trabalho, a fluoxetina preocupa pesquisadores por ser um dos fármacos mais consumidos no mundo para o tratamento de depressão e ansiedade. E por resistir às etapas convencionais de tratamento de esgoto.
“Devido ao seu elevado consumo, persistência no ambiente e remoção incompleta nas estações convencionais de tratamento, esse fármaco aparece com frequência em águas superficiais”, afirma Tominaga. No ambiente aquático, o medicamento funciona como um contaminante emergente e provoca alterações comportamentais, fisiológicas e reprodutivas em peixes e invertebrados, mesmo em concentrações baixas.
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Como a técnica funciona
O método utiliza um acelerador de elétrons para gerar radiação ionizante sobre a solução aquosa contaminada. Esse processo provoca a radiólise da água, ou seja, a quebra das ligações químicas da molécula H₂O , que libera radicais livres altamente reativos. Esses radicais atacam e fragmentam as moléculas da fluoxetina e do surfactante associado ao fármaco, tanto de forma isolada quanto em mistura.

“Essa técnica se insere nos chamados processos oxidativos avançados (POAs) e tem potencial promissor para remover contaminantes orgânicos persistentes”, explica o pesquisador.
Os ensaios ecotoxicológicos confirmaram redução significativa da toxicidade da solução após o tratamento. Embora a mineralização completa das moléculas não ocorra, o que indica a formação de subprodutos, esses compostos apresentam toxicidade inferior à da mistura original.
Aplicação prática e cenário internacional
O Ipen, vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), já conta com uma unidade móvel equipada com acelerador de elétrons. Esse equipamento permite testar o tratamento diretamente em estações de efluentes, com operação em fluxo contínuo e volumes consideráveis.
Coreia do Sul, China, Japão e países europeus já empregam a tecnologia principalmente no tratamento de efluentes industriais, lodos de esgoto e na remoção de micropoluentes orgânicos persistentes. “Essas experiências demonstram que a tecnologia é tecnicamente viável, segura e escalonável”, conclui Tominaga.
O estudo contou com a coordenação de Sueli Ivone Borrely (Ipen) e a colaboração de Antonio Carlos Silva Costa Teixeira, da Escola Politécnica da USP, além dos pesquisadores Roberta Frinhani Nunes e Vanessa Silva Granadeiro Garcia.


A Defesa Civil Municipal de Bertolínia informou que o tombamento ocorreu por volta das 13h30. Em resposta imediata, a equipe isolou a área, suspendeu temporariamente atividades de banho e pesca e notificou os órgãos competentes para ações de contenção.