Tag: consórcio

  • Consórcio avança no agronegócio como alternativa ao crédito tradicional

    Consórcio avança no agronegócio como alternativa ao crédito tradicional

    A procura por consórcios como ferramenta de investimento no agronegócio brasileiro tem avançado, acompanhando a necessidade dos produtores por alternativas ao crédito tradicional em um cenário de juros elevados. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) indicam que o segmento de máquinas agrícolas passou a liderar o setor de veículos pesados dentro do sistema, representando cerca de 51% dos participantes.

    O crescimento consistente da modalidade sustenta o movimento. Levantamento do setor, com base em dados compilados pela ABAC, mostra que o número de participantes em consórcios de máquinas agrícolas aumentou aproximadamente 149% desde 2020. Enquanto as contemplações, momento em que o crédito é liberado para uso, avançaram mais de 138% no mesmo período, conforme análise publicada pelo Estadão Agro.

    Além da expansão na base de consorciados, o volume financeiro também tem avançado. Entre janeiro e agosto de 2025, as vendas de cotas de consórcio de máquinas agrícolas somaram cerca de R$ 17,1 bilhões. Um crescimento de aproximadamente 13,7% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, segundo dados do setor divulgados pela ABAC.

    O crescimento ocorre em um contexto de maior cautela na tomada de crédito e de busca por previsibilidade financeira no campo. Nesse cenário, produtores utilizam o consórcio como alternativa para diluir investimentos ao longo do tempo, sem a incidência de juros, o que permite maior organização do fluxo de caixa.

    Mudança no comportamento

    Segundo Bruno Mendonça, diretor da Consórcio Vencedor Investimentos, o avanço da modalidade reflete uma mudança no comportamento do produtor rural. “O produtor tem adotado uma postura mais estratégica. Ele não busca apenas adquirir um equipamento, mas estruturar o investimento de forma que não comprometa o fluxo financeiro da operação. O consórcio passa a ser uma ferramenta de planejamento”, afirma.

    Bruno Mendonça, diretor da Consórcio Vencedor Investimentos. Foto: Divulgação

    Para Cléber Gomes, CEO da Maestria, empresa especializada em consórcio e produtos financeiros, o avanço das máquinas agrícolas no Sistema de Consórcios reflete uma mudança na forma como o produtor rural planeja seus investimentos. “Diante de margens mais apertadas e do custo elevado do crédito tradicional, o consórcio passou a ser visto não apenas como alternativa de compra. Mas como ferramenta de gestão financeira, permitindo a renovação de frota e a incorporação de tecnologia de forma previsível, sem pressionar o fluxo de caixa”, destaca.

    Cléber Gomes, CEO da Maestria. Foto: Divulgação

    A necessidade de modernização do agronegócio também contribui para esse movimento. A renovação de máquinas e a incorporação de tecnologia são fatores essenciais para manter a competitividade do setor, que exige investimentos contínuos.

    “O consórcio permite previsibilidade. O produtor consegue alinhar o momento da aquisição ao ciclo produtivo, o que traz mais controle financeiro e reduz a exposição a oscilações”, destaca Mendonça.

    Gestão financeira

    Outro levantamento da ABAC indica que, ao longo dos últimos anos, o crescimento do consórcio de máquinas agrícolas acompanha a expansão do agronegócio brasileiro. E consolida a modalidade como alternativa relevante dentro da gestão financeira do setor.

    Além da aquisição de máquinas, o consórcio também tem sido utilizado para veículos pesados, implementos e melhorias estruturais nas propriedades. Portanto, ampliando seu papel nas estratégias de investimento no campo.

    Para Mendonça, o avanço da modalidade aponta para uma mudança mais ampla na gestão do produtor.“O consórcio deixa de ser apenas uma alternativa de compra e passa a integrar o planejamento financeiro. Existe uma evolução na forma de pensar o investimento, com foco em previsibilidade e organização”, afirma.

    Com o agronegócio mantendo relevância na economia brasileira e a demanda por investimentos em tecnologia e produtividade, a tendência é que o consórcio continue ampliando sua participação como instrumento de planejamento financeiro no campo.

  • CAIXA Consórcio lança planos com pagamento semestral para empresas e produtores rurais

    CAIXA Consórcio lança planos com pagamento semestral para empresas e produtores rurais

    A CAIXA Consórcio lançou os planos AgroFlex e EmpresarialFlex, novas modalidades de consórcio com parcelas semestrais, voltadas a empresas e produtores rurais. As opções, disponíveis desde 22 de janeiro, oferecem mais flexibilidade financeira e previsibilidade no planejamento de investimentos.

    Segundo a empresa, as novas linhas atendem negócios com fluxo de caixa concentrado em períodos específicos do ano, como o agronegócio, onde a receita costuma se concentrar após a colheita. “Ao oferecer parcelas semestrais, ampliamos as possibilidades de planejamento financeiro. Mantendo previsibilidade e segurança ao longo do contrato”, destaca Vanessa Cattinne, diretora Comercial da CAIXA Consórcio.

    Os dois planos foram desenvolvidos para alinha-se ao ciclo econômico de cada atividade, permitindo que o cliente administre melhor os recursos e organize seus investimentos de médio e longo prazo.

    O AgroFlex foca o setor agropecuário, com créditos entre R$ 200 mil e R$ 400 mil destinados à compra de máquinas, equipamentos e caminhões. O EmpresarialFlex é direcionado a empresas que buscam modernizar ou expandir suas operações, com recursos para investir em frota, imóveis comerciais, sede própria ou reformas.

    “A proposta é oferecer uma solução que respeite o ciclo financeiro de cada atividade. Permitindo que empresas e produtores organizem seus investimentos com mais previsibilidade”, reforça Vanessa.

    Diferenciais

    Entre os diferenciais dos novos planos, estão desembolsos menos frequentes, que facilitam a adesão ao consórcio, opção de lance embutido, taxa de administração a partir de 15% e fundo de reserva de 3,5%. Os contratos podem chegar a 100 meses, com atualização monetária pelo INPC, preservando o poder de compra do cliente.

    De acordo com Gustavo Portela, CEO da CAIXA Seguridade, o lançamento fortalece a estratégia do conglomerado de oferecer soluções financeiras compatíveis com os ciclos da economia real. “Esses novos planos reforçam nosso compromisso de apoiar investimentos com previsibilidade, segurança e flexibilidade, além de consolidar a expansão da companhia nos últimos anos”, afirma.

    Clientes podem contratar os planos AgroFlex e EmpresarialFlex nas agências da CAIXA, nas unidades lotéricas e nos Correspondentes CAIXA Aqui. Mais detalhes estão disponíveis nos canais oficiais da empresa.

  • Mercado de tratores cresce 19,6% até setembro

    Mercado de tratores cresce 19,6% até setembro

    Na beira da estrada de terra, o barulho do motor de um trator zero quilômetro já não chama tanta atenção assim. Na concessionária da cidade, esse som virou rotina outra vez. Depois de uma sequência de anos mais travados, o mercado de máquinas agrícolas voltou a ganhar fôlego, e os tratores estão, literalmente, saindo do pátio. De janeiro a setembro deste ano, as vendas cresceram 19,6% na comparação com o mesmo período de 2024, alcançando cerca de 39,9 mil unidades no país, segundo os dados mais recentes da Fenabrave.​

    O salto fica ainda mais evidente quando o olhar vai para setembro. Em um único mês, o volume vendido subiu 27,5% frente a setembro do ano passado, chegando a aproximadamente 6 mil tratores comercializados, com alta de 15,7% em relação a agosto. Nas revendas, o clima é de “finalmente a chave virou”, embora ninguém se iluda: a conta de juros, custo de produção e endividamento do produtor continua pesando no fechamento de cada negócio.​

    No discurso do presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, aparece uma palavra que começou a rodar forte no campo: recomposição. As concessionárias, que vinham de um período de vendas fracas e estoques mais enxutos, agora aproveitam a expectativa de uma safra melhor para repor máquinas e alinhar o portfólio às demandas do produtor. Depois de quedas sucessivas em 2023 e 2024, o avanço de quase 20% em 2025 ainda ocorre sobre uma base baixa, mas indica que o pior da ressaca pode ter ficado para trás.​

    Agricultura familiar

    Na prática, quem puxa a fila desse crescimento são, principalmente, os tratores de até 100 cavalos de potência, voltados para a agricultura familiar e propriedades menores. Esse segmento sentiu forte as restrições de crédito e a piora de renda nos últimos anos, então qualquer melhora no acesso a financiamento e alguma perspectiva de preço melhor para as principais culturas já vira motivo para destravar a compra adiada. Não raro, o produtor volta à loja com aquela frase meio tímida: “lembrá daquele orçamento que fiz ano passado… vamos refazer ele?”.​

    De acordo com o gerente de Vendas da Agritech, Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, o resultado traz também o fortalecimento de modalidades de aquisição como o consórcio. “O mercado de máquinas agrícolas vem mostrando retomada consistente, impulsionada pelo interesse de pequenos e médios produtores em modernizar suas propriedades. O consórcio, em especial, tem se consolidado como uma alternativa viável e segura para planejar a compra de equipamentos sem comprometer o fluxo financeiro”, afirma.

    Mesmo com a reanimação do mercado de tratores no Brasil, o cenário ainda pede cautela. As taxas de juros seguem em patamar elevado, o nível de endividamento no campo continua alto e a rentabilidade, em muitas regiões, não voltou ao pico recente do agronegócio. A leitura das entidades é que 2025 marca um ano de retomada gradativa: as vendas sobem, a frota começa a se renovar de novo, mas o sprint mais forte só deve acontecer se o crédito ficar menos caro e se os programas de apoio à compra de máquinas tiverem continuidade. Até lá, o ronco do trator novo aumenta, sim, porém ainda com o pé meio leve no acelerador.​

  • Norte de Minas se consolida como polo de produção de cacau

    Norte de Minas se consolida como polo de produção de cacau

    O Norte de Minas transformou suas características climáticas adversas em oportunidade de negócio. A região, conhecida pelo clima seco, altas temperaturas e baixo índice pluviométrico, agora abriga um dos polos emergentes de cultivo de cacau no país.

    Pesquisadores da Universidade Estadual de Minas Gerais (Unimontes) desenvolveram um método que viabiliza a produção do fruto em áreas não tradicionais. O projeto recebe apoio do Governo de Minas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), e já projeta resultados expressivos.

    Área plantada cresce 525% em dois anos

    O engenheiro agrônomo Victor Martins Maia, especialista em fitotecnia da Unimontes, lidera as pesquisas. Os dados atuais registram 480 hectares ocupados com plantações de cacau em Minas Gerais. Para 2026, as projeções apontam crescimento para três mil hectares plantados.

    “A indústria mundial busca locais que ofereçam estabilidade e capacidade de fornecimento de cacau. O Brasil tem a possibilidade de crescer com produtividade e tecnologia para atender a demanda mundial”, afirma Maia.

    O pesquisador coordena o Centro Tecnológico para Cacauicultura em Regiões Não Tradicionais (CTCRNT). A Fapemig destinou aproximadamente R$ 3,5 milhões ao centro, que desenvolve estudos sobre consumo de água irrigada, tipos de mudas e adubação nas plantações.

    Técnica a pleno sol substitui modelo da cabruca

    O método desenvolvido pela Unimontes permite o plantio de cacau a pleno sol, em consórcio com lavouras tradicionais de banana que já possuem sistema de irrigação. A técnica contrasta com o cultivo “na cabruca”, modelo tradicional que produz o fruto em meio à Mata Atlântica raleada.

    Foto: Letícia Fagundes/Agência MG

    No sistema inovador, os produtores cultivam clones de cacau mais resistentes à sombra das bananeiras. As mudas crescem durante dois anos, passam por podas sucessivas e se preparam para suportar a produção em condições climáticas desafiadoras.

    Consórcio garante renda ao produtor

    A associação entre cacau e banana traz vantagens econômicas imediatas aos produtores. “Do ponto de vista econômico, o modelo garante renda constante ao produtor. Enquanto aguarda o cacau começar a produzir, ele mantém a comercialização de banana”, explica Victor Maia.

    O centro também aplica visão computacional na predição da produção e estuda sistemas agroflorestais que consorciam o cacau com macadâmia ou abacaxi.

    Trajetória de pesquisa supera desafios climáticos

    A pesquisa começou em 2011, quando a equipe analisou o cultivo de clones adaptados em Janaúba. Anos seguidos de seca severa comprometeram os primeiros experimentos. Os clones plantados na fazenda experimental, sem irrigação, não resistiram ao período de estiagem.

    A equipe reformulou a estratégia e identificou clones trazidos da Bahia mais adaptados à região. Em 2017, o projeto recebeu novo apoio da Fapemig para experimentos em campo. Naquele ano, os pesquisadores promoveram os primeiros eventos técnicos de extensão, que levaram os resultados aos produtores locais. Desde então, a Unimontes realiza eventos específicos sobre cultivo de cacau no semiárido mineiro a cada dois anos.

    Terroir do sertão: próximo passo da cacauicultura mineira

    O CTCRNT desenvolve atualmente um projeto em parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla) sobre fermentação do cacau para produção de chocolate. A iniciativa pode resultar no nascimento de um “terroir do sertão”, com cacau que apresenta características únicas da região.

    “Esse é apenas o começo da cacauicultura em Minas”, conclui o pesquisador Victor Maia.

  • Brasil pode superar Europa em vendas de máquinas agrícolas

    Brasil pode superar Europa em vendas de máquinas agrícolas

    O mercado brasileiro de máquinas agrícolas está em forte expansão. E segundo projeções do setor, deve ultrapassar a Europa em volume de vendas nos próximos cinco a dez anos. O crescimento é impulsionado pelo avanço do agronegócio nacional, crédito mais caro e a crescente busca por consórcios como alternativa de financiamento.

    De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produtividade média das lavouras brasileiras deve atingir 4.108 quilos por hectare, com aumento de 2,3% na área cultivada, que chega a 81,8 milhões de hectares. Além disso, a produção de etanol de milho, que requer equipamentos específicos, pode dobrar no mesmo período, aquecendo a demanda por tratores, colheitadeiras e implementos agrícolas.

    Crédito mais caro impulsiona consórcios

    Com a taxa Selic mantida em patamares elevados, estimada em torno de 15% ao ano, o crédito rural tradicional se torna mais caro. Isso tem levado produtores, especialmente pequenos e médios, a optarem por consórcios para aquisição de máquinas. Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o volume de crédito liberado para veículos pesados, incluindo máquinas agrícolas, cresceu 39,9% no primeiro bimestre de 2025 em relação ao ano anterior.

    Foto: Agro em Campo/Rodarte

    Fernando Lamounier, educador financeiro e diretor da Multimarcas Consórcios, destaca que “a busca por consórcios tem colaborado para colocar o Brasil entre as grandes potências globais em volume e sofisticação de máquinas agrícolas”. Além disso, ele ainda afirma que fabricantes chegam a vender até 40% das máquinas por meio dessa modalidade. Isso devido à dificuldade de acesso a financiamentos bancários tradicionais, que apresentam juros altos e burocracia.

    Brasil lidera crescimento global em soja e milho

    O país lidera a taxa composta de crescimento da produção de soja e milho entre as principais regiões produtoras do mundo, reforçando seu protagonismo global. Esse desempenho atrai investidores estrangeiros e fortalece o mercado interno de máquinas agrícolas.

    O agronegócio representa cerca de 20% do volume total de crédito movimentado por consórcios no Brasil, que ultrapassa R$ 50 bilhões anuais. No segmento de máquinas e equipamentos agrícolas, os consórcios já correspondem a 25% do mercado, consolidando-se como tendência para os próximos anos.

    Com a suspensão de algumas linhas de crédito, inclusive do Plano Safra, produtores enfrentam juros que chegam a 20% ao ano para financiar máquinas agrícolas. Nesse contexto, o consórcio surge como alternativa viável para continuidade dos investimentos de forma planejada e segura.

    Apesar dos desafios, o setor de máquinas agrícolas apresenta sinais de recuperação, com crescimento projetado de 8,2% para 2025. Isso conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A expectativa é que o Brasil consolide sua posição como um dos maiores mercados globais, impulsionado pela modernização tecnológica e pela adoção de modalidades de crédito alternativas.

    Portanto, este cenário reforça o papel estratégico do Brasil no mercado global de máquinas agrícolas, com crescimento sustentado pela expansão do agronegócio, inovação tecnológica e adaptação às condições financeiras do país.

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