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  • Análise: Guerra ameaça transformar 2026 no pior ano do agro brasileiro

    Análise: Guerra ameaça transformar 2026 no pior ano do agro brasileiro

    O agro brasileiro entrou em alerta máximo. E desta vez o problema não nasceu da seca, do dólar ou de uma quebra de safra.

    A nova tensão no Oriente Médio começou a espalhar incerteza pelos corredores do agronegócio mundial, elevando o preço do petróleo, pressionando fertilizantes e reacendendo o medo de uma crise global de alimentos.

    O reflexo já chegou ao Brasil.

    Produtores rurais, cooperativas e especialistas do setor passaram os últimos dias monitorando o avanço do conflito entre Irã e Israel e seus possíveis impactos sobre uma engrenagem delicada que conecta combustível, logística, fertilizantes e comida.

    Quando aquela região do planeta entra em ebulição, o agro sente primeiro o cheiro da fumaça. Depois vem a conta.

    Petróleo vira gatilho para aumento de custos

    O principal temor do setor envolve o petróleo.

    Em análise publicada pela agência Reuters, especialistas alertaram que qualquer bloqueio prolongado na região pode provocar “forte choque nos custos globais de energia e transporte”.

    Na prática, isso significa um efeito dominó imediato no agronegócio brasileiro.

    Com diesel mais caro, sobe:

    • o frete;
    • o custo da produção;
    • a armazenagem;
    • a exportação;
    • o preço final dos alimentos.

    E aí a inflação do campo atravessa a cidade e chega ao supermercado.

    Fertilizantes colocam o Brasil em posição vulnerável

    Mas o petróleo é apenas uma peça do quebra-cabeça.

    O maior temor do mercado hoje envolve os fertilizantes.

    O Brasil importa cerca de 85% dos insumos usados na agricultura. Uma parcela importante dessa cadeia depende justamente de regiões afetadas pela instabilidade no Oriente Médio.

    Em reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times, analistas afirmaram que a tensão na região já provoca “preocupação crescente sobre o fornecimento global de fertilizantes nitrogenados”.

    O jornal destacou que o mercado internacional teme dificuldades logísticas e novas altas de preços caso o conflito avance sobre rotas marítimas estratégicas.

    A preocupação faz sentido.

    Fertilizante caro significa produção mais cara. Produção mais cara significa alimento mais caro.

    E isso atinge praticamente tudo:

    • soja;
    • milho;
    • café;
    • carnes;
    • leite;
    • hortifrúti.

    É como se a guerra começasse a atravessar continentes escondida dentro de sacos de ureia e barris de combustível.

    Mercado internacional já fala em risco para alimentos

    O alerta deixou de ser local.

    Nas últimas 72 horas, veículos internacionais passaram a discutir o risco de uma nova onda global de inflação alimentar.

    O jornal espanhol Cinco Días afirmou que o mundo pode enfrentar uma “potencial grande crise alimentar” caso o conflito comprometa o fluxo internacional de fertilizantes e energia.

    A publicação destacou que países agrícolas do hemisfério sul, como o Brasil, estão entre os mais vulneráveis devido à dependência de importações de insumos.

    Já a revista britânica The Economist avaliou que os mercados agrícolas globais “voltaram a operar sob lógica de guerra”, especialmente diante do risco de disparada do petróleo.

    O impacto psicológico também pesa.

    Isso porque, quando o mercado começa a precificar medo, os contratos futuros sobem, o crédito encarece e, consequentemente, produtores passam a operar em modo defensivo.

    Além disso, em períodos de forte instabilidade internacional, investidores tendem a buscar proteção em ativos mais seguros, o que aumenta ainda mais a volatilidade das commodities agrícolas.

    Com isso, o ambiente de negócios no campo fica mais cauteloso. Aos poucos, decisões que antes pareciam naturais — como ampliar área plantada, investir em tecnologia ou antecipar compras de insumos — passam a ser revistas com mais prudência.

    E, nesse cenário, até o planejamento da próxima safra começa a carregar um peso maior de incerteza.

    Produtores começam a rever investimentos

    Nos bastidores do agronegócio brasileiro, o clima mudou rapidamente.

    Diante desse cenário, produtores começaram a revisar compras de máquinas, renegociar financiamentos e recalcular custos para a próxima safra.

    A preocupação, no entanto, é clara: uma escalada prolongada do conflito pode comprimir ainda mais as margens do setor justamente em um momento em que parte do agro ainda tenta recuperar fôlego financeiro após ciclos de juros elevados e oscilações climáticas.

    Em análise recente, a agência Bloomberg afirmou que o agro global enfrenta “um ambiente de volatilidade crescente impulsionado por riscos geopolíticos e energéticos”.

    O relatório destaca, por exemplo, que países exportadores, como o Brasil, podem sofrer pressão dupla:

    • aumento do custo de produção;
    • maior instabilidade nos preços internacionais.

    É uma conta difícil.

    Porque, ao mesmo tempo em que o dólar elevado favorece exportações, ele também encarece insumos importados.

    Por fim, parte do lucro evapora antes mesmo da colheita.

    Alimentos podem voltar ao centro da inflação

    O consumidor brasileiro talvez ainda não perceba o efeito imediato nas gôndolas. Mas o mercado já começou a ligar os sinais de alerta.

    Historicamente, crises envolvendo petróleo e fertilizantes acabam pressionando o preço dos alimentos alguns meses depois.

    E o Brasil conhece bem esse roteiro.

    O custo sobe silenciosamente no campo. Depois aparece no arroz, no óleo, no leite, na carne e até no cafezinho da manhã.

    Pouco a pouco, o orçamento doméstico vai sendo corroído sem fazer barulho.

    O problema é que agora o cenário mistura guerra, energia, logística global e insegurança internacional ao mesmo tempo.

    Uma combinação que costuma deixar os mercados nervosos — e o agro ainda mais exposto.

    Porque hoje uma explosão no Oriente Médio consegue ecoar no preço da soja em Mato Grosso, no frete do milho em Goiás e na carne servida no almoço de milhões de brasileiros.

    E, diante desse cenário, cresce dentro do setor uma preocupação que ninguém gosta de verbalizar em público: se o conflito continuar avançando, 2026 pode, por exemplo, se transformar em um dos anos mais difíceis para o agronegócio brasileiro na última década.

  • Crise global eleva custos e ameaça cadeia do trigo no Brasil, alerta Abitrigo

    Crise global eleva custos e ameaça cadeia do trigo no Brasil, alerta Abitrigo

    A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) alertou para os efeitos da atual crise global sobre a cadeia do trigo no Brasil, que já enfrenta forte alta de custos e riscos de impacto nos preços da farinha e de derivados como pão, massas e biscoitos.

    Segundo a entidade, o agravamento das condições econômicas internacionais, impulsionado pelas consequências do conflito no Irã, vem elevando despesas em toda a cadeia de produção. A alta do petróleo impulsiona o preço do diesel e dos fretes, enquanto as cotações do trigo sobem no Brasil e no exterior. Somam-se a isso o encarecimento de insumos, embalagens e seguros internacionais, criando um cenário de forte pressão sobre a indústria moageira.

    Além do contexto externo, o setor enfrenta fatores internos que agravam o cenário. A aplicação de alíquotas de PIS e COFINS sobre o trigo importado, com redução de benefícios fiscais, aumentou a carga tributária de produtos básicos, como a farinha de trigo. Essa mudança limita a capacidade da indústria de absorver custos e aumenta o risco de repasse parcial ao consumidor.

    Medidas pra evitar o pior cenário

    Mesmo diante desse quadro desafiador, a Abitrigo destaca que as empresas do setor têm buscado medidas de mitigação. Entre as ações estão a diversificação de origens de trigo e fornecedores, a otimização de estoques, o replanejamento logístico e o uso de instrumentos de gestão de risco de preços. A entidade também mantém diálogo constante com autoridades e formuladores de políticas públicas. Para também defender medidas que assegurem a competitividade do setor e a estabilidade do abastecimento.

    “Nosso compromisso é garantir o fornecimento estável da farinha de trigo. Que é essencial na mesa dos brasileiros, mesmo em um ambiente de instabilidade global”, afirmou o presidente-executivo da Abitrigo, Rubens Barbosa.

  • Guerra no Irã ameaça embarques de carne bovina e acende alerta no Brasil

    Guerra no Irã ameaça embarques de carne bovina e acende alerta no Brasil

    A escalada do conflito envolvendo o Irã acendeu um sinal de alerta para as exportações brasileiras de carne bovina. Principal fornecedor global do produto, o Brasil agora monitora com cautela os desdobramentos da guerra que ameaçam as vendas para uma de suas regiões mais estratégicas: o Oriente Médio.

    Os países do Oriente Médio absorveram cerca de 10% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil em 2025, o que representa um volume de 250 mil toneladas. O Irã, protagonista no atual cenário de tensão, figura entre os principais destinos desse comércio.

    Diante do aumento das incertezas, os exportadores brasileiros já enfrentam desafios logísticos. Rotas marítimas, custos com seguros de carga e a estabilidade financeira dos importadores entraram na mira das empresas, que começam a buscar mercados alternativos para redirecionar parte das mercadorias e evitar perdas.

    No mercado interno, analistas do setor acompanham a situação com cautela. Qualquer interrupção ou atraso nas compras por parte dos países importadores pode levar os frigoríficos a ajustarem temporariamente a demanda, o que tende a influenciar os preços do boi gordo.

    Especialista detalha cenário em evento

    Os efeitos da guerra, os impactos para as exportações e os possíveis desdobramentos para a pecuária brasileira serão alguns dos temas centrais do Simpósio Nutripura, que acontece até hoje, 21 de março, em Cuiabá. O economista Alexandre Mendonça de Barros participa do evento para detalhar como o cenário geopolítico pode influenciar o mercado da carne e apontar possíveis oportunidades para o setor.

    Mendonça de Barros integra um time de peso no evento. A programação conta com a presença do biólogo e comunicador Richard Rasmussen, do açougueiro e influenciador Marcelo Bolinha, que soma mais de 800 mil seguidores no Youtube, e do médico Dr. Alexandre Duarte, especialista em dieta carnívora e metabolismo humano.

    O Simpósio Nutripura também aposta em um eixo técnico-científico de peso. Os professores Moacyr Corsi, Flávio Portela e Luiz Nussio, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), trazem suas contribuições em áreas como nutrição, manejo e sistemas de produção animal.

    Completa a programação uma apresentação do professor José Luiz Tejon, especialista em marketing agro e comportamento do consumidor, ampliando o debate para temas como reputação, consumo e a imagem da carne brasileira no mundo.

    Nesta edição, o Simpósio espera reunir mais de 2 mil participantes, incluindo produtores rurais, técnicos, pesquisadores, executivos e empresas do agronegócio. A programação foca em inovação, sustentabilidade e as principais tendências dos mercados globais da carne brasileira.

  • Conflito no Oriente Médio dispara preços de fertilizantes e pressiona oferta global

    Conflito no Oriente Médio dispara preços de fertilizantes e pressiona oferta global

    O avanço do conflito no Oriente Médio provocou uma alta expressiva nos preços dos fertilizantes nitrogenados em todo o mundo. No Brasil, a ureia subiu mais de 15% e o nitrato de amônio teve aumento de aproximadamente 28% em apenas uma semana, segundo levantamento da StoneX.

    A valorização reflete as incertezas no fornecimento e os efeitos diretos sobre a logística internacional. A consultoria aponta que diversos fornecedores retiraram temporariamente suas ofertas do mercado, aguardando maior clareza sobre a formação de preços e o impacto das tensões na região.

    De acordo com o analista de Inteligência de Mercado, Tomás Pernías, a instabilidade também afeta a produção no Oriente Médio. “Após os ataques no Catar, parte das fábricas reduziu suas operações, o que já reduz a disponibilidade global de produtos nitrogenados”, afirma.

    Logística comprometida no Estreito de Hormuz

    A navegação no Estreito de Hormuz, rota por onde passa grande parte das exportações de ureia e gás natural, enfrenta restrições. O bloqueio parcial da região paralisa embarques de insumos essenciais, como fertilizantes e enxofre, e agrava a pressão sobre os preços.

    Pernías destaca que o Oriente Médio responde por cerca de 40% das exportações mundiais de ureia. “Qualquer interrupção prolongada pode causar desequilíbrio significativo na oferta global, principalmente se o conflito persistir por semanas ou meses”, alerta.

    Efeitos nos Estados Unidos e no Brasil

    Nos Estados Unidos, a escassez tende a se manifestar primeiro. O país entra no período de preparação para a safra de primavera, quando a demanda por fertilizantes cresce rapidamente. Assim, a alta internacional pode encarecer os custos do produtor e reduzir margens no campo.

    Já no Brasil, o impacto deve ser mais suave no curto prazo. As compras de nitrogenados se intensificam apenas no segundo semestre, com foco na safrinha de milho. Mesmo assim, importadores demonstram cautela e avaliam postergar negociações à espera de maior estabilidade.

    “Apesar da expectativa de ajuste, o cenário segue imprevisível. Não há garantia de uma correção nos preços enquanto persistirem as incertezas geopolíticas”, conclui Pernías.

  • Conflito no Oriente Médio pode impulsionar exportações de combustível do Brasil

    Conflito no Oriente Médio pode impulsionar exportações de combustível do Brasil

    O agravamento das tensões no Oriente Médio pode gerar efeitos mistos no comércio exterior brasileiro. O cenário pode elevar exportações de combustíveis e reduzir temporariamente vendas de alimentos. A avaliação é do diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Herlon Brandão.  Ele comentou o cenário nesta quinta-feira (5), durante análise dos dados da balança comercial brasileira.

    Segundo Brandão, conflitos na região costumam pressionar o preço do petróleo no mercado internacional.
    Com isso, o Brasil pode ampliar receitas externas com combustíveis. “O Brasil é exportador líquido de petróleo. Se o preço subir, o saldo do comércio de combustíveis tende a crescer”, afirmou.

    Oriente Médio é grande comprador de alimentos brasileiros

    Apesar do possível ganho com combustíveis, o conflito pode afetar temporariamente exportações de alimentos.
    Países do Oriente Médio compram produtos importantes do agronegócio brasileiro. Entre eles estão carne de frango, milho, açúcar e produtos halal, produzidos conforme normas islâmicas.

    Mesmo assim, Brandão avalia que o impacto deve ser temporário. “A demanda por alimentos nesses países não desaparecerá. Os fluxos comerciais tendem a se normalizar”, explicou.

    Os dados do Mdic mostram forte dependência regional em alguns produtos. Cerca de 32% das exportações brasileiras de milho seguem para o Oriente Médio. A região também recebe 30% das vendas de carne de frango brasileira. Além disso, responde por 17% das exportações de açúcar e 7% da carne bovina.

    Exportações para os Estados Unidos continuam em queda

    Os dados da balança comercial também indicam mudanças no comércio com parceiros estratégicos. Em fevereiro, o Brasil exportou US$ 2,523 bilhões para os Estados Unidos. O valor representa queda de 20,3% frente ao mesmo mês do ano passado. As importações também recuaram 16,5%, somando US$ 2,788 bilhões.
    Com isso, o saldo comercial ficou negativo em US$ 265 milhões.

    Essa foi a sétima queda consecutiva das vendas brasileiras ao mercado norte-americano. O movimento reflete a sobretaxa de 50% imposta pelo governo do presidente Donald Trump em 2025. No fim de fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a tarifa. Entretanto, os efeitos positivos na balança comercial devem aparecer apenas nos próximos meses.

    Exportações brasileiras para a China crescem

    Enquanto isso, o comércio com a China seguiu em trajetória oposta. Em fevereiro, as exportações brasileiras para o país asiático somaram US$ 7,220 bilhões. O resultado representa crescimento de 38,7% frente aos US$ 5,206 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Por outro lado, as importações de produtos chineses caíram 31,3%.
    O total importado alcançou US$ 5,494 bilhões.

    Assim, o Brasil registrou superávit de US$ 1,73 bilhão na relação comercial com o país asiático. Segundo Brandão, um fator relevante influenciou as estatísticas de importação. O Brasil comprou uma plataforma de petróleo avaliada em cerca de US$ 2,5 bilhões. A aquisição ocorreu junto à Coreia do Sul e impactou as estatísticas regionais.

    União Europeia amplia compras de produtos brasileiros

    O comércio com a União Europeia também apresentou resultado positivo. Em fevereiro, as exportações brasileiras para o bloco cresceram 34,7%. As vendas alcançaram US$ 4,232 bilhões no período. Enquanto isso, as importações europeias recuaram 10,8%. O total importado somou US$ 3,301 bilhões. Assim, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 931 milhões com o bloco.

    Comércio com Argentina registra retração

    No comércio com a Argentina, as vendas e as compras recuaram. As exportações brasileiras caíram 26,5% e somaram US$ 1,057 bilhão. As importações também diminuíram 19,2%, totalizando US$ 850 milhões. Mesmo com a retração, o Brasil manteve superávit comercial. O saldo positivo com o país vizinho chegou a US$ 207 milhões.

    China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina seguem entre os principais parceiros comerciais do Brasil.
    Esses mercados influenciam diretamente o desempenho da balança comercial brasileira.

  • Conflito no Oriente Médio preocupa setor de frango

    Conflito no Oriente Médio preocupa setor de frango

    O conflito no Oriente Médio acendeu um alerta no setor brasileiro de carne de frango. A região recebeu quase 25% das exportações brasileiras da proteína em 2025. Os agentes consultados pelo Cepea monitoram o cenário e avaliam possíveis impactos no comércio exterior.

    Oriente Médio concentra grandes compradores

    Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita figuram entre os principais destinos da carne de frango brasileira.
    Os Emirados lideram o ranking de importadores. Já a Arábia Saudita ocupa a terceira posição entre os mercados compradores. Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam forte volume embarcado em 2025.
    O Brasil enviou mais de 877 mil toneladas de carne de frango para esses dois países no período.

    Conflito pode suspender novos embarques

    Agentes de mercado relatam preocupação com novos agendamentos de exportação para a região. Segundo consultados pelo Cepea, o conflito pode levar à suspensão de embarques para o Oriente Médio. Além disso, países próximos já enfrentam reflexos das tensões geopolíticas. Entre eles estão Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Líbano.

    Outro fator elevou o alerta no comércio internacional. O Irã anunciou o fechamento do estreito de Ormuz na segunda-feira (2). A rota marítima é estratégica para o comércio com países da Península Arábica.

    Setor avalia redirecionar carne para outros mercados

    Diante do cenário, agentes analisam redirecionar a carne de frango para outros mercados internacionais.
    Os países afetados compram principalmente frango inteiro do Brasil. Porém, a mudança enfrenta desafios logísticos, legais e fitossanitários no comércio exterior. Esses fatores podem dificultar a realocação rápida dos embarques.

    Mercado interno surge como alternativa

    Caso as exportações sejam fortemente afetadas, parte da produção pode seguir para o mercado interno. Essa alternativa, porém, também traz novos desafios para a cadeia produtiva. O setor precisaria adaptar embalagens, etiquetas e outros requisitos comerciais. Essas mudanças exigem ajustes operacionais e planejamento das empresas exportadoras.

     

  • Comida mais cara: conflito no Oriente Médio pressiona preços de fertilizantes

    Comida mais cara: conflito no Oriente Médio pressiona preços de fertilizantes

    A escalada da tensão no Oriente Médio acendeu um alerta vermelho no mercado global de fertilizantes. De acordo com uma análise da StoneX, empresa de serviços financeiros, a região concentra uma fatia expressiva da oferta mundial, e qualquer interrupção pode reconfigurar os preços internacionais.

    Dados de 2024 mostram o peso da área no comércio global: o Oriente Médio responde por 41% das exportações mundiais de ureia, 28% das de amônia e 29% das vendas internacionais de DAP, um dos principais fertilizantes fosfatados. Diante desses números, a instabilidade geopolítica já provoca os primeiros reflexos: a incerteza leva fornecedores locais a retirarem suas ofertas do mercado, reduzindo temporariamente a disponibilidade do produto.

    Retirada de ofertas e risco logístico já afetam o mercado

    O mercado opera com cautela. Enquanto investidores aguardam desdobramentos para precificar os riscos, a primeira consequência prática é a contração da oferta. A logística agrava o cenário. Navios evitam trafegar pelo Estreito de Hormuz, rota vital para o escoamento de fertilizantes. Essa interrupção nos fluxos pode atrasar entregas e elevar os custos com frete, afetando importadores ao redor do globo.

    A valorização do petróleo, outro efeito colateral da crise, também pressiona o setor. O aumento dos custos de combustíveis impacta diretamente os fretes internacionais, tornando os insumos mais caros para países que dependem de importações, como o Brasil.

    Irã, no centro do conflito, é peça-chave para as exportações

    O epicentro da crise, o Irã, ocupa uma posição estratégica. Em 2024, o país foi responsável por 11% das exportações mundiais de ureia e 5% das de amônia. Dados não oficiais apontam que o Brasil importou cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia iraniana no ano passado, o que representa aproximadamente 16% de todas as suas compras externas do produto.

    Um eventual bloqueio ou redução da capacidade de exportação iraniana teria, portanto, um impacto significativo sobre os compradores globais. Com efeito particularmente relevante para o Brasil, altamente dependente desses nitrogenados.

    Calendário agrícola brasileiro ameniza impacto imediato, mas cenário exige atenção

    Apesar do risco, o momento do calendário agrícola mundial oferece um certo alívio ao Brasil. O país está fora da janela de alta temporada para compras de nitrogenados. No curto prazo, nações como Estados Unidos, Austrália e parte da Europa, que estão em períodos de maior demanda, devem sentir os impactos de forma mais direta.

    Ainda assim, o mercado já trata o conflito como um fator de alta. A relevância do Oriente Médio e do Irã na produção global de fertilizantes coloca o setor em estado de atenção. A principal dúvida que paira sobre o futuro dos preços é a duração do conflito, a extensão dos danos à infraestrutura e o número de países que podem ser arrastados para a crise. Essas variáveis determinarão se o impacto será um solavanco passageiro ou uma mudança duradoura no custo da produção agrícola mundial.

  • Guerra no Oriente Médio vai encarecer diesel, comida e insumos agrícolas no Brasil

    Guerra no Oriente Médio vai encarecer diesel, comida e insumos agrícolas no Brasil

    Na madrugada deste sábado, EUA e Israel deflagraram ataques aéreos simultâneos contra Teerã, Qom, Isfahan, Tabriz e Kermanshah. O Irã respondeu com mísseis em bases americanas no Golfo e em Tel Aviv. O conflito não é apenas uma crise diplomática. Para o Brasil, representa uma ameaça concreta à cadeia produtiva do agronegócio, ao preço do combustível e à estabilidade do câmbio.

    O canal mais imediato entre a guerra e o bolso do brasileiro passa pelo barril de petróleo. Com o Estreito de Ormuz, por onde circula entre 20% e 30% de todo o petróleo do mundo, sob ameaça, analistas projetam que o preço pode saltar dos atuais US$ 71 para uma faixa entre US$ 120 e US$ 150. Cenários extremos, que envolvem o fechamento total do estreito, chegam a projetar valores acima de US$ 300.

    O Brasil depende fortemente do transporte rodoviário para escoar a produção do campo. Qualquer alta no diesel chega ao produtor rural antes mesmo de chegar ao consumidor final, e chega rápido. A inflação que começa no frete termina na prateleira do supermercado.

    Há um ângulo positivo, mas limitado: a Petrobras e os exportadores brasileiros de petróleo bruto ganham com a alta do barril. O risco, porém, é a pressão política por reajuste nos preços domésticos da gasolina, o que retroalimenta o ciclo inflacionário.

    Agronegócio: dois golpes em sequência

    O setor que mais sente o choque é o agronegócio, e por dois caminhos distintos. O primeiro é a dependência de fertilizantes importados. O Brasil compra do exterior cerca de 80% dos insumos que usa no campo. E o Irã figura entre os principais fornecedores de ureia, essencial para as safras de soja e milho. Um bloqueio nas rotas marítimas ou sanções ao comércio iraniano encarece esses insumos, aumenta o custo de produção e, no médio prazo, pressiona os preços dos alimentos.

    O segundo golpe vem do lado das exportações. O Irã foi, em 2025, o segundo maior destino do agronegócio brasileiro em volume, com US$ 2,9 bilhões em compras. O milho sozinho respondeu por US$ 1,9 bilhão, quase 68% do total. E a soja contribuiu com outros 19,3%. Um conflito prolongado fecha esse mercado de maneira abrupta, sem substituto imediato no horizonte.

    Câmbio e juros: o impacto macroeconômico

    Crises geopolíticas globais favorecem o dólar em detrimento de moedas emergentes. O real tende a se desvalorizar, o que encarece as importações, entre elas, os fertilizantes. E obriga o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa na condução da política monetária.

    O cenário mais preocupante é aquele em que o conflito se prolong. Nesse caso, o Fed americano deve manter os juros na faixa entre 3,5% e 3,75% por mais tempo, reduzindo o fluxo de capital para países emergentes. O PIB brasileiro, que já enfrenta projeção de crescimento de apenas 1,8% em 2026, ficaria ainda mais pressionado.

    Há algum lado positivo?

    Sim, mas circunscrito. Uma mudança de regime no Irã poderia, no médio prazo, ampliar a oferta global de petróleo e derrubar os preços. O que favoreceria a competitividade do agronegócio brasileiro. Por ora, porém, a incerteza domina o cenário e os riscos superam as oportunidades.

    O impacto mais imediato e certo já chegou: o preço do petróleo sobe e o diesel encarece. O risco mais grave, ainda incerto, é a combinação entre a perda do mercado iraniano para milho e soja e o encarecimento dos fertilizantes. Tudo depende de quanto tempo o conflito durar e se o Estreito de Ormuz de fato fechar. O Brasil torce para que seja uma crise curta. O agronegócio, mais do que qualquer outro setor, sabe o que está em jogo.

  • Conflito entre Irã e Israel ameaça fertilizantes no Brasil

    Conflito entre Irã e Israel ameaça fertilizantes no Brasil

    A escalada de tensões entre Irã e Israel acendeu o alerta no setor de fertilizantes no Brasil. O conflito no Oriente Médio traz riscos diretos aos custos de produção agrícola.

    Ureia

    O motivo da preocupação está na ureia. O Brasil importa 17% desse fertilizante diretamente do Irã, um dos maiores exportadores da região.

    O Irã produz cerca de 9 milhões de toneladas de ureia por ano. Desse total, entre 4,5 e 5,5 milhões de toneladas são exportadas anualmente.

    Fertilizantes importados

    A dependência brasileira de fertilizantes importados é alta. Atualmente, mais de 80% do consumo nacional vem do mercado internacional. No caso da ureia, a dependência é total. Em geral, em 2024, o Brasil importou 100% da ureia utilizada na agricultura.

    Momento de alerta

    Neste período, os produtores estão atentos à compra de insumos. Ou seja, muitos já iniciaram as aquisições para a safra de verão, que começa em setembro. Além disso, alguns agricultores também antecipam a compra de adubos, sementes e defensivos para a safrinha de 2026.

    O cenário fica mais desafiador com o aumento nos preços internacionais dos fertilizantes. As commodities agrícolas, por outro lado, não acompanham essa valorização. Portanto, essa defasagem pressiona ainda mais as margens dos produtores rurais brasileiros. O setor teme novos aumentos nos custos com a continuidade do conflito.

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  • Conflito entre Israel e Irã pode pressionar preços no Brasil

    Conflito entre Israel e Irã pode pressionar preços no Brasil

    A escalada da guerra entre Israel e Irã já provoca impactos econômicos. O Brasil, como parte do mercado global, sente os efeitos. Ou seja, o risco de um confronto direto entre um país com armas nucleares, como Israel, e outro em busca delas, como o Irã, cresce a cada dia. Contudo, os efeitos vão além da esfera militar. A tensão no Oriente Médio gera incerteza nos mercados e pressiona os preços.

    Estreito de Ormuz pode ser fechado

    O Irã ocupa uma posição estratégica no Golfo Pérsico. O país controla o Estreito de Ormuz, fundamental para o comércio global. Em resumo, por essa rota passam combustíveis fósseis e produtos importados pela Arábia Saudita. O país mantém relação próxima com os Estados Unidos, mas rivaliza com o Irã.

    Exportadores brasileiros também dependem da região. A Arábia Saudita e os Emirados Árabes são grandes compradores de carne bovina do Brasil. Além disso, cerca de 25% do petróleo mundial cruza o Estreito de Ormuz. Isso inclui petróleo do Irã e de países como Arábia Saudita, Kuwait, Iraque e Emirados.

    Após ataques israelenses, o governo iraniano ameaçou fechar o estreito. A agência IRA Novosti divulgou a informação nesta sexta-feira (14). Apenas a possibilidade já trouxe impactos. A Frontline, uma das maiores petroleiras do mundo, anunciou que vai evitar a rota de Ormuz.

    Petróleo dispara e pressiona economia

    Mesmo sem bloqueio total, a crise já afeta os preços. O petróleo subiu 7,26% apenas na sexta-feira (13). Desde 10 de junho, quando surgiram os primeiros rumores de ataque, a alta acumulada chegou a 12,3%. A tendência é de novas elevações.

    Israel atacou quatro alvos estratégicos no Irã. Foram bombardeadas refinarias em Shahran, South Pars e Fajr Jam, além de um porto de gás natural.

    Devido a sanções do Ocidente, o Irã vende petróleo principalmente à China. Por isso, o impacto direto sobre o Ocidente é limitado. Entretanto, como o petróleo é uma commodity, a oferta menor eleva os preços. A China buscará novos fornecedores, aumentando a disputa global.

    O Irã possui a quarta maior reserva mundial de petróleo. Portanto, fica atrás apenas de Venezuela, Arábia Saudita e Canadá.

    Preços devem subir no Brasil

    Com o petróleo mais caro, os reflexos chegam rápido. O impacto direto será sentido nos postos de combustíveis. Além disso, produtos importados ou fabricados com peças externas também vão encarecer. O transporte rodoviário, essencial para abastecer os supermercados, também deve ficar mais caro. Isso pressionará os preços ao consumidor.

    Dólar sobe em meio à instabilidade

    O avanço da guerra aumenta a volatilidade no mercado internacional. O temor de uma escalada envolvendo potências como os EUA preocupa investidores. Nesses momentos, o mercado busca segurança no dólar. A moeda americana tende a se valorizar, pressionando o real. Ao mesmo tempo, com o dólar mais caro, as importações ficam mais pesadas. Commodities e seus derivados também sobem de preço no Brasil.

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