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  • Comunidades ribeirinhas recebem cartilha sobre conservação do pirarucu

    Comunidades ribeirinhas recebem cartilha sobre conservação do pirarucu

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) distribuiu 700 cartilhas que apresentam os resultados do Programa de Manejo Sustentável de Pirarucu para as comunidades participantes no Estado do Amazonas. O material reúne dados e experiências acumuladas desde 1999, quando o programa teve início.

    A publicação, elaborada pela Coordenação de Uso Sustentável da Fauna e da Biodiversidade (Cofap), detalha a formação, a importância e os resultados do manejo a partir das experiências da Superintendência do Ibama no Amazonas, que monitora e apoia as iniciativas. As cartilhas chegaram às secretarias municipais de educação para abastecer as escolas envolvidas nos projetos de educação ambiental, fortalecendo a participação comunitária.

    O manejo do pirarucu (Arapaima gigas) se consolidou no Amazonas como um processo exemplar de gestão compartilhada dos recursos naturais. Os lagos destinados ao manejo estão localizados em unidades de conservação federais e estaduais, terras indígenas e áreas de acordo de pesca, beneficiando diretamente as comunidades ribeirinhas.

    A iniciativa gera impacto positivo tanto na conservação da espécie quanto na melhoria da economia local. As comunidades conseguem evitar invasões de pescadores irregulares aos ambientes aquáticos e proteger a biodiversidade da região Amazônica.

    Em 2025, o Ibama implementou o Programa Arapaima por meio da Portaria nº 22/2025. Com a medida, o instituto busca incentivar e avaliar a viabilidade de expandir a iniciativa para outros estados da bacia hidrográfica do rio Amazonas. Reconhecendo o potencial dessas regiões para a conservação e o uso responsável da espécie.

  • Como o chocolate fino está salvando a Amazônia

    Como o chocolate fino está salvando a Amazônia

    Imaginem uma clareira no coração da Amazônia. O ar, úmido e quente, carrega um aroma inconfundível: chocolate. Dentro de um domo geodésico que mais parece uma nave espacial pousada na floresta, Jhanne Franco observa um grupo de alunos. Eles não estão colhendo cacau para vender como commodity a preços baixos. Eles estão dominando, da amêndoa à barra, a arte de fazer chocolate fino.

    Essa cena, na comunidade Surucuá, às margens do Rio Tapajós, é a face mais tangible de uma revolução silenciosa. Uma nova geração de fabricantes de chocolate no Brasil está reescrevendo as regras do jogo. Eles não produzem apenas doces; eles criam barras com “identidade”, capazes de contar a história da floresta e, ao mesmo tempo, protegê-la.

    Da semente à oportunidade

    O projeto é um braço do Instituto Amazônia 4.0. A ideia, germinada pelos cientistas Carlos e Ismael Nobre, é simples na teoria e ousada na prática: construir uma bioeconomia que valorize a floresta em pé. Em vez de ver a Amazônia apenas como fornecedora de matéria-prima bruta, a iniciativa ensina as comunidades a transformarem seu tesouro biológico em produtos de alto valor.

    “Costumávamos jogar fora as sementes de cupuaçu. Agora, fazemos cupulate com elas”, conta Mariane Souza Chaves, uma agricultora local, em um depoimento que sintetiza a mudança de mentalidade. O cupulate, primo frutado do chocolate, é uma das inovações que surgem dos Laboratórios Criativos da Amazônia, as biofábricas móveis e sustentáveis do projeto.

    A lógica econômica é irrefutável. Enquanto um quilo de cacau no mercado convencional pode valer cerca de R$ 10, um quilo de chocolate artesanal de qualidade alcança facilmente R$ 300. É um valor agregado de mais de 2.000% que, se ficar nas mãos das comunidades, se transforma em um poderoso antídoto contra o desmatamento.

    A fábrica portátil do futuro

    A biofábrica em Surucuá é um espetáculo de inovação. Alimentada por 60 painéis solares, a estrutura chega de barco, é montada em dias e começa a operar. Dentro, máquinas de pequena escala, todas automatizadas, torram as amêndoas de cacau e refinam a massa. Os alunos programam receitas em um sistema, que guia todo o processo.

    Cacau sustentável

    “Você configura sua receita passo a passo, e o sistema envia informações para o equipamento. Ele avisa quando você precisa adicionar um ingrediente”, explica Jhanne Franco, enfatizando que o objetivo não é dar uma receita pronta, mas ensinar a ciência por trás do chocolate. O resultado são criações únicas, misturadas com frutas e especiarias da própria floresta, como uma barra com um toque picante que lembra canela – o segredo bem guardado de uma aluna.

    Um novo modo de vida

    Francisco Maia, que ajudou a trazer a biofábrica para Surucuá após cinco dias de estrada e seis horas de barco, vê a iniciativa como um “novo modo de vida”. Gera renda, melhora a qualidade de vida e, o mais importante, dá aos jovens uma razão para ficar.

    “Essa renda alternativa é um incentivo para os jovens permanecerem aqui e preservarem nosso conhecimento cultural”, reforça Mariane.

    Após o treinamento, a biofábrica móvel seguirá para a próxima comunidade ribeirinha ou quilombola, deixando para trás parte do equipamento e, principalmente, o conhecimento. O projeto é itinerante, mas seu legado é permanente: a prova concreta de que é possível criar uma economia próspera que não explora a Amazônia, mas que celebra e sustenta a sua imensa riqueza.

    E no final, tudo se resume a isso: o gosto complexo e profundo de um chocolate que carrega, em cada pedaço, o sabor da inovação, o aroma da resistência e a doce promessa de um futuro para a floresta

  • Comunidades ribeirinhas trocam alimentação tradicional por produtos industrializados

    Comunidades ribeirinhas trocam alimentação tradicional por produtos industrializados

    Ribeirinhos da Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, consomem cada vez menos peixe, farinha de mandioca e frutas locais. No lugar desses alimentos tradicionais, arroz branco, macarrão instantâneo, refrigerantes e óleo vegetal dominam a mesa das famílias. Um estudo do Instituto de Biociências (IB) da USP documenta essa transformação radical e aponta consequências graves para a saúde e a cultura dessas comunidades.

    A bioantropóloga Mariana Inglez conduziu a pesquisa entre 2019 e 2023, conquistando o prêmio Tese Destaque USP na categoria Inclusão Social e Cultural. Os números revelam uma mudança drástica: o consumo de gorduras provenientes de alimentos comprados saltou de 21% para 71% em duas décadas. Proteínas e carboidratos industrializados também triplicaram na dieta local.

    Nutricídio ameaça identidade cultural

    O termo “nutricídio” define esse processo. O médico Llaila O Afrika criou o conceito em 1993 para descrever como populações marginalizadas perdem acesso a uma alimentação saudável. A pesquisa mostra que essa perda vai além da nutrição e atinge a identidade cultural.

    “Quando falo nessa transição nutricional, estou falando da substituição de alimentos que fazem parte da identidade de um povo, que têm uma relação com o ambiente e uma relação com aspectos simbólicos, culturais e afetivos. Geralmente são alimentos muito mais saudáveis”, explica Mariana ao Jornal da USP.

    Mara, moradora de uma das comunidades estudadas, confirma a mudança. “Antes a gente consumia basicamente alimentos naturais, por exemplo, o peixe que a gente pescava, a caça, a farinha que produzimos aqui mesmo. No café da manhã, tomava com uma farinha de tapioca ou uma tapioquinha. Hoje em dia, houve um avanço na questão da alimentação industrializada”, relata. O Jornal da USP optou por não identificar seu sobrenome e a comunidade onde vive para preservar sua segurança e privacidade.

    Mulheres sofrem mais com transição alimentar

    Mariana analisou 177 participantes entre adultos, jovens e crianças. Todos ganharam peso nas últimas duas décadas, mas as mulheres enfrentam os piores impactos. Elas apresentam maior risco de desenvolver hipertensão, obesidade e diabetes.

    “Geralmente as mulheres deixam ‘as melhores partes’ para os parceiros e para as crianças. Então, são as primeiras que vão enfrentar a insegurança alimentar e aí, consecutivamente, as que mais vão consumir alimentos ultraprocessados, que não têm tanto poder nutritivo, mas que são mais calóricos”, afirma a pesquisadora.

    Políticas públicas inadequadas agravam problema

    A pesquisa aponta falhas nas políticas de alimentação. Cestas básicas distribuídas às comunidades contêm majoritariamente ultraprocessados, incompatíveis com a cultura alimentar ribeirinha. A merenda escolar repete o erro, contrariando as orientações do Guia Alimentar para a População Brasileira (GAPB).

    O Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP desenvolveu o guia em 2014, junto com o Ministério da Saúde. O documento orienta profissionais e políticas públicas sobre alimentação saudável, mas suas recomendações não chegam adequadamente às comunidades tradicionais.

    A pandemia de covid-19 agravou a insegurança alimentar. A crise interrompeu cadeias de abastecimento e fontes de renda locais. “Os povos tradicionais, negros, afro-indígenas, ribeirinhos e periféricos foram grupos mais vulneráveis durante a pandemia”, diz Mariana. Para ela, o sistema atual perpetua desigualdades que começaram na prática colonial.

    Mudanças climáticas reduzem disponibilidade de alimentos locais

    A crise climática adiciona mais um obstáculo. Chuvas diminuem, temperaturas sobem e a produção agrícola encolhe. Os rios oferecem menos peixes. As comunidades encontram cada vez mais dificuldade para depender exclusivamente dessas fontes.

    Foto: Mariana Inglez/ Jornal da USP

    “Hoje em dia o feijão que vem é industrializado, mas antes a gente comia o feijão que plantávamos, [atualmente] raramente se planta aqui na nossa comunidade”, conta Mara.

    Ribeirinhos ainda preferem alimentação tradicional

    Mariana comparou seus dados com informações coletadas entre 2002 e 2009 por Bárbara Piperata, referência em antropologia nutricional na Amazônia. A pesquisadora conviveu diretamente com as comunidades durante quatro anos e constatou que a preferência local permanece inalterada.

    “Existe uma percepção local do que é uma comida de verdade que faz bem para a saúde, e não é comida ultraprocessada. Então, quando existe a possibilidade de escolher, vão comer um peixe cozido com farinha”, afirma.

    A tese “Transição nutricional em comunidades ribeirinhas da Amazônia brasileira: ‘escolhas’ entre alimentos tradicionais e industrializados na região de Caxiuanã, Pará, Brasil” defende uma abordagem biocultural. O professor Rui Sérgio Sereni Murrieta orientou o trabalho no Programa de Pós-Graduação em Ciências (Genética e Biologia Evolutiva) do IB-USP.

    A pesquisa integra dimensões biológicas, socioculturais, econômicas e ambientais para compreender alimentação, saúde e modos de vida na região. Adota um ponto de vista decolonial que valoriza a vivência das populações ribeirinhas e as coloca no centro do debate sobre saúde humana e ambiental.

    Por Mariana Inglez/Jornal da USP

  • Feijões da Amazônia têm 27% de proteína e superam média mundial

    Feijões da Amazônia têm 27% de proteína e superam média mundial

    Escondidos nas margens dos rios amazônicos, feijões cultivados por comunidades tradicionais do Acre revelam teores nutricionais que surpreendem a ciência. As variedades Costela de Vaca e Manteiguinha Branco, do tipo caupi, apresentam até 27% de proteína em sua composição – 35% acima da média mundial e significativamente superiores aos 20% encontrados em outras regiões do Brasil.

    Pesquisadores desenvolveram no Vale do Juruá uma pesquisa inédita que resultou na descoberta e integra a tese de doutorado “Qualidade nutricional e armazenamento de feijões do Juruá no Acre”, elaborada pela professora Guiomar Almeida Sousa, do Instituto Federal do Acre (Ifac), sob orientação do pesquisador da Embrapa Acre, Amauri Siviero.

    Antioxidantes em níveis recordes

    Além da alta concentração proteica, o estudo identificou teores impressionantes de antocianinas nas variedades Preto de Arranque e Preto de Praia. Essas substâncias antioxidantes naturais atingiram índices entre 420 e 962 microgramas por grama, superando largamente as variedades brancas e coloridas tradicionais.

    A ciência reconhece que as antocianinas combatem o envelhecimento celular e ajudam a prevenir doenças como câncer, problemas cardíacos e Alzheimer. Pesquisadores da Embrapa Acre realizaram as análises nutricionais no laboratório de Bromatologia, avaliando 14 variedades cultivadas ao longo dos rios Juruá, Breu, Tejo e Amônia.

    Agricultores familiares guardam patrimônio genético

    Agricultores familiares cultivam as variedades de maior valor nutricional em sistemas agrícolas tradicionais e realizam grande parte dos plantios durante o período seco, nas praias dos rios da região.

    “Essas variedades possuem pouco ou nenhum estudo, o que deixa claro que ainda temos muito a conhecer sobre elas”, afirma a professora Guiomar Almeida Sousa.

    Costela de Vaca, o segundo na linha superior, e Manteiguinha Branco, o primeiro na inferior. Foto: Amauri Siviero /Embrapa

    Segundo a pesquisadora, o conhecimento sobre a composição nutricional pode contribuir para a valorização do produto no mercado e maior geração de renda. “Esses aspectos favorecem a busca por mercados mais justos para os feijões do Juruá”, reforça.

    Conservação natural surpreende pesquisadores

    O estudo comprovou outra característica notável: após 12 meses de armazenamento em diferentes embalagens, os grãos mantiveram integralmente seus valores nutricionais.

    “Esse é um ponto muito importante, considerando que as sementes são selecionadas e manejadas por agricultores familiares, indígenas, quilombolas e outros povos tradicionais. Ao longo dos anos, foram sendo adaptadas às formas de manejo dessas populações e às condições específicas de seus locais de cultivo”, explica Siviero.

    Marechal Thaumaturgo: capital dos feijões amazônicos

    Durante três anos, a pesquisa mapeou a diversidade de feijões no Acre e revelou Marechal Thaumaturgo como o município com maior variedade: 23 tipos diferentes de feijões, entre comuns (Phaseolus vulgaris) e caupi (Vigna unguiculata).

    O acesso ao município, possível apenas por via fluvial ou aérea, reforça a importância da produção local para a segurança alimentar regional.

    “Vimos que o feijão-comum é cultivado em terra firme, enquanto o feijão-caupi cresce em várzeas, em pequenos roçados de um hectare, por agricultores familiares. Na região do Baixo Acre, a mais populosa, predomina o cultivo de apenas três variedades”, destaca Siviero.

    Centro mundial de conservação de feijões

    “O Vale do Juruá pode ser considerado um dos principais centros de conservação on farm de feijões caupi e comum do mundo”, afirma Eduardo Pacca, professor da Universidade Federal do Acre (Ufac) que pesquisa agrobiodiversidade regional.

    Foto: Felipe Sá/Embrapa

    A sistematização da ocorrência de variedades crioulas resultou na elaboração do mapa de distribuição de feijões no Acre, confirmando que o cultivo ocorre em todos os municípios, mas a maior diversidade concentra-se no Vale do Juruá.

    Caminho para mercados premium e selos de qualidade

    Siviero aponta que o conhecimento sobre as características nutricionais pode incentivar o desenvolvimento de mercados selecionados, onde consumidores estejam dispostos a pagar por um feijão diferenciado.

    Em setembro de 2024, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) lançou o Selo Povos e Comunidades Tradicionais do Brasil, que visa valorizar produtos de populações tradicionais. Associações e cooperativas podem requerer esse reconhecimento para os feijões crioulos.

    Segundo Pacca, os feijões do Juruá têm potencial para obter certificação orgânica e selo de Indicação Geográfica, a exemplo da farinha de mandioca da região. “Daí a vantagem de embalar a vácuo, como forma de evitar o uso de inseticidas contra insetos-praga de grãos armazenados”, destaca.

    Projeto mapeia sistemas agrícolas ancestrais

    Os feijões do Vale do Juruá estão sendo mapeados pelo projeto “Registro dos Sistemas Agrícolas Tradicionais do Alto Juruá” (RSAT Alto Juruá), que reúne pesquisadores da Embrapa Acre, Embrapa Amazônia Ocidental, Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Solos, Ufac e Ifac.

    Plantio de feijão na praia do Vale do Juruá. Foto: Felipe Sá/Embrapa

    Em agosto de 2025, a equipe percorreu mais de 190 quilômetros de barco pelo rio Juruá, visitando comunidades ribeirinhas em Marechal Thaumaturgo, Porto Walter, Rodrigues Alves, Mâncio Lima, Cruzeiro do Sul (AC), Ipixuna e Guajará (AM).

    “Os Sistemas Agrícolas Tradicionais representam mais do que formas de produzir alimentos. Os feijões do Vale do Juruá se perpetuam como herança passada entre gerações e como práticas de conservação da agrobiodiversidade”, explica Siviero, coordenador do projeto.

    Sabedoria ancestral produz e preserva

    A pesquisadora Elisa Wandelli, da Embrapa Amazônia Ocidental, destaca que a agricultura dos ribeirinhos do Juruá exemplifica sustentabilidade. “Vimos uma população sábia que mostra que é possível produzir alimento e cuidar da natureza ao mesmo tempo. Essa sabedoria ancestral guarda conhecimentos transmitidos por avós e bisavós que devem ser protegidos e melhor valorizados”, afirma.

    Pedro Bezerra da Silva, agricultor da Comunidade Novo Horizonte, em Porto Walter, planta macaxeira, banana e feijão todo ano. “Grande parte da alimentação da família vem do que plantamos e o que sobra vendo para aumentar a renda. Se eu não plantar, não tenho como comprar todos os alimentos na cidade”, diz.

    Ele relata mudanças climáticas na região: “Nos últimos anos, o verão tem ficado cada vez mais quente. Já teve ano de secar tudo quanto é broto de água até na mata”.

    Destaque na COP 30

    Os sistemas agrícolas tradicionais, alinhados aos princípios da agricultura sustentável, eixo central da COP 30, compõem a programação da AgriZone, espaço da Embrapa dedicado a iniciativas inovadoras e inclusivas.

    “Nossa participação na COP 30 reforça a necessidade de valorizar os registros dos sistemas agrícolas tradicionais no Brasil e no mundo, ao mesmo tempo em que busca sensibilizar formuladores de políticas públicas sobre a necessidade de criar ações específicas para fortalecer e proteger essas comunidades”, enfatiza Siviero.

  • Manejo sustentável do pirarucu é destaque em evento no Amazonas

    Manejo sustentável do pirarucu é destaque em evento no Amazonas

    O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) participou da 13ª Reunião do Coletivo do Pirarucu, realizada de 21 a 23 de maio na Inspetoria Nossa Senhora da Amazônia, em Manaus (AM). O encontro reuniu 81 participantes, entre pescadores indígenas, ribeirinhos, representantes de instituições públicas e organizações não governamentais, com o objetivo de fortalecer o manejo sustentável do pirarucu (Arapaima gigas) na região amazônica.

    Recentemente, o Ibama instituiu o Programa Arapaima (Portaria nº 22/2025) para incentivar práticas comunitárias que protegem os ambientes aquáticos naturais do pirarucu. O programa também fomenta a organização coletiva dos pescadores envolvidos no manejo e apoia a geração de benefícios socioeconômicos para as comunidades que conservam os ecossistemas de várzea amazônica.

    O Programa Arapaima prevê a elaboração de um plano de ação para aprimorar e fortalecer as etapas do manejo sustentável da espécie. As comunidades locais vão desenvolver o planejamento em parceria com a Superintendência do Ibama no Amazonas.

    Expansão e institucionalização do manejo sustentável

    Cristina Buck, coordenadora do Uso Sustentável da Fauna e da Biodiversidade Aquática do Ibama, destaca que o manejo do pirarucu começou no trecho médio do rio Solimões e hoje ocorre em 32 áreas, incluindo Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Áreas de Acordo de Pesca. Essa prática é conduzida por comunidades ribeirinhas e povos tradicionais.

    “A criação do Programa Arapaima representa uma nova etapa para valorizar esse trabalho, integrando-o melhor dentro do Ibama com metas e objetivos claros”, afirma Cristina. Ela ressalta que a institucionalização do programa permitirá garantir maior orçamento e estabelecer parcerias com universidades e institutos de pesquisa, fortalecendo a estratégia comunitária de conservação da Amazônia.

    Pesca responsável garante sustentabilidade do pirarucu

    A pesca do pirarucu manejado segue critérios técnicos rigorosos. Apenas 30% dos indivíduos adultos contados podem ser capturados. E 70% permanecem preservados para garantir a manutenção e o aumento dos estoques ao longo do tempo. Além disso, as comunidades realizam vigilância constante dos locais de pesca para proteger os ambientes aquáticos onde os peixes se reproduzem, assegurando a sustentabilidade do recurso.

    Walmir Nogueira, agente ambiental do Ibama que acompanha o manejo desde o início, destaca a importância social do trabalho. “Essa ação promove a união das comunidades, valorizando o esforço coletivo”, afirma. Ele explica que onde há manejo e unidade de conservação, o território se mantém preservado, pois a comunidade assume a responsabilidade pela proteção ambiental.

    “Proteger o pirarucu significa cuidar de toda a biodiversidade local, incluindo recursos naturais, espécies aquáticas e elementos terrestres”, complementa Walmir.

    A conservação do pirarucu gera resultados concretos, pois os recursos naturais não só se mantêm, mas também se fortalecem e se desenvolvem. Cristina Buck ressalta que esse sucesso depende da participação ativa das comunidades locais. Elas desempenham papel fundamental na proteção e no cuidado com o meio ambiente.

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  • Bioconex conecta comunidades ribeirinhas e impulsiona bioeconomia na Amazônia

    Bioconex conecta comunidades ribeirinhas e impulsiona bioeconomia na Amazônia

    Lançada em 2024 pela Fundação CERTI, por meio do Instituto CERTI Amazônia, a plataforma Bioconex está revolucionando a comercialização de produtos da bioeconomia na Amazônia. Este marketplace inovador conecta comunidades ribeirinhas diretamente com indústrias e consumidores em todo o Brasil, beneficiando cerca de 4.200 famílias envolvidas em atividades como coleta, beneficiamento e comercialização de produtos nativos da floresta.

    A Bioconex já promoveu a comercialização de produtos como açaí, castanha, cariru (hortaliça rica em nutrientes) e babaçu (utilizado nas indústrias farmacêutica, cosmética e alimentícia). Atualmente, o marketplace trabalha com 33 cadeias produtivas e oferece uma média de 10 subprodutos por cadeia, disponíveis em diferentes formas, como pó, óleo, farinha e in natura.

    Nos últimos seis meses, o volume de produtos anunciados na plataforma aumentou em média 20% ao mês. Mais de três toneladas de produtos foram cadastradas no período, com destaque para açaí e castanha. “Ao ampliar a visibilidade de iniciativas que priorizam a floresta em pé, contribuímos para o crescimento do mercado da bioeconomia e o aumento da renda das comunidades amazônicas”, destacou Marco Giagio, Diretor Geral do Instituto CERTI Amazônia.

    Tecnologia e rastreabilidade

    A Bioconex também oferece ferramentas tecnológicas avançadas para facilitar as transações comerciais. Entre elas estão:

    • Vem de Onde: garante a rastreabilidade dos produtos comercializados.
    • BI da Floresta: armazena dados estratégicos para suporte à gestão de negócios.

    Essas soluções permitem que empresas negociem diretamente com os produtores, identifiquem fornecedores e planejem a logística necessária para concretizar os negócios. “Buscamos contribuir para decisões estratégicas que envolvem não apenas preço, mas também custos logísticos e prazos de pagamento”, explicou Giagio.

    Exemplos de sucesso

    A cooperativa Amazônia Cooperar é uma das organizações que utiliza o Bioconex. Com mais de 50 comunidades ribeirinhas envolvidas, a cooperativa comercializa produtos como cacau, castanha e tucumã em diferentes formas: farinha, óleos e cremes. “O Bioconex amplia a visibilidade dos nossos produtos e é fácil de usar. Além disso, conta com suporte técnico especializado em bioeconomia”, afirmou Maria Carolina Farias, representante da cooperativa.

    Outra empresa que utiliza a plataforma é a Arvo – Produtos da Amazônia, localizada em Rio Branco (AC). A empresa cadastra produtos elaborados a partir do jatobá, como chás e temperos. “O Bioconex enfatiza a importância da preservação ambiental e nos ajuda a conectar nossos produtos tradicionais com novos mercados”, destacou Francisco Rodrigues Antropobos, sócio-diretor da Arvo.

    A expectativa é que até o final de 2025 o Bioconex atinja 100 organizações cadastradas, beneficiando cerca de 7 mil famílias na região amazônica. A plataforma reforça o papel estratégico da bioeconomia na preservação ambiental e no desenvolvimento sustentável das comunidades locais.

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