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  • Como o manejo do pirarucu virou fonte de renda e esperança na Amazônia

    Como o manejo do pirarucu virou fonte de renda e esperança na Amazônia

    Comunidades indígenas, pescadores artesanais e povos tradicionais da Amazônia poderão receber pagamento do governo federal pelo trabalho de conservação do pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo e símbolo da biodiversidade amazônica. O programa Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu) abriu nesta semana sua primeira chamada pública, com até R$ 15 milhões em recursos disponíveis para organizações comunitárias do Amazonas.

    O lançamento ocorreu durante a “Oficina PSA Pirarucu: Valorização do Manejo Comunitário na Amazônia”, realizada em Manaus e organizada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por meio do Projeto Floresta+ Amazônia. O evento reuniu cerca de 150 pessoas, entre beneficiários, representantes de associações, cooperativas e organizações parceiras. E contou com o apoio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Ibama.

    O que é o PSA Pirarucu e quem pode receber

    O programa reconhece e remunera financeiramente atividades que já são realizadas pelas comunidades, mas que até então não eram compensadas pelo poder público. São considerados serviços ambientais o zoneamento de lagos, a vigilância territorial, a contagem e manutenção dos estoques, a pesca controlada e a gestão territorial comunitária.

    Podem se inscrever associações, cooperativas e colônias de pescadores vinculadas a unidades de manejo autorizadas pelo Ibama. Desde que tenham CNPJ ativo, estatuto social registrado, ata de eleição da diretoria vigente e tenham entregado os relatórios anuais de manejo. O cadastramento deve ser feito em duas etapas: no Portal Gov.br e no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais (Sican), da Conab.

    Uma política construída junto com as comunidades

    Para a diretora de Política Agrícola e Informações da Conab, Naiara Bittencourt, que participou do evento, o lançamento representa um marco histórico. “É a primeira chamada pública do programa, tendo o pirarucu como primeiro produto, um alimento fundamental para a segurança alimentar de quem maneja e de quem consome. É uma política pública inovadora, construída junto com as comunidades. E que fomenta a geração de renda e reconhece o trabalho socioambiental na preservação da natureza”, afirmou.

    A diretora do Departamento de Políticas de Estímulo à Bioeconomia do MMA, Bruna De Vita, reforçou que o PSA complementa um trabalho de conservação construído ao longo de 26 anos de manejo do pirarucu. “A gente espera que, ao final do projeto, as organizações estejam ainda mais preparadas para acessar outras políticas públicas da agricultura familiar, como o Programa de Aquisição de Alimentos e o Sociobio Mais”, disse.

    Números que mostram a dimensão do manejo comunitário

    O impacto do manejo sustentável do pirarucu na Amazônia é expressivo. Atualmente, a atividade envolve cerca de 5.500 pessoas e 60 organizações, distribuídas em 41 áreas protegidas que somam mais de 20 milhões de hectares. Todos os anos, o programa mobiliza aproximadamente 2.500 ambientes aquáticos e permite o monitoramento de cerca de 1,2 milhão de peixes por meio de contagens participativas realizadas pelas próprias comunidades.

    Para a cacica do Povo Apurinã, Maria Dione, o programa chega como uma resposta concreta a décadas de esforço coletivo. “É mais uma renda para todos nós, manejadores, que estamos lutando para preservar o nosso rio, o nosso peixe e a nossa floresta. Antes, o peixe estava acabando e pensávamos nos nossos filhos e netos, que talvez não vissem mais pirarucu. Hoje, conseguimos tirar nossa cota e sobreviver bem do manejo”, relatou a liderança indígena.

    De onde vêm os recursos

    Os R$ 15 milhões destinados ao programa são provenientes de resultados de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) alcançados pelo Brasil na Amazônia em 2014 e 2015, oriundos do Fundo Verde para o Clima.

    A iniciativa integra ainda a Missão 2 do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio). E prevê salvaguardas socioambientais, com incentivo à participação das mulheres no manejo. A meta do governo é alcançar 300 mil beneficiários com pagamentos por serviços ambientais até 2036.

  • Novo flutuante impulsiona cadeia do pirarucu e bioeconomia na Amazônia

    Novo flutuante impulsiona cadeia do pirarucu e bioeconomia na Amazônia

    A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e o Bradesco entregaram um flutuante de pré-beneficiamento na comunidade de Ingaioara, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, em Fonte Boa (AM).

    A estrutura vai transformar o manejo do pirarucu, um dos maiores peixes da Amazônia, fortalecendo a bioeconomia local e valorizando o trabalho ribeirinho. O projeto integra a Cadeia Produtiva do Pirarucu Manejado, desenvolvido pela FAS com apoio estratégico do Bradesco. E mantém compromisso com o desenvolvimento sustentável das comunidades amazônicas.

    O flutuante oferece instalações que garantem higiene e conservação do pescado imediatamente após a captura, reduzindo perdas e garantindo melhor qualidade para o produto final. Com capacidade para processar até 53 toneladas de pirarucu inteiro eviscerado por safra, a estrutura atenderá mais de 80 manejadores de quatro comunidades locais.

    Além disso, o equipamento alia o conhecimento técnico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá com as práticas tradicionais dos próprios manejadores, reforçando a autonomia comunitária e otimizando a cadeia produtiva.

    Importância do investimento

    Raimundo “Birico” Gomes Ferreira, manejador da comunidade de Ingaioara, destacou a importância do investimento: “Criamos um regimento para cuidar do flutuante, que vai ajudar a organizar a produção e garantir um preço justo pelo nosso trabalho.” Desde 2021, o projeto estimula a participação de jovens e mulheres nas atividades de beneficiamento e comercialização do pirarucu, ampliando as oportunidades econômicas e sociais.

    O projeto alcançou resultados significativos nas fases anteriores. Em 2023, beneficiou 369 pessoas com capacitações que aperfeiçoaram técnicas tradicionais, elevando o preço médio do pirarucu e melhorando a renda das famílias ribeirinhas. Foram realizados treinamentos em gestão de negócios e educação financeira, com apoio de voluntários do Bradesco, que também contribuíram com palestras para fortalecer a autonomia financeira dos manejadores.

    Em eventos como a Feira do Pirarucu, promovida em Manaus, 153 manejadores comercializaram mais de 33 toneladas de peixe para cerca de 2.800 clientes. Consolidando o evento como referência em conciliação entre conservação ambiental e geração de renda.

    Parceria

    Além disso, o projeto é fruto de uma parceria entre FAS, Associação dos Moradores e Usuários da RDS Mamirauá Antônio Martins (Amurman), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Amazonas (Sema) e Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror).

    Silvana Machado, diretora-executiva de Recursos Humanos e Sustentabilidade do Bradesco, ressaltou que a iniciativa demonstra como preservar a floresta e desenvolver a economia local podem caminhar juntos. Ela afirmou que o flutuante consolida quatro anos de apoio contínuo do banco à cadeia produtiva do pirarucu. E reafirma o compromisso histórico da instituição com a região amazônica.

    O manejo segue cotas rigorosamente definidas cientificamente para garantir o equilíbrio ecológico e a reprodução da espécie. A população de pirarucus, que antes enfrentava risco de extinção, vem se recuperando consistentemente nas últimas décadas, segundo pesquisas do Instituto Mamirauá.

    Cada peixe comercializado simboliza a aplicação de um modelo coletivo, sustentável e responsável, conduzido pelas comunidades locais. Que agora contam com essa nova infraestrutura para ampliar ganhos e fortalecer a conservação ambiental.