Tag: Competitividade

  • Competitividade do frango frente ao suíno cai quase 70%

    Competitividade do frango frente ao suíno cai quase 70%

    A carne de frango perdeu competitividade frente à suína no mercado atacadista da Grande São Paulo. O movimento ocorreu após a queda dos preços das duas proteínas na primeira quinzena de julho, segundo dados do Cepea.

    Entre os dias 1º e 15 de julho, as cotações da carne suína, representada pela carcaça especial, e do frango resfriado recuaram em relação às médias de junho. Ainda assim, a proteína de frango perdeu espaço diante da carne suína.

    Competitividade do frango frente ao suíno

    Os pesquisadores do Cepea destacam que a diferença se torna ainda mais evidente na comparação anual. Entre as médias de julho de 2026 e julho de 2025, a competitividade do frango frente ao suíno caiu quase 70%. Esse desempenho resulta da forte desvalorização da carne de frango. Atualmente, a carcaça acumula queda real de 33,2% em relação a julho do ano passado.

    Mercado de ovos

    No mercado de ovos, a demanda enfraquecida também provocou mudanças nos preços. As vendas mais lentas reduziram a diferença entre as cotações dos ovos brancos e vermelhos nas regiões acompanhadas pelo Cepea.

    Em Maria de Jetibá (ES), a diferença entre os dois produtos atingiu o menor nível do ano. Na parcial de julho, até o dia 15, o intervalo médio ficou em R$ 15,22 por caixa. Esse valor representa queda de 38,6% frente a junho. Além disso, ficou 24,4% abaixo do registrado em julho de 2025, em termos reais, considerando a inflação medida pelo IGP-DI.

    De acordo com os pesquisadores do Cepea, o movimento reflete o desequilíbrio entre a oferta interna e a demanda por ovos. Como consequência, a menor liquidez elevou os estoques nas granjas. Diante desse cenário, os produtores passaram a conceder descontos nas negociações. A estratégia busca acelerar o escoamento da produção e reduzir a pressão sobre os preços.

  • Da seringueira à fábrica: borracha brasileira aposta em inovação e sustentabilidade para enfrentar concorrência chinesa

    Da seringueira à fábrica: borracha brasileira aposta em inovação e sustentabilidade para enfrentar concorrência chinesa

    A indústria brasileira de artefatos de borracha chegou à Expobor 2026 com o diagnóstico concluído. O próximo passo, e o mais urgente, é transformar análise em ação. O recado veio de Albino Fernando Calantuono, especialista em Competitividade e Tecnologia da Fiesp, durante palestra na Arena do Conhecimento do evento, realizado de 23 a 25 de junho no Expo Center Norte, em São Paulo. A feira é a principal vitrine da indústria de artefatos de borracha na América Latina e aconteceu em paralelo à Pneushow 2026, maior evento dedicado ao mercado de reforma de pneus no continente.

    O cenário que Calantuono apresentou não é simples: 43% de penetração de produtos importados no mercado nacional, Custo Brasil elevado, ausência de política industrial de longo prazo e concorrência crescente de materiais substitutos, especialmente os plásticos. Mas o especialista foi além do diagnóstico e apontou saídas.

    China no quintal, Brasil na 30ª posição

    Os dados do estudo da Fiesp revelam a magnitude do desafio competitivo. A China lidera praticamente todas as categorias de produtos de borracha que o Brasil comercializa e detém 18,4% das exportações globais do setor. O Brasil, por sua vez, ocupa a 30ª posição no ranking mundial, com apenas 0,7% de participação nas exportações.

    “A China está praticamente no quintal do Brasil quando observamos o mercado latino-americano. Ela lidera em escala, competitividade e capacidade produtiva. Mas isso não significa que o Brasil não tenha espaço. Temos condições de ampliar nossa presença internacional e transformar a América Latina em um grande mercado para os produtos brasileiros”, afirmou Calantuono.

    Albino Fernando Calantuono (Fiesp) avalia que indústria brasileira de artefatos de borracha já conhece seus principais desafios e oportunidades.
    Foto: WTF/Divulgação

    O setor automotivo absorve 18,4% dos produtos de borracha fabricados no país, e a cadeia produtiva conta majoritariamente com pequenas e médias empresas. Isso que torna ainda mais sensível a pressão dos importados chineses, que competem não só pelo preço, mas também por qualidade, disponibilidade e prazo de entrega.

    Heveicultura aquece o campo enquanto indústria busca reposicionamento

    O debate sobre a competitividade da indústria não acontece no vácuo. O agronegócio da borracha natural, a heveicultura, atravessa um momento de dupla tensão: expansão produtiva e crise de preços, com sinais recentes de recuperação.

    Segundo dados do IBGE, a produção brasileira de borracha natural somou 463 mil toneladas em 2023, distribuídas entre São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Tocantins e Pará. O estado de São Paulo responde por cerca de 65% desse volume, com polo central na região de São José do Rio Preto.

    A área cultivada com seringueiras no país ultrapassa 193 mil hectares, aproximadamente 90 mil deles somente em São Paulo. Mesmo assim, o Brasil importa metade da borracha natural que consome. A dependência externa é um fator que fragiliza toda a cadeia, da plantation à fábrica.

    Os dois últimos anos foram de perdas. Com preços médios de R$ 3,10 por quilo em 2023 e R$ 3,05 em 2024, produtores paulistas operaram no vermelho: o custo operacional chegava a R$ 5,00 por quilo. O resultado foi queda de 11,2% na área de produção em São Paulo e abandono da atividade por parcela significativa dos seringueiros, ofício que exige precisão técnica, já que o corte da casca da árvore precisa respeitar milímetros para não danificar a planta.

    O cenário começou a mudar em 2025. Os preços saltaram para R$ 6,65 por quilo em fevereiro, segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA), valorização de 118% sobre o ano anterior. “Pela primeira vez em anos, há perspectiva de lucro”, disse à imprensa o produtor Fábio Magrini, ligado a uma família com longa tradição na heveicultura paulista.

    A safra 2024/2025 do estado deve alcançar 266 mil toneladas, estimativa 8,8% superior à temporada anterior, conforme projeção do IEA. Embora produtores alertem para riscos climáticos e escassez de mão de obra.

    Seringueira como ativo ambiental e social

    Além do látex, a seringueira carrega atributos que ganham valor no contexto da agenda ESG. Estudos da Embrapa e da Epamig indicam que um hectare de seringal sequestra aproximadamente 85 toneladas de carbono por ano. Um dado relevante para empresas que precisam cumprir escopos de emissões.

    Na Amazônia, a cadeia extrativista de borracha nativa também avança. O projeto “Juntos pela Amazônia — Revitalização da Cadeia Extrativista da Borracha” apoia seringueiros no Amazonas, Rondônia e Acre. Só na safra 2024/2025, a iniciativa beneficiou cerca de 600 famílias em municípios amazonenses, gerando R$ 2,2 milhões com quase 157 toneladas produzidas.

    O mercado de borracha natural movimenta aproximadamente R$ 28 bilhões por ano no Brasil, segundo dados de 2022. No plano global, a expectativa é que o setor atinja US$ 22,82 bilhões até 2029, com crescimento anual composto de 4,7%.

    Economia circular como diferencial competitivo

    Para Calantuono, o Brasil dispõe de uma oportunidade concreta de reposicionamento: explorar a borracha natural como matéria-prima de menor pegada de carbono, aliada a soluções de maior valor agregado e economia circular. “O reaproveitamento de resíduos, a inovação em materiais e a oferta de soluções customizadas podem se tornar diferenciais competitivos importantes”, disse.

    Ele defendeu ainda a criação de instrumentos regulatórios e políticas públicas para fortalecer a competitividade nacional. “A indústria da borracha precisa de uma política tecnológica e industrial consistente para se modernizar e competir em igualdade de condições com o mercado internacional. Programas de conformidade, certificação, rastreabilidade e uma regulamentação adequada podem contribuir para valorizar a produção nacional e combater práticas desleais de concorrência”, afirmou.

    Senai investe R$ 13 milhões em laboratórios e capacitação

    Os investimentos em formação profissional e infraestrutura tecnológica reforçam o recado. O Senai-SP estrutura um laboratório de elastômeros no Distrito Tecnológico de São Bernardo do Campo com 14 equipamentos de ponta, previsão de operação em 2027 e investimento de R$ 10 milhões. A meta é atender demandas de P&D em pneus, setor automotivo, construção civil, aeroespacial, saúde e calçados.

    Outros R$ 3 milhões entram em circuito pelo programa de capacitação de profissionais em borracha da Escola Senai Almirante Tamandaré, com 14 cursos entre 12 e 100 horas, em formatos presencial, in-company e, em breve, EAD.

    No Rio Grande do Sul, o Instituto Senai de Inovação em Engenharia de Polímeros trabalha para ampliar a participação da borracha em seu portfólio. Hoje apenas 15% dos 29 projetos em andamento envolvem o elastômero.

    Novos sistemas de cura e negro de carbono sustentável

    A Arena do Conhecimento também abrigou apresentações de inovações técnicas. Jason Silva, gerente da Retilox, apresentou sistemas de cura com peróxidos atóxicos que produzem artefatos e rebarbas 100% recicláveis após a cura, com baixo índice de Compostos Orgânicos Voláteis (VOC) e redução geral dos custos de produção.

    Guilhermo Spangenberg, da Cabot Corporation, apresentou o CGX 1000, solução que incorpora até 30% de carbono recuperado no padrão N300, novo grau de negro de fumo que ajuda empresas a cumprirem os escopos 1, 2 e 3 do Protocolo GHG. O produto já está disponível ao mercado global sob demanda.

    Empresas que ignoram o mercado perdem clientes sem perceber

    O encerramento da programação ficou por conta de Sérgio Luís Patzlaff, CEO da STG Consultoria Empresarial, que trouxe uma provocação direta ao modelo de gestão de parte das empresas do setor: a tendência de olhar para dentro quando a pressão financeira aumenta e deixar de enxergar o cliente.

    “A empresa não está perdendo cliente: está desistindo de vê-los. Por isso, a reconexão começa dentro da empresa, não com o cliente”, alertou. “O cliente importante é o que está em risco, pois o que já perdeu, já perdeu”, completou.

    A Expobor e a Pneushow 2026 reuniram, portanto, os dois lados de uma mesma equação: um agronegócio da seringueira em recuperação, com capacidade de oferecer matéria-prima mais sustentável, e uma indústria de transformação que tem o diagnóstico na mesa e precisa, agora, colocar em prática.

  • Soja brasileira segue mais competitiva que a dos EUA

    Soja brasileira segue mais competitiva que a dos EUA

    O Brasil consolidou sua vantagem competitiva na soja em relação aos Estados Unidos entre 2020 e 2024, combinando custos menores em nível de fazenda, câmbio favorável e forte demanda da China para sustentar a rentabilidade do produtor.

    Análise da Universidade de Purdue, com dados padronizados da rede Agribenchmark, mostra que a lucratividade da soja brasileira permaneceu positiva durante todo o período, enquanto fazendas típicas nos EUA registraram anos de prejuízo e maior pressão financeira.

    A crescente participação do Brasil no mercado global de soja já é vista como ameaça direta pelos agricultores americanos. Em janeiro de 2026, 44% dos produtores dos EUA declararam estar “muito preocupados” e 36% “preocupados” com a competitividade das exportações de soja do país frente ao Brasil, de acordo com o Ag Economy Barometer, da Universidade de Purdue. Desde 2018, quando ultrapassou os Estados Unidos como maior produtor mundial de soja, o Brasil vem ampliando sua presença como principal fornecedor global do grão.

    Mato Grosso x Iowa: como se comparam os custos da soja

    O estudo compara uma fazenda típica de soja em Mato Grosso com uma propriedade representativa em Iowa, ambos polos relevantes da produção nos dois países. Juntos, Brasil e Estados Unidos respondem por cerca de 70% da produção mundial de soja, o que torna a comparação dos custos de produção e da rentabilidade um indicador-chave da competitividade no mercado internacional.

    Na fazenda de Mato Grosso, a área média cultivada com soja foi de 5.900 acres entre 2020 e 2024, contra 1.800 acres na fazenda de Iowa, retratando a maior escala produtiva no Cerrado brasileiro. Todos os valores foram convertidos para dólares, permitindo comparação direta de custos e receitas entre os países.

    Custos de produção: insumos pesam no Brasil, terra pesa nos EUA

    A principal diferença na estrutura de custos de produção da soja está no peso dos insumos no Brasil e no peso da terra nos Estados Unidos. No caso brasileiro, os custos diretos, como sementes, fertilizantes, defensivos, seguro e secagem, responderam em média por mais de 60% do custo total entre 2020 e 2024, refletindo a forte dependência de insumos na agricultura tropical do Cerrado. Já na fazenda americana, os custos fixos, especialmente ligados ao valor da terra, foram o maior componente, representando quase metade do custo total no período.

    Segundo o levantamento, a valorização expressiva das terras agrícolas nos EUA nos últimos anos elevou o peso dos custos fixos e reduziu a flexibilidade dos produtores americanos diante da volatilidade dos preços das commodities. No Brasil, embora a terra também tenha valorizado em algumas regiões, o peso relativo da posse da área nos custos da fazenda típica analisada foi de aproximadamente 25%, bem abaixo do observado em Iowa.

    Custos da soja dobram no Brasil, mas margem se sustenta

    Os custos totais de produção da soja na fazenda típica de Mato Grosso praticamente dobraram entre 2020 e 2024. Saltando de 172 para 337 dólares por tonelada. O aumento foi puxado principalmente pela disparada dos fertilizantes e de outros insumos importados após 2021, em função da guerra entre Rússia e Ucrânia e dos gargalos nas cadeias de suprimentos.

    O Brasil importa cerca de 85% de suas necessidades de fertilizantes. Isso deixou o produtor exposto à alta das cotações internacionais e à desvalorização do real frente ao dólar naquele período. Ainda assim, a combinação entre câmbio favorável, preços elevados da soja e forte demanda externa garantiu que as receitas brutas acompanhassem ou superassem o avanço dos custos. Portanto, mantendo a rentabilidade da soja brasileira em terreno positivo.

    Nos Estados Unidos, os custos de produção também aumentaram. Mas em ritmo mais moderado, passando de 399 para 448 dólares por tonelada entre 2020 e 2024. O estudo destaca, porém, que a alta de custos operacionais (mão de obra, maquinário, serviços e diesel) somada à valorização da terra reduziu as margens e aumentou a vulnerabilidade financeira das fazendas americanas.

    China consolida papel de maior compradora da soja brasileira

    A China seguiu como principal destino da soja brasileira, consolidando o país como fornecedor prioritário do maior importador mundial do grão. Entre 2020 e 2024, as exportações brasileiras de soja para o mercado chinês responderam, em média, por 71% do total exportado pelo país. Isso segundo o estudo citado. Em 2023, o volume de soja brasileira enviado à China atingiu recordes. Enquanto os embarques dos Estados Unidos ficaram em torno da metade do volume exportado pelo Brasil.

    Esse padrão reforça o papel do Brasil no chamado “triângulo da soja” entre Estados Unidos, Brasil e China, em que o país sul-americano passou a capturar a maior parte do crescimento da demanda chinesa, enquanto os EUA diversificam seu uso interno de soja e perdem participação relativa no mercado chinês.

    ​Margens positivas no Brasil e volatilidade nos EUA

    Os dados de lucros econômicos indicam que a soja brasileira manteve margens positivas em todos os anos analisados. Embora com alguma redução após 2022 quando os preços internacionais começaram a se estabilizar depois do pico de alta. No caso da fazenda de Iowa, a rentabilidade foi mais volátil, com anos de margem forte, como 2021 e 2022, mas também com registros de prejuízo em 2020 e 2024.

    A pesquisa aponta que, desde 2023, produtores americanos vêm enfrentando aumento da pressão financeira. Isso é fruto do encarecimento dos insumos, da compressão das margens e do maior uso de crédito operacional carregado de safras anteriores. Essa combinação torna o produtor dos EUA mais exposto a choques de preços e à competição com a soja de menor custo produzida no Brasil.

    Expansão em novas fronteiras pode reforçar liderança brasileira

    Na avaliação dos autores, a competitividade da soja brasileira tende a se manter ou até se ampliar nos próximos anos. Impulsionada pela expansão em regiões de fronteira agrícola com custos mais baixos e pela gradual melhoria da infraestrutura logística. Estradas, ferrovias e portos mais eficientes têm potencial para reduzir o chamado “custo Brasil”. E aumentar ainda mais a atratividade da soja do país no mercado global.

    Para os Estados Unidos, o desafio será preservar competitividade em um ambiente de custos elevados de terra e insumos. Ao mesmo tempo em que enfrenta concorrência crescente da América do Sul. O estudo destaca que o futuro da soja americana passa por ganhos de produtividade, gestão de custos e uso de estratégias de gestão de risco de preços e de comercialização, em um cenário de maior incerteza no mercado internacional.

  • Suínos: preços caem até 20% e Brasil lidera competitividade

    Suínos: preços caem até 20% e Brasil lidera competitividade

    Os preços do suíno seguem em queda no mercado nacional, conforme apontam levantamentos recentes do Cepea. A tendência começou há cerca de três semanas e, desde então, permanece firme no setor. No mercado independente, as desvalorizações acumuladas chegam a 20% em apenas um mês.

    Produtores enfrentam pressão nas negociações

    Diante desse cenário, muitos produtores negociam o suíno vivo a preços próximos da produção integrada.
    Em alguns casos, os valores ficam até abaixo dos praticados nesse sistema. Historicamente, contudo, o mercado independente opera com cotações superiores, pois apresenta custos mais elevados.

    Carne suína brasileira ganha destaque global

    Enquanto isso, a carne suína brasileira manteve forte competitividade no mercado internacional em 2025. Dados da UN Comtrade, analisados pelo Cepea, confirmam esse desempenho. O Brasil foi o terceiro maior exportador mundial da proteína no período.

    Brasil registra menor preço médio de exportação

    O valor médio das exportações brasileiras ficou em US$ 2,57 por quilo. Já Estados Unidos e União Europeia registraram média de US$ 3,18 por quilo. Assim, a carne suína do Brasil se consolidou como a mais competitiva do mundo.

  • Abrafrutas lança selo ESG da fruticultura brasileira

    Abrafrutas lança selo ESG da fruticultura brasileira

    A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas) lançou o Selo Frutas do Brasil ESG. A certificação valoriza a fruticultura brasileira e reforça compromissos com sustentabilidade, responsabilidade social e boas práticas de governança.

    Além disso, o selo incorpora a noção de responsabilidade civilizatória aplicada à produção agrícola nacional. O selo reconhece empresas alinhadas aos padrões internacionais de Environmental, Social and Governance (ESG).
    Com isso, a certificação comprova que as frutas brasileiras respeitam o meio ambiente, as pessoas e a gestão responsável. Portanto, o selo se torna um passaporte de credibilidade e sustentabilidade no mercado global.

    Selo estratégico

    O presidente da entidade, Guilherme Coelho, destacou o papel estratégico da nova certificação. Segundo ele, o selo reconhece o trabalho responsável e inovador de produtores e exportadores brasileiros. Além disso, a iniciativa demonstra compromisso com melhoria contínua e equilíbrio entre economia, natureza e dignidade humana.

    Mais competitividade

    A Abrafrutas desenvolveu o selo para valorizar produtores e ampliar a competitividade do Brasil no mercado internacional. A ação também consolida esforços da entidade em sustentabilidade, promoção comercial e profissionalização do setor. Entre as iniciativas, estão participações em feiras internacionais e programas de qualificação técnica. Além disso, a Abrafrutas mantém diálogo permanente com instituições globais sobre práticas ambientais e sociais.

    Exclusivo para empresas associadas, o selo segue rigorosamente as diretrizes ESG internacionais. A certificação adota a Responsabilidade Civilizatória como eixo central das ações no campo. O conceito reforça que decisões produtivas impactam pessoas, ecossistemas e futuras gerações.

    Suporte

    Além do reconhecimento institucional, o selo oferece acompanhamento técnico e auditoria anual. Assim, empresas certificadas mantêm alinhamento permanente com padrões globais e exigências internacionais.
    A diretora de ESG, Priscila Nasrallah, destacou o impacto da nova certificação para o setor. Segundo ela, a Abrafrutas apoiará produtores em todas as etapas do processo. O objetivo é fortalecer uma cultura de transparência, responsabilidade e consciência ambiental. Para a entidade, o selo deve marcar uma nova fase na imagem do agro brasileiro.

    A Abrafrutas atua sem fins lucrativos e representa produtores e exportadores de frutas desde 2014.
    Atualmente, a entidade reúne cerca de 90 associados em todo o país. Essas empresas respondem por aproximadamente 85% das exportações brasileiras de frutas frescas.

     

  • Simples Nacional defasado prejudica pequenos negócios e produtores rurais

    Simples Nacional defasado prejudica pequenos negócios e produtores rurais

    A falta de atualização das tabelas do Simples Nacional está prejudicando pequenos produtores rurais, agricultores familiares e microempresários em todo o país. Com as faixas de faturamento congeladas, a inflação e o aumento dos custos de produção empurram os empreendedores para fora do regime simplificado, forçando uma migração para sistemas tributários mais complexos e onerosos.

    O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, defende uma revisão urgente do sistema. Ele afirma que a defasagem desestimula a produção e pode levar milhares de negócios de volta à informalidade, prejudicando a economia e a rastreabilidade da produção agrícola.

    Impacto direto no campo e na cidade

    No setor rural, o problema é ainda mais sensível. Muitos produtores utilizam o Simples Nacional para manter a regularidade fiscal, acessar linhas de crédito e comercializar sua produção. No entanto, o aumento nominal do faturamento, causado pela alta de preços, não reflete um ganho real. O resultado é um salto para faixas de tributação mais altas, reduzindo a competitividade e comprimindo as já estreitas margens de lucro.

    A situação também afeta artesãos, pequenos comerciantes e prestadores de serviço nas cidades. Eles enfrentam custos crescentes com materiais, energia e transporte, enquanto o limite para permanecer no Simples Nacional não se movimenta. Essa distorção tributária impacta toda a cadeia produtiva, podendo levar ao aumento de preços para o consumidor e ao corte de postos de trabalho.

    Atualização como medida de justiça econômica

    Para Tirso Meirelles, ajustar as tabelas do Simples Nacional é uma questão de justiça e um passo essencial para fortalecer a base produtiva do Brasil. “Esse é um programa importante, principalmente para os pequenos produtores e agricultores familiares, pois garante a formalização. Com o passar dos anos, e o aumento dos custos, as faixas principalmente associadas ao Micro Empreendedor Individual (MEI) desestimulam a continuidade da produção”, alertou.

    Especialistas concordam que a revisão dos limites de faturamento e das alíquotas precisa acompanhar a realidade inflacionária e o crescimento natural das empresas. Sem essa correção, o país arrisca comprometer uma de suas políticas mais bem-sucedidas de incentivo ao empreendedorismo, que há décadas sustenta a geração de renda e a formalização no Brasil.

  • Compras coletivas beneficiam agricultura familiar no Pará

    Compras coletivas beneficiam agricultura familiar no Pará

    O superintendente da OCB/PA, Júnior Serra, concedeu entrevista exclusiva ao portal Agro em Campo, detalhando como as cooperativas da agricultura familiar no estado vêm fortalecendo a produção por meio da compra coletiva de insumos. Segundo ele, o modelo não apenas organiza os produtores, mas também garante maior competitividade e retorno financeiro para quem integra essas cooperativas.

    Qual é o principal trabalho das cooperativas no Pará hoje?

    “O que a gente faz muito aqui no estado do Pará é, em primeiro lugar, organizar. Fazemos um levantamento da produção, porque todo mundo que produz alguma coisa precisa de insumos agrícolas. A cooperativa entra justamente nesse ponto: comprar direto, principalmente quando temos mais de 20, 30, 40 produtores juntos. Esse volume gera um diferimento no valor de compra, tornando o processo competitivo.”

    Como funciona esse modelo na prática?

    “Primeiro fazemos toda a lista dos possíveis cooperados e levantamos a necessidade de cada um. A partir disso, vamos barganhar preço no mercado. É nesse momento que conseguimos mais competitividade e vantagem econômica para os produtores.”

    Pode dar um exemplo concreto de resultado?

    “Temos uma cooperativa, em um município próximo a Belém, que antes era uma associação. No primeiro ano como cooperativa, com 64 pequenos produtores rurais, alcançou um faturamento de R$ 500 mil. Desse valor, sobraram R$ 400 mil graças ao modelo da compra coletiva. Isso mostra como o sistema é eficiente.”

    A compra coletiva, então, é o ponto de partida?

    “Exatamente. A compra coletiva já é algo que estimula muito e sempre dá certo. Não tem como dar errado, porque todo produtor precisa de insumos agrícolas. O trabalho inicial é mapear essa demanda e negociar em bloco.”

    Qual é a diferença entre associação e cooperativa?

    “Tanto em associação quanto em cooperativa é possível participar de editais. Mas a associação tem mais restrições legais, porque seu fim é assistencial e cultural. Já a cooperativa tem caráter econômico.”

    E isso impacta no retorno financeiro?

    “Sim. Todo recurso que entra em uma associação não pode ser dividido entre os associados, precisa ser investido em prol da coletividade. No cooperativismo é diferente: o associado recebe proporcionalmente ao que entregou da produção dele.”

  • Governo Federal lança política para incentivo à cocoicultura de qualidade

    Governo Federal lança política para incentivo à cocoicultura de qualidade

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 14.975, que estabelece uma Política de Incentivo à Cocoicultura de Qualidade. A lei foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta quinta-feira (19). Em resumo, o objetivo é contribuir para a produção, competitividade e sustentabilidade do setor, ampliando a produção e o processamento do coco no Brasil.

    Objetivos da nova lei

    A política também visa estimular o consumo doméstico, aumentar as exportações de coco e lucros, reduzir perdas ao longo da cadeia produtiva e apoiar a produção orgânica. Além disso, promove a integração com outras políticas públicas federais para coordenar recursos e esforços no desenvolvimento da cocoicultura.

    Entre as ações previstas estão o treinamento da mão de obra, a expansão das políticas de financiamento e crédito, a melhoria da infraestrutura produtiva e o fortalecimento da competitividade do setor. A pesquisa e a assistência técnica também são prioridades da nova política.

    Os recursos para implementar essas ações virão de doações orçamentárias da União, operações de crédito nacionais e internacionais, além de saldos de exercícios anteriores.

    Leia mais:
    + Agro em Campo: Estoques de suco de laranja aumentam, mas oferta continua limitada
    + Agro em Campo: Preços da carne bovina atingem a máxima do ano

    Cocoicultura

    Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2023 o Brasil produziu mais de 1 milhão de frutos de Coco-da-baía, com valor de produção superior a R$ 1,6 milhão. Os principais estados produtores são Ceará, Pará, Bahia, Pernambuco e Espírito Santo.

    De acordo com a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), no primeiro semestre de 2023 o Brasil exportou mais de US$ 672 mil em cocos, um aumento de 95% em relação ao mesmo período de 2022. Os principais destinos foram os Estados Unidos , Espanha e Argentina. Ao todo, o país comercializou cerca de 876 toneladas de coco para mais de 60 países.

    Portanto, a cocoicultura é uma atividade crucial para o Brasil, especialmente para o Nordeste, segundo a Embrapa.

     

  • Congresso Brasileiro do Agronegócio destaca biocompetitividade e geopolítica

    Congresso Brasileiro do Agronegócio destaca biocompetitividade e geopolítica

    O Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), realizado anualmente desde 2002 pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) em parceria com a B3, tornou-se um evento crucial para executivos e formadores de opinião do setor. Em sua última edição presencial, em 2023, o evento abordou o tema “Integrar para Fortalecer”. Mais de 850 participantes e 100 jornalistas de todo o país participaram. Além disso, a transmissão on-line teve mais de 6.400 acessos, incluindo espectadores internacionais.

    Congresso com biocompetitividade em foco

    O Brasil lidera o agronegócio sustentável mundial, conforme a consultoria McKinsey. Com uma vasta diversidade de biomas e uma produção científica robusta, o país tem uma vantagem única para consolidar sua biocompetitividade. Essa posição permite ao Brasil oferecer alimentos, energias renováveis, fibras e outras matérias-primas de alto valor agregado, que combinam inovação tecnológica, produtividade e eficiência ambiental. No contexto global, onde a bioeconomia movimenta 2 trilhões de euros e gera 22 milhões de empregos, refletir sobre biocompetitividade é essencial para o futuro do agronegócio.

    Geopolítica e sustentabilidade

    A bioeconomia está transformando a geopolítica, e o Brasil, com seus seis biomas e uma matriz energética majoritariamente renovável, está se posicionando como líder em uma economia de baixo carbono. Esse papel exige cooperação internacional, especialmente em um cenário marcado por conflitos e aumento no uso de combustíveis fósseis. A proximidade da COP30, que será realizada no Brasil em 2025, ressalta a importância de alinhar o agronegócio às metas climáticas globais.

    Desafios geopolíticos: a posição do Brasil

    A continuidade do conflito entre Rússia e Ucrânia, e as tensões entre Estados Unidos e China, aumentaram as restrições comerciais, afetando a produção de alimentos e energia. O Brasil enfrenta a decisão de manter sua postura tradicional de diálogo com várias nações. Ou aderir a grupos de países que buscam fortalecer suas cadeias produtivas internas, uma tendência crescente na Europa e nos Estados Unidos.

    Competitividade e novas oportunidades

    A biocompetitividade do Brasil depende de inovações internas, novos modelos de negócios, investimentos em tecnologia e formas de financiamento adaptadas. Portanto, esse contexto permitirá que o agronegócio brasileiro continue a atender demandas internas e externas, ampliando sua competitividade, já reconhecida como a mais sustentável do mundo.

    Inscrições e transmissão on-line

    As inscrições para o próximo CBA podem ser feitas até 02 de agosto de 2024. Após essa data, as inscrições estarão disponíveis no dia e local do evento, caso haja vagas. Para assistir on-line e receber informações e atualizações sobre o evento e seus patrocinadores, é só você clicar aqui e se inscrever gratuitamente.

     

  • Plano Safra 2024/2025 deve receber valor recorde

    Plano Safra 2024/2025 deve receber valor recorde

    O setor agropecuário aguarda com ansiedade o lançamento do Plano Safra 2024/2025, que é a principal plataforma de crédito agrícola subsidiado do Brasil. Segundo interlocutores do governo, o anúncio deve ocorrer na próxima quarta-feira, 26 de junho. Neste ano, o montante a ser liberado deve alcançar um valor recorde, superando os R$ 364,22 bilhões destinados na temporada 2023/2024.
    O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que o novo Plano Safra será maior do que o do ano anterior.
    A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, informou que o valor total ultrapassará os R$ 500 bilhões. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e governos estaduais, como o do Paraná, pleiteiam um plano de aproximadamente R$ 570 bilhões para este ano.

    Expectativa de aumento de subsídios do Plano Safra 2024/2025

    O objetivo central do Plano Safra é garantir financiamento para que os produtores invistam e assim, consigam aumentar competitividade da agricultura brasileira. O governo subsidia parte dos recursos do plano, especialmente na equalização de juros. Nesse esquema, o governo cobre parte dos custos dos juros dos empréstimos, reduzindo assim a taxa para os agricultores.

    No ano passado, o governo destinou R$ 8,5 bilhões em subsídios para a produção de pequenos agricultores e R$ 5,1 bilhões para a equalização de juros no setor empresarial, totalizando R$ 13,6 bilhões. Para 2024/25, a bancada do agronegócio na Câmara dos Deputados espera um aumento significativo, com R$ 20 bilhões para a equalização de juros e R$ 2,5 bilhões para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

    Mudanças Climáticas

    O seguro rural deve receber atenção prioritária no Plano Safra 2024/25, especialmente após as recentes enchentes no Rio Grande do Sul que afetaram a produção de arroz e soja. As mudanças climáticas já são uma realidade. O Agro em Campo segue acompanhando todas as informações sobre o novo plano que é fundamental para o apoio e a evolução do agronegócio brasileiro.