Tag: commodities agrícolas

  • Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    Super El Niño pressiona safra brasileira, mas favorece agricultura dos EUA

    O El Niño deve ganhar força nos próximos meses, mas seus efeitos sobre a agricultura não serão iguais em todo o mundo. Enquanto o fenômeno pode aumentar os riscos para a produção de grãos no Brasil, os Estados Unidos tendem a encontrar condições mais favoráveis para a próxima temporada agrícola.

    A diferença está no comportamento das chuvas provocado pelo fenômeno em cada região. No Brasil, áreas importantes para a produção de soja e milho podem enfrentar períodos mais secos, enquanto o Sul tende a registrar condições mais úmidas.

    Já nos Estados Unidos, o El Niño costuma favorecer o aumento das chuvas em parte do território, principalmente no Sul, o que pode melhorar a disponibilidade de água para a temporada seguinte.

    El Niño deve ficar mais forte no fim de 2026

    O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial. Esse aquecimento altera a circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta.

    A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) prevê que o fenômeno continue se fortalecendo ao longo de 2026.

    El Niño é causado pelo aquecimento acima da média das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico. Mapa mostra o padrão de temperatura direcionado pelo fenômeno climático (Foto: NOAA/Via MetSul)

    Na atualização mais recente, a agência apontou 81% de probabilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro. A NOAA também estimou em 97% a possibilidade de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

    A intensidade do El Niño, porém, não significa que todos os países enfrentarão os mesmos efeitos. O impacto depende da região, da época do ano e das condições climáticas locais.

    Brasil pode enfrentar maior risco para soja e milho

    O cenário preocupa o agronegócio brasileiro porque a intensificação do fenômeno ocorre justamente em um período importante para a safra 2026/27.

    No Cerrado, Centro-Oeste, regiões produtoras do Norte e na Amazônia, o El Niño tende a favorecer condições mais secas. Esse cenário pode reduzir a disponibilidade de água para as lavouras e aumentar o risco de períodos de estiagem.

    O problema é especialmente relevante para culturas como soja e milho, que dependem de uma distribuição adequada das chuvas durante diferentes fases do ciclo.

    No Sul do país, o comportamento tende a ser diferente. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem registrar condições mais úmidas associadas ao fenômeno.

    Isso, porém, não significa que todo o Sul terá uma safra melhor. O excesso de chuva também pode prejudicar o plantio, o desenvolvimento das plantas e a colheita.

    Pesquisador estima perda de até 10% na safra brasileira

    O pesquisador Eduardo Assad, da Embrapa e da FGV Agro, avalia que um El Niño muito forte pode provocar perdas relevantes na produção brasileira.

    Segundo Assad, o cenário pode resultar em uma redução estimada de até 10% na produção de soja e milho do Brasil.

    A projeção, entretanto, deve ser interpretada como uma estimativa de risco, e não como uma previsão oficial de quebra da safra 2026/27.

    O resultado dependerá da intensidade do fenômeno, da distribuição das chuvas e das temperaturas observadas em cada região produtora.

    Por que os EUA podem ser favorecidos pelo El Niño?

    Nos Estados Unidos, o cenário tende a ser diferente.

    O período de maior influência do El Niño costuma ocorrer entre setembro e março. Para boa parte das culturas norte-americanas, essa época coincide com a entressafra ou com um período de menor atividade agrícola.

    Além disso, o fenômeno costuma aumentar a umidade em áreas do Sul dos Estados Unidos, desde a Califórnia até as Planícies Centro-Sul e o Sudeste.

    A maior quantidade de chuva pode reduzir o risco de seca e melhorar os níveis de água em rios, reservatórios e outras fontes utilizadas na agricultura.

    Dessa forma, o El Niño pode deixar os Estados Unidos em uma posição mais favorável para a próxima temporada de cultivo.

    Efeito do El Niño muda de acordo com o país

    Os impactos sobre a agricultura também podem ser diferentes em outras partes do mundo.

    Na América Central, países como Guatemala, Panamá, El Salvador e Costa Rica podem enfrentar condições menos favoráveis para culturas como milho e arroz.

    Na América do Sul, Paraguai e Uruguai podem encontrar condições mais favoráveis em determinadas áreas. Já Peru, Equador e parte da Colômbia podem registrar períodos de chuva acima do normal.

    Na África, o fenômeno tende a reduzir as precipitações em algumas regiões.

    Na Austrália, por outro lado, a irregularidade das chuvas pode prejudicar as pastagens e aumentar o risco de veranicos e estiagens.

    “Neste momento, os impactos mais imediatos do El Niño provavelmente estão sendo sentidos na Indonésia, Filipinas, América Central, parte da África e Índia, onde a chuva tem estado abaixo do normal nos últimos um ou dois meses. Também notamos um aumento nas chuvas em partes do Chile. Todos esses impactos são condizentes com as condições do El Niño”, afirma a cientista física do Centro de Previsão Climática da NOAA e líder da equipe de El Niño, Michelle L’Heureux.

  • Bioenergia e crédito dominam debates no 15º Congresso Andav

    Bioenergia e crédito dominam debates no 15º Congresso Andav

    O 15º Congresso Andav começou nesta terça-feira, 11 de agosto, em São Paulo. A Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) promove o evento, que a Zest Eventos organiza.

    O congresso reforça o protagonismo do mercado de distribuição de insumos agropecuários para o crescimento sustentável do agronegócio brasileiro. E espera reunir 18,5 mil participantes e mais de 260 marcas ao longo da programação.

    Setor busca novos modelos de negócio

    “Com resiliência, diálogo contínuo e qualificado, e atenção a tendências, o segmento vem trabalhando. E entregando novos modelos de negócios, com o objetivo de diminuir custos, elevar produtividade e gerar valor para todo o agro”, destacou Marcos Chaves, presidente do Conselho Diretor da Andav, durante a abertura do evento.

    Diógenes Kassaoka, Secretário-Executivo da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, ressaltou o peso econômico do setor na solenidade de abertura. Segundo ele, a distribuição de insumos movimenta mais de R$ 160 bilhões por ano.

    Alexandre Alonso Alves, Diretor de Negócios e Inovação Tecnológica da Embrapa, chamou atenção para a capacidade do setor de identificar as demandas dos produtores e levar novas tecnologias até o campo. Roberto Betancourt, Vice-Presidente da Fiesp, reforçou a crescente integração entre o agronegócio, a indústria e os demais setores da economia como fator relevante para o desenvolvimento do país.

    Distribuidor ganha papel estratégico com novas tecnologias

    No painel “Agroeconomia Brasileira: Reflexões para o Futuro, Tendências e Oportunidades”, moderado por Marcelo Prado, presidente da MPrado Consultoria, Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), avaliou que as tecnologias vão reduzir o uso de insumos. Para ele, o distribuidor do futuro assumirá cada vez mais o papel de parceiro de inteligência aplicada.

    Antonio Botelho, CEO da Agrológica, defendeu a manutenção do financiamento como parte da atuação das empresas de distribuição, já que essas empresas conhecem o histórico e a realidade dos produtores. “Temos a proximidade com o cliente, experiência em fazer isso e, neste momento, o produtor precisa desse apoio. O desafio é aperfeiçoar os mecanismos de análise e financiamento para tornar esse modelo mais eficiente e sustentável”, afirmou.

    Bioenergia conecta produção agrícola, indústria e logística

    O painel sobre cenários e oportunidades para o setor, moderado por Marcos Fava Neves, chanceler da Harven Agribusiness School, apontou o avanço da bioenergia como uma das principais transformações estruturais do agronegócio brasileiro. Os participantes mostraram como o crescimento dos biocombustíveis vem ampliando a conexão entre produção agrícola, indústria, energia, alimentação animal, logística e desenvolvimento regional.

    “A cadeia dos biocombustíveis não é uma pauta das usinas, mas de todo o agro”, afirmou João Marcelo Dumoncel, CEO da 3tentos. O executivo acrescentou que o setor cria uma demanda adicional e mais previsível por soja, milho e outras matérias-primas, beneficia o produtor rural e abre novas possibilidades de agregação de valor dentro do país.

    Janaína Lemes, vice-presidente da Unibio MT e líder em Biocombustíveis na Caramuru, destacou que a complementaridade entre biocombustíveis, produção de grãos, alimentação animal e outros derivados cria uma lógica de economia circular. Essa lógica estimula investimentos, empregos, diversificação de culturas e melhor aproveitamento da produção agrícola.

    Ricardo Amorim projeta novo ciclo de alta para as commodities

    O economista Ricardo Amorim encerrou o primeiro dia do Congresso Andav com uma análise sobre o cenário internacional e seus reflexos para o agronegócio. Ele projeta que o mercado global ingressará em um novo ciclo de valorização das commodities agrícolas. Isso impulsionado pela alta do petróleo, pelas guerras em curso e pelos efeitos das tarifas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

    Segundo Amorim, a estratégia norte-americana de reduzir importações e estimular a produção doméstica contribui para a desvalorização do dólar. Esse movimento fortalece outras moedas, amplia o poder de compra internacional de commodities e tende a sustentar a demanda e os preços.

    Andav homenageia advogada na categoria Defesa do Setor

    A advogada Samanta Pineda, especialista em Direito Socioambiental, recebeu o Prêmio Andav de Reconhecimento na categoria Defesa do Setor. Paulo Tiburcio, presidente executivo da Andav, entregou a premiação e agradeceu a contribuição da advogada na defesa do agronegócio brasileiro.

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  • El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina

    El Niño pode gerar superoferta de grãos na América Latina

    O El Niño pode favorecer a produção agrícola brasileira nos próximos meses, mas seus efeitos positivos sobre as lavouras não devem representar, necessariamente, maior rentabilidade para o produtor rural. A expectativa é de aumento na oferta de grãos e café, cenário que tende a pressionar os preços das commodities e elevar os custos de armazenagem.

    A análise faz parte de um estudo divulgado pela Allianz Trade, que avaliou os impactos do fenômeno climático sobre a agricultura da América Latina, com destaque para Brasil e Argentina. Segundo a empresa, episódios anteriores mostram que o fenômeno costuma criar condições favoráveis para importantes culturas agrícolas, principalmente nas regiões produtoras do Sul do continente.

    Produção pode crescer, mas preços tendem a cair

    Os dados reunidos pela Allianz Trade indicam que, durante eventos anteriores de El Niño, a produção de soja no Brasil chegou a ficar até 4% acima da tendência observada nos cinco anos anteriores. No caso do café arábica, o avanço foi de até 5% em relação à média histórica.

    Embora o aumento da produtividade seja visto como um fator positivo para o agronegócio, ele também pode gerar um efeito contrário sobre a renda dos produtores. Com mais produtos disponíveis no mercado, a tendência é que os preços internacionais das commodities agrícolas recuem, reduzindo as margens de lucro ao longo da comercialização da safra.

    Além disso, uma colheita mais volumosa exige maior capacidade de armazenagem. O estudo destaca que esse cenário pode elevar significativamente os custos logísticos para produtores e tradings, especialmente em períodos de maior concentração da oferta.

    Impactos variam conforme a região do Brasil

    Os efeitos do El Niño não devem ocorrer de forma uniforme em todo o país. De acordo com a Allianz Trade, as regiões Sul e parte do Centro-Sul tendem a registrar aumento das chuvas, favorecendo o desenvolvimento de culturas como soja, milho e café.

    Já o Norte do Brasil e a região amazônica podem enfrentar condições mais secas. Esse cenário amplia os riscos para a produção de alimentos, dificulta a logística em algumas áreas e pode afetar até a geração de energia elétrica.

    Segundo o levantamento, essa assimetria coloca Brasil, Colômbia e Peru entre os países latino-americanos mais vulneráveis a impactos inflacionários provocados pelas alterações climáticas associadas ao fenômeno.

    Efeitos também podem alcançar o mercado internacional

    No cenário global, a expectativa é que o aumento da oferta de soja e milho produzido na América Latina contribua para aliviar parte das pressões sobre os preços mundiais dos alimentos.

    Ao mesmo tempo, outras regiões produtoras continuam enfrentando condições climáticas adversas. O estudo cita que países do Leste Asiático e da África Ocidental permanecem sob risco de seca, situação que pode comprometer culturas estratégicas, como cacau, óleo de palma e arroz.

    Exportadores podem sair fortalecidos

    A Allianz Trade avalia que exportadores agrícolas brasileiros poderão se beneficiar do maior volume de produção, fortalecendo suas operações e ampliando a capacidade de acesso ao crédito.

    Por outro lado, empresas ligadas ao processamento de alimentos e intermediários do mercado de commodities podem enfrentar um ambiente mais desafiador. A combinação entre excesso de oferta e queda nas cotações internacionais tende a aumentar a pressão sobre as margens financeiras do setor.

    Na avaliação da seguradora, o El Niño reforça que uma safra recorde nem sempre significa maior lucro para o agronegócio. Apesar do potencial de elevar a produtividade em diversas culturas, fatores como preços internacionais, custos de armazenagem e dinâmica do mercado continuarão sendo determinantes para o resultado financeiro dos produtores brasileiros.

  • Soja sobe com demanda aquecida no mercado brasileiro

    Soja sobe com demanda aquecida no mercado brasileiro

    As cotações da soja avançaram no mercado brasileiro diante do ritmo intenso dos negócios. A demanda externa seguiu firme e as indústrias nacionais ampliaram as compras nos últimos dias. Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar aumentou a competitividade da soja brasileira no mercado internacional. Mesmo assim, a ampla oferta global limitou altas mais expressivas nos preços.

    Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reforçam esse cenário. O órgão elevou a estimativa da produção mundial de soja na safra 2025/26 para 429,2 milhões de toneladas, novo recorde histórico. O volume projetado supera em 0,4% a previsão anterior e fica 0,3% acima da temporada passada.

    Entre os principais produtores, o Brasil deve colher 180 milhões de toneladas de soja. A estimativa do USDA ficou ligeiramente abaixo das 180,25 milhões de toneladas projetadas pela Conab.

    Na Argentina, o USDA elevou a previsão para 50 milhões de toneladas. O volume representa alta de 4,2% frente à estimativa de maio. Apesar do aumento, a produção argentina ainda ficará 2,2% abaixo da safra anterior.

    O Brasil também deve manter a liderança global nas exportações de soja. Para a safra 2025/26, o USDA projeta embarques de 115 milhões de toneladas.

    Oferta de milho pressiona mercado

    No mercado de milho, a expectativa de maior oferta tem pressionado as cotações em grande parte do país. Embora a colheita esteja concentrada em poucos estados, agentes do mercado já consideram o aumento da disponibilidade do cereal nas próximas semanas.

    Segundo o Cepea, compradores reduziram o volume de negociações enquanto aguardam possíveis quedas mais acentuadas nos preços.

    Ao mesmo tempo, vendedores adotaram maior flexibilidade para fechar negócios. Muitos reduziram preços pedidos ou ajustaram condições de entrega e pagamento. O objetivo é acelerar o escoamento da produção neste início de colheita.

    A postura mais cautelosa dos consumidores ganhou força após as novas projeções divulgadas pela Conab e pelo USDA. Os relatórios apontam aumento da produção brasileira na safra 2025/26 e expansão da oferta mundial na temporada 2026/27.

    De acordo com o Cepea, o crescimento da produção brasileira resulta da melhora da safra de verão.

    No cenário internacional, países como a Índia devem ampliar a produção de milho. Como consequência, os estoques globais também tendem a crescer, aumentando a pressão sobre os preços.

     

     

     

  • Agronegócio brasileiro conquista superávit de US$ 9,2 bilhões em janeiro

    Agronegócio brasileiro conquista superávit de US$ 9,2 bilhões em janeiro

    O agronegócio brasileiro iniciou 2026 com resultados expressivos, registrando US$ 10,8 bilhões em exportações durante janeiro e garantindo um superávit comercial de US$ 9,2 bilhões no período. Os números consolidam o setor como principal motor das vendas externas do país, representando 42,8% do valor total exportado pelo Brasil no primeiro mês do ano.

    Apesar da ligeira queda de 2,2% no valor exportado em relação a janeiro de 2025, o volume de produtos embarcados cresceu 7,0%, demonstrando a crescente aceitação dos produtos brasileiros no mercado internacional. A redução no faturamento reflete principalmente a queda de 8,6% nos preços médios das commodities, tendência acompanhada pelo Índice de Preços de Alimentos da FAO, que recuou em janeiro na comparação com dezembro de 2024.

    China lidera compras e mercados asiáticos expandem participação

    A China manteve a liderança como principal destino das exportações agropecuárias brasileiras, adquirindo US$ 2,1 bilhões em produtos (20% do total). A União Europeia aparece em segundo lugar, com US$ 1,7 bilhão (11%), seguida pelos Estados Unidos, que importaram US$ 705 milhões (6,6%).

    Um destaque importante foi o desempenho nas vendas para países da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), que cresceram 5,7% em janeiro de 2026 comparado ao mesmo período do ano anterior, sinalizando a diversificação de mercados em uma região estratégica que inclui Filipinas, Indonésia, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietnã, entre outros.

    Entre os mercados que mais ampliaram suas compras destacam-se Emirados Árabes Unidos (+58,5%), Filipinas (+90%), Turquia (+72,18%), Irã (+21,5%) e Iêmen (+336,9%).

    Recordes em carnes e diversificação de produtos

    O setor de carnes liderou as exportações, movimentando US$ 2,58 bilhões (24% do total) com crescimento de 24% em relação a janeiro de 2025. A carne bovina in natura foi o principal produto exportado, gerando US$ 1,3 bilhão em receitas com 231,8 mil toneladas destinadas a 116 países. Destaque para o aumento de 93% nas compras dos Estados Unidos.

    O complexo soja registrou US$ 1,66 bilhão (15,4% do total) com crescimento de 49,4%, seguido por produtos florestais (US$ 1,38 bilhão), cereais e preparações (US$ 1,12 bilhão), café (US$ 1,10 bilhão) e complexo sucroalcooleiro (US$ 0,75 bilhão).

    Novos produtos alcançam marcas históricas

    Janeiro de 2026 registrou recordes de exportação para diversos produtos que ampliam o portfólio do agronegócio brasileiro:

    • Glicerina em bruto: US$ 46,9 milhões (+114,9%)
    • Óleo de milho: US$ 21,8 milhões (+335,8%)
    • Cerveja: US$ 19,86 milhões (+3,6%)
    • Ovos: US$ 14,7 milhões (+9,2%)
    • Mamão papaia: US$ 6,36 milhões (+17,3%)
    • Pargos: US$ 5,84 milhões (+29,1%)

    Abertura de mercados e reconhecimento sanitário impulsionam resultados

    Segundo o ministro Carlos Fávaro, as ações de sanidade e negociação comercial do governo federal têm sido fundamentais para o desempenho positivo. O Brasil conquistou o reconhecimento da OMSA como livre de febre aftosa sem vacinação e recuperou rapidamente o status de livre de influenza aviária.

    No campo comercial, o país avançou em tratativas que resultaram na retirada da tarifa adicional dos Estados Unidos para produtos brasileiros, incluindo a carne bovina in natura.

    Conforme destacou o secretário Luis Rua, desde 2023 foram abertos 535 novos mercados para produtos do agronegócio brasileiro, sendo 10 apenas em janeiro de 2026. Iniciativas como AgroInsight, webinars e a Caravana do Agroexportador têm aproximado produtores e exportadores de oportunidades internacionais. E estimulando a participação de pequenos e médios empresários no mercado global.

  • La Niña acende alerta no setor rural da Argentina e ameaça preços no Brasil

    La Niña acende alerta no setor rural da Argentina e ameaça preços no Brasil

    A volta do fenômeno climático La Niña está causando preocupação no setor agrícola da Argentina. Especialmente após anos consecutivos de secas severas que afetaram drasticamente a produção de grãos no país vizinho. A confirmação oficial pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) trouxe um cenário de incerteza para uma das principais regiões produtoras de alimentos da América do Sul.

    O fenômeno caracteriza-se pelo resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, alterando padrões climáticos globais. E particularmente na América do Sul, provocando reduções significativas nas precipitações.

    Para a Argentina, que enfrentou secas devastadoras nos últimos anos, o retorno do fenômeno representa um desafio adicional. As projeções indicam que o evento deve persistir até março de 2026, com maior intensidade prevista para o verão austral de 2025. Justamente no período crítico para as culturas de soja e milho.

    A Bolsa de Comércio de Rosário, uma das principais referências do setor agrícola argentino, alertou que, embora o milho plantado precocemente possa ter condições favoráveis durante a primavera de 2024, a soja de primeira safra enfrenta riscos elevados a partir de janeiro de 2025, quando os efeitos da La Niña devem se intensificar.

    Histórico de perdas e vulnerabilidade agrícola

    A agricultura argentina já vinha sofrendo com sucessivos anos de condições climáticas adversas. As secas anteriores causaram perdas bilionárias e reduziram drasticamente a produção de grãos, comprometendo as exportações e a entrada de divisas no país. A área plantada de milho, por exemplo, caiu de aproximadamente 2 milhões de hectares em 2023 para 1,3 milhão de hectares, refletindo a cautela dos produtores diante da instabilidade climática.

    Especialistas advertem que, dependendo da intensidade do fenômeno, pode haver deficit de umidade nos solos até março de 2025, afetando diretamente a produtividade das lavouras em um momento crucial do desenvolvimento das plantas.

    Impactos nos preços e na economia brasileira

    Para o Brasil, a situação climática na Argentina tem implicações diretas nos preços dos alimentos e na economia doméstica. A Argentina é um dos principais exportadores mundiais de soja e milho, commodities fundamentais para a cadeia produtiva de alimentos. Qualquer redução na oferta argentina tende a pressionar os preços internacionais desses grãos.

    Com a possibilidade de quebra de safra no país vizinho, especialistas do setor apontam que os preços da soja e do milho podem sofrer elevações no mercado internacional. Isso impacta diretamente os custos de produção de carnes, ovos, leite e outros derivados no Brasil, já que esses grãos são a base da alimentação animal.

    A conjuntura é especialmente preocupante porque o Brasil também enfrenta seus próprios desafios climáticos com a La Niña. No Sul do país, região responsável por parcela significativa da produção nacional de grãos, as previsões indicam redução das chuvas, o que pode comprometer a produtividade das lavouras brasileiras.

    Analistas de mercado estimam que, caso haja queda simultânea na produção argentina e brasileira, os preços dos alimentos podem sofrer pressão inflacionária considerável no país. A soja, por exemplo, que já enfrenta volatilidade nos mercados internacionais, pode ver seus preços impactados pela menor oferta sul-americana.

    Monitoramento climático

    Apesar das preocupações, alguns fatores podem amenizar os impactos. O Dipolo do Índico, outro fenômeno climático que influencia as chuvas na América do Sul, está evoluindo de forma favorável. E pode compensar parcialmente os efeitos da La Niña na Argentina.

    Além disso, há expectativa de que o evento seja de intensidade fraca a moderada e de curta duração. Com possível retorno a condições neutras entre março e abril de 2025. Essa janela de tempo mais curta poderia limitar os danos às culturas, desde que as chuvas retornem no momento adequado.

    O monitoramento constante das condições climáticas por parte dos órgãos oficiais, tanto na Argentina quanto no Brasil, será fundamental para orientar as decisões dos produtores e permitir ajustes nas estratégias de plantio e comercialização.

    O retorno da La Niña representa um desafio significativo para o setor agrícola da América do Sul. Especialmente para a Argentina, que ainda se recupera de anos de secas severas. Os reflexos desse cenário climático adverso inevitavelmente chegarão aos consumidores brasileiros por meio dos preços dos alimentos, tornando essencial o acompanhamento atento da evolução do fenômeno nos próximos meses.

    A integração dos mercados agrícolas sul-americanos faz com que os problemas climáticos em um país rapidamente se transformem em questões econômicas regionais. Portanto, reforçando a importância de políticas de mitigação de riscos e diversificação da produção agrícola.

  • China suspende compra de soja dos EUA e Brasil mantém liderança no mercado global

    China suspende compra de soja dos EUA e Brasil mantém liderança no mercado global

    A China praticamente paralisou as importações de soja dos Estados Unidos em 2025, abrindo uma oportunidade histórica para o Brasil consolidar sua posição como principal fornecedor do grão ao maior importador mundial. Os dados foram divulgados pela American Farm Bureau Federation, entidade que representa 6 milhões de agricultores norte-americanos desde 1919.

    Segundo o levantamento, a China adquiriu apenas 5,8 milhões de toneladas de soja americana em 2025, uma redução abrupta em comparação às 26,5 milhões de toneladas importadas em 2024 — quando o país representava metade de todas as compras chinesas do produto.

    “Os mercados de soja tornaram-se o sinal mais claro de estresse no comércio agrícola dos EUA”, afirmou a entidade em seu relatório. Durante os meses de junho, julho e agosto, praticamente não houve embarques de soja americana para território chinês, e nenhuma compra foi registrada para a próxima safra.

    Brasil domina o mercado com 77 milhões de toneladas

    Enquanto os produtores americanos enfrentam dificuldades, o Brasil registrou vendas superiores a 77 milhões de toneladas de soja para a China no período analisado de 2025. Os números evidenciam como a América do Sul assumiu a liderança absoluta no fornecimento, deslocando completamente os agricultores norte-americanos.

    A Argentina também buscou aumentar sua participação no mercado ao remover temporariamente o imposto de exportação de soja, restabelecendo-o dias depois após as receitas ultrapassarem US$ 7 bilhões.

    Governo Trump promete apoio aos produtores

    Diante da pressão crescente dos agricultores americanos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou na semana passada que o governo Donald Trump prepara um “apoio substancial aos nossos agricultores, especialmente aos produtores de soja”, com possível anúncio nesta terça-feira.

    O próprio presidente Trump reconheceu o problema em sua rede social Truth Social: “Os produtores de soja do nosso país estão sendo prejudicados porque a China, por razões de ‘negociação’ apenas, não está comprando. Ganhamos tanto dinheiro com tarifas que vamos pegar uma pequena parte desse dinheiro e ajudar os nossos agricultores”.

    Durante a primeira guerra comercial com a China em 2019, Trump destinou mais de US$ 22 bilhões em pagamentos de ajuda aos agricultores americanos.

    Transformação estrutural no comércio global

    A American Farm Bureau Federation alerta que a situação vai além da disputa tarifária atual. As importações chinesas de soja não diminuíram — na verdade, atingiram níveis recordes. A diferença é que a demanda agora é atendida por concorrentes dos Estados Unidos.

    “Mesmo quando os agricultores americanos produzem safras com preços competitivos, a China tem reduzido gradualmente sua dependência dos Estados Unidos. Voltando-se para o Brasil, a Argentina e outros fornecedores”, destacou a entidade.

    Impacto nos preços e outros produtos agrícolas

    A ampla oferta global e a demanda reduzida estão pressionando os preços do milho, soja e trigo americanos, reduzindo as receitas agrícolas apesar das fortes colheitas. A situação é agravada pelos baixos níveis de água no Rio Mississippi, que elevam os custos de transporte.

    A mudança não se limita à soja. A China não comprou milho, trigo ou sorgo dos EUA em 2025, e as exportações de carne suína e algodão permanecem em níveis mínimos. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta que as exportações agrícolas totais para o país asiático alcançarão US$ 17 bilhões em 2025. Uma queda de 30% em relação a 2024 e mais de 50% comparado a 2022.

    Para 2026, a projeção é ainda mais preocupante: apenas US$ 9 bilhões, o menor patamar desde 2018.

    Histórico de dependência e diversificação

    Em 2012, a China comprava mais de US$ 25 bilhões em produtos agrícolas americanos, representando quase 20% de todas as exportações do setor. Em 2018, as vendas despencaram para aproximadamente US$ 9 bilhões, o menor nível em uma década.

    Embora tenha havido recuperação parcial em 2020 e 2021, o movimento foi temporário. “Desde então, a China tem diversificado constantemente seus fornecedores. Voltando-se mais para o Brasil e a Argentina em busca de soja, grãos e proteína”, informou a federação.

    “As metas de política interna da China, incluindo segurança alimentar e gestão de preços, também incentivam a distribuição das compras entre vários países para evitar a dependência dos Estados Unidos”, explicou a American Farm Bureau Federation.

    A entidade conclui que a desaceleração de 2025 não é um evento isolado. Mas parte de uma trajetória de longo prazo na qual a China se afasta estrategicamente da agricultura americana. “Para os agricultores americanos, essa mudança significou menos vendas, um crescente déficit comercial agrícola e maior incerteza sobre o futuro papel da China como mercado para a agricultura americana”, finalizou.

  • Brasil revoluciona mercado global da soja e quebra tradição de 30 anos

    Brasil revoluciona mercado global da soja e quebra tradição de 30 anos

    Agosto de 2025 entrou para a história do agronegócio mundial. O Brasil quebrou uma regra comercial que durava três décadas. Navios carregados de soja brasileira partiram dos portos nacionais rumo à China durante o período que tradicionalmente pertencia aos Estados Unidos.

    A matemática do mercado global sempre funcionou como um relógio suíço. De fevereiro a agosto, Brasil e Argentina alimentavam o gigante asiático. De setembro a dezembro, os americanos assumiam o controle das exportações. Esta lógica acaba de ser reescrita.

    China escolhe segurança do fornecimento brasileiro sobre produtos dos EUA

    Os números oficiais comprovam a reviravolta histórica. O Brasil exportou 77,2 milhões de toneladas de soja nos primeiros sete meses de 2025. Este volume representa um recorde absoluto para o período. A China absorveu 73% de toda a produção brasileira exportada.

    As projeções para o ano inteiro impressionam ainda mais. As exportações brasileiras de soja para a China podem atingir US$ 40 bilhões em 2025. Este valor representa um salto de US$ 7 bilhões comparado aos números anteriores.

    Foto: Divulgação – Aprosoja Brasil

    Os Estados Unidos sentem o impacto direto desta mudança. As exportações americanas de produtos agrícolas para a China caíram de US$ 40 bilhões para US$ 25 bilhões. Na soja especificamente, os americanos perderam ainda mais terreno. Suas vendas despencaram para US$ 15 bilhões.

    Tensões comerciais criam vantagem competitiva de 20% para o Brasil

    A explicação para esta reviravolta está nas tensões comerciais entre Washington e Pequim. A China impôs tarifas que encarecem os produtos americanos em 20%. Esta sobretaxação inclui 10% de tarifa geral e mais 10% especificamente sobre a soja.

    Foto: Wenderson Araujo/Trilux/Sistema CNA/Senar

    O resultado prático beneficia diretamente os produtores brasileiros. Eles ganharam uma vantagem competitiva substancial no maior mercado consumidor do mundo. A China prefere pagar este “prêmio de segurança” ao fornecimento brasileiro.

    Produtores nacionais ganham 40% mais tempo de comercialização

    A nova realidade transforma completamente a estratégia comercial dos produtores brasileiros. Eles agora contam com uma janela de comercialização 40% maior que antes. Esta extensão permite um planejamento financeiro mais eficiente ao longo do ano.

    O fluxo de caixa dos produtores se distribui de forma mais equilibrada. Anteriormente, as vendas se concentravam nos primeiros oito meses do ano. Agora, os contratos se estendem até outubro e novembro.

    Esta mudança também aumenta o poder de barganha dos exportadores nacionais. Eles negociam em posição de força com compradores chineses que buscam garantir fornecimento estável.

    Infraestrutura brasileira enfrenta pressão positiva sem precedentes

    A logística portuária nacional precisa se adaptar rapidamente ao novo cenário. Os portos brasileiros operam sob pressão positiva constante. A demanda por carregamentos se mantém alta durante todo o ano.

    Os contratos de longo prazo ganham prioridade absoluta entre as trading companies. Esta preferência gera estabilidade para toda a cadeia de exportação. Empresas de logística precisam reposicionar suas estratégias operacionais.

    A infraestrutura de armazenagem também sente os efeitos desta transformação. Os silos precisam manter estoques por períodos mais longos. Esta necessidade exige investimentos em tecnologia de conservação e gestão de qualidade.

    Mercado chinês consolida dependência do fornecimento brasileiro

    A China demonstra preferência clara pelo fornecimento brasileiro de commodities agrícolas. Esta escolha se baseia em critérios de estabilidade e previsibilidade comercial. O gigante asiático valoriza parcerias de longo prazo com fornecedores confiáveis.

    As importações chinesas de soja brasileira cresceram 13,9% em julho de 2025 comparado ao mesmo período de 2024. Este aumento comprova a consolidação da parceria comercial entre os dois países.

    A dependência chinesa do agronegócio brasileiro se aprofunda mês após mês. Esta tendência beneficia produtores, exportadores e toda a cadeia logística nacional. O Brasil se posiciona como parceiro estratégico indispensável da segunda maior economia mundial.

    Agosto marca o início de uma nova era para o agronegócio brasileiro. A quebra da tradição comercial de 30 anos abre oportunidades sem precedentes. Produtores, exportadores e empresas de logística colhem os frutos desta transformação histórica.

    O Brasil assume definitivamente a posição de principal fornecedor agrícola da China. Esta conquista resulta de décadas de investimento em produtividade, qualidade e infraestrutura. O país se consolida como potência global no setor de commodities agrícolas.